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10 de junho de 2026

Sustentabilidade

O papel da rotação de culturas na formação de raízes mais eficientes na soja – MAIS SOJA

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A produtividade da soja é condicionada por diversos fatores que podem atuar de forma isolada ou interagir entre si, influenciando direta ou indiretamente o desempenho da cultura no campo. Entre eles, destacam-se características fisiológicas relacionadas ao sistema radicular, que também contribuem para a resiliência das plantas sob condições de estresse.

Estudos indicam que a produtividade da soja está diretamente associada ao crescimento e à distribuição das raízes no solo, especialmente ao comprimento radicular. Conforme observado por Faé et al. (2020), quanto maior o volume radicular da planta, maior tende a ser sua produtividade. Esse efeito está relacionado ao maior volume de solo explorado, o que amplia o acesso a água e nutrientes e aumenta a tolerância ao déficit hídrico.

Nesse contexto, a compactação do solo figura entre os principais fatores limitantes da produtividade da soja, tornando necessária a adoção de estratégias que reduzam seus efeitos e promovam um ambiente mais favorável ao desenvolvimento das raízes. Embora a escarificação mecânica possa proporcionar resultados a curto prazo, além de demandar maior custo operacional e mão de obra, seus efeitos tendem a ser temporários.

Assim, estratégias de médio e longo prazo precisam ser incorporadas ao sistema de produção, sendo a rotação de culturas uma das alternativas mais eficientes e sustentáveis para manejar a compactação e melhorar a qualidade física do solo. Nesse sistema, além da produção de palhada para cobertura do solo, o posicionamento de espécies deve considerar as características do sistema radicular das plantas.

Ao contrário do que muitas vezes se imagina, a maior parte da matéria orgânica do solo resulta da decomposição das raízes das plantas, e não da sua parte aérea. O aumento gradual do teor de matéria orgânica, aliado à menor intensidade de revolvimento do solo, melhora significativamente sua estrutura. Isso favorece o desenvolvimento do sistema radicular das culturas e amplia o volume de solo explorado pelas raízes (Moraes et al., 2016). Além de melhorar a estrutura física do solo, a diversificação de espécies no sistema de produção também contribui para o aumento da ciclagem de nutrientes ao longo do perfil do solo, beneficiando a cultura sucessora.



Figura 1.  Raízes de culturas produtoras de grãos e de cobertura, da esquerda para a direita são raízes de milheto, sorgo, milho, braquiária, soja, centeio e trigo.
Fonte: Embrapa Trigo, citado por Tiecher (2016)

De modo geral, a diversificação de espécies na rotação de culturas, associando plantas com diferentes sistemas radiculares, contribui para a melhoria dos atributos físicos do solo. Essa prática favorece o aumento da macroporosidade e da taxa de infiltração de água, além de reduzir a compactação e melhorar a aeração do solo. Isso ocorre, em grande parte, pela formação de galerias no solo promovidas pelo crescimento e pela decomposição do sistema radicular das plantas. Estima-se que a contribuição das raízes ao aporte orgânico das culturas no solo é de 23% a 45% da matéria seca da parte aérea, conforme a cultura e o manejo utilizado  (Bordin et al., 2008).

Esse benefícios resultam em um ambiente mais favorável ao crescimento e desenvolvimento das raízes da soja, tornando-as mais eficientes. Corroborando a influência da rotação de culturas no desenvolvimento radicular da soja, Torres e Saraiva (1999) observaram maior comprimento e melhor distribuição de raízes no sistema plantio direto quando diferentes espécies foram incluídas na rotação.

Em sucessão de culturas, as raízes permaneceram mais superficiais, superando apenas o preparo com grade pesada. Já a inclusão de tremoço, aveia-preta e milho favoreceu uma distribuição mais profunda das raízes no perfil do solo, evidenciando a contribuição da rotação de culturas para o desenvolvimento da soja (Figura 2).

Figura 2. Comprimento radicular de soja em função de sistemas de rotação ou sucessão de culturas em Latossolo Vermelho Distroférrico. Rotação: tremoço/milho-aveia/sojatrigo/soja-trigo/soja. Sucessão: trigo/soja.
Adaptado de Torres e Saraiva (1999), apud. Moraes et al. (2016)

Vale destacar que, além de melhorar as condições do solo e favorecer o crescimento e desenvolvimento radicular da cultura sucessora, as plantas de cobertura acumulam nutrientes ao longo do ciclo, tanto na parte aérea quanto no sistema radicular. Após a decomposição e mineralização dos resíduos culturais, esses nutrientes tornam-se disponíveis para a cultura seguinte. Além disso, em sistemas de produção de grãos que integram a rotação de culturas, os benefícios do uso de plantas de cobertura tendem a ser mais duradouros, contribuindo para a melhoria do ambiente produtivo como um todo.



Referências:

BORDIN, I. et al. MATÉRIA SECA, CARBONO E NITROGÊNIO DE RAÍZES DE SOJA E MILHO EM PLANTIO DIRETO E CONVENCIONAL. Pesq. agropec. bras., Brasília, v.43, n.12, p.1785-1792, dez. 2008. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/pab/a/jSkKdJ4Vp6DFXx8BXpnr6zz/?lang=pt >, acesso em: 09/03/2026.

FAÉ, G. S.; KEMANIAN, A. R.; ROTH, G. W.; WHITE, C.; WATSON, J. E. SOYBEAN YIELD IN RELATION TO ENVIRONMENTAL AND SOIL PROPERTIES. European Journal of Agronomy, v. 118, 2020. Disponível em: < https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S1161030120300770#:~:text=Saturated%20hydraulic%20conductivity%20(ksat,exceeding%207%20Mg%20ha%2D1. >, acesso em: 09/03/2026.

MORAES, M. T. et al. BENEFÍCIOS DAS PLANTAS DE COBERTURA SOBRE AS PROPRIEDADES FÍSICAS DO SOLO. UFRGS. Manejo e conservação do solo e da água em pequenas propriedades rurais no sul do Brasil: práticas alternativas de manejo visando a conservação do solo e da água, cap. II, 2016. Disponível em: < https://lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/149123/001005239.pdf?sequence=1&isAllowed=y >, acesso em: 09/03/2026.

TORRES, E.; SARAIVA, O. F. CAMADAS DE IMPEDIMENTO MECÂNICO DO SOLO EM SISTEMAS AGRÍCOLAS COM A SOJA. Embrapa, 1999. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/CNPSO/17473/1/circTec23.pdf >, acesso em: 09/03/2026.

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Sustentabilidade

Algodão/BR: Colheita inicia em MT e GO sob bom desenvolvimento; restrição hídrica acende alerta em MS – MAIS SOJA

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Algodão: 0,9% colhido, Em MT, predominou a insolação, com chuvas isoladas de baixo volume. As lavouras apresentam desenvolvimento satisfatório, com manejo de reguladores de crescimento e controle fitossanitário conforme o planejado. Permanece a atenção para Spodoptera spp. e para o controle do bicudodo-algodoeiro.

Na BA, a colheita segue lentamente. No MA, nos Gerais de Balsas, as lavouras de primeira e segunda safra encontram-se majoritariamente em maturação e abertura de capulhos. As condições gerais são boas. Em MS, na região dos Chapadões, os cultivos seguem sob atenção quanto à disponibilidade hídrica, principalmente, nas áreas em florescimento.

Na região central, o armazenamento de água no solo permanece favorável e seguem os manejos preventivos. Em GO, as primeiras lavouras já foram colhidas na região sul do estado. O algodão de sequeiro encontra-se predominantemente em maturação, enquanto áreas em pré-colheita passam pelo processo de desfolha. As lavouras irrigadas de segunda safra seguem em boas condições.

Em MG, as áreas mais adiantadas já receberam aplicações de dessecantes e aguardam a queda das folhas para o início da colheita. No PI, as lavouras seguem com bom desenvolvimento, favorecidas pelas condições climáticas ao longo do ciclo. Em SP, a colheita avançou na região sudoeste, onde mais da metade das áreas já foi colhida.

Previsão Agrometeorológica (08/06/2026 a 15/06/2026)

N-NE: A previsão indica maiores volumes de chuva no Norte do país, especialmente, entre o AM, RR, AP e norte do PA, além de parte da faixa litorânea do Nordeste. No AC, centro-norte do PA e RO, as chuvas devem ocorrer de forma mais irregular. No TO e interior do NE, o tempo permanece firme e favorecerá a secagem natural do milho no Matopiba, mas deve persistir a restrição hídrica para as lavouras ainda em estádios reprodutivos. No Sealba, as condições seguirão favoráveis nas áreas próximas da costa, mas o armazenamento hídrico deve permanecer baixo nas áreas do interior.

CO: Há previsão de chuvas pontuais com baixos acumulados, principalmente, no noroeste de MT e centro-sul de MS. Em GO e DF, predomina o tempo mais firme. A condição será favorável para a secagem natural do milho segunda safra, mas, para as áreas ainda estádio reprodutivo, permanece a restrição hídrica.

SE: Há previsão de chuvas para todo o estado de SP, sul de MG e RJ, no final da semana, devido à passagem de uma frente fria. Nas demais regiões, a previsão é de tempo estável, com chances reduzidas de chuva. Na maioria das áreas, a umidade no solo será insuficiente para os cultivos de segunda safra e as lavouras de inverno não irrigadas em estádios mais avançados.

S: Há previsão de chuvas para toda região, no início da semana, com volumes significativos no noroeste do RS, Oeste de SC e Sul do PR. A passagem de uma frente fria instabilizará novamente o tempo, promovendo novos acumulados de chuva. As chuvas devem favorecer o incremento de umidade no solo e os cultivos de segunda safra e inverno. Pode ocorrer a suspensão da semeadura do trigo e da colheita do feijão devido às precipitações.

Fonte: Conab


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Autor:Conab

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Sustentabilidade

Semeadura do trigo avança no RS e SC, enquanto seca afeta lavouras em SP e MG – MAIS SOJA

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No RS, a semeadura avança de acordo com o período de plantio ideal da cultura. Houve interrupções pontuais em áreas com baixa umidade no solo, porém as chuvas recentes devem favorecer a reposição hídrica e o estabelecimento das lavouras.

No PR, predominam lavouras em desenvolvimento vegetativo. Os dias nublados e o excesso de umidade desde o mês passado têm contribuído para o aumento da proporção de áreas com desenvolvimento considerado regular.

Em SC, a semeadura avança no Oeste e Extremo Oeste, favorecida pela boa disponibilidade hídrica e pelas temperaturas amenas. As áreas implantadas apresentam emergência uniforme e bom desenvolvimento vegetativo inicial.

Em SP, as lavouras encontramse majoritariamente em desenvolvimento vegetativo e começam a sentir os efeitos da falta de chuva. Em MS, predomina o estádio vegetativo, com lavouras apresentando boa uniformidade e sanidade. Apesar da ausência de chuvas no período avaliado, as condições climáticas permanecem favoráveis ao desenvolvimento da cultura.

Em MG, restam áreas irrigadas pontuais a serem semeadas na região Noroeste. As lavouras de sequeiro apresentam menor porte devido à falta de chuvas nas regiões do Triângulo Mineiro. Em GO, as lavouras de sequeiro encontram-se próxima de colheita, com produtividade afetada pelo baixo volume de chuvas ao longo do ciclo. As áreas irrigadas seguem em boas condições.

Na BA, o plantio foi iniciado e as lavouras apresentam bom desenvolvimento.

Fonte: Conab



 

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Autor:Conab

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Sustentabilidade

Por que o vazio sanitário é tão importante para o manejo da ferrugem-asiática? – MAIS SOJA

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A ferrugem-asiática, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi é uma das doença mais agressivas e preocupantes que acometem a soja. Com elevada capacidade em reduzir a produtividade da cultura, a ferrugem-asiática é o foco do programa fitossanitário da maioria das lavouras, tornando necessário a adoção de distintas estratégias de manejo que priorizem a eficiência no controle dessa doença.

Embora fungicidas de alta eficácia, especialmente quando aplicados de forma preventiva, sejam ferramentas importantes no manejo da ferrugem-asiática, o vazio sanitário permanece como uma das medidas mais eficazes para reduzir a incidência da doença na safra de verão. Ao eliminar plantas voluntárias de soja durante a entressafra, a prática interrompe a sobrevivência e a multiplicação do fungo, reduzindo a produção e a dispersão de esporos que servem como fonte inicial de inóculo para novas infecções e contribuindo para a redução dos focos da doença (Embrapa Soja, s.d.).

A ferrugem-asiática possui elevado potencial de disseminação, uma vez que os uredósporos de Phakopsora pachyrhizi podem ser transportados pelo vento por centenas ou até milhares de quilômetros, permitindo que a doença se espalhe rapidamente entre regiões produtoras e até entre países (Goellner et al., 2010).

Figura 1. Esporos de Phakopsora pachyrhizi (ferrugem-asiática da soja) em microscópio óptico com diferentes aumentos. A e B3 – Foto feita sem lamínula; B e C – Fotos feitas com lamínula.
Fotos: Anderson Luís Heling (B³); Gustavo Migliorini de Oliveira (A¹; B¹; B²; C¹; C²)

Além de apresentar caráter policíclico, com vários ciclos de infecção ao longo do desenvolvimento da cultura, o fungo Phakopsora pachyrhizi é classificado como biotrófico, ou seja, depende de tecidos vivos do hospedeiro para sobreviver e se multiplicar (Oliveira et al., 2020). Essa característica reforça a importância do vazio sanitário e da eliminação de plantas voluntárias de soja durante a entressafra, prática considerada uma das medidas mais eficazes para reduzir a sobrevivência do patógeno e minimizar a ocorrência da ferrugem-asiática na safra seguinte.

Figura 2. Plantas voluntárias de soja durante o período entressafra.

Sobretudo, para efeito de manejo, eficácia na quebra do ciclo da ferrugem-asiática e redução da sobrevivência do patógeno, recomenda-se que o vazio sanitário seja realizado com período mínimo de 60 dias, sendo que, a legislação determina que o vazio sanitário deve ter duração mínima de 90 dias (Aiba, 2025). Para a safra 2026/2027, a PORTARIA SDA/MAPA Nº 1.579, DE 9 DE ABRIL DE 2026 estabelece os períodos de vazio sanitário e épocas de semeadura nas diferentes unidades da federação, subdividindo essas unidades em regiões de cultivo. Além de contribuir para o enfrentamento da ferrugem, a semeadura dentro dos períodos recomendados para cada região de cultivo reduz os riscos relacionados as adversidades climáticas.

Vale destacar que, além da proibição do cultivo de soja durante o período do vazio sanitário, também não é permitida a presença ou a manutenção de plantas voluntárias da cultura nas áreas agrícolas. Dessa forma, torna-se necessário adotar medidas de controle sempre que houver ocorrência dessas plantas, a fim de eliminá-las e evitar que sirvam de hospedeiras para o fungo, contribuindo para a manutenção da sanidade das lavouras.

Cliquei aqui e confira os períodos de vazio sanitário e de calendário de semeadura para a cultura da soja na safra 2026/2027.



Referências:

AIBA. MAPA DIVULGA CALENDÁRIO DE SEMEADURA E VAZIO SANITÁRIO DA SOJA PARA A SAFRA 2025/2026 COM REGIONALIZAÇÃO INÉDITA NA BAHIA. Aiba, 2025. Disponível em: < https://aiba.org.br/mapa-divulga-calendario-de-semeadura-e-vazio-sanitario-da-soja-para-a-safra-2025-2026-com-regionalizacao-inedita-na-bahia/#:~:text=A%20legisla%C3%A7%C3%A3o%20determina%20que%20o,23%20de%20janeiro%20de%202025.&text=A%20partir%20da%20safra%202025,Maria%20da%20Vit%C3%B3ria%2C%20entre%20outros. >, acesso em: 09/06/2026.

EMBRAPA SOJA. FERRUGEM ASIÁTICA DA SOJA: MANEJO E PREVENÇÃO. Embrapa Soja, s. d. Disponível em: < https://www.embrapa.br/en/web/soja/ferrugem >, acesso em: 09/06/2026.

GOELLNER, K. et al. Phakopsora pachyrhizi, THE CAUSAL AGENT OF ASIAN SOYBEAN RUST. OLECULAR PLANT PATHOLOGY, 2010. Disponível em: < https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC6640291/pdf/MPP-11-169.pdf >, acesso em: 09/06/2026.

MAPA. PORTARIA SDA/MAPA Nº 1.579, DE 9 DE ABRIL DE 2026. Diário Oficial da União, 2026. Disponível em: < https://www.in.gov.br/web/dou/-/portaria-sda/mapa-n-1.579-de-9-de-abril-de-2026-698696654 >, acesso em: 09/06/2026.

OLIVEIRA, G. M. et al. COLETOR DE ESPOROS: DESCRIÇÃO, USO E RESULTADOS NO MANEJO DA FERRUGEM ASIÁTICA DA SOJA. Embrapa, Circular técnica, n. 167, 2020. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1129482/1/Circ-Tec-167.pdf >, acesso em: 09/06/2026.

Foto de capa: Alessandro Braucks.

 

 

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