Sustentabilidade
PL que estende patentes vai prejudicar produtores de soja – MAIS SOJA

A preocupação dos produtores aumenta com a existência de um requerimento de urgência apresentado à Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, no ano passado, para levar o PL ao plenário. O ano de eleição aumenta o risco de desgaste para os parlamentares e para as entidades que representam o setor no Congresso.
Impacto direto para produtores de soja
Entre os setores mais afetados, o agronegócio — especialmente os produtores de soja — merece atenção especial. A tecnologia Intacta, com cerca de 80% da área plantada da oleaginosa no país, tem patentes que estão para expirar. A entrada dessa tecnologia em domínio público reduziria custos de produção e ampliaria a competitividade do produtor brasileiro.
O PL 5810/2025, porém, pode postergar essa transição por até cinco anos, mantendo a cobrança de royalties por mais tempo. Esse impacto é particularmente sensível porque o titular já tem proteção econômica desde o depósito da patente junto ao INPI. Na prática, a empresa já fez um acordo de licenciamento ao produtor no qual admite que a tecnologia está “protegida” por patentes e pedidos de patente. Ou seja, a cobrança ocorre antes da concessão definitiva pelo INPI da patente.
Para além desse fato, o art. 44 da Lei de Propriedade Intelectual garante indenização retroativa desde o depósito do pedido. Ou seja, o titular não perde direitos econômicos durante o atraso do INPI. A extensão de prazo, portanto, não compensa um prejuízo — ela cria um benefício adicional.
Importante lembrar que há ações judiciais em curso questionando o prazo das patentes da Bayer. Produtores de soja em diversos estados movem ações contestando a validade e a extensão das patentes relacionadas à tecnologia Intacta. Esses processos se apoiam justamente na tese de que o prazo não pode ser ampliado por atrasos administrativos, e que a cobrança de royalties após o prazo constitucional viola a função social da patente. A aprovação do PL poderia interferir nesses litígios, criando um fundamento para extensão de prazo e potencialmente enfraquecendo a posição dos produtores.
A extensão afeta diretamente a competitividade dos agricultores. Com margens pressionadas por custos de insumos, logística e crédito, prolongar o pagamento de royalties por mais cinco anos representa impacto bilionário para o setor.
O PL 5810/2025 tem como justificativa tentar resolver o problema da morosidade do INPI — mas o faz por meio de um mecanismo que reacende os mesmos riscos constitucionais identificados pelo STF na ADI 5529.
Para o agronegócio, e especialmente para os produtores de soja envolvidos em ações contra a Bayer, o projeto pode significar prolongamento do pagamento de royalties, adiamento do domínio público de tecnologias essenciais e interferência em disputas judiciais em andamento.
Além disso, outros produtos, como os pesticidas, cuja patente estaria para vencer e entrar no mercado de genéricos, poderiam ter o prazo estendido, com prejuízo aos custos de produção ao produtor rural, com perda de competitividade e prejuízo para um mercado mais equilibrado do insumo, bastante concentrado em empresas e produtos.
O debate legislativo no Plenário da Câmara dos Deputados avançou, mas na direção oposta ao PL 5810. Trata-se do PL n° 160 de 2026 do Senado Federal, que cria o licenciamento compulsório do medicamento tirzepatida (comercialmente conhecido como Mounjaro), para sua produção no Brasil, como forma de garantir acesso ao tratamento da obesidade e reduzir em R$ 70 bilhões os gastos públicos com doenças que poderiam ser tratadas com essa classe terapêutica.
A Aprosoja Brasil, ao lado da Frente Parlamentar da Agropecuária, que tem defendido com afinco os interesses dos produtores deste país, trabalharão para que não venha a cair mais esse custo nos ombros dessa classe que gera tanta riqueza para o país. E que já suportam custos bilionários decorrentes do atual regime de patentes.
Entenda melhor o caso
O debate sobre o prazo de vigência das patentes voltou ao centro da agenda legislativa com a apresentação do Projeto de Lei 5810/2025, que propõe criar um mecanismo de compensação de até cinco anos quando houver atraso na análise de pedidos pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). A proposta surge como resposta à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 5529) que declarou inconstitucional o antigo parágrafo único do art. 40 da Lei de Propriedade Industrial — dispositivo que garantia prazo mínimo de dez anos de vigência após a concessão da patente. Na prática, empresas permaneciam com prazos superiores à previsão legal, prejudicando consumidores e elevando os gastos públicos com o SUS.
E embora o PL busque oferecer previsibilidade ao sistema de propriedade intelectual, ele reabre discussões sensíveis sobre segurança jurídica, função social da propriedade intelectual e impactos econômicos setoriais, especialmente para o agronegócio.
O que mudou com a ADI 5529
Em 2021, o STF entendeu que o prazo mínimo de dez anos após a concessão da patente criava um regime de vigência indeterminada, já que dependia da duração do processo administrativo no INPI. Naquela ocasião, o Tribunal concluiu que a regra violava a segurança jurídica, prejudicava a livre concorrência e impactava negativamente o direito à saúde, ao prolongar monopólios de medicamentos. Os custos bilionários ao SUS com remédios com patentes estavam sendo prorrogados por prazo superior ao previsto em lei.
Com a decisão, todas as patentes passaram a ter prazos fixos, que são de 20 anos para invenção e de 15 anos para modelo de utilidade.
O PL 5810/2025 se propõe a preencher o vazio deixado pela decisão, criando uma compensação limitada e condicionada. Mas, apesar de mais restrito, o mecanismo reacende preocupações constitucionais semelhantes às que motivaram a ADI 5529. No caso da Aprosoja, há ações na justiça baseadas na decisão do STF que seriam prejudicadas com a alteração proposta no PL.
Os riscos jurídicos do PL 5810/2025
A proposta enfrenta três grandes pontos de tensão. Um deles é o risco de reintrodução indireta do mecanismo declarado inconstitucional. Mesmo limitado a cinco anos, o acréscimo cria um prazo variável e dependente da atuação do INPI — exatamente a lógica rejeitada pelo STF.
Outro ponto que requer atenção é a transferência do custo da ineficiência estatal para terceiros. A compensação não corrige um dano sofrido pelo titular, mas prolonga o monopólio, afetando o SUS, que paga mais caro por medicamentos patenteados, e produtores rurais, que continuam pagando royalties por tecnologias cujo domínio público seria adiado.
O projeto de lei também representa potencial violação à função social da propriedade intelectual. A Constituição exige que a proteção patentária sirva ao interesse social. Extensões de prazo podem restringir o acesso a tecnologias essenciais, contrariando esse princípio.
Autor/Fonte: Aprosoja Brasil
Sustentabilidade
Risco de neve e transbordamentos marcam o início de julho; confira a previsão do tempo

A frente fria continua em atuação na região Sul nesta sexta-feira (3), mantendo o alerta para temporais em importantes áreas produtoras de soja no norte do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. A previsão indica chuvas volumosas, rajadas intensas de vento e possibilidade de queda de granizo.
O maior risco está concentrado no noroeste e norte do Rio Grande do Sul, onde o acumulado de chuva pode provocar transbordamentos de rios. A tendência é de que as precipitações comecem a perder força na metade sul do estado a partir deste sábado (4).
Enquanto isso, as regiões Sudeste e Centro-Oeste seguem sob influência de uma massa de ar seco, mantendo o tempo firme, quente e com baixa umidade. O frio deve avançar para o Sudeste ao longo do fim de semana, mas sem previsão de geadas.
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No Sul, as temperaturas permanecem baixas. Nesta sexta-feira (3), os termômetros podem se aproximar de 0°C em áreas de baixada do Rio Grande do Sul. A nebulosidade reduz o potencial para geadas mais amplas, embora o frio continue intenso.
A massa de ar polar segue influenciando a região Sul e mantém condições favoráveis para geadas, principalmente nas áreas mais elevadas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Também há possibilidade de neve nas serras gaúcha e catarinense.
No restante do país, a chuva permanece concentrada principalmente em Roraima. Segundo a previsão, as maiores mudanças no padrão das precipitações devem ocorrer apenas na segunda quinzena de julho.
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Sustentabilidade
Farsul alerta produtores sobre novas diretrizes no Crédito Rural – MAIS SOJA

A Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) emitiu, por meio de sua Assessoria Jurídica, nesta quarta-feira (01/07/2026), um alerta aos produtores rurais referente à entrada em vigor da Resolução CMN n° 5.314, de 25 de junho de 2026. A normativa altera dispositivos do Manual de Crédito Rural (MCR), especificamente no que se refere às regras para a prorrogação, ou alongamento, das operações de crédito.
O que muda na prática? Com a nova redação do item 2-6-4 do MCR, as instituições financeiras passam a ter autorização, por sua conveniência e decisão, para prorrogar operações de crédito mantendo os encargos financeiros originalmente pactuados. Para que o pedido seja analisado, o mutuário deve comprovar a dificuldade temporária de pagamento, que pode ser motivada por:
- Dificuldades na comercialização dos produtos;
- Frustração de safras por fatores adversos;
- Ocorrências prejudiciais ao desenvolvimento das explorações;
- Problemas no fluxo de caixa causados pelo impacto acumulado de perdas em safras anteriores devido a eventos climáticos.
Nesses casos, cabe à própria instituição financeira atestar a necessidade da prorrogação e verificar a capacidade de pagamento do produtor.
Orientações da Assessoria Jurídica Embora a alteração amplie a margem de decisão dos bancos na análise dos pedidos administrativos, a Assessoria Jurídica da Farsul destaca pontos cruciais para a classe produtora:
- Aplicação: O entendimento da federação é de que a mudança se aplica apenas a contratos firmados a partir desta data, 01/07/2026.
- Direito do Produtor: A Farsul reforça que permanecem vigentes os princípios constitucionais e as leis do crédito rural. Segundo o entendimento dos tribunais, caso o produtor comprove os requisitos necessários, o alongamento da dívida é um direito garantido, e não uma mera liberalidade do banco.
- Formalização: O produtor deve protocolar o pedido de prorrogação junto à instituição financeira, instruindo-o com documentos que comprovem a incapacidade temporária de pagamento – como laudos técnicos agronômicos – preferencialmente antes do vencimento da parcela ou da operação.
A Farsul ressalta que a medida surge em um cenário de preocupação do setor, marcado por perdas climáticas sucessivas, aumento do endividamento e desafios no acesso ao crédito. A entidade segue à disposição dos produtores para orientações adicionais.
Confira a Nota Técnica na íntegra, clicando aqui.
Fonte: Farsul
Sustentabilidade
Algodão recua em NY com vendas fracas dos EUA e pressão técnica – MAIS SOJA

A Bolsa de Mercadorias de Nova York (ICE Futures) para o algodão fechou com preços mais baixos nesta quinta-feira.
O mercado foi pressionado pelo desempenho das vendas semanais americanas e por fatores técnicos. As vendas líquidas norte-americanas de algodão (upland), referentes à temporada 2025/26, iniciada em 10 de agosto, ficaram em 49.000 fardos na semana encerrada em 25 de junho. O maior importador foi o Vietnã, com 23.200 fardos.
Para a temporada 2026/27, foram mais 44.100 toneladas. As informações são do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
Os contratos com entrega em dezembro/2026 fecharam a 77,12 centavos de dólar por libra-peso, baixa de 0,72 centavo, ou de 0,9%. Março/2027 fechou a 78,52 centavos, queda de 0,67 centavo, ou de 0,8%.
Fonte: Agência Safras
Autor:Lessandro Carvalho (lessandro@safras.com.br) / Agência Safras News
Site: Agência Safras
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