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Mapa altera regras de inspeção das exportações de soja para a China

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Foto: APPA

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) decidiu flexibilizar as regras de inspeção da soja brasileira destinada à China após pressão das tradings e relatos de dificuldades nos embarques. A mudança ocorre em meio a um cenário de travas logísticas e queda no ritmo das exportações para o principal destino do grão brasileiro.

A principal alteração está na coleta de amostras para análise fitossanitária. A partir de agora, esse processo passa a ser feito por empresas supervisoras de embarque, contratadas pelas próprias tradings, e não mais exclusivamente por fiscais agropecuários do governo. A medida foi oficializada pelo Serviço de Vigilância Agropecuária Internacional e já está em vigor para cargas que ainda não haviam passado por inspeção.

Apesar da flexibilização, o governo manteve um nível de controle: cerca de 10% dos embarques continuarão sendo fiscalizados diretamente por auditores do ministério. A ideia é equilibrar a necessidade de agilidade nas exportações com a garantia do cumprimento das exigências sanitárias impostas pelo mercado chinês.

A mudança busca resolver uma crise recente no setor. Tradings vinham relatando que o modelo anterior, mais rigoroso, estava atrasando embarques e reduzindo o volume de negociações. Em alguns casos, empresas chegaram a suspender compras e exportações de soja brasileira para a China, o que impactou diretamente a demanda e pressionou os preços no mercado interno.

O endurecimento das regras havia sido adotado após a identificação de cargas com presença de sementes de plantas daninhas consideradas quarentenárias pela China. Segundo o ministro Carlos Fávaro, foram identificados 19 navios com esse tipo de ocorrência. Embora não comprometam a qualidade do grão, essas impurezas descumprem o protocolo fitossanitário acordado entre os países.

Entidades do setor, como a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), afirmaram acompanhar a situação com preocupação. Em nota, destacaram que seguem em diálogo com autoridades e agentes da cadeia produtiva para garantir a fluidez do comércio, a previsibilidade das operações e o cumprimento das exigências sanitárias.

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‘Se não conseguirmos diesel, provavelmente não terei colheita daqui a três meses’, diz produtor

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

O aumento no preço do diesel já impacta diretamente o bolso dos produtores rurais no país. Levantamento da Agência Nacional do Petróleo (ANP) mostra que, da primeira para a segunda semana de março, o valor do litro subiu cerca de R$ 0,80.

Na prática, há casos em que o combustível ficou até R$ 2 mais caro, elevando significativamente os custos no campo.

O fruticultor José Benedito de Lacerda, produtor de laranja, abacate e manga na região de Mogi Guaçu, em São Paulo, relata que enfrenta preços baixos para o que produz, tanto na laranja quanto no abacate, e que, nos últimos 10 dias, também passou a lidar com o problema do diesel.

“Há 10 dias atrás eu pagava R$ 5,64 L de diesel. Hoje eu consegui um pouco para mim trabalhar a R$ 7,49. Semana passada não tive como trabalhar. Já tive perca de frutas no chão. Agora se não conseguirmos diesel, provavelmente nem colheita eu vou ter daqui três meses. O dono do posto me avisou hoje que ele me arrumou um pouco hoje para mim, mas semana que vem nem sabe se terá” relata.

Com o combustível mais caro, o jeito foi reduzir a pulverização na propriedade, no interior paulista. Mas reduzir o uso do pulverizador também significa perder parte da produção, pois as frutas estragam e as que ficam no pé não tem garantia de que serão colhidas.

Abastecimento nas próximas semanas

Segundo o Lacerda, há dúvidas sobre o abastecimento nas próximas semanas, o que pode afetar não só a produção, mas também o transporte. Caminhoneiros que fazem o escoamento da safra já sinalizam a possibilidade de paralisação diante dos preços elevados.

“O motorista do caminhão que puxa para mim para a Cagesp me falou: ‘Pode colher hoje; no final de semana nem sei se vou carregar, porque vou ter que parar o caminhão também, pois não vou ter condições de abastecer ou nem vai ter diesel’”, relata.

Lacerda também demonstra preocupação com a continuidade da atividade no campo e avalia que o cenário pode inviabilizar a produção. “Eu acho que é o fim de nós ficarmos aqui na roça, do produtor produzir, porque não vai haver mais condições. Ninguém vai conseguir, mesmo que queira, produzir”, conta.

Reflexo da guerra no Oriente Médio

A alta no preço do diesel é reflexo da guerra no Oriente Médio. Embora o governo tenha isentado o combustível de PIS e Cofins, o litro do combustível não para de subir.

De acordo com a Agência Nacional do Petróleo, na primeira semana de março, o litro do diesel comum custava em média R$ 5,96 e o diesel S10 R$ 6,16. Já na segunda semana do mês, os valores subiram para R$ 6,76 o litro do diesel comum e R$ 6,87 o diesel S10. 

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Estudo revela que Pará detém 93,8% do valor da produção nacional de açaí

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Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

Base alimentar da população paraense e símbolo da Amazônia, o açaí consolidou-se como um dos principais indutores de desenvolvimento sustentável na região.

Um estudo estruturado pela Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), intitulado “O Contexto econômico e ambiental do açaí”, revela que a produção do fruto saltou de 145,8 mil toneladas para 1,9 milhão de toneladas em 38 anos (1987-2024) – um crescimento de 14 vezes.

Nesse cenário, o Pará mantém a liderança absoluta com 89,5% do total nacional, seguido por Amazonas (7,2%) e Amapá (1,3%). Dentro do estado, dez municípios concentram cerca de 60% da produção brasileira, com destaque para Igarapé-Miri (13,2%), Cametá (7,9%) e Anajás (6,2%).

Em termos financeiros, o valor da produção paraense saltou de R$ 509,7 milhões, em 1994, para R$ 8,8 bilhões em 2024, respondendo por 93,8% do valor total gerado no setor no Brasil.

Impacto no mercado de trabalho e exportações

A expansão da cadeia produtiva reflete diretamente no emprego. O número de estabelecimentos produtores no Pará cresceu de 5,2 mil, em 1986, para mais de 81 mil em 2017, integrando desde a agricultura familiar ao agronegócio.

Estima-se que a atividade sustente 4.763 postos de trabalho diretos e indiretos, impulsionando subsetores como transporte, comercialização e beneficiamento.

No comércio exterior, o protagonismo paraense é confirmado pela valorização do produto. O valor exportado de derivados do açaí passou de US$ 334,2 mil, em 2002, para US$ 127,8 milhões em 2024. O preço médio da tonelada para exportação também acompanhou a alta, subindo de US$ 1,1 mil para US$ 3,6 mil no mesmo período.

Sustentabilidade e créditos de carbono

Além do impacto econômico, o cultivo da espécie atua como uma ferramenta ambiental. Entre 2015 e 2024, a área reflorestada com açaí no Pará cresceu de 135 mil para 252 mil hectares. Esse avanço permitiu que o estado quase dobrasse sua capacidade de captura de dióxido de carbono (CO2), atingindo cerca de 907 mil toneladas capturadas em 2024.

“O estudo demonstra a liderança nacional e internacional do açaí paraense e desvenda seu papel importante no equilíbrio climático como sumidouro de CO2. Com a expansão das lavouras de açaí plantado, o fruto gera riquezas, constitui uma grande cadeia produtiva que preserva a natureza e agora também gera créditos de carbono, além de ser um dos principais símbolos da cultura paraense”, avalia o diretor da Fapespa responsável pelo estudo, Márcio Ponte.

Liderança tecnológica

Para a Fapespa, o futuro da hegemonia paraense depende do investimento em ciência. O presidente da fundação, Marcel Botelho, reforça que o crescimento exige responsabilidade tecnológica para manter a competitividade global.

“Esses números mostram a grande potencialidade da cadeia produtiva do açaí para o Pará. Essa liderança traz a responsabilidade de manter e ampliar o nível tecnológico no cultivo, garantindo uma produção sustentável, economicamente viável e ecologicamente correta”, destaca Botelho.

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Manejo no campo e colheita seletiva definem a qualidade do café especial, diz produtora

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O café, presente na rotina de milhões de brasileiros, começa muito antes de chegar à xícara. No campo, o processo exige técnica, planejamento e atenção em cada etapa, da escolha da variedade ao pós-colheita.

Em entrevista para A Protagonista, a produtora Ana Mazzi detalhou como o manejo influencia diretamente a qualidade do produto final.

O estado de São Paulo, um dos principais produtores de café arábica do país, registra safras que variam entre 4,7 milhões e 5,4 milhões de sacas por ciclo, dependendo das condições climáticas e da bienalidade. Nesse cenário, a busca por qualidade tem ganhado espaço, especialmente no segmento de cafés especiais.

Segundo Ana Mazzi, a qualidade do café começa ainda na lavoura, com destaque para a colheita seletiva. A prática consiste em colher apenas os grãos maduros, no ponto ideal de açúcar.

Antes da colheita, a produtora realiza análises com o uso de refratômetro, equipamento que mede o teor de açúcar do grão. “A partir dessa informação, decidimos como será o processamento, se vamos fermentar ou despoupar”, explica.

Grãos verdes, pretos ou ardidos são descartados para evitar prejuízos na qualidade. “Um único grão defeituoso pode comprometer toda a saca”, ressalta.

Secagem exige controle rigoroso

Após a colheita, o processo de secagem é outra etapa crítica. Na propriedade, o café é seco em terreiros de cimento e suspensos, sendo este último considerado mais eficiente pela melhor circulação de ar.

Durante a secagem, os grãos são revolvidos até seis vezes por dia. O controle da umidade é constante, com medições frequentes. “Se não houver esse controle, o café pode desenvolver mofo ou perder qualidade”, explica a produtora.

Sustentabilidade

A adoção de práticas mais sustentáveis também tem avançado na propriedade. Ana Mazzi destaca o uso de insumos biológicos no manejo.

A produção conta com certificação que prioriza o uso de biológicos, embora ainda utilize adubação mineral (NPK), devido às dificuldades logísticas de aplicar adubos orgânicos em áreas de altitude.

“Hoje o consumidor busca um café mais saudável, e isso tem impulsionado essas práticas”, afirma.

Além disso, a produtora investe em estratégias de agricultura regenerativa, como o plantio de culturas nas entrelinhas do café, ajudando no controle natural de pragas e na conservação do solo.

Sem o uso de defensivos químicos, o manejo exige acompanhamento diário da lavoura. “É preciso monitorar constantemente. Os biológicos funcionam, mas demandam mais atenção”, explica.

Apesar dos desafios, a produtora destaca os benefícios a médio e longo prazo, tanto em qualidade quanto em valor agregado do produto.

Qualidade também depende do pós-colheita

Após a torra, a conservação do café também influencia na experiência do consumidor. O uso de embalagens com válvula desgaseificadora e aplicação de nitrogênio evita a oxidação e preserva aroma e sabor por mais tempo.

A preservação de nascentes e recursos hídricos também faz parte da rotina na propriedade. Segundo Mazzi, esse cuidado é essencial para manter a qualidade do solo e garantir a sustentabilidade da produção.

Primeiro passo

Com mais de 30 anos de experiência, a produtora destaca que o primeiro passo para quem deseja investir na atividade é escolher variedades adaptadas ao clima da região e resistentes a pragas.

Ela também aponta o crescimento da demanda por cafés orgânicos como uma oportunidade, apesar dos custos mais elevados de produção. “O café exige mais no início, mas a recompensa vem com qualidade e mercado”, afirma.

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