Sustentabilidade
Trichoderma e Bacillus: aliados no controle do mofo-branco na soja – MAIS SOJA

A incidência de doenças é um dos principais fatores limitantes da produtividade da soja, tornando essencial a adoção de estratégias de manejo que reduzam a pressão de patógenos, controlem a evolução das doenças ao longo do ciclo e preservem o potencial produtivo da lavoura. Entre as doenças mais comuns, destaca-se o mofo-branco, causado pelo fungo Sclerotinia sclerotiorum, que pode reduzir a produtividade em até 70% (Meyer et al., 2020).
As principais estratégias de manejo do doença incluem a formação de palhada uniforme no solo, preferencialmente oriunda de gramíneas não hospedeiras; a utilização de sementes de qualidade, tratadas com fungicidas sistêmicos; o controle químico por meio de pulverizações foliares, especialmente nos estágios de maior vulnerabilidade da planta (pré-fechamento das entrelinhas, do R1 ao R4); a escolha de cultivares com arquitetura que favoreça boa aeração e florescimento mais curto; e a adequação da população de plantas e do espaçamento entrelinhas às características das cultivares (Meyer; Mazaro; Godoy, 2022).
Aliada as estratégias supracitadas, o controle biológico do mofo-branco tem ganhado importância em ambientes agrícolas, especialmente quando posicionado de forma preventiva ao desenvolvimento da doença. Dentre os principais microrganismos utilizados com esse intuito e com resultados satisfatórios no controle do mofo-branco, destacam-se os fungos do gênero Trichoderma e as bactérias do gênero Bacillus.
Biocontrole do mofo-branco
As espécies de Trichoderma ssp, dentre as principais, o T. harzianum, T. asperellum e o T. afroharzianum, atuam de forma antagonista ao desenvolvimento do fungo S. sclerotiorum, através do micoparasitismo, crescendo e parasitando escleródios e apotécios, degradando a parede celular das estruturas do patógeno pela ação de enzimas quitinolíticas, principalmente quitinases, glucanases, proteases e celulases. Além do micoparatismo, a antibiose e a indução de resistência em plantas também são citadas como mecanismos de ação prevalentes no controle do mofo-branco (Meyer; Mazaro; Godoy, 2022).
Figura 1. Escleródios e apotécios de Sclerotinia sclerotiorum infectados por Trichoderma spp.
Em termos de eficácia, estudos demonstram que sob condições ambientais adequadas, alguns isolados de Trichoderma podem atuar de forma substancial no controle do mofo-branco, inibindo em até 99% a germinação de escleródios, os quais iriam dar origem a novos fluxos da doença (Delgado et al.,2007; Fagundes, 2015). Contudo, vale destacar que os resultados observados na maioria dos estudos acadêmicos baseiam-se na eficácia do Trichoderma para o controle do mofo-branco em condições “in-vitro”, o que reforça a dependência das condições ambientais para a performance do fundo no biocontrole do mofo-branco (Meyer; Campo; Lobo Junior, 2019).
Entretanto, ensaios mais recentes desenvolvidos pela Embrapa em ambientes de produção agrícola (áreas de produção de soja sob sistema de semeadura direta sobre palha de gramíneas), demonstram que, principalmente quando associado a bactérias do gênero Bacillus, o Trichoderma aplicado durante o período vegetativo da soja, possibilitaram reduzir a germinação carpogênica de escleródios em até 41%, demonstrando uma importante contribuição para o manejo da doença, principalmente quando posicionado de forma proativa.
Tabela 1. Germinação carpogênica e seu respectivo percentual de controle (%C), escleródios inviáveis e seu respectivo percentual de controle (%C) e colonização de escleródios pelos agentes de biocontrole em função dos tratamentos com biofungicidas nos experimentos em rede de controle biológico de mofo-branco, safra 2021/2022.

Vale destacar que, diferentemente do fungo Trichoderma, os mecanismos de ação das bactérias do gênero Bacillus no controle de Sclerotinia sclerotiorum ainda não estão totalmente elucidados. No entanto, evidências indicam que esses microrganismos atuam principalmente na inibição da germinação carpogênica e do crescimento micelial do patógeno. Além disso, espécies de Bacillus produzem uma ampla gama de compostos com atividade antifúngica e antibacteriana, capazes de suprimir o desenvolvimento de diversos fitopatógenos. Contudo, não é comum observar a colonização direta de Bacillus spp. sobre os escleródios de S. sclerotiorum (Meyer; Mazaro; Godoy, 2022).
Considerando os aspectos observados, embora o controle do mofo-branco não possa ser atribuído exclusivamente a bioinsumos como Trichoderma e Bacillus, é evidente que esses microrganismos desempenham papel relevante no manejo da doença. Seu uso é especialmente eficaz quando adotado de forma preventiva e integrado a outras estratégias, atuando de maneira complementar ao controle químico, sobretudo em áreas com histórico de ocorrência.
Para maximizar a eficiência do biocontrole, é fundamental atentar para a qualidade dos bioinsumos, em especial a concentração de unidades formadoras de colônia, além de garantir condições ambientais adequadas no momento da aplicação, favorecendo o estabelecimento e a atividade dos microrganismos no campo.
Veja mais: Trichoderma – Compatibilidade com químicos no tratamento de sementes é determinante para o uso desse bioinsumo

Referências:
DELGADO, G. F. et al. INIBIÇÃO DO CRESCIMENTO DE Sclerotinia sclerotiorum POR Trichoderma SPP. IN VITRO. Embrapa, Boletim de Pesquisa e Desenvolvimento, n. 214, 2017. Disponível em: < https://core.ac.uk/download/pdf/15424884.pdf >, acesso em: 17/03/2026.
FAGUNDES, I. R. F. SELEÇÃO DE ISOLADOS DE Trichoderma spp. ANTAGONISTAS A Sclerotinia sclerotiorum. Dissertação apresenta a Universidade Federal de Viçosa, 2014. Disponível em: < https://www.locus.ufv.br/bitstream/123456789/7511/1/texto%20completo.pdf >, acesso em: 17/03/2026.
MEYER, M. C. et al. EXPERIMENTOS COOPERATIVOS DE CONTROLE BIOLÓGICO DE Sclerotinia sclerotiorum NA CULTURA DA SOJA: RESULTADOS SUMARIZADOS DA SAFRA 2019/2020. Embrapa, Circular Técnica, n. 163, 2020. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/216581/1/CIRCULAR-TECNICA-163-online.pdf >, acesso em: 17/03/2026.
MEYER, M. C.; CAMPOS, H. D.; LOBO JÚNIOR, M. AVALIAÇÃO À CAMPO DE Trichoderma EM MOFO-BRANCO. Trichoderma: uso na agricultura, CAP. 13, Embrapa, 2019. Disponível em: < https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1117296/trichoderma-uso-na-agricultura >, acesso em: 17/03/2026.
MEYER, M. C.; MAZARO, S. M.; GODOY, C. V. CONTROLE BIOLÓGICO DE MOFO-BRANCO NA CULTURA DA SOJA. Embrapa: Bioinsumos na cultura da soja, cap. 18, 2022. Disponível em: < https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/bitstream/doc/1147051/1/cap-18-Bioinsumos-na-cultura-da-soja.pdf >, acesso em: 17/03/2026.

Sustentabilidade
Soja no Brasil deve manter baixa liquidez com dólar em queda e Chicago em ajuste técnico – MAIS SOJA

O mercado brasileiro de soja tende a seguir travado, com os principais formadores de preços em direções opostas. O dólar comercial recua cerca de 0,5%, enquanto a Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) tenta uma reação técnica após a forte queda da véspera, movimento que já afastou negociações e deve manter o ritmo lento também nesta sessão.
Na segunda-feira (16), o mercado brasileiro de soja iniciou a semana com fortes desvalorizações, refletindo as quedas registradas tanto na Bolsa de Chicago quanto no dólar. Segundo o analista de Safras & Mercado, Rafael Silveira, o cenário acabou travando as negociações no país.
“Foi um dia praticamente zerado de negócios relevantes, com apenas alguns lotes pontuais de soja negociados durante a manhã, mas sem ímpeto comprador e muito menos vendedor”, avaliou Silveira.
A queda no mercado físico foi intensa, elevando o spread entre os players do mercado. Os prêmios até apresentaram leve alta, mas sem trazer compensação para as perdas observadas.
No mercado físico, em Passo Fundo (RS), a saca de 60 quilos recuou de R$ 126,00 para R$ 122,00 e, em Santa Rosa (RS), caiu de R$ 127,00 para R$ 123,00. Em Cascavel (PR), os preços diminuíram de R$ 121,00 para R$ 116,00. Em Rondonópolis (MT), as cotações foram de R$ 108,00 para R$ 106,00, enquanto em Dourados (MS) recuaram de R$ 112,00 para R$ 110,00. Já em Rio Verde (GO), a saca sofreu queda de R$ 111,00 para R$ 107,00.
Nos portos, em Paranaguá (PR), a cotação caiu de R$ 132,00 para R$ 127,00 por saca, enquanto no terminal de Rio Grande (RS) os preços foram de R$ 132,00 para R$ 128,00.
CHICAGO
- A Bolsa de Mercadorias de Chicago operava com avanço de 0,38% no contrato maio/26 do grão, cotado a 11,59 3/4 centavos de dólar por bushel.
- O mercado esboça uma recuperação técnica após a forte queda registrada no pregão anterior, quando a soja recuou quase 6%. O movimento também encontra suporte na valorização do petróleo em Nova York, que avança mais de 3% em meio às tensões no Oriente Médio.
CÂMBIO
- O dólar comercial registra baixa de 0,44%, a R$ 5,2070. O Dollar Index opera com avanço de 0,01%, a 99,726 pontos.
INDICADORES FINANCEIROS
- As principais bolsas da Ásia encerram em leve baixa. Tóquio, -0,09%. Xangai, -0,85%.
- As bolsas da Europa operam em alta. Frankfurt, +0,39%. Londres, +0,70%.
- O petróleo tem preços mais altos. Abril de 2026 do WTI em NY: US$ 95,53 o barril (+2,17%).
AGENDA
Terça-feira (17/03)
- Dados sobre as lavouras do Paraná – Deral, na parte da manhã.
- EUA: A decisão de política monetária e as projeções para a economia serão publicadas às 15h pelo FED.
- Primeiro dia de reunião do Copom.
- Japão: O saldo da balança comercial de fevereiro será publicado às 20h50 pelo Ministério das Finanças.
Quarta-feira (18/03)
- Eurozona: A leitura revisada do índice de preços ao consumidor de fevereiro será publicada às 7h pelo Eurostat.
- Dados de abate de carnes no trimestre IBGE, 9h.
- EUA: A posição dos estoques de petróleo até sexta-feira da semana passada será publicada às 11h30 pela administração de informações de energia do governo dos Estados Unidos.
- Segundo dia de reunião do Copom e atualização da Selic.
- Resultados financeiros da MBRF e do Minerva, após o fechamento do mercado.
- Japão: A decisão de política monetária será publicada às 23h30 pelo BOJ.
Quinta-feira (19/03)
- Reino Unido: A decisão de política monetária será publicada às 9h pelo BOE.
- Exportações semanais de grãos dos EUA USDA, 9h30.
- Eurozona: A decisão de política monetária será publicada às 10h15 pelo BCE.
- Relatório de condições das lavouras da Argentina – Ministério da Agricultura, na parte da tarde.
- Dados de desenvolvimento das lavouras argentinas – Bolsa de Cereais de Buenos Aires, 15hs.
- Dados de desenvolvimento das lavouras no RS – Emater, na parte da tarde.
Sexta-feira (20/03)
- Alemanha: O índice de preços ao produtor de fevereiro será publicado às 4h pelo Destatis.
- Dados de evolução das lavouras do Mato Grosso – IMEA, 16h.
Fonte: Safras News
Autor:Ritiele Rodrigues – ritiele.rodrigues@safras.com.br (Safras News)
Site: Agência Safras
Sustentabilidade
Polícia Civil desarticula esquema de furto milionário de soja e açúcar em trens no interior de SP

O Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), da Polícia Civil, realizou, nesta terça-feira (17), a Operação Ouro Branco para desarticular uma quadrilha especializada no furto de cargas de farelo de soja e açúcar transportadas por trens no interior de São Paulo. O grupo chegava a subir nos vagões em movimento para retirar os produtos na região de Aguaí, rota de escoamento com destino ao Porto de Santos. O esquema causou prejuízos milionários.
De forma estruturada, os criminosos agiam em etapas: enquanto parte do grupo retirava e lançava a carga às margens da ferrovia, outros integrantes faziam o recolhimento com veículos e levavam o material até galpões e propriedades rurais da região. Nesses locais, os produtos eram armazenados e depois revendidos como se fossem de origem legal.
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Coordenada pela Divisão de Investigações sobre Furtos, Roubos e Receptações de Veículos e Cargas (Divecar), a operação mobilizou 29 policiais civis e dez viaturas para o cumprimento de quatro mandados de prisão temporária e 11 de busca e apreensão. Até o momento, três suspeitos foram presos, enquanto um quarto investigado segue sendo procurado.
Durante as diligências, os agentes apreenderam veículos, sacos utilizados no transporte das cargas furtadas, dois simulacros de arma e outros materiais ligados à atuação do grupo criminoso. As investigações tiveram início em dezembro de 2025, após denúncias sobre furtos recorrentes ao longo das linhas férreas.
De acordo com o delegado Danilo Alexiades, responsável pela investigação, o grupo vinha sendo monitorado desde o fim do ano passado. Ele destacou que o esquema se aproveitava da facilidade de revenda, especialmente no caso do açúcar, produto de alta liquidez no mercado.
O nome da operação faz referência justamente a essa característica. Conhecido como “ouro branco”, o açúcar tem alta demanda e rápida comercialização, o que facilitava a atuação da quadrilha. As investigações continuam para identificar outros envolvidos no esquema criminoso.
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Sustentabilidade
Exportações de soja do Brasil devem superar 16 milhões de t em março

O Brasil deve exportar até 16,316 milhões de toneladas de soja em grão em março, segundo estimativa da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec). O volume representa avanço em relação ao mesmo mês do ano passado, quando os embarques somaram 15,732 milhões de toneladas, e também indica forte aceleração frente a fevereiro deste ano, que registrou 8,869 milhões de toneladas.
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O ritmo de embarques tem ganhado força ao longo do mês. Na semana encerrada em 14 de março, o país exportou 3,011 milhões de toneladas. Para o período entre os dias 15 e 21, a projeção é ainda mais robusta, com expectativa de 4,326 milhões de toneladas embarcadas, refletindo o avanço da colheita e maior disponibilidade do grão.
Além da soja em grão, o farelo também apresenta desempenho positivo no mercado externo. A previsão para março é de exportações de 2,661 milhões de toneladas, acima das 2,187 milhões de toneladas registradas no mesmo período de 2025 e bem superior ao volume de fevereiro, que ficou em 1,353 milhão de toneladas.
Na semana passada, os embarques de farelo de soja somaram 377,388 mil toneladas. Já para o intervalo entre 15 e 21 de março, a Anec projeta exportações de 729,810 mil toneladas, indicando intensificação das vendas externas do derivado ao longo do mês.
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