Business
Janela apertada e clima irregular desafiam o milho segunda safra em Mato Grosso

A irregularidade do clima e o encurtamento da janela de plantio colocam pressão sobre o milho segunda safra em Mato Grosso. Com a colheita da soja avançando de forma desigual, produtores aceleram o ritmo no campo e apostam no cereal como alternativa para sustentar a rentabilidade, mesmo diante do aumento dos custos e do risco de perdas produtivas.
Em Sinop, no médio-norte do estado, a estratégia é clara: colher e plantar quase ao mesmo tempo. O agricultor Célio Riffel acompanha a maturação da soja com atenção, sabendo que qualquer atraso pode comprometer a janela do milho e, junto com ela, a rentabilidade da fazenda.
Boa parte da lavoura já entrou na fase final, e as áreas mais precoces já foram colhidas. Segundo Célio, a antecipação do plantio foi decisiva neste ciclo. “Geralmente era depois do dia 5 de outubro que chovia para poder começar e esse ano começou mais cedo. Esses 30% que foram colhidos agora é o que foi plantado mais cedo”, comenta ao projeto Mais Milho.
Apesar do avanço, os primeiros resultados da colheita não confirmaram a expectativa inicial. O clima adverso marcou o início do ciclo e impactou a produtividade. “Depois do dia 25, 26 de setembro deu um veranico até dia 7, 8 de outubro. Voltou a chover e finalizamos no dia 18 de outubro. [A produtividade está] 7%, 8% abaixo da média do ano passado, mas vamos ver. Quem sabe melhora daqui para frente”.

Corrida contra o calendário
O trabalho adiantado na soja acabou abrindo espaço para a segunda safra. Nesta temporada, o milho deve ocupar cerca de 940 hectares da propriedade, e aproximadamente 30% da área já foi semeada, um ritmo mais acelerado que em anos anteriores.
Célio explica ao Canal Rural Mato Grosso que, tradicionalmente, o plantio começava no fim de janeiro, mas em 2026 o cronograma foi antecipado. “Geralmente a gente começava o plantio do milho no final de janeiro e hoje já estamos no dia 19 e já estamos com 30% da área plantada. É torcer para o clima ir bem, porque a gente sempre tem um olho na terra e o outro no céu”. Conforme ele, a decisão foi plantar o milho junto com o início da colheita da soja, tocando as duas operações ao mesmo tempo.
Além do calendário, o cenário regional também pesa na escolha. O agricultor destaca que a demanda do setor industrial tem fortalecido a cultura. “Com essas usinas, o milho tem sido melhor em lucratividade que a soja. Esse ano vai começar outra usina de etanol aqui em Sinop. Já está em fase bem adiantada para começar a operar”.
Custos, risco e papel do milho
Mesmo com maior atratividade, o custo de produção segue como um dos principais pontos de atenção. “Tem que colher bem. Adubo subiu muito, semente, mas principalmente fertilizante, que aumentou muito da safra passada para cá, e o preço está estagnado há anos, vem até baixando. Se colher mal é certo que vai ficar no vermelho”, afirma Célio, ao destacar que o manejo e a sanidade da lavoura são decisivos para fechar a conta.

De acordo com o presidente do Sindicato Rural de Sinop, Ilson José Redivo, o milho tem sido uma alternativa importante para o produtor e também para o sistema produtivo como um todo. “O milho tem sido uma cultura que tem ajudado o produtor, por isso o produtor tem arriscado mais, acelerado bastante no plantio da soja para criar uma janela melhor para o plantio da segunda safra, visando ter bons resultados com a cultura do milho”.
Ele ressalta ainda o papel agronômico da cultura: “O produtor tem que fazer uma cobertura de solo, ela ajuda no melhoramento do solo, faz uma boa palhada para uma nova planta de soja”.
Apesar dos esforços no campo, o cenário não é homogêneo em Mato Grosso. Conforme a Aprosoja Mato Grosso, nem todas as regiões conseguiram aproveitar uma janela ideal para o plantio do milho segunda safra, e o atraso pode comprometer o potencial produtivo em diversas áreas.
O presidente da entidade, Lucas Costa Beber, explica que parte dos produtores deve plantar fora do período recomendado. “Muitos produtores haviam sim comprado a semente, mas muitos vão plantar fora da janela. No estado, na média, teve um plantio muito longo. O plantio do milho vai ser mais atrasado que o ano passado, então também dificilmente nós chegaremos às médias que tivemos o ano passado na cultura do milho, só se o clima novamente surpreender de forma positiva, fora da média daquilo que ocorre”.

+Confira mais notícias do projeto Mais Milho no site do Canal Rural
+Confira mais notícias do projeto Mais Milho no YouTube
Clique aqui, entre em nosso canal no WhatsApp do Canal Rural Mato Grosso e receba notícias em tempo real.
O post Janela apertada e clima irregular desafiam o milho segunda safra em Mato Grosso apareceu primeiro em Canal Rural Mato Grosso.
Business
Brasil já registra 144 casos de ferrugem asiática na safra 25/26

A safra de soja 25/26 no Brasil já registra 144 casos de ferrugem asiática e o sinal amarelo está aceso na Bahia, pois a doença foi identificada recentemente no estado. Especialistas da Embrapa Soja alertam para a circulação de esporos e recomendam o uso de fungicidas e monitoramento constante.
O Paraná concentra a maior parte das ocorrências, reflexo tanto das condições climáticas favoráveis à doença quanto da ampla estrutura de monitoramento no estado.
- Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News!
De acordo com a pesquisadora da Embrapa Soja, Claudine Seixas, é fundamental analisar não apenas o número de focos, mas o estágio de desenvolvimento das lavouras no momento da detecção da doença. No caso da Bahia, por exemplo, o foco foi identificado em uma área no estágio R7, fase em que a ferrugem já não provoca perdas produtivas.
“N Bahia, ela já está na fase de maturação, fase em que a doença já não vai provocar perdas nesta lavoura, mas esse relato serve de alerta para lavouras vizinhas indicando que o fungo está presente. As lavouras menos adiantadas devem receber a aplicação de fungicida para reduzir o risco de perdas pela doença”, explica Claudine Seixas.
Inverno úmido
No Sul do país, o inverno mais úmido favoreceu a permanência de plantas de soja voluntária no campo, aumentando a circulação do fungo e elevando o risco de ocorrência precoce da ferrugem. Mesmo assim, a maioria dos casos no Paraná foi registrada em lavouras no estágio R5, de enchimento de grãos.
“Quanto mais tarde acontece a doença, menor o risco de perda de produtividade pela ferrugem”, afirma a pesquisadora.
Controle fitossanitário
Especialistas da Embrapa Soja ressaltam, que o volume de casos não significa, necessariamente, perda de controle da ferrugem.
Claudine Seixas, afirma que situações de falha no manejo costumam ocorrer quando há atraso na aplicação dos fungicidas, chuvas prolongadas que impedem a entrada nas lavouras ou quando o controle é feito apenas de forma calendarizada, sem acompanhamento da evolução da doença.
“Perdas de controle, atualmente, acontecem em situações bem específicas, por conta já de todo esse preparo e esse conhecimento de técnicos dos produtores a respeito da ferrugem asiática”, conclui a pesquisadora.
O post Brasil já registra 144 casos de ferrugem asiática na safra 25/26 apareceu primeiro em Canal Rural.
Business
Clima e colheita moldam o ritmo do mercado de soja no início de fevereiro

O mercado de soja chegou à última semana de janeiro com atenção redobrada ao clima e ao avanço da colheita no Brasil. Segundo a plataforma Grão Direto, no Centro-Oeste, as janelas de tempo mais favoráveis permitiram o avanço das máquinas e deram ritmo à colheita em campo.
Em contraste, o Rio Grande do Sul segue sob monitoramento constante em razão dos efeitos do La Niña, com chuvas irregulares e temperaturas elevadas que vêm causando estresse às lavouras em fases reprodutivas.
• Fique por dentro das novidades e notícias recentes sobre a soja! Participe da nossa comunidade através do link! 
Com a colheita ganhando velocidade nos principais estados produtores, o mercado encerrou o período pressionado pela maior entrada de oferta. Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros da soja testaram suportes relevantes, com o vencimento março operando próximo de US$ 10,64 por bushel. A chegada da nova safra, especialmente em Mato Grosso, reforçou a pressão sazonal típica deste momento do ano, limitando movimentos de alta mais consistentes no mercado internacional.
No cenário doméstico, a Grainsights, plataforma de Inteligência de Mercado da Grão Direto, apontou recuo nos preços praticados nos portos ao longo da semana. O dólar encerrou o período ao redor de R$ 5,25, após dias de forte volatilidade influenciada por fatores internos e externos, com destaque para as decisões de juros anunciadas na quarta-feira, que ditaram o tom das oscilações cambiais.
A leve baixa em Chicago, combinada com um câmbio mais estável e em patamar inferior, resultou em comportamentos distintos dos prêmios portuários. O Índice Soja FOB Santos -Grão Direto apresentou estabilidade e fechou a semana em R$ 128,27, com leve recuo.
Já o Índice Soja FOB Rio Grande – Grão Direto terminou cotado a R$ 130,90, também em queda no período. O acompanhamento diário desses indicadores está disponível na plataforma Grainsights.
O que esperar para fevereiro?
Para a primeira semana de fevereiro, o foco do mercado se volta para a logística e para o clima no Brasil. As previsões indicam chuvas acima da média no Centro-Oeste e no Sudeste, o que pode comprometer o ritmo da colheita em estados como Mato Grosso e dificultar o escoamento da produção. Caso se confirmem, essas condições tendem a elevar os custos de frete e podem sustentar prêmios mais firmes nos portos, diante da maior dificuldade de originação rápida.
No campo macroeconômico, a atenção se concentra nos Estados Unidos, com a divulgação do relatório de emprego, que pode influenciar o comportamento do dólar e, consequentemente, das commodities negociadas em Chicago.
No Brasil, o mercado acompanha a Ata do Copom em busca de sinais sobre os próximos passos da política monetária. Soma-se a esse cenário a proximidade do feriado do Ano Novo Lunar na China, período em que tradicionalmente há redução no ritmo de novos negócios.
O post Clima e colheita moldam o ritmo do mercado de soja no início de fevereiro apareceu primeiro em Canal Rural.
Business
É verdade que o peão terá de substituir o tradicional chapéu por um capacete?

Trabalhadores rurais precisarão substituir o chapéu, símbolo cultural máximo da vida no campo e aliado de primeira hora da tão necessária sombra, por um capacete de proteção, igual àqueles usados em canteiros de obras? Algumas matérias em portais de notícias e uma grande quantidade de posts em redes sociais dizem que sim, mas a história não é bem essa.
Textos pela internet destacam que dispositivos publicados recentemente ou até uma nova interpretação da Norma Regulamentadora 31 – Segurança e Saúde no Trabalho na Agricultura, Pecuária, Silvicultura, Exploração Florestal e Aquicultura (NR-31) impõem essa obrigação. Contudo, não há nada de novo a respeito da lei, publicada em 2005 e com última atualização em março de 2024 — que não aborda o tema.
O assunto ganhou repercussão após um acidente em uma propriedade rural no Tocantins envolvendo um peão que se acidentou. Na ocasião, um auditor fiscal do trabalho que visitou a fazenda para a perícia autuou o proprietário pela falta de Equipamento de Proteção Individual (EPI) de seu funcionário. Assim, esse caso isolado passou a ser interpretado como se representasse uma nova regra válida para todo o país.
Diante da polêmica, uma das entidades que veio a público para desfazer o mal-entendido foi a Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg). A assessora jurídica da entidade, Rosirene Curado, ressalta que continuam valendo as normas já existentes sobre segurança e saúde no trabalho rural e sobre EPIs sem qualquer inclusão recente que obrigue o uso de capacete em atividades como o pastoreio.
Segundo ela, o uso do capacete de proteção já é previsto, mas apenas em situações específicas, quando há risco real de queda de objetos ou impacto sobre a cabeça do trabalhador, como em trabalhos em silos, construções, reformas e outras atividades dentro da propriedade que apresentem esse tipo de perigo.
Ou seja, em casos assim, a exigência não é nova e faz parte da análise técnica de riscos realizada pelo profissional de segurança do trabalho no Programa de Gerenciamento de Riscos da fazenda.
De acordo com ela, no caso da fazenda em Tocantins, é provável que o auto de infração seja desqualificado no Ministério do Trabalho ou na Justiça do Trabalho.
Rosirene também chama atenção para a confusão entre capacete de proteção individual e capacete de trânsito. Em propriedades onde o trabalhador realiza o pastoreio com motocicleta, o uso do capacete é obrigatório, mas por força das regras de trânsito, e não da legislação trabalhista rural. “É diferente de exigir capacete de construção civil para o pastoreio”, detalha.
A assessora jurídica da Faeg reforça que o uso de EPI na atividade rural continua sendo definido conforme o risco de cada tarefa. “Vai ser exigido capacete quando o trabalhador estiver em silo, em construção, onde há risco de queda de objetos. Isso já está previsto. Agora, sair para o pastoreio e ter que usar capacete de construção civil? Não.
Interpretação da portaria
O presidente da Comissão de Agricultura e Pecuária da Câmara dos Deputados, Rodolfo Nogueira (PL-MS), apresentou um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) que tem o objetivo de sustar os efeitos da portaria MTE nº 104/2026, editada pelo Ministério do Trabalho, que, na opinião do parlamentar, obrigada o produtor a substituir o chapéu pelo capacete em todas as atividades no campo.
Nogueira diz que embora o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs) já esteja previsto na legislação, a portaria alterou a Norma Regulamentadora nº 28 (NR-28), responsável por definir penalidades. Na avaliação dele, tal mudança acabaria ampliando a margem de interpretação dos fiscais e puxando uma aplicação mais rígida da NR-31.
- Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News!
Para o deputado, a medida gera insegurança jurídica aos produtores. “O fiscal passa a ter margem para multar com base apenas na sua interpretação de risco, inclusive em situações tradicionais do trabalho rural, como o peão a cavalo, em terreno plano, com animal manso”, afirmou.
O deputado também criticou o que chama de “caráter arrecadatório da medida”. Para ele, a portaria não tem foco educativo, mas amplia a chamada “indústria da multa”, penalizando o produtor rural em um momento de forte pressão econômica sobre o setor.
‘A discussão deveria ser outra’
A engenheira de Segurança do Trabalho e instrutora do Senar em cursos sobre a NR-31, Carolina Melo Prudente, também enfatiza que a norma não proíbe o uso do chapéu tradicional, mas determina que ele não substitui o capacete quando há risco de impacto, queda ou acidente. “Nessas situações, o capacete de segurança deve ser usado e, se não for, pode haver multa e responsabilidade para o empregador”, diz.
Entretanto, ela ressalta que a discussão trazida pelos atuais boatos não deveria se limitar à substituição de um acessório tradicional pelo capacete, mas sim levantar a necessidade de avaliar os índices de acidentes envolvendo quedas de cavalo e impactos na cabeça, bem como as consequências desses eventos para a saúde do trabalhador.
“Não é só ‘trocar o chapéu por capacete’ por implicância ou para acabar com a tradição. É olhar para o risco real da atividade e pensar em segurança. Quem lida com cavalo sabe que queda acontece, às vezes por um susto do animal, pelo terreno irregular, por escorregão, mesmo um peão experiente não está livre disso”, contextualiza.
Ela destaca que o capacete de segurança tem como principal função a proteção da cabeça, auxiliando na prevenção de lesões graves decorrentes de acidentes, como traumatismos cranianos. “Em uma queda, a cabeça é uma das partes mais vulneráveis, e o capacete ajuda justamente ao absorver impacto e reduzir a gravidade de um possível trauma na cabeça.”
Para ela, o desafio está em encontrar um equilíbrio entre a preservação da tradição e a adoção de medidas que aumentem a segurança, buscando soluções que protejam o peão sem desconsiderar a identidade cultural do trabalho no campo.
O post É verdade que o peão terá de substituir o tradicional chapéu por um capacete? apareceu primeiro em Canal Rural.
Business7 horas agoAvião de pequeno porte cai em lavoura de soja no DF; piloto se feriu
Agro Mato Grosso7 horas agoSoja em Lucas do Rio Verde: Preço cai abaixo de R$ 100 com avanço da colheita em MT
Sustentabilidade10 horas agoPreços da soja recuam com expectativa de safra recorde e real valorizado
Sustentabilidade8 horas agoMercado brasileiro de milho deve iniciar semana com negociações travadas – MAIS SOJA
Sustentabilidade11 horas agoSistema Farsul mantém negociações sobre royalties da soja – MAIS SOJA
Business8 horas agoCotação do milho atinge nível mais baixo desde outubro de 2025
Business9 horas agoAumento de áreas liberadas amplia extensão semeada de algodão e milho
Featured8 horas agoColheita de soja avança no Brasil e chega a 10%, aponta AgRural
















