Agro Mato Grosso
Produtores de MT avaliam no Texas genética para cruzamentos no Brasil

A busca por alternativas genéticas capazes de ampliar produtividade, melhorar qualidade de carcaça e aumentar a eficiência da pecuária levou produtores rurais, presidentes de sindicatos rurais e lideranças do agro mato-grossense ao Strait Ranches, em Streetman, no Texas, na terça-feira (13). A visita integrou a programação da Missão Técnica EUA 2026, organizada pelo Sistema Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Sistema Famato) e teve como foco o trabalho de seleção da raça Santa Gertrudis, uma das referências da pecuária de corte norte-americana.
A raça, desenvolvida a partir do cruzamento entre Brahman e Shorthorn, ganhou projeção por reunir rusticidade, fertilidade, ganho de peso e adaptação a ambientes de clima quente. Essas características despertam interesse em sistemas produtivos tropicais, como os encontrados em Mato Grosso, maior produtor de bovinos do Brasil e um dos principais polos exportadores de carne do país.
Fundado em 1951 pela família Strait, o Strait Ranches mantém um programa tradicional de melhoramento genético da Santa Gertrudis. Durante a visita, a comitiva acompanhou apresentações técnicas sobre critérios modernos de seleção, avaliação genética, desempenho de carcaça, eficiência reprodutiva, coleta de DNA, análise fenotípica e possibilidades de uso da raça em cruzamentos comerciais.
Para o presidente do Sistema Famato, Vilmondes Tomain, a agenda permitiu atualizar a percepção sobre uma raça que já teve passagem pelo Brasil, mas que, no passado, não entregou em algumas regiões os resultados esperados.
“A Santa Gertrudis chegou ao Brasil na década de 70, mas muitos cruzamentos feitos naquele período não apresentaram os resultados esperados, principalmente em relação à adaptação e à precocidade. Hoje, pelo que vimos aqui, a raça evoluiu muito. É um produto que pode chegar como alternativa para cruzamentos com o Nelore, trazendo precocidade, melhor carcaça e carne de mais qualidade”, afirmou.
Segundo Vilmondes, o avanço genético observado no Texas reforça a necessidade de os pecuaristas brasileiros ampliarem o repertório de opções para os sistemas de produção.
“Não podemos ficar focados em uma única genética. O produtor precisa ter alternativas. Estamos trazendo lideranças e produtores para observar o que existe de melhor, entender o que pode ser incorporado à nossa realidade e levar esse conhecimento para dentro das propriedades rurais”, disse.
A avaliação da comitiva é que a Santa Gertrudis pode ser considerada em estratégias de cruzamento voltadas à complementaridade com raças zebuínas, especialmente o Nelore, base predominante da pecuária brasileira. A busca é por animais mais precoces, com melhor desempenho produtivo, maior padronização de carcaça e capacidade de atender mercados cada vez mais exigentes em qualidade de carne.
O proprietário do Strait Ranches, Yancey Strait, destacou a importância da aproximação com produtores brasileiros e afirmou que o programa de seleção busca equilibrar características maternas, funcionalidade estrutural e atributos de carcaça.
“Somos muito gratos pela visita dos produtores brasileiros. Acreditamos que a Santa Gertrudis oferece um produto equilibrado, capaz de melhorar características maternas e também atributos de carcaça. Queremos ampliar essa conexão com os produtores do Brasil”, afirmou.
Entre os participantes, a visita também serviu para revisar impressões construídas a partir de experiências anteriores. O presidente do Sindicato Rural de Colíder, Jonatas, relatou que já havia testado cruzamentos envolvendo Santa Gertrudis no Brasil, mas enfrentou problemas ligados à formação de casco. Segundo ele, o contato direto com técnicos e selecionadores no Texas mostrou que parte dessas limitações foi superada pelo avanço do melhoramento genético.
“A gente passa por uma dificuldade no Brasil e acaba criando um preconceito em relação à raça. Aqui, vindo à fonte e conversando com quem desenvolve a genética, vimos que muitas falhas do passado já foram corrigidas. Hoje existe uma genética muito superior ao que a gente imaginava”, afirmou.
Jonatas Galadinovic avalia que a raça pode voltar a ser analisada como alternativa em programas de cruzamento industrial e tricross, especialmente sobre fêmeas F1.
“A visita abriu novamente a possibilidade de usar a Santa Gertrudis como opção. A gente volta para o Brasil com mais informação e mais segurança para avaliar essa viabilidade”, disse.
A passagem pelo Strait Ranches integra a agenda técnica da Missão EUA 2026, que reúne mais de 80 participantes em uma imersão por centros de pesquisa, universidades, propriedades rurais, operações pecuárias e empresas de genética nos estados do Texas e Nebraska. O objetivo é identificar tecnologias, modelos de gestão e soluções que possam contribuir para a evolução da pecuária mato-grossense.
Além da genética bovina, a missão contempla temas como pecuária de corte, biotecnologia da reprodução, gestão produtiva, agricultura irrigável, uso eficiente da água, sustentabilidade e inovação no campo. A expectativa é que os conhecimentos adquiridos sejam compartilhados posteriormente com sindicatos rurais, produtores e lideranças regionais em Mato Grosso, ampliando o alcance técnico e institucional da iniciativa.
Agro Mato Grosso
TCE quer abertura de mesa técnica para destravar regularização ambiental

O presidente do Tribunal de Contas (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, determinou, nesta quinta-feira (2), a abertura de uma mesa técnica para tratar da desburocratização do licenciamento ambiental das atividades agropecuárias desenvolvidas por agricultores familiares e pequenos produtores rurais. A iniciativa busca solucionar entraves que impedem a regularização de assentamentos rurais e afetam cerca de 700 mil pessoas no estado.
“Estamos falando de cerca de 700 mil pessoas em um estado com 3,8 milhões de habitantes. Hoje, 83% das propriedades rurais têm até 500 hectares e são classificadas como pequenas propriedades. Esses produtores correm o risco de não acessar quase R$ 100 bilhões em recursos federais. Não podemos permitir que a burocracia impeça o desenvolvimento econômico e prejudique a vida dessas famílias. É por isso que o Tribunal de Contas está conduzindo esse processo”, afirmou o presidente do TCE-MT.
A medida foi proposta após o deputado estadual Valdir Barranco apontar que a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) estaria descumprindo normas que simplificam o licenciamento ambiental. Segundo o parlamentar, os embargos que atingem os assentamentos dificultam o acesso dos produtores aos recursos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), que disponibilizará R$ 97,3 bilhões para investimentos e custeio no ciclo 2026/2027.
Na ocasião, o presidente explicou que a mesa técnica reunirá representantes de diferentes instituições para buscar soluções consensuais para questões como a demora na análise do Cadastro Ambiental Rural (CAR), o cumprimento das normas vigentes e a regularização ambiental dos assentamentos.
“É uma questão urgente. É comida na mesa, é emprego, é condição de vida, é economia do estado. A mesa técnica vai reunir diferentes instituições para construir soluções para os CARs que permanecem parados na Sema e para garantir o cumprimento das leis. Não podemos permitir que essa situação continue”, afirmou.
Burocracia
Durante a reunião, o deputado estadual Valdir Barranco denunciou que a falta de encaminhamentos por parte da Sema tem mantido embargos ambientais em 546 assentamentos federais e 85 estaduais, afetando diretamente cerca de 700 mil pessoas. Segundo ele, essas famílias aguardam há décadas por uma solução que lhes permita regularizar a situação ambiental e acessar políticas públicas de incentivo à produção.
“O que estamos pedindo é que a legislação seja cumprida. Os pequenos produtores não podem continuar sendo penalizados pela burocracia e impedidos de produzir, acessar crédito e melhorar a qualidade de vida de suas famílias”, afirmou Barranco.
O parlamentar também sustentou que a Sema descumpre duas normas em vigor: a Lei Complementar nº 830/2025, que estabelece critérios e protocolos para o desembargo de assentamentos, e a Lei Ordinária nº 13.349/2026, que substitui a Autorização Provisória de Funcionamento (APF) pelo Certificado Ambiental Simplificado, facilitando o acesso dos agricultores familiares ao crédito rural.
“As leis foram aprovadas justamente para simplificar esse processo, mas, na prática, elas não estão sendo aplicadas. Precisamos garantir que esses instrumentos saiam do papel e beneficiem quem realmente precisa”, ressaltou.
Barranco propôs que o assentamento Jonas Pinheiro, em Sorriso, seja utilizado como projeto-piloto. Segundo ele, a comunidade enfrenta risco de reintegração de posse, movida pelo Ministério Público Federal, em razão de pendências ambientais que ainda não foram solucionadas. “Tenho convicção de que, com a mediação do Tribunal de Contas e o diálogo entre todas as instituições, será possível construir uma solução que depois possa ser replicada para os demais assentamentos do estado”, disse.
Representando o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), o chefe da Divisão de Obtenção de Terras em Mato Grosso e ouvidor agrário, Daniel Araújo, destacou que a mesa técnica representa uma oportunidade para superar um problema histórico que afeta milhares de famílias assentadas.
“Essa discussão é fundamental porque reúne todos os órgãos responsáveis na busca por uma solução conjunta. O Incra tem interesse direto em avançar na regularização ambiental dos assentamentos para garantir segurança jurídica e melhores condições de vida às famílias”, disse.
Daniel também defendeu que os procedimentos adotados pelo estado considerem as diferenças entre a agricultura familiar e o agronegócio de grande escala, evitando que pequenos produtores sejam submetidos às mesmas exigências burocráticas.
“Não podemos tratar da mesma forma quem possui poucos hectares e quem desenvolve uma produção em larga escala. A legislação já prevê tratamento diferenciado para a agricultura familiar, e esse princípio precisa ser observado para que a regularização aconteça de forma mais ágil e eficiente”, destacou.
Também participaram da reunião os procuradores da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Ricardo Riva e Bruno Cardoso, além de representantes do Incra e da equipe técnica do TCE-MT.
Agro Mato Grosso
VÍDEO: filhote de jaguatirica é resgatado após ser encontrado sozinho à beira de estrada em MT

Animal foi encontrado por um morador em uma estrada rural de Peixoto de Azevedo e levado ao Corpo de Bombeiros.
Um filhote de jaguatirica foi resgatado após ser encontrado sozinho em uma estrada rural de Peixoto de Azevedo, a 673 km de Cuiabá, na tarde de terça-feira (30). O animal foi levado por um morador ao quartel do Corpo de Bombeiros Militar, em Matupá, para receber atendimento.
Segundo o morador, o filhote estava desacompanhado e foi recolhido para garantir a segurança dele até a chegada ao 6º Pelotão Independente Bombeiro Militar. (VIDEO ABAIXO)
Após receber o animal, os bombeiros realizaram o transporte com técnicas e equipamentos adequados para preservar a integridade do filhote e reduzir o estresse durante o deslocamento.
Em seguida, a jaguatirica foi encaminhada à Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), que ficará responsável por avaliar o estado de saúde do animal, prestar os cuidados necessários e definir as medidas para a reabilitação e a destinação adequada.
🐆 Jaguatirica
Segundo o morador, o filhote estava desacompanhado e foi recolhido para garantir a segurança dele até a chegada ao 6º Pelotão Independente Bombeiro Militar. — Foto: CBMMT
Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a principal ameaça à jaguatirica é a perda e a fragmentação do habitat, que reduzem as áreas de floresta e podem isolar populações da espécie, comprometendo a diversidade genética e a sobrevivência dos animais. Embora também seja encontrada em áreas agrícolas, a jaguatirica depende de remanescentes de vegetação nativa para viver.
Segundo o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), no Brasil, a espécie é encontrada na Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Pantanal e Pampas. O animal, de porte médio, é um animal solitário, possui hábitos noturnos e se alimenta de roedores, répteis, aves e peixe.
O instituto também alerta que a presença de cães domésticos próximos às áreas de mata representa uma ameaça para a espécie, tanto pela transmissão de doenças quanto pela competição por espaço e alimento. Em regiões com maior presença humana, a jaguatirica tem alterado seus hábitos, tornando-se mais ativa durante a noite para evitar esses riscos.
Além da destruição do habitat, outros fatores ameaçam a sobrevivência da espécie, como atropelamentos em rodovias e a morte de animais em conflitos com criadores de aves domésticas. Em São Paulo, por exemplo, um estudo citado pelo ICMBio estima que cerca de 112 jaguatiricas sejam atropeladas por ano nas rodovias pavimentadas do estado.
O ICMBio destaca ainda que, no passado, a caça para o comércio ilegal de peles foi uma das principais causas da redução da população de jaguatiricas. Entre as décadas de 1960 e 1980, centenas de milhares de peles da espécie foram comercializadas internacionalmente, antes da adoção de medidas de proteção ambientalPantanal
🐆 O que fazer ao encontrar um animal silvestre?
A Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) reforça que, ao encontrar um animal silvestre que necessite de resgate, a população deve acionar a Polícia Militar ou o Corpo de Bombeiros.
A orientação é não tentar capturar o animal, para evitar riscos tanto à segurança das pessoas quanto à integridade do animal.
VIDEO:
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Agro Mato Grosso
Bayer cria Ruveon LLC para negócio de glifosato nos EUA

Empresa ficará responsável por preços, produção, logística e estratégia comercial no mercado norte-americano
A Bayer consolidou seu negócio de glifosato nos Estados Unidos na Ruveon LLC. A nova empresa ficará responsável por preços, estratégias de acesso ao mercado, produção e logística de produtos à base da molécula.
A Ruveon tem sede em St. Louis, no Missouri. A empresa permanece como negócio do Grupo Bayer. Segundo a companhia, a consolidação integra o plano Five-Year Framework, criado pela divisão Crop Science para ampliar crescimento, resiliência e rentabilidade.
Foco específico
A Bayer informou que a Ruveon terá foco específico em um mercado baseado em commodities. A empresa reunirá equipes dedicadas de produto e comercial para o negócio de glifosato nos Estados Unidos. A companhia espera abastecer a agricultura norte-americana com produtos de glifosato e manter padrões de qualidade e serviço.
Brian Naber, chefe de Crop Science para América do Norte, Austrália e Nova Zelândia, afirmou que o lançamento da Ruveon marca uma etapa do Five-Year Framework. Segundo ele, a consolidação de recursos e operações permite maior dedicação das equipes às necessidades de clientes, parceiros e outros envolvidos no mercado.
Equipe de trabalho
Alfonso Alba Ordóñez assumirá o cargo de diretor-presidente da Ruveon. O executivo tem mais de 30 anos de experiência em liderança no Grupo Bayer e no setor agrícola global. Ele ocupou cargos na Europa, América do Sul, América do Norte e China.
Steve Knodle atuará como vice-presidente executivo e chefe comercial da Ruveon. Ele tem mais de 28 anos de experiência no setor agrícola. Knodle comandará as equipes de vendas e marketing de glifosato nos Estados Unidos, com atuação nos mercados agrícola, industrial, gramados e ornamentais.
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