Sustentabilidade
Cotações do milho seguem recuando em janeiro com safra de verão, vendas de estoques e dificuldade de crédito – MAIS SOJA

O mercado brasileiro de milho manteve o cenário de cotações em queda nesta última semana. Entre os fatores de pressão para os preços, estão a colheita da safra de verão os estoques de passagem significativos, com necessidade também de liberação de espaço em armazéns para a chegada da safra de soja e a dificuldade de crédito no país, fazendo com que os produtores tenham de vender para fazer caixa.
Como destaca o consultor de Safras & Mercado, Paulo Molinari, as colheitas de verão começaram, como sazonalmente ocorre, pelo Rio Grande do Sul, refletindo boas produtividades iniciais. Nas demais regiões, um residual estoque em poder do produtor, o qual tinha a visão de que em janeiro os preços poderiam subir, agora vem ao mercado para vendas na pré-colheita da soja. “O crédito caro e difícil, além da baixa condição de se alongar dívidas ou comprar insumos para a safrinha com financiamento ou prazo safra, vai levando os produtores a venderem o estoque da safra velha. Para o produtor, os preços de porto não ajudam e esta pressão interna de venda acaba repercutindo no preço de curto prazo”, aponta Molinari.
Ele salienta que, apesar da ótima exportação de 2025, a qual vai sendo concluída em janeiro 2026, esta pressão de venda de estoques remanescentes limita uma alta no curto prazo, mesmo porque a safra de verão tem bons potenciais. “Mas, isto não garante a tranquilidade do mercado até a safrinha 2026. Portanto, tão logo este movimento mais acentuado de venda diminua e a colheita da soja se inicie, o quadro de preços de mercado interno deverá se alterar novamente”, pondera, colocando que as cotações tendem a ter melhor sustentação com a chegada da soja.
Porém, observa que é preciso entender que o quadro brasileiro de 2026, reflete uma situação de liquidez e crédito mais difícil e implica, sempre, em pressão de venda nos produtos finais. “Nem mesmo as exportações dentro do esperado, mas, em bons volumes, tem conseguido provocar um enxugamento das ofertas neste mês de janeiro. Inicialmente, muitos produtores aguardaram para vender milho em janeiro, sob a expectativa de alta de preços, quando, na verdade, o foco para alguma alta esta na medida que a safra de soja iniciar a colheita e assumir toda a logística interna”, comenta.
Molinari indica que a frustração com a falta deste movimento de alta neste momento acelera a liquidação da safra velha até por necessidade de liquidez. “Depois, a safra do Rio Grande do Sul vai sendo colhida e surpreendendo em produtividades, já sugerindo que as médias podem ser recordes em que pese a estiagem de 20 dias ocorrida no final de novembro e início de dezembro”, destaca.
O dólar comercial na semana, entre as quintas-feiras 15 e 22 de janeiro, caiu de R$ 5,367 para R$ 5,2826, acumulando baixa de 1,6% no período.
No balanço desta semana, entre as quintas-feiras 15 e 22 de janeiro, o milho na base de venda em Cascavel, Paraná, caiu de R$ 64,00 a saca para R$ 63,50, perda de 0,8%. Em Campinas/CIF, o milho ficou estável na base de venda neste intervalo em R$ 68,50. Na região Mogiana paulista, o cereal permaneceu sem mudanças no comparativo semanal, em R$ 66,00 a saca.
Em Rondonópolis, Mato Grosso, a cotação baixou na base de venda na semana de R$ 64,50 para R$ 60,00 a saca, queda de 7%. Já em Erechim, Rio Grande do Sul, o preço caiu de R$ 68,00 para R$ 67,00 a saca (-1,5%).
Em Uberlândia, Minas Gerais, o preço na venda na semana desceu de R$ 64,50 para R$ 63,50 a saca (-1,5%). E em Rio Verde, Goiás, o preço na venda recuou no comparativo semanal de R$ 62,00 para R$ 60,00 (-3,2%).
No Porto de Paranaguá/Paraná, preço recuando na base de venda na semana de R$ 72,00 para R$ 70,00 a saca (-2,8%). No Porto de Santos/São Paulo, cotação caindo de R$ 72,00 para R$ 71,00 (-1,4%).
Fonte: Lessandro Carvalho / Agência Safras News
Sustentabilidade
Trigo fecha em baixa em Chicago com dólar forte e perspectiva de ampla oferta global – MAIS SOJA

A Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) para o trigo encerrou a sessão desta quinta-feira (18) em baixa, pressionada pela valorização do dólar e pelas perspectivas de ampla oferta global. Ainda assim, o contrato julho acumulou ganho de 3,24% na semana.
O mercado foi pressionado pela valorização do dólar frente às principais moedas e pelas perspectivas de ampla oferta global de trigo. O índice do dólar atingiu o maior nível em um ano após a reunião de política monetária do Federal Reserve reforçar as expectativas de elevação dos juros nos Estados Unidos.
A valorização da moeda norte-americana reduziu a competitividade do trigo dos Estados Unidos no mercado internacional, tornando o cereal mais caro para os compradores externos. Também pesou sobre as cotações a expectativa de uma grande safra na Rússia, principal exportadora mundial de trigo.
Operadores também ajustaram posições antes do feriado de Juneteenth nos Estados Unidos, que manterá os mercados de Chicago fechados nesta sexta-feira (19). Além disso, a queda do petróleo contribuiu para o movimento negativo observado ao longo da sessão.
O cenário de ampla disponibilidade global continuou limitando o impacto positivo da demanda observada recentemente em licitações internacionais. A agência estatal de grãos da Argélia (OAIC) comprou mais de 800 mil toneladas de trigo de moagem em uma licitação internacional encerrada nesta quarta-feira (18), segundo traders europeus.
As vendas líquidas norte-americanas de trigo para a temporada comercial 2026/27, iniciada em 1º de junho, somaram 400.800 toneladas na semana encerrada em 11 de junho, conforme dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O principal destino foi o Japão, com 167.400 toneladas. Para a temporada 2027/28, foram registradas vendas adicionais de 26.900 toneladas. O volume ficou dentro da faixa esperada pelo mercado, de 300 mil a 650 mil toneladas considerando as duas temporadas.
Os contratos com entrega em julho fecharam cotados a US$ 6,05 3/4 por bushel, com baixa de 7,00 centavos de dólar, ou 1,14%, em relação ao fechamento anterior. Já os contratos com vencimento em setembro encerraram a US$ 6,14 por bushel, com queda de 7,25 centavos de dólar, ou 1,16%.
Fonte: Agência Safras
Autor:Luciana Abdur – luciana.abdur@safras.com.br (Safras News)
Site: Agência Safras
Sustentabilidade
Sem Chicago, mercado de soja encerra semana travado; saiba como ficaram os preços

O mercado brasileiro de soja encerrou a semana sem movimentações relevantes. De acordo com o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, a ausência de negociações na Bolsa de Chicago impediu uma formação mais efetiva dos preços ao longo desta sexta-feira. Segundo ele, as cotações observadas foram basicamente nominais, servindo apenas como referência para os agentes do mercado.
Silveira destaca que não houve registro de negociações expressivas ou de grandes lotes ao longo do dia. “A semana fechou sem volumes importantes rodando”, resume.
Cotações de soja
- Passo Fundo (RS): manteve em R$ 127,00
- Santa Rosa (RS): manteve em R$ 128,00
- Cascavel (PR): manteve em R$ 121,50
- Rondonópolis (MT): manteve em R$ 113,00
- Dourados (MS): manteve em R$ 115,00
- Rio Verde (GO): manteve em R$ 116,00
- Paranaguá (PR): manteve em R$ 132,50
- Rio Grande (RS): manteve em R$ 134,00
Câmbio
No câmbio, o dólar comercial encerrou a sessão com queda de 0,19%, cotado a R$ 5,1640 para venda e a R$ 5,1620 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana variou entre R$ 5,1325 e R$ 5,1685. Apesar da baixa desta sexta-feira, a divisa acumulou valorização de 2,08% na semana.2,08% na semana.
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Sustentabilidade
Ceema/Unijuí: Mercado da soja opera entre a volatilidade externa e o avanço da safra americana – MAIS SOJA

Em Chicago, as cotações da soja, após despencarem a partir do dia 02/06, quando o bushel chegou a US$ 11,13 nos dias 09 e 12 (a mais baixa cotação desde o dia 09/02/26), ensaiaram uma recuperação nesta semana, com o bushel alcançando US$ 11,32 no dia 17/06, para o primeiro mês cotado. Já o fechamento desta quinta-feira (18) ficou em US$ 11,22/bushel, contra US$ 11,15 uma semana antes.
Além da possibilidade de um acordo de cessar-fogo na guerra do Oriente Médio, o mercado esteve pressionado pelo clima positivo nos EUA, para a nova safra, e de olho nos juros daquele país. A manutenção do juro básico em 3,5% a 3,75% aa por lá leva muitos investidores, que esperavam um aumento nos mesmos, a buscarem comprar contratos de commodities, dentre eles o de soja, o que faz o bushel subir de valor.
Além disso, houve rumores de que a China estaria para comprar soja dos EUA, novamente. Lembrando, ainda, que no dia 30/06 teremos o relatório de área final semeada nos EUA, o que poderá definir a tendência das cotações para julho. Por outro lado, o plantio da soja nos EUA, até o dia 14/06, atingia a 95% da área prevista, contra 93% na média. Do total semeado, 88% das lavouras estavam germinadas. Soma-se a isso o fato de que a qualidade das lavouras melhorou na semana, com 66% das mesmas estando entre boas a excelentes, após recuarem para 65% na semana anterior. Outros 28% das lavouras estavam regulares e 6% ruins ou muito ruins.
Dito isso, na semana encerrada em 11 de junho, os EUA embarcaram 522.687 toneladas de soja, ficando dentro das expectativas do mercado. Em todo o atual ano comercial o volume embarcado totaliza 36,6 milhões de toneladas, ainda 20% a menos do que no mesmo período do ano anterior.
Já a Associação Nacional dos Processadores de Oleaginosas dos EUA informou que o esmagamento de soja no país, em maio, atingiu a 5,68 milhões de toneladas da oleaginosa, enquanto a projeção do mercado era de 5,77 milhões. Apesar de ficar abaixo do esperado, o volume é 8% maior do que no mesmo mês de 2025. Enquanto isso, os estoques de óleo de soja nos Estados Unidos estavam em 1,74 bilhão de libras, sendo 26% maiores do que um ano atrás.
Por sua vez, o acordo entre os EUA e o Irã para o término da guerra, que parece finalmente se consolidar, é positivo para os mercados e a economia mundial. Se ele for mantido, o mercado terá mais estabilidade a partir de agora, embora possa haver recuo nos valores da soja devido ao recuo nos preços do óleo de soja em Chicago, puxados pelo recuo nas cotações mundiais do petróleo. Tanto é verdade que o fechamento do óleo de soja, em Chicago, no dia 18/06, ficou em 69,69 centavos de dólar por librapeso, rompendo o piso dos 70,00 centavos pela primeira vez desde o dia 20 de abril passado. Todavia, por enquanto, a volatilidade do mercado não foi totalmente eliminada, pois há dúvidas quanto a eficácia do acordo.
Soma-se a isso as especulações climáticas sobre a safra dos EUA, pois as tendências indicariam, para julho, um clima um pouco mais seco nas regiões produtoras de soja daquele país. Enfim, no Brasil o mercado se mantém estável, com o câmbio girando entre R$ 5,05 e R$ 5,15 por dólar durante a semana. Assim, os preços, nas principais praças gaúchas, ficaram em R$ 114,00/saco, enquanto nas demais praças nacionais os mesmos giraram entre R$ 102,00 e R$ 114,00/saco.
Dito isso, a Conab, em seu boletim mensal de junho, trouxe a safra brasileira de 2025/26 para 180,2 milhões de toneladas, contra 171,5 milhões um ano antes. Isso representa um aumento de 5,1%. O Rio Grande do Sul, às voltas com nova estiagem, acabou colhendo 18,6 milhões de toneladas, contra 16,6 milhões no ano anterior, destacando que outras entidades gaúchas (Emater e iniciativa privada) avançam pouco mais de 13 milhões de toneladas colhidas no ano anterior. Segundo, ainda, a Conab, a produtividade média brasileira ficou em 61,9 sacos/hectare em 2025/26, enquanto a gaúcha atingiu a apenas 46,2 sacos.
Enfim, a exportação brasileira total de soja, em junho, está estimada em 15,3 milhões de toneladas segundo a Anec. Se confirmados, tais embarques cresceriam 1,5 milhão de toneladas em relação a junho do ano anterior.

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).

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