Agro Mato Grosso
Por que Cuiabá ficou mais quente? Estudo aponta perda de árvores, antigas obras do VLT

Área desmatada corresponde a cerca de 2,5 vezes a extensão da atual zona urbana da capital.
Entre 1988 e 2017, Cuiabá perdeu 55.763 hectares de vegetação nativa, o equivalente a 17% da cobertura vegetal do município. Segundo um estudo do Instituto Centro de Vida (ICV), a área desmatada corresponde a cerca de 2,5 vezes a extensão da atual zona urbana da capital.
O levantamento aponta que a expansão urbana e grandes obras de infraestrutura, como a antiga tentativa de implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), estão entre os principais fatores que contribuíram para a redução das áreas verdes.
Para a professora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Flávia Maria de Moura Santos, a retirada de árvores em cidades de clima quente, como Cuiabá, agrava diretamente o calor e reduz a qualidade de vida da população. Segundo ela, a vegetação tem papel essencial na regulação da temperatura por meio do sombreamento e da evapotranspiração, processo em que as plantas liberam umidade para a atmosfera.
“A vegetação contribui de forma direta para a redução da temperatura do ar. Primeiro pelo sombreamento e também por meio da evapotranspiração, que ajuda a aumentar a umidade e torna o clima menos seco”, afirmou.
A pesquisadora explicou que a substituição da vegetação por asfalto e concreto altera o comportamento térmico da cidade. Esses materiais absorvem mais calor ao longo do dia e o devolvem para a atmosfera, aumentando a temperatura do ambiente. Segundo ela, o problema é agravado pelo aumento da circulação de veículos, favorecendo a formação das chamadas ilhas de calor.
“Esses materiais absorvem muito calor, armazenam essa energia e a devolvem para a atmosfera, aquecendo o ambiente ao redor […] Essa substituição da cobertura vegetal por pavimentos impermeáveis intensifica a ilha de calor. Lugares com mais concreto e asfalto tendem a registrar temperaturas mais altas”, explicou.
O coordenador do Núcleo de Inteligência Territorial do Instituto Centro de Vida (ICV), Vinícius Silgueiro, afirma que a perda de vegetação em Cuiabá tem se intensificado nas últimas décadas em razão da expansão urbana e das obras de infraestrutura. Segundo ele, o estudo publicado pelo instituto em 2019 identificou que, entre 1988 e 2017, o município perdeu 55 mil hectares de vegetação nativa, o equivalente a 17% da cobertura vegetal do território.
“Na época, também analisamos o impacto da retirada de cerca de 2.500 árvores para as obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), projeto da Copa do Mundo de 2014 que nunca foi concluído”, afirmou.
Silgueiro destaca ainda que uma nova análise, focada apenas na área urbana de Cuiabá, mostra que a cidade perdeu 7.211 hectares de vegetação nativa entre 1985 e 2024.
“Isso significa que, em 40 anos, Cuiabá perdeu 52% das áreas verdes da sua zona urbana, principalmente em decorrência de novos loteamentos e obras de infraestrutura”, disse.
🌳 Exemplos da perda de vegetação
Ao analisar imagens de satélite e a expansão urbana, os pesquisadores identificaram diferentes situações que contribuíram para a redução da cobertura vegetal em Cuiabá.
- Implantação do VLT
Cerca de 2,5 mil árvores foram retiradas ao longo do trajeto previsto para a implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), em Cuiabá e Várzea Grande. As obras do modal foram interrompidas e, posteriormente, substituídas pelo projeto do Ônibus de Trânsito Rápido (BRT).
Em nota, o Consórcio Integra BRT informou que atua apenas como executor da obra e afirmou que informações sobre o cronograma, as medidas de compensação ambiental e outros detalhes do empreendimento devem ser prestadas pela Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT), responsável pelo contrato.
Já a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) informou que o licenciamento ambiental autorizou a retirada de árvores apenas nas áreas necessárias para a execução das obras. Segundo a pasta, a compensação ambiental prevê a reposição florestal das espécies suprimidas, com replantio previsto para ocorrer durante a implantação do parque linear, entre o 10º e o 20º mês do cronograma da obra.
O Horto Florestal de Cuiabá informou que não há registros de recebimento de árvores doadas pelo Consórcio VLT após a retirada da vegetação, em 2014. De acordo com a instituição, a remoção, a destinação e o eventual replantio das árvores eram de responsabilidade do consórcio, conforme estabelecido no processo de licenciamento ambiental.l replantio da vegetação eram de responsabilidade do consórcio, conforme previsto no licenciamento ambiental.
- Avenida Professora Edna Affi (Avenida das Torres)
A abertura da via impulsionou a expansão urbana da região, com a substituição de áreas de vegetação nativa por loteamentos, condomínios e novos empreendimentos.
- Margens do Rio Cuiabá
O estudo identificou redução da vegetação ciliar devido ao avanço da ocupação urbana e de construções em Áreas de Preservação Permanente (APPs), comprometendo a proteção do rio.
- Região do bairro Porto
Imagens comparativas mostram que áreas verdes foram substituídas pela urbanização ao longo dos anos, reduzindo a cobertura vegetal.
- Expansão de loteamentos e novos bairros
A abertura de áreas para ocupação urbana é apontada como uma das principais causas da supressão da vegetação nativa em diferentes regiões da capital.
🌳 Reflorestamento
Para minimizar os impactos, Flávia defende o incentivo ao plantio de árvores, mas ressalta que a reposição da vegetação deve ocorrer com planejamento. Segundo a pesquisadora, a escolha das espécies é determinante para garantir benefícios ambientais. Ela alerta que, sem políticas de arborização e preservação da cobertura vegetal, Cuiabá tende a registrar temperaturas cada vez mais elevadas, impulsionadas pelo crescimento urbano e pelo aumento da frota de veículos.
“Não basta plantar qualquer árvore. Algumas espécies, como as palmeiras, têm valor paisagístico, mas oferecem pouca sombra e pouca contribuição para a redução da temperatura. É preciso escolher espécies adequadas para cada local”, explicou.
🌳 Iniciativas
Para auxiliar nesse processo, o Governo de Mato Grosso lançou o Guia para Identificação de Espécies Arbóreas Produtoras de Madeira. O material foi elaborado para auxiliar empresas do setor florestal e profissionais do manejo na identificação correta das principais espécies comercializadas no estado.
O guia reúne informações botânicas, fotografias e características morfológicas e anatômicas da madeira para reduzir erros de identificação e aumentar a segurança na comercialização dos produtos florestais.
O material foi desenvolvido a partir de coletas realizadas em áreas de manejo florestal de 10 municípios mato-grossenses. Ao todo, os pesquisadores analisaram 433 árvores, associando nomes populares e científicos das espécies, além de registrar amostras de folhas, madeira e estruturas vegetais que serviram de base para a publicação.
A obra reúne informações sobre 51 espécies de maior importância para o mercado madeireiro de Mato Grosso e apresenta critérios para o reconhecimento das árvores durante os inventários florestais e nos pátios de madeira, além de orientar a identificação de grupos de espécies com características semelhantes.
Rua Baltazar Navarro: antes e depois
Um vídeo divulgado nas redes sociais em maio deste ano, mostra o antes e depois da Rua Baltazar Navarro, no bairro Bandeirantes, em Cuiabá, após a retirada de árvores no local em um intervalo de um ano. O vídeo repercutiu e gerou um debate sobre arborização urbana na capital.
Na época, a Prefeitura de Cuiabá emitiu uma nota informando que a retirada de cinco árvores da espécie figueira (Ficus benjamina), localizadas em um imóvel da rua, foi autorizada pela Empresa Cuiabana de Zeladoria e Serviços Urbanos (Limpurb). Segundo o município, a autorização prevê o replantio imediato de cinco árvores nativas no mesmo terreno, como medida compensatória prevista na legislação ambiental.
“A autorização para retirada das árvores foi emitida após avaliação técnica que identificou risco potencial à segurança da população e à infraestrutura urbana. Conforme o laudo, os exemplares apresentavam porte elevado, raízes expostas e avançado estado de senescência, além da presença de cupins e apodrecimento do caule, fatores que comprometem a estabilidade estrutural das árvores e aumentam o risco de queda”, diz trecho da nota.
Em nota, o Governo de Mato Grosso afirmou na época que a retirada foi realizada com autorização da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano de Cuiabá.
Agro Mato Grosso
Avião de pequeno porte que caiu em fazenda havia decolado de Primavera do Leste MT

Aeronave fazia voo de teste quando caiu em uma fazenda e matou dois pilotos; Cenipa classificou ocorrência como falha ou mau funcionamento do motor.
O avião que caiu e matou dois pilotos em uma fazenda na zona rural de Poxoréu, a 259 km de Cuiabá, na sexta-feira (18), havia decolado do Aeródromo de Primavera do Leste, a 239 km da capital. Segundo o registro preliminar do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), a aeronave realizava um voo local quando caiu durante o trajeto.
De acordo com o registro, o voo era local e tinha um tripulante e um passageiro a bordo, identificados como Zelicio Filgueira Tomaz, de 58 anos, sendo o piloto da aeronave, e Rafael Pereira Guedes, de 22 anos. Durante o trajeto, enquanto a aeronave fazia o circuito de tráfego do aeródromo, colidiu contra o solo.
A ocorrência foi classificada preliminarmente pelo Cenipa como SCF-PP – falha ou mau funcionamento do motor. A classificação é inicial e não representa, neste momento, a definição da causa do acidente.
De acordo com o órgão, a investigação não tem como objetivo apontar culpa ou responsabilização, mas identificar possíveis fatores que contribuíram para a ocorrência e propor medidas para evitar que acidentes semelhantes aconteçam novamente.
O Cenipa é responsável pela invesigação de ocorrências aeronáuticas com foco na prevenção de novos acidentes.
Entenda o caso
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/W/c/zMNRCvR82nZb37Vc3KAQ/foto-g1-2026-09-19t070311.706.png)
Avião de pequeno porte cai em fazenda e deixa dois mortos em MT — Foto: Reprodução
O acidente ocorreu na Fazenda Água Funda, na região da MT-130. Segundo a Polícia Civil, a aeronave estava em manutenção em Primavera do Leste e fazia um voo de teste quando caiu na região de Poxoréu. Ainda não há informações sobre quanto tempo o avião permaneceu no ar antes da queda.
Com o impacto, a aeronave pegou fogo e as chamas se espalharam pela vegetação da propriedade, provocando um incêndio na área de pastagem. Um vídeo registrado antes do acidente mostra a decolagem do avião de pequeno porte. As circunstâncias do acidente ainda serão investigadas.
Essa foi a segunda queda de aeronave no estado em menos de 10 dias. No dia 10 de setembro, outro avião de pequeno porte caiu em uma região de fazenda, a cerca de 20 km da área urbana de Água Boa, e deixou três mortos. Até o momento, foi identificado oficialmente: Vanderlei Sattler, de 65 anos e Luis Alberto Martinezz, de 44 anos, de nacionalidade Paraguaia.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/G/e/7JFqcoR2ul6vnop294pA/foto-g1-2026-09-19t075152.642.png)
Zelicio Filgueira Tomaz, de 58 anos, e Rafael Pereira Guedes, de 22 anos, morreram na queda de avião em MT — Foto: Reprodução/Redes sociais
Agro Mato Grosso
Pais morrem e filha fica em estado grave após batida entre carro e carreta em MT

Cleodir e Iracy Barreto estavam em uma caminhonete que bateu de frente com uma carreta, em Sorriso. Filha do casal foi levada ao hospital.
Um casal de empresários, identificado como Cleodir Darci Barreto e Iracy Leonilda Werkhausen Barreto, morreram após a caminhonete em que estava bater de frente com uma carreta no km 702 da BR-163, em Sorriso, a 420 km de Cuiabá, nesta sexta-feira (25). A filha deles, Kauane Barreto, ficou gravemente ferida.
Segundo a Nova Rota do Oeste, concessionária que administra a rodovia, a equipe de resgate foi acionada às 17h19 para atender a ocorrência. Com o impacto, Cleodir e Iracy morreram ainda no local. A filha do casal foi socorrida e encaminhada para atendimento médico. O estado de saúde dela é considerado grave. (video abaixo)
Conforme apurado, a família é de Sorriso e seguia do município com destino a Lucas do Rio Verde quando ocorreu o acidente. O condutor da carreta também ficou ferido e foi encaminhado para uma unidade de saúde.

O tráfego no trecho da BR-163 é operado em sistema de Pare e Siga durante o atendimento à ocorrência. As circunstâncias da batida ainda não foram informadas.
veja;
Ver esse post no Instagram
Agro Mato Grosso
Mato Grosso tem 3ª maior taxa de mortes no trânsito causadas pelo álcool

Estado registrou 426 mortes em 2024, segundo levantamento; número subiu em relação aos anos anteriores.
Mato Grosso teve a terceira maior taxa do país de mortes no trânsito ligadas ao consumo de álcool em, segundo análise do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA), publicada neste mês de setembro. Ao todo, foram registradas 426 mortes no estado em 2024, contra 419 em 2023 e 389 em 2010.
Apesar do aumento no número de mortes, a taxa por 100 mil habitantes caiu de 12,5, em 2010, para 11,1, em 2024. Mesmo com essa redução, Mato Grosso teve a terceira maior taxa do país, atrás apenas de Tocantins e Piauí.
A maior parte das vítimas era formada por homens. Eles representaram 86,1% das mortes registradas em 2024, enquanto as mulheres corresponderam a 13,9% dos casos. O levantamento também mostra que os homens foram maioria entre as pessoas internadas em casos ligados ao álcool e à direção.
Além das mortes, o número de internações também cresceu em Mato Grosso. Em 2025, foram registradas 2.037 internações relacionadas ao consumo de álcool e à direção. O número representa 258 casos a mais que em 2024 e 785 a mais que em 2010.
A taxa de internações chegou a 52,3 casos por 100 mil habitantes em 2025. Entre os pacientes, 77,2% eram homens e 22,8% eram mulheres, mantendo a diferença observada entre as vítimas de mortes no trânsito.
O levantamento também aponta possíveis fatores relacionados aos números, como a quantidade de operações de fiscalização com bafômetro, o aumento da frota de veículos e os acidentes envolvendo motocicletas.
Em 2023, os motociclistas representaram 40% das mortes no trânsito, segundo dados citados pelo CISA.
Casos registrados
Em agosto deste ano, após ser expulso de uma boate, Hercílio Junio Freitas Cordeiro, de 22 anos, saiu dirigindo e atropelou o motociclista Paulo Messias Simão Costa, de 23 anos, que morreu no local, em Cuiabá. Antes de deixar o estabelecimento, segundo a esposa, ele havia ingerido bebida alcoólica, ficou alterado, quebrou um copo e foi retirado pelos seguranças.
Antes do atropelamento de Paulo, o motorista já havia se envolvido em outro acidente na Avenida Isaac Póvoas, onde bateu na traseira de uma moto. O motociclista ficou ferido, e o motorista deixou o local sem prestar socorro.
Na sequência, ele continuou dirigindo e atingiu a moto de Paulo. Uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionada, mas o médico confirmou a morte do entregador.
Hercílio foi indiciado pela Polícia Civil.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/1/u/tRZBTKTTmukSDwG4oaCg/videos-g1-49-.jpg)
Hercílio Junio Freitas Cordeiro foi preso preventivamente no dia 5 de setembro e segue detido. — Foto: Tv Centro América
Agro Mato Grosso7 horas agoPais morrem e filha fica em estado grave após batida entre carro e carreta em MT
Agro Mato Grosso7 horas agoAvião de pequeno porte que caiu em fazenda havia decolado de Primavera do Leste MT
Agro Mato Grosso7 horas agoMato Grosso tem 3ª maior taxa de mortes no trânsito causadas pelo álcool
Business23 horas agoReunião técnica debate conservação de recursos genéticos on farm no Brasil
Business23 horas agoMercado de bioinsumos movimenta R$ 1,820 bilhão no 1º semestre
Agro Mato Grosso22 horas agoOnda de calor: alerta de grande perigo prevê temperaturas 5°C acima da média em MT
Featured22 horas agoMembros de facção são presos armados após tentarem assaltar ‘espetinho’ em MT
Featured5 horas agoBombeiros combatem 20 incêndios simultâneos em MT; Amazônia concentra novos focos

















