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9 de setembro de 2026

Agro Mato Grosso

Terremoto mais forte já registrado no Brasil aconteceu em 1955 em área isolada de MT

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Tremores de baixa intensidade registrados no Tocantins e no litoral do Rio de Janeiro nos últimos dias chamam atenção para a ocorrência de abalos sísmicos no Brasil, país fora das principais zonas de terremotos. O histórico sísmico do território brasileiro, no entanto, inclui registros mais intensos, como o maior terremoto já documentado no país, ocorrido em 1955, em Mato Grosso, com magnitude estimada em 6,2.

tremor ocorreu na madrugada de 31 de janeiro de 1955, na Serra do Tombador, área que hoje pertence ao município de Juara (MT), em uma região não povoada e longe das áreas mais associadas a grandes abalos sísmicos no mundo, segundo a Rede Sismográfica Brasileira (RSBR). Na época, a cidade ainda não havia sido emancipada e a região era completamente desabitada. Por isso, o episódio quase acabou passando despercebido.

O terremoto atingiu intensidade VII na Escala Mercalli Modificada, nível considerado forte capaz de provocar danos significativos, principalmente em construções mais frágeis.

🔎 A Escala Mercalli, que vai de I a XII, classifica a intensidade dos terremotos com base na forma como são sentidos pelas pessoas e nos danos causados às estruturas. Nos níveis mais baixos, os tremores quase não são percebidos; nos mais altos, podem provocar danos severos e destruição.

Segundo o pesquisador do Instituto de Geociências da Universidade de Brasília (UnB), Lucas Barros, que estudou a região, apesar de a área epicentral ser pouco habitada, o tremor também foi sentido em Cuiabá, a cerca de 380 km do epicentro, com intensidade entre IV e V. Nesse nível, o tremor é sentido pelas pessoas, pode balançar objetos, mas geralmente sem causar danos relevantes, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).

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Trecho digitalizado do jornal O Estado de Mato Grosso que cita o tremor sentido em Cuiabá, em 1955 — Foto: BN Digital

Trecho digitalizado do jornal O Estado de Mato Grosso que cita o tremor sentido em Cuiabá, em 1955 — Foto: BN Digital

Barros explicou, em entrevista a imprensa, que, se um terremoto com a mesma magnitude ocorresse hoje, os impactos seriam mais visíveis por causa da expansão urbana na região.

“Não é possível afirmar com certeza que um novo terremoto vá acontecer. No entanto, como já houve registros anteriores, existe a possibilidade de que novos abalos aconteçam sim”, disse o pesquisador.

Terremotos de magnitude 6,2 podem provocar fortes tremores em áreas urbanas. Em abril de 2025, um tremor com essa intensidade atingiu a cidade de Istambul, na Turquia. Na ocasião, prédios balançaram e o governo do país afirmou que 151 pessoas ficaram feridas após “se jogarem de lugares altos por causa do pânico” durante o terremoto. Não houve registro de mortos.

Terremoto em Mato Grosso é considerado o maior no país há mais de 70 anos — Foto: Arte g1

Terremoto em Mato Grosso é considerado o maior no país há mais de 70 anos — Foto: Arte g1

O que provocou o terremoto❓

O professor e coordenador científico da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) Caiubi Kuhn explicou que o terremoto mato-grossense não foi provocado pelo encontro de placas tectônicas, como acontece em países como Japão Chile.

Segundo ele, o abalo ocorreu por movimentações internas da própria placa sul-americana – fenômeno conhecido como terremoto intraplaca. Esses eventos são mais raros, mas podem atingir magnitudes elevadas, principalmente quando acontecem perto da superfície.

“O terremoto ocorreu a pouco mais de 10 quilômetros de profundidade. Isso faz dele um terremoto considerado raso”, explicou o pesquisador.

E, justamente por ser raso, os efeitos na superfície tendem a ser maiores.

Por que o tremor em MT é considerado o mais forte❓

Em 2019, um terremoto de magnitude 6,8 foi registrado em Tarauacá, no Acre. Quatro anos depois, outro, com 6,6 de magnitude, foi registrado na mesma região. Apesar da magnitude alta, esses não entram na lista maiores tremores no país.

O sismólogo da RSBR, Bruno Collaço, explicou que isso acontece porque especialistas diferenciam os tremores registrados em território brasileiro daqueles que têm origem em processos tectônicos ligados à Cordilheira dos Andes, no Chile.

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“Os terremotos registrados na região do Acre frequentemente aparecem entre os maiores já detectados em território brasileiro. No entanto, do ponto de vista da sismologia, essa interpretação exige uma contextualização importante. Embora ocorram sob o Brasil, os sismólogos, geralmente, não os classificam como “sismos brasileiros” no sentido geológico do termo”, explicou.

Ou seja, os eventos no Acre estão ligados à influência de processos tectônicos da Cordilheira dos Andes e têm origem fora da estrutura geológica interna do Brasil, diferentemente de tremores associados a falhas locais dentro do próprio território brasileiro, como no caso da Serra do Tombador.

Pode acontecer de novo❓

Mais de 70 anos depois, especialistas afirmam que um novo evento semelhante ainda pode acontecer, embora não seja possível prever quando. Segundo Collaço, os efeitos de um terremoto como o de 1955 dependeriam, principalmente, da profundidade e da distância em relação às cidades.

Ele explicou que, se um tremor semelhante acontecesse hoje na mesma região, os impactos mais fortes seriam sentidos em um raio de até 20 ou 30 km do epicentro, ponto exato onde o terremoto começa.

“Nessa área, seriam esperadas intensidades que poderiam chegar a VII na Escala Mercalli Modificada, com danos consideráveis em construções mais vulneráveis, como casas de adobe, madeira e muros velhos”, explicou.

Em uma área mais ampla, de até 50 km, ainda poderiam ocorrer rachaduras em paredes, queda de objetos e interrupções pontuais de serviços. Regiões próximas a e ao centro-norte de Mato Grosso estariam entre as mais afetadas, segundo o especialista.

Região voltou a registrar tremores

Mapa de localização e acesso à área de estudo (quadrado azul), onde se indica a Zona Sísmica de Porto dos Gaúchos (ZSPG) e o local do epicentro do terremoto da Serra do Tombador (ST), indicado com a estrela amarela — Foto: Tese de Doutorado: Sismicidade, esforços tectônicos e estrutura crustal - Lucas Vieira Barros

Mapa de localização e acesso à área de estudo (quadrado azul), onde se indica a Zona Sísmica de Porto dos Gaúchos (ZSPG) e o local do epicentro do terremoto da Serra do Tombador (ST), indicado com a estrela amarela — Foto: Tese de Doutorado: Sismicidade, esforços tectônicos e estrutura crustal – Lucas Vieira Barros

O professor Sergio Fachin, da Faculdade de Geociências da UFMT, explicou que o Brasil ainda não possuía uma rede própria de monitoramento sísmico na década de 1950. Por isso, o terremoto foi identificado com ajuda de equipamentos instalados em outros países, principalmente no Chile.

Desde então, nenhum outro sismo foi registrado exatamente na mesma área. Entretanto, mais ao norte, a cerca de 110 km da Serra do Tombador, no município de Porto dos Gaúchos, uma atividade sísmica recorrente vem sendo observada. Os registros incluem:

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  • 1959 — magnitude 4,5
  • 1981 — magnitude 3,8
  • 1986 — magnitude 3,6
  • 1987 — magnitude 3,9
  • 1988 — magnitudes 3,2, 3,7 e 3,9
  • 1989 — magnitudes 2,5 e 3,6
  • 1993 — magnitude 3,8
  • 1996 — magnitude 4,4
  • 1997 — magnitude 3,3
  • 1998 — magnitude 5,1
  • 2005 — magnitude 4,7

A recorrência levou pesquisadores a classificarem a área como Zona Sísmica de Porto dos Gaúchos. De acordo com os especialistas, os tremores estão ligados a movimentações geológicas em uma grande falha existente na região.

Relatos e memória do terremoto

Não há registros detalhados de desabamentos, rachaduras ou outros danos materiais provocados pelo terremoto de 1955. Isso ocorre porque a região não tinha ocupação humana.

Além disso, a área onde ocorreu o abalo ainda nem fazia parte de um município de Juara, que só foi criada anos depois. O difícil acesso e a escassez de moradores limitou os relatos e os levantamentos sobre possíveis impactos causados pelo tremor.

Ainda assim, o terremoto de fevereiro de 1959 em Porto dos Gaúchos foi registrado em um relatório da Colonizadora Noroeste Matogrossense, empresa que fundou a cidade.

Segundo o relatório, uma “onda sísmica” abalou todas as casas da área. “Na cantina, as vigas rangiam, caíram objetos. O movimento foi precedido de um ‘trovão’, digo, de um ruído contínuo, semelhante a trovão”, diz trecho do documento.

Conforme o relato, a população deu diversos palpites sobre as causas do terremoto. Alguns acreditavam ser o fim do mundo, sendo o tremor o primeiro sinal. Outros achavam que um meteoro tinha caído.

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📡Como os terremotos são medidos e o que a intensidade revela

A força de um terremoto é medida pela magnitude, calculada a partir da energia liberada no interior da Terra. O registro é feito por equipamentos chamados sismógrafos, capazes de detectar vibrações que se propagam pelo planeta, inclusive a longas distâncias. Mesmo quando um tremor ocorre no Brasil, ele pode ser captado por estações em outros países.

A magnitude mede a energia liberada por um terremoto. Esse cálculo é feito com base nos registros dos sismógrafos, aparelhos capazes de detectar vibrações no solo.

Mesmo quando um tremor acontece no Brasil, ele pode ser captado por equipamentos instalados em outros países. Os especialistas explicam que a escala é logarítmica — ou seja, os números não aumentam de forma simples.

Na prática:

  • um terremoto de magnitude 6 é 10 vezes mais forte que um de magnitude 5;
  • um terremoto de magnitude 7 libera cerca de 100 vezes mais energia que um de magnitude 5;
  • eventos acima de magnitude 6,5 já têm alto potencial destrutivo, principalmente quando ocorrem perto da superfície.

A cada 1 ponto a mais na escala, o terremoto se torna 10 vezes mais intenso.

Segundo Caiubi, a magnitude é expressa por uma escala logarítmica, o que significa que os valores não crescem de forma linear.

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Além da magnitude, a profundidade é um fator decisivo para os impactos. Terremotos rasos, como o registrado em Mato Grosso em 1955, tendem a causar mais efeitos na superfície do que tremores mais profundos, mesmo quando estes apresentam magnitudes maiores.

🏙️A cidade de Juara

 

A cidade de Juara (MT) atualmente — Foto: Studio A

A cidade de Juara (MT) atualmente — Foto: Studio A

A formação do município está ligada ao processo de ocupação e colonização do norte de Mato Grosso, impulsionado por políticas federais de integração da Amazônia nas décadas de 1960 e 1970.

O desenvolvimento da cidade ocorreu de forma gradual, desde a chegada dos primeiros colonizadores até a emancipação política do município. Veja a trajetória:

  • Origem: a ocupação da região começou no início da década de 1970, dentro dos projetos de colonização incentivados pelo Governo Federal para expansão da Amazônia. Em 1971, a empresa SIBAL adquiriu terras na região e iniciou a abertura de estradas, divisão de lotes e instalação da Gleba Taquaral, primeiro nome da localidade. As primeiras famílias chegaram em 1973, vindas principalmente do Sul do país.
  • Distrito: o crescimento populacional e econômico levou à criação do distrito de Juara em 4 de julho de 1976, ainda subordinado ao município de Porto dos Gaúchos.
  • Emancipação: a emancipação política ocorreu em 23 de setembro de 1981, por meio da Lei Estadual nº 4.349, desmembrando Juara de Porto dos Gaúchos e transformando-a oficialmente em município.

Conforme os últimos dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Juara possui uma população estimada em 36.089 habitantes e densidade demográfica de 1,54 habitante por quilômetro quadrado.

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MT supera Argentina em produtividade de milho, aponta o Imea

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Mesmo com área de plantio menor, o Estado alcançou produtividade recorde de 130,11 sacas por hectare

Se a disputa entre Brasil e Argentina costuma parar no campo de futebol, no milho o Estado de Mato Grosso resolveu jogar outro campeonato. Com uma área de plantio menor que a dos argentinos, o Estado alcançou produtividade superior e já produz quase o mesmo volume de cereal que o país vizinho inteiro.

Levantamento feito pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostra que, na safra 2025/26, o Estado alcançou produtividade recorde de 130,11 sacas por hectare, acima das 127,01 sacas por hectare projetadas para a Argentina. Mesmo tendo uma área plantada 13% inferior, Mato Grosso chegou a 58,04 milhões de toneladas, volume equivalente a 90,7% da produção argentina, estimada em 64 milhões de toneladas.

Ainda segundo o instituto, enquanto as lavouras mato-grossenses cultivaram 7,43 milhões de hectares na temporada, os argentinos semearam aproximadamente 8,40 milhões de hectares. Ou seja, mesmo com 970 mil hectares a menos, o Estado conseguiu superar o rendimento médio projetado para o país vizinho.

Para o analista de milho do Imea, Gabriel Brandão, o resultado evidencia o ganho de eficiência alcançado pela produção mato-grossense ao longo dos últimos anos. A combinação entre tecnologia, manejo, investimento e adaptação das lavouras às condições do Estado contribuiu para elevar o potencial produtivo do cereal.

“A produção de milho em nosso Estado vem passando por uma transformação importante. A cultura deixou de ser vista apenas como uma segunda opção depois da soja e passou a ocupar um papel estratégico dentro do sistema produtivo”, avalia.

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Segunda safra impulsiona o avanço

O avanço do milho em Mato Grosso está diretamente ligado à consolidação da segunda safra. Plantado, em grande parte, após a colheita da soja, o cereal passou a integrar de forma cada vez mais intensa o planejamento das propriedades, permitindo maior aproveitamento da área durante todo o ano.

De acordo com o Imea, esse processo veio acompanhado da adoção de tecnologias, como sementes de maior potencial produtivo, biotecnologia, manejo mais eficiente da fertilidade do solo, adubação e estratégias para posicionar a lavoura dentro da melhor janela possível.

Para o analista Gabriel, o resultado dessa produção estadual não está relacionado a um único fator, mas à evolução de todo o sistema de produção.

“O produtor mato-grossense vem aprimorando continuamente o manejo e buscando extrair mais produtividade da área disponível. Quando olhamos para esses números, fica evidente que eficiência produtiva é um dos grandes diferenciais do Estado”, explica.

Na safra 2025/26, as condições climáticas em Mato Grosso também tiveram papel importante. O prolongamento das chuvas nas principais regiões produtoras contribuiu para o desenvolvimento das lavouras e para o enchimento dos grãos, favorecendo a produtividade.

Aumento na produção

Dados do Imea mostram uma consolidação de 130,11 sacas por hectare nesta temporada, uma alta de 2,23% em relação às 127,27 sacas por hectare registradas na safra 2024/25. A área também avançou, passando de 7,26 milhões para 7,43 milhões de hectares. Com isso, a produção cresceu 4,69%, de 55,43 milhões para 58,04 milhões de toneladas, estabelecendo um novo recorde.

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Na Argentina, embora as chuvas também tenham contribuído para o potencial produtivo das lavouras, o excesso de umidade passou a dificultar o avanço da colheita. Até 3 de setembro, segundo os dados utilizados na comparação, 92,5% da área apta havia sido colhida, enquanto Mato Grosso já havia encerrado a colheita.

Para Gabriel Brandão, a comparação mostra como o crescimento da produção mato-grossense mudou a dimensão do Estado dentro do mercado de milho.

“Mato Grosso já tem uma produção que, em termos de volume, se aproxima da de grandes países produtores. Isso mostra a dimensão que o milho alcançou dentro da agricultura estadual e também reforça a importância de acompanhar não apenas a expansão da área, mas os ganhos de produtividade”, afirma.

Como será a próxima safra?

Apesar do recorde alcançado em 2025/26, o cenário para a próxima temporada indica mais cautela. Na primeira estimativa do Imea para a safra 2026/27, a área de milho deve crescer moderadamente, para 7,48 milhões de hectares, alta de 0,59%.

Por outro lado, a produtividade está projetada inicialmente em 119,64 sacas por hectare, uma redução de 8,05% em relação ao recorde da temporada atual. Com isso, a produção estimada é de 53,68 milhões de toneladas (queda de 7,50%).

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Entre os fatores de atenção está a possibilidade de influência do fenômeno El Niño, que pode atrasar o plantio da soja e, consequentemente, reduzir a janela disponível para a semeadura do milho segunda safra. Segundo o Imea, o encerramento antecipado das chuvas e temperaturas elevadas também podem aumentar o risco de estresse hídrico.

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Agro Mato Grosso

Coragem e perseverança marcam trajetória da família Anese em Mato Grosso

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Irmãos Luis Paulo e Tiago Anese deram continuidade à história iniciada pelos pais e hoje trabalham para deixar o mesmo legado aos filhos

A família Anese começou a jornada em Mato Grosso com coragem e perseverança. Em mais um episódio do quadro “Legado que Construímos”, o delegado do núcleo de Querência da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Luis Paulo Anese, contou a história de como a família iniciou na agricultura.

Os patriarcas da família Anese se mudaram do Rio Grande do Sul para Mato Grosso em busca de uma oportunidade para seguir o legado da família na agricultura. Luis Paulo explicou que os pais, inicialmente, foram para Sorriso, mas, após ouvirem sobre novas oportunidades de terras boas e baratas em Querência, venderam o que haviam conquistado em Sorriso e se arriscaram em uma nova propriedade na Região Leste de Mato Grosso.

“Meu pai nasceu lá em Jaguari, na região do Rio Grande do Sul, minha mãe também. Na década de 1980, ele e meu tio, que mora em Sorriso hoje, pegaram um fusca e subiram para conhecer Mato Grosso. Vieram para Sorriso e gostaram. Em 1988, eles compraram e, no ano de 1999, meu pai ficou sabendo que aqui em Querência tinha terra boa e barata para comprar. O pai veio em 1999, veio conhecer aqui e gostou muito. Querência é muito plana, uma região muito boa, terra boa também. Acabou vendendo a parte dele em Sorriso e comprou aqui”, contou.

Após adquirirem a propriedade em Querência, a família voltou para o Rio Grande do Sul, mas Luis e o irmão mais velho Tiago Anese retornaram para tocar a propriedade. Entre 2008 e 2009, o trabalho na agricultura voltou pelas mãos dos filhos. Luis se formou em Agronomia e Tiago em Técnico em Agropecuária. Com essa formação, os dois resolveram continuar o trabalho iniciado pelos pais.

O irmão mais velho, Tiago, contou que foi a coragem e a perseverança dos pais que ele e o irmão herdaram. Para retomar as atividades em Querência, os irmãos precisaram enfrentar desafios e seguir os ensinamentos recebidos dentro de casa.

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“O que veio da nossa família, do nosso pai, da nossa mãe  é a coragem e a luta que fizeram com que acontecesse, que fizeram com que a gente estivesse hoje em um lugar abençoado. Então, eu acho que isso foi muito importante. Tudo o que o pai passou para nós, a coragem de continuar com esse legado e enfrentar tudo o que foi enfrentado”, disse Tiago Anese.

Com toda a trajetória e inspiração da família, Luis Anese contou que aprendeu desde cedo o valor de ser trabalhador. Segundo ele, os ensinamentos recebidos dos pais também serão transmitidos aos filhos, para que conheçam a própria história e saibam de onde vieram.

“Meu pai sempre falava: ‘sejam honestos, sejam honrados, trabalhem pela família, cultivem bem e plantem bem que sempre vão vir resultados’. O produtor é nada mais, nada menos que um cientista do solo. A gente cultiva e ajuda a cuidar do solo para proteger a natureza. Desde pequeno, desde o Rio Grande do Sul, a gente cultiva, a gente plantava soja, trigo, milho junto com a família. Então, hoje é um segmento, a gente não pensou em ter outra profissão a vontade é sempre de plantar e de colher, é aquela alegria. Mesmo em tempos difíceis, a gente segue firme, porque é um legado que a gente vem seguindo há vários anos e vai passar isso para os filhos, com certeza”, afirmou.

A história da família Anese mostra que o legado construído no campo vai além da produção. Ele também está nos ensinamentos transmitidos entre gerações, na coragem para recomeçar e na escolha de continuar uma trajetória iniciada pelos pais. Em Querência, Luis e Tiago seguem escrevendo essa história, agora com o compromisso de levar os mesmos valores aos filhos.

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Agro Mato Grosso

Tecnologia é aposta da BASF para elevar a produtividade agrícola MT

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Fungicida com molécula inédita e biotecnologia contra nematoides estão entre as novidades apresentadas pela empresa

O agronegócio brasileiro chegou a um ponto de inflexão. Diante da instabilidade climática, da crescente complexidade dos sistemas produtivos e da necessidade de manter competitividade e rentabilidade no campo, há um consenso crescente entre pesquisadores, consultores agronômicos e lideranças do setor de que o próximo salto de crescimento do agro não virá da abertura de novas fronteiras agrícolas, mas da adoção de tecnologias capazes de ampliar a produtividade dentro do hectare já cultivado.

Essa discussão esteve no centro dos debates do Top Ciência 2026, movimento promovido pela BASF Soluções para Agricultura, que reuniu pesquisadores, consultores e especialistas, entre eles André Debastiani, sócio-diretor da Agroconsult; Gustavo Spadotti Amaral Castro, da Embrapa Territorial; e Walter Longo, especialista em inovação e transformação digital. Ao longo do encontro, os participantes discutiram os principais desafios e oportunidades da próxima década do agronegócio brasileiro.

Entre os pontos que mais apareceram nas discussões, esteve a percepção de que os próximos ganhos de competitividade dependerão menos da expansão territorial e cada vez mais da integração entre ciência, tecnologia e conhecimento agronômico para ampliar a produtividade dentro dos sistemas produtivos.

Nesse cenário, a indústria tem acelerado o desenvolvimento de inovações voltadas aos desafios do campo. Segundo Graciela Mognol, diretora de Marketing da BASF Soluções para Agricultura, o desafio é transformar avanços tecnológicos em resultados concretos para o agricultor.

“O agro brasileiro continuará crescendo, mas o futuro exige que a inovação aplicada se traduza rapidamente em resultados reais e sustentáveis na lavoura. O agricultor e o consultor que estão no campo nos pedem soluções que não apenas protejam o cultivo, mas que mudem o patamar produtivo dentro do espaço que eles já possuem”, afirma a executiva.

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A busca por esse novo ciclo de produtividade também orienta a estratégia de inovação da companhia. Com foco nos desafios apontados por agricultores, consultores e pesquisadores, a empresa vem direcionando investimentos para tecnologias capazes de aumentar a eficiência dos sistemas produtivos e contribuir para a sustentabilidade do negócio agrícola.

Entre as novidades estão o fungicida com a nova molécula Pavecto e a biotecnologia NRS (Nematode Resistant System) para soja resistente a nematoides. Com previsão de lançamento até o fim de 2027 e final desta década, respectivamente, as duas iniciativas são exemplos práticos de como a ciência está se adequando às exigências imediatas do campo.

O novo ingrediente Pavecto, por exemplo, responde a um alerta antigo dos fitopatologistas sobre a resistência dos fungos que causam doenças nas plantas. Ao introduzir um grupo químico inédito no mercado, as tetrazolinonas, a molécula oferece uma nova alternativa para garantir eficiência de controle no manejo de culturas como soja e algodão, além de milho.

Em outra frente de inovação, voltada para sementes de soja, a tecnologia NRS poderá gerar uma revolução no campo capaz de reverter prejuízos anuais de R$ 35 bilhões de acordo com a Sociedade Brasileira de Nematologia. A biotecnologia ajudará no controle de nematoides, que são uma praga de solo invisível a olho nu e que é considerada um dos maiores problemas da agricultura do país. Esta ferramenta inédita no mundo contribuirá diretamente na redução da população deste tipo de verme, beneficiando inclusive as culturas seguintes na mesma área.

“A agricultura está cada vez mais complexa, o que exige soluções capazes de responder a diferentes desafios do sistema produtivo. Pavecto e NRS representam esse avanço da ciência ao apoiar o agricultor em diferentes frentes, desde a proteção das lavouras até o manejo de desafios que impactam a produtividade”, reforça Rafael Vicentini, diretor de Marketing de Sistemas de Cultivo Soja da BASF.

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As duas tecnologias refletem um movimento mais amplo observado durante os debates do Top Ciência: a busca por soluções capazes de atuar não apenas sobre problemas isolados, mas sobre a produtividade e a resiliência dos sistemas produtivos como um todo.

Ciência e inovação para uma agricultura mais produtiva

A discussão sobre produtividade também passa pela capacidade de transformar conhecimento em soluções aplicáveis ao campo. Entre os principais pontos abordados por pesquisadores, consultores e especialistas durante o Top Ciência, está a necessidade de aproximar cada vez mais a ciência dos sistemas produtivos, combinando diferentes tecnologias para enfrentar desafios cada vez mais complexos da agricultura brasileira.

Nesse contexto, o pesquisador da Embrapa Gustavo Spadotti destacou a importância de uma ciência adaptada às condições tropicais para a evolução da agricultura nacional e reforçou que ainda existe espaço para avanços significativos de produtividade sem a necessidade de expansão proporcional da área cultivada.

“O Brasil possui espaço para elevar a produtividade e, simultaneamente, utilizar de maneira mais eficiente as áreas já abertas. O próximo avanço dependerá da disseminação de conhecimento e tecnologias capazes de reduzir as diferenças de desempenho entre os sistemas produtivos”, afirmou.

Visão sistêmica: o conhecimento humano em primeiro lugar

A necessidade de reduzir essas diferenças de desempenho passa por uma compreensão mais ampla dos sistemas produtivos. Para os especialistas reunidos no Top Ciência, os desafios atuais da agricultura já não podem ser tratados de forma isolada. Questões relacionadas à produtividade, doenças, pragas, sustentabilidade, manejo e rentabilidade exigem uma visão cada vez mais integrada dos sistemas produtivos.

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Para a BASF, esse cenário reforça a importância de combinar diferentes frentes de inovação, conectando proteção de cultivos, biotecnologia, agricultura digital e conhecimento agronômico para apoiar decisões mais eficientes e contribuir para a longevidade do negócio agrícola. Essa visão também orienta os investimentos globais da empresa, que somam cerca de € 1 bilhão ao ano em pesquisa e desenvolvimento.

Parte dessa estratégia passa justamente pela aproximação entre a pesquisa, a indústria e os profissionais que atuam diretamente no campo. Essa conexão entre o conhecimento científico e a realidade brasileira ganha escala quando ideias acadêmicas viram soluções práticas. Um exemplo disso ocorreu no Top Ciência, quando a companhia premiou dez projetos de especialistas que já estão transformando desafios operacionais em ganhos de eficiência e rentabilidade nas fazendas brasileiras.

Afinal, ao longo das últimas décadas, o avanço da agricultura tropical no Brasil foi impulsionado justamente pela ciência. Diante dos novos desafios do campo, esse conhecimento precisa continuar evoluindo e sendo traduzido em soluções que considerem as variáveis do sistema produtivo, garantindo a longevidade do negócio agrícola.

“A trajetória da agricultura brasileira mostra que os avanços do setor foram construídos a partir da conexão entre ciência, inovação e aplicação prática. O papel do Top Ciência é justamente fortalecer essa ponte, aproximando pesquisa, consultoria, indústria e agricultores para transformar conhecimento em produtividade, competitividade e valor para o campo”, conclui Eduardo Santos, Gerente Sênior de Desenvolvimento Técnico da BASF Soluções para Agricultura.

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