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8 de junho de 2026

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Sob o pôr do sol do Araguaia, agro debate os caminhos do milho, do etanol e da bioenergia

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Foto: Mayke Toscano/Secom-MT

A Abertura Nacional da Colheita da Segunda Safra reuniu mais de mil produtores, lideranças e autoridades em Querência, no último dia 3 de junho, para discutir o futuro da cadeia do milho e seu papel no avanço da produção de etanol, bioenergia e desenvolvimento econômico em Mato Grosso.

O evento, que integra o projeto Mais Milho, realizado pelo Canal Rural Mato Grosso, em parceria com a Abramilho e Aprosoja Mato Grosso, ocorreu em um momento de expectativa positiva para a cultura no estado. Maior produtor de milho do país, Mato Grosso deve colher mais de 53 milhões de toneladas do cereal na safra 2025/26, conforme projeções do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Nesta temporada, a cultura ocupou cerca de 7,4 milhões de hectares, com leve crescimento em relação ao ciclo anterior. O desempenho reforça a importância do milho no sistema produtivo estadual e sua contribuição para a geração de renda nas propriedades.

Para o superintendente do Sistema Famato e do Imea, Cleiton Gauer, a safra vem apresentando resultados positivos em diferentes regiões do estado. Segundo ele, o leve incremento de área em relação ao ano passado se deu principalmente pelo posicionamento do produtor em relação a outras culturas.

abertura nacional da colheita do milho foto Mayke Toscano Secom MT
Foto: Mayke Toscano/Secom-MT

Safra positiva e confiança no campo

Além da ampliação da área cultivada, a expectativa é de produtividade média próxima de 120 sacas por hectare. Os números reforçam a relevância do milho para a economia mato-grossense e para a consolidação do sistema de segunda safra adotado pelos produtores ao longo das últimas décadas. “A produtividade ainda está em curso. Nós ainda estamos em campo avaliando, mas o que a gente tem visto é uma safra muito positiva, com excelentes produtividades”.

Conforme Gauer, o cereal passou a ocupar um espaço estratégico dentro das propriedades, aproveitando estruturas já existentes e ampliando a geração de renda no campo. “A cultura do milho é extremamente importante para o estado de Mato Grosso. Se nós analisarmos o histórico desde o ano 2000, o produtor aprendeu a cultivar milho, ele se encaixou muito bem no sistema produtivo de milho segunda safra agregando renda, utilizando mão de obra e equipamentos compartilhados e conseguindo gerar mais uma produção”.

O crescimento da indústria do etanol também tem contribuído para ampliar a demanda pelo cereal. O superintendente do Imea frisa que a instalação das usinas criou um novo mercado para a produção estadual. “A cultura nos últimos anos ganhou um potencial ainda mais positivo com a chegada do etanol de milho, que realmente deu uma vazão e uma explosão na produção mato-grossense”.

Em Querência, a boa perspectiva para a safra também renova a confiança dos produtores, mesmo diante de custos mais elevados e da volatilidade do mercado.

O agricultor Írio Guisolphi, anfitrião do evento, avalia que os resultados devem ficar próximos aos registrados na temporada passada. “O ano passado foi um ano bom, muito bom em relação aos últimos anos, então eu acredito que deve ficar na média ou um pouco abaixo”.

Apesar da pressão sobre os custos de produção, a expectativa é de uma rentabilidade mais favorável. “A gente sabe que o mercado oscila muito para cima e para baixo, o custo foi mais alto, mas eu tenho a esperança que a rentabilidade vai ser melhor”, afirma.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Industrialização impulsiona novas oportunidades

A Estância VN, em Querência, foi o palco da abertura nacional da colheita do milho segunda safra. Enquanto o sol se despedia no horizonte e tingia de dourado as lavouras, produtores, lideranças e representantes do setor acompanharam discussões sobre os próximos passos da cadeia produtiva.

O avanço da industrialização do milho e a expansão da bioenergia estiveram entre os temas centrais do encontro. A avaliação é de que a transformação do cereal dentro do próprio estado deve ampliar a geração de riqueza e fortalecer novas cadeias econômicas.

Para o governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta, a verticalização da produção representa uma nova etapa para o agronegócio mato-grossense. “Nós estamos aumentando muito a produtividade e o milho é uma cadeia fácil de verticalizar. Diferente de antigamente, que transformava em suíno e frango em volumes baixos, hoje nós temos as usinas de etanol de milho, que é uma evolução. Bioenergia, vamos alavancar um milhão de hectares de eucaliptos e vamos triplicar o valor da nossa matéria-prima simplesmente passando por uma usina e uma fermentação”.

A expectativa de expansão do setor também é compartilhada pelo presidente do Sindicato Rural de Querência, Osmar Frizzo. Para ele, a tendência é de novos investimentos na cadeia do etanol. “Com certeza vai vir mais indústria de etanol e o Brasil vai se tornar um grande produtor de etanol, que é uma energia muito barata e sustentável para o mundo”.

O prefeito de Querência, Gilmar Wentz, destacou que a industrialização abre novas possibilidades para o município e para a região. “A gente vem construindo isso ao longo do tempo e agora um novo caminho da transformação, outras portas e outras possibilidades se abrem. Nós temos que ter a biomassa, é uma revolução”.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Crédito, tecnologia e competitividade em pauta

Além da celebração da colheita, o evento promoveu debates sobre os desafios e as perspectivas do agronegócio brasileiro. Especialistas, produtores e lideranças participaram de painéis voltados a temas como crédito rural, competitividade, inovação, tecnologia e o futuro da produção de milho.

As discussões reuniram mais de mil participantes e reforçaram o papel estratégico do cereal para a economia brasileira, tanto pela produção de alimentos quanto pelo fornecimento de matéria-prima para a indústria e o setor energético.

A abertura nacional da colheita também evidenciou a capacidade do campo de produzir com eficiência, tecnologia e sustentabilidade, características que têm sustentado o crescimento da agricultura mato-grossense e ampliado sua relevância no cenário nacional.

Para Pivetta, o encontro simbolizou a força econômica do estado e o potencial de expansão das cadeias produtivas ligadas ao agro. “Isso aqui é a imagem da grandeza do nosso estado e da força que nós temos. Muito em breve Mato Grosso vai ser a maior fonte de proteína do mundo”.

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Com médio-norte na liderança, colheita do milho em Mato Grosso passa de 5%

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

As máquinas já entraram em campo em Mato Grosso para colher o milho 2025/26. Até o dia 5 de junho, o estado já havia colhido 5,85% dos 7,4 milhões de hectares cultivados na temporada. As projeções apontam para uma produção de 53,3 milhões de toneladas.

Segundo levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), os trabalhos atuais estão 3,19 pontos percentuais à frente do ciclo passado para o período. Entretanto, ao se comparar com a média das últimas cinco temporadas está “atrasado”. A média é de 6,80%.

O médio-norte é a região com a colheita mais adiantada com 9,10% do milho retirado das lavouras. Em seguida surgem o noroeste com 8,02% e o norte com 5,35%.

A região nordeste, aponta o levantamento, já colheu 4,50% da área semeada com o cereal e o centro-sul 3,31%. Já o oeste mato-grossense colheu 3,22% e o sudeste 0,99%.


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Entidades do agro reagem ao veto da União Europeia contra carnes, aves, peixes e mel do Brasil

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Imagem gerada por IA para o Canal Rural

Entidades do agronegócio reagiram à decisão da União Europeia (UE), confirmada na última sexta-feira (5), de suspender a importação de produtos brasileiros de origem animal, como carne bovina, aves, mel, peixes da aquicultura e outros subprodutos a partir de setembro de 2026.

Representantes do setor criticam a medida, defendem a qualidade sanitária da produção nacional e cobram uma resposta mais firme do governo brasileiro e do Mercosul diante das exigências impostas pelo bloco europeu.

A restrição está relacionada às regras da UE sobre o uso de antimicrobianos, como antibióticos, na produção animal. O regulamento europeu foi aprovado em 2019 e complementado em 2023, estabelecendo prazo até setembro de 2026 para que os países exportadores comprovassem equivalência regulatória às normas sanitárias do bloco.

Segundo comunicado da Comissão Europeia, as informações apresentadas pelo Brasil foram consideradas insuficientes para validar os processos oficiais de fiscalização exigidos pela UE.

SRB pede análise técnica e revisão do processo

A Sociedade Rural Brasileira (SRB) afirmou que o episódio precisa ser analisado sob o ponto de vista técnico e regulatório, sem transformar o debate em busca por culpados.

Em nota, a entidade defendeu uma investigação detalhada sobre quais etapas do cronograma de adequação não avançaram dentro do prazo previsto pela União Europeia.

A SRB argumenta que o Brasil possui capacidade técnica para atender às exigências internacionais e cita o histórico do Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal, além dos mecanismos de autocontrole do setor privado, como fatores que ampliaram a eficiência da fiscalização sanitária brasileira.

No caso da pecuária bovina, a entidade também destacou a experiência do Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (Sisbov), utilizado para garantir rastreabilidade em mercados mais exigentes.

Para a SRB, o caso deve servir para aperfeiçoar procedimentos e fortalecer a capacidade do país de responder a exigências regulatórias cada vez mais rigorosas no comércio internacional.

Faep critica veto e cobra ação do governo federal

O Sistema Faep, da Federação da Agricultura do Estado do Paraná, classificou a decisão europeia como incompatível com a realidade sanitária brasileira e cobrou do governo federal o envio urgente das informações exigidas pela UE.

Segundo a entidade, o Brasil e o Paraná possuem reconhecimento internacional como áreas livres de febre aftosa sem vacinação e contam com estrutura sanitária consolidada na cadeia pecuária.

A Faep também destacou o impacto econômico da medida. Em 2025, os embarques dos produtos atingidos pela restrição somaram US$ 1,8 bilhão dentro de um total de US$ 49,8 bilhões exportados pelo agronegócio brasileiro para a União Europeia.

Na avaliação da federação, o bloqueio afeta diretamente frigoríficos, exportadores e produtores integrados às cadeias de proteína animal.

A entidade ressaltou ainda que associações do setor, como a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), entendem que o impasse não envolve falhas sanitárias no campo, mas divergências burocráticas relacionadas à validação dos processos oficiais de fiscalização conduzidos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

O Ministério das Relações Exteriores informou que mantém negociações diplomáticas para tentar reverter a decisão europeia.

Faesp cobra reação mais firme do Mercosul

A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) também criticou a decisão da União Europeia e afirmou que as novas exigências representam uma mudança nas condições discutidas ao longo de 25 anos de negociações entre Mercosul e UE.

A entidade contestou o argumento sanitário utilizado pelo bloco europeu e alegou tratamento desigual em relação a países concorrentes, como Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia.

Na avaliação da Faesp, as restrições ampliam a insegurança para frigoríficos, pecuaristas, exportadores e processadores que atuam no mercado europeu.

A federação também defendeu uma atuação diplomática mais firme do Mercosul, com posicionamento conjunto entre Brasil, Argentina e Uruguai diante das barreiras impostas pela União Europeia.

Setor aguarda definição sobre alcance da medida

Apesar das manifestações das entidades, ainda não há detalhamento completo sobre o alcance prático da decisão europeia.

Até o momento, não foram divulgadas oficialmente informações adicionais sobre documentos pendentes, exigências complementares, cronograma de revisão das restrições ou o volume exato das exportações que poderão ser afetadas.

O setor avalia que os próximos passos dependerão do avanço das negociações diplomáticas e do envio das informações técnicas exigidas pela União Europeia para validar os sistemas brasileiros de controle sanitário e fiscalização.

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Inmet emite alerta de tempestade para o Sul na madrugada de segunda-feira (8)

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O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta de perigo potencial para tempestade em parte da região Sul a partir da madrugada de segunda-feira (8), com início previsto às 3h. O aviso alcança principalmente áreas do Rio Grande do Sul, incluindo a região metropolitana de Porto Alegre, além do oeste de Santa Catarina e do sudoeste do Paraná. Segundo o órgão, há previsão de chuva, ventos intensos e possibilidade de queda de granizo.

De acordo com o Inmet, o alerta indica risco de ocorrências associadas ao avanço das instabilidades atmosféricas sobre o Sul do país. O órgão informou a possibilidade de estragos em plantações, queda de galhos de árvores e alagamentos em áreas atingidas. O volume de chuva em milímetros e a velocidade dos ventos não foram detalhados no conteúdo disponível.

No caso do setor agropecuário, o quadro exige atenção de produtores, cooperativas e equipes de campo, especialmente em áreas com lavouras mais sensíveis ao impacto de vento e granizo. Esse tipo de condição pode provocar danos localizados em culturas de inverno, hortaliças, pomares, estruturas rurais e armazenagem, além de dificultar deslocamentos e operações entre propriedades e centros urbanos.

Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News!

No Rio Grande do Sul, o alerta se concentra em uma faixa que inclui a região metropolitana de Porto Alegre. Também devem permanecer em atenção municípios do oeste catarinense e do sudoeste paranaense. A orientação técnica, diante de avisos desse tipo, é acompanhar atualizações oficiais de curto prazo, já que a abrangência e a intensidade dos fenômenos podem variar ao longo da madrugada e da manhã.

Além do Sul, o Inmet também indicou perigo potencial de chuvas intensas para a manhã de segunda-feira (8) em áreas do Norte, abrangendo a maior parte de Pará, Amazonas e Amapá, além do sul de Roraima.

O cenário para as próximas horas depende da evolução das instabilidades monitoradas pelo Inmet. Como o aviso disponível não detalha acumulados de chuva nem rajadas previstas por município, a recomendação é acompanhar novos boletins do órgão, da Defesa Civil e dos serviços meteorológicos locais para avaliar efeitos sobre lavouras, pastagens e logística rural.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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