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23 de outubro de 2026

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Exportações de café do Brasil caem 31% em janeiro, indica Cecafé

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Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil

As exportações brasileiras de café começaram 2026 em ritmo mais lento. Dados do Cecafé mostram que o país embarcou 2,780 milhões de sacas de 60 kg em janeiro, volume 30,8% inferior ao registrado no mesmo mês de 2025. Em receita cambial, os embarques renderam US$ 1,175 bilhão, o que representa recuo de 11,7% na comparação anual.

Segundo o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, o desempenho reflete uma combinação de fatores de mercado. O movimento de baixa dos preços internacionais, observado desde janeiro e intensificado em fevereiro, aliado à valorização do real frente ao dólar, reduziu a competitividade do produto brasileiro. Além disso, o cenário doméstico também influenciou o fluxo de negócios com o exterior.

De acordo com Ferreira, os produtores seguem capitalizados após anos de preços firmes, o que diminui a pressão por vendas imediatas. Ao mesmo tempo, os estoques de café arábica permanecem limitados durante a entressafra, enquanto os cafés canéforas, como conilon e robusta, têm sido direcionados majoritariamente ao abastecimento do mercado interno. Esse conjunto de condições ajuda a explicar a retração mais acentuada nos volumes exportados.

A expectativa da entidade é de uma possível reação nos próximos meses. No caso dos cafés canéforas, a aproximação da nova safra, a partir de maio, pode favorecer a retomada dos embarques. Para o arábica, a perspectiva é semelhante, mas condicionada à entrada mais efetiva da safra 2026/27, prevista para o segundo semestre.

Arábica lidera, mas registra queda

O café arábica manteve a liderança nas exportações brasileiras em janeiro. Foram embarcadas 2,347 milhões de sacas, o equivalente a 84,4% do total exportado no mês. Apesar da predominância, o segmento apresentou retração de 29,1% em relação a janeiro do ano passado.

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Na sequência, o café solúvel respondeu por 9% das vendas externas, com 249.148 sacas enviadas ao exterior. O volume também recuou na comparação anual. Já os cafés canéforas (conilon e robusta) somaram 181.559 sacas, representando 6,5% do total e registrando queda de 45,6%.

O segmento de café torrado e torrado e moído teve participação residual. As exportações dessa categoria atingiram 2.317 sacas, mantendo baixa representatividade na pauta exportadora.

Alemanha e EUA lideram compras

A Alemanha permaneceu como o principal destino do café brasileiro em janeiro, com a importação de 391.704 sacas, o que corresponde a 14,1% dos embarques totais. Mesmo na liderança, o volume destinado ao país europeu recuou em relação ao ano anterior.

Os Estados Unidos aparecem na segunda posição, com 385.841 sacas adquiridas e participação de 13,9%. Na sequência, figuram Itália, Bélgica e Japão, completando o grupo dos cinco maiores compradores do produto brasileiro no período.

Cafés diferenciados

Os chamados cafés diferenciados, que incluem produtos de qualidade superior ou com certificações de sustentabilidade, responderam por 21,2% das exportações totais em janeiro. O Brasil embarcou 588.259 sacas dessa categoria, volume inferior ao observado no mesmo mês de 2025.

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A receita gerada pelos cafés especiais somou US$ 272,7 milhões, correspondendo a 23,2% do faturamento total obtido com as exportações de café no mês. A Alemanha também liderou as compras nesse segmento, seguida por Estados Unidos, Itália, Bélgica e Holanda.

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Estudo estima alta de até 49% na soja sem manejo fitossanitário

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Um estudo da Universidade Federal de Viçosa (UFV-MG), em cooperação técnico-científica com a CropLife Brasil, simulou um cenário extremo de ausência de controle de pragas, doenças e plantas daninhas na sojicultura. O levantamento indica perda média de 121,3 milhões de toneladas, valor econômico estimado em R$ 223,5 bilhões e alta potencial de até 49% no preço da soja. A pesquisa foi divulgada nesta sexta-feira (23), em São Paulo.

Segundo o estudo, a redução da oferta em relação à produção potencial pode chegar a cerca de 65% nos principais estados avaliados. O modelo também projeta contribuição de aproximadamente 0,26 ponto porcentual ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

O pesquisador Emerson Del Ponte, docente da UFV e doutor em Fitopatologia, afirmou que a metodologia converteu perdas de produtividade em quebra de oferta e, com elasticidades calibradas com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), estimou a alta no preço da soja e o repasse para alimentos.

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Pelos cálculos do estudo, uma elevação de 10% no preço da soja poderia resultar em aumentos de 4,6% no óleo de soja, 1,7% no leite e 1,1% nos ovos. A pesquisa destaca que a soja é matéria-prima do óleo e que o farelo é usado na alimentação animal, o que conecta o preço do grão aos custos de produção de leite, ovos e carnes.

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O trabalho também avaliou exportações e demanda por terra. Para repor o volume perdido em um cenário sem controle, seriam necessários 33,5 milhões de hectares adicionais, considerando a produtividade média de referência.

Foram realizadas 10 mil simulações por estado, com comparação entre ausência de controle, controle parcial e controle ótimo. No controle parcial, as medidas reduziriam em 40% os danos estimados sem controle. No controle ótimo, a redução considerada é de 80%. Com esses parâmetros, a perda média simulada cai para 72,8 milhões de toneladas no controle parcial e para 24,3 milhões de toneladas no controle ótimo.

A parceria entre UFV e CropLife Brasil, formalizada em setembro de 2025, prevê estudos sobre outras culturas de importância para a agricultura brasileira. No levantamento sobre soja, o cenário extremo foi usado para dimensionar os efeitos produtivos e econômicos associados ao manejo fitossanitário.

Fonte: Estadão Conteúdo

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CNA discute exportações, capacitação e sanidade da fruticultura em Juazeiro

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A Comissão Nacional de Fruticultura da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) se reuniu nesta quinta-feira (22), no Centro de Excelência em Fruticultura do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), em Juazeiro (BA), para discutir desafios e oportunidades das exportações de frutas e ações de formação profissional voltadas à cadeia produtiva. O encontro também tratou de manejo, controle de pragas e propostas para a atuação do centro.

Durante a reunião, os participantes apresentaram sugestões para fortalecer a fruticultura e debateram soluções ligadas ao manejo e ao controle de pragas nas culturas. A presidente da comissão, Mari Anna Batista, afirmou que o encontro buscou ampliar o intercâmbio de experiências e usar o trabalho desenvolvido no Vale do São Francisco como referência para atender demandas de outras regiões produtoras.

Representando a Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia (Faeb), Rui Dias destacou a organização da cadeia produtiva e a capacitação de jovens como pontos centrais. Segundo ele, o Centro de Excelência em Fruticultura tem papel na formação de mão de obra para o campo e na sucessão familiar.

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Na apresentação sobre os centros de excelência do Senar, a diretora de Operações da entidade, Monika Bergamaschi, informou que a instituição mantém atualmente quatro unidades: Fruticultura e Zootecnia, na Bahia; Bovinocultura de Corte, em Mato Grosso do Sul; e Café, em Minas Gerais. Ela afirmou ainda que o Senar prevê inaugurar, no início de 2027, o Centro de Excelência em Cana-de-Açúcar, em São Paulo, seguido por unidades de Bovinocultura de Leite, no Paraná, e de Grãos, em Mato Grosso.

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O diretor do Centro de Excelência em Fruticultura, Murillo Alencar Bezerra, apresentou o modelo de gestão educacional da unidade. Segundo ele, foram mapeados 12 desafios da cadeia, que orientaram 11 frentes de atuação em quatro eixos: sanidade e genética; sustentabilidade produtiva; valor e mercado; e conhecimento e pessoas. Entre os temas estão fitossanidade e pragas quarentenárias, melhoramento genético, bioinsumos, polinização, segurança hídrica, irrigação de precisão, fertilidade do solo, pós-colheita, comercialização e pesquisa. Para 2027, o centro prevê 775 novas matrículas em 29 turmas.

Ao final da programação, o coordenador de Inteligência Comercial e Defesa de Interesses da CNA, Felipe Spaniol, apresentou recomendações para fortalecer a competitividade da uva, do melão e da banana no mercado internacional. Segundo ele, as exportações brasileiras de frutas somaram US$ 1,17 bilhão de janeiro a setembro de 2026, alta de 17% sobre o mesmo período do ano passado. A agenda da comissão durou dois dias e incluiu visitas, na quarta-feira (21), às fazendas Grand Valle e Nova Neruda, na região, com foco na produção local e nos modelos de packing house das propriedades.

Fonte: cnabrasil.org.br

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Newcastle: MT não consegue suprir toda a demanda externa de frango de SC, avalia Imea

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A possibilidade de Mato Grosso ganhar espaço no mercado internacional de carne de frango após as restrições comerciais impostas a Santa Catarina esbarra na diferença de escala entre os dois estados. Embora as exportações mato-grossenses estejam em alta, o setor não conseguiria absorver imediatamente todos os pedidos que deixassem de ser atendidos pelos catarinenses, segundo análise do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

O tamanho dessa diferença aparece nos dados do primeiro semestre de 2026. Enquanto Santa Catarina embarcou mais de 646 mil toneladas de carne de frango, Mato Grosso exportou 56 mil toneladas, de uma produção de 224 mil toneladas. Ou seja, um quarto da carne de aves produzida no estado foi destinada ao exterior.

Para Felipe Andrade, que acompanha os setores de leite, aves e suínos no Imea, aumentar as vendas internacionais exigiria mudanças na destinação da produção. “Hoje, cerca de 25% do que produzimos é enviado ao mercado externo, então não seria viável substituir integralmente os volumes catarinenses no curto prazo”.

O desafio não é apenas produzir mais ou encontrar compradores. As empresas precisam ter condições de processamento e transporte, considerar os contratos já firmados e atender às exigências sanitárias de cada destino. Ao mesmo tempo, a produção mato-grossense continua abastecendo o mercado brasileiro.

Mercado externo impõe limites diferentes

A reação dos importadores ao foco de Newcastle em Santa Catarina não segue uma única regra. China, Chile e Arábia Saudita restringiram as compras de produtos avícolas provenientes do estado, enquanto o México suspendeu as importações de produtos avícolas de todo o Brasil.

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Essa diferença de alcance interfere nas possibilidades de Mato Grosso aproveitar a demanda. O México, por exemplo, respondeu por apenas 1.437 toneladas dos embarques estaduais entre janeiro e setembro, o equivalente a 1,59% do total. A suspensão nacional, portanto, tem participação limitada nas vendas mato-grossenses, mas impede a continuidade dos negócios com esse destino enquanto a medida estiver em vigor.

Outros mercados têm peso maior na pauta estadual. A Arábia Saudita comprou 27,34 mil toneladas de carne de frango de Mato Grosso nos nove primeiros meses do ano. Hong Kong e China somaram 10,77 mil toneladas, enquanto os Emirados Árabes Unidos receberam 10,37 mil toneladas.

No acumulado de janeiro a setembro, as exportações mato-grossenses chegaram a 90,12 mil toneladas, crescimento de 24,42% em relação ao mesmo intervalo de 2025. O avanço demonstra a ampliação dos embarques, mas não significa que todo esse volume possa ser aumentado ou redirecionado para atender aos compradores afetados pelas restrições. Como observa o Imea, a expansão depende também da capacidade operacional das agroindústrias e das habilitações sanitárias exigidas pelos países.

Ausência de casos não dispensa prevenção

Além das implicações comerciais, a ocorrência de Newcastle reforça a importância do monitoramento sanitário na avicultura. A doença viral é altamente contagiosa entre aves e pode provocar problemas respiratórios e neurológicos, queda na produção de ovos e mortalidade.

Em Mato Grosso, o Indea coletou amostras em 84 granjas comerciais em 2026. Todas tiveram resultados negativos para a enfermidade, conforme informações divulgadas pelo órgão nesta semana.

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Para o assessor técnico de Pecuária da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Marcos Carvalho, a prevenção precisa ser mantida mesmo sem registros recentes no estado. “É fundamental que os produtores mantenham as medidas de biosseguridade, observem a saúde das aves e comuniquem imediatamente ao Indea qualquer sinal suspeito”.

A orientação é notificar o serviço veterinário oficial diante de mortalidade acima do padrão ou de sinais respiratórios e neurológicos. Embora a Newcastle não represente risco significativo à saúde humana, a confirmação de focos pode resultar em restrições comerciais e prejuízos para a cadeia avícola.


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