Agro Mato Grosso
Mato Grosso: uma terra construída por quem acreditou I agro.mt

No aniversário do estado, histórias que revelam como a coragem, trabalho e a persistência ajudaram a transformar desafios em uma das maiores potências do agro mundial
Antes de se tornar uma potência agrícola reconhecida no mundo, Mato Grosso foi um território de desafios. Estradas precárias, falta de energia, comunicação limitada e uma rotina marcada pela incerteza faziam parte do dia a dia de quem decidiu apostar no estado décadas atrás.
Ao longo desse processo de transformação, entidades como a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) tiveram papel importante no desenvolvimento do setor, na defesa dos produtores e no fortalecimento de uma cadeia produtiva que hoje posiciona o estado como referência nacional e internacional.
Hoje, no aniversário de Mato Grosso, mais do que celebrar números e produtividade, é tempo de olhar para as pessoas que ajudaram a construir essa história, homens e mulheres que chegaram com pouco, enfrentaram muito e permaneceram.
Quando chegou a Mato Grosso, em 1989, o produtor rural e hoje vice-presidente oeste da Aprosoja MT, Gilson Antunes de Melo, encontrou uma realidade muito distante da atual. Sem energia elétrica, com estradas precárias e comunicação limitada a um único telefone na cidade, o cotidiano exigia paciência e resistência.
“Não tínhamos energia; era gerador nas fazendas. Quando não estava sendo usado para alguma coisa, à noite, por volta das sete horas, desligava. O pessoal tomava banho e tinha que dormir. Era luz de vela, luz de lampião, porque não existia energia. As estradas eram precárias. Hospital, saúde, transporte, tudo era muito difícil. Muitas vezes, você até desanimava”, relembra Gilson.
As dificuldades não eram apenas estruturais. Ao longo dos anos, ele enfrentou crises econômicas e desafios no campo, como a ferrugem asiática, que chegou a tirá-lo da atividade. Ainda assim, permaneceu. “Então a gente foi passando por etapas, foi amadurecendo e entendendo que a lavoura é feita de processos. E você tem que estar muito firme para conseguir passar por esses processos. Quem está ao seu lado, quem está junto com você, tem que passar por esses processos também”, conta ele.
Para Gilson, ver o Mato Grosso de hoje é a prova de que insistir valeu a pena. “A soja trouxe todas essas possibilidades, foi abrindo caminhos e o estado foi crescendo. Naquela época, a gente jamais imaginava isso. Eu sempre acreditei no Mato Grosso, tanto que nunca voltei, nunca tive vontade de voltar para o sul. Mas também nunca imaginei que chegaria ao patamar que está hoje, e onde ainda deve chegar nos próximos 10 anos”, complementa o produtor rural.
A história de Lilian Dias Antunes se mistura com crescimento pessoal e familiar. Ela chegou jovem ao estado e foi em Mato Grosso que construiu sua carreira, sua família e seu propósito. Mãe de quatro filhos, ela vê no agro não apenas um trabalho, mas uma missão: produzir alimento e ensinar às próximas gerações o valor desse processo.
“E é aqui que a gente tenta, dia após dia, mesmo com todas as dificuldades e os entraves, construir um futuro para os nossos filhos, uma história digna de ser contada, tanto do papai deles quanto dos avós, que são homens e mulheres que trabalham incansavelmente, de forma justa e digna, para que a gente possa entregar na mesa de tantas pessoas o alimento”, destaca ela.
Para Lilian, viver em Mato Grosso é também um exercício de verdade e orgulho. “Então, eu me sinto muito orgulhosa hoje de ter construído a minha história no Mato Grosso, de ter construído a minha casa no Mato Grosso, de ter construído o meu sonho aqui e de poder ver os meus filhos crescendo nesse ambiente e aprendendo com verdade aquilo que é a nossa essência”, finaliza a produtora rural.
Filho de produtores que chegaram ao estado na década de 1980, Mario Zortea Antunes Júnior, representa a geração que cresceu vendo Mato Grosso se desenvolver. Ele carrega as histórias dos pais como base para sua própria trajetória.
“E, assim, as histórias que a gente escuta dos meus pais são de muitos desafios, muitas dificuldades. Era a falta de estrada, de comunicação, de água, de energia e assim por diante. A gente cresceu ouvindo histórias de superação. O que eu carrego deles são essas histórias. E isso faz com que nós, mato-grossenses, sejamos cada vez mais fortes para encarar os desafios”, ressalta o produtor rural.
Mario acompanhou de perto o surgimento de cidades e a transformação da paisagem. Para ele, o estado é resultado direto da coragem de quem acreditou quando tudo ainda era incerto. “Hoje, a gente pode desfrutar do trabalho desses batalhadores, dessa geração que veio para Mato Grosso, e também daqueles que já estavam aqui e fizeram parte do crescimento e da conquista dessa terra”, complementa ele.
Com orgulho, ele reforça a identidade construída ao longo dos anos: “A gente sempre fala que Deus está à frente, mas o nosso coração é mato-grossense. E eu não me vejo em outro lugar. A gente construiu a nossa história aqui, a nossa família aqui, e continua construindo. E, claro, a gente sempre quer ver os nossos filhos bem, ainda mais se for aqui, dentro do nosso estado. Se tiver essa oportunidade, com certeza vamos ficar muito felizes”, finaliza Mario.
As histórias de Gilson, Lilian e Mario mostram que o desenvolvimento de Mato Grosso vai muito além da produção agrícola. Ele é feito de decisões difíceis, de recomeços e, principalmente, de gente que escolheu ficar.
No aniversário do estado, o que se celebra não é apenas o presente de uma potência consolidada, mas o caminho percorrido por aqueles que transformaram desafios em oportunidades. Um estado que segue crescendo, sustentado pela força de quem acredita e continua plantando o futuro todos os dias.
Agro Mato Grosso
Avião de pequeno porte que caiu em fazenda havia decolado de Primavera do Leste MT

Aeronave fazia voo de teste quando caiu em uma fazenda e matou dois pilotos; Cenipa classificou ocorrência como falha ou mau funcionamento do motor.
O avião que caiu e matou dois pilotos em uma fazenda na zona rural de Poxoréu, a 259 km de Cuiabá, na sexta-feira (18), havia decolado do Aeródromo de Primavera do Leste, a 239 km da capital. Segundo o registro preliminar do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), a aeronave realizava um voo local quando caiu durante o trajeto.
De acordo com o registro, o voo era local e tinha um tripulante e um passageiro a bordo, identificados como Zelicio Filgueira Tomaz, de 58 anos, sendo o piloto da aeronave, e Rafael Pereira Guedes, de 22 anos. Durante o trajeto, enquanto a aeronave fazia o circuito de tráfego do aeródromo, colidiu contra o solo.
A ocorrência foi classificada preliminarmente pelo Cenipa como SCF-PP – falha ou mau funcionamento do motor. A classificação é inicial e não representa, neste momento, a definição da causa do acidente.
De acordo com o órgão, a investigação não tem como objetivo apontar culpa ou responsabilização, mas identificar possíveis fatores que contribuíram para a ocorrência e propor medidas para evitar que acidentes semelhantes aconteçam novamente.
O Cenipa é responsável pela invesigação de ocorrências aeronáuticas com foco na prevenção de novos acidentes.
Entenda o caso
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Avião de pequeno porte cai em fazenda e deixa dois mortos em MT — Foto: Reprodução
O acidente ocorreu na Fazenda Água Funda, na região da MT-130. Segundo a Polícia Civil, a aeronave estava em manutenção em Primavera do Leste e fazia um voo de teste quando caiu na região de Poxoréu. Ainda não há informações sobre quanto tempo o avião permaneceu no ar antes da queda.
Com o impacto, a aeronave pegou fogo e as chamas se espalharam pela vegetação da propriedade, provocando um incêndio na área de pastagem. Um vídeo registrado antes do acidente mostra a decolagem do avião de pequeno porte. As circunstâncias do acidente ainda serão investigadas.
Essa foi a segunda queda de aeronave no estado em menos de 10 dias. No dia 10 de setembro, outro avião de pequeno porte caiu em uma região de fazenda, a cerca de 20 km da área urbana de Água Boa, e deixou três mortos. Até o momento, foi identificado oficialmente: Vanderlei Sattler, de 65 anos e Luis Alberto Martinezz, de 44 anos, de nacionalidade Paraguaia.
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Zelicio Filgueira Tomaz, de 58 anos, e Rafael Pereira Guedes, de 22 anos, morreram na queda de avião em MT — Foto: Reprodução/Redes sociais
Agro Mato Grosso
Pais morrem e filha fica em estado grave após batida entre carro e carreta em MT

Cleodir e Iracy Barreto estavam em uma caminhonete que bateu de frente com uma carreta, em Sorriso. Filha do casal foi levada ao hospital.
Um casal de empresários, identificado como Cleodir Darci Barreto e Iracy Leonilda Werkhausen Barreto, morreram após a caminhonete em que estava bater de frente com uma carreta no km 702 da BR-163, em Sorriso, a 420 km de Cuiabá, nesta sexta-feira (25). A filha deles, Kauane Barreto, ficou gravemente ferida.
Segundo a Nova Rota do Oeste, concessionária que administra a rodovia, a equipe de resgate foi acionada às 17h19 para atender a ocorrência. Com o impacto, Cleodir e Iracy morreram ainda no local. A filha do casal foi socorrida e encaminhada para atendimento médico. O estado de saúde dela é considerado grave. (video abaixo)
Conforme apurado, a família é de Sorriso e seguia do município com destino a Lucas do Rio Verde quando ocorreu o acidente. O condutor da carreta também ficou ferido e foi encaminhado para uma unidade de saúde.

O tráfego no trecho da BR-163 é operado em sistema de Pare e Siga durante o atendimento à ocorrência. As circunstâncias da batida ainda não foram informadas.
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Mato Grosso tem 3ª maior taxa de mortes no trânsito causadas pelo álcool

Estado registrou 426 mortes em 2024, segundo levantamento; número subiu em relação aos anos anteriores.
Mato Grosso teve a terceira maior taxa do país de mortes no trânsito ligadas ao consumo de álcool em, segundo análise do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA), publicada neste mês de setembro. Ao todo, foram registradas 426 mortes no estado em 2024, contra 419 em 2023 e 389 em 2010.
Apesar do aumento no número de mortes, a taxa por 100 mil habitantes caiu de 12,5, em 2010, para 11,1, em 2024. Mesmo com essa redução, Mato Grosso teve a terceira maior taxa do país, atrás apenas de Tocantins e Piauí.
A maior parte das vítimas era formada por homens. Eles representaram 86,1% das mortes registradas em 2024, enquanto as mulheres corresponderam a 13,9% dos casos. O levantamento também mostra que os homens foram maioria entre as pessoas internadas em casos ligados ao álcool e à direção.
Além das mortes, o número de internações também cresceu em Mato Grosso. Em 2025, foram registradas 2.037 internações relacionadas ao consumo de álcool e à direção. O número representa 258 casos a mais que em 2024 e 785 a mais que em 2010.
A taxa de internações chegou a 52,3 casos por 100 mil habitantes em 2025. Entre os pacientes, 77,2% eram homens e 22,8% eram mulheres, mantendo a diferença observada entre as vítimas de mortes no trânsito.
O levantamento também aponta possíveis fatores relacionados aos números, como a quantidade de operações de fiscalização com bafômetro, o aumento da frota de veículos e os acidentes envolvendo motocicletas.
Em 2023, os motociclistas representaram 40% das mortes no trânsito, segundo dados citados pelo CISA.
Casos registrados
Em agosto deste ano, após ser expulso de uma boate, Hercílio Junio Freitas Cordeiro, de 22 anos, saiu dirigindo e atropelou o motociclista Paulo Messias Simão Costa, de 23 anos, que morreu no local, em Cuiabá. Antes de deixar o estabelecimento, segundo a esposa, ele havia ingerido bebida alcoólica, ficou alterado, quebrou um copo e foi retirado pelos seguranças.
Antes do atropelamento de Paulo, o motorista já havia se envolvido em outro acidente na Avenida Isaac Póvoas, onde bateu na traseira de uma moto. O motociclista ficou ferido, e o motorista deixou o local sem prestar socorro.
Na sequência, ele continuou dirigindo e atingiu a moto de Paulo. Uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionada, mas o médico confirmou a morte do entregador.
Hercílio foi indiciado pela Polícia Civil.
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Hercílio Junio Freitas Cordeiro foi preso preventivamente no dia 5 de setembro e segue detido. — Foto: Tv Centro América
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