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Alckmin defende seguro rural ‘mais robusto’ e promete manter diálogo constante com EUA

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, afirmou que o governo pretende manter as negociações com os Estados Unidos diante das barreiras comerciais impostas aos produtos brasileiros e defendeu a abertura de novos mercados como estratégia para reduzir os impactos sobre os setores afetados.
Em entrevista exclusiva ao programa Mercado & Cia, do Canal Rural, Alckmin também reconheceu a necessidade de fortalecer o seguro rural, apontou o fundo garantidor como instrumento para facilitar o acesso ao crédito e destacou medidas para estimular os biocombustíveis. O vice-presidente ainda abordou as negociações envolvendo a carne brasileira com China e União Europeia, investimentos em fertilizantes e infraestrutura e os impactos esperados da reforma tributária.
Confira a entrevista:
Canal Rural — A disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos ganhou mais um capítulo. Desta vez, o açúcar é alvo de uma ameaça de redução da cota de exportação brasileira. Como o governo avalia esse cenário?
Geraldo Alckmin — É importante explicar para quem nos acompanha que a medida, o tarifaço, é extremamente injusta. Por quê? Porque, quando importamos produtos dos Estados Unidos, quando eles exportam para nós, a tarifa média é de 3,1%. Dos dez produtos que eles mais exportam para nós, sete têm tarifa zero.
Os Estados Unidos têm déficit na balança comercial com praticamente todo o mundo. No G20, só têm superávit com três países: Brasil, Reino Unido e Austrália. Então, o Brasil não é problema. Eles têm superávit na balança conosco, nosso imposto de importação é baixo, então não tem sentido esse tarifaço.
Nós vamos trabalhar para corrigir, porque isso é injusto. Não vamos sair da mesa de negociação, vamos continuar o diálogo para corrigir isso.
Claro que quem está mais atingido é a indústria. A maioria dos produtos agrícolas está fora do tarifaço, mas a indústria está mais afetada. Exportamos muito produto industrial para os Estados Unidos: carro, motor, máquinas, máquinas rodoviárias.
Vamos continuar a negociação. A outra frente é abrir novos mercados. No agro, por exemplo, foram 670 novos mercados. Tanto é que, no ano passado, mesmo com o tarifaço, batemos recorde de exportação.

Canal Rural — O senhor encabeçou as negociações com empresários brasileiros e com o governo americano. O que avançou e o que ainda precisa evoluir?
Alckmin — Vejo que é possível, sim, o diálogo. Primeiro, na questão tarifária, nós já temos uma tarifa muito mais baixa do que os Estados Unidos. Mas sempre é possível procurar aprimorar algumas coisas.
A outra frente são as questões não tarifárias. Os Estados Unidos são o maior investidor no Brasil. Temos mais de 3 mil empresas americanas trabalhando aqui. A General Motors, por exemplo, está há mais de 100 anos no Brasil. É importante aproveitar oportunidades de complementaridade econômica e de investimentos recíprocos.
Há questões não tarifárias, por exemplo, no setor de açúcar e álcool. Em uma conversa que tive com o embaixador Greer e com o secretário Howard Lutnick, foi colocada a questão do certificado para a exportação de etanol e nós resolvemos praticamente em uma semana.
Você pode ter também a questão dos data centers. O Brasil tem energia abundante e renovável, então podem investir aqui. Há ainda os minerais estratégicos. O Brasil tem a segunda reserva do mundo de terras raras. Acho que há muito espaço para complementaridade.
Também fizemos o acordo Mercosul-Singapura depois de 14 anos. Temos Mercosul-EFTA, com países de altíssima renda per capita, e o acordo Mercosul-União Europeia.
Outra questão é apoiar quem foi afetado. Há empresas que dependem muito das exportações para os Estados Unidos, especialmente na indústria. Fizemos o Brasil Soberano, com R$ 18,5 bilhões em crédito.
Esse crédito não é só para quem exporta, mas também para quem fornece ao exportador. Às vezes, tenho uma fábrica ao lado de outra que produz máquinas para exportação. Quando ela deixa de exportar, a fornecedora também é afetada. Então, a cadeia também pode entrar no Brasil Soberano.
E a outra frente é buscar mercado para esses setores afetados. Apex e BNDES vão trabalhar rapidamente para procurar colocar esses produtos em novos mercados.
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Canal Rural — Como estão as negociações envolvendo a carne brasileira com China e União Europeia?
Alckmin — Há 50 anos, o Brasil era importador de alimentos. Neste ano, vamos passar os Estados Unidos e ser o maior exportador de alimentos do mundo. Mudamos totalmente.
Hoje, o Brasil tem a agricultura tropical mais competitiva do mundo. Somos o primeiro exportador mundial de carne bovina, o primeiro em carne de frango e o terceiro em carne suína.
Temos duas dificuldades. Uma é com a União Europeia, que, em razão da questão dos antimicrobianos, tem uma restrição prevista a partir de setembro. Estamos trabalhando em diálogo permanente, com o Ministério da Agricultura e os setores da União Europeia.
A outra é a China. Exportávamos 1,6 milhão de toneladas e foi reduzido para 1,1 milhão de toneladas. Todo ano aumenta um pouco, mas é muito pouco diante do tamanho do nosso mercado.
A boa notícia é que agora, em agosto, vem uma missão da Coreia do Sul. A Coreia fará uma inspeção sanitária e tenho certeza de que o Brasil será muito bem avaliado. Estamos procurando outros mercados.
Canal Rural — Há espaço para negociar com a China uma flexibilização das restrições à carne brasileira?
Alckmin — A China é hoje o maior parceiro comercial do Brasil. É quem mais compra do Brasil e com quem temos um superávit muito grande na balança.
Agora, a China compra muitas commodities: petróleo bruto, minério de ferro, carne, soja, café, milho. Compra muita commodity e menos produto industrial. Essa é a diferença em relação aos Estados Unidos, que compram mais produtos industriais.
O presidente Lula tem conversado tanto com a China quanto com a União Europeia. Estamos trabalhando e abrindo novos mercados.
Estamos vivendo um certo protecionismo no mundo. Esse é um fato. O Brasil defende o multilateralismo, a abertura de mercados e novos mercados.
Estamos conversando com Canadá, Emirados Árabes, Índia e México. Existe espaço para avançarmos.
Canal Rural — Em relação às novas exigências sanitárias da União Europeia, o Ministério da Agricultura já tem uma resposta?
Alckmin — Não, ainda não tem resposta. No frango, a adaptação é mais rápida porque o ciclo é de 45 dias. Então, é possível se adaptar rapidamente.
O boi já é mais demorado, por isso todo o empenho para retirar essa restrição.
E veja que o Brasil é um exemplo de modelo sanitário. Somos hoje exportadores de carne sem vacinação contra a febre aftosa. O Brasil é livre de febre aftosa sem vacinação. Também somos livres de gripe aviária. Então, o Brasil tem um bom padrão sanitário, reconhecido internacionalmente.
Canal Rural — O Brasil está no B15, enquanto o setor produtivo já discute misturas maiores de biodiesel. Estrategicamente, quais são os próximos passos?
Alckmin — A agroindústria é muito importante. Na Nova Indústria Brasil, a missão número um é agroindústria, é agregar valor ao agro. Se eu sou campeão no agro, vou industrializar, agregar valor e gerar mais emprego no Brasil.
Os biocombustíveis, seja etanol, seja biodiesel, representam um grande avanço. E, em um momento de guerras e conflitos regionais, isso é ainda mais importante.
O Brasil é o sexto maior produtor de petróleo do mundo, mas importa derivados, como diesel e gasolina. Quando coloco 15% de biodiesel, por exemplo, a partir do óleo de soja, estou agregando valor à soja e aos grãos e deixo de importar parte do diesel.
A mesma coisa acontece com a gasolina. Coloco 32% de etanol anidro e deixo de importar gasolina. Dentro de cinco ou seis anos, vamos ficar também independentes na questão dos derivados de petróleo.
Canal Rural — Com os investimentos privados aumentando a produção de etanol e biodiesel, haverá demanda suficiente para acompanhar o crescimento da oferta?
Alckmin — Aumentou muito o etanol de milho, o que também é bom porque você produz etanol e, com aquela massa proteica, faz DDG. Então, vira carne, ovo, frango, gera proteína animal.
O que o governo fez? Há três anos, eram 27,5% de etanol na gasolina. Aumentamos para 30% e, na semana passada, para 32%. Tivemos aumento de quase 20% da demanda de etanol para misturar à gasolina, reduzindo nossa importação.
O biodiesel era 10% e aumentamos para 15%, 50% a mais.
A outra frente é convencer o mundo a também descarbonizar e gastar menos combustível fóssil. Vejo uma possibilidade no SAF, que vai substituir o querosene dos aviões. Quem pode produzir SAF? Brasil, Índia e Estados Unidos.
Na navegação marítima, também já existem empresas de cabotagem comprando etanol e substituindo diesel por outros combustíveis. Vejo, sim, uma possibilidade com as mudanças climáticas e a necessidade de emitir menos carbono.
Canal Rural — Há possibilidade de ampliar ainda mais as misturas de biocombustíveis?
Alckmin — Tudo precisa de teste. Não vamos passar de 15% para cima sem ter os testes. Eles estão sendo feitos no Instituto Mauá de Tecnologia. Tudo é feito por meio de testes e só depois aprovado.
No caso do etanol, temos o carro 100% etanol. Eu, por exemplo, tenho carro flex e só coloco etanol.
Os biocombustíveis fazem diferença. Eles emitem muito menos carbono.
Outro exemplo de estímulo ao biocombustível é o carro sustentável. Tiramos o IPI. Era 7% e hoje é zero. É um carro de entrada, com 80% de reciclabilidade, que não pode emitir mais do que 83 gramas de CO2 por quilômetro rodado. Seis montadoras se adequaram.
Estamos retirando o imposto para ajudar a despoluir, combater as mudanças climáticas, gerar emprego e agregar valor no campo.
Canal Rural — O produtor enfrenta queda nos preços de commodities, aumento dos custos e sucessivas perdas climáticas. Como o governo pretende enfrentar o endividamento e melhorar o acesso ao crédito?
Alckmin — Temos um fato real: queda no preço das commodities no mundo. Alguns setores estão muito bem, como café, carne e frutas. Já os grãos enfrentam dificuldades.
A economia é cíclica. Uma hora o preço cai, e isso coincidiu com a guerra no Oriente Médio e o aumento do preço dos combustíveis. Então, temos, de um lado, queda do preço das commodities e, do outro, aumento dos custos de produção.
O governo brasileiro agiu. Tiramos o imposto do diesel e demos uma subvenção. Não temos como acabar com a guerra, mas podemos minimizar os efeitos.
O que o governo fez? Plano Safra, com R$ 610 bilhões, e renegociação das dívidas.
Um fato novo colocado na lei é o fundo garantidor. É preciso ter um fundo garantidor porque, senão, a pessoa tem dificuldade de acessar o crédito. O fundo garantidor faz diferença.
E colocaria outra questão relevante, que ainda precisa ser equacionada: aumentar o seguro rural. Em razão das mudanças climáticas e até do El Niño, é preciso ter um seguro rural mais robusto. Esse é um tema que está na mesa hoje.
Canal Rural — Com produtores endividados e bancos mais cautelosos na concessão de crédito, o que pode ser feito de forma mais imediata para garantir a continuidade da produção?
Alckmin — Foi feito um Plano Safra recorde, de R$ 610 bilhões. A tomada de crédito aumenta muito a partir de setembro e outubro.
A outra questão são os inadimplentes, quem pegou dinheiro lá atrás e teve dificuldade para pagar. O governo, em parceria com o Congresso, fez um programa de renegociação de R$ 100 bilhões, inclusive dando prioridade para quem foi atingido pelas questões climáticas, perdeu safra ou produção.
E vem um instrumento novo, que é o fundo garantidor. O banco, claro, tem receio de emprestar. Então, o fundo garantidor vai ajudar a melhorar o acesso ao crédito.
Além disso, fizemos o Move Agro, para pessoa física e jurídica, com taxa de 9,2% para compra de tratores, colheitadeiras e implementos. Também fizemos o Move Caminhões. O Finame estava em 23% e passamos a financiar a 12% caminhões e implementos.
O governo tem feito um conjunto de medidas. É preciso reduzir o Custo Brasil, melhorar a logística, abrir mercados e apoiar aqueles que foram atingidos pelo tarifaço.
Canal Rural — Com juros elevados, custos financeiros e incertezas, o que precisa mudar para atrair investimentos ao agro?
Alckmin — Esse mercado tem uma regra própria. Há setores que estão bem, como café, carne e frutas, e há setores, especialmente os grãos, que dependem do preço internacional das commodities e enfrentaram aumento de custos, especialmente de fertilizantes e combustíveis.
Na questão dos fertilizantes, retomamos quatro fábricas para produzir nitrogenados. Também estamos procurando fornecedores para suprir a demanda.
No caso do potássio, depois de dez anos de disputa judicial, devemos ter avanço na produção no Amazonas.
Também precisamos melhorar a logística, trabalhar pela Ferrogrão, integrar modais, reduzir o Custo Brasil, abrir novos mercados, ampliar a oferta de crédito e fortalecer o seguro rural.
Canal Rural — O senhor foi um dos defensores da reforma tributária e já classificou o antigo sistema como um “manicômio tributário”. Como avalia os impactos da reforma sobre o agronegócio?
Alckmin — Vejo de maneira positiva. O que é o manicômio tributário? O Brasil é o país dos impostos. Isso cria custo. É preciso ter um exército de pessoas só para pagar imposto. E, de outro lado, há judicialização.
O primeiro objetivo da reforma tributária foi simplificar. Pegamos cinco impostos — IPI, PIS, Cofins, ICMS e ISS — e caminhamos para um IVA dual.
O mundo fez isso há 40 anos. Estamos atrasados, mas finalmente foi feito.
Você simplifica e traz eficiência econômica porque desonera totalmente o investimento e desonera a exportação. Hoje, quando exporto um trator, não pago imposto para exportar, mas já paguei imposto quando comprei o aço. Você retira essa cumulatividade. Hoje, indiretamente, você está exportando imposto e perdendo competitividade.
Há um estudo do Ipea que mostra que, em 15 anos, a reforma tributária pode fazer o PIB crescer 12%, os investimentos 14% e as exportações 17%.
Outra coisa boa para quem está nos acompanhando é a desoneração completa da cesta básica. Hoje tem comida que paga imposto. Haverá desoneração completa da cesta básica.
Canal Rural — O Brasil abriu centenas de mercados, mas o produtor ainda enfrenta gargalos de crédito, seguro, logística e armazenagem. Qual deve ser a prioridade?
Alckmin — Essa é a nossa agenda estratégica: melhorar a logística em um país continental, reduzir custos, melhorar o crédito, garantir seguro, ter fundo garantidor para o agricultor poder acessar financiamento e também abrir mercados.
Porque, se eu não abro mercado e o meu vizinho tem preferência tarifária, eu fico para trás. Então, é preciso também garantir mercado.
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Oito mitos e verdades que todo consumidor deveria conhecer sobre azeite

Os azeites virgens e extra virgens concentram compostos fenólicos, propriedades antioxidantes benéficas à saúde humana. De acordo com a coordenadora de nutrição e dietética do São Cristóvão Saúde, Cintya Bassi, o produto é rico em gorduras monoinsaturadas, particularmente o ácido oleico (ômega 9), além de conter ômega 6 e ômega 3.
“Esses ácidos graxos são benéficos para a saúde cardiovascular, ajudando a melhorar o perfil lipídico, aumentar o colesterol bom (HDL) e reduzir o colesterol ruim (LDL). Além disso, o azeite é repleto de antioxidantes, como o hidroxitirosol, que exerce uma ação protetora no coração e no cérebro. Ele também é uma rica fonte de vitaminas E e K e esteróis vegetais, que auxiliam no controle do colesterol”, afirma a especialista.
O produto está cada vez mais presente no dia a dia do prato dos brasileiros. Segundo o Conselho Oleícola Internacional (IOC), o Brasil importou 80.768 toneladas de azeite na safra 2024/25, respondendo por cerca de 9% das importações mundiais e 3,1% do consumo global. Entre outubro de 2025 e março de 2026, as importações cresceram 40,5% na comparação com o mesmo período da safra anterior.
O diretor da Filippo Berio no Brasil, Eduardo Casarin, ressalta que o azeite é um ingrediente que reúne atributos nutricionais e gastronômicos. “O ácido oleico e os compostos fenólicos estão entre os componentes que despertam o interesse da ciência, enquanto o aroma, o sabor, o amargor e a picância ajudam a definir a experiência à mesa. Entender essas características é uma forma de fazer escolhas mais conscientes e aproveitar melhor o produto no dia a dia”, afirma.
Com o aumento do consumo e da oferta, também crescem as dúvidas sobre como escolher, utilizar e conservar o azeite. Confira alguns mitos e verdades:
“O azeite é fonte de gordura monoinsaturada”
VERDADE
O ácido oleico é o principal ácido graxo do azeite e está associado a um perfil de gordura considerado favorável dentro de uma alimentação equilibrada.
VERDADE
Os compostos fenólicos estão presentes nos azeites virgens e extra virgens, obtidos diretamente das azeitonas por processos exclusivamente mecânicos. Esses compostos bioativos são estudados por suas propriedades antioxidantes, e sua concentração pode variar de acordo com fatores como a variedade da azeitona, o estágio de maturação e as condições de produção e armazenamento.
“Quanto mais picante, melhor o azeite”
MITO
Amargor e picância são características sensoriais que podem estar relacionadas à presença de compostos fenólicos, mas não são, isoladamente, indicadores de qualidade.
“O azeite pode ser usado para cozinhar”
VERDADE
O azeite pode ser utilizado em diferentes preparações, incluindo refogados, assados e grelhados. Como outros óleos, não deve ser levado a temperaturas que provoquem fumaça excessiva.
MITO
A categoria extra virgem apresenta características específicas de qualidade e composição, mas diferentes tipos de azeite podem ser utilizados na alimentação, de acordo com a finalidade e a preferência do consumidor.
VERDADE
Pode ser utilizado no preparo e na finalização de legumes, verduras, massas, grãos, peixes, carnes, molhos e marinadas, além de algumas sobremesas.
“A cor mais verde significa que o azeite é melhor”
MITO
A tonalidade pode variar conforme a variedade da azeitona, seu grau de maturação e outros fatores, e não deve ser utilizada isoladamente para avaliar a qualidade.
A forma de conservação influencia a qualidade
VERDADE
Luz, calor, oxigênio e tempo podem acelerar a deterioração do azeite; por isso, depois de aberto, o produto deve permanecer bem fechado e protegido da luz e do calor.
Amargor é sinal de azeite estragado
MITO
Em azeites virgens e extra virgens, certo grau de amargor pode ser uma característica sensorial natural e estar relacionado à presença de compostos fenólicos.
Além das características sensoriais, pesquisas científicas vêm investigando a relação entre o consumo de azeite e diferentes indicadores de saúde. Uma meta-análise publicada em 2024 pelo European Journal of Preventive Cardiology, que reuniu 30 estudos e mais de 2,7 milhões de participantes, encontrou associação entre maior consumo de azeite e menor risco de doenças cardiovasculares e mortalidade.
“Mais do que saber se um azeite é mais suave ou mais intenso, é importante entender suas características e como elas se relacionam com a forma de consumo. Azeite é um ingrediente versátil, que pode trazer sabor às refeições e fazer parte de uma alimentação equilibrada”, acrescenta Casarin.
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o valor que o Brasil ainda não contou

O Ibrafe defende que agregar valor ao feijão brasileiro não depende apenas de verticalizar a produção ou transformar o grão em produto industrial. É preciso reconhecer e comunicar seus atributos: origem, história regional, diversidade de variedades, práticas regenerativas, valor nutricional, presença cultural e papel na segurança alimentar.
Quando se fala em agregar valor à produção agrícola, a primeira resposta costuma ser verticalizar: criar produtos prontos, desenvolver ingredientes, construir marcas e aproximar indústria, varejo, restaurantes e exportação.
Esse caminho faz sentido quando resolve uma necessidade do consumidor, como falta de tempo, dificuldade de preparo ou busca por praticidade. Feijão cozido, farinhas, snacks e ingredientes à base de pulses podem capturar mais valor por tonelada produzida.
Mas industrializar, por si só, não cria valor. Uma embalagem não garante mercado. Uma fábrica não garante demanda. Sem qualidade, distribuição, confiança e viabilidade econômica, o produto muda de forma sem necessariamente melhorar a renda de quem participa da cadeia.
Antes de perguntar como verticalizar, precisamos perguntar: onde está o valor que ainda não estamos contando?
O que significa agregar valor ao feijão?
Feijões têm variedade, textura, sabor, tempo de cozimento, origem, história e uso culinário. Sua presença em cada território resulta de tradição, adaptação ao clima, trabalho dos produtores e oportunidades econômicas.
No vinho, no café, no cacau e nos queijos, o consumidor aprendeu a reconhecer origem, solo, clima, variedade e modo de produção. O produto físico é parte do valor. Outra parte está na reputação e no significado que carrega.
O feijão tem terroir?
O feijão precisa continuar sendo comida de verdade, acessível e cotidiana, presente no prato feito, na escola e na casa das famílias. Isso não impede que tenha origem reconhecida, identidade e atributos ligados ao território.
Há Feijão-preto com forte ligação com o Sul, feijão-carioca em regiões tecnificadas, feijões especiais do Cerrado e caupis conectados à cultura do Nordeste. Mungos, alubias, rajados, vermelhos, cranberries e adzukis revelam uma diversidade que ainda aparece pouco nas gôndolas.
Falar em terroir exige conhecer e demonstrar como o ambiente e o modo de produção se relacionam com as características do alimento. Essa construção pode reunir produtores, pesquisadores e cozinheiros.
A Rota do Feijão pode nascer dessa percepção, unindo território, cultura, gastronomia, produção e conhecimento.
Cada região poderia contar quando o feijão chegou, por que se adaptou, quem o plantou, quais variedades ganharam espaço, que pratos se conectam a ele e como a pesquisa ajudou a melhorar a lavoura.
O que é feijão regenerativo?
A valorização da origem também abre espaço para explicar como o alimento é produzido. Nesse ponto, a palavra regenerativo precisa estar apoiada em práticas e resultados verificáveis.
Para o produtor, isso envolve cuidado com o solo, rotação de culturas, cobertura vegetal, redução de erosão, proteção da água e diversificação produtiva. Os resultados precisam ser acompanhados conforme a realidade de cada sistema.
Para o consumidor, a explicação pode ser simples: um alimento produzido com práticas que buscam cuidar da terra de onde vem. Essa mensagem só ganha confiança quando há evidências que a sustentem.
Quem compra o pacote na prateleira raramente vê a semente, o clima, o risco, o produtor ou as decisões de manejo. Contar essa história torna visível o trabalho que existe entre a lavoura e a mesa.
Por que essa narrativa interessa ao consumidor?
A história não substitui preço, qualidade e disponibilidade. Mas pode ajudar o consumidor, o varejo e o comprador internacional a reconhecer atributos que o preço sozinho não revela.
Um feijão pronto para consumo oferece conveniência. Quando também apresenta uma variedade bem escolhida, origem identificada, produtores conhecidos e práticas comprovadas, reúne outros motivos para ser escolhido.
Qual é a visão do Ibrafe?
O Ibrafe vem levando essa visão a produtores, empacotadores, exportadores, pesquisadores, supermercados, chefs, restaurantes, universidades e instituições públicas. Nenhum elo sozinho será capaz de ampliar o reconhecimento do feijão.
O produtor precisa ser valorizado pelo que entrega além do volume. O empacotador precisa de ferramentas para diferenciar seu produto. O supermercado pode apresentar atributos que vão além da promoção. O chef pode revelar sabor e diversidade. A escola pode aproximar crianças desse alimento.
A pesquisa pode sustentar a diferenciação com conhecimento. A indústria pode oferecer conveniência. A exportação pode apresentar o Brasil como origem confiável, diversa e capaz de entregar alimentos com identidade.
Como o Brasil pode capturar mais valor no feijão?
O Brasil mede sua grandeza agrícola em área, produtividade, safra e toneladas. Essas medidas continuarão importantes. Para o feijão, identidade, confiança e conhecimento do consumidor também precisam orientar as decisões.
Primeiro, entender o produto, seu território, seu sistema produtivo e seu mercado. Depois, decidir se o melhor caminho é vender melhor o grão, criar uma marca de origem, fortalecer o empacotamento, lançar um produto pronto, desenvolver um ingrediente ou abrir um mercado externo.
A verticalização deve nascer de uma demanda real. A narrativa deve nascer da verdade do território. E o regenerativo deve estar apoiado em prática comprovável.
O feijão reúne alimento de verdade, proteína vegetal acessível, fibra, cultura, renda no campo e segurança alimentar. Reconhecer esse conjunto pode ampliar a pergunta sobre como capturar mais valor por tonelada.
Uma saca pode deixar de ser anônima quando sua origem é conhecida. Uma região pode ganhar reconhecimento por suas variedades. O trabalho do produtor pode chegar ao consumidor por meio de uma história verdadeira e de atributos verificáveis.
A Rota do Feijão pode unir produção, gastronomia, turismo, educação, varejo e pesquisa nessa construção. Seu potencial está em aproximar quem produz de quem consome e transformar conhecimento sobre o alimento em reconhecimento de valor.
O feijão precisa continuar acessível. E quem o produz precisa ter melhores condições de ser reconhecido pelo que entrega.
Viva o feijão do Brasil !
*Marcelo Lüders é presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), e atua na promoção do feijão brasileiro no mercado interno e internacional
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
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Produtividade de cereais no Reino Unido fica abaixo da média histórica

A colheita de grãos de 2026 no Reino Unido foi praticamente concluída com rendimentos médios abaixo do histórico recente para as principais culturas de cereais. Segundo relatório final de safra do Conselho de Desenvolvimento da Agricultura e Horticultura (AHDB), divulgado nesta sexta-feira (25), a escassez de chuvas desde a primavera local comprometeu a produtividade em parte relevante das lavouras.
O trigo de inverno encerrou o ciclo com produtividade média de 6,9 toneladas por hectare, resultado 11% inferior à média dos últimos cinco anos. O levantamento aponta que o avanço acelerado da colheita na Inglaterra e no País de Gales e um alívio pontual nos rendimentos do norte da Escócia não foram suficientes para reverter o quadro geral.
A cevada de primavera registrou um dos piores desempenhos da temporada, com média de 4,8 toneladas por hectare, queda de 17% ante a média quinquenal do país. A aveia teve produtividade de 4,6 toneladas por hectare, 14% abaixo do histórico de cinco anos.
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Em sentido oposto, a cevada de inverno ficou alinhada ao padrão recente, com 6,9 toneladas por hectare. A colza apresentou o melhor resultado relativo, ao atingir 4,0 toneladas por hectare, volume 19% superior à média de cinco anos do Reino Unido.
A AHDB também informou que a qualidade dos grãos colhidos variou de forma expressiva entre as regiões, o que adiciona complexidade às decisões de armazenagem e comercialização nos próximos meses. Em nota, a analista-chefe de Cereais e Oleaginosas da entidade, Helen Plant, afirmou que fatores como tipo de solo, data de semeadura e retenção de umidade ampliaram as diferenças entre propriedades.
O diretor do setor, Anthony Hopkins, declarou que a sequência de adversidades climáticas ao longo de duas ou três safras, somada aos custos operacionais elevados, amplia a pressão financeira sobre os agricultores, especialmente nas áreas mais atingidas pela estiagem.
O balanço final da safra de 2026 no Reino Unido indica perdas de produtividade em parte central das culturas de cereais, com desempenho melhor apenas em segmentos específicos, como colza e cevada de inverno, em um cenário marcado por restrição hídrica e variação regional na qualidade dos grãos.
Fonte: Estadão Conteúdo
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