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Sob o pôr do sol do Araguaia, agro debate os caminhos do milho, do etanol e da bioenergia

A Abertura Nacional da Colheita da Segunda Safra reuniu mais de mil produtores, lideranças e autoridades em Querência, no último dia 3 de junho, para discutir o futuro da cadeia do milho e seu papel no avanço da produção de etanol, bioenergia e desenvolvimento econômico em Mato Grosso.
O evento, que integra o projeto Mais Milho, realizado pelo Canal Rural Mato Grosso, em parceria com a Abramilho e Aprosoja Mato Grosso, ocorreu em um momento de expectativa positiva para a cultura no estado. Maior produtor de milho do país, Mato Grosso deve colher mais de 53 milhões de toneladas do cereal na safra 2025/26, conforme projeções do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).
Nesta temporada, a cultura ocupou cerca de 7,4 milhões de hectares, com leve crescimento em relação ao ciclo anterior. O desempenho reforça a importância do milho no sistema produtivo estadual e sua contribuição para a geração de renda nas propriedades.
Para o superintendente do Sistema Famato e do Imea, Cleiton Gauer, a safra vem apresentando resultados positivos em diferentes regiões do estado. Segundo ele, o leve incremento de área em relação ao ano passado se deu principalmente pelo posicionamento do produtor em relação a outras culturas.

Safra positiva e confiança no campo
Além da ampliação da área cultivada, a expectativa é de produtividade média próxima de 120 sacas por hectare. Os números reforçam a relevância do milho para a economia mato-grossense e para a consolidação do sistema de segunda safra adotado pelos produtores ao longo das últimas décadas. “A produtividade ainda está em curso. Nós ainda estamos em campo avaliando, mas o que a gente tem visto é uma safra muito positiva, com excelentes produtividades”.
Conforme Gauer, o cereal passou a ocupar um espaço estratégico dentro das propriedades, aproveitando estruturas já existentes e ampliando a geração de renda no campo. “A cultura do milho é extremamente importante para o estado de Mato Grosso. Se nós analisarmos o histórico desde o ano 2000, o produtor aprendeu a cultivar milho, ele se encaixou muito bem no sistema produtivo de milho segunda safra agregando renda, utilizando mão de obra e equipamentos compartilhados e conseguindo gerar mais uma produção”.
O crescimento da indústria do etanol também tem contribuído para ampliar a demanda pelo cereal. O superintendente do Imea frisa que a instalação das usinas criou um novo mercado para a produção estadual. “A cultura nos últimos anos ganhou um potencial ainda mais positivo com a chegada do etanol de milho, que realmente deu uma vazão e uma explosão na produção mato-grossense”.
Em Querência, a boa perspectiva para a safra também renova a confiança dos produtores, mesmo diante de custos mais elevados e da volatilidade do mercado.
O agricultor Írio Guisolphi, anfitrião do evento, avalia que os resultados devem ficar próximos aos registrados na temporada passada. “O ano passado foi um ano bom, muito bom em relação aos últimos anos, então eu acredito que deve ficar na média ou um pouco abaixo”.
Apesar da pressão sobre os custos de produção, a expectativa é de uma rentabilidade mais favorável. “A gente sabe que o mercado oscila muito para cima e para baixo, o custo foi mais alto, mas eu tenho a esperança que a rentabilidade vai ser melhor”, afirma.

Industrialização impulsiona novas oportunidades
A Estância VN, em Querência, foi o palco da abertura nacional da colheita do milho segunda safra. Enquanto o sol se despedia no horizonte e tingia de dourado as lavouras, produtores, lideranças e representantes do setor acompanharam discussões sobre os próximos passos da cadeia produtiva.
O avanço da industrialização do milho e a expansão da bioenergia estiveram entre os temas centrais do encontro. A avaliação é de que a transformação do cereal dentro do próprio estado deve ampliar a geração de riqueza e fortalecer novas cadeias econômicas.
Para o governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta, a verticalização da produção representa uma nova etapa para o agronegócio mato-grossense. “Nós estamos aumentando muito a produtividade e o milho é uma cadeia fácil de verticalizar. Diferente de antigamente, que transformava em suíno e frango em volumes baixos, hoje nós temos as usinas de etanol de milho, que é uma evolução. Bioenergia, vamos alavancar um milhão de hectares de eucaliptos e vamos triplicar o valor da nossa matéria-prima simplesmente passando por uma usina e uma fermentação”.
A expectativa de expansão do setor também é compartilhada pelo presidente do Sindicato Rural de Querência, Osmar Frizzo. Para ele, a tendência é de novos investimentos na cadeia do etanol. “Com certeza vai vir mais indústria de etanol e o Brasil vai se tornar um grande produtor de etanol, que é uma energia muito barata e sustentável para o mundo”.
O prefeito de Querência, Gilmar Wentz, destacou que a industrialização abre novas possibilidades para o município e para a região. “A gente vem construindo isso ao longo do tempo e agora um novo caminho da transformação, outras portas e outras possibilidades se abrem. Nós temos que ter a biomassa, é uma revolução”.

Crédito, tecnologia e competitividade em pauta
Além da celebração da colheita, o evento promoveu debates sobre os desafios e as perspectivas do agronegócio brasileiro. Especialistas, produtores e lideranças participaram de painéis voltados a temas como crédito rural, competitividade, inovação, tecnologia e o futuro da produção de milho.
As discussões reuniram mais de mil participantes e reforçaram o papel estratégico do cereal para a economia brasileira, tanto pela produção de alimentos quanto pelo fornecimento de matéria-prima para a indústria e o setor energético.
A abertura nacional da colheita também evidenciou a capacidade do campo de produzir com eficiência, tecnologia e sustentabilidade, características que têm sustentado o crescimento da agricultura mato-grossense e ampliado sua relevância no cenário nacional.
Para Pivetta, o encontro simbolizou a força econômica do estado e o potencial de expansão das cadeias produtivas ligadas ao agro. “Isso aqui é a imagem da grandeza do nosso estado e da força que nós temos. Muito em breve Mato Grosso vai ser a maior fonte de proteína do mundo”.

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John Deere começará a produzir componentes eletrônicos de máquinas no Brasil

A John Deere anunciou a ampliação de sua unidade industrial de Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, com a implantação de uma área dedicada à montagem de componentes eletrônicos para máquinas agrícolas e de construção.
A nova operação tem previsão de início em julho de 2027 e prevê investimento de R$ 75 milhões.
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De acordo com a companhia,o projeto é voltado exclusivamente ao mercado brasileiro e formará uma nova linha para a montagem final de módulos de controle, receptores de sinal Sistema de Posicionamento Global (GPS) de alta precisão, monitores e equipamentos de orientação utilizados nas máquinas.
Segundo a empresa, a expansão integra sua estratégia de manufatura para otimizar a cadeia de suprimentos, ampliar a eficiência logística e aproveitar a capacidade técnica da unidade de Canoas.
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Demanda aquecida no mercado de soja segura preços firmes; produtor segue retraído

O mercado brasileiro de soja voltou a registrar um dia de preços firmes, embora os produtores continuem limitando as ofertas. Segundo o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, a combinação de uma nova alta na Bolsa de Chicago, prêmios fortalecidos e valorização do dólar manteve a sustentação das cotações.
Silveira destaca que, apesar do cenário favorável aos preços, não houve registro de negociações em grandes volumes. Segundo ele, o produtor continua segurando a soja, restringindo a oferta disponível no mercado.
O analista observa ainda que o mercado interno segue pressionando as cotações, com compradores elevando suas ofertas para competir com os portos. Ainda assim, a disponibilidade de soja permanece limitada diante da postura dos vendedores.
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No mercado físico, os preços foram os seguintes:
- Passo Fundo (RS): subiu de R$ 141,00 para R$ 142,00
- Santa Rosa (RS): subiu de R$ 142,00 para R$ 143,00
- Cascavel (PR): manteve em R$ 136,00
- Rondonópolis (MT): manteve em R$ 130,00
- Dourados (MS): manteve em R$ 128,50
- Rio Verde (GO): desceu de R$ 132,00 para R$ 131,00
Nos portos, Paranaguá (PR) manteve a saca em R$ 147,00, enquanto Rio Grande (RS) registrou alta de R$ 147,00 para R$ 148,00.
Soja em Chicago
Os contratos futuros da soja encerraram a quinta-feira em alta na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). O avanço foi sustentado pela forte valorização do petróleo, pela boa demanda pela soja norte-americana e pelas preocupações com o clima seco em regiões produtoras dos Estados Unidos. O movimento, porém, foi limitado por realização de lucros e vendas técnicas.
As renovadas tensões no Oriente Médio impulsionaram o petróleo, que voltou a superar US$ 100 por barril em Londres após alta superior a 8%. O movimento deu sustentação adicional ao complexo da soja, especialmente devido à relação entre o óleo de soja e a produção de biodiesel.
Os exportadores privados dos Estados Unidos informaram ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) a venda de 126 mil toneladas de soja para destinos não revelados, com entrega na temporada 2026/27.
Já as exportações líquidas norte-americanas referentes à safra 2025/26 somaram 56,4 mil toneladas na semana encerrada em 16 de julho. Para a temporada 2026/27, o volume alcançou 1,537 milhão de toneladas. O mercado esperava embarques entre 1,1 milhão e 2,2 milhões de toneladas, considerando as duas temporadas.
Contratos futuros de soja
Os contratos da soja para agosto fecharam com alta de 4,50 centavos de dólar, ou 0,36%, a US$ 12,37 1/2 por bushel. O vencimento novembro encerrou cotado a US$ 12,43 3/4 por bushel, avanço de 4,75 centavos, ou 0,38%.
Entre os subprodutos, o farelo para agosto caiu US$ 1,70, ou 0,51%, para US$ 329,90 por tonelada. O óleo de soja para agosto subiu 0,11 centavo, ou 0,14%, encerrando a 75,59 centavos de dólar por libra-peso.
Câmbio
O dólar comercial fechou a sessão com valorização de 0,62%, cotado a R$ 5,0838 para venda e R$ 5,0818 para compra. Ao longo do dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,0698 e a máxima de R$ 5,0923.
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Bactéria que causa doença grave em peixes é identificada pela primeira vez no Brasil

Cientistas identificaram pela primeira vez no Brasil a presença de bactérias causadoras de uma grave doença em peixes de criação destinados ao consumo humano: a columnariose. Até agora, as diferentes espécies do gênero Flavobacterium só haviam sido detectadas em criadouros da Ásia e dos Estados Unidos.
A doença impacta principalmente criações de tilápia (Oreochromis niloticus) também conhecida, comercialmente, como Saint Peter, que é uma espécie de origem africana; mas também criações de espécies nativas do Brasil, como tambaqui, pacu e pintado-da-amazônia.
Os resultados são um alerta para a necessidade de vigilância epidemiológica e desenvolvimento de vacinas. “A identificação inicial das bactérias desse gênero é feita por exame visual das colônias no microscópio”, conta Daniel de Abreu Reis Ferreira, primeiro autor do estudo.
Doença de pele
Até pouco tempo, as quatro espécies de Flavobacterium detectadas eram conhecidas como apenas uma, Flavobacterium columnare, daí o nome da doença. A columnariose causa lesões esbranquiçadas na pele e nas nadadeiras, além de necrose nas brânquias dos peixes.
“As bactérias se alimentam de células epiteliais e matam os peixes em poucos dias, especialmente as larvas e os alevinos”, explica Fabiana Pilarski, professora do Caunesp.
Pilarski é pesquisadora associada do Centro de Ciência para o Desenvolvimento Sanidade na Piscicultura, sediado no Instituto de Pesca.
Identificação
Entre as 11 cepas isoladas no estudo, seis eram da espécie Flavobacterium oreochromis, até então conhecida no Brasil por infectar apenas a tilápia, peixe mais produzido no país e no mundo. Agora, o patógeno foi detectado em amostras de peixes nativos criados para consumo: tambaqui (Colossoma macropomum), lambari (Astyanax lacustris) e pacu (Piaractus mesopotamicus).
Outro resultado foi a detecção inédita de Flavobacterium davisii em um pintado-da-amazônia (Pseudoplatystoma punctifer). “Esse caso mostra que a bactéria também pode infectar siluriformes, uma ordem de peixes distinta das que ela costuma colonizar, ampliando a possibilidade de hospedeiros para esse patógeno”, explica Ferreira.
Adaptação ao clima
As análises mostraram ainda que os patógenos até então encontrados apenas na Ásia e nos Estados Unidos estão adaptados ao clima do Brasil. Nos testes, F. davisii e F. inkyongense, outra bactéria identificada nas análises, alcançaram condições ideais para o crescimento a 28 °C, temperatura média das águas continentais brasileiras.
Outras duas espécies detectadas nas análises, F. oreochromis e F. indicum, demonstraram preferência por temperaturas mais altas, sendo que a segunda apresentou o pico de desenvolvimento a 35 °C, ou seja, pode ser favorecida pelo aquecimento das águas. Outro dado alarmante é que a 28 °C as bactérias apresentaram uma alta produção de biofilme.
“O biofilme é uma matriz protetora que permite que as bactérias se mantenham num estado de dormência quando as condições não são favoráveis, voltando a se multiplicar quando o ambiente se torna propício”, diz Pilarski.
“Daí a importância de protocolos robustos de higiene e desinfecção para prevenir a colonização dos equipamentos usados para o manejo dos peixes”, completa Ferreira.
Enquanto quase todas as espécies analisadas sofreram uma queda expressiva na formação de biofilmes a 35 °C, na F. davisii esse mecanismo de defesa permaneceu bastante ativo. Os pesquisadores observaram, porém, que sob essa temperatura a bactéria teve sua mobilidade prejudicada.
“Isso sugere uma adaptação, o que chamamos de um trade-off metabólico, em que ela perderia por um lado, se movimentando menos, mas ganharia por outro, produzindo biofilme e sobrevivendo”, explica Ferreira.
Vacinas e sal
A boa notícia é que estudos realizados por outros grupos de pesquisa mostram que bactérias do gênero Flavobacterium não suportam bem a salinidade. Com isso, adicionar sal à água poderia diminuir as chances de colonização do patógeno. No entanto, ainda são necessários novos estudos para determinar os níveis ideais de salinidade para proteger cada espécie de peixe.
Os pesquisadores agora realizam estudos genômicos com as bactérias encontradas a fim de encontrar possíveis alvos para vacinas. A ideia é desenvolver os chamados imunizantes autógenos, vacinas personalizadas para as cepas presentes em cada local de produção.
“Uma vez que a columnariose ataca sobretudo a pele, uma vacina na forma de banho com a bactéria atenuada seria ideal, beneficiando principalmente os peixes jovens. É uma fase em que o sistema imune está em formação e, por serem pequenos, os alevinos poderiam ser vacinados em grande quantidade simultaneamente”, avalia Pilarski.
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