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Recursos liberados do seguro rural caem 63% ante 2024, aponta FGV Agro

O ritmo de liberação de recursos do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) vem caindo ano a ano. Até o momento, foram aprovados apenas R$ 100 milhões para os meses de maio, agosto e novembro de 2026. O montante equivale a uma queda de 62,8% em relação ao mesmo período de 2024.
A análise é do Observatório de Crédito e Seguro Rural da FGV Agro e foi publicada nesta segunda-feira (18). O relatório também aponta uma discrepância frente à Lei Orçamentária Anual, que aprovou R$ 1 bilhão para o programa deste ano.
“Esse dado deve ser interpretado não apenas como uma redução contábil, mas como sinal econômico relevante para produtores, seguradoras, resseguradoras, corretores, cooperativas, agentes financeiros e prestadores de serviços técnicos vinculados ao seguro rural”, diz a nota técnica.
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Liberações que não acompanham a lei
A perda gradual de capacidade do programa de subvenção aparece na comparação das liberações aprovadas pelo governo até maio em 2024, 2025 e 2026:
- Em 2024, amparado pelas Resoluções CGSR nº 99 e 100, o PSR contou com R$ 268,8 milhões até maio.
- Já em 2025, sob a Resolução nº 105, o volume aprovado caiu para R$ 179,2 milhões destinados especificamente ao mês.
- Agora, em 2026, a Resolução nº 110 autorizou apenas R$ 100 milhões para maio, agosto e novembro.
Nesse contexto, o documento destaca que o momento da liberação dos recursos é tão importante quanto o volume autorizado pela Lei Orçamentária.
“Recursos liberados tardiamente ou de forma fragmentada perdem efetividade econômica, porque a contratação do seguro obedece às janelas de plantio, às decisões de custeio, ao calendário regional das culturas e à capacidade de planejamento do mercado segurador”, afirma a nota.
A assimetria com o Proagro
De acordo com a análise, o ‘sufoco’ do PSR contrasta fortemente com o tratamento dado a outros instrumentos de gestão de risco no país.
Enquanto o seguro privado subvencionado está sujeito a cortes, limites de empenho e liberação tardia, o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) opera do outro lado da moeda fiscal. Para 2026, informações setoriais indicam orçamento do Proagro em torno de R$ 6,6 bilhões e tratamento de despesa obrigatória.
Segundo a FGV Agro, essa diferença cria uma distorção no sistema de gestão de risco agropecuário, ao limitar a expansão do seguro privado subvencionado e ampliar a dependência de mecanismos públicos de cobertura de perdas.
Instabilidade que limita expansão do seguro rural
A análise destaca que a implementação do Zoneamento Agrícola de Risco Climático por Níveis de Manejo (Zarc NM) é um avanço técnico recente, mas perde força diante dessa instabilidade financeira entre modelos.
“A programação orçamentária do PSR até maio de 2026 acende sinal de alerta para a política brasileira de gestão de riscos agropecuários. Mantido o ritmo observado até maio, o programa poderá encerrar 2026 com um dos menores níveis recentes de execução operacional”, conclui o relatório.
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Terras agrícolas disparam em Santa Catarina com avanço da soja e do arroz

O mercado de terras agrícolas em Santa Catarina seguiu aquecido em 2025, refletindo o desempenho da agropecuária no estado. Levantamento da Epagri/Cepa aponta valorização dos imóveis rurais, principalmente nas áreas com maior aptidão produtiva e forte presença de culturas como soja e arroz.
As terras de primeira categoria, consideradas as mais produtivas, registraram os maiores valores. Em Campos Novos, no Meio-Oeste catarinense, o preço médio chegou a R$ 169 mil por hectare. Já as várzeas sistematizadas, usadas principalmente para a produção de arroz, também apareceram entre as áreas mais valorizadas. Em Turvo, no Sul do estado, o valor médio alcançou R$ 164 mil por hectare.
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Na outra ponta, ficaram as áreas com restrições produtivas. As terras de segunda categoria tiveram média de R$ 38,34 mil por hectare em Lebon Régis. Já as terras de terceira categoria, marcadas por maior declividade, foram avaliadas em R$ 19,75 mil por hectare em Calmon.
O levantamento ainda mostrou que o campo nativo teve valor médio de R$ 19,91 mil por hectare em Lages. As áreas destinadas à servidão florestal ou reserva legal registraram os menores preços, chegando a R$ 10,37 mil por hectare em Otacílio Costa.
Segundo a Epagri/Cepa, as diferenças refletem as características produtivas e econômicas de cada região. Além da aptidão agrícola, fatores como pressão urbana, turismo e legislação ambiental também influenciam diretamente o valor das terras no estado.
O estudo é realizado desde 1997 e acompanha os preços médios das terras agrícolas em diferentes municípios catarinenses. Os dados são divulgados no Observatório Agro Catarinense e servem de base para estudos técnicos, políticas públicas e referências usadas por produtores e prefeituras.
Como o levantamento é feito
A coleta das informações ocorre entre outubro e janeiro e considera apenas o valor da terra nua, sem benfeitorias. O trabalho envolve técnicos da Epagri/Cepa em todas as regiões do estado.
As informações são obtidas com imobiliárias, cooperativas, sindicatos rurais, cartórios, associações de produtores e órgãos públicos. Para cada município e classe de terra, ao menos três fontes são consultadas.
De acordo com a analista da Epagri, Glaucia de Almeida Padrão, os dados passam por validação estatística antes da divulgação. O estudo considera preços mínimos, máximos e os valores mais praticados em cada localidade.
A Epagri/Cepa ressalta, porém, que os números têm caráter referencial e não devem ser usados como parâmetro único em negociações ou processos de arbitragem, já que fatores como localização, qualidade do solo e topografia podem provocar grandes diferenças dentro do mesmo município.
Agro forte sustenta valorização
A valorização das terras acompanha o avanço da agropecuária catarinense. Nos últimos dez anos, o Valor da Produção Agropecuária (VPA) do estado cresceu, em média, 4,3% ao ano em termos reais.
Em 2025, o VPA foi estimado em R$ 74,9 bilhões, alta de 15,4% na comparação com 2024. A pecuária respondeu por 58% da receita gerada no campo, enquanto os grãos vieram na sequência. Suínos, frangos, leite e soja concentraram mais da metade do valor produzido.
Segundo a Epagri/Cepa, o desempenho da soja ajudou a puxar os preços das terras de primeira e segunda categorias no Oeste e no Planalto Norte. Já no litoral, a pressão urbana, industrial e portuária também contribuiu para a valorização.
As áreas de servidão florestal e terras de terceira categoria também registraram avanço nos preços, influenciadas pelo turismo rural e pelas regras ambientais. Nas várzeas usadas para arroz, a valorização foi impulsionada pela alta do cereal nos últimos anos e pelo modelo de arrendamento, predominante em boa parte da área cultivada no estado.
*Com informações da assessoria de imprensa
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Projeção de boa safra pressiona cotações do milho, diz Cepea

Estimativas para a temporada de produção de milho, divulgadas pela Conab, projetam uma crescente nas quantidades entre os relatórios de abril e maio. Por conta disso, pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), apontam que compradores, que hoje tem estoques confortáveis, aguardam um recuo nas cotações para realizar as negociações.
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Dados da Conab mostram que a primeira safra 2025/26 está estimada em 28,46 milhões de toneladas, 14% superior ao da temporada anterior e 2% acima do relatório divulgado em abril. O aumento reflete no crescimento em área e produtividade nas regiões produtoras. O Cepea destaca que neste ano os estoques de passagem no início da temporada foram estimados como um dos maiores já registrados, o que ja transmitiu tranquilidade aos consumidores.
Ainda segundo centro de pesquisas, vendedores do cereal seguem flexiveis nas negociações, visto o cenário de quedas de preços, armazéns cheios e safras fortes.
*Sob supervisão de Hildeberto Jr.
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Aplicativo GuardeÁgua terá capacitação em nove estados do Semiárido

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Solos e a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) iniciam nesta terça-feira (19) uma série de oficinas sobre o aplicativo GuardeÁgua em nove estados do Semiárido. A ferramenta foi desenvolvida para identificar áreas apropriadas à construção de barragens subterrâneas, tecnologia usada para retenção de água no solo e apoio à produção agropecuária em regiões de baixa disponibilidade hídrica. A ação tem aporte financeiro do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).
As primeiras capacitações ocorrerão no Rio Grande do Norte, em Santa Maria (RN), e na Paraíba, em Esperança (PB), das 8h às 17h. Também estão previstos treinamentos na Bahia, Sergipe, Minas Gerais, Piauí, Ceará, Pernambuco e Alagoas. No caso de Pernambuco e Alagoas, o material divulgado informa que ainda há data e, em Alagoas, também cidade a definir.
Lançado em dezembro de 2025, o GuardeÁgua foi desenvolvido pela Unidade de Execução de Pesquisa e Desenvolvimento de Recife (UEP Recife), da Embrapa Solos, em parceria com a ASA. O aplicativo está disponível para Android e também tem versão web. Segundo a pesquisadora Maria Sonia Lopes da Silva, da Embrapa Solos, a ferramenta pode ser usada em campo mesmo sem internet, com sincronização automática dos dados quando a conexão é restabelecida.
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De acordo com a Embrapa, a análise considera informações de solo, relevo, clima, geologia e vegetação. A partir desses dados, o sistema classifica a área como “Apto”, “Restrito” ou “Inapto” para a implantação da barragem subterrânea. O usuário também pode baixar um relatório em PDF com a justificativa técnica do resultado.
A barragem subterrânea utiliza lona plástica de 200 micras instalada em valas com profundidade entre 1,5 metro e 6 metros, em áreas agrícolas de declive suave. A estrutura retém a água da chuva no perfil do solo, mantendo a umidade por vários meses. Isso permite cultivo por mais tempo, além de apoio à pequena irrigação e à dessedentação animal, conforme a necessidade da propriedade.
As oficinas terão parte teórica e atividades práticas em unidades de produção familiar. Além da seleção de áreas, o aplicativo reúne orientações gerais sobre manejo conservacionista do solo, uso da água, cultivos e acesso à Plataforma do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc).
Segundo os organizadores, a expectativa é ampliar o uso da ferramenta por técnicos e agricultores como apoio à implantação de barragens subterrâneas no Semiárido. Como a agenda desta etapa não inclui Espírito Santo e Maranhão, a cobertura do treinamento permanece restrita aos estados com metas previstas no contrato firmado no âmbito do Programa Cisternas.
Fonte: embrapa.br
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