Sustentabilidade
Densidade de gotas e cobertura foliar são determinantes para a eficácia de fungicidas protetores na soja – MAIS SOJA

O controle de doenças constitui um dos principais pilares do manejo fitossanitário da soja, especialmente em sistemas de produção que visam altas produtividades e/ou a obtenção de sementes de elevada qualidade. A incidência e a severidade das doenças na cultura variam em função de diversos fatores, incluindo a suscetibilidade da cultivar, as condições climáticas e ambientais favoráveis ao desenvolvimento dos patógenos e as práticas de manejo adotadas na lavoura.
Nesse contexto, além da adoção de boas práticas agronômicas que contribuam para a redução da pressão de inóculo, o controle químico por meio da aplicação de fungicidas ao longo do ciclo da cultura torna-se, na maioria das situações, indispensável para a obtenção de elevados rendimentos. Entretanto, o sucesso no manejo de doenças não depende apenas do correto posicionamento dos fungicidas quanto à sua eficácia, mas também da qualidade das pulverizações e da adoção de estratégias de manejo de resistência, fundamentais para a sustentabilidade do sistema produtivo.
No que se refere ao manejo da resistência, destaca-se o uso de fungicidas multissítios, também conhecidos como protetores. Esses produtos atuam em múltiplos pontos metabólicos do fungo, o que reduz significativamente o risco de seleção de populações resistentes. Por outro lado, justamente por interferirem em diferentes processos metabólicos, os fungicidas multissítios não apresentam mobilidade na planta e podem causar fitotoxicidade caso sejam absorvidos. Assim, devem permanecer na superfície dos tecidos vegetais, formando uma camada protetora que impeça a germinação de esporos e o estabelecimento da infecção fúngica (Godoy et al., 2022).
Dessa forma, a qualidade das pulverizações assume papel determinante no manejo fitossanitário com fungicidas multissítios. À medida que a cultura se desenvolve, ocorre o fechamento das entrelinhas e o aumento do índice de área foliar, dificultando a penetração das gotas no dossel e o adequado depósito no terço inferior da planta (baixeiro).
Figura 1. Exemplo de cobertura após aplicação de fungicida protetor.
Considerando que muitos patógenos iniciam o processo de infecção no terço inferior do dossel, é essencial que as aplicações proporcionem elevada cobertura foliar, especialmente nas camadas inferiores. Embora as recomendações possam variar conforme o produto, de modo geral, para fungicidas de contato, como os protetores, são necessárias densidades de 70 a 100 gotas cm⁻². Já para fungicidas sistêmicos ou sítio-específicos, recomenda-se entre 40 e 70 gotas cm⁻² para adequada eficiência de controle (Pereira; Moura; Pinheiro, 2015).
Portanto, a densidade de gotas e a uniformidade de cobertura do dossel estão entre os principais fatores associados à eficácia dos fungicidas protetores no controle das doenças da soja.

Referências:
GODOY, C. V. et al. EFICIÊNCIA DE FUNGICIDAS MULTISSÍTIOS E PRODUTO BIOLÓGICO NO CONTROLE DA FERRUGEM-ASIÁTICA DA SOJA, Phakopsora Pachyrhizi, NA SAFRA 2021/2022: RESULTADOS SUMARIZADOS DOS EXPERIMENTOS COOPERATIVOS. Embrapa, Circular Técnica, n. 185, 2022. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/doc/1145703/1/Circ-Tec-185.pdf >, acesso em: 26/02/2026.
PEREIRA, R. B.; MOURA, A. P.; PINHEIRO, J. B. TECNOLOGIA DE APLICAÇÃO DE AGROTÓXICOS EM CULTIVO PROTEGIDO DE TOMATE E PIMENTÃO. Embrapa, Circular Técnica, n. 144, 2015. Disponível em: < https://www.embrapa.br/en/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1024615/tecnologia-de-aplicacao-de-agrotoxicos-em-cultivo-protegido-de-tomate-e-pimentao >, acesso em: 26/02/2026.

Sustentabilidade
Brasil é líder mundial na produção de biocombustíveis e Mato Grosso tem papel estratégico no cenário nacional – MAIS SOJA

O Brasil ocupa posição de destaque no cenário global da produção de biocombustíveis e se consolida como uma das maiores referências mundiais em energia renovável. Esse protagonismo é resultado direto da força do agronegócio, especialmente da produção de soja e milho, matérias-primas essenciais para a fabricação de biodiesel e etanol. Nesse contexto, Mato Grosso, maior produtor de grãos do país, tem papel estratégico na consolidação dessa liderança.
Ao longo das últimas décadas, o país deixou de ser importador de alimentos e commodities agrícolas para se tornar o principal fornecedor mundial. Segundo o vice-coordenador da comissão de sustentabilidade da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Nathan Belusso, esse avanço é fruto de investimentos contínuos em pesquisa, tecnologia e infraestrutura.
“O Brasil saiu de um país importador de commodities agrícolas, como soja e milho, para se tornar o principal exportador a nível mundial. Hoje, produz alimentos para mais de um bilhão de pessoas e, no cenário dos biocombustíveis, não é diferente, já que as principais fontes são justamente essas commodities agrícolas”, destaca.
Dentro desse cenário nacional, Mato Grosso se consolida como um dos grandes motores da produção de biocombustíveis. Líder na produção de soja e milho, o estado tem ampliado sua capacidade industrial com a instalação de novas usinas, especialmente de etanol de milho, fortalecendo a cadeia produtiva e agregando valor à produção rural.
“O Mato Grosso se torna o principal estado produtor dessas commodities e, nos últimos 10 a 15 anos, vem se consolidando com a instalação de indústrias de biocombustíveis, principalmente de etanol de milho. Isso gera inovação, valor agregado, desenvolvimento social e fortalece a sustentabilidade energética”, explica Belusso.
A presença das usinas no interior do estado tem impacto direto na economia regional. Para o produtor rural e associado do núcleo de Sinop, Célio Riffel, a expansão das usinas de etanol de milho representa um divisor de águas para o desenvolvimento local.
“A chegada dessas usinas foi uma grande evolução para a cadeia do milho. Elas agregam valor ao produto, geram milhares de empregos diretos e indiretos e contribuem significativamente com a arrecadação de impostos municipais e estaduais. Foi uma das melhores coisas que aconteceram para a região”, afirma.
Além do aspecto econômico, os biocombustíveis desempenham papel fundamental na construção de uma matriz energética mais limpa e sustentável. Produzidos a partir de fontes renováveis, como milho e soja, eles contribuem para a redução das emissões de gases de efeito estufa e diminuem a dependência de combustíveis fósseis.
Belusso ressalta que o Brasil se diferencia mundialmente por conseguir conciliar alta produção com preservação ambiental. “O país utiliza cerca de 13% do seu território para produção agrícola, com alto nível de tecnificação e um clima privilegiado, que permite até três safras por ano. Esse potencial, aliado à preservação ambiental, é um dos grandes diferenciais do Brasil no cenário dos biocombustíveis”, pontua.
Célio também destaca a importância da produção local do etanol, tanto do ponto de vista ambiental quanto logístico. “É um combustível renovável, limpo, produzido na própria região onde é consumido. Isso evita deslocamentos de dois mil quilômetros em caminhões, reduz custos e emissões. Hoje, inclusive, já existem motores agrícolas e caminhões com tecnologia para usar o etanol produzido aqui”, reforça.
A aproximação entre o produtor rural e a indústria de biocombustíveis tem se mostrado um diferencial estratégico para o fortalecimento do setor. Em Sinop, o produtor e associado Tiago Stefanello, sócio de uma nova usina de etanol, destaca que essa integração permite uma visão mais completa dos riscos e desafios da atividade.
“Quanto mais próximo da industrialização o produtor estiver, melhor ele entende e mitiga os riscos da atividade. Esse entendimento mútuo faz com que o produtor aprimore seus procedimentos e conceitos, melhorando as métricas tanto na produção rural quanto na indústria”, explica.
Essa relação mais próxima entre campo e indústria impulsiona a profissionalização do setor, amplia a agregação de valor à matéria-prima e fortalece a economia regional, gerando emprego, renda e desenvolvimento social.
A cadeia dos biocombustíveis representa um avanço não apenas para o produtor ou para o estado, mas para o Brasil como um todo. A industrialização dos grãos amplia a distribuição de renda, fomenta o desenvolvimento social e posiciona o país como protagonista global na transição energética.
“Ao agregar valor à produção primária por meio da industrialização, geramos mais riqueza, conhecimento, educação e desenvolvimento social. Os benefícios alcançam Mato Grosso, o Brasil e o mercado global”, conclui Nathan Belusso.
Com uma base agrícola sólida, clima favorável, tecnologia avançada e compromisso com a sustentabilidade, o Brasil segue liderando a produção mundial de biocombustíveis, mostrando que é possível conciliar produção, preservação ambiental e desenvolvimento econômico.
Fonte: Aprosoja/MT
Sustentabilidade
Chuvas atrasam fim da colheita da soja em Mato Grosso e provocam prejuízos em todo o Estado – MAIS SOJA

As chuvas intensas registradas nas últimas semanas em Mato Grosso têm impactado o encerramento da colheita da soja e ampliado os prejuízos para os produtores em diferentes regiões do Estado. Com áreas ainda por colher, o excesso de precipitações têm impedido a retirada dos grãos no momento ideal, elevando os índices de avarias, a umidade e os descontos aplicados na comercialização. Em muitas propriedades, os últimos talhões apresentam deterioração visível, com soja brotando nas vagens e grãos acima do padrão de umidade exigido pelos armazéns.
O vice-presidente da Aprosoja MT, Luiz Pedro Bier, afirma que a entidade acompanha com preocupação a evolução da colheita em todo o Estado. Segundo ele, já são mais de 30 dias de chuvas intensas e contínuas em diversas regiões, o que tem dificultado o avanço das máquinas no campo e ampliado os prejuízos. “A colheita segue em ritmo lento, e a Aprosoja MT continua acompanhando o cenário com grande preocupação. As chuvas estão realmente castigando o produtor mato-grossense”, afirmou.
Luiz Pedro Bier também reforça que, diante do aumento nos descontos por umidade e grãos avariados, os produtores podem buscar apoio no programa Classificador Legal, disponibilizado pela entidade. “Para os produtores que enfrentam problemas na classificação, nós disponibilizamos o Classificador Legal. O programa confere a classificação da sua soja. Basta entrar em contato pelo Canal do Produtor que enviaremos um classificador para tirar dúvidas e dar mais segurança nesse momento”, destacou.
Embora o levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA) aponte que a colheita já ultrapassou 65% da área plantada da safra 2025/26, o ritmo desacelerou nas últimas semanas em função das chuvas frequentes. A consequência tem sido perda de qualidade, redução de produtividade e impacto direto na rentabilidade da safra. Em diversas regiões, produtores relatam que os descontos aumentam a cada dia de atraso, tornando difícil até mesmo estimar o prejuízo antes da entrega nos armazéns.
No extremo Norte do Estado, onde o volume de chuva foi ainda mais intenso, o cenário ilustra a situação enfrentada por muitos produtores, mas o problema se estende por todo o território mato-grossense. “Aqui no extremo norte do Mato Grosso nós tivemos um plantio bem lento devido ao déficit hídrico de setembro para outubro e isso agora resultou em uma colheita mais vagarosa. Há produtores que colheram 100% da sua área, outros 70% e alguns que só agora estão chegando em torno de 50%, porém todos eles nos relataram que tiveram perdas por avarias e também a alta umidade do grão, devido às fortes chuvas nos últimos 20 dias”, relata Diego Bertuol, diretor administrativo da Aprosoja MT e produtor em Marcelândia.
Um levantamento realizado em parceria com o IMEA e a Secretaria Municipal de Agricultura de Marcelândia aponta prejuízos que podem chegar a aproximadamente R$1.800 por hectare, considerando perdas por grãos avariados e descontos decorrentes da alta umidade. A situação se repete, em outras regiões do Estado, onde produtores relatam dificuldades semelhantes para finalizar a colheita e preservar a qualidade do produto.
Na região sul, a situação também é preocupante. “Nós temos um fevereiro extremamente chuvoso, com mais de 500 milímetros acumulados em várias regiões do estado. Temos encontrado situações de soja avariada, brotando nas vagens, grãos úmidos sendo entregues nos armazéns, tudo isso gera uma série de descontos e prejuízos para o produtor”, afirma Jorge Diego Giacomelli, 2º diretor administrativo da Aprosoja MT. Segundo ele, nas áreas mais afetadas, as perdas já chegam à casa dos 25%, especialmente nos últimos talhões a serem colhidos.
Além das perdas dentro da lavoura, a logística se tornou um dos principais entraves neste momento. Com grande parte das estradas rurais sem pavimentação, o excesso de chuvas provocou atoleiros, quedas de pontes de madeira e interrupções no tráfego, dificultando o escoamento da produção até os armazéns. “Nós temos caminhões com mais de três dias em filas esperando passar por algum atoleiro, isso com grão úmido e já avariado dentro da carga, comprometendo ainda mais a qualidade da entrega”, explica Bertuol.
No Oeste do Estado, a realidade não é diferente. “Os últimos dias de colheita estão muito complicados. Mesmo que abra o sol e você consiga colher, às vezes não tem estrada para chegar até o armazém. As estradas vão formando buracos, atoleiros, e dentro de poucas horas se tornam intransitáveis”, relata o vice-presidente Oeste da Aprosoja MT, Gilson Antunes de Melo.
O tráfego intenso de caminhões em vias já fragilizadas pelo excesso de umidade tem agravado os danos. Há relatos de veículos tombando e de filas gigantescas nos armazéns, que também enfrentam dificuldades para receber grãos com umidade elevada. “Cada dia que passa, os descontos vão aumentando, a soja vai estragando”, afirma Gilson.
O problema, segundo os produtores, não é apenas produtivo, mas também financeiro.
Diante da gravidade do cenário, municípios como Feliz Natal, Matupá e Marcelândia decretaram situação de emergência, mobilizando órgãos municipais e autorizando ações emergenciais para conter os impactos das chuvas sobre a infraestrutura local e o setor produtivo. A medida busca dar suporte aos produtores e acelerar intervenções nas estradas e pontes afetadas, em um momento em que a prioridade é garantir a retirada da soja do campo.
O reflexo do atraso na colheita da soja já atinge também a segunda safra e aumenta a apreensão no campo. Embora o plantio do milho siga em andamento, parte da área será plantada fora da janela ideal. “Acredito que a janela do milho já foi. O ideal seria plantar até o dia 15 ou 20 de fevereiro e ainda temos muito milho a ser plantado, porque não se consegue colher a soja. Mas a preocupação maior do agricultor é a soja. É ela que paga a conta, é a que dá sustentabilidade ao produtor”, destaca Gilson. Segundo ele, muitos produtores já têm contratos firmados e enfrentam o risco de pagar washout, cláusula contratual que prevê liquidação financeira quando o produto não é entregue, caso não consigam cumprir os compromissos assumidos.
Mesmo diante do risco para o milho de segunda safra, a maior preocupação permanece na soja.
“No contexto geral hoje tudo é preocupação porque é uma situação que está fora do controle do produtor, é excesso de chuva, é logística, é condição de colheita, condição de semeadura, tudo está acumulado e está caindo no colo do produtor e ele tem que fazer o que está nas mãos dele, que é torcer por uma melhora no tempo, tirar a soja do campo e entrar com a semeadura do milho segunda safra. É uma situação bem preocupante e esperamos que a partir de agora o tempo dê uma firmada e consigamos avançar com as colheitas”, disse Jorge Diego Giacomelli.
Com custos elevados, endividamento crescente e dificuldades no acesso ao crédito rural, o prolongamento das chuvas intensifica a pressão sobre o setor produtivo. Enquanto acompanham as previsões climáticas para os próximos dias, os produtores seguem mobilizados para aproveitar qualquer janela de sol e reduzir os prejuízos de uma safra que, até a reta final, vinha sendo considerada promissora no campo, mas que agora enfrenta um desfecho marcado por incertezas e perdas.
Sustentabilidade
Farsul emite nota técnica sobre novas taxas de importação dos Estados Unidos – MAIS SOJA

A Assessoria Econômica da Farsul emitiu, nesta quarta-feira (25), nota técnica sobre as recentes sobretaxas aplicadas pelo governo americano sobre importações.
A medida, conhecida como Section 122 do Trade Act de 1972, permite que o presidente americano imponha taxas de até 10% sobre importações para o país, durante tempo limitado. A medida vem após decisão da Suprema Corte americana de suspender as tarifas específicas sobre países que estava em voga.
Em primeira análise, essa nova taxação é benéfica para os países que estavam sob taxas maiores, que é o caso do Brasil, China e Índia, mas o risco para a economia brasileira ainda existe, visto que o país se encontra sob investigação em outras seções.
Para o agronegócio gaúcho, os impactos tarifários já são bem documentados. Entre julho de 2025 e janeiro de 2026, o estado teve quedas de até 29% no volume e valores exportados para o país norte-americano.
O reflexo financeiro dessa nova tarifa ainda está sendo analisado, mas existe a possibilidade da retomada de viabilidade de alguns mercados para a região, como o de mel e pescados, e também o fortalecimento de mercados terceiros, o que melhoraria a diversificação comercial do setor.
Confira relatório completo.
Fonte: Farsul
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