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10 de agosto de 2026

Business

Rápida evolução dos bioinsumos pressiona governo por célere regulamentação, diz Abinbio

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Foto: Canal Rural

O avanço acelerado do mercado de bioinsumos no Brasil elevou a pressão sobre o governo federal para concluir a regulamentação do Novo Marco Regulatório do setor. A avaliação predominou entre lideranças da indústria e pesquisadores reunidos no BioSummit 2026, realizado em 6 e 7 de maio, em Campinas, São Paulo.

O consenso foi da necessidade de regulamentação célere da nova legislação como condição estratégica para garantir segurança jurídica, continuidade operacional e expansão dos investimentos em bioinsumos no país.

O debate ocorre em meio a um cenário de forte crescimento do segmento. Segundo levantamento da CropLife Brasil, o mercado brasileiro de bioinsumos atingiu R$ 6,2 bilhões em 2025, alta de 15% em relação ao ano anterior e o maior avanço desde o início da série histórica, em 2022.

No plano internacional, a consultoria DunhamTrimmer projeta crescimento global de 10% entre 2025 e 2030, levando o setor a US$ 25 bilhões até o fim da década. A América Latina deverá superar essa média, com expansão estimada em 14%, puxada principalmente pelo Brasil, hoje considerado líder mundial em adoção de insumos biológicos.

Foi nesse contexto que o assessor jurídico da Associação Brasileira de Indústrias de Bioinsumos (Abinbio), Rodrigo Souza, defendeu rapidez na consolidação das normas infralegais da nova Lei dos Bioinsumos, uma vez que o tempo de entusiasmo com a aprovação da matéria já passou.

Segundo ele, o próprio processo legislativo demonstrou maturidade institucional e alinhamento entre os diferentes elos da cadeia produtiva.

“É importante destacar que durante o processo legislativo existiu bastante consenso, mesmo com a participação dos diferentes setores envolvidos, o que demonstra o amadurecimento do debate e o entendimento de que neste momento a finalização do processo é a prioridade para todos, produtor rural, governo, pesquisa, investimento e indústria”, destacou.

Segurança jurídica

Souza ressalta que, entretanto, o cenário atual vai além de mera expectativa regulatória. “Mais do que ansiedade com a finalização da regulamentação, existe urgência real, especialmente por parte da indústria, que aguarda a finalização da regulamentação para ter segurança jurídica sobre uma área extremamente regulada”, declarou.

De acordo com ele, a ausência das regulamentações complementares já provoca impactos concretos sobre a operação das empresas. “Em muitos casos a falta de regulamentação impacta diretamente em processos de registro de produtos, fiscalizações e demais rotinas da cadeia de produção”, afirmou.

O assessor jurídico da Abinbio ressaltou ainda que diversos pontos previstos no novo marco continuam exigindo aprofundamento técnico e alinhamento institucional. Entre eles, citou a necessidade de definição sobre a atuação prévia do Ibama e da Anvisa nos processos de registro, além de temas considerados estratégicos para a competitividade do setor.

“Nesse contexto de urgência, é necessário destacar pontos importantes para a rotina da indústria, trazidos pela Lei dos Bioinsumos, que ainda necessitam de debate, especialmente atinentes à necessidade de atuação prévia do Ibama e Anvisa em processos de registro de produtos, proteção de dados regulatórios, proteção contra biopirataria, possibilidade de acreditação de laboratórios privados e ampliação do escopo da titularidade de registro de bioinsumos”, pontuou.

Outro aspecto levantado por Souza foi a coexistência temporária entre dispositivos antigos e as novas diretrizes legais, situação que, segundo ele, amplia a insegurança jurídica no setor. “Existem pontos de sombra entre a nova lei e o regramento anterior, que continuam impactando o dia a dia e inclusive gerando insegurança nas rotinas produtivas, em processos administrativos e fiscalizações”, explicou.

Ao encerrar sua participação, o representante da Abinbio reforçou que a consolidação do ambiente regulatório será determinante para o futuro da indústria brasileira de bioinsumos.

“A expectativa do setor é enorme, todavia a atividade da indústria não pode parar, pois existe toda a cadeia produtiva, de suprimentos e empregos envolvidos, pelo que a consolidação e aumento de investimentos e crescimento dependem de clareza e segurança jurídica no ambiente regulatório, o que somente ocorrerá com a finalização da regulamentação”, concluiu.

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Colheita de milho chega a 73,2% da área no Brasil, aponta consultoria

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A colheita de milho avançou no Brasil e chegou a 73,2% da área total em 2026, segundo a Pátria Agronegócios. No mesmo período de 2025, o montante colhido era de 79,4%, enquanto em 2024 chegava a 90,2%. A média dos últimos cinco anos para este mesmo período é de 79,2%.

Os trabalhos estão praticamente encerrados em Mato Grosso e Tocantins. Goiás registrou grande avanço na semana e é o estado onde as produtividades apresentam os piores resultados.

São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Goiás registram grandes atrasos na colheita em geral.

No Paraná, segundo maior produtor de milho do país, a colheita segue em ritmo próximo da média dos últimos cinco anos, porém mais lento que o observado em 2025 e 2024.

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Escalas de abate e exportações mantêm mercado do boi gordo no radar nesta semana

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Foto: Secretaria de Agricultura de São Paulo

O mercado físico do boi gordo manteve, nesta segunda-feira (10), o padrão observado nos últimos negócios, com os agentes acompanhando de perto a evolução das escalas de abate dos frigoríficos e o ritmo das exportações brasileiras de carne bovina.

Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, os frigoríficos de maior porte encontram melhores condições para alongar suas escalas de abate diante da perspectiva de maior incidência de animais de parceria ao longo de agosto. Já os frigoríficos de menor porte continuam trabalhando com escalas mais apertadas e apresentam maior necessidade de compra de animais.

“A evolução das escalas de abate e o ritmo semanal de exportação seguem como variáveis importantes para a formação de preço e de tendência no curto prazo”, avaliou Iglesias.

Entre as principais praças pecuárias, São Paulo apresentou referência média de R$ 351,50 por arroba, na modalidade a prazo. Em Goiás, a indicação média ficou em R$ 336,46 por arroba, enquanto Minas Gerais registrou média de R$ 337,12.

Em Mato Grosso do Sul, a arroba foi indicada em R$ 343,05, e, em Mato Grosso, a referência ficou em R$ 332,73.

Atacado

No mercado atacadista, os preços permanecem firmes. A expectativa, contudo, é de uma reposição mais lenta ao longo dos próximos dias, diante da perda do efeito da entrada dos salários na economia e da concentração da demanda provocada pelo Dia dos Pais na primeira semana de agosto.

Outro ponto de atenção é a perda de competitividade da carne bovina frente às proteínas concorrentes, especialmente em relação à carne de frango. O cenário pode limitar o espaço para novas altas no atacado, caso a demanda não apresente recuperação.

Entre os principais cortes, o quarto dianteiro permanece cotado a R$ 21,50 por quilo, enquanto a ponta de agulha segue negociada a R$ 20,00 por quilo. O quarto traseiro continua precificado em R$ 27,00 por quilo.

Dólar encerra em alta

No câmbio, o dólar comercial encerrou a sessão desta segunda-feira com alta de 0,53%, cotado a R$ 5,1113 na venda e R$ 5,1093 na compra.

Durante o pregão, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,0832 e a máxima de R$ 5,1197.

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Congresso Abag: agro amplia acesso ao mercado de capitais, mas esbarra no seguro rural

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Foto: Beatriz Gunther/Canal Rural.

O mercado de capitais já responde por cerca de 30% do financiamento do agronegócio brasileiro, com instrumentos como CRAs, Fiagros e CPRs ganhando espaço. Mas o avanço desse mercado ocorre em um momento de ajustes, com investidores mais atentos aos riscos e um problema antigo ainda sem solução: a baixa cobertura do seguro rural. O tema foi discutido no 25º Congresso Brasileiro do Agronegócio, promovido pela Abag.

Um dos exemplos da expansão é o Fiagro. Em quatro anos, o instrumento chegou a cerca de 600 mil investidores, ampliando o acesso de pessoas físicas ao financiamento do setor. A diferença em relação ao valor médio de entrada do CRA ajuda a explicar esse movimento.

“Hoje, no CRA, o valor do ticket médio é de R$ 43 mil. O Fiagro é de R$ 1 mil. Então, a gente criou um instrumento acessível, democrático e simples”, afirmou Fabiana Perobelli, superintendente de Relacionamento com Clientes da B3.

Segundo ela, o momento atual também exige que o mercado dê mais transparência às operações. Depois de episódios que aumentaram a percepção de risco entre investidores, a tendência é de uma reação natural nos volumes negociados e nas emissões até que fique mais claro o que está acontecendo.

“Quanto mais rápido a gente consegue ter transparência sobre o que está acontecendo, a gente consegue isolar os efeitos. Esse efeito realmente está caracterizado nessa emissão ou nessa empresa e não é um efeito sistêmico”, explicou.

Para Fabiana, o avanço dos registros e da quantidade de informações disponíveis ajuda a reconstruir essa confiança. “Quanto mais rápido a gente consegue entender a operação, acho que a gente evolui e volta à normalidade de preços, de volume negociado e de emissões”, afirmou.

Seguro rural é o elo mais frágil

Enquanto o mercado de capitais amplia suas alternativas, o produtor continua altamente exposto aos eventos climáticos. Dados apresentados por Monique Cardoso, superintendente de Sustentabilidade da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), mostram que a cobertura do seguro rural caiu de um pico de 16% para cerca de 3%. Hoje, menos de 100 mil produtores possuem apólices contratadas.

O número chama atenção diante do peso do agronegócio na economia.

“A gente chegou num nível muito baixo de proteção securitária do produtor rural. A gente tem um quarto da economia sem nenhuma proteção. É isso que está acontecendo”, afirmou Monique.

A vulnerabilidade aumenta porque o produtor compromete grande parte do capital a cada safra. Quando uma seca, enchente, geada ou outro evento extremo destrói a produção, o impacto chega diretamente à renda e à capacidade de pagamento.

Os reflexos já aparecem no crédito. Dos quase 2 mil casos recentes de recuperação judicial no agronegócio, mais de 60% apontam eventos climáticos, principalmente secas severas, entre os principais fatores para a crise de liquidez.

Seguro pode proteger também o investidor

Nesse cenário, o seguro rural deixa de ser apenas uma proteção para o produtor e passa a funcionar também como mecanismo de redução de risco para o mercado de capitais.

A lógica é que uma produção protegida reduz a possibilidade de inadimplência nas carteiras de recebíveis que dão origem a operações como os CRAs.

“O seguro é um instrumento e uma ferramenta muito potente para gestão e mitigação de risco. Se ele estivesse presente numa carteira de recebíveis ali dentro do CRA, imagina a confiança do grande investidor que vai comprar os títulos. Aumenta bastante, porque a produção está protegida”, explicou Monique.

Para Flavia Palacios, diretora da Anbima, o mercado financeiro já dispõe de instrumentos regulatórios e de fiscalização robustos para ampliar essa conexão. O desafio está em garantir que o risco seja adequadamente tratado na origem.

As painelistas também defenderam a modernização do seguro rural, incluindo o Projeto de Lei 29/2025, que busca dar mais estabilidade ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

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