Business
El Niño no radar com mais de 60% de probabilidade; Brasil pode sofrer com temperaturas elevadas

O aquecimento das águas do Oceano Pacífico indica o enfraquecimento da La Niña e aumenta a probabilidade de retorno do El Niño nos próximos meses. De acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), a chance do fenômeno climático superar 60% entre o fim do outono e o inverno no Hemisfério Sul, podendo se consolidar entre a primavera e o verão, período que coincide com o desenvolvimento da próxima safra de soja no Brasil.
Nos próximos meses, porém, a tendência é de neutralidade climática. Nesse cenário, as chuvas devem se estender até o fim de abril e início de maio em parte das áreas produtoras, sem impactos negativos imediatos para as atividades no campo, especialmente para a retirada da soja e o avanço do milho segunda safra.
O maior ponto de atenção, segundo as previsões, está voltado para o início do plantio da safra 2026/27. A expectativa é de atraso no retorno das chuvas no Brasil central, acompanhado de temperaturas elevadas e possíveis ondas de calor no início da semeadura. Além disso, o Matopiba pode registrar precipitações abaixo da média.
- Fique por dentro das principais notícias sobre a soja: acesse a comunidade Soja Brasil no WhatsApp!
No curto prazo, a chuva deve continuar concentrada em áreas de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, com volumes que podem ultrapassar 50 milímetros nos próximos cinco dias. Já em estados como São Paulo, Paraná e parte da região Sul, além da Bahia, o tempo tende a ficar mais firme, favorecendo o avanço das operações no campo.
Mesmo assim, os produtores devem aproveitar as janelas de tempo seco. Entre os dias 19 e 23 de março, um novo sistema deve provocar o avanço de áreas de instabilidade, trazendo volumes elevados de chuva para diversas regiões produtoras.
Na sequência, entre os dias 24 e 25 de março, a chuva volta a ganhar força na região Sul do país, com acumulados que também podem superar 50 milímetros em cinco dias. Esse cenário mantém o ritmo das lavouras dependente das condições climáticas nas próximas semanas.
O post El Niño no radar com mais de 60% de probabilidade; Brasil pode sofrer com temperaturas elevadas apareceu primeiro em Canal Rural.
Business
Política externa e agronegócio: o impacto das decisões globais no campo brasileiro

Em um mundo cada vez mais marcado por disputas comerciais, novas regulações ambientais e tensões geopolíticas, decisões tomadas fora do Brasil passaram a influenciar diretamente o futuro do agronegócio nacional. Durante décadas, o produtor rural brasileiro acostumou-se a acompanhar de perto variáveis como clima, produtividade, custo de insumos e preços internacionais das commodities. Esses fatores continuam sendo determinantes para o desempenho do setor.
Nos últimos anos, porém, uma nova variável passou a influenciar cada vez mais o dia a dia do agro: a política externa. O agronegócio brasileiro tornou-se profundamente integrado ao comércio global. Grande parte da produção nacional de soja, milho, carnes, café, suco de laranja e açúcar tem como destino mercados internacionais. Isso significa que decisões tomadas fora do país, em governos, parlamentos e organismos multilaterais, podem ter impacto direto sobre o acesso do Brasil a esses mercados e sobre a competitividade dos nossos produtos.
- Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News!
Esse movimento pode ser observado em diferentes frentes da política internacional. Nos Estados Unidos, decisões de política comercial como o tarifaço anunciado por Donald Trump evidenciam como medidas adotadas por grandes economias podem alterar fluxos globais de comércio. Na Europa, novas regulações ambientais, como o mecanismo de ajuste de carbono na fronteira (CBAM) e a legislação contra o desmatamento (EUDR), vêm redefinindo as regras de acesso ao mercado europeu. Já em países asiáticos, decisões sanitárias ou comerciais podem levar, de forma repentina, ao fechamento temporário de mercados para determinados produtos, como já ocorreu em momentos específicos com proteínas animais.
Esses exemplos refletem uma transformação mais ampla no comércio internacional. Tarifas comerciais, exigências sanitárias, regras ambientais e padrões de rastreabilidade tornaram-se instrumentos cada vez mais relevantes nas disputas por acesso a mercados. Na prática, uma decisão regulatória em Bruxelas, uma negociação em Washington ou uma nova exigência sanitária em Pequim podem alterar significativamente as condições de concorrência para os produtos brasileiros.
A geopolítica recente também ajuda a explicar essa nova realidade. Tensões e conflitos no Oriente Médio, incluindo a escalada envolvendo o Irã, costumam provocar volatilidade no preço do petróleo e gerar incertezas nos mercados globais. Esses movimentos acabam repercutindo também no setor agropecuário, seja pelo impacto no custo de insumos e logística, seja pelas oportunidades que surgem em áreas como os biocombustíveis.
Nesse cenário, o Brasil ocupa uma posição estratégica. Como um dos maiores produtores agrícolas do mundo e líder na produção de biocombustíveis, o país tem capacidade de contribuir tanto para a segurança alimentar quanto para a segurança energética em um momento de instabilidade internacional. O etanol e o biodiesel, por exemplo, ganham relevância sempre que o mundo busca alternativas mais estáveis e sustentáveis às oscilações do mercado de combustíveis fósseis. Ao mesmo tempo, cresce o papel da diplomacia e da articulação política na defesa do agronegócio brasileiro. Parlamentares e lideranças do setor têm atuado cada vez mais no cenário internacional para acompanhar debates regulatórios, ampliar o acesso a mercados e defender os interesses do país.
A senadora Tereza Cristina, por exemplo, assumiu recentemente a relatoria do acordo entre Mercosul e União Europeia no Senado, um dos temas mais relevantes para o comércio exterior brasileiro. Parlamentares ligados à Frente Parlamentar da Agropecuária também têm participado de missões internacionais voltadas à promoção do agro brasileiro, à defesa comercial e à abertura de novos mercados. Essas iniciativas refletem uma realidade cada vez mais evidente. O sucesso do agronegócio brasileiro não depende apenas da eficiência produtiva dentro da porteira. Ele também está diretamente ligado à capacidade do país de se posicionar estrategicamente no cenário internacional.
A política externa, portanto, deixou de ser um tema distante para o campo. Hoje, ela influencia oportunidades comerciais, padrões regulatórios e as próprias perspectivas de crescimento do setor. Em um mundo marcado por disputas comerciais, transformações energéticas e crescente complexidade regulatória, compreender os movimentos da política internacional tornou-se parte do ambiente de negócios do agro.

*Rebeca Lucena é diretora de Relações Governamentais da BMJ Consultores Associados e cofundadora da rede Women Inside Trade (WIT)
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
O post Política externa e agronegócio: o impacto das decisões globais no campo brasileiro apareceu primeiro em Canal Rural.
Business
Novas regras para importação de cacau protegem o produtor brasileiro, comemora setor

A redução do prazo para importação de amêndoas de cacau em regime de drawback, de dois anos para seis meses, foi estabelecida via Medida Provisória (MP) 1341/2026, publicada nesta sexta-feira (13), no Diário Oficial da União.
Na visão avaliação da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e das Federações de Agricultura e Pecuária da Bahia (Faeb), Espírito Santo (Faes), Pará (Faepa) e outros estados produtores de cacau, a medida vai garantir proteção e competitividade à cacauicultura nacional.
O drawback é um instrumento que permite a suspensão de tributos incidentes sobre insumos importados quando destinados à produção de bens no país para a exportação, ou seja, os efeitos da MP dificultam que a indústria substitua o cacau brasileiro por amêndoas importadas.
- Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News!
O diretor técnico adjunto da CNA, Maciel Silva, ressalta que o mecanismo, adotado em todo o mundo, serve para evitar a cumulatividade de impostos na cadeia produtiva, melhorando a competitividade dos exportadores brasileiros.
“Como as importações de amêndoas são realizadas predominantemente via regime de drawback, o instrumento pode estar associado ao aumento dos estoques da indústria no mercado interno e prejudica o produtor com baixa remuneração”, detalha.
Como era antes
Antes da edição da MP, as operações de drawback vinculadas à importação de amêndoas de cacau seguiam a regra geral aplicada ao regime. O prazo era de 12 meses, prorrogáveis por mais 12 meses, para que as empresas realizassem a exportação dos produtos industrializados a partir da aquisição de insumos de outros países.
Com a nova medida, o prazo máximo para as operações de importação de amêndoas de cacau com isenção do Imposto de Importação pelo regime de drawback passa a ser de seis meses.
“Ao reduzir o prazo dessas operações para até seis meses, a MP procura limitar distorções no abastecimento e compatibilizar o uso do regime com a necessidade de maior equilíbrio entre a demanda industrial e a sustentação da produção nacional”, completa.
O post Novas regras para importação de cacau protegem o produtor brasileiro, comemora setor apareceu primeiro em Canal Rural.
Business
‘Safra só termina quando o grão está no armazém’, alerta pesquisador do Cepea

Quando o plantio de soja começou, em meados de setembro do ano passado, secas prolongadas e precipitações abaixo da média desafiaram os agricultores do Centro-Oeste. No Rio Grande do Sul, onde a semeadura ocorreu mais tarde, a estiagem vem consolidando perdas reais na safra mês a mês.
“O final da lavoura é só quando o grão está no armazém. Enquanto está no campo não quer dizer nada, só está indicando que pode ter uma boa produção”, afirma Mauro Osaki, pesquisador do Cepea.
- Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News!
Até o momento, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indica que 50,6% da área de soja 2025/26 em todo o Brasil já foi colhida. Segundo Osaki, a falta de estrutura de armazenagem no país também aumenta a vulnerabilidade da produção, especialmente em períodos de clima instável.
“O Brasil cresce muito no campo, mas não consegue crescer na parte estrutural. Falta armazém, e muitas vezes a produção fica exposta”, diz.
Tendências para o mercado de soja se mantêm
No mercado agrícola, os números caminham próximos das projeções feitas anteriormente pelo Cepea. Para Osaki, o comportamento dos preços e da produtividade indica um cenário semelhante ao esperado no estudo divulgado no ano passado.
“A gente projetava, por exemplo, um preço médio para março em torno de R$ 101 a saca em Sorriso. Hoje estamos falando [de um valor] muito próximo disso”, pontua.
De acordo com ele, mesmo com preços abaixo do esperado em alguns momentos, a produtividade um pouco maior pode ajudar a compensar parte das perdas. “Então, em termos de receita bruta, uma coisa acaba compensando a outra”, observa Osaki.
Em termos de rentabilidade, o pesquisador destaca que a tendência é que os produtores consigam saldar os custos operacionais efetivos.
Guerra no Irã pode mexer com o cenário
Além dos fatores internos, o cenário internacional também adiciona incerteza ao mercado agrícola.
No fim de fevereiro, um ataque coordenado de Israel e Estados Unidos contra o Irã escalou para intensos bombardeios no Oriente Médio. Um dos impactos mais fortes inclui o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% de todo o petróleo do mundo.
Segundo Osaki, conflitos geopolíticos podem afetar diretamente custos logísticos, energia e o comportamento dos compradores no comércio global de grãos.
“Cada dia aparece uma notícia diferente sobre o conflito. Isso significa menor oferta de petróleo e de gás natural, o que pode levar a uma energia mais cara”, afirma.
Na avaliação do pesquisador, essa alta tende a se refletir no custo dos combustíveis e do transporte, pressionando toda a cadeia. A preocupação mais latente se concentra no potencial aumento do diesel, que é amplamente utilizado na produção agrícola.
Contudo, segundo Osaki, os impactos não devem aparecer na safra que está sendo colhida neste momento. Além disso, a incerteza também pode afetar o ritmo de compras no mercado internacional.
“Para essa soja que está sendo colhida agora, o impacto ainda é pequeno. A maior parte do combustível já estava planejada”, diz.
Alerta segue para o Rio Grande do Sul
Apesar de a safra brasileira caminhar para bons volumes em várias regiões, o cenário segue preocupante no Rio Grande do Sul. Na avaliação de Osaki, a estiagem recorrente tem pressionado a rentabilidade dos produtores.
“São vários anos seguidos de problemas climáticos, e isso vai deteriorando a situação financeira do produtor”, aponta.
Segundo o pesquisador, a sequência de perdas tende a acelerar um processo de reorganização no setor, com maior concentração da produção nas mãos de produtores que conseguem sustentar os investimentos.
Pequenos e médios agricultores, por outro lado, podem não conseguir se manter na atividade.
O post ‘Safra só termina quando o grão está no armazém’, alerta pesquisador do Cepea apareceu primeiro em Canal Rural.
Agro Mato Grosso23 horas agoOperação conjunta recupera carga milionária de soja furtada de propriedade rural em MT
Agro Mato Grosso10 horas agoCorrida a postos provoca falta de diesel e filas quilométricas em MT
Agro Mato Grosso9 horas agoExportação de algodão do Mato Grosso representa 62% do total nacional
Agro Mato Grosso9 horas agoComeça venda da atual safra de milho em MT com média de R$ 42, diz IMEA
Sustentabilidade8 horas agoEm fevereiro, IBGE estima que a safra nacional chegará a 344,1 milhões de toneladas em 2026 – MAIS SOJA
Featured9 horas agoIBGE: projeção de soja deve crescer mais de 4% na safra 2025/26
Sustentabilidade3 horas agoCotações do algodão avançam em NY e mercado brasileiro tem movimentação moderada – MAIS SOJA
Business7 horas agoChile eleva em 52% a compra de carne bovina de Mato Grosso
















