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24 de julho de 2026

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Mercado de defensivos do país movimenta R$ 98,7 bilhões na safra 2024/25

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Foto: Divulgação Mapa

O mercado brasileiro de defensivos agrícolas movimentou R$ 98,7 bilhões na safra 2024/25, o que representa um crescimento de 3% em relação ao ciclo anterior, quando faturou R$ 95,9 bilhões. Os dados constam no estudo FarmTrak, da consultoria Kynetec Brasil.

Em dólar, o setor registrou recuo de 7% no faturamento, de US$ 19,4 bilhões para US$ 18,1 bilhões na safra passada. Segundo o gerente de pesquisas da Kynetec, Lucas Alves, o menor resultado na moeda americana é explicado pela desvalorização do real, que passou de R$ 4,94 para R$ 5,46 no período.

A recuperação em reais reverte a queda de 13% apurada na safra 2023/24. Naquele ciclo, os preços dos insumos recuaram 79%, em média, o que reduziu o faturamento de R$ 110,1 bilhões para R$ 95,9 bilhões, apesar do avanço de 1% na área plantada e de 9% na intensidade dos tratamentos.

A valorização do setor em reais no ciclo passado também foi impulsionada pelo aumento de 2% na área plantada e de 9% nos manejos nas lavouras, observou a Kynetec. Alves ressaltou que esses fatores compensaram a acomodação nos preços dos defensivos no período.

Para a safra 2025/26, a consultoria projeta avanço de 8% no mercado, em reais. “Esse crescimento potencial deve ser puxado pelas culturas de soja e milho e está relacionado ao aumento de área plantada e à intensidade dos tratamentos adotados”, afirmou Alves.

Segundo dados da consultoria, o histórico das últimas cinco safras mostra ciclos de elevação de preços após o início da pandemia, seguidos por perdas nos valores. Entre as temporadas 2020/21 e 2022/23, o faturamento do setor no país subiu de R$ 61,4 bilhões para R$ 110,1 bilhões, com o custo médio de aplicação passando de R$ 37,93 para R$ 54,15 por hectare.

No segmento de herbicidas não seletivos, o custo de aplicação subiu de R$ 37,68 para R$ 97,60 entre 2020/21 e 2022/23. “A subida dos preços também teve início em um momento de restrição de comércio de algumas das principais moléculas do mercado, devido ao fechamento de fábricas no principal fornecedor brasileiro de produtos, a China”, explicou o gerente.

O estudo FarmTrak da Kynetec baseou-se em mais de 3 mil entrevistas com produtores rurais em toda a fronteira agrícola do país.

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Geopolítica, logística e tecnologia desafiam futuro do agronegócio

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Foto: Assessoria de Imprensa DATAGRO

A expansão da produção agropecuária ocorre em meio a um cenário de mudanças nas relações comerciais, gargalos de infraestrutura, necessidade de investimentos e avanço acelerado da tecnologia. Esses desafios estão no centro das discussões do Global Agribusiness Festival (GAFFFF) 2026, que começou nesta quinta-feira (23), em Sorriso.

Pela primeira vez realizado em Mato Grosso, o evento reúne participantes do Brasil, Argentina, Espanha, Guatemala e Reino Unido para discutir os fatores que podem influenciar a competitividade do agronegócio nos próximos anos. A programação inclui debates sobre geopolítica, abertura de mercados, agregação de valor, crédito, logística, inovação e demanda por combustíveis.

A escolha de Sorriso coloca a discussão em uma região que enfrenta diretamente parte desses desafios. Reconhecido como a Capital Nacional do Agronegócio, o município está no centro da produção brasileira de grãos e também convive com a necessidade de ampliar a infraestrutura e melhorar as condições de escoamento.

No primeiro dia, os debates passaram ainda pela diversificação das atividades e pela adaptação das cadeias produtivas às transformações econômicas e tecnológicas. Entre os participantes estavam o ex-ministro da Agricultura e coordenador do Centro de Agronegócios da FGV Agro, Roberto Rodrigues.

Competitividade depende de produtividade, infraestrutura e inovação

Para o presidente da DATAGRO, Plínio Nastari, o debate sobre o futuro do setor precisa considerar não apenas a capacidade de produção, mas também a forma como o agronegócio responde às mudanças econômicas e às exigências de sustentabilidade. Na avaliação dele, Sorriso representa um exemplo da integração entre produtividade e cadeias produtivas.

“O GAFFFF tem como objetivo valorizar e reconhecer o trabalho realizado pelo agronegócio de forma economicamente viável e de acordo com os mais elevados padrões de sustentabilidade. Sorriso é um exemplo pela produtividade e pela integração das cadeias produtivas, além de ser o epicentro do agronegócio e do desenvolvimento sustentável da produção no país”, afirmou Nastari.

A infraestrutura e a logística continuam entre os principais desafios para o crescimento da produção brasileira. O aumento dos volumes produzidos exige capacidade de transporte, armazenagem e escoamento compatível com a expansão das lavouras.

O acesso ao crédito e a necessidade de investimentos também entraram na pauta. A capacidade de incorporar tecnologia, ampliar a eficiência e agregar valor à produção depende de condições que permitam a produtores e empresas planejar em um cenário de custos e mercados em transformação.

A inovação aparece nesse contexto como uma das ferramentas para aumentar a competitividade. Para o presidente de honra do GAFFFF Sorriso, Paulo Lucion, Mato Grosso já tem a força da produção, mas precisa ampliar o protagonismo em conhecimento e tecnologia. “Os números mostram a força de Mato Grosso, mas são as pessoas, o conhecimento e a inovação que garantem o futuro. Se somos referência no agronegócio, queremos também ser referência em inovação, tecnologia e conhecimento”, destacou.

Evento movimenta economia além do campo

A realização do GAFFFF também amplia a movimentação econômica em Sorriso. Durante os quatro dias de programação, a circulação de participantes impacta setores como hotelaria, alimentação e serviços, enquanto as rodadas de negócios aproximam empresas, produtores e outros elos da cadeia.

A programação combina painéis técnicos e encontros de negócios com rodeio e shows artísticos. A proposta é aproximar a população local das atividades e ampliar a circulação de visitantes no município.

A presença de delegações internacionais amplia ainda as possibilidades de troca de conhecimento e conexão entre mercados. A programação reúne participantes do Brasil, Argentina, Espanha, Guatemala e Reino Unido em discussões sobre os caminhos do agronegócio.

Para o prefeito de Sorriso, Alei Fernandes, a realização do evento ocorre em um município cuja força econômica está diretamente ligada à produção agropecuária. “Isso demonstra a importância do nosso município no cenário do agronegócio”, disse.

O governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta, também participou da abertura e destacou a capacidade produtiva e de organização de Sorriso para sediar a programação. “Sorriso é um grande polo de desenvolvimento, com índices invejáveis de produtividade. Sediar um evento internacional deste porte demonstra a capacidade de organização da cidade, da prefeitura e a relevância do nosso setor produtivo no mundo”, ressaltou.

A programação segue até domingo (26), com debates sobre competitividade, mercados, tecnologia, infraestrutura e os fatores que devem influenciar o agronegócio nos próximos anos.


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Tarifa dos EUA exige revisão do caixa e do planejamento no campo, diz Fausto Ribeiro

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Foto: Divulgação

As tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros já começam a exigir mudanças no planejamento financeiro de parte do agronegócio.

Para o colunista do Canal Rural e ex-presidente do Banco do Brasil, Fausto Ribeiro, os impactos não serão iguais para todas as cadeias, mas produtores diretamente expostos ao mercado americano precisam agir desde já para preservar a saúde financeira dos negócios.

Segundo ele, as tarifas inicialmente anunciadas em 25% já representam um impacto estimado de R$ 4,6 bilhões para o agro brasileiro. A sobretaxa de 12,5%, entretanto, precisa ser analisada com mais calma.

Três medidas imediatas para o produtor

Na avaliação de Ribeiro, produtores inseridos nas cadeias afetadas devem adotar três medidas prioritárias.

A primeira é mapear com precisão o grau de exposição ao mercado americano. Isso inclui identificar quanto da receita depende, direta ou indiretamente, das exportações para os Estados Unidos, seja por meio de cooperativas ou tradings.

O especialista também recomenda verificar a existência de contratos de venda futura ou de Cédulas de Produto Rural (CPRs) firmados antes da imposição das tarifas, já que a nova realidade pode alterar significativamente as condições esperadas de comercialização.

Revisão do fluxo de caixa

A segunda orientação é revisar o fluxo de caixa dos próximos 12 meses considerando um cenário mais conservador.

Segundo Ribeiro, produtores das cadeias atingidas devem simular uma redução entre 10% e 15% nas cotações em relação ao planejamento inicial e avaliar se o nível atual de endividamento suporta esse cenário.

Caso a resposta seja negativa, a recomendação é buscar assessoria financeira antes que ocorram atrasos nos pagamentos.

Alternativas para reduzir impactos no campo

O especialista em crédito rural destaca que algumas alternativas já começam a surgir para reduzir os efeitos das tarifas.

Entre elas estão as negociações diplomáticas para buscar exceções em produtos como etanol e madeira. No mercado interno, ele cita a proposta de elevar a mistura obrigatória de etanol na gasolina, de 27% para 35%, como uma forma de absorver parte da produção destinada aos Estados Unidos.

Outra possibilidade é ampliar o redirecionamento das exportações para outros mercados, especialmente a China, que já responde por uma parcela significativa das compras do agronegócio brasileiro.

Atenção para quem renegociou dívidas

Ribeiro faz um alerta específico aos produtores que renegociaram financiamentos recentemente com base em projeções de receita anteriores às tarifas.

Segundo ele, caso a queda nos preços comprometa o fluxo de caixa previsto, o ideal é procurar as instituições financeiras para reavaliar o plano de pagamento antes que ocorram inadimplências.

Impactos variam entre as cadeias

Na avaliação do colunista, nem todos os setores sentirão os efeitos da mesma forma.

Ele cita café, carnes e suco de laranja entre as cadeias menos afetadas ou isentas, recomendando que esses produtores concentrem esforços em preservar as margens atuais.

Já para os segmentos diretamente atingidos pelas tarifas, a orientação é reforçar o planejamento financeiro e acompanhar de perto os movimentos de compensação que podem surgir nos mercados interno e externo.

“O agro brasileiro tem escala, eficiência e capacidade de redirecionar sua produção. Mas essas qualidades só funcionam para quem age com segurança e informação”, conclui Ribeiro.

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Agro Mato Grosso

Pecuária de MT bate recorde e chega a 45% dos bovinos abatidos com até 24 meses

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A pecuária de corte de Mato Grosso atingiu um novo marco. Nos primeiros seis meses de 2026, 45% dos bovinos abatidos no Estado tinham até 24 meses de idade, o maior percentual da série histórica iniciada em 2006. O avanço reflete os investimentos dos pecuaristas em genética, nutrição, manejo de pastagens e tecnologias de produção, que vêm reduzindo o tempo necessário para que os animais alcancem o peso ideal de abate, aumentando a produtividade e a competitividade da cadeia da carne bovina.

Os dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram uma transformação significativa da pecuária estadual nas últimas duas décadas. Em 2006, apenas 2% dos animais abatidos tinham menos de 24 meses. Vinte anos depois, essa participação chegou a 45%, enquanto a fatia de bovinos abatidos com mais de 36 meses caiu de 65% para 22% no mesmo período.

A mudança demonstra que os pecuaristas de Mato Grosso conseguem produzir mais carne em menos tempo, reduzindo o ciclo produtivo sem comprometer a qualidade da proteína. Além de elevar a eficiência das propriedades, a estratégia melhora o giro do capital investido pelo produtor, aumenta a oferta de animais terminados e fortalece a posição no mercado nacional e internacional.

“A redução da idade de abate é um dos principais indicadores da evolução da pecuária mato-grossense. Ela mostra que o produtor investiu em tecnologia, melhoramento genético, manejo e nutrição para produzir mais carne em menos tempo”, avalia o diretor de projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade.

A maior eficiência também ajuda a explicar os resultados alcançados pelo setor no primeiro semestre deste ano. Foram 3,65 milhões de bovinos abatidos, crescimento de 3,58% em relação ao mesmo período de 2025. O avanço foi impulsionado principalmente pelos machos, cujo abate aumentou 13,05%, enquanto o envio de fêmeas aos frigoríficos caiu 4,26%, reflexo da retenção de matrizes para ampliação do rebanho.

“Além dos ganhos econômicos, especialistas apontam que animais abatidos mais jovens também contribuem para uma pecuária mais sustentável. Com um ciclo produtivo mais curto, o bovino permanece menos tempo na propriedade, utiliza os recursos naturais de forma mais eficiente e reduz a emissão de gases de efeito estufa por quilograma de carne produzida, indicador cada vez mais valorizado pelos mercados internacionais”, enfatiza o diretor de Projetos do Imac.

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Agro MT