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Chuvas prolongadas castigam lavouras de soja e elevam perdas no campo em MT

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Foto: Mateus Dias / Aprosoja MT

As chuvas intensas registradas nas últimas semanas em Mato Grosso comprometeram o encerramento da colheita da soja 2025/26 e ampliaram os prejuízos em diferentes regiões do estado. Com áreas ainda por colher, o excesso de precipitações impede a retirada dos grãos no momento ideal, eleva os índices de avarias e aumenta os descontos aplicados na comercialização.

Em muitas propriedades, os últimos talhões apresentam deterioração visível, com soja brotando nas vagens e grãos acima do padrão de umidade exigido pelos armazéns. Segundo levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a colheita já ultrapassou 65% da área plantada, mas o ritmo desacelerou nas últimas semanas em função das chuvas frequentes.

O vice-presidente da Aprosoja MT, Luiz Pedro Bier, afirma que a entidade acompanha com preocupação o cenário. “A colheita segue em ritmo lento, e a Aprosoja MT continua acompanhando o cenário com grande preocupação. As chuvas estão realmente castigando o produtor mato-grossense”, declarou.

Problema iniciado no plantio de soja

No extremo norte do estado, o volume de chuva foi ainda mais intenso. Diego Bertuol, diretor administrativo da Aprosoja MT e produtor em Marcelândia, relata que o problema começou ainda no plantio. “Aqui no extremo norte do Mato Grosso tivemos um plantio lento devido ao déficit hídrico entre setembro e outubro, e isso agora resultou em uma colheita mais vagarosa. Todos nos relataram perdas e alta umidade do grão devido às fortes chuvas nos últimos 20 dias.”

Levantamento realizado em parceria com o Imea e a Secretaria Municipal de Agricultura de Marcelândia aponta prejuízos que podem chegar a aproximadamente R$ 1.800 por hectare, considerando perdas por grãos avariados e descontos decorrentes da umidade elevada.

Na região sul, o cenário também é crítico. “Nós temos um fevereiro extremamente chuvoso, com mais de 500 milímetros acumulados em várias regiões do estado. Temos encontrado soja avariada, brotando nas vagens, grãos úmidos sendo entregues nos armazéns, tudo isso gera uma série de descontos e prejuízos para o produtor”, afirmou Jorge Diego Giacomelli, 2º diretor administrativo da Aprosoja MT. Segundo ele, nas áreas mais afetadas, as perdas já chegam a 25%, especialmente nos últimos talhões a serem colhidos.

Além das perdas dentro da lavoura, a logística tornou-se um dos principais entraves. Estradas rurais sem pavimentação apresentam atoleiros, quedas de pontes e interrupções no tráfego. “Nós temos caminhões com mais de três dias em filas esperando passar por algum atoleiro, isso com grão úmido e já avariado dentro da carga, comprometendo ainda mais a qualidade da entrega”, explicou Bertuol.

No Oeste, a realidade é semelhante. O vice-presidente Oeste da Aprosoja MT, Gilson Antunes de Melo, relata dificuldades crescentes. “Mesmo que abra o sol e você consiga colher, às vezes não tem estrada para chegar até o armazém. As estradas vão formando buracos e atoleiros e em poucas horas se tornam intransitáveis.” Ele acrescenta: “Cada dia que passa, os descontos vão aumentando, a soja vai estragando.”

Situação de emergência

Diante da gravidade da situação, municípios como Feliz Natal, Matupá e Marcelândia decretaram situação de emergência para acelerar intervenções em estradas e pontes e garantir o escoamento da produção.

O atraso na colheita já impacta a segunda safra. Parte do milho será plantada fora da janela ideal, elevando o risco produtivo. “Acredito que a janela do milho já foi. O ideal seria plantar até 15 ou 20 de fevereiro e ainda temos muito milho a ser plantado porque não se consegue colher a soja. Mas a preocupação maior do agricultor é a soja. É ela que paga a conta”, destacou Gilson.

Segundo ele, muitos produtores já possuem contratos firmados e correm risco de washout caso não consigam cumprir os compromissos. A situação é de forte preocupação, já que o excesso de chuva, os problemas logísticos e as dificuldades na colheita e na semeadura se acumulam e fogem ao controle do produtor, concluiu Giacomelli.

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Perdas na soja e acesso ao crédito são temas discutidos durante Fórum Soja Brasil, na ExpoAgro

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Foto: Pixabay

A Expo Agro Cotricampo, que começou nesta quarta-feira (25), em Campo Novo, no Rio Grande do Sul, recebeu o Fórum Soja Brasil para discutir os principais desafios enfrentados pelos produtores gaúchos após sucessivas perdas nas últimas safras.

O primeiro painel abordou o crédito sustentável no setor. Com queda de produtividade e rentabilidade em função das adversidades climáticas, muitos produtores relatam dificuldades para cumprir compromissos financeiros e acessar novas linhas de financiamento.

Entre os pontos destacados, especialistas reforçaram a imporância de alongar prazos de pagamento para reduzir o valor das parcelas, incluir períodos de carência que garantam fôlego até o retorno do investimento e buscar taxas de juros adequadas à realidade do campo. A orientação também passa pela repactuação de dívidas já existentes antes da contratação de novos financiamentos, como forma de reorganizar o fluxo de caixa.

O Plano Safra foi citado como ferramenta essencial nesse contexto. A política pública oferece linhas de crédito com juros abaixo dos praticados no mercado e prazos mais longos. No entanto, diante do atual cenário de juros elevados, instabilidade climática e oscilações de mercado, o acesso ao crédito exige planejamento e apoio técnico. A avaliação é de que, em momentos de maior complexidade, o produtor precisa estar amparado por cooperativas, entidades e instituições financeiras parceiras.

A verticalização das cadeias produtivas, estratégia que consiste em assumir mais etapas do processo produtivo, desde insumos até processamento e distribuição, foi tema do segundo painel. A prática permite maior controle da qualidade, ganho de eficiência e agregação de valor ao produto final.

O debate envolveu cadeias como suínos, aves, gado de corte e biocombustíveis. Na produção de proteínas animais, a tendência é de maior especialização e segmentação das atividades, com investimentos em tecnologia e busca por escala para ampliar margens e eficiência.

No caso dos biocombustíveis, o setor foi apresentado como complementar às demais cadeias, ao adquirir matéria-prima, industrializar e agregar valor, compartilhando parte da rentabilidade com cooperativas e produtores. Além disso, o segmento influencia a formação de preços em diferentes mercados.

Já na pecuária, estratégias como a integração lavoura-pecuária também foram destacadas. Ao combinar o cultivo de grãos com a criação de gado na mesma propriedade, o produtor diversifica a atividade, dilui riscos, melhora a nutrição animal e pode alcançar maior rentabilidade.

Fórum Soja Brasil

O Fórum Soja Brasil é uma parceria entre o Canal Rural e a Cooperativa Cotricampo e busca levar informação estratégica aos produtores, especialmente sobre crédito rural, perspectivas e oportunidades de verticalização, incluindo cadeias de cereais de inverno. A avaliação dos organizadores é de que, diante dos desafios atuais, informação qualificada se torna um dos principais ativos para a tomada de decisão no campo.

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Associação prepara lançamento de escola para formação de profissionais de cannabis

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Foto: Pixabay

A nova regulamentação do Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre o cultivo de cannabis para fins medicinais no Brasil abriu espaço para um movimento inédito no setor: a profissionalização da mão de obra.

Nesse cenário, a Accura, associação de pesquisa da planta, prepara o lançamento de uma escola voltada à formação técnica e à educação sobre a erva, prevista para o primeiro semestre de 2026.

A presidente da entidade, Paula Cardoso Zomignani, ressalta que a nova decisão da justiça reforça a urgência de capacitar associações, pacientes e até a indústria, que precisa de pessoas capacitadas na operação, algo que, no momento, não existe.

“A gente quer estar aí para isso, a gente quer estar de mão dada com a indústria, formando pessoas conscientes, pessoas que entendem da planta, pessoas que entendem da história dessa planta”, afirmou.

Como será a escola

O projeto terá cinco frentes principais de atuação: formação do paciente, associativismo, cultivo, extrações e mercado de oportunidades.

De acordo com a presidente da Accura, o projeto capacitará as pessoas para fazer plantio, manusear a cannabis, ensinar técnicas de extração e discutir oportunidades.

A proposta é híbrida: aulas online para alcance nacional e workshops presenciais na sede da Accura, que conta com estrutura de cultivo e laboratório.

Segundo Paula, a Associação está desenvolvendo a plataforma online e já começou as gravações de aula para fazer o lançamento até o mês de junho. O curso também terá aulas presenciais na sede, onde há uma mini fazenda urbana.

“Queremos preparar desde o paciente que busca autonomia até o profissional que vai trabalhar no laboratório ou no campo. É um oceano azul, mas precisa ser navegado com conhecimento”, concluiu Paula.

Decisão do STJ

A decisão do STJ determinou que o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) regulamentasse a produção industrial. Em um primeiro momento, entidades sem fins lucrativos reclamaram por não terem sido convidadas a participar da discussão.

Contudo, após a posse do diretor da quinta diretoria da Anvisa, Thiago Campos, em setembro do ano passado, o tema foi levantado, concedendo mais tempo para a criação de uma regulamentação que abranja todos os setores.

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Agro Mato Grosso

Longas filas em Miritituba prejudicam escoamento da soja pelo corredor Norte

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As más condições da estrada que dá acesso aos terminais portuários de Miritituba, em Itaituba (PA), têm provocado longas filas de caminhões carregados de soja e acendem um alerta no setor produtivo de Mato Grosso, em pleno pico da colheita da oleaginosa. O gargalo logístico preocupa produtores e transportadores, principalmente pelo impacto direto no custo do frete e na disponibilidade de veículos para o escoamento da safra.

O cenário é marcado por pátios de postos de combustíveis lotados, filas que chegam a cerca de 30 quilômetros e disputa por espaço na única via de acesso aos portos. Caminhoneiros vindos do norte de Mato Grosso e do sudeste do Pará enfrentam dias de espera para conseguir descarregar nos terminais.

O caminhoneiro Rony Lima está há mais de um dia na fila e relata que a demora já faz parte da rotina. “Quem vai pegar a fila não descarrega em menos de dois dias, não”. Ele destaca que melhorias na infraestrutura e na organização do fluxo são necessárias para reduzir o tempo de espera. “O que tem que melhorar é a transportuária”.

A situação também tem desanimado profissionais do transporte. Mauro Dioniz da Silva afirma que enfrenta dias de viagem e espera conseguir descarregar. “Três dias para chegar aqui, encarar fila, buraco e confusão. É um descaso com os motoristas aqui. Quero até desistir já porque você não ganha dinheiro só dentro de caminhão”, diz ao Canal Rural Mato Grosso.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

As condições enfrentadas nas filas também afetam a rotina básica dos caminhoneiros. Gilson Carlos Martins Sales explica que, em muitos casos, não há estrutura adequada durante a espera, especialmente para quem transporta cargas perigosas. “Não pode ter cozinha, não pode ter fogão por indução, porque é proibido qualquer tipo de chama, aí a gente fica Deus dará”.

Ele relata que a permanência na fila pode ultrapassar um dia inteiro até conseguir concluir o trajeto e retornar. “Já entrei na fila às 8 horas da manhã e cheguei em casa às 4 horas da manhã do outro dia”. Segundo ele, a melhoria das condições da estrada é essencial para resolver o problema. “É pavimentar, duplicar. Se duplicar isso aí melhora bastante”.

Gargalo está no acesso aos terminais

O principal entrave logístico não está dentro dos portos, mas no acesso ao distrito de Miritituba, de acordo com a Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa). Trechos sem pavimentação e com buracos dificultam o tráfego e, em períodos de chuva, a lama impede a passagem dos caminhões, agravando ainda mais os congestionamentos. “Hoje chegam em torno de 2,5 mil a 3 mil carretas descarregam por dia aqui nos portos de Miritituba”, pontua o coordenador técnico da entidade, Paulo Roberto Almeida Ferreira.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Ele explica à reportagem do Canal Rural Mato Grosso que a situação exige manutenção constante da via. “A gente ainda tem trechos de chão em que existe muito buraco. Essa estrada precisa estar passando constantemente por manutenção”.

Paulo Roberto observa que, quando chove, as condições da estrada impedem o tráfego e comprometem o fluxo da produção. “Quando chove e dá lama os caminhões não conseguem trafegar nesses trechos de chão, aí dificulta o descarregamento da soja. É caos. E a população de um modo geral acaba se tornando muito vulnerável com toda essa situação”.

Nos terminais, a estrutura é considerada suficiente para receber os caminhões, mas muitos não conseguem chegar dentro do cronograma previsto. O gerente de operações de granéis, Cliver Matheus Tavares da Costa, explica que as metas operacionais são cumpridas quando os veículos conseguem acessar os pátios. Conforme ele, o problema está justamente na retenção dos caminhões ao longo da estrada.

“Todos os terminais têm o mesmo problema. Eles ficam com os pátios vazios e as operações paradas porque os caminhões não conseguem chegar nos terminais. As empresas trabalham com o regime de agendamento justamente para não tumultuar essa rodovia que não tem tanta estrutura para receber essa quantidade de caminhões”, frisa Cliver.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Ele ressalta que a expansão das operações portuárias deve aumentar ainda mais a pressão sobre a rodovia. Hoje atuam no local cerca de oito empresas, que recebem entre três milhões de toneladas e cinco milhões de toneladas por ano. “Provavelmente abrirá mais umas cinco empresas de grãos, o que vai tumultuar mais ainda a rodovia porque não tem tanta capacidade de fluxo pela quantidade de caminhão que tem”.

Produtores sentem impacto e cobram solução

O cenário também preocupa o setor produtivo de Mato Grosso, responsável por grande parte da soja escoada pelo corredor Norte. O presidente do Sindicato Rural de Nova Mutum, Paulo Zen, afirma que os impactos logísticos acabam sendo absorvidos diretamente pelo produtor. “O caminhão hoje é o silo desse lugar aqui”.

Ele ressalta que os custos adicionais reduzem o valor recebido pela produção. “Quem paga por isso somos nós lá ganhando R$ 10, R$ 15 a menos na saca de soja para aguentar tudo isso que está acontecendo aqui”.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Para o presidente do Sindicato Rural de Campo Novo do Parecis, Antônio César Brólio, o problema ocorre justamente no início do escoamento da safra, o que amplia a preocupação no campo. “O escoamento da safra recém começou, então a gente vê o quanto está travado isso daqui”.

Na avaliação dele, o aumento do custo logístico compromete diretamente a rentabilidade da atividade. “Encarece o nosso custo, porque encarece o frete e é menos dinheiro no bolso do produtor rural”.

Uma comitiva do Sistema Famato, formada por representantes de aproximadamente 20 sindicatos rurais, percorreu a região nesta semana para acompanhar o escoamento da produção mato-grossense. No último ano, cerca de 17 milhões de toneladas de soja oriundas de Mato Grosso foram enviadas pelos portos do corredor Norte.

O presidente da entidade, Vilmondes Tomain, destaca que a estrutura portuária é eficiente, mas o acesso precisa acompanhar o crescimento da demanda. “A infraestrutura da barcaça onde estão fazendo o descarregamento, o transbordo, é de excelente qualidade, mas até você chegar aqui é uma dificuldade danada”.

Ele defende investimentos em infraestrutura e armazenagem como parte da solução para melhorar o fluxo logístico. “Não é só o Porto, nós temos que começar desde lá [estrada] para melhorar as condições, para poder melhorar aqui também o fluxo”.

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