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24 de julho de 2026

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Entidades do agro reagem ao veto da União Europeia contra carnes, aves, peixes e mel do Brasil

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Imagem gerada por IA para o Canal Rural

Entidades do agronegócio reagiram à decisão da União Europeia (UE), confirmada na última sexta-feira (5), de suspender a importação de produtos brasileiros de origem animal, como carne bovina, aves, mel, peixes da aquicultura e outros subprodutos a partir de setembro de 2026.

Representantes do setor criticam a medida, defendem a qualidade sanitária da produção nacional e cobram uma resposta mais firme do governo brasileiro e do Mercosul diante das exigências impostas pelo bloco europeu.

A restrição está relacionada às regras da UE sobre o uso de antimicrobianos, como antibióticos, na produção animal. O regulamento europeu foi aprovado em 2019 e complementado em 2023, estabelecendo prazo até setembro de 2026 para que os países exportadores comprovassem equivalência regulatória às normas sanitárias do bloco.

Segundo comunicado da Comissão Europeia, as informações apresentadas pelo Brasil foram consideradas insuficientes para validar os processos oficiais de fiscalização exigidos pela UE.

SRB pede análise técnica e revisão do processo

A Sociedade Rural Brasileira (SRB) afirmou que o episódio precisa ser analisado sob o ponto de vista técnico e regulatório, sem transformar o debate em busca por culpados.

Em nota, a entidade defendeu uma investigação detalhada sobre quais etapas do cronograma de adequação não avançaram dentro do prazo previsto pela União Europeia.

A SRB argumenta que o Brasil possui capacidade técnica para atender às exigências internacionais e cita o histórico do Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal, além dos mecanismos de autocontrole do setor privado, como fatores que ampliaram a eficiência da fiscalização sanitária brasileira.

No caso da pecuária bovina, a entidade também destacou a experiência do Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (Sisbov), utilizado para garantir rastreabilidade em mercados mais exigentes.

Para a SRB, o caso deve servir para aperfeiçoar procedimentos e fortalecer a capacidade do país de responder a exigências regulatórias cada vez mais rigorosas no comércio internacional.

Faep critica veto e cobra ação do governo federal

O Sistema Faep, da Federação da Agricultura do Estado do Paraná, classificou a decisão europeia como incompatível com a realidade sanitária brasileira e cobrou do governo federal o envio urgente das informações exigidas pela UE.

Segundo a entidade, o Brasil e o Paraná possuem reconhecimento internacional como áreas livres de febre aftosa sem vacinação e contam com estrutura sanitária consolidada na cadeia pecuária.

A Faep também destacou o impacto econômico da medida. Em 2025, os embarques dos produtos atingidos pela restrição somaram US$ 1,8 bilhão dentro de um total de US$ 49,8 bilhões exportados pelo agronegócio brasileiro para a União Europeia.

Na avaliação da federação, o bloqueio afeta diretamente frigoríficos, exportadores e produtores integrados às cadeias de proteína animal.

A entidade ressaltou ainda que associações do setor, como a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), entendem que o impasse não envolve falhas sanitárias no campo, mas divergências burocráticas relacionadas à validação dos processos oficiais de fiscalização conduzidos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

O Ministério das Relações Exteriores informou que mantém negociações diplomáticas para tentar reverter a decisão europeia.

Faesp cobra reação mais firme do Mercosul

A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) também criticou a decisão da União Europeia e afirmou que as novas exigências representam uma mudança nas condições discutidas ao longo de 25 anos de negociações entre Mercosul e UE.

A entidade contestou o argumento sanitário utilizado pelo bloco europeu e alegou tratamento desigual em relação a países concorrentes, como Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia.

Na avaliação da Faesp, as restrições ampliam a insegurança para frigoríficos, pecuaristas, exportadores e processadores que atuam no mercado europeu.

A federação também defendeu uma atuação diplomática mais firme do Mercosul, com posicionamento conjunto entre Brasil, Argentina e Uruguai diante das barreiras impostas pela União Europeia.

Setor aguarda definição sobre alcance da medida

Apesar das manifestações das entidades, ainda não há detalhamento completo sobre o alcance prático da decisão europeia.

Até o momento, não foram divulgadas oficialmente informações adicionais sobre documentos pendentes, exigências complementares, cronograma de revisão das restrições ou o volume exato das exportações que poderão ser afetadas.

O setor avalia que os próximos passos dependerão do avanço das negociações diplomáticas e do envio das informações técnicas exigidas pela União Europeia para validar os sistemas brasileiros de controle sanitário e fiscalização.

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John Deere começará a produzir componentes eletrônicos de máquinas no Brasil

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Trator autônomo 9RX, da John Deere. Fotos: Divulgação

A John Deere anunciou a ampliação de sua unidade industrial de Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, com a implantação de uma área dedicada à montagem de componentes eletrônicos para máquinas agrícolas e de construção.

A nova operação tem previsão de início em julho de 2027 e prevê investimento de R$ 75 milhões.

De acordo com a companhia,o projeto é voltado exclusivamente ao mercado brasileiro e formará uma nova linha para a montagem final de módulos de controle, receptores de sinal Sistema de Posicionamento Global (GPS) de alta precisão, monitores e equipamentos de orientação utilizados nas máquinas.

Segundo a empresa, a expansão integra sua estratégia de manufatura para otimizar a cadeia de suprimentos, ampliar a eficiência logística e aproveitar a capacidade técnica da unidade de Canoas.

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Demanda aquecida no mercado de soja segura preços firmes; produtor segue retraído

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Foto: Daniel Popov/ Canal Rural

O mercado brasileiro de soja voltou a registrar um dia de preços firmes, embora os produtores continuem limitando as ofertas. Segundo o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, a combinação de uma nova alta na Bolsa de Chicago, prêmios fortalecidos e valorização do dólar manteve a sustentação das cotações.

Silveira destaca que, apesar do cenário favorável aos preços, não houve registro de negociações em grandes volumes. Segundo ele, o produtor continua segurando a soja, restringindo a oferta disponível no mercado.

O analista observa ainda que o mercado interno segue pressionando as cotações, com compradores elevando suas ofertas para competir com os portos. Ainda assim, a disponibilidade de soja permanece limitada diante da postura dos vendedores.

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No mercado físico, os preços foram os seguintes:

  • Passo Fundo (RS): subiu de R$ 141,00 para R$ 142,00
  • Santa Rosa (RS): subiu de R$ 142,00 para R$ 143,00
  • Cascavel (PR): manteve em R$ 136,00
  • Rondonópolis (MT): manteve em R$ 130,00
  • Dourados (MS): manteve em R$ 128,50
  • Rio Verde (GO): desceu de R$ 132,00 para R$ 131,00

Nos portos, Paranaguá (PR) manteve a saca em R$ 147,00, enquanto Rio Grande (RS) registrou alta de R$ 147,00 para R$ 148,00.

Soja em Chicago

Os contratos futuros da soja encerraram a quinta-feira em alta na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). O avanço foi sustentado pela forte valorização do petróleo, pela boa demanda pela soja norte-americana e pelas preocupações com o clima seco em regiões produtoras dos Estados Unidos. O movimento, porém, foi limitado por realização de lucros e vendas técnicas.

As renovadas tensões no Oriente Médio impulsionaram o petróleo, que voltou a superar US$ 100 por barril em Londres após alta superior a 8%. O movimento deu sustentação adicional ao complexo da soja, especialmente devido à relação entre o óleo de soja e a produção de biodiesel.

Os exportadores privados dos Estados Unidos informaram ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) a venda de 126 mil toneladas de soja para destinos não revelados, com entrega na temporada 2026/27.

Já as exportações líquidas norte-americanas referentes à safra 2025/26 somaram 56,4 mil toneladas na semana encerrada em 16 de julho. Para a temporada 2026/27, o volume alcançou 1,537 milhão de toneladas. O mercado esperava embarques entre 1,1 milhão e 2,2 milhões de toneladas, considerando as duas temporadas.

Contratos futuros de soja

Os contratos da soja para agosto fecharam com alta de 4,50 centavos de dólar, ou 0,36%, a US$ 12,37 1/2 por bushel. O vencimento novembro encerrou cotado a US$ 12,43 3/4 por bushel, avanço de 4,75 centavos, ou 0,38%.

Entre os subprodutos, o farelo para agosto caiu US$ 1,70, ou 0,51%, para US$ 329,90 por tonelada. O óleo de soja para agosto subiu 0,11 centavo, ou 0,14%, encerrando a 75,59 centavos de dólar por libra-peso.

Câmbio

O dólar comercial fechou a sessão com valorização de 0,62%, cotado a R$ 5,0838 para venda e R$ 5,0818 para compra. Ao longo do dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,0698 e a máxima de R$ 5,0923.

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Bactéria que causa doença grave em peixes é identificada pela primeira vez no Brasil

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Foto: Daniel Ferreira/Caunesp

Cientistas identificaram pela primeira vez no Brasil a presença de bactérias causadoras de uma grave doença em peixes de criação destinados ao consumo humano: a columnariose. Até agora, as diferentes espécies do gênero Flavobacterium só haviam sido detectadas em criadouros da Ásia e dos Estados Unidos.

A doença impacta principalmente criações de tilápia (Oreochromis niloticus) também conhecida, comercialmente, como Saint Peter, que é uma espécie de origem africana; mas também criações de espécies nativas do Brasil, como tambaqui, pacu e pintado-da-amazônia.

Os resultados são um alerta para a necessidade de vigilância epidemiológica e desenvolvimento de vacinas. “A identificação inicial das bactérias desse gênero é feita por exame visual das colônias no microscópio”, conta Daniel de Abreu Reis Ferreira, primeiro autor do estudo.

Doença de pele

Até pouco tempo, as quatro espécies de Flavobacterium detectadas eram conhecidas como apenas uma, Flavobacterium columnare, daí o nome da doença. A columnariose causa lesões esbranquiçadas na pele e nas nadadeiras, além de necrose nas brânquias dos peixes.

“As bactérias se alimentam de células epiteliais e matam os peixes em poucos dias, especialmente as larvas e os alevinos”, explica Fabiana Pilarski, professora do Caunesp.

Pilarski é pesquisadora associada do Centro de Ciência para o Desenvolvimento Sanidade na Piscicultura, sediado no Instituto de Pesca.

Identificação

Entre as 11 cepas isoladas no estudo, seis eram da espécie Flavobacterium oreochromis, até então conhecida no Brasil por infectar apenas a tilápia, peixe mais produzido no país e no mundo. Agora, o patógeno foi detectado em amostras de peixes nativos criados para consumo: tambaqui (Colossoma macropomum), lambari (Astyanax lacustris) e pacu (Piaractus mesopotamicus).

Outro resultado foi a detecção inédita de Flavobacterium davisii em um pintado-da-amazônia (Pseudoplatystoma punctifer). “Esse caso mostra que a bactéria também pode infectar siluriformes, uma ordem de peixes distinta das que ela costuma colonizar, ampliando a possibilidade de hospedeiros para esse patógeno”, explica Ferreira.

Adaptação ao clima

As análises mostraram ainda que os patógenos até então encontrados apenas na Ásia e nos Estados Unidos estão adaptados ao clima do Brasil. Nos testes, F. davisii e F. inkyongense, outra bactéria identificada nas análises, alcançaram condições ideais para o crescimento a 28 °C, temperatura média das águas continentais brasileiras.

Outras duas espécies detectadas nas análises, F. oreochromis e F. indicum, demonstraram preferência por temperaturas mais altas, sendo que a segunda apresentou o pico de desenvolvimento a 35 °C, ou seja, pode ser favorecida pelo aquecimento das águas. Outro dado alarmante é que a 28 °C as bactérias apresentaram uma alta produção de biofilme.

“O biofilme é uma matriz protetora que permite que as bactérias se mantenham num estado de dormência quando as condições não são favoráveis, voltando a se multiplicar quando o ambiente se torna propício”, diz Pilarski.

“Daí a importância de protocolos robustos de higiene e desinfecção para prevenir a colonização dos equipamentos usados para o manejo dos peixes”, completa Ferreira.

Enquanto quase todas as espécies analisadas sofreram uma queda expressiva na formação de biofilmes a 35 °C, na F. davisii esse mecanismo de defesa permaneceu bastante ativo. Os pesquisadores observaram, porém, que sob essa temperatura a bactéria teve sua mobilidade prejudicada.

“Isso sugere uma adaptação, o que chamamos de um trade-off metabólico, em que ela perderia por um lado, se movimentando menos, mas ganharia por outro, produzindo biofilme e sobrevivendo”, explica Ferreira.

Vacinas e sal

A boa notícia é que estudos realizados por outros grupos de pesquisa mostram que bactérias do gênero Flavobacterium não suportam bem a salinidade. Com isso, adicionar sal à água poderia diminuir as chances de colonização do patógeno. No entanto, ainda são necessários novos estudos para determinar os níveis ideais de salinidade para proteger cada espécie de peixe.

Os pesquisadores agora realizam estudos genômicos com as bactérias encontradas a fim de encontrar possíveis alvos para vacinas. A ideia é desenvolver os chamados imunizantes autógenos, vacinas personalizadas para as cepas presentes em cada local de produção.

“Uma vez que a columnariose ataca sobretudo a pele, uma vacina na forma de banho com a bactéria atenuada seria ideal, beneficiando principalmente os peixes jovens. É uma fase em que o sistema imune está em formação e, por serem pequenos, os alevinos poderiam ser vacinados em grande quantidade simultaneamente”, avalia Pilarski.

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