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24 de outubro de 2026

Sustentabilidade

Zoneamento de risco climático e práticas conservacionistas aumentam a resiliência a El Niño forte no Cerrado – MAIS SOJA

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No bioma Cerrado, onde a produtividade das lavouras de grãos está diretamente relacionada ao regime de chuvas, a ocorrência de um El Niño de alta intensidade pode alterar o balanço hídrico e trazer desafios aos produtores rurais. Nesse sentido, o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) e o manejo do solo e da lavoura, com práticas conservacionistas e de gestão, podem aumentar a resiliência dos sistemas produtivos e mitigar os efeitos do fenômeno climático.

El Niño-Oscilação Sul (ENOS) é um fenômeno natural periódico (com intervalos de dois a sete anos) que acopla o oceano e a atmosfera no Pacífico Equatorial, alternando-se entre fases quentes (El Niño), frias (La Niña) e períodos de neutralidade, que afetam as temperaturas e o regime de chuvas em todo o planeta. As fases de El Niño são identificadas quando a média móvel da temperatura na superfície do mar permanece igual ou superior a +0,5 °C em relação à média histórica por, no mínimo, cinco meses consecutivos, enquanto eventos de La Niña são caracterizados por anomalias iguais ou inferiores a -0,5 °C em relação à média histórica pelo mesmo intervalo de tempo. Nos anos considerados neutros, as médias móveis de temperatura ficam entre esses limites.

Segundo o pesquisador Fernando Macena, da Embrapa Cerrados (DF), os dados oceanográficos e atmosféricos mais recentes mostram que o Oceano Pacífico equatorial atravessa um aquecimento expressivo. O Índice Oceânico Niño (ION), que registra desde 1950 a anomalia da temperatura da superfície do mar na porção central do Pacífico equatorial, uma das áreas de referência para medir a intensidade do fenômeno, atingiu o patamar de +1,4°C em junho de 2026, segundo mês consecutivo acima de +0,5ºC, mantendo a tendência consistente de elevação das temperaturas iniciada no começo deste ano.

“A alteração nos padrões de ventos e na radiação de onda longa (radiação térmica eletromagnética emitida pela superfície da Terra, pelas nuvens e pela atmosfera) consolida a transição para a fase quente do ENOS. Múltiplas projeções individuais sugerem, até mesmo, a possibilidade de anomalias térmicas superiores a +2,5°C no Pacífico tropical, o que configuraria um evento de magnitude histórica”, aponta Macena. O aquecimento oceânico se soma a um contexto global já aquecido: o ano de 2026 registrou o segundo mês de maio mais quente da história, com ondas de calor precoces na Europa e eventos extremos recorrentes em diversos continentes.

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No Cerrado, que se estende pelas regiões Central, Norte e Nordeste do País, o ENOS pode provocar três grandes problemas para a agricultura: a irregularidade no início da estação chuvosa, que compromete a janela ideal de semeadura da cultura principal de verão; a ocorrência de veranicos prolongados, em que a estiagem intermitente durante o desenvolvimento vegetativo das plantas e o enchimento de grãos elevam o estresse hídrico nas lavouras; e efeitos na segunda safra ou safrinha, uma vez que atrasos na semeadura da primeira cultura estreitam a janela de semeadura para o milho, o sorgo ou o algodão safrinha.  A segunda cultura é exposta ao risco de seca antes de completar seu ciclo, ao avançar da safra no período outono inverno. “Esses riscos climáticos se traduzem em dados concretos de perda de produtividade e do capital investido pelo produtor”, afirma o pesquisador.

Incertezas incontroláveis podem ser transformadas em riscos gerenciáveis

Macena ressalta que mais importante que seguir os alarmes e tentar prever eventos globais com precisão absoluta é oferecer ferramentas práticas para que produtores e gestores rurais convivam com as condições ambientais reais. “A sustentabilidade e a rentabilidade dependem da capacidade de resposta técnica e planejada. Assim, diante da volatilidade climática global e da confirmação de um fenômeno de grande intensidade, o Zarc pode mitigar incertezas na principal fronteira agrícola do País”, afirma.

Desenvolvido pela Embrapa e instituições parceiras sob a coordenação do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o Zarc, além de ser uma ferramenta regulatória para acesso ao crédito agrícola e ao seguro rural, atua como indutor de tecnologias no manejo produtivo das culturas agrícolas.

O Zarc integra dados meteorológicos históricos, modelos de balanço hídrico do solo e parâmetros ecofisiológicos de 44 culturas, delimitando os níveis de risco de 20%, 30% e 40% de perdas em cada município brasileiro. “Ao traduzir dados climáticos complexos em orientações operacionais claras sobre datas de semeadura, tipos de solos e cultivares, a ferramenta é um grande aliado do produtor para transformar incertezas incontroláveis em riscos gerenciáveis.

Quando alimentado com os indicativos antecedentes de eventos macroclimáticos como o ENOS, o Zarc, associado à estabilização da estação chuvosa na região, permite intervenções preventivas para mitigar as quebras de rendimento identificadas em pesquisas recentes”, explica o pesquisador da Embrapa Cerrados (ver infográfico).

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Gerado por IA. Edição: Nathan Simplício

Gestores e produtores devem seguir recomendações práticas

Um estudo recente em fase de publicação simulou, com o uso do modelo Simulateur mulTIdisciplinaire de Culture Standard (Stics), a produtividade da cultivar de soja BRS 8383IPRO (foto abaixo) em quatro localidades – Cuiabá (MT), Rio Verde (GO), Planaltina (DF) e Barreiras (BA) – que representam diferentes ambientes do Cerrado, a partir de séries históricas de dados diários de clima de 1975 a 2024, segundo a data de semeadura.

Breno Lobato (MTb 9417/MG)
Embrapa Cerrados

Nesse intervalo de 50 anos, foi registrada a ocorrência das fases de El Niño, La Niña e Neutra de dados sobre clima, solo e sistema de manejo do solo. O Stics gerou estimativas para a condição de semeadura sob sistemas de manejo convencional e plantio direto. Foi identificada uma expressiva quebra nos rendimentos em anos de El Niño, sendo mais severa quando a soja foi semeada no início da janela de cultivo, nos meses de setembro e outubro, que apresentam menos chuvas ou regime pluvial instável.

A pesquisa revelou, ainda, que essa vulnerabilidade é intensificada quando é usado o plantio convencional, que consiste no revolvimento da terra com aração e gradagem para o preparo do solo. Por outro lado, a adoção de práticas conservacionistas como o Sistema Plantio Direto (SPD), que evita o uso de arados e grades, mantém a cobertura do solo e promove a diversificação de culturas agrícolas, conferiu produtividades superiores em todas as situações analisadas, demonstrando ser uma forma eficiente para conter as perdas de rendimento e diminuir os riscos sobre o capital investido pelo produtor.

Dessa forma, para enfrentar a safra sob a influência de um El Niño forte como o que está previsto para este ano e proteger o potencial produtivo contra as quebras de safra, Macena recomenda que gestores e produtores rurais estruturem um plano de ação ancorado em quatro pilares práticos (ver infográfico).

O primeiro pilar é a transição para o SPD (com a adoção de sistemas de Integração Lavoura-Pecuária e Integração Lavoura-Pecuária-Floresta) e sua consolidação. Enquanto o manejo no sistema convencional potencializa as perdas na safra, no SPD, a cobertura permanente do solo por plantas vivas ou pela manutenção de palhada na superfície protege a camada superficial contra o impacto direto das chuvas, amplia a infiltração de água no solo, reduz a evaporação e regula a temperatura do solo. “Essa adaptabilidade pode tornar o sistema de produção significativamente mais resiliente às adversidades climáticas, além de salvaguardar a produtividade e o capital investido pelo produtor”, comenta o pesquisador.

O escalonamento da semeadura e a combinação de ciclos das culturas é o segundo pilar prático. A recomendação é evitar a concentração da semeadura em uma única data. A combinação estratégica de cultivares de ciclos precoce, médio e tardio, aliada ao escalonamento, seguindo a janela recomendada pelo Zarc, dilui o risco de estresse hídrico generalizado, seja por falta ou por excesso de chuvas.

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O terceiro pilar trata do monitoramento integrado de pragas e doenças. Pesquisadores da área de Entomologia observam que temperaturas mais elevadas e períodos secos favorecem o aumento da população de insetos-pragas no Cerrado. O planejamento operacional deve, portanto, prever vistorias frequentes nas lavouras para intervenções rápidas e preventivas.

Por fim, o quarto pilar prático consiste na gestão financeira e proteção de mercado. “Frente a oscilações de preços e riscos produtivos, o gestor deve associar o cumprimento do Zarc às ferramentas de proteção de preços e à contratação adequada do seguro agrícola”, recomenda Macena.

Ele reforça que as adversidades que poderão ser impostas pelo El Niño este ano e a constatação de atraso na estabilização da estação chuvosa e das quebras recorrentes de rendimento, acentuadas pelo manejo convencional do solo, demonstram que a agricultura moderna não pode se pautar pela intuição. “A convergência entre a ciência do clima, as práticas conservacionistas como o SPD e a tecnologia de gestão agrícola é a única via para garantir a estabilidade do agronegócio no Cerrado”, afirma.

O pesquisador pondera que embora o Zarc estabeleça o período com menor risco climático para a semeadura das culturas agrícolas com base em séries históricas de dados, em anos de El Niño a decisão da época de semeadura exige maior cautela: “É indispensável aguardar a efetiva estabilização da estação chuvosa, monitorando os boletins meteorológicos regionais até que haja umidade suficiente para a germinação das sementes, e checar a temperatura do solo antes do início das operações no campo”, observa.

Gerado por IA. Edição: Nathan Simplício

Fonte: Embrapa


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FONTE
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Autor:Breno Lobato (MTb 9417/MG) Embrapa Cerrados

Site: Embrapa

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Sustentabilidade

Soja: preços sobem no Brasil, mas portos saturados limitam comercialização

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O mercado brasileiro de soja encerrou a semana com valorização dos preços, mas poucos negócios registrados nesta sexta-feira (23). De acordo com o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, apesar das cotações mais altas, a sessão apresentou poucas indicações de compra, enquanto a saturação dos portos e o foco dos produtores no plantio da nova safra limitaram a comercialização.

Segundo Silveira, algumas tradings já estão próximas de concluir seus programas de embarques do ano, em um cenário de portos bastante saturados. Os prêmios permaneceram praticamente estáveis, sem alterações significativas ao longo da sessão.

A semana apresentou melhora no volume de negócios em relação aos dias anteriores, mas a movimentação ainda ficou bastante abaixo da observada há três semanas.

Confira:

Preços de soja no Brasil

  • Passo Fundo (RS): subiu de R$ 146,00 para R$ 148,00
  • Santa Rosa (RS): subiu de R$ 147,00 para R$ 149,00
  • Cascavel (PR): subiu de R$ 141,00 para R$ 142,00
  • Rondonópolis (MT): manteve em R$ 141,00
  • Dourados (MS): manteve em R$ 140,00
  • Rio Verde (GO): manteve em R$ 139,00
  • Paranaguá (PR): subiu de R$ 152,00 para R$ 153,00
  • Rio Grande (RS): subiu de R$ 153,00 para R$ 155,00

Soja em Chicago

Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) fecharam a quinta-feira (22) com preços mais altos para o grão, o farelo e o óleo, conforme o balanço divulgado para a sessão.

Apesar da pressão de oferta decorrente do avanço da colheita de soja nos Estados Unidos, o mercado foi sustentado por compras de fundos, levando em conta a boa demanda pela oleaginosa norte-americana, especialmente por parte da China. A valorização do petróleo também favoreceu o avanço das cotações. Na semana, a posição novembro de 2026 registrou recuo acumulado de 0,37%.

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As vendas líquidas norte-americanas de soja da temporada 2026/27, iniciada em 1º de setembro, somaram 2.841.200 toneladas na semana encerrada em 15 de outubro. A China liderou as compras, com 2.178.600 toneladas. O resultado ficou dentro das expectativas dos analistas, que apontavam para vendas entre 1,1 milhão e 3 milhões de toneladas, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

Com o clima favorável no Meio-Oeste, parte dos produtores estava concluindo a colheita de soja e direcionando os trabalhos para o milho. Além disso, as expectativas de uma safra brasileira maior em 2026/27 seguem no radar dos operadores.

Os contratos da soja em grão com entrega em novembro de 2026 fecharam com alta de 3,50 centavos de dólar por bushel, ou 0,27%, a US$ 12,56½ por bushel. A posição janeiro de 2027 teve cotação de US$ 12,68½ por bushel, avanço de 3,75 centavos de dólar por bushel, ou 0,29%.

Nos subprodutos, a posição dezembro de 2026 do farelo fechou com perda de US$ 1,20 por tonelada, ou 0,34%, a US$ 346,10 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em dezembro de 2026 fecharam a 66,83 centavos de dólar por libra-peso, elevação de 0,09 centavo, ou 0,13%.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão de sexta-feira (23) com baixa de 0,96%, negociado a R$ 4,9897 para venda e a R$ 4,9877 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 4,9887 e a máxima de R$ 5,0558.

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Sustentabilidade

Fitotoxicidade de herbicidas em soja exige atenção ao posicionamento dos produtos – MAIS SOJA

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Com o aumento da ocorrência de plantas daninhas de difícil controle nas lavouras brasileiras, estratégias integradas de manejo têm ganhado espaço na cultura da soja, visando ampliar a eficácia de controle e reduzir os prejuízos decorrentes da matocompetição. Nesse contexto, o uso de herbicidas pré-emergentes destaca-se como uma das principais ferramentas, especialmente no manejo de espécies daninhas resistentes a herbicidas pós-emergentes.

Entretanto, devido à atuação desses produtos no solo, erros de posicionamento podem resultar em efeitos fitotóxicos indesejados na cultura da soja. Dependendo das condições de aplicação e das características do herbicida, esses efeitos podem comprometer o estabelecimento inicial das plantas, limitar seu crescimento e prejudicar o desempenho da cultura. Entre os fatores envolvidos, destaca-se o carryover, associado à persistência de resíduos de herbicidas no solo em níveis capazes de causar injúrias às culturas subsequentes.

O carryover ocorre quando resíduos de herbicidas permanecem biologicamente ativos no solo e são absorvidos pelas plantas, provocando alterações em seu crescimento e desenvolvimento. Esse efeito pode estar relacionado tanto à aplicação de herbicidas pré-emergentes na própria cultura quanto à persistência de resíduos de produtos utilizados no cultivo anterior (Werle & Oliveira, 2018).

A intensidade das injúrias depende de diversos fatores, incluindo o tipo de solo, a umidade, o regime de precipitação, a mobilidade do herbicida no solo, a presença de palhada, a concentração e a dose do produto, além da seletividade da molécula à cultura. Conforme o herbicida e seu mecanismo de ação, os sintomas de fitotoxicidade podem se manifestar na parte aérea ou no sistema radicular das plantas (Figura 1).

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Figura 1. Injúria durante a emergência da cultura da soja decorrente de herbicida pré-emergente ou carryover.
Fonte: Werle & Oliveira (2018)

Vale destacar que, além das diferenças entre os herbicidas, as cultivares de soja também podem apresentar respostas distintas quanto à sensibilidade aos produtos e à intensidade dos sintomas de fitotoxicidade. No caso dos herbicidas pós-emergentes, a manifestação desses sintomas varia conforme o mecanismo de ação do produto, podendo incluir desde necroses nos tecidos vegetais até deformações foliares e redução do crescimento das plantas (Figura 2). Esses efeitos tendem a ser particularmente prejudiciais quando ocorrem nas fases iniciais do desenvolvimento da soja, podendo comprometer o estabelecimento da cultura e, dependendo da intensidade das injúrias, resultar em perdas expressivas de produtividade.

Figura 2. Sintomas típicos da fitotoxicidade ocasionada por alguns dos principais herbicidas utilizados em soja.
Foto: André Consonni

Conforme observado por Alves et al. (2021), a fitotoxicidade causada pela deriva de Dicamba em soja não tolerante pode resultar em perdas de produtividade de até 12% para cada 1% de injúria, dependendo da severidade dos sintomas e do estádio de desenvolvimento da cultura em que ocorre o dano. Esse resultado evidencia o potencial impacto da fitotoxicidade sobre a produtividade da soja e reforça a importância do posicionamento adequado dos herbicidas, considerando as características dos produtos, a seletividade às cultivares e as condições de aplicação, a fim de minimizar os riscos de injúrias e seus reflexos no desempenho produtivo da cultura.


Veja mais: Por que a umidade do solo é tão importante para a eficácia dos herbicidas pré-emergentes?


Referências:

ALVES, G. S. et al. PHYTOTOXICITY IN SOYBEAN CROP CAUSED BY SIMULATED DICAMBA DRIFT. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v. 56, 2021. Disponível em: < https://seer.sct.embrapa.br/index.php/pab/article/download/26912/14872 >, acesso em: 23/10/2026.

WERLE, R.; OLIVEIRA, M. C. Chave para Identificação de Injúrias Causadas por Herbicidas. University of Wisconsin-Madison UW-Extension, WiscWeeds, 2018. Disponível em: < https://maxweeds.rbind.io/pt/post/chave_id-herbicida/2018-herb-pt.pdf >, acesso em: 23/10/2026.



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Sustentabilidade

Trigo/RS: Colheita chega a 19% marcada por perdas de qualidade e clima adverso – MAIS SOJA

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A cultura se aproxima do final do ciclo. A maioria das lavouras está em enchimento de grãos (35%) e em maturação (45%). A colheita ganhou celeridade em algumas regiões devido ao tempo seco entre 16 e 18/10 e alcançou 19% da área semeada.

Nas áreas colhidas, são observadas produtividades satisfatórias e qualidade de grãos abaixo das expectativas iniciais em parte das regiões, com redução do Peso Hectolitro (PH),
além de grãos avariados e chochos. Em parte das lavouras, foi realizada a dessecação para
uniformizar a maturação e preservar a qualidade dos grãos.

O excesso de umidade e a baixa disponibilidade de radiação solar durante importantes fases do ciclo diminuíram o potencial produtivo e aumentaram a pressão de doenças, especialmente giberela e brusone. Os temporais nas semanas anteriores também provocaram danos localizados, agravando perdas em lavouras próximas da colheita.

Conforme a reestimativa da Safra 2026, realizada pela Emater/RS-Ascar com dados da primeira quinzena de outubro, a área cultivada de trigo no Estado totaliza 763.121 hectares, o que representa redução de 34,56% em relação a 1.166.163 hectares cultivados em 2025 (IBGE). A produtividade projetada no início do plantio era de 2.701 kg/ha, e o cenário atual aponta 2.833 kg/ha, sendo 4,88% superior à estimada no momento do plantio, mas ainda dependente do desempenho até o final do ciclo. Em relação à produtividade da safra anterior, a projeção atual apresenta retração de 5,55% em relação aos 2.968 kg/ha obtidos no ano anterior (IBGE). A estimativa de produção é de 2.161.922 toneladas do cereal, o que representa queda de 37,48% em relação a 3.458.083 toneladas colhidas em 2025 (IBGE).

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Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, na Fronteira Oeste, a colheita continuou lentamente em função das chuvas e da elevada umidade dos grãos. Em São Gabriel, nas lavouras em fase final de enchimento, há incidência de lagartas, com necessidade de controle. Em Manoel Viana, os produtores realizam a dessecação para uniformizar a maturação. Na Campanha, os períodos sem chuva favoreceram os cultivos, predominantemente aqueles em estágio de enchimento de grãos. Em Caçapava do Sul, foram registradas as primeiras áreas colhidas na região.

Na de Caxias do Sul, nos Campos de Cima da Serra, as lavouras estão em floração, mas sob condições favoráveis à incidência de doenças da espiga. Persistem as dificuldades para a realização dos tratamentos preventivos em razão da elevada umidade do solo. Na de Frederico Westphalen, 20% dos cultivos estão em enchimento de grãos, 50% em maturação e 30% colhidos. O rendimento obtido está próximo a 2.500 kg/ha. Na de Ijuí, o ciclo da cultura se aproxima do fim com redução do potencial produtivo.

A colheita alcança aproximadamente 10% da área, e a umidade da massa de grãos está próxima de 20%. Na Região Celeiro, em Tenente Portela, cerca de 30% da área foi colhida, com produtividade média inferior a 1.800 kg/ha e PH abaixo de 74. Em Santo Augusto, aproximadamente 15% foram colhidos, com rendimentos entre 1.560 e 2.400 kg/ha e PH entre 72 e 74. No Alto Jacuí, em Ibirubá, a colheita não se iniciou, e as expectativas de rendimento e qualidade foram revisadas para baixo.

Na de Passo Fundo, cerca de 90% das lavouras estão em enchimento de grãos, e 10% em maturação fisiológica. A colheita deverá se concentrar entre final de outubro e os primeiros dias de novembro.

Na de Pelotas, predominam cultivos em enchimento de grãos (82%); 16% estão em floração; e 2%, em desenvolvimento vegetativo. A sequência de dias nublados, as chuvas e a baixa radiação solar têm prejudicado o desenvolvimento e a formação dos grãos.

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Na de Santa Rosa, 10% dos cultivos estão em enchimento de grãos, 53% maduros e 38% colhidos. As lavouras colhidas apresentam produtividade geralmente entre 1.500 e 1.800 kg/ha, abaixo das expectativas. Há grande variabilidade na qualidade, com PH entre 72 e 78 em diferentes lotes e ocorrência de grãos avariados, chochos e esbranquiçados. Em Cândido Godói, a produtividade média observada na semana foi de 2.160 kg/ha. Em Garruchos, foram registrados grãos com umidade superior a 23%, e nas lavouras maduras segue intensa a debulha pré-colheita.

Na de Soledade, 30% dos cultivos estão em enchimento de grãos, 55% em maturação, 10% maduras por colher e 5% colhidas. Muitas áreas foram dessecadas para a uniformização e antecipação da colheita. O padrão produtivo é considerado satisfatório em
aproximadamente 75% das áreas, embora haja grande diferença entre lavouras conforme o nível de manejo.

Comercialização (saca de 60 quilos)

O valor médio, de acordo com o levantamento semanal de preços da Emater/RS-Ascar no Estado, reduziu 0,63%, passando de R$ 74,15 para R$ 73,69 com PH padrão 78. Na Bolsa de Cereais de Cruz Alta, é de R$ 82,00 para produto disponível.

Fonte: Emater/RS



 

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