Sustentabilidade
Setor produtivo pede posicionamento favorável do Ministério da Agricultura ao PL 5.122/2023 – MAIS SOJA

A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) esteve nesta terça-feira (27.05), juntamente com a Associação Matogrossense dos Produtores de Algodão (AMPA) e a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (ABRAPA), em reunião com o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, para tratar do endividamento rural e solicitar apoio do Ministério da Agricultura à aprovação do Projeto de Lei nº 5.122/2023, nos termos do relatório aprovado hoje na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal.
Durante o encontro, foi reforçada a importância de que a Pasta seja interlocutora firme no âmbito do Governo Federal, contribuindo para que o projeto avance com urgência, segurança jurídica e aderência à realidade enfrentada no campo.
O PL 5.122/2023, que deverá ser votado ainda hoje no Plenário do Senado e, posteriormente, seguir para análise da Câmara dos Deputados, é considerado pelas entidades medida urgente para reorganizar dívidas rurais, preservar a capacidade de pagamento dos produtores e garantir a continuidade da atividade agropecuária.
Dados do Derop/Bacen, com base no Sicor, indicam que, em abril de 2026, o saldo de crédito rural problemático já alcançava R$ 186,5 bilhões no Brasil e R$ 21,8 bilhões em Mato Grosso. No estado, esse volume representa cerca de 20,2% do saldo total do crédito rural, considerando as operações problemáticas e aquelas em curso normal. O cenário evidencia a gravidade do endividamento rural mato-grossense e tende a se agravar consideravelmente no fechamento de maio, diante da natural concentração de vencimentos em 30 de abril.
Em documento entregue ao ministro, a Aprosoja MT defendeu que o avanço do projeto ocorra com critérios técnicos, objetivos e compatíveis com a realidade do setor, sem exigências burocráticas, filtros artificiais ou condicionantes que possam inviabilizar, na prática, a aplicação da política pública.
O relatório aprovado na CAE representa avanço importante por reconhecer a necessidade de impedir que normas infralegais, regulamentos posteriores ou exigências excessivas reduzam o alcance da futura lei. Para o presidente da Aprosoja MT, Lucas Costa Beber, o produtor não pode ser anunciado como beneficiário de uma medida de apoio e, ao final, ser excluído por critérios desconectados da forma como as perdas produtivas, climáticas e econômicas se materializam no campo.
“O produtor precisa de uma solução que funcione na prática. Não basta aprovar uma política pública se, depois, os critérios impedirem quem mais precisa de acessar a linha especial de financiamento. A Aprosoja MT, a AMPA e a ABRAPA estiveram com o ministro da Agricultura para pedir que a Pasta se posicione favoravelmente ao PL 5.122/2023 e contribua, dentro do governo, para uma resposta concreta ao endividamento rural”, destacou ele.
As entidades defendem que o texto final mantenha os critérios previstos no relatório aprovado na CAE, considerados fundamentais para que a medida contemple os produtores impactados pelo endividamento. Entre eles, estão a inclusão de operações contratadas, emitidas ou formalizadas até 31 de dezembro de 2025; a vedação à exigência de garantias adicionais; a suspensão de cobranças enquanto o produtor solicita a renegociação; e a garantia de que a adesão à medida não inviabilize novas contratações de crédito rural.
Para o presidente Aprosoja MT, a discussão não se limita à renegociação de dívidas. Trata-se da sobrevivência econômica de produtores, da manutenção da produção, da próxima safra e de toda a cadeia que depende da agropecuária. “Não há recuperação da atividade sem retomada da capacidade de pagamento do produtor rural. A postergação de uma solução concreta aprofunda o endividamento, compromete fornecedores, cooperativas, revendas, municípios e toda a economia que gira em torno da produção agropecuária”, reforçou ele.
A Aprosoja Mato Grosso seguirá acompanhando a tramitação do PL 5.122/2023 e atuando para que o texto seja aprovado sem retrocessos, com regulamentação que preserve o alcance da medida e impeça que critérios posteriores esvaziem a política ou excluam os produtores que precisam da renegociação.
Fonte: Aprosoja/MS
Sustentabilidade
Custos da nova safra de soja sobem e preocupam produtores brasileiros – MAIS SOJA

O primeiro mês cotado, em Chicago, fechou a quinta-feira (28) em US$ 11,94/bushel ficando no mesmo valor de uma semana antes. Enquanto isso, o plantio da soja, no dia 24/05, atingia a 79% da área esperada nos EUA, contra a média de 68% para a data. Do total semeado, 49% havia germinado, contra 40% na média.
O mercado está atento ao término do plantio nos EUA e ao clima nas regiões produtoras, porém, na semana, mais uma vez, pesou os desencontros relativos à guerra no Oriente Médio. Enquanto em um dia EUA e Irã falam em avanço nas negociações de paz, no outro dia trocam ataques armados, deixando o mundo em suspense. Com isso, o mercado se mantém volátil, girando próximo aos US$ 12,00/bushel nestas últimas semanas. Para se ter uma ideia, neste dia 28/05 o petróleo voltou a subir forte, ganhando mais de 2% no dia, com o brent atingindo o valor de US$ 85,62/barril, porém, para agosto o produto chegou a US$ 92,64/barril.
Isso puxa para cima os preços do óleo de soja em Chicago. Entre os dias 22 e 28 de maio a libra-peso ganhou 3,7%, fechando o dia 28 em 76,70 centavos, a mais alta cotação desde o dia cinco do corrente mês.
E no Brasil, com o câmbio entre R$ 5,00 e R$ 5,05 por dólar em boa parte da semana, os preços da oleaginosa subiram um pouco, chegando a R$ 114,00/saco nas principais praças gaúchas e entre R$ 102,00 e R$ 115,00/saco nas demais praças nacionais.
Com a colheita encerrada, o mercado se volta para as perspectivas da futura safra, cujo início da semeadura se dará em setembro. Neste sentido, análises sobre o comportamento dos custos de produção se tornam mais pertinentes. Assim, no Mato Grosso, segundo o Imea e o Senar, em abril o custo de produção continuou subindo.
“O custeio da soja, para a safra 2026/27, foi projetado em R$ 4.286,89 por hectare, com alta de 1,88% em relação a março deste ano. O principal fator desse aumento foi a elevação das despesas com fertilizantes, sendo que os custos com defensivos agrícolas avançaram 2,17%. O levantamento aponta que a aquisição de insumos para a próxima safra ainda está em andamento, o que mantém o custo de produção como um dos principais pontos de atenção para o produtor rural neste momento”.
Por outro lado, em termos de Brasil, “a safra 2026/27 de soja já custa, ao produtor brasileiro, 5,7 sacos por hectare a mais do que a média dos últimos sete anos. Se comparada ao ano anterior, que já foi uma safra bastante cara para o sojicultor, o aumento é de 2,8 sacos. Quem puxa esse aumento de custos mais elevados é o fertilizante. Assim, a safra 2026/27 está se consolidando como a mais cara da última década. Para uma propriedade de 500 hectares, o custo extra, em relação ao ano passado, chega a 1.400 sacos só de insumos. Soma-se a isso um fator que há meses vem alertando o mercado. Trata-se da redução na adubação feita pelos produtores, visando diminuir os custos de produção, mesmo que isso comprometa a produtividade final. Desta forma, o custo cai porque o produtor aplica menos adubo” (cf. Agrinvest Commodities).
Ora, com menor produtividade, preços estacionados em baixa e custos gerais em alta, as margens dos produtores ficam muito baixas, quando não negativas em casos de clima ruim, como constantemente vem ocorrendo no Rio Grande do Sul, por exemplo. A situação do sojicultor em geral já está difícil, pior ficará diante de produtividades baixas. Portanto, o momento exige muita cautela e gerenciamento por parte dos produtores nacionais.

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).

Autor:Dr. Argemiro Luís Brum/CEEMA-UNIJUÍ
Site: Ceema/Unijuí
Sustentabilidade
Milho recuа em Chicago enquanto custos da nova safra sobem no Brasil – MAIS SOJA

O primeiro mês cotado, em Chicago, recuou nesta semana, com o fechamento da quinta-feira (28) ficando em US$ 4,55/bushel, contra US$ 4,62 uma semana antes. Enquanto isso, o plantio do milho, nos EUA, até o dia 24/05, atingia a 86% da área esperada, contra a média de 83% para esta data. Do total semeado, 60% havia germinado, contra 58% na média histórica.
E no Brasil os preços melhoraram um pouco, com as principais praças gaúchas pagando R$ 58,00/saco, enquanto nas demais regiões nacionais os valores oscilaram entre R$ 44,00 e R$ 62,00/saco.
Dito isso, estudo feito pelo Imea, em parceria com o Senar-MT, apontou que o milho foi a cultura com maior aumento de custos, naquele Estado, para 2026/27. Em abril o custeio da safra aumentou 2,3%, com pressão de 4,3% de elevação nos fertilizantes e corretivos e de 2,46% nos defensivos agrícolas. Também o custo com sementes subiu.
“Com isso, o Custo Operacional Efetivo (COE) do grão apresentou incremento de 1,72% no comparativo mensal, enquanto o Custo Total (CT) avançou 1,25%. Assim, somente o custeio chega a R$ 3.772,24 por hectare, ganhando 7,2% sobre o ano anterior. Os Custos Operacionais Efetivos (COE) atingem a média de R$ 5.176,14 por hectare. Por sua vez, enquanto o custo de produção subiu, os preços do saco de milho, no interior do Centro-Oeste, têm oscilado perto dos R$ 40,00, exigindo maior atenção do produtor com relação às trocas”.
Por sua vez, as exportações brasileiras de milho, nos primeiros 15 dias úteis de maio, atingiram a 201.735 toneladas. Isso significa 625% acima do registrado na média diária de maio do ano passado. O valor médio da tonelada exportada caiu 42,9%, passando de US$ 467,10, em maio de 2025, para US$ 266,60 atualmente (cf. Secex).
Enfim, destaque para o início da colheita da safrinha no Mato Grosso, com a mesma atingindo a 0,57% da área até o dia 22/05. A produtividade média é de 118,7 sacos/hectare neste momento (cf. Imea). Dito isso, o clima continua sendo um ponto de atenção junto aos produtividade possa ser mantida.

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).

Autor:Dr. Argemiro Luís Brum/CEEMA-UNIJUÍ
Site: Ceema/Unijuí
Sustentabilidade
CEEMA/Unijuí: Redução da área plantada pode elevar preços do trigo na próxima safra – MAIS SOJA

O trigo igualmente assistiu, em Chicago, um recuo em suas cotações nesta última semana de maio. O bushel do cereal, para o primeiro mês cotado, fechou a quinta-feira (28) em US$ 6,24, contra US$ 6,47 uma semana antes.
Dito isso, as condições das lavouras estadunidenses de trigo de inverno, até o dia 24/05, aparesentavam-se com 44% entre ruins a muito ruins, 30% regulares e apenas 26% entre boas a muito boas. Já o trigo de primavera, na mesma data, estava com 86% da área esperada semeada, contra 79% na média histórica. Do total semeado, 56% havia germinado, contra 51% na média.
E no Brasil, os preços voltaram a melhorar na média. As principais praças gaúchas se mantiveram entre R$ 65,00 e R$ 66,00/saco, porém, no Paraná o produto se consolidou em R$ 70,00/saco.
Os aumentos de preço estão ligados a falta de produto de qualidade superior, a preços mais elevados na importação, e a forte redução de área semeada que se cristaliza na medida em que o plantio avança neste momento.
No Paraná, no dia 25/05 o plantio do cereal atingia a 61% da área esperada. Já no Rio Grande do Sul o mesmo ainda está em sua fase inicial. Por outro lado, em 2025 o Brasil moeu 13,3 milhões de toneladas de trigo, com avanço de 0,6% sobre 2024. Foi o maior volume anual desde 2021. Houve maior ocupação da capacidade instalada, com a taxa média superando a 76%.
“O Paraná se manteve como o principal polo de moagem de trigo, com 3,9 milhões de toneladas, apesar de uma queda anual de 1%, seguido pelo Rio Grande do Sul (2 milhões de toneladas, +3%) e São Paulo (1,73 milhão de toneladas, -7,6%). Os Estados do Norte e Nordeste, que importam a maior parte da demanda de trigo, verificaram aumento de 4,7% na moagem de trigo, para 3,5 milhões de toneladas. Enquanto isso, o Brasil importou 6,88 milhões de toneladas de trigo em 2025, volume que respondeu por pouco mais da metade do total processado no país. A maior parte das importações veio da Argentina, com 5,4 milhões de toneladas, seguida do Uruguai (767.800 toneladas) e Paraguai (513.000 toneladas)” (cf. Abitrigo).
Enfim, “no Rio Grande do Sul os preços da safra velha continuam melhorando aos poucos. Os moinhos elevaram as indicações para R$ 1.430,00 a R$ 1.450,00 por tonelada CIF para trigo normal, sem característica branqueadora ou melhoradora. No mercado FOB, as referências estão em R$ 1.330,00 para junho, R$ 1.350,00 para julho e R$ 1.370,00 para agosto. A tendência de redução na área de trigo para a safra nova é considerada generalizada, diante da falta de sementes e do menor uso de tecnologia.
Caso esse movimento se confirme, os preços devem se elevar após a futura colheita. Ainda no estado gaúcho, o trigo melhorador segue difícil de ser encontrado, sendo que as coberturas de junho estão próximas de 100%, enquanto julho é estimado em 40%. Em Santa Catarina, o mercado avança de forma gradual, acompanhando os movimentos do Paraná e do Rio Grande do Sul.
Com preços relativamente estáveis nas demais origens, o frete segue como principal fator de diferença nos valores finais. O trigo catarinense passou para R$ 1.350,00 a R$ 1.400,00 por tonelada FOB, enquanto as ofertas do Paraná ficaram entre R$ 1.320,00 e R$ 1.350,00 no Sudoeste. E no Paraná a escassez de matéria-prima de boa qualidade mantém os preços elevados. Negócios recentes foram reportados a R$ 1.350,00 por tonelada na região central, R$ 1.400,00 FOB no norte e R$ 1.450,00 CIF na região de Curitiba. As ofertas seguem limitadas, com produtores buscando valores maiores e moinhos avaliando propostas, embora as alternativas mais baratas praticamente tenham desaparecido” (cf. TF Agronômica)

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).

Autor:Dr. Argemiro Luís Brum/CEEMA-UNIJUÍ
Site: Ceema/Unijuí
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