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Quando uma palavra pública fere muito além da política

Há frases que ultrapassam a disputa eleitoral. Não porque definam uma eleição, mas porque revelam o cuidado ou a falta dele com que determinados agentes políticos tratam temas profundamente sensíveis.
Foi o que ocorreu durante a convenção estadual do PL em Mato Grosso, quando o presidente da legenda, Ananias Filho, nesta última quarta-feira, 22 de julho, ao defender o empenho do partido em uma eleição passada, afirmou que “Deus deu uma mão e levou uns lá para cima”, ao fazer referência a deputada federal Amália Barros, que faleceu em maio de 2024, aos 39 anos, após complicações de saúde. A vaga acabou sendo ocupada pelo primeiro suplente, Nelson Barbudo.
É possível que a intenção da fala tenha sido apenas exaltar a mobilização eleitoral do partido. Mas, na política, intenção e efeito nem sempre caminham juntos.
Prova inconteste de que palavras importam, ainda mais quando pronunciadas por quem preside um partido. Pois políticos precisam medir declarações e entender o peso da palavra pública. Sobretudo, o impacto que pode causar uma declaração malfeita. Assim, dirigentes partidários e líderes têm o dever de manter o decoro e prestar contas por erros verbais. Mesmo em situações que supostamente não tenha existido a intenção.
Ao associar uma morte precoce à dinâmica eleitoral e à vontade divina, a declaração provocou desconforto e indignação entre mulheres que atuam na política e entre movimentos que acompanham o debate sobre participação feminina nos espaços de poder.
A questão central não é discutir a fé de ninguém. Também não é transformar um deslize verbal em uma sentença definitiva sobre quem o pronunciou.
O ponto é outro. É compreender que mulheres que conseguem romper barreiras históricas para ocupar cargos de representação carregam trajetórias marcadas por desafios que vão muito além das urnas.
A política brasileira ainda convive com baixa representação feminina, episódios recorrentes de violência política de gênero e dificuldades concretas para que mulheres permaneçam em posições de liderança. Nesse contexto, qualquer manifestação pública que possa sugerir naturalização, banalização ou instrumentalização da morte de uma parlamentar inevitavelmente produz repercussões que extrapolam o ambiente partidário.
Talvez por isso tenha causado surpresa a ausência de uma reação pública mais imediata de outras lideranças presentes ao evento, especialmente daqueles que conviveram politicamente com Amália Barros ou que hoje buscam ocupar o espaço político construído por ela.
Líderes políticos não são cobrados apenas pelas decisões que tomam. São cobrados, sobretudo, pelas palavras que escolhem. Principalmente, aquelas que possuem um peso que não desaparecem quando terminam as entrevistas coletivas.
Elas permanecem. Podem inspirar. Podem unir. Podem reparar. Mas também podem ferir.
Em tempos de polarização, talvez uma das maiores demonstrações de grandeza política não seja justificar uma frase infeliz, mas reconhecer que determinadas palavras jamais deveriam ter sido pronunciadas.
E pedir desculpas não diminui uma liderança. Ao contrário, em muitos casos, é justamente o que a fortalece.
Marisa Batalha é jornalista e faz faz parte do coletivo Mulheres MT Até Quando?
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Assembleia Legislativa nega supostos pagamentos paralelos ao TCE-MT via emendas

ALMT disse em nota que informação citada pela Polícia Federal no inquérito da Operação Tomada de Contas foi para corrigir a estimativa de arrecadação
A presidência da Assembleia Legislativa negou pagamentos paralelos ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT). A Assembleia informou que a emenda citada pela Polícia Federal no inquérito da Operação Tomada de Contas está prevista em lei e foi usada de acordo com as regras constitucionais.
“A emenda mencionada no inquérito envolvendo o Tribunal de Contas é, na verdade, uma emenda legislativa, instrumento utilizado durante a tramitação de matérias na Assembleia Legislativa, como projetos de lei e propostas e emendas à Constituição e à Lei Orçamentária Anual (LOA)”, diz em nota.
Ainda de acordo com a instituição, no caso da emenda citada, ela foi aplicada à LOA “com objetivo de corrigir diferenças entre a previsão de arrecadação do governo do Estado e a receita efetivamente arrecadada”.
Segundo a Polícia Federal, a Assembleia enviou R$ 112,3 milhões via emendas de lideranças partidárias para o TCE-MT em 2025 e 2026. Cerca de R$ 72,2 milhões teriam sido direcionados para despesas.
Os dados são citados no âmbito da Operação Tomada de Contas deflagrada na quinta-feira (29) e atingiu a cúpula do TCE-MT por suspeita de desvio de dinheiro público em suposto esquema de pagamento a agências de publicidade.
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Gefron e PRF apreendem 130 kg de cocaína em Glória D’Oeste

Operação resultou em uma prisão e gerou um prejuízo estimado em R$ 3,2 milhões às facções criminosas
Uma operação conjunta entre o Grupo Especial de Fronteira (Gefron) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF), realizada no município de Glória D’Oeste (a 130 km de Cuiabá), nesse domingo (1°.11), resultou na prisão de um suspeito e na apreensão de 130 kg de cloridrato de cocaína (a forma mais pura desse entorpecente).
A droga estava dividida em 120 tabletes, escondidos em diferentes compartimentos de um Jeep Cherokee. A apreensão dos entorpecentes e do veículo gerou um prejuízo de R$ 3,2 milhões às fações criminosas.
Aos policiais, o motorista preso relatou que receberia R$ 5 mil para levar a droga até São Paulo, mas não informou a origem da droga. O suspeito, o carro e os entorpecentes foram entregues da Delegacia Especializada de Fronteira (Defron), da Polícia Civil.
Fiscalização na fronteira
Sob gestão da Secretaria de Segurança Pública, o Gefron atua há 24 anos na prevenção e combate ao tráfico de drogas, roubos, sequestros e outras modalidades de crimes nos municípios fronteiriços e do entorno da fronteira do Brasil do a Bolívia.
Entre janeiro e setembro deste ano, a equipe especializada apreendeu 26,3 toneladas de drogas no Estado, volume 22% maior do que toda a apreensão registrada nos 12 meses de 2025. Somente em 2026, o Gefron também levou à prisão 324 suspeitos, em 199 ocorrências. Ao todo, o prejuízo estimado às facções foi calculado em R$ 371 milhões.
Para contribuir com as ações do Gefron, a população pode denunciar de forma anônima pelos telefones: 0800 646 1402 e (65) 99668-7655, este último por ligação e mensagem de Whatsapp. Também está disponível o telefone 181 (Disque Extorsão), focado em ações de facções criminosas, com garantia de sigilo do denunciante.
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Polícia Civil de MT realiza mais de 430 operações entre janeiro e outubro deste ano

Os dados demonstram resultados expressivos no combate às facções criminosas em MT
A Polícia Civil de Mato Grosso apresentou, entre janeiro e outubro deste ano, resultados expressivos no combate à criminalidade em todo o Estado, refletindo a eficiência do trabalho investigativo da instituição. Neste período, foram realizadas 434 operações policiais, com uma média de 43 ações por mês, que resultaram na prisão de 1.314 pessoas suspeitas de envolvimento em crimes.
O interior do estado concentrou, até o momento, o maior volume de operações, com 253 ações deflagradas pelas Delegacias Regionais. As unidades da Diretoria de Atividades Especiais realizaram outras 119 operações, enquanto as equipes da Diretoria Metropolitana foram responsáveis por 61 operações. O desempenho reflete o fortalecimento da atividade investigativa, do planejamento operacional e da integração entre as unidades.
As ações também contaram com apoio da Diretoria de Inteligência e dos Núcleos de Inteligência das unidades policiais de todo o Estado, com objetivo combater crimes relacionados a facções criminosas, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, estelionato, roubos, furtos, corrupção e crimes fazendários, ambientais, entre outras modalidades delitivas.
Entre janeiro e outubro, a Polícia Civil também cumpriu 7.619 mandados de prisão e realizou cerca de 22 mil prisões em flagrante em Mato Grosso.
A delegada-geral da Polícia Civil, Daniela Maidel, ressalta que a operação é resultado de um trabalho complexo, qualificado e estruturado, que começa muito antes de sua deflagração, envolvendo coleta de informações, análise de dados, produção de provas e planejamento estratégico.
“O planejamento técnico é fundamental para que uma operação seja desencadeada de forma coordenada e eficiente, garantindo que as equipes atuem de maneira integrada e que os objetivos estabelecidos em cada investigação sejam alcançados”, afirma.
Os resultados também foram impulsionados pelo reforço e crescimento contínuo do efetivo da instituição. Em abril deste ano, a Polícia Civil recebeu 124 novos servidores, sendo 55 investigadores e 69 escrivães. Este também foi o mês que registrou o maior pico de operações no ano, com 60 ações deflagradas em todo Estado. Entre 2019 e 2025, a Polícia Civil nomeou outros 381 novos servidores.
Desde o início do ano a instituição realiza a Operação Pharus, um planejamento estratégico da Polícia Civil no âmbito do programa Tolerância Zero, do Governo do Estado, direcionado ao combate às facções criminosas em Mato Grosso.
A denominação “Pharus” é derivada do latim e significa “farol”, uma estrutura que remete à emissão constante de luz e ao direcionamento na escuridão. A escolha dessa nomenclatura visa representar simbolicamente a presença e a firmeza do Estado na identificação e na repressão às facções criminosas.
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