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Lei do Frete Mínimo impacta autônomos e pressiona preços no transporte em Mato Grosso

Criada após a greve dos caminhoneiros de 2018, a Lei do Frete Mínimo voltou ao centro do debate no transporte rodoviário. Caminhoneiros autônomos afirmam que a tabela tem reduzido oportunidades de trabalho, especialmente para veículos com menor número de eixos.
Na prática, a preferência por caminhões maiores, como os de nove eixos, tem deixado parte da frota parada. Profissionais relatam dias à espera de carga, enquanto transportadoras enfrentam dificuldade para fechar fretes dentro do piso estabelecido.
Segundo o Movimento Pró-Logística, a lei estabeleceu uma metodologia de cálculo considerada complexa e pouco aderente à realidade do transporte brasileiro, o que tem provocado distorções no mercado.
A situação é ainda mais sentida em estados como Mato Grosso, onde as longas distâncias e a dependência do transporte rodoviário ampliam os impactos da tabela sobre a logística e os custos.
Distorções na tabela e impacto no autônomo
O diretor executivo do Movimento Pró-Logística, Edeon Vaz Ferreira, explica que a lei passou por mudanças desde a criação, mas ainda carrega problemas estruturais. “A lei do piso mínimo dos fretes foi criada em função daquela greve dos caminhoneiros de 2018, então com a criação da lei se estabeleceu de uma forma meio atabalhoada, uma metodologia para cálculo deste piso mínimo dos fretes”, pontua ao Patrulheiro Agro.

Ele destaca que, hoje, a tabela considera 12 tipos de embarques e caminhões e prevê reajustes semestrais, além de atualizações sempre que o diesel varia 5% para mais ou para menos. O problema, segundo Edeon, está nos critérios adotados. “Quando foi feita essa tabela lá atrás o item, por exemplo, depreciação do equipamento se calculou em cima de caminhão novo e a frota brasileira tem mais de 20 anos”, ressalta.
Na avaliação do setor, a consequência foi a migração das cargas para caminhões maiores, considerados mais baratos dentro da tabela. “No nosso ponto de vista o caminhoneiro deu um tiro no pé com essa lei, porque agora todo mundo só quer embarcar, principalmente, grãos em caminhões de 9 eixos que é mais barato”, diz Edeon. “O caminhão de 7 eixos, 6 eixos, 5 eixos não estão conseguindo frete porque o piso ficou muito alto, então o autônomo está apavorado com isso”.
A realidade é sentida no dia a dia pelos caminhoneiros. Rodrigo Nicolau Macedo conta à reportagem do Canal Rural Mato Grosso que já ficou dias parado à espera de carga. “Eu já cheguei a ficar de três a quatro dias até conseguir uma carga para pegar”, relata. Ele comenta que o tipo de veículo tem sido determinante. “Eles estão preferindo 9 eixo e a gente que é menor acaba ficando de lado, fica muito difícil para a gente que é autônomo”.
Dificuldade operacional e mudança no perfil do transporte
Transportadoras também relatam perdas com a aplicação da tabela. Márcio Roberto, empresário do setor de transporte de cargas, afirma que caminhões menores praticamente deixaram de operar. “Cargas de caminhões LS, quarto eixos para trabalhar em cima da tabela a gente perde bastante, às vezes não dá para captar o caminhão porque o frete não bate”, explica.
Conforme ele, a empresa passou a priorizar veículos maiores. “A gente trabalha mais em cima de rodotrem, 25 metros, porque a gente não consegue fechar os lotes com os clientes”, afirma. Para Márcio, quem tem poucos caminhões é o mais prejudicado. “Não trabalha, não consegue[…] Tem que fazer as contas para poder pegar um frete”.
Entre os caminhoneiros, há consenso de que o modelo atual precisa de ajustes. Thiago Pedroso Esteves defende equilíbrio. “O certo é todo mundo ganhar, não vou puxar para o meu lado, o sol brilha para todo mundo, tem que ter o equilíbrio”, diz. Para ele, o cálculo deveria considerar a distância percorrida. “Na minha opinião tem que ser calculado na distância, não existe eixo”.
Daniel dos Santos Rodrigues reforça que muitos fretes não cumprem a tabela. “Eu procuro trabalhar na volta de R$ 7 o quilômetro, é o mínimo que tem que ser para tirar os custos do caminhão”. Ele frisa que a realidade do mercado é outra. “Você entra no freteBras agora você não vai achar ali 10% dos fretes com a tabela”.

Fiscalização e reflexo no bolso do consumidor
De acordo com o Movimento Pró-Logística, a fiscalização da lei demorou a ser implementada por limitações estruturais da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Isso mudou recentemente com a fiscalização eletrônica. “A partir de abril passou a ser feita essa fiscalização eletrônica, você emitiu o MDFE, que é o manifesto do frete, você já está sendo fiscalizado”, explica Edeon.
Para o setor, a medida aumentou a insegurança e os custos. “Essa fiscalização eletrônica está apavorando todo mundo”, afirma. Segundo ele, o frete não tem sazonalidade e o impacto da elevação do piso é constante. “Isso vai para a gôndola e o consumidor paga mais caro”.
Outro ponto de insatisfação é a ausência de regras específicas para o frete de retorno, o que encarece a operação e reduz a rentabilidade do transporte. A lei permite apenas um desconto limitado. “Não permitiram que fosse colocado na lei um valor menor o frete retorno”, diz Edeon. “Se você contrata um caminhão da origem até o porto e o mesmo caminhão fez um outro contrato de retorno tem um desconto de 10% só”.
Na prática, muitos caminhões acabam voltando vazios. “Como o frete retorno é um frete baixo ele não se enquadra na tabela de preço, aí geralmente a gente volta vazio”, relata Thiago Pedroso. Conforme o caminhoneiro, o custo da volta pesa no frete principal. “O caminhão vazio não paga a conta”.
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Abelha mandaguari aumenta em até 67% a produção de café arábica, aponta estudo

Um estudo conduzido pela Embrapa Meio Ambiente (SP) e instituições parceiras mostra que o manejo de abelhas nativas sem ferrão pode elevar em até 67% a produção de frutos do café arábica. Publicada na revista científica Frontiers in Bee Science, a pesquisa destaca o potencial da polinização manejada como estratégia para aumentar a produtividade e fortalecer a sustentabilidade da cafeicultura.
O trabalho avaliou o efeito da polinização suplementar realizada por Scaptotrigona depilis, conhecida como abelha mandaguari. O aumento de até 67% na produção de frutos em ramos localizados próximos às colônias reforça a eficiência da mandaguari como polinizadora do café, inclusive em cultivares autocompatíveis, isto é, variedades capazes de se autopolinizar.
Para medir esse efeito, os pesquisadores instalaram colônias em fazendas convencionais, na densidade aproximada de dez colônias por hectare, antes do início da florada. A produção foi comparada entre ramos próximos às colônias e ramos mais distantes, o que permitiu associar o ganho de rendimento à atividade das abelhas.
Saúde das colônias
Além do efeito sobre a produtividade, os pesquisadores investigaram se o uso de inseticidas neonicotinoides poderia afetar a saúde das colônias. O foco foi o tiametoxam, utilizado em safras anteriores em áreas convencionais. Durante o acompanhamento, os pesquisadores monitoraram indicadores como produção de cria, mortalidade de crias e atividade de coleta de alimentos e materiais usados na construção das estruturas internas de seus ninhos.
As avaliações ocorreram em diferentes momentos: uma semana antes da florada; uma semana logo depois da florada; e cerca de 45, 75 e 105 dias após retirada do talhão de café.
A equipe também mediu resíduos do inseticida e de seu metabólito, a clotianidina, em materiais coletados em campo, como folhas de café, néctar e pólen. A detecção confirmou que o uso de neonicotinoides deixou resíduos nos recursos florais acessíveis aos polinizadores.
Apesar disso, não foram observados impactos estatisticamente significativos sobre os parâmetros avaliados nas colônias. Indicadores como produção e mortalidade de crias não apresentaram diferenças relevantes entre colônias instaladas em áreas convencionais e aquelas mantidas em propriedades orgânicas após o período de exposição.
A atividade de coleta mostrou variações iniciais entre os sistemas, mas essas diferenças diminuíram ao longo do monitoramento.

Polinização e manejo fitossanitário
Os autores destacam duas implicações centrais para a cafeicultura. A primeira é que abelhas sem ferrão podem atuar como polinizadoras eficazes do café arábica, com potencial para elevar a produtividade mesmo em cultivares autocompatíveis, variedades capazes de se fecundar pelo próprio pólen, sem depender obrigatoriamente de outra cultivar compatível.
A segunda é que, nas condições avaliadas, o uso de defensivos dentro das recomendações técnicas não gerou danos mensuráveis às colônias, indicando que é possível conciliar a proteção das lavouras com a preservação dos polinizadores.
Conforme a primeira autora do estudo, a bióloga Jenifer Ramos, que atuou como bolsista de estímulo à inovação na Embrapa Meio Ambiente, os resultados reforçam a importância de integrar biodiversidade e produção agrícola.
“O estudo demonstra que o uso de abelhas nativas manejadas pode gerar ganhos expressivos de produtividade, ao mesmo tempo em que contribui para a conservação dos polinizadores e para o fortalecimento de sistemas agrícolas mais sustentáveis. Trata-se de uma solução baseada na natureza com grande potencial de aplicação na cafeicultura brasileira”, afirma.
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Muito além do futebol: como o agro entra em campo para viabilizar a Copa do Mundo

Antes de a bola rolar e o árbitro apitar o início da partida, o agronegócio já garantiu sua escalação como titular na Copa do Mundo. Frequentemente associado apenas às grandes exportações de commodities, o setor opera de forma estratégica e silenciosa no esporte.
Essa presença começa no elemento mais sagrado do espetáculo: o gramado dos estádios. A entrega de tapetes verdes impecáveis e resistentes exige biotecnologia e manejo avançado de solo, frutos diretos da pesquisa científica agrícola.
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Fora das quatro linhas, a cadeia do agro dita o ritmo das arquibancadas, fornecendo toda a estrutura de alimentação do evento. O setor entrega desde os ingredientes para os lanches rápidos consumidos pelo público até a matéria-prima essencial da cerveja que acompanha a comemoração da torcida.
Da infraestrutura ao consumo, fica claro que o futebol e a força do campo jogam no mesmo time. Essa conexão surpreendente foi tema de um vídeo publicado pelo Canal Rural no Instagram, que detalha como a produção rural viabiliza a experiência de atletas e torcedores.
Confira:
A Copa do Mundo de 2026 teve início em 11 de junho, nos Estados Unidos. O país é um dos antitriões desta edição junto de México e Canadá. A final ocorre em 19 de julho, no estádio de Nova Jersey/Nova York.
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Abimaq lança guia gratuito sobre armazenagem diante de déficit no setor; confira

Com estimativa de produção de 353 milhões de toneladas de grãos por ciclo, o Brasil tem capacidade para armazenar 62% desse volume, o que deixa cerca de 135 milhões de toneladas sem estrutura de estocagem.
Diante desse cenário, a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) lançou o Guia Prático de Armazenagem Eficiente, disponível gratuitamente.
O material reúne orientações para produtores rurais, gestores e profissionais do agronegócio sobre práticas de armazenagem, com o objetivo de reduzir perdas, melhorar a logística e apoiar o planejamento das operações.
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Déficit afeta logística e comercialização
Segundo a Abimaq, o crescimento da produção agrícola tem ampliado o déficit de capacidade estática de armazenagem no país. A limitação da infraestrutura pode aumentar os custos logísticos, elevar as perdas e reduzir as alternativas de comercialização da produção, obrigando produtores a venderem a safra em períodos de maior oferta.
A iniciativa integra uma campanha da entidade voltada à conscientização sobre a importância dos investimentos em armazenagem para o agronegócio.
Tecnologia disponível
A associação informa que a indústria nacional dispõe de tecnologia para ampliar a infraestrutura de armazenagem. A Câmara Setorial de Equipamentos para Armazenagem de Grãos (CSEAG), vinculada à Abimaq, reúne empresas que desenvolvem sistemas e equipamentos destinados a diferentes perfis de produtores e operações agrícolas.
O Guia Prático de Armazenagem Eficiente pode ser acessado gratuitamente mediante o preenchimento de formulário disponível aqui.
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