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O Brasil como a Arábia Saudita da energia verde

Recentemente, o presidente Lula afirmou que o Brasil tem potencial para ser a “Arábia Saudita do Biodiesel”. A comparação não é exagero: nosso país ostenta uma posição que o resto do mundo persegue.
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Enquanto nações desenvolvidas lutam para limpar suas indústrias, 88% da nossa matriz elétrica já é renovável. Se olharmos para a matriz energética total, que inclui o combustível dos transportes e a energia das fábricas, 50% de tudo o que consumimos é limpo, contra uma média mundial de apenas 14%.
O Brasil já é o campeão dos biocombustíveis, mas o grande salto agora vem do Hidrogênio Verde. No Nordeste, a força dos ventos e do sol separa o hidrogênio da água. Para transportá-lo, combinamos esse gás com o nitrogênio do ar, criando a Amônia Verde.
O Brasil transforma vento e sol em “energia líquida” para abastecer países que não têm mais onde crescer em fontes limpas
Essa “embalagem líquida” é a solução para países como o Japão e a Alemanha, que não têm mais espaço para crescer em energia limpa e decidiram abandonar a energia nuclear.
Reféns do carvão e do gás russo, eles precisam importar nossa energia para descarbonizar suas indústrias. Um exemplo real é o recente consórcio de R$ 12 bilhões assinado para produzir amônia verde no Rio Grande do Norte voltada ao mercado alemão.
Mas essa revolução não serve apenas para exportar. A amônia é a base dos fertilizantes, como a ureia. Hoje, o Brasil importa esse insumo fabricado lá fora com combustíveis fósseis.
Produzir amônia verde em solo nacional é criar um escudo contra as crises externas que encarecem a comida no nosso supermercado
Quando surge uma guerra na Ucrânia ou crise no Oriente Médio, o adubo encarece em dólar e o preço do arroz e do feijão dispara. Ao produzirmos nossa própria amônia verde, “nacionalizamos” nossa segurança alimentar.
Usamos nosso vento para fabricar adubo em solo nacional, criando um escudo que garante comida estável e barata na mesa do brasileiro, independentemente das crises externas.
A “Arábia Saudita Verde” é a nossa chance de deixar de ser apenas exportador de matéria-prima. Com a matriz elétrica mais limpa do planeta e a tecnologia para transformar vento em fertilizante, o futuro do Brasil está, literalmente, soprando a nosso favor.

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
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Estudo analisa seguro rural em 7 países e traz dicas de modelos ao Brasil

Um novo estudo do Observatório do Crédito e Seguro Rural (OCSR), do FGV Agro, analisa os sistemas de seguro rurais em sete países: Argentina, Chile, Espanha, Estados Unidos, Índia, México e Peru.
Os resultados mostram que embora todos reconheçam a importância da ferramenta para mitigar as perdas climáticas e estabilizar as rendas agrícolas, existem diferenças substanciais nos modelos operacionais de cada nação analisada.
Nos Estados Unidos, por exemplo, o programa federal combina operação privada, forte subsídio ao prêmio, custeio administrativo e suporte público ao resseguro. O resultado é uma cobertura próxima de 90% da área das principais culturas.
Já na Espanha, o sistema se apoia em parceria público-privada. Para o OCSR, essa governança compartilhada demonstra que a previsibilidade institucional e a coordenação entre Estado, seguradoras e produtores são tão importantes quanto o volume do subsídio financeiro.
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A Índia, por sua vez, foca na inclusão com intensa intervenção estatal, assumindo a maior parte do prêmio. O programa atinge fortemente pequenos agricultores, embora enfrente alta complexidade operacional. Em contrapartida, o Observatório aponta que modelos com menor apoio mostram fortes fragilidades sistêmicas.
No México, a retirada dos subsídios reduziu a área segurada de mais de 50% para cerca de 16%, colapsando o sistema.
A Argentina conta com um mercado privado focado em granizo, o que resulta em baixa penetração de seguros multirrisco e severa dependência de ações emergenciais pelo governo pós-desastre.
Veja o resumo de todos os países analisados na tabela abaixo:

De acordo com os autores do estudo e pesquisadores do OCSR do FGV Agro, Renato Buranello e Anna Cortelin, o seguro rural tende a se fortalecer quando integrado como política pública estruturada.
“O seguro rural é um instrumento estratégico viável e valioso, desde que apoiado e bem desenhado. Os países que hoje colhem os benefícios da ampla cobertura securitária no campo, investiram nisso ao longo de décadas, aprendendo com os seus erros e aprimorando seus modelos”, declaram.
Segundo eles, para o Brasil fica a recomendação de que é preciso desenvolver um marco institucional claro; garantir apoio orçamentário compatível, envolver seguradoras privadas e agricultores na solução; começar cobrindo os riscos catastróficos-chave e públicos prioritários (pequenos agricultores) e expandir gradualmente.
“O seguro rural não evita desastres, mas mitiga seus impactos, permitindo que a agricultura seja mais resiliente e sustentável diante dos atuais desafios climáticos e do mercado”, concluem.
Lição ao Brasil
O estudo considera que a principal lição global é que o Brasil não deve opor Estado e mercado, mas coordenar suas funções.
“O Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) é o instrumento adequado para induzir a transferência de risco às seguradoras e resseguradoras, enquanto o Proagro cumpre uma função pública vital vinculada ao crédito, especialmente para pequenos produtores. O desafio é alinhar esses instrumentos para evitar sobreposições e alta pressão fiscal”, dizem os autores.
O estudo considera que, para funcionar, o PSR precisa urgentemente de previsibilidade orçamentária, já que sem um calendário financeiro estável de liberação de recursos, a instabilidade encarece a operação e impede a consolidação do mercado.
“O Proagro, por sua vez, deve ser uma camada pública bem focalizada, sustentada por bases técnicas como o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc).”
Além disso, o estudo considera ser indispensável a estruturação de uma camada catastrófica, a exemplo do uso do Fundo de Estabilidade do Seguro Rural. “Sem isso, o sistema continuará oscilando entre falta de subvenção em anos normais e um forte impacto aos cofres públicos durante grandes desastres climáticos.”
O estudo completo pode ser acessado aqui.
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Produção de eucalipto salta quase 15% em São Paulo e VPA chega perto de R$ 3 bilhões

Principal espécie da silvicultura de São Paulo, o eucalipto ocupa mais de 77% de toda a área de florestas plantadas do estado, com área superior a 1 milhão de hectares cultivados.
Dados do Instituto de Economia Agrícola (IEA-Apta) divulgados na última quarta-feira (3) mostram que a cultura vive um momento de expansão em solo paulista: aumento de 14,6%% na produção em 2025 (23,9 milhões de metros cúbicos), com Valor da Produção Agropecuária (VPA) fechado em R$ 2,9 bilhões.
O cultivo da espécie abastece diferentes segmentos da economia, sendo destinado à fabricação de papel e celulose, à geração de energia por biomassa e carvão vegetal e ao fornecimento de matéria-prima para a construção civil e a indústria moveleira, além da utilização na produção de óleos essenciais.
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As regiões que mais se destacam no cultivo do eucalipto em São Paulo são o sudoeste paulista, o centro-oeste e o Vale do Paranapanema, áreas que apresentam condições edafoclimáticas favoráveis e relativa disponibilidade de terras, em cidades como Agudos, Itapetininga, Itatinga, Angatuba, Botucatu, Lençóis Paulista, Bofete, Cabrália Paulista, Capão Bonito, Itararé e Paranapanema, importantes pólos da silvicultura no estado.
Balança comercial do agro
O produtos florestais ocupam a terceira maior participação nas exportações de São Paulo. O grupo é superado apenas pelo complexo sucroalcooleiro e pelo setor de carnes. Em abril de 2026, este setor alcançou US$ 1,14 bilhão em valor exportado, representando 13,6% do total dos embarques, com a celulose respondendo por 66,3% e o papel por 27,9% desta participação.
A presidente da Câmara Setorial de Produtos Florestais de São Paulo, Fernanda Abilio, ressalta que a indústria florestal paulista possui uma base produtiva consolidada, sustentável e altamente tecnificada, e majoritariamente de eucalipto.
“O crescimento observado no VPA e na produção reflete não apenas a competitividade do setor, mas também sua capacidade de agregar valor, gerar empregos, movimentar exportações e fornecer matéria-prima renovável para diferentes cadeias industriais.”
De acordo com Fernanda, além da produção e exportação, o eucalipto também tem sido aliado no desenvolvimento do agro paulista, principalmente na relação da espécie com o sistema Integração Pecuária, Lavoura e Floresta (ILPF).
Esses sistemas funcionam integrando o plantio de árvores de eucalipto com culturas agrícolas, criação de gado, agricultura regenerativa, como a recuperação de áreas biodegradadas, e o bem-estar animal, no qual o eucalipto aparece como aliado do conforto térmico animal, reduzindo impactos do calor e favorecendo melhores condições fisiológicas e produtivas dos rebanhos Nelore.
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‘Discriminação e profundo desrespeito’: Faesp repudia veto da UE a produtos brasileiros

A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) divulgou nota pública de repúdio neste sábado (6) sobre a decisão da União Europeia (UE) de impedir, a partir de 3 de setembro, a importação de carnes, mel e suprodutos de origem animal do Brasil.
Para a entidade, os europeus agem com “profundo desrespeito”, tendo em vista os 25 anos de negociações entre o bloco e o Mercosul após todos os tramites terem sido alinhados entre as partes.
O texto, assinado pelo presidente da Faesp, Tirso Meirelles, afirma que a UE decidiu mudar as regras do jogo de forma casuística. “Começam agora a surgir salvaguardas descabidas e arbitrárias, que não possuem qualquer lastro ou respaldo técnico e científico. Trata-se de uma manobra burocrática para criar travas artificiais ao comércio internacional”, acusa.
Segundo ele, a Federação computa a medida como absolutamente desnecessária, desleal e flagrantemente discriminatória.
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Além disso, Meirelles considera que o pretexto europeu, focado no uso de antibióticos, cai por terra diante dos fatos: os rebanhos de concorrentes diretos como os Estados Unidos, a Austrália e da Nova Zelândia utilizam rigorosamente os mesmos produtos fitossanitários que o Brasil.
“Convenientemente, [eles] não sofreram qualquer tipo de restrição, bloqueio ou veto por parte da UE. Essa disparidade de tratamento escancara um protecionismo comercial unilateral direcionado especificamente para tentar frear a nossa competitividade”, destaca a nota assinada.
Sanidade brasileira incontestável
O presidente da Faesp ressalta que quando o assunto é sanidade, o cenário é incontestável: “a sanidade animal do rebanho brasileiro é totalmente sem mácula, sendo referência global e nunca tendo registrado um único caso de ‘vaca louca’”.
Meirelles enfatiza que a excelência, o status sanitário e o rigor científico da produção agropecuária brasileira são indiscutíveis e reconhecidos mundialmente.
“Diante desta grave agressão comercial e reputacional, cobramos do governo federal brasileiro pulso mais firme em sua diplomacia comercial. O Brasil, consolidado historicamente como um dos maiores produtores e exportadores de carne do mundo, não pode aceitar passivamente ser alvo de retaliações geopolíticas infundadas. O setor produtivo precisa urgentemente de segurança jurídica e respeito às regras e políticas claras de defesa comercial”, destaca Meirelles.
“Vizinhos devem se unir ao Brasil”
A nota da Faesp ainda ressalta que as grandes negociações globais hoje ocorrem estritamente entre blocos econômicos e, sendo assim, torna-se vital e urgente que a Argentina e o Uruguai se juntem ao Brasil para construir um posicionamento regional unificado e robusto que demonstre a verdadeira força e o peso político-econômico do Mercosul.
“Não permitiremos que nos dividam para nos enfraquecer; o bloco precisa responder à altura dessa afronta”, diz.
Por fim, a Faesp argumenta que o produtor rural brasileiro faz a sua parte com excelência e responsabilidade de dentro da porteira. “Cabe agora à nossa diplomacia e aos nossos aliados regionais impor o respeito e a soberania que a nossa agropecuária conquistou no cenário internacional, consolidando-se como um dos principais protagonistas da segurança alimentar mundial”, finaliza.
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