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Recuo dos principais compradores já faz exportação de café baixar 22,6% na safra 25/26

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Foto: Unsplash

Relatório do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) mostrou que o país embarcou 2,618 milhões de sacas de 60 kg de todos os tipos do produto em fevereiro, com receita cambial de US$ 1,062 bilhão.

Em comparação com o mesmo mês de 2025, houve queda de 23,5% em volume e de 14,7% em valores.

Com esse desempenho, as exportações de café do Brasil chegaram a 26,038 milhões de sacas no acumulado dos oito primeiros meses do ano safra 2025/26, declínio de 22,6% em relação a idêntico intervalo anterior.

Já a receita cambial apresentou uma evolução de 5,3% entre julho do ano passado e fevereiro deste ano ante os oito primeiros meses da safra 2024/25, chegando a US$ 10,301 bilhões.

Exportações no ano civil

No primeiro bimestre de 2026, as remessas brasileiras de café ao exterior totalizam 5,410 milhões de sacas, volume que representa recuo de 27,3% frente aos dois primeiros meses do ano passado. Segundo o Cecafé, em valores, a perda é de 13%, com os ingressos de dólares no país saindo de US$ 2,575 bilhões para os atuais US$ 2,241 bilhões.

O presidente do Conselho, Márcio Ferreira, destaca que o cenário de baixa nas exportações, neste ano, ocorre, principalmente, com a variedade arábica, cujas cotações vêm sofrendo queda acentuada e rápida na Bolsa de Nova York.

Segundo ele, os fundos estão liquidando posições compradas substancialmente, antecipando uma disponibilidade bem maior do produto na próxima safra, cenário que, aliado ao recuo expressivo do dólar frente ao real e ao fato de os produtores, capitalizados, com remanescente ajustado da safra corrente, acaba por dosar a oferta brasileira a níveis não competitivos para novos negócios frente às demais origens.

“Essa tendência deve permanecer até a entrada da próxima safra, ocasionando perda de market share do Brasil para outras origens produtoras, o que, obviamente, não é favorável em médio e longo prazos”, comenta.

Ferreira completa que esse movimento pode se acentuar com as tensões geopolíticas no Oriente Médio e os gargalos logísticos.

“A tendência de recuperação é esperada a partir da próxima safra que se avizinha e já ocorre com o conilon, que conta com maiores estoques de passagem e cuja colheita comercializada a partir de maio será também importante. No caso arábica, a expectativa de recuperação dos embarques é aguardada a partir de junho, com a chegada da nova safra, com volume bem mais relevante que a que se encerrará”, pondera.

Principais destinos

Entre os principais destinos dos cafés brasileiros no primeiro bimestre de 2026, destacam-se:

  • Alemanha: importação de 786.589 sacas, equivalente a 14,5% do total (-20,1% na comparação com o acumulado entre janeiro e fevereiro de 2025);
  • Estados Unidos: 12,1% de representatividade, adquiriram 655.998 sacas (-45,8%);
  • Itália: compra de 568.598 sacas (+5,9%);
  • Bélgica: 331.747 sacas (-6,8%); e
  • Japão: 315.816 sacas (-34,5%).

Tipos de café

café solúvel
Foto: Pixabay

Em janeiro e fevereiro deste ano, o café arábica, com o envio de 4,423 milhões de sacas ao exterior, permaneceu como o mais exportado pelo Brasil. Esse montante equivale a 81,8% do total embarcado, apesar de representar queda de 28,9% frente ao primeiro bimestre de 2025.

Na sequência, com o equivalente a 573.301 sacas remetidas para fora do país, apareceu o segmento do café solúvel, com um declínio de 11,5% na comparação com os dois primeiros meses do ano passado. Esse tipo de produto respondeu por 10,6% das exportações totais no período atual.

Os cafés canéforas (conilon + robusta), com 408.446 sacas – recuo de 27,7% e 7,5% do total –, e o produto torrado e torrado e moído, com 5.572 sacas (-38,7% e 0,1% de representatividade), completam a lista.

Cafés diferenciados

Os cafés que possuem qualidade superior, certificados de práticas sustentáveis e/ou especiais responderam por 19,8% das exportações totais brasileiras no primeiro bimestre deste ano, com a remessa de 1,069 milhão de sacas ao exterior. Esse volume é 40,7% inferior ao registrado no agregado de janeiro e fevereiro de 2025.

A um preço médio de US$ 461,74 por saca, a receita cambial com os embarques dos cafés diferenciados foi de US$ 493,5 milhões, o que correspondeu a 22% do obtido com todos os embarques de café no primeiro bimestre do ano passado. No comparativo anual, o valor é 31,2% menor do que o registrado nos dois primeiros meses de 2025.

A Alemanha também liderou o ranking dos principais destinos dos cafés diferenciados, com a compra de 137.770 sacas, o equivalente a 12,9% do total desse tipo de produto exportado.

Fechando o top 5, aparecem EUA, com 132.179 sacas e representatividade de 12,4%; Bélgica, com 130.484 sacas (12,2%); Itália, com 124.249 sacas (11,6%); e Holanda (Países Baixos), com 86.253 sacas (8,1%).

Portos brasileiros

O Cecafé aponta que o Porto de Santos foi o principal exportador dos cafés do Brasil no primeiro bimestre, com 4,217 milhões de sacas e representatividade de 77,9% no total.

Na sequência, vieram o complexo portuário do Rio de Janeiro, que respondeu por 18,2% dos embarques ao remeter 983.890 sacas ao exterior, e o Porto de Paranaguá (PR), que exportou 66.954 sacas e teve representatividade de 1,2%.

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Casal troca Brasília pelo campo e revitaliza produção de queijo mineiro

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Casal retomou tradição familiar do queijo minas artesanal e ampliou o negócio com apoio técnico e vendas online

A produção de queijo minas artesanal na Fazenda Saudade, em Ibertioga, no Campo das Vertentes (MG), atravessa gerações. Há cerca de um século, os queijos produzidos na propriedade eram transportados a cavalo até o Rio de Janeiro. Hoje, a tradição segue viva pelas mãos da jornalista Tereza Rodrigues e do videomaker Matheus Brandão, que trocaram a vida em Brasília pelo campo para dar continuidade ao legado da família.

A mudança aconteceu em 2018, após a descoberta da gravidez da primeira filha do casal. O que inicialmente não fazia parte dos planos acabou se transformando em um projeto de vida ligado às origens da família.

“Quando fiquei grávida, resolvemos voltar para cá, para as nossas raízes, e começar a produzir queijo minas artesanal também”, relembra Tereza.

Tradição e modernização

Além de preservar a receita tradicional, baseada em leite cru, pingo, coalho e sal, o casal investiu na modernização da estrutura produtiva. Atualmente, a Fazenda Saudade conta com 230 vacas em lactação e uma queijaria construída para atender às exigências sanitárias da atividade.

Os queijos passam por maturação superior a 22 dias em tábuas de cedro, processo que contribui para a formação de massa macia e sabores característicos da região.

Apoio técnico fortaleceu produção

O desenvolvimento da atividade teve apoio da Emater-MG, que orientou a implantação de boas práticas de ordenha e de fabricação, além de acompanhar a legalização da queijaria.

Segundo a extensionista de bem-estar social da entidade, Mayara Jarochinski, a preocupação com a qualidade em todas as etapas da produção contribuiu para que os produtos da fazenda conquistassem reconhecimento em concursos e premiações nacionais.

A assistência técnica também incluiu ações voltadas à comercialização, com incentivo à participação em feiras, eventos e capacitações.

Vendas pela internet ampliam alcance

Além da produção, o casal buscou alternativas para aproximar os produtos dos consumidores. Uma delas foi a entrada na plataforma ÉdoCampo, iniciativa da Emater-MG voltada à comercialização online de produtos rurais.

Para Matheus Brandão, a ferramenta ajuda a reduzir a distância entre quem produz e quem consome.

“Uma das maiores dificuldades é chegar ao consumidor final. A plataforma ajuda a encurtar esse caminho”, afirma.

A trajetória da Fazenda Saudade reúne tradição familiar, assistência técnica e inovação comercial, mostrando como a sucessão rural pode contribuir para manter viva uma atividade histórica da produção artesanal mineira.

*Com informações da assessoria de imprensa

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‘Mercado você recupera, credibilidade é muito mais difícil’ diz Miguel Daoud sobre veto da União Europeia

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Foto: Freepik

A decisão da União Europeia de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal acendeu um alerta no agronegócio. Embora o impacto comercial direto seja limitado, o economista e analista político Miguel Daoud avalia que o maior risco está na perda de credibilidade do país perante os mercados internacionais.

Em entrevista ao videocast Radar Rural, apresentado pelos jornalistas Beatriz Gunther e Victor Faverin, Daoud afirmou que o debate não deve se concentrar em uma possível postura protecionista da Europa, mas na capacidade do Brasil de atender às exigências de rastreabilidade exigidas pelo bloco.

Assista ao episódio completo:

Credibilidade em jogo

Para Daoud, a exclusão do Brasil não representa um questionamento sobre a qualidade ou a sanidade dos produtos brasileiros, mas sim sobre a comprovação da origem e do controle da produção.

“O que eles estão pedindo é rastreabilidade. Não estão questionando a qualidade da carne brasileira nem a capacidade de produção do país”, afirmou.

Ele destacou ainda que Argentina, Paraguai e Uruguai conseguiram atender às regras impostas pela União Europeia, o que reforça a necessidade de o Brasil concentrar esforços na solução do problema.

“A questão não é econômica. O problema é perder credibilidade. Mercado você recupera. Credibilidade é muito mais difícil.”

Europa é vitrine para o mundo

Apesar de a União Europeia representar uma parcela relativamente pequena das exportações brasileiras de carne bovina e de frango, Daoud considera o bloco estratégico por funcionar como referência para outros compradores.

Segundo ele, países como o Reino Unido já acompanham os critérios adotados pelos europeus e podem seguir o mesmo caminho.

Além disso, o analista chamou atenção para o fato de que a China também vem ampliando as exigências relacionadas à rastreabilidade dos alimentos importados.

“O mercado europeu é uma vitrine. Se você atende às exigências da Europa, transmite confiança para o restante do mundo.”

Tarifas de Trump e os impactos para o agro

Outro tema debatido no episódio foi a nova rodada de tarifas anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Na avaliação de Daoud, as medidas fazem parte da estratégia política adotada pelo republicano desde a campanha eleitoral, baseada na defesa do slogan “América em primeiro lugar”.

Segundo ele, a proposta busca fortalecer a indústria americana, mas pode produzir o efeito contrário ao elevar os custos para os próprios consumidores dos Estados Unidos.

“Quando ele taxa produtos importados, quem paga a conta é o consumidor americano.”

O analista também observou que parte das tarifas enfrenta questionamentos jurídicos e ainda depende de decisões nos tribunais americanos antes de entrar efetivamente em vigor.

Plano Safra: preocupação está no custo do crédito

Na reta final da entrevista, Daoud comentou as expectativas para o próximo Plano Safra.

Embora o governo sinalize um volume recorde de recursos, ele avalia que a principal preocupação do produtor rural está nas condições de acesso ao crédito.

“O problema não é o tamanho do Plano Safra. O problema são as condições.”

Segundo o economista, a combinação de juros elevados, aumento da inadimplência e escassez de recursos controlados pode fazer com que boa parte dos financiamentos chegue ao produtor com taxas consideradas inviáveis para muitas atividades.

Ele também destacou a importância do seguro rural diante das perdas provocadas por eventos climáticos extremos nos últimos anos.

Agro segue como motor da economia

Ao deixar uma mensagem para os produtores rurais, Daoud defendeu que o agronegócio continue cobrando políticas públicas capazes de garantir competitividade ao setor.

Para ele, o agro permanece como o principal motor de crescimento da economia brasileira e precisa de instrumentos que reduzam riscos e estimulem a produção.

“O agronegócio não quer favor. Precisa de condições para continuar produzindo e gerando riqueza para o país.”

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Acrimat alerta para riscos da cota da China e do fim da escala 6×1

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Groso

A dependência cada vez maior do mercado internacional para sustentar os preços da carne bovina e os possíveis impactos da proposta que altera a jornada de trabalho no país estão entre as principais preocupações da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat). Apesar do momento favorável vivido pela pecuária mato-grossense, a entidade avalia que fatores externos podem influenciar diretamente a rentabilidade do produtor nos próximos meses.

O alerta foi feito pelo diretor executivo da Acrimat, Daniel Latorraca. Segundo ele, a recuperação dos preços ocorre em um cenário de oferta mais restrita de animais, resultado do ciclo pecuário e da retenção de matrizes, mas o setor segue atento às discussões envolvendo a cota chinesa de importação e as mudanças trabalhistas em debate no Congresso Nacional.

A avaliação ocorre em um momento de forte presença da carne bovina mato-grossense no mercado internacional. Ele pontua, em entrevista ao Estúdio Rural, que os investimentos realizados nas últimas décadas em genética, recuperação de pastagens e sistemas intensivos de produção permitiram ampliar a produtividade e abrir novos mercados para a proteína produzida no estado.

“Todo esse movimento, somado ao que o setor fez, nos possibilitou, por exemplo, no ano passado ter uma produção de carne recorde aqui em Mato Grosso de dois milhões de toneladas e exportar metade disso”. Conforme ele, o resultado foi histórico para a pecuária mato-grossense. Do total de carne bovina produzida em 2025, cerca de um milhão foi exportada para mais de 90 países.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Groso

Mercado externo sustenta preços

Para Latorraca, o setor vive um dos momentos mais positivos dos últimos anos. “É um momento extraordinário, sem dúvidas nenhuma. O preço se recuperou, a gente está num ciclo aqui de retenção de matriz, então os preços estão subindo em todos os elos, desde a cria até o boi gordo”, afirma.

A expansão das exportações, a abertura de novos mercados e o reconhecimento sanitário conquistado pelo Brasil de livre da febre aftosa sem vacina ajudaram a impulsionar esse cenário. No entanto, o diretor da Acrimat destaca que o mercado interno não tem acompanhado o mesmo ritmo.

“Nós sabemos que esse pico de preço está sustentado no mercado internacional”. De acordo com ele, o consumo de carne bovina por habitante no Brasil permanece praticamente estável há cerca de dez anos, o que aumenta a importância das exportações para a formação dos preços.

Por isso, questões envolvendo a China, a União Europeia e outros compradores internacionais são acompanhadas de perto pelo setor. “Todas essas notícias que vêm, seja da União Europeia, seja da cota da China, nos preocupa bastante porque a gente sabe que pode impactar negativamente no preço”, frisa ao programa do Canal Rural Mato Grosso.

Segundo Latorraca, a proximidade do limite da cota chinesa gera apreensão, mas a expectativa é de que mecanismos de salvaguarda permitam manter o fluxo das exportações brasileiras. “Nós temos volume para fazer isso”.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Gestão ganha importância

O cenário de preços valorizados também exige mais atenção à gestão das propriedades. O diretor da Acrimat frisa que a modernização dos sistemas de produção elevou os investimentos e aumentou a exposição dos pecuaristas às oscilações do mercado.

“A pecuária se modernizou muito nos últimos anos. E os sistemas de recria e engorda intensivos, em especial engorda, eles exigem hoje um nível de gestão, principalmente comercial, muito elevado, porque o risco também aumentou”.

Latorraca observa que o bezerro valorizado aumenta os custos de reposição e exige planejamento. Para ele, produtores que trabalham com sistemas intensivos precisam utilizar ferramentas que reduzam a exposição às variações de preço.

“Instrumentos de trava de preço são fundamentais nesse sentido”. Conforme ele, contratos futuros, opções e negociações a termo com frigoríficos podem ajudar a garantir margens positivas e diminuir riscos.

Oferta restrita deve manter arroba firme

A redução da participação das fêmeas nos abates também está diretamente ligada ao momento do ciclo pecuário. De acordo com Latorraca, a retenção de matrizes vem ocorrendo à medida que os preços do bezerro avançam, mas o cenário atual não é explicado apenas por essa estratégia. “Esse problema não começou agora da falta das vacas no abate”.

Ele salienta que Mato Grosso abateu mais de 14 milhões de cabeças nos últimos dois anos, com forte participação de fêmeas, o que reduziu a capacidade de reposição do rebanho. “Todas essas vacas que morreram não produziram nem bezerro, nem bezerras para chegar agora às novilhas, garrotes ou boi gordo ou vaca”. Na avaliação do diretor, esse movimento ajuda a explicar a menor oferta de animais observada atualmente.

Por isso, ele não vê espaço para uma queda significativa dos preços no curto prazo. “Hoje nós vivemos aqui sobre o nível de oferta, inclusive, para o segundo semestre, não tem nenhuma perspectiva de que o preço caia, porque é um ano de oferta restrita”.

A expectativa da entidade é de que o volume de abates fique abaixo do registrado em 2025, embora a redução não deva ser tão intensa quanto se projetava no início do ano. “A expectativa não é ter o mesmo volume de abate, mas também não uma redução drástica”.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Escala 6×1 preocupa setor

Além dos desafios de mercado, a Acrimat acompanha as discussões sobre a proposta que altera a jornada de trabalho no país. A entidade teme impactos significativos para as propriedades rurais caso a mudança seja aprovada sem considerar as particularidades da atividade agropecuária.

“Com muita preocupação”. É assim que Latorraca define a posição da associação diante do debate. Segundo ele, a pecuária trabalha com processos biológicos que não seguem horários fixos. “A vaca não espera. O parto dela não vai esperar”. Para o diretor, essa característica diferencia a atividade de outros setores da economia e precisa ser considerada durante a discussão.

Outro ponto de preocupação é o aumento dos custos. Conforme estudos citados pela Acrimat, a redução da jornada poderá gerar impactos expressivos nas propriedades rurais mato-grossenses.

“Se não tiver uma contratação nova nessa propriedade, que geraria ali um custo de horas extras, mantendo a mesma atividade, daqui 12 meses, a gente já teria um impacto de mais de R$ 1 bilhão por ano de horas extras”.

Para Latorraca, o mais importante é que a discussão avance com uma análise detalhada dos efeitos econômicos e operacionais para o setor. “Se for para 5×2, se vai manter 6×1 ou se vai ser por hora, o mais importante é discutir e exaurir todos os possíveis impactos que essa atitude vai gerar, que essa é a preocupação”.

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