Sustentabilidade
Quando e como fazer a amostragem de nematoides em soja? – MAIS SOJA

Por serem pragas de solo de difícil detecção e manejo, os fitonematoides estão atualmente entre os principais problemas fitossanitários da cultura da soja. Os danos causados variam de acordo com a cultura e a espécie do fitonematoide presente na área, enquanto a severidade depende da suscetibilidade da cultivar e da densidade populacional da praga no solo. De modo geral, o sistema radicular é o principal órgão afetado, comprometendo a absorção de água e nutrientes e, consequentemente, o desenvolvimento e a produtividade das plantas.
Quadro 1. Suscetibilidade de algumas plantas componentes dos sistemas de produção de culturas anuais às principais espécies de fitonematoides.
Dentre as principais espécies de expressão econômica na soja, destacam-se o nematoide de cistos (NCS), Heterodera glycines, os nematoides de galhas, Meloidogyne spp., o nematoide das lesões radiculares, Pratylenchus brachyurus, o nematoide-reniforme, Rotylenchulyus reniformis e o nematoide da haste verde, Aphelenchoides besseyi (Castro; Meyer; Seixas, 2024).
Com o aumento populacional dos fitonematoides, tem-se a redução da produtividade das culturas agrícolas, fato intensificado pelo monocultivo de espécies agrícolas. Em números gerais, populações do nematoide Pratylenchus brachyurus podem reduzir em média de 12% a 19% da produtividade da soja, dependendo do sistema de cultivo utilizado (Ferreira et al., 2015).
Vale destacar que o potencial destrutivo dos fitonematoides pode variar de acordo com a espécie da praga, suscetibilidade da cultivar e densidade populacional como supracitado. Nesse contexto, identificar as principais espécies infestantes de fitonematoides é essencial para embasar estratégias de manejo, sendo fundamental para tanto, realizar a amostragem dos nematoides.
Quando e como realizar a coleta de amostras?
A amostragem de nematoides ocorre mediante coleta de amostras de solo em ambientes infestados. Contudo, para melhor assertividade e detectação da praga, a amostragem deve ocorrer em período adequado, seguindo algumas orientações técnicas. Na cultura da soja, recomenda-se que a amostragem seja realizada quando a cultura atingir o estádio R1 (uma flor aberta em qualquer nó na haste principal).
Deve-se então coletar amostras de solo e raízes com umidade natural, evitando condições de encharcamento ou ressecamento excessivo. Além disso, não se deve hidratar o solo para coleta e nem adicionar água a amostra. As amostras de solo e raízes devem ser coletadas de 0 a 30 cm de profundidade, na rizosfera, onde há maior concentração de nematoides. Recomenda-se abrir o solo em forma de V para retirar a subamostra e, no caso das raízes, coletar preferencialmente radicelas, ou seja, raízes secundárias e terciárias (abcLab, 2025).
Figura 1. Representação esquemática do procedimento de coleta de amostras para análise de nematoides em áreas agrícolas.

De acordo com as recomendações técnicas da Fundação ABC, a coleta de amostras deve ser realizada de forma representativa nas áreas com sintomas de fitonematoides, evitando plantas ou raízes fortemente deterioradas. Em áreas com reboleiras, recomenda-se amostrar preferencialmente nas bordas, sobretudo quando os sintomas no interior forem muito severos.
As subamostras devem ser misturadas em um balde para formar uma amostra composta representativa, da qual se deve separar 500 g de solo e cerca de 100 g de raízes para envio ao laboratório. Após a coleta, as amostras devem ser acondicionadas em caixa de isopor e mantidas à sombra, evitando a incidência direta de raios solares, que podem aquecer o material e comprometer a sobrevivência dos nematoides. Caso seja necessário armazená-las em geladeira, não devem ser colocadas no congelador (abcLab, 2025).
Vale destacar que a amostragem de nematoides é determinante para o posicionamento de estratégias de controle, que incluem inclusive o controle químico e a diversificação de culturas no campo, sendo, portanto, uma ferramenta essencial no manejo dos fitonematoides.
Confira o guia completo de amostragem de nematoides clicando aqui!
Referências:
ABCLAB. AMOSTRAGEM DE NETAOIDES. Fundação ABC, 2025. Disponível em: < https://abclaboratorios.com.br/wp-content/uploads/2025/03/nematoides.pdf >, acesso em: 10/03/2026.
ASMUS, G. L. MANEJO DE FITONEMATOIDES: ALÉM DA REDUÇÃO DOS NÍVEIS POPULACIONAIS. Informações Agronômicas Proteção De Plantas, N. 10, 2025. Disponível em: < https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/bitstream/doc/1178084/1/37778.pdf >, acesso em: 10/03/2026.
CASTRO, J. M. C.; MEYER, M. C.; SEIXAS, C. D. S. PRINCIPAIS NEMATOIDES EM ÁREAS PRODUTORAS DE SOJA NO BRASIL. Embrapa Soja, Circular Técnica, n. 202, 2024. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1164703/1/Circ-Tec-202.pdf >, acesso em: 10/03/2026.
FERRARI, E. et. al. POPULAÇÃO DE Pratylenchus brachyurus NO CULTIVO DE SOJA SOBRE SOJA E SUA INFLUÊNCIA NA PRODUTIVIDADE DE GRÃOS. Resumos da IV Jornada Científica da Embrapa Agrossilvipastoril, 2015. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/142828/1/pages11-15.pdf >, acesso em: 10/03/2026.
Foto de capa: Cristiano Bellé.

Sustentabilidade
Algodão/BR: Colheita inicia em MT e GO sob bom desenvolvimento; restrição hídrica acende alerta em MS – MAIS SOJA

Algodão: 0,9% colhido, Em MT, predominou a insolação, com chuvas isoladas de baixo volume. As lavouras apresentam desenvolvimento satisfatório, com manejo de reguladores de crescimento e controle fitossanitário conforme o planejado. Permanece a atenção para Spodoptera spp. e para o controle do bicudodo-algodoeiro.
Na BA, a colheita segue lentamente. No MA, nos Gerais de Balsas, as lavouras de primeira e segunda safra encontram-se majoritariamente em maturação e abertura de capulhos. As condições gerais são boas. Em MS, na região dos Chapadões, os cultivos seguem sob atenção quanto à disponibilidade hídrica, principalmente, nas áreas em florescimento.
Na região central, o armazenamento de água no solo permanece favorável e seguem os manejos preventivos. Em GO, as primeiras lavouras já foram colhidas na região sul do estado. O algodão de sequeiro encontra-se predominantemente em maturação, enquanto áreas em pré-colheita passam pelo processo de desfolha. As lavouras irrigadas de segunda safra seguem em boas condições.
Em MG, as áreas mais adiantadas já receberam aplicações de dessecantes e aguardam a queda das folhas para o início da colheita. No PI, as lavouras seguem com bom desenvolvimento, favorecidas pelas condições climáticas ao longo do ciclo. Em SP, a colheita avançou na região sudoeste, onde mais da metade das áreas já foi colhida.
Previsão Agrometeorológica (08/06/2026 a 15/06/2026)
N-NE: A previsão indica maiores volumes de chuva no Norte do país, especialmente, entre o AM, RR, AP e norte do PA, além de parte da faixa litorânea do Nordeste. No AC, centro-norte do PA e RO, as chuvas devem ocorrer de forma mais irregular. No TO e interior do NE, o tempo permanece firme e favorecerá a secagem natural do milho no Matopiba, mas deve persistir a restrição hídrica para as lavouras ainda em estádios reprodutivos. No Sealba, as condições seguirão favoráveis nas áreas próximas da costa, mas o armazenamento hídrico deve permanecer baixo nas áreas do interior.
CO: Há previsão de chuvas pontuais com baixos acumulados, principalmente, no noroeste de MT e centro-sul de MS. Em GO e DF, predomina o tempo mais firme. A condição será favorável para a secagem natural do milho segunda safra, mas, para as áreas ainda estádio reprodutivo, permanece a restrição hídrica.
SE: Há previsão de chuvas para todo o estado de SP, sul de MG e RJ, no final da semana, devido à passagem de uma frente fria. Nas demais regiões, a previsão é de tempo estável, com chances reduzidas de chuva. Na maioria das áreas, a umidade no solo será insuficiente para os cultivos de segunda safra e as lavouras de inverno não irrigadas em estádios mais avançados.
S: Há previsão de chuvas para toda região, no início da semana, com volumes significativos no noroeste do RS, Oeste de SC e Sul do PR. A passagem de uma frente fria instabilizará novamente o tempo, promovendo novos acumulados de chuva. As chuvas devem favorecer o incremento de umidade no solo e os cultivos de segunda safra e inverno. Pode ocorrer a suspensão da semeadura do trigo e da colheita do feijão devido às precipitações.
Fonte: Conab

Autor:Conab
Site: Conab
Sustentabilidade
Semeadura do trigo avança no RS e SC, enquanto seca afeta lavouras em SP e MG – MAIS SOJA

No RS, a semeadura avança de acordo com o período de plantio ideal da cultura. Houve interrupções pontuais em áreas com baixa umidade no solo, porém as chuvas recentes devem favorecer a reposição hídrica e o estabelecimento das lavouras.
No PR, predominam lavouras em desenvolvimento vegetativo. Os dias nublados e o excesso de umidade desde o mês passado têm contribuído para o aumento da proporção de áreas com desenvolvimento considerado regular.
Em SC, a semeadura avança no Oeste e Extremo Oeste, favorecida pela boa disponibilidade hídrica e pelas temperaturas amenas. As áreas implantadas apresentam emergência uniforme e bom desenvolvimento vegetativo inicial.
Em SP, as lavouras encontramse majoritariamente em desenvolvimento vegetativo e começam a sentir os efeitos da falta de chuva. Em MS, predomina o estádio vegetativo, com lavouras apresentando boa uniformidade e sanidade. Apesar da ausência de chuvas no período avaliado, as condições climáticas permanecem favoráveis ao desenvolvimento da cultura.
Em MG, restam áreas irrigadas pontuais a serem semeadas na região Noroeste. As lavouras de sequeiro apresentam menor porte devido à falta de chuvas nas regiões do Triângulo Mineiro. Em GO, as lavouras de sequeiro encontram-se próxima de colheita, com produtividade afetada pelo baixo volume de chuvas ao longo do ciclo. As áreas irrigadas seguem em boas condições.
Na BA, o plantio foi iniciado e as lavouras apresentam bom desenvolvimento.
Fonte: Conab
Autor:Conab
Site: Conab
Sustentabilidade
Por que o vazio sanitário é tão importante para o manejo da ferrugem-asiática? – MAIS SOJA

A ferrugem-asiática, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi é uma das doença mais agressivas e preocupantes que acometem a soja. Com elevada capacidade em reduzir a produtividade da cultura, a ferrugem-asiática é o foco do programa fitossanitário da maioria das lavouras, tornando necessário a adoção de distintas estratégias de manejo que priorizem a eficiência no controle dessa doença.
Embora fungicidas de alta eficácia, especialmente quando aplicados de forma preventiva, sejam ferramentas importantes no manejo da ferrugem-asiática, o vazio sanitário permanece como uma das medidas mais eficazes para reduzir a incidência da doença na safra de verão. Ao eliminar plantas voluntárias de soja durante a entressafra, a prática interrompe a sobrevivência e a multiplicação do fungo, reduzindo a produção e a dispersão de esporos que servem como fonte inicial de inóculo para novas infecções e contribuindo para a redução dos focos da doença (Embrapa Soja, s.d.).
A ferrugem-asiática possui elevado potencial de disseminação, uma vez que os uredósporos de Phakopsora pachyrhizi podem ser transportados pelo vento por centenas ou até milhares de quilômetros, permitindo que a doença se espalhe rapidamente entre regiões produtoras e até entre países (Goellner et al., 2010).
Figura 1. Esporos de Phakopsora pachyrhizi (ferrugem-asiática da soja) em microscópio óptico com diferentes aumentos. A e B3 – Foto feita sem lamínula; B e C – Fotos feitas com lamínula.
Além de apresentar caráter policíclico, com vários ciclos de infecção ao longo do desenvolvimento da cultura, o fungo Phakopsora pachyrhizi é classificado como biotrófico, ou seja, depende de tecidos vivos do hospedeiro para sobreviver e se multiplicar (Oliveira et al., 2020). Essa característica reforça a importância do vazio sanitário e da eliminação de plantas voluntárias de soja durante a entressafra, prática considerada uma das medidas mais eficazes para reduzir a sobrevivência do patógeno e minimizar a ocorrência da ferrugem-asiática na safra seguinte.
Figura 2. Plantas voluntárias de soja durante o período entressafra.

Sobretudo, para efeito de manejo, eficácia na quebra do ciclo da ferrugem-asiática e redução da sobrevivência do patógeno, recomenda-se que o vazio sanitário seja realizado com período mínimo de 60 dias, sendo que, a legislação determina que o vazio sanitário deve ter duração mínima de 90 dias (Aiba, 2025). Para a safra 2026/2027, a PORTARIA SDA/MAPA Nº 1.579, DE 9 DE ABRIL DE 2026 estabelece os períodos de vazio sanitário e épocas de semeadura nas diferentes unidades da federação, subdividindo essas unidades em regiões de cultivo. Além de contribuir para o enfrentamento da ferrugem, a semeadura dentro dos períodos recomendados para cada região de cultivo reduz os riscos relacionados as adversidades climáticas.
Vale destacar que, além da proibição do cultivo de soja durante o período do vazio sanitário, também não é permitida a presença ou a manutenção de plantas voluntárias da cultura nas áreas agrícolas. Dessa forma, torna-se necessário adotar medidas de controle sempre que houver ocorrência dessas plantas, a fim de eliminá-las e evitar que sirvam de hospedeiras para o fungo, contribuindo para a manutenção da sanidade das lavouras.
Cliquei aqui e confira os períodos de vazio sanitário e de calendário de semeadura para a cultura da soja na safra 2026/2027.

Referências:
AIBA. MAPA DIVULGA CALENDÁRIO DE SEMEADURA E VAZIO SANITÁRIO DA SOJA PARA A SAFRA 2025/2026 COM REGIONALIZAÇÃO INÉDITA NA BAHIA. Aiba, 2025. Disponível em: < https://aiba.org.br/mapa-divulga-calendario-de-semeadura-e-vazio-sanitario-da-soja-para-a-safra-2025-2026-com-regionalizacao-inedita-na-bahia/#:~:text=A%20legisla%C3%A7%C3%A3o%20determina%20que%20o,23%20de%20janeiro%20de%202025.&text=A%20partir%20da%20safra%202025,Maria%20da%20Vit%C3%B3ria%2C%20entre%20outros. >, acesso em: 09/06/2026.
EMBRAPA SOJA. FERRUGEM ASIÁTICA DA SOJA: MANEJO E PREVENÇÃO. Embrapa Soja, s. d. Disponível em: < https://www.embrapa.br/en/web/soja/ferrugem >, acesso em: 09/06/2026.
GOELLNER, K. et al. Phakopsora pachyrhizi, THE CAUSAL AGENT OF ASIAN SOYBEAN RUST. OLECULAR PLANT PATHOLOGY, 2010. Disponível em: < https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC6640291/pdf/MPP-11-169.pdf >, acesso em: 09/06/2026.
MAPA. PORTARIA SDA/MAPA Nº 1.579, DE 9 DE ABRIL DE 2026. Diário Oficial da União, 2026. Disponível em: < https://www.in.gov.br/web/dou/-/portaria-sda/mapa-n-1.579-de-9-de-abril-de-2026-698696654 >, acesso em: 09/06/2026.
OLIVEIRA, G. M. et al. COLETOR DE ESPOROS: DESCRIÇÃO, USO E RESULTADOS NO MANEJO DA FERRUGEM ASIÁTICA DA SOJA. Embrapa, Circular técnica, n. 167, 2020. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1129482/1/Circ-Tec-167.pdf >, acesso em: 09/06/2026.
Foto de capa: Alessandro Braucks.

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