Connect with us
23 de julho de 2026

Featured

MPT obtém liminar contra transportadora por irregularidades trabalhistas e risco à segurança viária

Published

on


O Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso (MPT-MT) obteve, no início deste mês, uma liminar contra a empresa Comando Diesel Transporte e Logística – Eireli, de Rondonópolis (a 214 km de Cuiabá), em razão de irregularidades relacionadas ao descumprimento do intervalo interjornada e ao transporte de produtos perigosos por motoristas sem a capacitação exigida pela legislação.

Segundo o procurador Eduardo Rodrigues do Nascimento, em atuação na Procuradoria do Trabalho no Município (PTM) de Rondonópolis, a decisão é relevante pelo impacto difuso em favor da segurança viária, uma vez que os ilícitos expõem não apenas os empregados da transportadora, mas também terceiros ao risco concreto de acidentes graves.

“O perigo de dano é evidente: a não concessão de intervalos mínimos para descanso e a não exigência de curso de capacitação para transporte de carga perigosa comprometem não apenas a segurança dos trabalhadores envolvidos nas operações, já que não possuem qualificação mínima para tais atividades, como também compromete a segurança viária, atingindo um número indeterminado de pessoas”, ressaltou.

O procurador explica na Ação Civil Pública (ACP) que profissionais que transportam cargas perigosas, como explosivos e etanol, devem passar pelo Curso Especializado de Transporte de Produtos Perigosos, com 50 horas de duração, previsto na Resolução n. 789/2020, do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), e na Norma Regulamentadora 20 (NR-20), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

A NR-20, que regulamenta a execução do trabalho com inflamáveis e combustíveis, determina que empregadores promovam formação específica aos(às) trabalhadores(as) que, direta ou indiretamente, estejam expostos(as) a perigos e riscos inerentes a tais atividades. Tal medida é essencial para que saibam que procedimentos adotar em casos de emergência.

Apuração

O MPT instaurou um Inquérito Civil para apurar denúncia sigilosa noticiando que a ré não concedia a integralidade do intervalo interjornada aos motoristas profissionais, bem como permitia que os motoristas efetuassem o transporte de cargas perigosas sem treinamento adequado exigido pela legislação.

Com o objetivo de apurar a denúncia, o órgão requisitou que a Polícia Rodoviária Federal (PRF) realizasse, em agosto de 2025, abordagens em 8 veículos da empresa. De acordo com o relatório da PRF, dos 8 veículos abordados, em 4 deles o motorista não havia cumprido o descanso de 11 horas ininterruptas em 24 horas (50% das abordagens). Além disso, 3 dos veículos inspecionados transportavam produto perigoso, como etanol, sem que o motorista tivesse passado pela capacitação exigida.

“A prova documental das irregularidades é robusta: o relatório de fiscalização da Polícia Rodoviária Federal, produzido após a abordagem, por amostragem, de 8 (oito) veículos de propriedade da ré, demonstra que parte dos motoristas contratados não usufrui a integralidade do intervalo interjornada e não possui cursos de capacitação exigidos pela legislação para o transporte de cargas perigosas”, reforçou Nascimento.

Além disso, o procurador destacou que foram analisadas, por amostragem, inúmeras ações trabalhistas ajuizadas contra a transportadora, constatando-se que grande parte delas envolvia a questão discutida na ACP: a não concessão da integralidade do intervalo interjornada previsto em lei, com sentenças desfavoráveis já proferidas contra a empresa pelas três Varas do Trabalho de Rondonópolis.

“Não há dúvida, portanto, de que o réu não cumpre a obrigação legal de conceder o intervalo interjornadas mínimo aos trabalhadores, cometendo violação de caráter massivo em todo o Estado do Mato Grosso”, afirmou o procurador.

Obrigações

Na decisão, que deferiu parcialmente a tutela provisora de urgência requerida pelo MPT, o juiz do Trabalho Juarez Gusmão Portela, da 2ª Vara do Trabalho de Rondonópolis, determinou que a empresa:

a) conceda aos motoristas profissionais o intervalo interjornadas mínimo de 11 (onze) horas consecutivas de descanso, vedado o seu fracionamento, nos termos do art. 235-C, § 3º, da CLT, observado o entendimento firmado pelo STF na ADI 5322; e

b) abstenha-se de permitir, solicitar, tolerar ou induzir que motoristas profissionais conduzam veículos transportando produtos perigosos sem a prévia realização do curso de capacitação previsto na NR-20 do Ministério do Trabalho e Emprego e do Curso Especializado de Transporte de Produtos Perigosos (CETPP), previsto na Resolução Contran nº 789/2020.

Foi fixada multa de R$ 20 mil por obrigação descumprida e por cada trabalhador(a) prejudicado(a). A fiscalização poderá ser promovida pelo MPT, inclusive mediante realização de diligências e requisição de documentos e informações aos órgãos competentes, sem prejuízo da atuação dos demais órgãos públicos.

Audiência e dano moral coletivo

O MPT aguarda o julgamento e a análise do pedido de fixação de indenização por dano moral coletvo no valor de R$ 500 mil, além da confirmação das obrigações impostas na liminar. Uma audiência judicial foi agendada para o dia 20 de julho de 2026.

O MPT argumenta que se trata de empresa de grande porte, com capital social de R$ 10 milhões e inúmeras filiais espalhadas pelo Brasil, “não podendo a condenação ser irrisória, à luz do porte econômico da pessoa jurídica processada”.

Continue Reading

Featured

Tarifaço de Trump entra em vigor, taxa 19% das exportações e Brasil anuncia reação

Published

on


Nova tarifa de 25% afeta até US$ 11 bilhões em produtos. Itamaraty rebate acusações dos EUA e prepara pacote de R$ 130 milhões para buscar novos mercados

Começou a vigorar nesta quarta-feira (22) a tarifa adicional de 25% aplicada pelo governo de Donald Trump sobre produtos brasileiros. O tarifaço atinge 19% das exportações do Brasil para os Estados Unidos. 

A estimativa do valor total das exportações afetadas varia entre US$ 7,2 bilhões e US$ 11 bilhões, segundo cálculos da Agência Brasileira de Promoção das Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Armcham Brasil).

Entre os 2,3 mil produtos afetados, a maioria integra os setores de eletroeletrônicos; máquinas e equipamentos; autopeças e calçados. Praticamente, 700 produtos estão isentos da tarifa, número superior aos 615 previstos durante as negociações.

Segundo o governo, o mercado estadunidense é o principal destino das exportações brasileiras de eletroeletrônicos. O país responde por cerca de um quarto das vendas externas do setor de máquinas e equipamentos.

Os estados de São Paulo (SP) e Santa Catarina (SC) concentram 52% do impacto do tarifaço dos EUA, com o estado economicamente mais forte do país concentrando, sozinho, 41,6% do total do valor das exportações afetadas. Santa Catarina, porém, tem situação mais crítica, com 68% das exportações aos EUA atingidas pela medida da Casa Branca, segundo dados da Apex-Brasil.

Políticas brasileiras

O tarifaço adotado pelo governo Trump baseou-se em um processo conduzido pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês), que alega que o Brasil detém práticas “desleais” no comércio com os norte-americanos.

Os estadunidenses elencaram seis temas para decidir sobre a taxação:

  1. pagamentos eletrônicos (pix) e regulação de redes sociais;
  2. desmatamento ilegal;
  3. acesso ao mercado de etanol;
  4. combate à corrupção;
  5. proteção da propriedade intelectual;
  6. acordos preferenciais com México e Índia.

O governo brasileiro rejeita as justificativas usadas para a taxação e argumenta que elas têm motivação política e não condizem com a realidade. Segundo o ministro das relações exteriores, Mauro Vieira, os negociadores dos EUA pediam a abertura total de mercados sem contrapartida.

Brasília (DF), 14/07/2026 - Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, fala durante declaração à imprensa a respeito do recente anúncio do USTR de imposição de tarifas contra produtos brasileiros, na sala de coletivas do Palácio Itamaraty. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, diz que a taxação tem motivação política – Valter Campanato/Agência Brasil

Diversificação

Em resposta ao tarifaço, o governo brasileiro anunciou que retomará o programa de apoio aos setores afetados com linha de crédito para capital de giro, investimentos e com apoio para escoamento de produtos a outros clientes e países. Avalia também flexibilizar temporariamente regras do regime de isenção, suspensão ou restituição de tributos para insumos usados na produção de mercadorias para exportação.

Já a Apex-Brasil prevê a divulgação, em agosto, de um plano de R$ 130 milhões para diversificar as exportações do Brasil, principalmente, para União Europeia, países que integram a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), como Indonésia, Malásia, Tailândia, Vietnã, além de nações da Ásia Central, como Cazaquistão e Uzbequistão.

Conteúdo especial

A Agência Brasil publicou reportagens especiais para contrapor os argumentos usados pelos EUA para justificar o tarifaço:

Modelo do pix desafia controle financeiro dos EUA sobre o Brasil

Tarifaço: EUA distorcem tema das big techs, afirmam especialistas

Tarifaço deve ter efeito limitado na balança comercial brasileira

Governo Trump usa desmatamento para impor taxas ao Brasil

Tarifa dos EUA terá efeito limitado sobre etanol brasileiro

Continue Reading

Featured

Virginia Fonseca e Blaze entram na mira da Justiça e podem pagar R$ 120 milhões

Published

on


Tribunal do DF atendeu a pedido do Ministério Público e proibiu postagens que tratem apostas eletrônicas como forma de investimento

A Justiça do Distrito Federal determinou que a influenciadora digital Virginia Fonseca retire de suas redes sociais postagens de propaganda de apostas eletrônicas (bets) que não estão acordo com as regras da legislação.

A decisão foi proferida nessa terça-feira (21) pelo desembargador Renato Rodovalho Scussel, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, e atendeu ao pedido liminar feito pelo Ministério Público (MP).

Pela decisão, Virginia terá prazo de 48 horas para retirar postagens feitas em parceria com a plataforma de apostas Blaze, que também foi acionada pelo MP.

O magistrado determinou que Virginia está proibida de fazer postagens que sugiram lucros fixos, renda extra, fonte de renda, investimento ou forma alternativa de emprego.

Segundo o desembargador, a legislação que autorizou o funcionamento das plataformas de bets impede a realização de publicidade com sugestões de ganho fácil com as apostas eletrônicas.

“A remoção de conteúdo deve limitar-se às publicações concretas que permaneçam acessíveis e que contrariem os comandos objetivos ora estabelecidos. Não se justifica, em cognição sumária, determinar a retirada indistinta de todo conteúdo relacionado a apostas, pois a atividade publicitária, dentro dos limites legais, não é proibida”, afirmou.

Agência Brasil entrou em contato com a defesa de Virginia e aguarda retorno. O espaço está aberto para manifestação.

Pagamento solidário de R$ 120 milhões

No início deste mês, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) protocolou uma ação civil pública contra a influenciadora digital e a plataforma de apostas Blaze.

O órgão pede a condenação de ambos ao pagamento solidário de R$ 120 milhões em danos morais coletivos pela divulgação abusiva do site de apostas.Na ação, o MP também solicitou uma liminar para proibir a influenciadora de divulgar publicidade irregular de bets, mas o pedido foi rejeitado pela primeira instância da Justiça do Distrito Federal. Em seguida, o MP recorreu à segunda instância.

Continue Reading

Featured

A todo vapor: demanda aquecida impulsiona preços da soja; saiba os números do dia

Published

on


Foto: Daniel Popov

O mercado brasileiro de soja voltou a registrar cotações firmes nesta quarta-feira (22). Segundo o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, a alta mais intensa da Bolsa de Chicago, aliada aos prêmios ainda elevados, sustentou os preços no país, mesmo diante da desvalorização do dólar.

De acordo com o analista, a queda da moeda norte-americana não trouxe pressão negativa para o mercado. A demanda continua aquecida, enquanto os produtores seguem vendendo pouco e retendo a soja, o que reduz a oferta disponível e mantém os preços em patamares elevados.

  • Fique por dentro das principais notícias sobre a soja: acesse a comunidade Soja Brasil no WhatsApp!

Silveira também destaca que os portos continuam oferecendo boas oportunidades de comercialização, com indicações entre R$ 148,00 e R$ 150,00 por saca no mercado spot, dependendo do porto e do momento do mercado. Além disso, os basis locais permanecem elevados.

Outro ponto de atenção do mercado são os relatórios de exportação dos Estados Unidos, que serão divulgados nesta quinta-feira. Segundo o analista, os números poderão provocar novas oscilações nas cotações da Bolsa de Chicago.

Preços de soja no Brasil

  • Passo Fundo (RS): subiu de R$ 139,00 para R$ 141,00
  • Santa Rosa (RS): subiu de R$ 140,00 para R$ 142,00
  • Cascavel (PR): subiu de R$ 134,00 para R$ 136,00
  • Rondonópolis (MT): subiu de R$ 126,00 para R$ 130,00
  • Dourados (MS): subiu de R$ 127,50 para R$ 128,50
  • Rio Verde (GO): subiu de R$ 129,00 para R$ 132,00
  • Paranaguá (PR): passou de R$ 145,00 para R$ 147,00
  • Rio Grande (RS): preços passaram de R$ 145,00 para R$ 147,00

Soja em Chicago

Os contratos futuros da soja encerraram o dia em alta na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). O principal fator foi a forte valorização do petróleo no mercado internacional, impulsionada pelo aumento das tensões no Oriente Médio, o que favoreceu o avanço das commodities.

As preocupações com o tráfego na região fizeram o petróleo voltar a superar os US$ 90 por barril em Londres. Com a relação cada vez mais estreita entre o petróleo e os óleos vegetais, em razão da produção de biodiesel, a soja acompanhou esse movimento de valorização.

Também contribuíram para a alta a expectativa de retomada da demanda chinesa pela soja norte-americana e as preocupações com as temperaturas elevadas e a falta de chuvas no Meio-Oeste dos Estados Unidos.

Contratos futuros de soja

Os contratos da soja em grão com entrega em agosto fecharam com alta de 13,50 centavos de dólar, ou 1,10%, a US$ 12,33 por bushel. A posição novembro encerrou cotada a US$ 12,39 por bushel, com valorização de 16,25 centavos de dólar, ou 1,32%.

Nos subprodutos, o farelo para agosto subiu US$ 4,90, ou 1,49%, para US$ 331,60 por tonelada. Já o óleo de soja para agosto avançou 1,18 centavo de dólar, ou 1,58%, encerrando a 75,48 centavos de dólar por libra-peso.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão em baixa de 0,41%, cotado a R$ 5,0521 para venda e R$ 5,0501 para compra. Ao longo do dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,0501 e a máxima de R$ 5,0841.

O post A todo vapor: demanda aquecida impulsiona preços da soja; saiba os números do dia apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading
Advertisement
Advertisement
Advertisement

Agro MT