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Falta de medicamentos contra sarna e piolhos leva produtores a cobrarem ação do governo

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Foto: Fernando Reis/Embrapa

A cadeia produtiva de ovinos do Rio Grande do Sul decidiu acionar o governo federal diante de um problema que tem preocupado produtores: a falta de medicamentos para o controle de sarna e piolhos nos rebanhos. O tema foi debatido em reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Ovinos, realizada nesta segunda-feira (16) pela Secretaria da Agricultura do estado.

Como encaminhamento, as entidades do setor irão elaborar um documento a ser enviado ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), solicitando medidas imediatas para garantir o acesso a produtos sanitários. A ausência desses insumos tem impactado diretamente a saúde dos animais e a produtividade das propriedades.

Segundo o pesquisador do Instituto de Pesquisa Veterinária Desidério Finamor (IPVDF), José Reck, o problema não é exclusivo do Brasil. Países do Mercosul, como Uruguai e Argentina, também enfrentam dificuldades semelhantes.

“Há uma preocupação crescente na região. Criadores argentinos, por exemplo, também lidam com infestação sem acesso a medicamentos”, afirmou. Reck destacou ainda que deve visitar a Argentina para troca de informações com técnicos locais.

O pesquisador também mencionou o avanço de um projeto multicêntrico que busca viabilizar o uso de uma molécula da classe das isoxazolinas no Brasil, com potencial de alta eficácia no controle desses parasitas.

Setor defende importação emergencial

Para o presidente da Associação Brasileira de Criadores de Ovinos, Edemundo Gressler, a situação exige medidas urgentes, incluindo a possibilidade de importação de produtos.

“Estamos diante de um problema e não temos nas prateleiras produtos específicos para isso”, alertou.

A demanda será levada à Câmara Setorial de Caprinos e Ovinos, em Brasília. Segundo Gressler, o objetivo é pressionar o Mapa para viabilizar, em caráter emergencial, a entrada de medicamentos no país.

Além disso, o setor pretende lançar uma campanha e uma cartilha técnica para incentivar práticas de manejo, como os banhos, que auxiliam no controle dos parasitas.

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Paraná conclui plantio de feijão da segunda safra com redução de área, aponta Deral

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Foto: Pixabay

O plantio da segunda safra 2025/26 de feijão foi concluído no Paraná, conforme levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral), ligado à Secretaria de Agricultura do estado. A área cultivada foi estimada em 264,6 mil hectares, o que representa uma queda expressiva de 24% em relação aos 348,5 mil hectares registrados na safra anterior.

Apesar da redução na área, as condições das lavouras são consideradas positivas. Atualmente, 86% das plantações estão em boas condições e 14% em situação média. As lavouras se concentram principalmente na fase de crescimento vegetativo, que corresponde a 74% da área, enquanto 19% já estão em floração, 4% em germinação e 3% em frutificação.

A colheita da segunda safra já começou no estado, embora ainda de forma bastante inicial, atingindo menos de 1% da área total. O avanço reflete o calendário agrícola e as condições climáticas que permitiram o desenvolvimento das lavouras dentro do esperado até o momento.

Na comparação com a semana anterior, quando o plantio ainda não havia sido totalmente finalizado, houve leve piora nas condições das lavouras. No dia 9 de março, 94% das áreas eram classificadas como boas e apenas 6% como médias, indicando uma mudança no cenário ao longo dos últimos dias.

Mesmo com a menor área plantada, a produção estimada para a safra 2025/26 é de 496,1 mil toneladas, volume 8% inferior ao colhido no ciclo passado. Por outro lado, a produtividade média deve apresentar avanço significativo, projetada em 1.875 quilos por hectare, acima dos 1.573 quilos por hectare registrados na temporada anterior, o que ajuda a compensar parte da retração na área cultivada.

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Armazenagem cresce no Brasil, mas segue abaixo da produção

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Foto: Wenderson Araujo-Trilux/CNA

A capacidade estática de armazenagem de grãos no Brasil chegou a 221,8 milhões de toneladas em 2026, segundo levantamento da HN Agro com base em dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Apesar da expansão ao longo dos últimos anos, o volume ainda é insuficiente para acompanhar o avanço da produção agrícola no país.

Para a safra 2025/26, a produção total de grãos é estimada em 353,4 milhões de toneladas, o que resulta em um déficit de armazenagem de 131,6 milhões de toneladas. Isso significa que a estrutura disponível no país cobre cerca de 62,8% da produção nacional.

Quando se considera apenas soja e milho, principais culturas do país, a produção estimada chega a 316,1 milhões de toneladas. Nesse caso, a relação entre produção e capacidade de armazenagem é um pouco mais favorável, com cobertura de 70,2%, mas ainda assim há um déficit de 94,3 milhões de toneladas.

Armazenagem nas fazendas cresce lentamente

A armazenagem dentro das propriedades rurais continua representando uma parcela relativamente pequena da estrutura nacional.

Em 2026, a capacidade nas fazendas alcança 36,7 milhões de toneladas, o equivalente a 16,5% da capacidade total do país. Em 2010, essa participação era de 14,9%, indicando crescimento gradual ao longo dos anos.

Mesmo com essa evolução, a maior parte da armazenagem ainda permanece fora das propriedades, concentrada em cooperativas, tradings e estruturas comerciais.

Déficit é maior nos principais estados produtores

Os maiores desequilíbrios entre produção e armazenagem aparecem justamente nos principais polos agrícolas do país.

Em Mato Grosso, maior produtor de grãos, a capacidade de armazenagem é de 55,4 milhões de toneladas, enquanto a produção estimada chega a 109,9 milhões, resultando em déficit de 54,5 milhões de toneladas.

Outros estados também apresentam lacunas relevantes:

  • Goiás: déficit de 17,7 milhões de toneladas
  • Mato Grosso do Sul: déficit de 13,6 milhões de toneladas
  • Paraná: déficit de 11,6 milhões de toneladas
  • Bahia: déficit de 6,4 milhões de toneladas

Em contrapartida, alguns estados apresentam capacidade superior à produção, como São Paulo, onde a armazenagem supera o volume colhido.

Ritmo de expansão desacelera

O levantamento também indica que o crescimento da capacidade de armazenagem tem perdido ritmo nos últimos anos.

Entre 2010 e 2026, a capacidade estática avançou cerca de 81 milhões de toneladas, passando de 140,5 milhões para 221,8 milhões de toneladas. No entanto, o aumento recente tem sido mais lento e praticamente estagnou entre 2025 e 2026, com acréscimo mínimo no volume total.

Enquanto isso, a produção de grãos segue em expansão, ampliando o descompasso entre oferta agrícola e infraestrutura de armazenagem no país.

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Fertilizantes devem seguir em alta com guerra no Oriente Médio e incertezas globais, diz Itaú BBA

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Imagem gerada por IA para o Canal Rural

O mercado global de fertilizantes vive um novo ciclo de forte volatilidade, impulsionado pela escalada do conflito no Oriente Médio. Segundo análise da Consultoria Agro do Itaú BBA, o cenário tem impactado diretamente a produção e a logística de insumos como amônia e ureia, além de elevar custos de frete, energia e seguros.

A interrupção parcial das exportações de países do Golfo Pérsico, responsáveis por parcela relevante do comércio global, já provoca reflexos nos preços internacionais. O movimento ocorre em um momento sensível, próximo ao pico de demanda do Hemisfério Norte e com o avanço do calendário de compras no Brasil.

Ureia sobe 40% e pressiona custos no campo

No mercado brasileiro, a ureia registrou alta de 40% em apenas duas semanas, atingindo US$ 660 por tonelada (CFR). A valorização reflete a combinação de oferta mais restrita, encarecimento do petróleo e do gás natural e aumento da aversão ao risco no mercado internacional.

De acordo com o Itaú BBA, o cenário deve manter os preços sustentados no curto prazo, enquanto persistirem as incertezas sobre a duração do conflito e a normalização das rotas logísticas globais.

Fosfatados também sobem com pressão no fornecimento

Os fertilizantes fosfatados também entram no radar de preocupação. A região do Oriente Médio é estratégica para o fornecimento global de enxofre, insumo essencial na produção desses produtos.
No Brasil, os preços dos fosfatados subiram 7% nas últimas duas semanas, alcançando US$ 795 por tonelada (CFR). Mesmo com a demanda agrícola avançando de forma gradual, o cenário de oferta ajustada e custos elevados tende a manter os preços firmes.

Potássicos mostram maior estabilidade

Diferentemente dos nitrogenados e fosfatados, o mercado de potássicos apresenta maior estabilidade relativa. Ainda assim, o segmento não está imune às incertezas geopolíticas e ao aumento dos custos logísticos.

A oferta global segue mais equilibrada, com Rússia e Belarus mantendo volumes relevantes no mercado internacional, o que ajuda a conter oscilações mais bruscas nos preços.

O que esperar do mercado

Para o Itaú BBA, a tendência é de continuidade da volatilidade no curto prazo, com preços sustentados diante do cenário de incerteza global. A demanda deve avançar gradualmente, acompanhando o calendário agrícola do Hemisfério Norte e a reposição de estoques no Brasil.

No campo, o movimento acende um alerta para os custos de produção, especialmente em um momento estratégico de planejamento e aquisição de insumos para as próximas safras.

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