Sustentabilidade
Em dezembro, IBGE prevê safra de 346,1 milhões de toneladas para 2025 e de 339,8 milhões de toneladas para 2026 – MAIS SOJA

A área a ser colhida foi de 81,6 milhões de hectares, com aumento de 3,2% (ou 2,5 milhões de hectares) frente a 2024. Frente à estimativa de novembro, a área a ser colhida cresceu 0,1% (ou 58 531 hectares).
O arroz, o milho e a soja são os três principais produtos deste grupo, que, somados, representaram 92,7% da estimativa da produção e respondem por 87,9% da área a ser colhida. Para a soja, a estimativa de produção foi de 166,1 milhões de toneladas, novo recorde da série histórica. Quanto ao milho, a estimativa também foi recorde: 141,7 milhões de toneladas (25,7 milhões de toneladas de milho na 1ª safra e 116,0 milhões de toneladas de milho na 2ª safra). Outro recorde foi batido na produção do algodão herbáceo (em caroço), que chegou a 9,9 milhões de toneladas.
A produção do arroz (em casca) foi estimada em 12,7 milhões de toneladas, a do trigo, em 7,8 milhões de toneladas, e a do sorgo foi de 5,4 milhões de toneladas.
No que se refere à produção, frente a 2024, ocorrem acréscimos de 11,4% para o algodão herbáceo (em caroço); de 19,4% para o arroz em casca; de 14,6% para a soja; de 23,6% para o milho (crescimento de 12,3% para o milho 1ª safra e de 26,4% para o milho 2ª safra); de 35,5% para o sorgo; de 3,7% para o trigo; e para o feijão, ocorreu decréscimo de 2,7%.
Quanto à área a ser colhida, em relação ao ano anterior, houve acréscimos de 5,7% para o algodão herbáceo (em caroço); de 11,1% para o arroz em casca; de 3,7% na soja; de 4,3% no milho (declínio de 5,8% no milho 1ª safra e crescimento de 7,1% no milho 2ª safra); e de 15,6% no sorgo. Houve reduções de 7,2% na área do feijão e de 18,2% na do trigo.
Centro-Oeste lidera a produção de 2025, com 178,7 milhões de toneladas
Entre as Grandes Regiões, o volume da produção de cereais, leguminosas e oleaginosas apresentou a seguinte distribuição: Centro-Oeste, 178,7 milhões de toneladas (51,6%); Sul, 86,3 milhões de toneladas (24,9%); Sudeste, 31,1 milhões de toneladas (9,0%), Nordeste, 27,7 milhões de toneladas (8,0%) e Norte, 22,3 milhões de toneladas (6,5%). A estimativa da produção de cereais, leguminosas e oleaginosas apresentou variação anual positiva para todas as Regiões Geográficas: Centro-Oeste (23,6%), Sul (10,2%), Sudeste (20,5%), Nordeste (7,6%) e Norte (22,7%). Quanto à variação mensal, apresentaram crescimentos a Região Norte (0,7%) e a Sudeste (0,8%). A Centro-Oeste apresentou estabilidade (0,0%), enquanto a Sul (-0,1%) e a Nordeste (-0,1%) apresentaram declínios.
Frente a novembro, houve aumentos nas estimativas da produção da laranja (13,0% ou 1 805 450 t), da batata 3ª safra (7,9% ou 80 651 t), da uva (5,4% ou 113 492 t), da cevada (4,2% ou 25 478 t), do feijão 3ª safra (1,8% ou 13 889 t), do café canéfora (1,5% ou 18 058 t), da cana-de-açúcar (0,9% ou 5 936 175 t), do arroz (0,5% ou 66 246 t), do milho 2ª safra (0,1% ou 141 052 t), do café arábica (0,1% ou 2 045 t), do sorgo (0,1% ou 3 807 t), da batata 2ª safra (0,1% ou 953 t), da soja (0,1% ou 96 293 t), bem como declínios da castanha-de-caju (8,0% ou -10 924 t), da mandioca (-3,7% ou -755 794 t), do trigo (-1,3% ou -105 072 t), da aveia (-1,0% ou -15 310 t), da batata 1ª safra (-0,4% ou -7 300 t), do feijão 1ª safra (-0,3% ou -2 880 t), do amendoim 1ª safra (-0,3% ou -4 128 t), do milho 1ª safra (-0,1% ou -24 349 t), do feijão 2ª safra (-0,1% ou -1 039 t) e do algodão em caroço (-0,0% ou -1 263 t).
Na distribuição da produção pelas Unidades da Federação, o Mato Grosso lidera como o maior produtor nacional de grãos, com participação de 32,0%, seguido pelo Paraná (13,5%), Goiás (11,3%), Rio Grande do Sul (9,3%), Mato Grosso do Sul (8,1%) e Minas Gerais (5,5%), que, somados, representaram 79,7% do total.
As principais variações absolutas positivas nas estimativas da produção, em relação ao mês anterior, ocorreram em São Paulo (253 340 t), no Pará (92 488 t), em Goiás (74 051 t), no Tocantins (52 206 t), no Paraná (49 400 t), no Maranhão (20 613 t), no Amazonas (4 453 t) e em Rondônia (71 t). As variações negativas ocorreram no Rio Grande do Sul (-168 514 t), no Mato Grosso do Sul (-126 220 t), no Ceará (-33 417 t), em Pernambuco (-14 874 t), em Minas Gerais (-4 830 t), em Roraima (-2 315 t), no Rio de Janeiro (-157 t), no Acre (-90 t), no Rio Grande do Norte (-85 t) e no Espírito Santo (-41 t).
Safra brasileira de grãos deve somar 339,8 milhões de toneladas em 2026
Em dezembro de 2025, o IBGE realizou o terceiro prognóstico de área e produção para a safra de 2026. A safra brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas, em 2026, deve somar 339,8 milhões de toneladas, declínio de 1,8% em relação a 2025 ou 6,3 milhões de toneladas, tendo a safra de 2025 representado um recorde da série histórica do IBGE. Em relação ao segundo prognóstico, houve crescimento de 4,2 milhões de toneladas, aumento de 1,2%. Para a safra 2026, o IBGE está incluindo a canola e o gergelim, produtos que vêm ganhando importância na safra de cereais, leguminosas e oleaginosas nos últimos anos, muito embora ainda tenham seu cultivo limitado a poucas Unidades da Federação.
O declínio da produção em relação à safra 2025 deve-se, principalmente, à menor estimativa para o milho (-6,0% ou -8,5 milhões de toneladas), com crescimento de 11,5% relativo à 1ª safra ou 3,0 milhões de toneladas e declínio de 9,9% em relação à 2ª safra ou -11,4 milhões de toneladas), para o sorgo (-13,0% ou -700,2 mil toneladas), para o arroz (-8,0% ou -1,0 milhão de toneladas), para o algodão herbáceo – em caroço (-10,5% ou -632,7 mil toneladas) e para o trigo (-1,6% ou -128,4 mil toneladas). Para a soja foi estimado um crescimento de 2,5% ou 4,2 milhões de toneladas e para o feijão 1ª safra (3,1% ou 30,1 mil toneladas).
Para as Unidades da Federação, a estimativa da produção em 2026 apresentou crescimento no Paraná (1,5%), no Rio Grande do Sul (25,2%), no Piauí (16,9%)) e em Rondônia (0,5%), e declínios no Mato Grosso (-7,9%), em Goiás (-8,0%), no Mato Grosso do Sul (-6,8%), em Minas Gerais (-1,7%), na Bahia (-4,7%), em São Paulo (-4,8%), no Tocantins (-2,9%), no Maranhão (-0,7%), no Pará (-8,6%), em Santa Catarina (-1,6%) e em Sergipe (-7,4%).
A estimativa da área a ser colhida na safra de 2026 é de 82,7 milhões de hectares, crescimento de 1,4% ou 1,2 milhão de hectares. Quanto à área a ser colhida para os produtos, apresentaram variações positivas: o milho (2,3% ou 522,8 mil hectares, sendo de 9,2% ou 405,8 mil hectares para o milho 1ª safra e de 0,7% ou 117,0 mil hectares para o milho 2ª safra; a soja (0,4% ou 208,2 mil hectares) e o feijão 1ª safra (0,9% ou 10,7 mil hectares). Apresentaram variação negativa: o algodão herbáceo – em caroço (-5,7% ou -122,5 mil hectares) e o arroz (-5,6% ou -97,9 mil hectares).
Com relação às Unidades da Federação, para a safra 2026, a estimativa da área a ser colhida apresentou crescimento no Mato Grosso (3,3%), no Rio Grande do Sul (1,4%), no Tocantins (1,5%), em Mato Grosso do Sul (0,8%), no Piauí (9,6%), em Minas Gerais (1,3%), no Ceará (1,1%), em São Paulo (0,8%), no Pará (5,2%) e em Rondônia (2,6%). Apresentaram quedas: Paraná (-0,4%), Goiás (-0,7%), Bahia (-3,5%), Maranhão (-0,0%) e em Santa Catarina (-0,4%).
ALGODÃO HERBÁCEO (em caroço) – A estimativa para a produção de algodão herbáceo (em caroço) é de 8,8 milhões de toneladas, aumento de 1,3% em relação ao segundo prognóstico. Em relação a 2025, a queda nas estimativas chega a 10,5%, com recuos de 5,7% na área plantada e de 5,1% na produtividade. Os estoques elevados das últimas safras pressionam os preços, fazendo com que os produtores reavaliem as áreas de produção e busquem alternativas para a 2ª safra, como o milho. O Mato Grosso, maior produtor nacional, com cerca de 72,7% do total nacional, em 2026, estimou uma produção de 6,4 milhões de toneladas, mantendo as estimativas do mês anterior. Na Bahia, segundo maior produtor do algodão, devendo ser responsável por 16,7% da safra nacional, com a estimativa alcançando 1,5 milhão de toneladas, queda 17,5% em relação a 2025. Minas Gerais aumentou suas estimativas de produção em 53,4%, quando comparado com a estimativa do segundo prognóstico, enquanto São Paulo aumentou suas estimativas em 2,5% em relação ao segundo prognóstico. No Mato Grosso do Sul, também foi observado um aumento de 9,7% na produção, proporcionando um crescimento de 1,0% em relação a 2025.
ARROZ (em casca) – A estimativa para a produção de arroz é de 11,6 milhões de toneladas, aumento de 0,6% em relação ao 2º prognóstico e declínio de 8,0% em relação ao volume produzido em 2025. Em relação ao ano anterior, a área a ser plantada apresenta declínio de 5,6%, assim como o rendimento médio que decaí em 2,6%. Esse movimento misto reflete ajustes metodológicos, avanços na semeadura, condições hídricas moderadamente favoráveis nas principais regiões produtoras e revisão de produtividade. Os preços e a rentabilidade da cultura encontram-se em patamares baixos para o produtor, o que não deve incentivar o aumento da área e os investimentos nas lavouras.
No Rio Grande do Sul, a produção estimada foi de 8,1 milhões de toneladas, crescimento de 2,4% em relação ao 2º prognóstico e declínio de 7,6% em relação ao volume produzido em 2025. O Estado deve ser responsável por cerca de 69,6% da produção nacional. Em Santa Catarina, segundo maior produtor nacional, com uma estimativa de 1,2 milhão de toneladas, não houve alterações de expectativas entre novembro e dezembro. Na Região Centro-Oeste, a previsão é de redução na área plantada em 16,0%, consequentemente, havendo um declínio na produção de 21,2%. Algumas áreas podem ser destinadas a lavouras com maior potencial de rentabilidade e liquidez, como a soja. No Mato Grosso, maior produtor regional, a previsão de queda de 25,9% da produção em relação a 2025. Na Região Norte também há previsão de uma menor produção em relação a 2025, de 7,0%, devendo a produção alcançar 1,1 milhão de toneladas, com a principal contribuição sendo do Tocantins, que estimou uma produção de 688,3 mil toneladas para 2026, declínio de 5,5% em relação ao volume colhido em 2025.
CAFÉ (em grão) A produção brasileira, considerando-se as duas espécies, arábica e canephora, foi estimada em 3,7 milhões de toneladas, ou 61,8 milhões de sacas de 60 kg, acréscimos de 2,4% em relação ao mês anterior e de 7,3% em relação ao volume produzido em 2025.
Para o café arábica, a produção estimada foi de 2,5 milhões de toneladas ou 41,6 milhões de sacas de 60 kg, aumento de 0,3% em relação ao mês anterior. Para a safra de 2026, aguarda-se uma bienalidade positiva, com crescimento natural da produção em função das características fisiológicas da espécie. A safra cafeeira de 2026 inicia-se com grandes expectativas, uma vez que os problemas climáticos nas principais Unidades da Federação produtoras, até o presente momento, mostraram se pontuais, diferentemente de 2025.
Os maiores produtores do café arábica, em 2026, devem ser: Minas Gerais, com 1,7 milhão de toneladas ou 29,5 milhões de sacas de 60 kg, aumento de 0,6% em relação ao mês anterior e de 15,2% em relação a 2025, participando com 70,8% do total nacional dessa espécie; São Paulo, com 320,0 mil toneladas ou 5,3 milhões de sacas de 60 kg, declínio de 0,3% em relação ao mês anterior e crescimento de 12,5% em relação ao volume produzido em 2025, com participação de 12,8%; Espírito Santo, com 224,5 mil toneladas ou 3,7 milhões de sacas de 60 kg, declínio mensal de 0,3% e crescimento de 13,2% em relação a 2025, com participação de 9,0% na produção nacional e Bahia, com 94,8 mil toneladas ou 1,6 milhão de sacas de 60 kg, crescimento de 6,8% em termos anuais, com participação de 3,8% no total nacional.
Para o café canephora, a estimativa da produção foi de 1,2 milhão de toneladas ou 20,1 milhões de sacas de 60 kg, acréscimo de 7,0% em relação ao mês anterior e decréscimo de 4,1% em relação em relação ao volume produzido em 2025. A produção estimada para o café canephora, em 2025, foi recorde da série histórica do IBGE, portanto, uma base comparativa relativamente elevada. Embora, até o presente momento o clima esteja ajudando as lavouras, os produtores ainda se encontram receosos em relação ao comportamento das chuvas no primeiro quadrimestre de 2026.
Em dezembro, houve crescimento de 9,8% na estimativa da produção do Espírito Santo, alcançando 841,3 mil toneladas ou 14,0 milhões de sacas de 60 kg, e declínio de 3,5% em relação ao volume produzido em 2025. A produção capixaba deve representar 69,7% do total nacional a ser colhido em 2026. Na Bahia, a estimativa da produção foi de 133,1 mil toneladas ou 2,2 milhões de sacas de 60 kg, declínio de 23,0% em termos anuais, representando 11,0% do total nacional, assim como Rondônia, com uma estimativa de produção de 180,2 mil toneladas ou 3,0 milhões de sacas de 60 kg, representando 13,2% do total nacional. A estimativa da produção mineira foi de 29,5 mil toneladas ou 492,5 mil sacas de 60 kg, aumentos de 12,9% em relação ao mês anterior e de 0,5% em relação ao volume colhido em 2025, enquanto a do Acre foi de 7,0 mil toneladas, ou 116,2 mil sacas de 60 kg, crescimentos de 7,0% em relação ao mês anterior e de 5,1% em relação ao volume colhido em 2025.
FEIJÃO (em grão) O terceiro prognóstico para a produção de feijão para 2026, considerando-se as três safras, é de 3,0 milhões de toneladas, crescimento de 0,9% em relação à safra colhida em 2025. A 1ª safra deve produzir 985,5 mil toneladas; a 2ª safra, 1,3 milhão de toneladas e a 3ª safra, 764,5 mil toneladas.
O Paraná é o maior produtor brasileiro de feijão na 1ª safra, com uma estimativa de 191,1 mil toneladas, declínios de 4,4% em relação ao mês anterior (2º prognóstico) e de 36,7% em relação ao volume colhido nessa mesma safra em 2025. A produção paranaense deve representar 19,4% do total a ser colhido nessa 1ª safra. Minas Gerais é o segundo produtor, com 172,4 mil toneladas, crescimentos de 9,6% no comparativo mensal e de 8,7% no anual, devendo participar com 17,5% do total da safra. Outros produtores importantes são: Bahia, com 116,9 mil toneladas, aumento de 35,3% em relação a 2025; Goiás, com 94,6 mil toneladas, aumento de 2,8%; Ceará, com 79,9 mil toneladas, aumentos de 9,9% em relação ao mês anterior e de 44,4% em termos anuais; Piauí, com 79,5 mil toneladas, crescimento mensal de 151,2% e anual de 207,8%; Santa Catarina, com 60,6 mil toneladas, declínio de 22,2% em relação ao volume produzido em 2025; e Rio Grande do Sul, com 48,8 mil toneladas, declínios de 2,1% mensal e de 13,1% anual.
A estimativa da produção da 2ª safra aumentou 0,2% em relação ao 2º Prognóstico (novembro) e 0,5% em relação ao volume produzido na mesma safra de 2025. O maior produtor brasileiro de feijão dessa safra é o Paraná, com 553,5 mil toneladas, crescimento de 3,0% em relação ao 2º Prognóstico (novembro) e de 2,7% em relação ao volume colhido nessa mesma safra em 2025, devendo participar com 42,8% do total da safra, seguido pelo Mato Grosso, com 172,9 mil toneladas, aumento de 4,1% em relação ao volume colhido em 2025; Minas Gerais, com 164,5 mil toneladas, crescimento de 0,9% em relação ao 2º prognóstico e redução de 2,6% em relação a 2025; Bahia, com 85,8 mil toneladas, declínio de 14,9% em relação ao volume colhido em 2025; e Tocantins, com 80,3 mil toneladas, aumento de 0,6% em relação a novembro e declínio de 7,5% em relação a 2025.
Para a 3ª safra, a estimativa da área de plantio alcançou 284,5 mil hectares, aumento de 0,9% em relação ao mês anterior (2º prognóstico) e declínio de 0,5% em relação a 2025. A estimativa da produção declinou 2,6% no comparativo mensal e 1,1% no anual. Os maiores produtores brasileiros do feijão, nessa época, são: Goiás, com 256,3 mil toneladas, declínio de 1,2% em relação ao ano anterior; Minas Gerais, com 177,2 mil toneladas, crescimento de 20,9% em relação ao ano anterior; Mato Grosso, com 176,3 mil toneladas, declínio de 4,3% em relação ao ano anterior; e São Paulo, com 122,0 mil toneladas declínios de 14,1% em relação ao 2º prognóstico e de 20,7% em relação ao volume colhido nessa safra em 2025.
MILHO (em grão) – A estimativa para a produção de milho para 2026 é de 133,2 milhões de toneladas, aumento de 0,9% em relação ao 2º prognóstico e declínio de 6,0% ou menos 8,5 milhões de toneladas em relação à safra colhida em 2025. O declínio na estimativa da produção do milho em 2026, comparativamente a 2025, se deve devido à base de comparação elevada dessa última, uma vez que o clima beneficiou as lavouras na maioria das Unidades da Federação produtoras durante o 2º semestre de 2024 e 1º semestre de 2025, potencializando, dessa forma, a produtividade. Para o ano de 2026, apesar de um início de safra sem maiores problemas climáticos, pesam as expectativas quanto ao comportamento do clima durante o 1º semestre do ano corrente, que deve definir o volume da principal época de cultivo do cereal, a segunda safra, conhecida como “safra da seca”, por disponibilizar menores quantitativos de umidade para as lavouras, de um modo geral.
Para a 1ª safra, foi estimada uma produção de 28,7 milhões de toneladas, aumentos de 4,6% em relação ao 2º Prognóstico (novembro) e de 11,5% em relação ao volume produzido nessa mesma safra em 2025. Para a safra de 2026, aguarda-se um aumento de 6,1% na área plantada, já que a demanda pelo cereal vem crescendo muito no País, em face de sua utilização para a produção de etanol e para a produção do complexo de proteína animal, bem como para as exportações. Até o presente momento, não se tem notícias de restrições de chuvas nas principais Unidades da Federação produtoras do cereal, o que também reforça a possibilidade do aumento da produção do milho na safra de verão corrente.
Os maiores crescimentos nas estimativas da produção em relação ao mês anterior (2º Prognóstico) foram informados pelo Tocantins (7,8%), Maranhão (2,9%), Piauí (34,2%), Ceará (15,5%), Minas Gerais (12,2%), São Paulo (10,2%), Mato Grosso do Sul (4,1%), enquanto os declínios foram maiores em Rondônia (-1,4%), Espírito Santo (-8,1%) e Rio de Janeiro (-5,6%). O Rio Grande do Sul, maior produtor nacional de milho 1ª safra com 22,1% de participação, estimou um crescimento de 0,1% na produção em relação ao mês anterior e aumento de 19,9% em relação ao volume produzido em 2025, devendo alcançar 6,3 milhões de toneladas. Em Minas Gerais, segundo maior produtor de milho 1ª safra (17,6% de participação nacional), a estimativa da produção foi de 5,0 milhões de toneladas, aumentos de 12,2% em relação ao mês anterior e de 13,8% em relação ao volume colhido no mesmo período de 2025.
Para o milho 2ª safra, a estimativa da produção é de 104,6 milhões de toneladas, declínios de 0,1% em relação a novembro (2º Prognóstico) e de 9,9% em relação a 2025. O Mato Grosso é o maior produtor brasileiro de milho na 2ª safra, devendo alcançar 49,6 milhões de toneladas na safra 2026, e participar com 47,4% do total nacional. Essa terceira estimativa apresentou um declínio de 9,1% em relação ao que foi produzido nessa mesma safra em 2025, havendo a repercussão negativa do rendimento médio (-11,1%), enquanto a área a ser colhida apresentou um crescimento de 2,2%.
O segundo produtor brasileiro de milho 2ª safra é o Paraná, que deve alcançar uma 17,3 milhões de toneladas, declínios de 2,0% em relação a novembro (2º prognóstico), como também em relação ao volume produzido nessa mesma safra em 2025, devendo participar com 16,5% do total. Também são relevantes na produção do milho 2ª safra: Goiás, com 13,3 milhões de toneladas, participação de 12,7%; Mato Grosso do Sul, com 10,3 milhões de toneladas, participação de 9,8%; Minas Gerais, com 2,3 milhões de toneladas; São Paulo, com 2,3 milhões de toneladas; Tocantins, com 2,4 milhão de toneladas, crescimento de 6,5% em relação ao mês anterior (2º Prognóstico); Rondônia, com 2,3 milhões de toneladas, crescimento de 0,2% em relação ao mês anterior; Pará, com 1,3 milhão de toneladas; Sergipe, com 981,5 mil toneladas; Maranhão, com 904,7 mil toneladas; e Bahia, com 714,0 mil toneladas.
SOJA (em grão) – A terceira estimativa de produção para 2026 trouxe um reajuste mensal de 1,6% no volume total a ser colhido. A produção de soja em 2026 deve ter aumento de 2,5% em relação à safra anterior, totalizando 170,3 milhões de toneladas, o que caracterizaria novo recorde na produção nacional da leguminosa. O Estado do Rio Grande do Sul e algumas regiões do Paraná e do Mato Grosso do Sul tiveram, em 2025, parte da safra de soja frustrada em virtude das chuvas escassas e mal distribuídas durante o principal período de cultivo. A recuperação do rendimento médio dessas áreas em 2026 deve potencializar o alcance do novo recorde de produção da oleaginosa no País. A área total de produção de soja deve ser próxima de 48,0 milhões de hectares, o que representaria o aumento de 196,1 mil hectares na comparação com a área cultivada em 2025. Nesse levantamento mensal, houve ajustes mais significativos de produção nos Estados do Piauí (11,9%), Mato Grosso do Sul (10,4%), Ceará (6,2%), São Paulo (5,0%), Maranhão (4,0%), Tocantins (3,9%) e Rio Grande do Sul (1,3%).
No Mato Grosso, maior produtor nacional, que teve recorde histórico e respondeu por mais de um quarto da produção nacional em 2025, a estimativa da produção para 2026 é de 46,7 milhões de toneladas, o que representa uma redução de 6,8% em relação ao volume produzido na safra anterior. O Paraná estimou a segunda maior produção nacional, 22,1 milhões de toneladas, representando um crescimento de 3,6% na comparação com o volume produzido em 2025, o que seria a maior safra já alcançada no Estado. No Rio Grande do Sul, espera-se uma recuperação do rendimento médio em cerca de 57,5% na comparação com a safra anterior, que enfrentou severas restrições hídricas devido à ocorrência de estiagens no início de 2025. Portanto, se mantidas as condições meteorológicas favoráveis observadas até o momento, a expectativa é de que a quantidade produzida supere em 55,4% o volume colhido em 2025, totalizando 21,2 milhões de toneladas, superando, assim, o recorde de 20,4 milhões de toneladas alcançado em 2021. A produção em Goiás deve alcançar 18,7 milhões de toneladas, decréscimo de 7,9% em relação à safra anterior, quando o Estado alcançou recorde de produção. O Mato Grosso do Sul reavaliou, neste mês, sua estimativa de produção em 10,4% e estimou uma produção de 15,0 milhões de toneladas, incremento de 14,0% em relação ao volume produzido em 2025.
SORGO (em grão) – O terceiro prognóstico para safra 2026 é de 4,7 milhões de toneladas, aumento de 2,0% em relação ao 2º prognóstico (novembro) e queda de 13,0% sobre o obtido na safra 2025. Dentre as Regiões Geográficas, somente a Sul deve apresentar aumento de produção, 277,6%, apesar de sua produção ainda pequena, cerca de 15,1 mil toneladas. No Norte, a queda deve ser de 4,6%; no Nordeste, de 29,3%; no Sudeste, 16,4% e no Centro-Oeste, 8,9%. No Sul, aguarda-se pela recuperação da produção no Rio Grande do Sul que passou por sucessivos problemas climáticos nos últimos anos. A produção de sorgo deve corresponder a 1,4% do total nacional de grãos, oleaginosas e leguminosas, estando distribuída por 1,5 milhão de hectares plantados.
No comparativo entre prognósticos, dezembro e novembro, houve variação positiva na produção. Todas as Regiões geográficas tendem a aumentar suas produções, a exceção da Centro-Oeste em que a estabilidade predomina. No Sul, a variação foi de 39,9%. No Sudeste, a produção deve aumentar 1,5%, dadas as reavaliações de São Paulo. No Nordeste, aumento de produção de 23,0%, em decorrência do aumento na estimativa da produção do Piauí. No Norte, a variação de produção deve ser em torno de 2,7%, puxando esse aumento o Tocantins.
Sustentabilidade
Projeto que amplia proteção de cultivares foi aprovado na Câmara – MAIS SOJA

A Câmara dos Deputados aprovou, na última quarta-feira (1º), o Projeto de Lei 2.143/2025, que altera a Lei de Proteção de Cultivares para ampliar o prazo de proteção de determinadas variedades vegetais. O texto foi relatado em plenário pelo deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), e agora retorna para análise do Senado Federal.
Pelo substitutivo aprovado, o prazo geral de proteção das cultivares permanece em 15 anos. A ampliação para 25 anos será aplicada a videiras, árvores frutíferas, árvores florestais, árvores e plantas ornamentais, seus respectivos porta-enxertos, quando houver, e cultivares de cana-de-açúcar.
Segundo o relator, a proposta aproxima o Brasil do padrão internacional previsto pela União Internacional para a Proteção de Novas Variedades de Plantas (UPOV) e reduz assimetrias jurídicas que dificultam a atração de investimentos em melhoramento genético.
“Estamos falando de um assunto que implica diretamente a evolução da pesquisa científica no nosso País, da pesquisa agrícola particularmente, e o desenvolvimento de novos cultivares, resistentes a doenças e mais produtivos”, afirmou Arnaldo Jardim. O deputado também defendeu que a matéria buscou um “justo equilíbrio” entre a proteção à inovação e os impactos para o setor produtivo.
O que muda
O parecer aprovado manteve a ampliação do prazo de proteção apenas para espécies perenes ou de ciclo produtivo mais longo. A avaliação do relator foi de que, nessas culturas, o tempo necessário para pesquisa, desenvolvimento e retorno econômico é maior.
No caso das culturas anuais, como soja, milho, feijão e arroz, o prazo atual de 15 anos foi preservado. De acordo com o parecer, esse período já garante retorno adequado aos obtentores e evita aumento desnecessário no custo das sementes e dos alimentos.
O texto também reforça a diferença entre culturas de rápida multiplicação e espécies de longo ciclo. A lógica é que o tempo de amortização dos investimentos em melhoramento genético varia de forma significativa entre esses segmentos.
Foco em florestas plantadas e cana-de-açúcar
O relatório destaca o impacto da medida em setores que dependem fortemente de inovação genética, como florestas plantadas, flores e plantas ornamentais e a cadeia sucroenergética.
No caso do eucalipto, por exemplo, o relator aponta que o ciclo de cultivo no Brasil é de seis a sete anos, enquanto a obtenção de um clone comercial pode levar de 12 a 20 anos. Para espécies de pinus, esse período pode ser ainda maior.
Na cana-de-açúcar, a ampliação da proteção dá mais segurança aos investimentos em variedades voltadas a uma cadeia estratégica para o país, com produção de açúcar, etanol, bioeletricidade e biometano.
O parecer mantém, para a cana-de-açúcar, regra específica sobre as exceções ao direito de propriedade de cultivares protegidas em lavouras destinadas ao processamento industrial. Pelo texto, a regra passa a considerar produtores que detenham posse ou domínio de propriedades rurais com área equivalente a, no mínimo, quatro módulos fiscais ou 150 hectares, o que for maior. A medida preserva tratamento diferenciado para produtores de menor escala, sem retirar a segurança jurídica necessária aos investimentos em melhoramento genético.
Fonte: FPA
Autor:FPA
Site: FPA
Sustentabilidade
Senado debate regulamentação da Lei dos Defensivos Agrícolas e cobra segurança jurídica – MAIS SOJA

A regulamentação da Lei dos Defensivos Agrícolas e os desafios para sua implementação foram debatidos, nesta quarta-feira (1º), na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) do Senado Federal. A audiência pública foi requerida pelo senador Jaime Bagattoli (PL-RO), vice-presidente no Senado da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).
O debate tratou da aplicação da Lei nº 14.785/2023, alterada pela Lei nº 15.070/2024, que moderniza as regras de pesquisa, registro, produção, comercialização e fiscalização de defensivos agrícolas no país.
Bagattoli afirmou que o novo marco legal reduz a burocracia, amplia a segurança jurídica e dá mais eficiência ao processo regulatório, sem flexibilizar critérios de proteção à saúde e ao meio ambiente.
“O objetivo do Parlamento nunca foi flexibilizar a proteção ambiental ou a saúde humana. Sempre buscamos eficiência regulatória para que a ciência chegue ao campo com a celeridade que a agricultura brasileira exige.”
O senador também criticou a demora na regulamentação da norma e apontou riscos de insegurança jurídica na aplicação da lei. “Não aceitaremos que interpretações administrativas limitem a eficácia da lei. O papel do Parlamento é fiscalizar e garantir que a administração pública observe os princípios da legalidade e da segurança jurídica.”
Bagattoli destacou ainda que o sistema precisa acompanhar a dinâmica da produção agropecuária brasileira. “Não podemos permitir que o processo de registro de um novo insumo leve de cinco a sete anos.”
Participantes defendem regulamentação e apontam impactos da implementação
Representando a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Ana Lígia Aranha Lenat afirmou que a lei trouxe mais previsibilidade ao setor, ao estabelecer critérios técnicos mais modernos para o registro de defensivos agrícolas e bioinsumos. Segundo ela, a falta de regulamentação e eventuais interpretações divergentes podem comprometer a competitividade do setor agropecuário.
“Não estamos pedindo menos fiscalização. Estamos pedindo fiscalização eficiente, baseada em prazos claros e respeito aos termos da lei. Não podemos permitir que o arcabouço regulatório se torne um gargalo que freie nosso desenvolvimento.”
O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Carlos Goulart, afirmou que o novo marco torna o sistema mais eficiente sem reduzir os critérios de proteção à saúde e ao meio ambiente. Ele destacou que o Brasil leva, em média, cerca de sete anos para aprovar novas moléculas, enquanto outros países levam aproximadamente quatro anos.
“Não se trata de retrocesso. Trata-se de dar eficiência regulatória que acompanhe a excelência da produção de alimentos. O Ministério da Agricultura tem feito tudo o que é possível para cumprir a lei, nos limites que ela determina.”
A gerente-geral de Toxicologia da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Cássia de Fátima Rangel Fernandes, defendeu a regulamentação como forma de reduzir divergências entre os órgãos envolvidos e dar mais previsibilidade ao processo. Segundo ela, a agência mantém os prazos legais e vem reduzindo o estoque de análises pendentes.
“A ausência dessa regulamentação tem trazido mais incertezas para o processo. A Anvisa entende que essa lei precisa ser regulamentada o quanto antes para garantir previsibilidade e segurança jurídica.”
Representando a Confederação Nacional da Indústria (CNI), Rafael Grilli Felizardo afirmou que a regulamentação é essencial para garantir estabilidade regulatória e previsibilidade aos investimentos. Ele defendeu maior harmonização entre os órgãos e alinhamento a práticas internacionais.
“Os procedimentos definidos na regulamentação devem traduzir com objetividade as diretrizes da lei, reduzindo ambiguidades, fortalecendo a integração entre os órgãos e garantindo estabilidade regulatória.”
Também presente na audiência, o deputado Rafael Simões (União-MG), integrante da FPA, defendeu a regulamentação para ampliar a competitividade do setor. Produtor rural, ele criticou a demora na liberação de novas moléculas e afirmou que o Brasil perde espaço para outros países.
“Não é possível sermos competitivos enquanto levamos oito anos para aprovar uma molécula que já foi aprovada e utilizada em outros países. Precisamos que os órgãos caminhem juntos para garantir eficiência e segurança jurídica ao produtor rural.”
Fonte: FPA
Autor:FPA
Site: FPA
Sustentabilidade
Embrapa alerta para impactos do El Niño – MAIS SOJA

O aquecimento anormal das águas do oceano Pacífico conhecido como El Niño está de volta ao radar de produtores rurais, governos e analistas internacionais. Embora ainda seja cedo para classificá-lo como um “super El Niño”, o fenômeno já altera padrões climáticos em todo o planeta e ameaça desencadear uma combinação perigosa de quebra de safras, inflação de alimentos, instabilidade social e conflitos geopolíticos. A avaliação é do professor Daniel Pérez, chefe-geral da Embrapa Solos, em entrevista à Sociedade Nacional de Agricultura (SNA).
Segundo Pérez, o El Niño não é apenas um fenômeno climático isolado. Ele funciona como um gatilho que amplifica fragilidades já existentes na produção mundial de alimentos. O pesquisador lembra que, desde 2007, o mundo já atravessou praticamente cinco crises globais que combinam extremos climáticos, insegurança alimentar e conflitos, o que demonstra que essa dinâmica veio para ficar. Na avaliação dele, a variável geopolítica deixou de ser um fator secundário e passou a pesar diretamente nas decisões que agricultores precisam tomar antes mesmo de iniciar o plantio.
Grãos básicos sob pressão
Um dos primeiros efeitos do fenômeno é o calor extremo no Hemisfério Norte, que compromete a produção dos três grãos que sustentam a alimentação mundial: arroz, trigo e milho. Monções irregulares já são esperadas no sul da Ásia, o que deve atingir diretamente Índia e Vietnã, os dois maiores produtores globais de arroz; um mercado que já vem sendo castigado por eventos climáticos extremos ao longo dos últimos anos.
Segundo o chefe-geral da Embrapa Solos, o trigo enfrenta cenário semelhante. Áreas de seca já afetam a principal região produtora de trigo de inverno nos Estados Unidos, enquanto a Austrália, outro grande exportador, corre risco de quebra de safra. Com a redução dos estoques mundiais, cai também a capacidade de exportação, um problema grave, já que apenas nove países no mundo são grandes exportadores líquidos de alimentos, entre eles o Brasil. Para ele, todos os demais dependem, em algum grau, de importações.
Logística, água e diplomacia
Os impactos do El Niño também atingem a infraestrutura logística e energética global. O Canal do Panamá, cujo funcionamento depende do volume de chuvas na América Central, já opera com fluxo reduzido diante da diminuição das precipitações, encarecendo o transporte internacional de cargas.
Na África Central, na Ásia Central e no Oriente Médio, a alteração nos regimes hídricos intensifica a disputa por recursos compartilhados. Paquistão enfrenta secas prolongadas, enquanto Irã e Afeganistão vivem tensões diplomáticas ligadas ao uso de bacias hidrográficas comuns, fricções que têm potencial de repercussão geopolítica em dois países estratégicos para o comércio mundial.
Brasil: excesso de chuva de um lado, seca do outro
No território brasileiro, de dimensão continental, o El Niño provoca efeitos opostos entre regiões. Enquanto o Sul tende a receber mais chuva e, com ela, o risco de temporais severos, como os observados no Rio Grande do Sul em 2024, o Centro-Oeste e o Nordeste sofrem com a redução das precipitações, afetando culturas como soja e milho, especialmente em áreas de solo arenoso como o Matopiba, mais vulneráveis à falta de água.
Pérez destaca que o momento em que as chuvas ocorrem é decisivo. “Se chegam antes do plantio ou durante a colheita, o prejuízo pode ser enorme; se chegam em outro período do ciclo, o impacto tende a ser menor. Foi o que aconteceu no Rio Grande do Sul em 2024, quando cerca de 70% a 80% da safra de arroz já havia sido colhida antes das chuvas torrenciais que ultrapassaram 700 milímetros. Para este ano, já se estima que ao menos 20% da produção de trigo da região Sul possa ser comprometida.”
Transporte
O transporte de grãos pelas hidrovias amazônicas, essenciais para o escoamento via Arco Norte, também é sensível ao timing das chuvas. Eventos climáticos após a colheita podem travar a logística, já que o país não dispõe de capacidade de armazenamento suficiente para absorver grandes volumes represados.
Contribuições da Embrapa
Diante desse cenário, a Embrapa e parceiros do sistema nacional de pesquisa agropecuária têm investido em soluções para aumentar a resiliência do campo. Entre as iniciativas citadas por Pérez estão o desenvolvimento de cultivares de soja, milho e trigo tolerantes à seca por meio de edição genética CRISPR, e bioinsumos como o Auras, bioestimulante derivado de uma bactéria isolada do mandacaru, capaz de estimular o crescimento das raízes e ajudar as plantas a captar água em camadas mais profundas do solo.
Na área de inteligência climática, o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), desenvolvido pela Embrapa, em parceria com o Ministério da Agricultura, orienta produtores sobre as melhores janelas de plantio considerando tipo de solo, ciclo da cultura e riscos climáticos, recomendando o adiantamento ou atraso da semeadura conforme o caso.
Práticas de manejo sustentável, como a integração lavoura-pecuária-floresta e o sistema de plantio direto, também ganham destaque por ajudarem a reter umidade no solo e reduzir o estresse térmico dos animais. Já no semiárido, o aplicativo GuardeÁgua auxilia agricultores e técnicos a identificar locais adequados para a construção de barragens subterrâneas, transformando o próprio solo em reservatório de água.
Alimento como questão de segurança nacional
Para Pérez, que também integra um grupo de pesquisa voluntário na Escola de Guerra Naval dedicado à simulação de cenários, a história mostra que a segurança alimentar sempre esteve por trás dos grandes conflitos da humanidade; deste a migração dos primeiros hominídeos em busca de terras mais férteis até guerras mais recentes. “Enquanto você não tem nada a perder, você não entra em uma guerra. Mas quando você e sua família estão passando fome, a decisão muda”, resume o pesquisador, ao defender que segurança alimentar deve ser tratada como segurança nacional.
Como exemplo recente, ele cita a Ucrânia, que era um dos grandes exportadores mundiais de alimentos antes da guerra e viveu entre 2022 e 2024 uma severa crise de abastecimento interno, mostrando como a condição de um país pode se inverter rapidamente. É esse tipo de risco que reforça, segundo ele, a importância de estoques estratégicos de alimentos e do monitoramento simultâneo de diferentes “celeiros” do mundo, já que choques climáticos concomitantes em várias regiões produtoras, como Ásia e China ao mesmo tempo, no caso do arroz, podem esgotar rapidamente os estoques globais de um grão específico, sem que existam substitutos culturalmente viáveis para consumidores tradicionais daquele alimento.
Pérez pondera que o tom do alerta pode soar apocalíptico, mas defende que a população, especialmente nas cidades, que não produzem seu próprio alimento e por isso são mais vulneráveis, precisa se atentar mais a essas questões e valorizar o papel dos produtores rurais na manutenção da segurança alimentar do país. Segundo ele, a experiência recente da pandemia de Covid-19, quando a insegurança alimentar cresceu de forma acentuada, deveria servir de lembrete permanente de que a prevenção é a principal ferramenta para evitar instabilidade civil, política e militar decorrente da falta de comida.
Por Larissa Machado / larissamachado@sna.agr.br
Confira a entrevista na íntegra.
Fonte: SNA
Autor:SNA
Site: SNA
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