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22 de julho de 2026

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São Martinho acelera moagem de cana diante de risco climático

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A São Martinho informou nesta quarta-feira (27) que está acelerando a moagem da safra 2026/27 para reduzir riscos operacionais associados a um eventual El Niño mais intenso no segundo semestre. Segundo a companhia, cerca de 25% da safra já foi moída, em ritmo acima da expectativa inicial de processamento diário. A avaliação foi apresentada pelo diretor Financeiro da empresa, Felipe Vicchiato, em teleconferência de resultados.

De acordo com o executivo, a estratégia é encurtar a safra para diminuir a exposição a paralisações provocadas por excesso de chuva durante a colheita e a moagem. Segundo Vicchiato, a meta da companhia é “não deixar cana em pé”, o que indica prioridade para antecipar o processamento da matéria-prima ainda no início do ciclo.

Pelo planejamento atual, a safra da empresa deve terminar na segunda ou terceira semana de novembro. A companhia, porém, informou que ainda mantém margem operacional para estender a moagem até dezembro, caso as condições climáticas se deteriorem ao longo do semestre. O volume total previsto para a safra não foi informado no conteúdo disponível.

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Além do cenário doméstico, a empresa também relacionou o risco climático ao mercado internacional de açúcar. Segundo Vicchiato, a seca esperada no Hemisfério Norte pode comprometer a produção em países relevantes para a oferta global, como Índia e Tailândia. A avaliação da companhia é que os contratos futuros do açúcar ainda não incorporam esse risco climático de forma plena.

Na leitura da São Martinho, o mercado segue precificando um cenário de normalidade para o Brasil, como se a safra ocorresse sem interrupções relevantes de moagem. Para o setor sucroenergético, esse ponto é relevante porque alterações no ritmo de colheita, no aproveitamento da cana e na disponibilidade global do produto podem influenciar a formação de preços e as decisões comerciais ao longo da temporada.

Com o avanço antecipado da moagem, a companhia busca reduzir a dependência das condições climáticas do segundo semestre. A dimensão do efeito sobre a oferta e sobre os preços do açúcar dependerá da evolução do clima no Brasil e em outros produtores relevantes, mas o conteúdo disponível não traz projeções numéricas adicionais para produção ou cotação.

Fonte: Estadão Conteúdo

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Novo tarifaço dos EUA entra em vigor; estimativas apontam impacto de R$ 4,6 bi no agro

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Foto: Magnific

Entrou em vigor nesta quarta-feira (22) a tarifa adicional de 25% aplicada pelos Estados Unidos sobre produtos exportados pelo Brasil.

A medida, decorrente de investigações do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), atinge diretamente cerca de 36,5% das exportações do agronegócio brasileiro destinadas ao mercado norte-americano, segundo estimativas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

O impacto direto no setor produtivo é estimado em R$ 4,6 bilhões anuais. Embora negociações diplomáticas e setoriais tenham garantido a isenção de itens estratégicos de maior volume — como café e carnes bovina e suína —, a nova alíquota incide pesadamente sobre cadeias como as de etanol, madeira, derivados e bens manufaturados.

Nesta terça-feira (21), o governo brasileiro deu início a uma rodada de reuniões com entidades e representares dos setores afetados.

Assimetria regional e pressão sobre contratos

O alcance do ‘tarifaço’ varia expressivamente de acordo com a região e o segmento produtivo. Levantamento da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) aponta que até 79% das exportações gaúchas para os EUA são afetadas, evidenciando o peso da taxação sobre os estados com maior dependência de itens derivados e industrializados.

Outro entrave imediato reportado por exportadores é o fator tempo: com a medida passando a valer na data de hoje, empresas e cooperativas enfrentam prazos escassos para renegociar contratos de embarque já firmados ou ajustar margens operacionais sem repassar prejuízos.

Além da tarifa base de 25%, o setor permanece atento à investigação em curso no USTR que pode adicionar uma sobretaxa cumulativa de 12,5%, podendo elevar a taxação total para 37,5% em caso de desfecho desfavorável.

Principais focos de atenção no campo

Para conter perdas e garantir liquidez no comércio exterior, consultores e analistas de mercado ouvidos pelo Canal Rural destacam como prioridades:

  • Gestão de risco e margem: Adoção imediata de travas cambiais (hedge) e revisão rigorosa das planilhas de custos de exportação.
  • Readequação logística: Renegociação de rotas e contratos de frete marítimo para embarques de menor margem.
  • Diversificação de destinos: Intensificação das negociações de abertura e expansão de mercado com países da Ásia, do Oriente Médio e da América Latina.

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Selo criado em Sorriso é reconhecido pelo Mapa e amplia visibilidade de produtores

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Foto: Assessoria de Imprensa CAT Sorriso

Um projeto de certificação voltado à agricultura familiar, criado em Sorriso, foi reconhecido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O Selo de Identificação de Origem da Agricultura Familiar – no Coração de Mato Grosso passou a integrar o Programa de Promoção de Boas Práticas Agrícolas da pasta do governo federal. A portaria foi publicada no Diário Oficial da União em 10 de julho.

Desenvolvido pela Associação Clube Amigos da Terra (CAT Sorriso), o projeto acompanha 17 agricultores familiares de Sorriso, Vera e Boa Esperança do Norte. A certificação considera critérios como gestão da propriedade, regularização documental, planejamento produtivo, boas práticas agrícolas, segurança alimentar e responsabilidade ambiental.

O reconhecimento nacional ocorre após quase dois anos de execução da iniciativa. Nesse período, o projeto passou a acompanhar 164 hectares, sendo 103 hectares destinados à produção.

Para a presidente do CAT Sorriso, Márcia Becker Paiva, a decisão valida o trabalho desenvolvido com os agricultores. “O reconhecimento do Ministério da Agricultura representa a validação de um trabalho construído com muita seriedade, dedicação e compromisso com o desenvolvimento sustentável da agricultura familiar”.

Certificação avalia práticas adotadas no campo

Para receber o selo, os agricultores precisam atender a 27 critérios técnicos. A avaliação inclui documentos como o Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) e o Cadastro Ambiental Rural (CAR), além de aspectos relacionados ao uso de insumos, gestão de riscos, higiene e preservação ambiental.

Entre as práticas avaliadas estão a separação de resíduos e a compostagem de restos da cozinha e de resíduos agrícolas. “Os critérios de responsabilidade ambiental envolvem ainda ações como separação de resíduos, compostagem doméstica (com restos da cozinha) e compostagem em leiras, que transformam resíduos agrícolas em adubo reutilizável”, explica a assistente de projetos do CAT Sorriso, Andreia Sousa.

A certificação também prevê a identificação da origem dos produtos por meio de um QR Code. O consumidor pode acessar informações sobre o agricultor, a propriedade e o sistema de produção.

O projeto é o segundo da associação reconhecido pelo Mapa. Em outubro do ano passado, o CAT Sorriso recebeu o reconhecimento pelo projeto Gente que Produz e Preserva, voltado a agricultores que produzem soja certificada pelo padrão internacional RTRS.


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Cepea: Algodão tem baixa liquidez, mas preços seguem sustentados

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Imagem: Guilherme Soares/Canal Rural BA

O mercado brasileiro de algodão em pluma segue com baixa liquidez, refletindo o desacordo entre compradores e vendedores quanto aos preços e, em alguns casos, à qualidade dos lotes ofertados. Ainda assim, segundo o Cepea, a postura firme dos vendedores ativos, especialmente para lotes de melhor qualidade, e a necessidade pontual de compra de algumas indústrias sustentam as cotações.

De acordo com pesquisadores do Cepea, os agentes acompanham o avanço da colheita e do beneficiamento da safra 2025/26, processos considerados fundamentais para o cumprimento dos contratos a termo destinados aos mercados interno e externo. Pelo lado da demanda, embora o setor ainda relate ritmo moderado nas vendas de manufaturados, dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sinalizam uma leve reação.

No fechamento de terça-feira (21), o Indicador Cepea/Esalq do algodão em pluma foi de R$ 402,37 por libra-peso, com queda de 1,42% no dia. No acumulado do mês, o indicador registra recuo de 2,41%.

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