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5 de outubro de 2026

Agro Mato Grosso

Produtores de MT avaliam no Texas genética para cruzamentos no Brasil

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A busca por alternativas genéticas capazes de ampliar produtividade, melhorar qualidade de carcaça e aumentar a eficiência da pecuária levou produtores rurais, presidentes de sindicatos rurais e lideranças do agro mato-grossense ao Strait Ranches, em Streetman, no Texas, na terça-feira (13). A visita integrou a programação da Missão Técnica EUA 2026, organizada pelo Sistema Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Sistema Famato) e teve como foco o trabalho de seleção da raça Santa Gertrudis, uma das referências da pecuária de corte norte-americana.

A raça, desenvolvida a partir do cruzamento entre Brahman e Shorthorn, ganhou projeção por reunir rusticidade, fertilidade, ganho de peso e adaptação a ambientes de clima quente. Essas características despertam interesse em sistemas produtivos tropicais, como os encontrados em Mato Grosso, maior produtor de bovinos do Brasil e um dos principais polos exportadores de carne do país.

Fundado em 1951 pela família Strait, o Strait Ranches mantém um programa tradicional de melhoramento genético da Santa Gertrudis. Durante a visita, a comitiva acompanhou apresentações técnicas sobre critérios modernos de seleção, avaliação genética, desempenho de carcaça, eficiência reprodutiva, coleta de DNA, análise fenotípica e possibilidades de uso da raça em cruzamentos comerciais.

Para o presidente do Sistema Famato, Vilmondes Tomain, a agenda permitiu atualizar a percepção sobre uma raça que já teve passagem pelo Brasil, mas que, no passado, não entregou em algumas regiões os resultados esperados.

“A Santa Gertrudis chegou ao Brasil na década de 70, mas muitos cruzamentos feitos naquele período não apresentaram os resultados esperados, principalmente em relação à adaptação e à precocidade. Hoje, pelo que vimos aqui, a raça evoluiu muito. É um produto que pode chegar como alternativa para cruzamentos com o Nelore, trazendo precocidade, melhor carcaça e carne de mais qualidade”, afirmou.

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Segundo Vilmondes, o avanço genético observado no Texas reforça a necessidade de os pecuaristas brasileiros ampliarem o repertório de opções para os sistemas de produção.

“Não podemos ficar focados em uma única genética. O produtor precisa ter alternativas. Estamos trazendo lideranças e produtores para observar o que existe de melhor, entender o que pode ser incorporado à nossa realidade e levar esse conhecimento para dentro das propriedades rurais”, disse.

A avaliação da comitiva é que a Santa Gertrudis pode ser considerada em estratégias de cruzamento voltadas à complementaridade com raças zebuínas, especialmente o Nelore, base predominante da pecuária brasileira. A busca é por animais mais precoces, com melhor desempenho produtivo, maior padronização de carcaça e capacidade de atender mercados cada vez mais exigentes em qualidade de carne.

O proprietário do Strait Ranches, Yancey Strait, destacou a importância da aproximação com produtores brasileiros e afirmou que o programa de seleção busca equilibrar características maternas, funcionalidade estrutural e atributos de carcaça.

“Somos muito gratos pela visita dos produtores brasileiros. Acreditamos que a Santa Gertrudis oferece um produto equilibrado, capaz de melhorar características maternas e também atributos de carcaça. Queremos ampliar essa conexão com os produtores do Brasil”, afirmou.

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Entre os participantes, a visita também serviu para revisar impressões construídas a partir de experiências anteriores. O presidente do Sindicato Rural de Colíder, Jonatas, relatou que já havia testado cruzamentos envolvendo Santa Gertrudis no Brasil, mas enfrentou problemas ligados à formação de casco. Segundo ele, o contato direto com técnicos e selecionadores no Texas mostrou que parte dessas limitações foi superada pelo avanço do melhoramento genético.

“A gente passa por uma dificuldade no Brasil e acaba criando um preconceito em relação à raça. Aqui, vindo à fonte e conversando com quem desenvolve a genética, vimos que muitas falhas do passado já foram corrigidas. Hoje existe uma genética muito superior ao que a gente imaginava”, afirmou.

Jonatas Galadinovic avalia que a raça pode voltar a ser analisada como alternativa em programas de cruzamento industrial e tricross, especialmente sobre fêmeas F1.

“A visita abriu novamente a possibilidade de usar a Santa Gertrudis como opção. A gente volta para o Brasil com mais informação e mais segurança para avaliar essa viabilidade”, disse.

A passagem pelo Strait Ranches integra a agenda técnica da Missão EUA 2026, que reúne mais de 80 participantes em uma imersão por centros de pesquisa, universidades, propriedades rurais, operações pecuárias e empresas de genética nos estados do Texas e Nebraska. O objetivo é identificar tecnologias, modelos de gestão e soluções que possam contribuir para a evolução da pecuária mato-grossense.

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Além da genética bovina, a missão contempla temas como pecuária de corte, biotecnologia da reprodução, gestão produtiva, agricultura irrigável, uso eficiente da água, sustentabilidade e inovação no campo. A expectativa é que os conhecimentos adquiridos sejam compartilhados posteriormente com sindicatos rurais, produtores e lideranças regionais em Mato Grosso, ampliando o alcance técnico e institucional da iniciativa.

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Agro Mato Grosso

Mercado de madeira tratada deve crescer 6,7% ao ano até 2030 segundo pesquisa

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O mercado mundial de madeira tratada deve crescer, em média, 6,7% ao ano até 2030, segundo projeção da Grand View Research divulgada pela Associação Brasileira de Preservadores de Madeira (ABPM). A construção concentra a maior parcela da demanda global e está entre as principais frentes de uso do material.

Avaliado em aproximadamente US$5,9 bilhões em 2023, o mercado encontra no Brasil um potencial estimado de comercialização de 2,4 milhões de metros cúbicos de madeira tratada por ano provenientes de áreas de reflorestamento, segundo a ABPM. A estimativa brasileira foi divulgada em 2020 e indica o potencial calculado pela entidade, não o volume atualmente vendido no país.

Postes, cruzetas, dormentes e cercas estão entre as aplicações tradicionais da madeira tratada no Brasil. Na construção, o material também pode ser empregado em fachadas, decks, estruturas e sistemas industrializados, usos que submetem a madeira a condições bastante diferentes de exposição.

Dados da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) indicam que determinados sistemas construtivos com madeira de árvores cultivadas podem reduzir em até 50% o tempo de execução em relação a métodos tradicionais. O desperdício de materiais pode ser de 20% a 30% menor.

As exigências técnicas mudam conforme o uso. Uma peça instalada sob cobertura não enfrenta as mesmas condições de uma fachada ou de um deck expostos diariamente ao sol, à chuva e à umidade. Espécie, projeto, instalação e exposição a fungos e insetos também interferem na conservação.

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Elaine Guedes, diretora comercial da Montana Química, explica que o local de instalação é uma das primeiras variáveis a serem consideradas na especificação.

“Duas peças da mesma espécie podem ter comportamentos diferentes se uma estiver protegida e a outra receber sol e chuva diariamente. Antes de definir a proteção, precisamos saber onde a madeira será usada, qual será o nível de exposição e quais condições ela enfrentará ao longo do tempo, afirma.

Durabilidade começa antes do acabamento
A vida útil da madeira não depende apenas do acabamento escolhido. O próprio projeto pode reduzir ou aumentar a exposição à água. Pontos que dificultam o escoamento, por exemplo, favorecem a permanência de umidade sobre a peça e podem comprometer seu desempenho.

Em áreas externas, radiação ultravioleta, chuva e oscilações de umidade provocam alterações naturais na madeira e desgastam os acabamentos. A necessidade de manutenção, portanto, varia conforme a exposição e o estado da superfície.
“Quando aparece um problema no acabamento, nem sempre ele começou ali. Água acumulada, umidade persistente ou algum detalhe construtivo podem estar por trás do desgaste. Por isso, olhar apenas para o produto aplicado é insuficiente para avaliar o que aconteceu”, diz Elaine.

Tratamento industrial e acabamento não são a mesma coisa
Tratamento industrial e acabamento superficial também cumprem funções diferentes.

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No primeiro, preservativos são introduzidos na madeira por processos específicos, como os realizados em autoclave, para aumentar a resistência a determinados agentes deterioradores. A atividade é regulamentada no Brasil.

Stains e vernizes são aplicados à superfície e têm indicações que variam de acordo com o ambiente e a exposição. Por isso, uma madeira submetida a tratamento industrial pode continuar precisando de acabamento adequado à aplicação.

“Há uma diferença de função. O tratamento industrial atende a determinadas necessidades de preservação da madeira, enquanto o acabamento atua na superfície. Em alguns usos, os dois processos são necessários e cumprem papéis distintos”, explica a executiva.

Com a construção concentrando a maior parcela da demanda mundial e o mercado global projetado para crescer 6,7% ao ano até 2030, fachadas, decks, estruturas e sistemas construtivos colocam a madeira em condições de uso bastante distintas. A expansão dessas aplicações traz para o centro da discussão questões como exposição, durabilidade e manutenção do material.

Sobre a Montana QuímicaSomos uma indústria química especialista na formulação de produtos de alta performance para a construção civil. Autoridade no mercado, possuímos uma linha completa de produtos para o tratamento, proteção, preservação e acabamento de madeiras, além de outros substratos como pedra, tecido, alvenaria, preservativos industriais para madeira e produtos de alta performance para indústria moveleira.

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Com sede em São Paulo, filial em Porto Alegre e revendas em todo o Brasil, em 2014 lançou a marca Monsa para atender o mercado internacional. Atualmente, a Montana já conta com unidades de negócios em diversos países sul-americanos e com uma filial em Medellín, na Colômbia, instalada em 2017 e outra no Uruguai, instalada em 2019.

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Agro Mato Grosso

Valtra lança sexta geração da Série T com até 245 cv

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Tratores recebem motor CORE75, novas transmissões, SmartTouch Gen2 e conectividade FarmENGAGE

A Valtra apresentou a sexta geração da Série T, com potência de 170 cv a 245 cv, novo motor AGCO Power CORE75, duas opções de transmissão e atualização dos sistemas de operação, automação e agricultura digital. A fabricante direciona os tratores a produtores profissionais e prestadores de serviços.

A nova geração adota uma plataforma desenvolvida para integrar trator, implementos e gerenciamento da propriedade. A linha também recebe o sistema SmartTouch Gen2 e preparação de fábrica para a plataforma PTx FarmENGAGE.

Motor CORE75

O motor AGCO Power CORE75 utiliza seis cilindros e 7,5 litros de cilindrada. No modelo T236, entrega até 245 cv e torque máximo de 1.184 newton-metros.

O conjunto trabalha com o Smart Power Management. O sistema ajusta o comportamento do motor e da transmissão conforme a operação e a preferência selecionada pelo operador. A estratégia busca combinar capacidade de tração e consumo de combustível.

Segundo testes de laboratório da AGCO Power, o CORE75 apresentou redução de até 5% no consumo específico de combustível no ponto de melhor eficiência frente ao motor AGCO Power 74HD da geração anterior. A empresa prevê concluir testes independentes de validação até o final de 2026.

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O operador pode selecionar os modos Eco, Normal ou Power. O motor também trabalha com uma faixa ampla de torque em baixas rotações. Segundo a fabricante, essa característica auxilia na manutenção do desempenho durante mudanças de carga.

Duas opções de transmissão

A sexta geração oferece duas alternativas de transmissão. Uma delas utiliza a transmissão continuamente variável AGCO ML 180. A segunda emprega uma nova transmissão powershift de dez etapas.

As configurações permitem velocidades de transporte de 40, 50 ou 57 quilômetros por hora, conforme a especificação e as regras locais de trânsito.

A plataforma utiliza distância entre eixos de 2.950 milímetros, vão livre do solo de até 575 milímetros e raio de giro de 4,9 metros. O sistema hidráulico fornece vazão de até 200 litros por minuto. O peso bruto máximo permitido alcança 14 mil quilogramas.

SmartTouch Gen2

A nova Série T incorpora o SmartTouch Gen2. A interface utiliza tela sensível ao toque de 12 polegadas e oferece capacidade de processamento dez vezes superior à geração anterior, segundo a Valtra.

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O sistema apresenta tempo de inicialização de 22 segundos. O operador pode configurar telas de trabalho com até 16 quadrantes e criar perfis específicos para operadores, tarefas e implementos.

O SmartTouch Gen2 oferece até 12 botões configuráveis. A interface integra recursos de orientação, ISOBUS e gerenciamento de implementos. Uma função de ajuda apresenta informações adicionais e códigos QR para consulta.

A fabricante também disponibiliza o novo apoio de braço Active Gen2. A solução utiliza comandos dedicados e funções configuráveis. SmartTouch Gen2 e Active Gen2 sincronizam as informações com a tela instalada na coluna A da cabine.

Ajustes durante operações

A sexta geração incorpora recursos de automação voltados ao controle do trator e dos implementos. A lista inclui Tractor Implement Management, Ground Speed Hydraulics e Front Linkage Control.

O Ground Speed Hydraulics vincula funções hidráulicas à velocidade de deslocamento. Outros recursos permitem programar controles e administrar implementos. A estratégia busca reduzir ajustes repetitivos durante as operações.

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A linha também mantém o programa Valtra Unlimited, destinado à personalização de fábrica. A fabricante prevê configurações para agricultura, pecuária, prestação de serviços, atividades florestais e aplicações municipais.

Máquinas conectadas

Os tratores saem de fábrica preparados para o PTx FarmENGAGE. A plataforma permite administrar dados das máquinas, planejamento e comunicação entre escritório e campo.

O sistema permite transferir tarefas, documentação e informações agronômicas. A Valtra também prevê uso do FarmENGAGE em frotas formadas por equipamentos de diferentes fabricantes.

Segundo Johan Grotell, gerente de marketing de produto da Valtra EME, a integração entre máquina, implemento, gestão e dados amplia o uso das tecnologias embarcadas em diferentes operações.

Matti Tiitinen, vice-presidente de vendas e marketing da Valtra EME, afirma que a nova geração buscou atender demandas apresentadas por agricultores e prestadores de serviços. Entre os pontos citados aparecem desempenho, custos operacionais, conectividade, personalização e facilidade de operação.

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Agro Mato Grosso

Estudo propõe novo nível de ação para percevejo no sistema Antecipe

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Dois percevejos por metro surgem como limite preliminar para manejo de Diceraeus melacanthus no milho

Pesquisadores propõem a adoção preliminar de dois adultos de Diceraeus melacanthus por metro como nível de controle para o milho cultivado no sistema Antecipe. O valor busca reduzir o risco de perdas causadas pelo percevejo durante a emergência do cereal. O estudo registrou danos expressivos em todas as densidades da praga testadas e redução de produtividade na maior delas. O trabalho também aponta necessidade de validação do limite em lavouras comerciais, diferentes regiões e híbridos de milho (doi 10.1007/s13744-026-01439-x).

O sistema Antecipe permite semear o milho nas entrelinhas da soja ainda em fase reprodutiva. A implantação ocorre entre 15 e 20 dias antes da colheita da oleaginosa. A estratégia pode reduzir em até 20 dias o ciclo do sistema soja-milho. A antecipação amplia a janela de semeadura do milho safrinha e reduz a exposição da cultura à seca e à geada no fim do ciclo.

Ponte verde

Mas a sobreposição das duas culturas também mantém uma ponte verde para insetos fitófagos. Nesse cenário, Diceraeus melacanthus encontra plantas hospedeiras durante a transição entre soja e milho. A presença simultânea das culturas pode favorecer a permanência da população no agroecossistema no período de maior vulnerabilidade das plântulas de milho.

O estudo avaliou a preferência da praga entre soja em senescência e milho recém-emergido. Também mediu danos e produtividade sob quatro densidades de infestação. Os experimentos ocorreram em Londrina, no Paraná, entre 2024 e 2025.

Ensaio de preferência

No ensaio de preferência, dez adultos de Diceraeus melacanthus foram liberados em gaiolas com uma planta de soja e uma planta de milho. O cereal encontrava-se no estádio VE. As avaliações ocorreram durante três dias, às 8h30, 12h30 e 16h30.

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Os insetos permaneceram em maior número sobre a soja na maior parte das avaliações. O resultado chama atenção porque Diceraeus melacanthus costuma ser descrito como espécie associada a gramíneas, especialmente o milho. Os pesquisadores consideram que a dieta usada na criação em laboratório pode ter influenciado a escolha. As ninfas foram alimentadas com grãos de soja, o que pode condicionar a preferência alimentar dos adultos.

A distribuição também variou ao longo do dia. Às 8h30, período mais ameno, os percevejos apareceram de forma mais equilibrada entre as duas culturas. A partir das 12h30, a soja concentrou maior número de indivíduos.

Diferenças de microclima

Os pesquisadores associam essa variação diária às diferenças de microclima entre as plantas. A soja no estádio R7 apresenta dossel mais alto e denso em comparação às plântulas de milho. Essa estrutura pode oferecer maior umidade e menor temperatura durante os períodos mais quentes.

A presença maior na soja não eliminou o risco para o milho. Os dados indicaram atividade de Diceraeus melacanthus sobre o cereal, com tendência de maior presença no início da manhã. Segundo os pesquisadores, a soja pode atuar como hospedeiro de suporte e manter a praga próxima ao milho durante a emergência.

O experimento de campo avaliou densidades de zero, um, dois e quatro adultos por metro. Os tratamentos permaneceram em gaiolas de seis por quatro metros. A infestação ocorreu quando o milho alcançou o estádio VE. As avaliações de danos começaram seis dias depois e seguiram aos dez e 13 dias após a infestação.

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Intensidade das injúrias

A presença dos percevejos elevou a intensidade das injúrias. As médias de dano ficaram próximas de zero no tratamento sem percevejos. As densidades de um, dois e quatro insetos por metro alcançaram médias de 2,0, 2,4 e 2,5, respectivamente, em escala de zero a quatro, sem diferença estatística entre si. Mesmo a menor densidade provocou danos expressivos.

Os danos também avançaram com o tempo. Aos dez dias após a infestação, todos os tratamentos com percevejos ultrapassaram nota média 2,0. Aos 13 dias, a menor densidade, com um inseto por metro, alcançou nota 2,75. Essa nota ficou próxima dos resultados encontrados nas populações maiores.

A produtividade respondeu à densidade da praga. O tratamento sem infestação produziu 9.108,9 quilogramas por hectare. A densidade de quatro percevejos por metro resultou em 7.615 quilogramas por hectare. A diferença correspondeu a uma redução de 1.494 quilogramas por hectare, ou 16,4%.

Dois percevejos por metro

O tratamento com dois percevejos por metro produziu 7.979,6 quilogramas por hectare. Esse resultado ocupou posição intermediária e não apresentou diferença estatística em relação às densidades menores nem em relação à maior população. Os pesquisadores interpretam esse ponto como possível transição entre tolerância da planta e capacidade de compensação dos danos.

Com base nesses resultados, o estudo propõe dois adultos de Diceraeus melacanthus por metro como nível de controle mais conservador para o sistema Antecipe. A referência anterior citada no trabalho indica três percevejos por metro para milho safrinha cultivado após a soja, sem considerar a sobreposição entre as culturas.

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O manejo no Antecipe também precisa considerar os danos mecânicos provocados pela colheita da soja sobre as plântulas de milho. Esse fator não foi avaliado nos experimentos. Estudos citados pelos pesquisadores indicam que esse estresse pode reduzir a área foliar e a capacidade de recuperação das plantas. A associação entre injúrias mecânicas e alimentação de Diceraeus melacanthus pode ampliar o impacto sobre o desenvolvimento inicial do cereal.

Alcance limitado

Estratégias de controle aplicadas no fim do ciclo da soja também têm alcance limitado. Estudo anterior citado no trabalho mostrou que aplicações de inseticida nessa fase e a dessecação pré-colheita não reduziram as infestações posteriores no milho. Para os pesquisadores, o risco está ligado principalmente à continuidade de plantas hospedeiras no tempo e no espaço. Essa condição é intensificada no Antecipe e reduz a margem de decisão no manejo.

O uso do novo limite ainda exige cautela. Os experimentos com infestação ocorreram em gaiolas. Os pesquisadores recomendam validação em condições abertas de lavoura, sob diferentes condições climáticas e com outros materiais de milho. O trabalho também destaca monitoramento frequente e precoce, respeito ao intervalo de segurança de inseticidas antes da colheita da soja, tratamento de sementes e uso de cultivares de milho mais tolerantes como componentes do manejo integrado.

O estudo foi realizado pelos cientistas Weidson Plauter Sutil, Letícia Carolina Chiampi Munhoz e Adeney de Freitas Bueno.

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