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2 de maio de 2026

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Colheita de soja avança no Brasil, mas segue atrasada em relação ao ano passado

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Foto: Divulgação/Aiba

A colheita de soja alcançou 59,2% da área cultivada no Brasil, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O índice representa um avanço relevante em relação à semana anterior, quando os trabalhos estavam em 50,6%, o que corresponde a um crescimento de 17% no ritmo da colheita.

Apesar da evolução, os trabalhos seguem atrasados na comparação anual. No mesmo período de 2025, a colheita já atingia 69,8% da área, o que indica um recuo de 15,2% neste ciclo. O dado reforça que, mesmo com a aceleração recente, o andamento ainda não conseguiu alcançar o desempenho do ano passado.

Em relação à média dos últimos cinco anos, estimada em 58,4%, o desempenho atual está levemente acima, com alta de 1,4%. Isso mostra que, apesar do atraso frente a 2025, o ritmo da colheita permanece próximo do padrão histórico.

Colheita de soja por região do Brasil

No recorte regional, os trabalhos seguem mais avançados no Centro-Oeste, com destaque para Mato Grosso, que já colheu 96,4% da área. Goiás aparece na sequência com 70%, seguido por Mato Grosso do Sul, com 68%, e Paraná, com 60%. Em outras regiões, o ritmo é mais moderado, como em Tocantins (58%), Minas Gerais (52%) e São Paulo (50%).

Já nas áreas do Matopiba e do Sul, o avanço ainda é mais lento. A Bahia registra 45% da área colhida, enquanto Piauí e Maranhão apresentam 26% e 23%, respectivamente. Em Santa Catarina, o índice é de 21%, e no Rio Grande do Sul, onde o ciclo é mais tardio, a colheita ainda está no início, com apenas 2% da área.

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Acordo Mercosul-UE, inflação e Plano Safra: veja os destaques do Radar Rural

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Os jornalistas Beatriz Gunther e João Nogueira comandam o videocast semanal do Canal Rural

O novo episódio do Radar Rural detalha os primeiros impactos do acordo entre Mercosul e União Europeia, os itens que mais pressionam a inflação no Brasil e as propostas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) para o próximo Plano Safra.

O videocast também mostra os bastidores da cobertura das principais feiras do agro. Confira o episísódio completo:

Pensado primeiro para o ambiente digital, o Radar Rural é publicado no Youtube do Canal Rural às sextas-feiras, a partir das 15h. Nesta semana, será exibido na programação do Canal Rural no domingo (3), às 07h30, com reprise na segunda-feira (4), a partir de 11h30.

Mercosul-UE: quem ganha no curto prazo

Após 26 anos de negociação, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia entra em vigor e já traz mudanças para alguns setores do agro brasileiro. No curto prazo, café solúvel e frutas aparecem entre os mais beneficiados.

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No caso do café solúvel, a redução de tarifas será gradual. A alíquota atual de 9% começa a cair agora e será zerada em até quatro anos. Já para as frutas, o cenário é mais heterogêneo: produtos como a uva terão tarifa zerada imediatamente, enquanto outros seguirão cronogramas específicos.

A avaliação inicial de entidades do setor é positiva, mas há alertas. A exigência europeia de comprovação de origem livre de desmatamento deve pesar, principalmente para o café. A regra passa a valer a partir do fim de 2026 para médios e grandes produtores, e em 2027 para pequenos, o que exige adaptação e organização documental.

Inflação: alimentos e combustíveis lideram alta

Outro destaque do Radar Rural é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) subiu 0,89% entre meados de março e abril, puxado principalmente por alimentação, bebidas e combustíveis.

Entre os alimentos, itens como cenoura, cebola, leite longa vida e tomate registraram altas expressivas. Apesar disso, o maior impacto individual no índice veio da gasolina, com alta de 6%.

O diesel também chama atenção, com avanço de cerca de 16% no período, influenciado pelo cenário internacional e pelos efeitos da guerra no Oriente Médio sobre o mercado de petróleo.

Outro destaque é o açaí, que teve forte variação de preços, especialmente no Norte do país. O produto enfrenta pressão da seca na Amazônia, aumento da demanda global e desafios logísticos, o que amplia a diferença de preços entre regiões.

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Plano Safra 2026/27: CNA pede R$ 623 bilhões

A CNA entregou ao governo federal suas propostas para o Plano Safra 2026/27, com pedido de R$ 623 bilhões em recursos para financiar a produção agropecuária.

Além do crédito, a entidade reforça a necessidade de ampliar o seguro rural, com solicitação de R$ 4 bilhões para subvenção. O objetivo é proteger o produtor diante de eventos climáticos cada vez mais frequentes.

Outro ponto defendido é a adoção de um planejamento plurianual, inspirado no modelo adotado pelos Estados Unidos, para dar mais previsibilidade ao setor.

Cobertura no campo: Agrishow e Expozebu

O episódio também traz relatos sobre a cobertura das principais feiras do agro. A Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), se destaca pela dimensão e volume de informações, com intensa agenda de coletivas e lançamentos tecnológicos.

Já a Expozebu, em Uberaba (MG), é referência na pecuária, com foco em genética, julgamentos de animais e leilões. Em poucos dias, o volume de negócios pode ultrapassar centenas de milhões de reais.

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IA identifica vespas que podem substituir inseticidas no combate às pragas

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Foto: Arquivo pessoal/Jornal da USP

Uma pesquisa feita na Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP aliou técnicas de visão computacional e deep learning, um campo da inteligência artificial que tem se desenvolvido aceleradamente, para automatizar a identificação de vespas que podem ser usadas como controle biológico na agricultura.

Usando um banco de dados de mais de 3 mil imagens em alta resolução, a técnica identificou vespas parasitoides por família com alta precisão.

O estudo, apresentado como dissertação de mestrado de João Manoel Herrera Pinheiro, tem potencial para revolucionar o trabalho de especialistas em taxonomia, ciência que classifica, identifica, nomeia e organiza os seres vivos em categorias, na descrição e catalogação de insetos, ajudando também na contenção de pragas.

Essencial para o monitoramento eficaz da biodiversidade, para as pesquisas ecológicas e estratégias de controle biológico, a identificação taxonômica precisa é um trabalho de especialistas que realizam comparações detalhadas para construir o catálogo de seres vivos do qual a biologia depende.

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Foco do estudo

No entanto, o trabalho exige profissionais extremamente qualificados, e, por seu método de comparação manual, consome bastante tempo dos cientistas.

Biólogos da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) realizaram o trabalho em parceria com o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) dos Hymenoptera Parasitoides da Região Sudeste (Hympar/Sudeste), que reúne uma coleção de mais de 600 mil espécies de vespas.

“O foco do meu trabalho foi na identificação de vespas parasitoides, da família Ichneumonidae. Essa superfamília é o grupo mais diverso da ordem Hymenoptera, que contém as abelhas, formigas e vespas não-parasitoides, dentro do qual diversas espécies ainda não foram descritas”, diz João Pinheiro.

Ele explica que, por ser o maior grupo, esses invertebrados são abundantes e às vezes muito parecidos, o que aumenta a complexidade no trabalho do entomologista, que é quem identifica e estuda os insetos.

Inventário dos insetos

Apesar de os insetos representarem cerca de metade da biomassa global, cerca de 80% de espécies ainda não são conhecidas, gerando impactos diretos na conservação e em práticas de controle biológico.

De acordo com o pesquisador, o inventário de insetos ainda está incompleto, e essa lacuna na taxonomia, somada ao declínio global das espécies provocado pela ação humana, impacta diretamente o bem-estar humano.

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Os insetos têm funções ecossistêmicas cruciais, que incluem polinização, manutenção da saúde de ecossistemas agrícolas, controle natural de pestes e decomposição de matéria orgânica.

“Com esse trabalho eu consegui aprender bastante sobre a importância das vespas. Foi gratificante ver como a engenharia e a inteligência artificial podem ajudar em outras áreas ”, conta.

Tecnologia a favor da ciência

Mosaico de 12 imagens em close de vespas da família Ichneumonidae, que faz parte do banco de imagens utilizado na pesquisa. Na primeira linha, fotos laterais. Na segunda linha, fotos frontais. Na última linha, fotos dos padrões nas asas dos insetos
Foto: “Dataset of Parasitoid Wasps and Associated Hymenoptera” (DAPWH)

Nesse sentido, a aplicação do deep learning propõe a utilização de modelos computacionais compostos de múltiplas camadas de processamento para “aprender” a partir de representações que usam dados abstratos, como imagens.

A tecnologia ganhou destaque nos últimos anos e já se aplica em diversas áreas, mas avançou de forma mais lenta no monitoramento de invertebrados e nas pesquisas em biodiversidade. Somente na última década o aprendizado computacional profundo começou a transformar os campos da entomologia e ecologia.

Marcelo Becker, coordenador do Centro de Robótica da USP, docente da EESC e orientador do estudo, reforça que esse trabalho pode poupar muito tempo de especialistas.

“Existe todo um ciclo em que a pessoa pesquisadora coloca armadilhas na mata ou na área de cultivo, coleta os insetos através de redes, coloca todos em receptáculos, manda para a universidade e reserva no frigorífico. Tirando dali, começa a separação entre o que é mosca, formiga, vespa. É preciso um especialista com anos de formação”, explica Becker.

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Ele também ressalta que, com esse sistema, seja possível, através da imagem, identificar automaticamente o animal dentro da família, gênero ou espécie, o que deixa o especialista alocado em uma tarefa menos mecânica.

Uma nova ‘visão’

A proposta foi usar aprendizado profundo para que o computador reconhecesse estruturas visuais, com foco em características biologicamente relevantes, como padrões na nervação das asas e no formato da cabeça e do corpo dos insetos.

O material biológico utilizado no estudo foi cedido pela coleção taxonômica DCBU da UFSCar e o conjunto de dados Dataset of Parasitoid Wasps and Associated Hymenoptera (DAPWH), com 3.556 imagens em alta resolução que foram utilizadas para treinar o algoritmo e estão disponíveis publicamente.

“O modelo, de fato, aprendeu a identificar morfologias do inseto. Então, por exemplo, para uma família específica, a rede neural teve mais ativação na asa, ou seja, podemos dizer que o modelo ‘enxergou’ a asa para fazer aquela predição”, diz o autor do estudo.

“Poderíamos especular que o modelo possa vir a ‘enxergar’, no futuro, detalhes que o ser humano não não consegue diferenciar, afinal, nossa visão é limitada dentro do espectro de luz e o computador pode acessar uma faixa mais ampla e encontrar padrões que nós ainda não identificamos”, completa.

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Biomimética: tecnologia inspirada na natureza

Fotografias em close com identificação feita pelo computador dos padrões no corpo e na cabeça de uma vespa a partir da visão frontal e lateral do inseto
Foto: “Dataset of Parasitoid Wasps and Associated Hymenoptera” (DAPWH)

As vespas estudadas, majoritariamente nativas brasileiras, são conhecidas por parasitar outros insetos considerados pragas nas plantações. João Manoel Pinheiro, autor da dissertação, explica que essa família de vespas, por ser um grupo pouco explorado em temas de pesquisas, apresenta pouco uso em controle biológico.

“Pense que, ao invés de usar um defensivo agrícola numa plantação de mandioca ou de couve, por exemplo, a vespa, por causa do seu próprio ciclo de parasitismo, consegue matar as pragas dessas plantações, que geralmente são larvas de borboletas, utilizando as larvas para fechar o ciclo reprodutivo delas. É um controle biológico natural”, afirma João Manoel Pinheiro.

Marcelo Becker enfatiza que o acervo disponibilizado pela professora Angélica Maria Penteado-Dias, da UFSCar, foi essencial no potencial de aplicação da pesquisa para a agricultura. Constituído por fotografias de alta qualidade desse tipo de vespa parasitária, o conjunto de dados foi um diferencial.

“O acervo com que trabalhamos é muito específico: um tipo de vespa importante para fazer o controle biológico de pragas em diferentes culturas agrícolas.”

Ele conta que a professora explicou que há vespas que ajudam a controlar pragas na mandioca, cana-de-açúcar, café e muito mais.

“A importância e aplicabilidade dessa pesquisa para a agricultura está na alternativa mais sustentável ao uso de inseticidas e pesticidas, que constitui um impacto muito favorável”, conclui Becker.

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O orientador da pesquisa reforça também que é muito importante fazer o reconhecimento de insetos no Brasil, uma vez que muitas espécies ainda não conhecidas podem ter aplicações nos mais diversos campos da economia e oferecer alternativas verdes para o desenvolvimento da sociedade.

*Sob supervisão de Hildeberto Jr.

*Com informações do Jornal da USP/Sthephany Oliveira

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Combate ao greening: um ano de cerco à planta que destrói pomares de laranja

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Em maio de 2026, o setor citrícola paulista marca um marco decisivo na defesa sanitária: completa-se um ano da vigência da Resolução SAA nº 24/2025, que proibiu em todo o estado a produção, o comércio, o plantio e o transporte da murta (Murraya paniculata).

A medida, que completa seu primeiro aniversário legislativo este mês, é a ponta de lança da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) para tentar frear o avanço do greening (HLB), a doença mais devastadora da citricultura mundial.

A murta, embora popular no paisagismo urbano por seu aroma e resistência, é a “casa favorita” do psilídeo (Diaphorina citri), o inseto vetor da bactéria causadora do greening.

Como a planta não costuma receber os tratamentos químicos feitos nos pomares comerciais, ela acaba funcionando como um reservatório e centro de disseminação da praga para as laranjeiras de todo o cinturão citrícola.

Fiscalização e rigor sanitário

A Defesa Agropecuária de São Paulo tem reforçado, por meio de seus canais digitais, que a proibição não é apenas para novos plantios. A normativa determina a eliminação obrigatória das murtas existentes em áreas urbanas e rurais.

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O descumprimento das normas acarreta penalidades previstas no Decreto Estadual nº 45.211/2000.

Segundo o órgão, o foco da fiscalização tem sido viveiros e o comércio de mudas, mas a colaboração da população é considerada vital. “A conscientização do morador de cidade é tão importante quanto o rigor do produtor no campo”, afirma a pasta em comunicado.

O desafio do greening

Dados recentes do Fundecitrus apontam que a incidência da doença no cinturão citrícola (SP e Triângulo Mineiro) atingiu níveis recordes nos últimos anos, beirando os 48% em 2025.

Sem cura, a única forma de controle é a prevenção: a erradicação de plantas doentes e, crucialmente, a eliminação de hospedeiras como a murta.

A recomendação para quem possui a planta em jardins ou calçadas é a substituição por espécies nativas ou ornamentais que não ofereçam risco à agricultura, garantindo que o estado de São Paulo mantenha sua liderança global na produção de suco de laranja.

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