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Pesquisadores defendem bioinsumos e controle biológico diante de riscos climáticos no campo

O avanço das mudanças climáticas tem ampliado a pressão sobre os sistemas produtivos, com aumento de temperatura, secas mais prolongadas e eventos extremos. Durante o BioSummit 2026, realizado entre terça-feira (6) e quarta-feira (7), em Campinas (SP), pesquisadores defenderam o uso de bioinsumos e do controle biológico como ferramentas para elevar a resiliência da agricultura e reduzir a dependência de insumos químicos.
Pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Meio Ambiente (Embrapa Meio Ambiente), Wagner Bettiol afirmou que a preservação da biodiversidade microbiana é parte central desse processo. Segundo ele, microrganismos benéficos contribuem para o equilíbrio dos sistemas agrícolas, melhoram o aproveitamento de água pelas plantas e reduzem impactos ambientais.
Bettiol também destacou que o aquecimento global pode intensificar doenças causadas por vírus e molicutes transmitidos por vetores. De acordo com o pesquisador, temperaturas mais altas tendem a encurtar o ciclo de vida desses organismos, elevar sua atividade e aumentar a disseminação de patógenos, como já observado em casos de enfezamento do milho.
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No aspecto ambiental, o pesquisador apresentou uma comparação entre insumos. Segundo ele, a produção de 1 quilo de defensivo químico pode emitir de 20 a 25 quilos de CO2 equivalente, enquanto 1 quilo de bioinsumo gera de 3 a 5 quilos de CO2 equivalente. Bettiol acrescentou que o Brasil tem 277 produtos biológicos registrados com uso de apenas duas cepas de microrganismos, o que, segundo ele, indica espaço para ampliar o uso da biodiversidade microbiana nacional.
Professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Carlos Alexandre Cruciol afirmou que agentes de biocontrole atuam além do combate a doenças. Segundo ele, bactérias como Bacillus ajudam plantas a enfrentar estresses abióticos, enquanto fungos do gênero Trichoderma apresentam melhor resposta em condições de déficit hírico.
No evento, a jornalista especializada em agro Renata Maron informou que a área potencial tratada com bioinsumos no Brasil alcançou cerca de 194 milhões de hectares em 2025. No mesmo período, a taxa de adoção passou de 22% para 47% em cinco anos.
Fonte: embrapa.br
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Colheita de milho chega a 73,2% da área no Brasil, aponta consultoria

A colheita de milho avançou no Brasil e chegou a 73,2% da área total em 2026, segundo a Pátria Agronegócios. No mesmo período de 2025, o montante colhido era de 79,4%, enquanto em 2024 chegava a 90,2%. A média dos últimos cinco anos para este mesmo período é de 79,2%.
Os trabalhos estão praticamente encerrados em Mato Grosso e Tocantins. Goiás registrou grande avanço na semana e é o estado onde as produtividades apresentam os piores resultados.
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São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Goiás registram grandes atrasos na colheita em geral.
No Paraná, segundo maior produtor de milho do país, a colheita segue em ritmo próximo da média dos últimos cinco anos, porém mais lento que o observado em 2025 e 2024.
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Escalas de abate e exportações mantêm mercado do boi gordo no radar nesta semana

O mercado físico do boi gordo manteve, nesta segunda-feira (10), o padrão observado nos últimos negócios, com os agentes acompanhando de perto a evolução das escalas de abate dos frigoríficos e o ritmo das exportações brasileiras de carne bovina.
Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, os frigoríficos de maior porte encontram melhores condições para alongar suas escalas de abate diante da perspectiva de maior incidência de animais de parceria ao longo de agosto. Já os frigoríficos de menor porte continuam trabalhando com escalas mais apertadas e apresentam maior necessidade de compra de animais.
“A evolução das escalas de abate e o ritmo semanal de exportação seguem como variáveis importantes para a formação de preço e de tendência no curto prazo”, avaliou Iglesias.
Entre as principais praças pecuárias, São Paulo apresentou referência média de R$ 351,50 por arroba, na modalidade a prazo. Em Goiás, a indicação média ficou em R$ 336,46 por arroba, enquanto Minas Gerais registrou média de R$ 337,12.
Em Mato Grosso do Sul, a arroba foi indicada em R$ 343,05, e, em Mato Grosso, a referência ficou em R$ 332,73.
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Atacado
No mercado atacadista, os preços permanecem firmes. A expectativa, contudo, é de uma reposição mais lenta ao longo dos próximos dias, diante da perda do efeito da entrada dos salários na economia e da concentração da demanda provocada pelo Dia dos Pais na primeira semana de agosto.
Outro ponto de atenção é a perda de competitividade da carne bovina frente às proteínas concorrentes, especialmente em relação à carne de frango. O cenário pode limitar o espaço para novas altas no atacado, caso a demanda não apresente recuperação.
Entre os principais cortes, o quarto dianteiro permanece cotado a R$ 21,50 por quilo, enquanto a ponta de agulha segue negociada a R$ 20,00 por quilo. O quarto traseiro continua precificado em R$ 27,00 por quilo.
Dólar encerra em alta
No câmbio, o dólar comercial encerrou a sessão desta segunda-feira com alta de 0,53%, cotado a R$ 5,1113 na venda e R$ 5,1093 na compra.
Durante o pregão, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,0832 e a máxima de R$ 5,1197.
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Congresso Abag: agro amplia acesso ao mercado de capitais, mas esbarra no seguro rural

O mercado de capitais já responde por cerca de 30% do financiamento do agronegócio brasileiro, com instrumentos como CRAs, Fiagros e CPRs ganhando espaço. Mas o avanço desse mercado ocorre em um momento de ajustes, com investidores mais atentos aos riscos e um problema antigo ainda sem solução: a baixa cobertura do seguro rural. O tema foi discutido no 25º Congresso Brasileiro do Agronegócio, promovido pela Abag.
Um dos exemplos da expansão é o Fiagro. Em quatro anos, o instrumento chegou a cerca de 600 mil investidores, ampliando o acesso de pessoas físicas ao financiamento do setor. A diferença em relação ao valor médio de entrada do CRA ajuda a explicar esse movimento.
“Hoje, no CRA, o valor do ticket médio é de R$ 43 mil. O Fiagro é de R$ 1 mil. Então, a gente criou um instrumento acessível, democrático e simples”, afirmou Fabiana Perobelli, superintendente de Relacionamento com Clientes da B3.
Segundo ela, o momento atual também exige que o mercado dê mais transparência às operações. Depois de episódios que aumentaram a percepção de risco entre investidores, a tendência é de uma reação natural nos volumes negociados e nas emissões até que fique mais claro o que está acontecendo.
“Quanto mais rápido a gente consegue ter transparência sobre o que está acontecendo, a gente consegue isolar os efeitos. Esse efeito realmente está caracterizado nessa emissão ou nessa empresa e não é um efeito sistêmico”, explicou.
Para Fabiana, o avanço dos registros e da quantidade de informações disponíveis ajuda a reconstruir essa confiança. “Quanto mais rápido a gente consegue entender a operação, acho que a gente evolui e volta à normalidade de preços, de volume negociado e de emissões”, afirmou.
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Seguro rural é o elo mais frágil
Enquanto o mercado de capitais amplia suas alternativas, o produtor continua altamente exposto aos eventos climáticos. Dados apresentados por Monique Cardoso, superintendente de Sustentabilidade da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), mostram que a cobertura do seguro rural caiu de um pico de 16% para cerca de 3%. Hoje, menos de 100 mil produtores possuem apólices contratadas.
O número chama atenção diante do peso do agronegócio na economia.
“A gente chegou num nível muito baixo de proteção securitária do produtor rural. A gente tem um quarto da economia sem nenhuma proteção. É isso que está acontecendo”, afirmou Monique.
A vulnerabilidade aumenta porque o produtor compromete grande parte do capital a cada safra. Quando uma seca, enchente, geada ou outro evento extremo destrói a produção, o impacto chega diretamente à renda e à capacidade de pagamento.
Os reflexos já aparecem no crédito. Dos quase 2 mil casos recentes de recuperação judicial no agronegócio, mais de 60% apontam eventos climáticos, principalmente secas severas, entre os principais fatores para a crise de liquidez.
Seguro pode proteger também o investidor
Nesse cenário, o seguro rural deixa de ser apenas uma proteção para o produtor e passa a funcionar também como mecanismo de redução de risco para o mercado de capitais.
A lógica é que uma produção protegida reduz a possibilidade de inadimplência nas carteiras de recebíveis que dão origem a operações como os CRAs.
“O seguro é um instrumento e uma ferramenta muito potente para gestão e mitigação de risco. Se ele estivesse presente numa carteira de recebíveis ali dentro do CRA, imagina a confiança do grande investidor que vai comprar os títulos. Aumenta bastante, porque a produção está protegida”, explicou Monique.
Para Flavia Palacios, diretora da Anbima, o mercado financeiro já dispõe de instrumentos regulatórios e de fiscalização robustos para ampliar essa conexão. O desafio está em garantir que o risco seja adequadamente tratado na origem.
As painelistas também defenderam a modernização do seguro rural, incluindo o Projeto de Lei 29/2025, que busca dar mais estabilidade ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).
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