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Janela apertada e clima irregular desafiam o milho segunda safra em Mato Grosso

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

A irregularidade do clima e o encurtamento da janela de plantio colocam pressão sobre o milho segunda safra em Mato Grosso. Com a colheita da soja avançando de forma desigual, produtores aceleram o ritmo no campo e apostam no cereal como alternativa para sustentar a rentabilidade, mesmo diante do aumento dos custos e do risco de perdas produtivas.

Em Sinop, no médio-norte do estado, a estratégia é clara: colher e plantar quase ao mesmo tempo. O agricultor Célio Riffel acompanha a maturação da soja com atenção, sabendo que qualquer atraso pode comprometer a janela do milho e, junto com ela, a rentabilidade da fazenda.

Boa parte da lavoura já entrou na fase final, e as áreas mais precoces já foram colhidas. Segundo Célio, a antecipação do plantio foi decisiva neste ciclo. “Geralmente era depois do dia 5 de outubro que chovia para poder começar e esse ano começou mais cedo. Esses 30% que foram colhidos agora é o que foi plantado mais cedo”, comenta ao projeto Mais Milho.

Apesar do avanço, os primeiros resultados da colheita não confirmaram a expectativa inicial. O clima adverso marcou o início do ciclo e impactou a produtividade. “Depois do dia 25, 26 de setembro deu um veranico até dia 7, 8 de outubro. Voltou a chover e finalizamos no dia 18 de outubro. [A produtividade está] 7%, 8% abaixo da média do ano passado, mas vamos ver. Quem sabe melhora daqui para frente”.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Corrida contra o calendário

O trabalho adiantado na soja acabou abrindo espaço para a segunda safra. Nesta temporada, o milho deve ocupar cerca de 940 hectares da propriedade, e aproximadamente 30% da área já foi semeada, um ritmo mais acelerado que em anos anteriores.

Célio explica ao Canal Rural Mato Grosso que, tradicionalmente, o plantio começava no fim de janeiro, mas em 2026 o cronograma foi antecipado. “Geralmente a gente começava o plantio do milho no final de janeiro e hoje já estamos no dia 19 e já estamos com 30% da área plantada. É torcer para o clima ir bem, porque a gente sempre tem um olho na terra e o outro no céu”. Conforme ele, a decisão foi plantar o milho junto com o início da colheita da soja, tocando as duas operações ao mesmo tempo.

Além do calendário, o cenário regional também pesa na escolha. O agricultor destaca que a demanda do setor industrial tem fortalecido a cultura. “Com essas usinas, o milho tem sido melhor em lucratividade que a soja. Esse ano vai começar outra usina de etanol aqui em Sinop. Já está em fase bem adiantada para começar a operar”.

Custos, risco e papel do milho

Mesmo com maior atratividade, o custo de produção segue como um dos principais pontos de atenção. “Tem que colher bem. Adubo subiu muito, semente, mas principalmente fertilizante, que aumentou muito da safra passada para cá, e o preço está estagnado há anos, vem até baixando. Se colher mal é certo que vai ficar no vermelho”, afirma Célio, ao destacar que o manejo e a sanidade da lavoura são decisivos para fechar a conta.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

De acordo com o presidente do Sindicato Rural de Sinop, Ilson José Redivo, o milho tem sido uma alternativa importante para o produtor e também para o sistema produtivo como um todo. “O milho tem sido uma cultura que tem ajudado o produtor, por isso o produtor tem arriscado mais, acelerado bastante no plantio da soja para criar uma janela melhor para o plantio da segunda safra, visando ter bons resultados com a cultura do milho”.

Ele ressalta ainda o papel agronômico da cultura: “O produtor tem que fazer uma cobertura de solo, ela ajuda no melhoramento do solo, faz uma boa palhada para uma nova planta de soja”.

Apesar dos esforços no campo, o cenário não é homogêneo em Mato Grosso. Conforme a Aprosoja Mato Grosso, nem todas as regiões conseguiram aproveitar uma janela ideal para o plantio do milho segunda safra, e o atraso pode comprometer o potencial produtivo em diversas áreas.

O presidente da entidade, Lucas Costa Beber, explica que parte dos produtores deve plantar fora do período recomendado. “Muitos produtores haviam sim comprado a semente, mas muitos vão plantar fora da janela. No estado, na média, teve um plantio muito longo. O plantio do milho vai ser mais atrasado que o ano passado, então também dificilmente nós chegaremos às médias que tivemos o ano passado na cultura do milho, só se o clima novamente surpreender de forma positiva, fora da média daquilo que ocorre”.

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STF adia julgamento sobre compra de terras rurais por empresas com capital estrangeiro

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Foto: Senado Federal/divulgação

O Supremo Tribunal Federal (STF) deu continuidade, nesta quinta-feira (19), ao julgamento de duas ações que discutem as regras para aquisição de terras rurais por empresas brasileiras controladas por capital estrangeiro. A análise, iniciada no dia anterior, foi suspensa após pedido de vista do ministro Alexandre de Moraes, que solicitou mais tempo para avaliar o caso e indicou que deve devolvê-lo ao plenário na próxima semana.

A Corte formou maioria de 5 a 0 a favor da manutenção das restrições previstas na Lei nº 5.709/1971, que limita a compra de imóveis rurais por estrangeiros e empresas nacionais com controle externo. Votaram nesse sentido o relator original, Marco Aurélio, além dos ministros Gilmar Mendes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Nunes Marques.

Os ministros analisam duas ações. A ADPF 342, apresentada em 2015 pela Sociedade Rural Brasileira (SRB), questiona a constitucionalidade da lei, sob o argumento de que a norma impõe tratamento desigual a empresas brasileiras com capital estrangeiro, o que violaria princípios como livre iniciativa, direito de propriedade e desenvolvimento nacional.

Já a ACO 2.463 foi proposta pela União e pelo Incra, com o objetivo de anular um parecer da Corregedoria-Geral de Justiça de São Paulo que dispensava cartórios de cumprir as regras previstas na legislação para aquisição de terras por estrangeiros.

Nos votos já proferidos, prevalece o entendimento de que a lei é compatível com a Constituição e que a imposição de limites à compra de terras atende a interesses estratégicos, como a soberania nacional e o controle sobre recursos naturais. Apesar da maioria formada, o julgamento ainda não foi concluído e poderá ter novos desdobramentos após o retorno do processo ao plenário.

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Boi gordo sobe com oferta restrita e dificuldade nas escalas de abate

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Reprodução Canal Rural

A dificuldade de composição das escalas de abate segue impactando o mercado do boi gordo no Brasil e sustentando a alta dos preços. O cenário é marcado por uma oferta ainda restrita de animais terminados no curto prazo, o que mantém o mercado firme ao longo de março.

De acordo com a analista da Datagro, Beatriz Bianchi, as escalas chegaram a apresentar uma leve reação na última semana, mas voltaram a recuar nos últimos dias. O comportamento está diretamente ligado às condições climáticas. “As chuvas até a metade de março surpreenderam positivamente e contribuíram para uma maior retenção do gado no pasto, além de favorecer a capacidade de suporte das pastagens”, explica.

No mercado interno, o consumo de carne bovina ainda se mostra resiliente. No entanto, já há sinais de maior sensibilidade do consumidor diante dos preços elevados. Mesmo com a carcaça casada no atacado paulista em patamares altos, foram observados recuos recentes, refletindo a dificuldade de absorção de preços mais elevados. “Isso sugere uma maior sensibilidade do consumidor brasileiro a cotações muito altas da carne bovina, além da competitividade de proteínas concorrentes, como carne suína e de frango”, afirma a analista.

O mercado externo segue como um dos principais pilares de sustentação. As parciais de março indicam crescimento tanto no volume exportado quanto na valorização da tonelada embarcada. “O mercado externo tem sido extremamente importante para essa sustentação, com avanço no volume exportado e na valorização da tonelada”, conclui Beatriz Bianchi.

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Boi gordo sobe com oferta restrita e indústrias elevam preços no país

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Foto: Semagro/MS

O mercado físico do boi gordo voltou a registrar negócios acima da média nacional nesta quinta-feira, impulsionado pela oferta restrita de animais terminados. As escalas de abate seguem encurtadas, entre cinco e sete dias úteis, o que tem levado as indústrias a aumentarem os preços pagos pela arroba em diversas regiões do país.

De acordo com o analista da Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, o cenário de curto prazo ainda exige atenção. Fatores externos, como a guerra no Oriente Médio, seguem no radar, assim como a evolução da demanda chinesa, principal destino da carne bovina brasileira, o que pode influenciar o fluxo de exportações ao longo do ano.

Preços no Brasil

  • São Paulo (SP): R$ 351,08 por arroba
  • Goiás (GO): R$ 338,75 por arroba
  • Minas Gerais (MG): R$ 340,29 por arroba
  • Mato Grosso do Sul (MS): R$ 338,41 por arroba
  • Mato Grosso (MT): R$ 343,38 por arroba

Atacado

No mercado atacadista, os preços apresentaram comportamento misto. A segunda quinzena do mês costuma ter consumo mais fraco, o que reduz o ritmo de reposição. Além disso, a carne bovina enfrenta maior concorrência de proteínas mais baratas, especialmente a carne de frango.

Entre os cortes, o quarto dianteiro foi cotado a R$ 20,60 por quilo, com alta de R$ 0,10. O quarto traseiro permaneceu em R$ 27,00 por quilo, enquanto a ponta de agulha recuou para R$ 18,90 por quilo, com queda de R$ 0,10.

Câmbio

No câmbio, o dólar comercial encerrou o dia em baixa de 0,49%, cotado a R$ 5,2171 para venda, após oscilar entre R$ 5,2021 e R$ 5,3136 ao longo da sessão.

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