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6 de julho de 2026

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Lei do Frete Mínimo impacta autônomos e pressiona preços no transporte em Mato Grosso

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Criada após a greve dos caminhoneiros de 2018, a Lei do Frete Mínimo voltou ao centro do debate no transporte rodoviário. Caminhoneiros autônomos afirmam que a tabela tem reduzido oportunidades de trabalho, especialmente para veículos com menor número de eixos.

Na prática, a preferência por caminhões maiores, como os de nove eixos, tem deixado parte da frota parada. Profissionais relatam dias à espera de carga, enquanto transportadoras enfrentam dificuldade para fechar fretes dentro do piso estabelecido.

Segundo o Movimento Pró-Logística, a lei estabeleceu uma metodologia de cálculo considerada complexa e pouco aderente à realidade do transporte brasileiro, o que tem provocado distorções no mercado.

A situação é ainda mais sentida em estados como Mato Grosso, onde as longas distâncias e a dependência do transporte rodoviário ampliam os impactos da tabela sobre a logística e os custos.

Distorções na tabela e impacto no autônomo

O diretor executivo do Movimento Pró-Logística, Edeon Vaz Ferreira, explica que a lei passou por mudanças desde a criação, mas ainda carrega problemas estruturais. “A lei do piso mínimo dos fretes foi criada em função daquela greve dos caminhoneiros de 2018, então com a criação da lei se estabeleceu de uma forma meio atabalhoada, uma metodologia para cálculo deste piso mínimo dos fretes”, pontua ao Patrulheiro Agro.

Lei do Frete Mínimo Caminhão Transporte foto Pedro Silvestre Canal Rural Mato Grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Ele destaca que, hoje, a tabela considera 12 tipos de embarques e caminhões e prevê reajustes semestrais, além de atualizações sempre que o diesel varia 5% para mais ou para menos. O problema, segundo Edeon, está nos critérios adotados. “Quando foi feita essa tabela lá atrás o item, por exemplo, depreciação do equipamento se calculou em cima de caminhão novo e a frota brasileira tem mais de 20 anos”, ressalta.

Na avaliação do setor, a consequência foi a migração das cargas para caminhões maiores, considerados mais baratos dentro da tabela. “No nosso ponto de vista o caminhoneiro deu um tiro no pé com essa lei, porque agora todo mundo só quer embarcar, principalmente, grãos em caminhões de 9 eixos que é mais barato”, diz Edeon. “O caminhão de 7 eixos, 6 eixos, 5 eixos não estão conseguindo frete porque o piso ficou muito alto, então o autônomo está apavorado com isso”.

A realidade é sentida no dia a dia pelos caminhoneiros. Rodrigo Nicolau Macedo conta à reportagem do Canal Rural Mato Grosso que já ficou dias parado à espera de carga. “Eu já cheguei a ficar de três a quatro dias até conseguir uma carga para pegar”, relata. Ele comenta que o tipo de veículo tem sido determinante. “Eles estão preferindo 9 eixo e a gente que é menor acaba ficando de lado, fica muito difícil para a gente que é autônomo”.

Dificuldade operacional e mudança no perfil do transporte

Transportadoras também relatam perdas com a aplicação da tabela. Márcio Roberto, empresário do setor de transporte de cargas, afirma que caminhões menores praticamente deixaram de operar. “Cargas de caminhões LS, quarto eixos para trabalhar em cima da tabela a gente perde bastante, às vezes não dá para captar o caminhão porque o frete não bate”, explica.

Conforme ele, a empresa passou a priorizar veículos maiores. “A gente trabalha mais em cima de rodotrem, 25 metros, porque a gente não consegue fechar os lotes com os clientes”, afirma. Para Márcio, quem tem poucos caminhões é o mais prejudicado. “Não trabalha, não consegue[…] Tem que fazer as contas para poder pegar um frete”.

Entre os caminhoneiros, há consenso de que o modelo atual precisa de ajustes. Thiago Pedroso Esteves defende equilíbrio. “O certo é todo mundo ganhar, não vou puxar para o meu lado, o sol brilha para todo mundo, tem que ter o equilíbrio”, diz. Para ele, o cálculo deveria considerar a distância percorrida. “Na minha opinião tem que ser calculado na distância, não existe eixo”.

Daniel dos Santos Rodrigues reforça que muitos fretes não cumprem a tabela. “Eu procuro trabalhar na volta de R$ 7 o quilômetro, é o mínimo que tem que ser para tirar os custos do caminhão”. Ele frisa que a realidade do mercado é outra. “Você entra no freteBras agora você não vai achar ali 10% dos fretes com a tabela”.

Lei do Frete Mínimo Caminhão Transporte foto Pedro Silvestre Canal Rural Mato Grosso1
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Fiscalização e reflexo no bolso do consumidor

De acordo com o Movimento Pró-Logística, a fiscalização da lei demorou a ser implementada por limitações estruturais da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Isso mudou recentemente com a fiscalização eletrônica. “A partir de abril passou a ser feita essa fiscalização eletrônica, você emitiu o MDFE, que é o manifesto do frete, você já está sendo fiscalizado”, explica Edeon.

Para o setor, a medida aumentou a insegurança e os custos. “Essa fiscalização eletrônica está apavorando todo mundo”, afirma. Segundo ele, o frete não tem sazonalidade e o impacto da elevação do piso é constante. “Isso vai para a gôndola e o consumidor paga mais caro”.

Outro ponto de insatisfação é a ausência de regras específicas para o frete de retorno, o que encarece a operação e reduz a rentabilidade do transporte. A lei permite apenas um desconto limitado. “Não permitiram que fosse colocado na lei um valor menor o frete retorno”, diz Edeon. “Se você contrata um caminhão da origem até o porto e o mesmo caminhão fez um outro contrato de retorno tem um desconto de 10% só”.

Na prática, muitos caminhões acabam voltando vazios. “Como o frete retorno é um frete baixo ele não se enquadra na tabela de preço, aí geralmente a gente volta vazio”, relata Thiago Pedroso. Conforme o caminhoneiro, o custo da volta pesa no frete principal. “O caminhão vazio não paga a conta”.

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Índice mundial de preços dos alimentos registra nova queda em junho

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Imagem criada por IA para o Canal Rural

Os preços mundiais dos alimentos registraram ligeira queda em junho, já que as reduções nos preços do açúcar, dos cereais e dos laticínios superaram os aumentos nos preços dos óleos vegetais e da carne, informou na última sexta-feira (3) a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

O Índice de Preços dos Alimentos da FAO, que acompanha as variações mensais de uma cesta de commodities alimentícias comercializadas internacionalmente, registrou uma média de 130,3 pontos em junho, contra 130,8 pontos em maio.

O índice já havia caído em maio em relação à máxima de três anos registrada em abril, quando a guerra no Irã levou a um aumento nos preços dos óleos vegetais. O valor registrado em junho foi 1,70% superior ao do ano anterior, mas 18,70% abaixo do pico recorde registrado em março de 2022, após a invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia, informou a FAO.

O índice de preços dos cereais caiu 3,50% em relação a maio. Os preços do trigo foram pressionados devido ao rápido avanço da colheita e às fortes perspectivas de oferta na região do Mar Negro, enquanto o milho recuou diante das perspectivas de oferta abundante na América do Sul e da queda do preço do petróleo bruto.

O índice do arroz da FAO, no entanto, subiu 3,20%, impulsionado pela maior demanda asiática por arroz do tipo indica. Já os preços do açúcar caíram 5,70%, já que os preços mais baixos do etanol no Brasil incentivaram as usinas a utilizar mais cana-de-açúcar na produção de açúcar. No entanto, as preocupações com o possível impacto do El Niño na produção na Índia e na Tailândia limitaram a queda geral.

Os preços dos laticínios caíram 1,50%, pressionados pelo aumento da oferta. Por outro lado, o índice de carnes da FAO subiu 0,40% em relação ao mês anterior, registrando mais um recorde, impulsionado pelas aves em meio à forte demanda global.

Os preços dos óleos vegetais subiram 3,80%, impulsionados pelas cotações mais altas do óleo de palma e da colza, em parte devido à demanda por biodiesel.

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Análises confirmam fungo em lavouras de milho e orientam manejo em Mato Grosso

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Análises laboratoriais de amostras coletadas em lavouras de milho de Mato Grosso confirmaram a presença do fungo Stenocarpella maydis, conhecido pelos produtores como Diplodia. A identificação esclarece a origem da podridão branca observada nas espigas durante a colheita da segunda safra e direciona as próximas etapas de manejo da doença.

O resultado é fruto da investigação iniciada após produtores de diferentes regiões relatarem aumento de grãos avariados e sintomas nas espigas em uma safra marcada pelas chuvas fora de época. As amostras foram coletadas em áreas afetadas para identificar o agente responsável pelos danos observados no campo.

A confirmação permite concentrar as pesquisas nas condições que favoreceram a ocorrência da doença e nas estratégias mais adequadas para reduzir seus impactos nas próximas safras.

O pesquisador de Passo Fundo (RS), Erlei Melo Reis, especialista em doenças de plantas responsável pelas análises, afirma que todas as amostras avaliadas apresentaram o mesmo resultado. “Recebemos várias amostras de Mato Grosso e com microscópio visualizamos os esporos. Esses esporos foram medidos e confirmados através da literatura por serem relativamente pequenos e pertencerem à espécie Stenocarpella maydis, uma doença bem conhecida registrada no estado e que nós já havíamos diagnosticado também aqui na safra anterior”.

milho fungo branco Stenocarpella maydis foto Pedro Silvestre Canal Rural Mato Grosso1
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Confirmação esclarece origem da doença

As análises foram realizadas durante visitas técnicas a propriedades de diferentes regiões produtoras de Mato Grosso. O trabalho buscou esclarecer dúvidas surgidas durante a colheita, quando produtores passaram a relatar o aumento de espigas com sintomas de podridão e surgiram especulações sobre uma possível nova doença.

De acordo com Erlei Melo Reis, os resultados descartam essa hipótese e mostram que o fungo identificado já era conhecido pela pesquisa e havia sido registrado anteriormente no estado.

“Ficamos surpresos quando disseram que havia uma nova podridão-salmão do milho em Mato Grosso. Em todas as amostras que nós recebemos de Mato Grosso, nesta jornada, nós confirmamos que encontramos somente Stenocarpella maydis”, diz o pesquisador à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.

A identificação, segundo o especialista, permite direcionar as próximas etapas dos estudos e discutir medidas de manejo baseadas em evidências técnicas, evitando decisões tomadas apenas por suposições.

milho fungo branco Stenocarpella maydis foto Pedro Silvestre Canal Rural Mato Grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Chuvas mudaram o cenário da safra

As chuvas fora de época alteraram o ritmo da colheita do milho segunda safra em Mato Grosso e criaram uma situação incomum para os produtores. Além de dificultarem a entrada das máquinas nas lavouras, as precipitações comprometeram o transporte da produção, aumentaram a umidade dos grãos e elevaram os índices de avarias.

O gerente de produção Edivandro Milani conta que o excesso de chuva pegou o setor de surpresa e acabou comprometendo toda a logística das propriedades, desde a colheita até o armazenamento da produção. “Ninguém esperava essa chuva nessa época, no armazém o suporte é pequeno, então precisa ir colhendo e tirando, e aí acontece muitas vezes que não tem esse fluxo, a estrada fica ruim, caminhão não vem, o processo de colheita enrola”.

Segundo Milani, o milho que permanece mais tempo no campo fica mais suscetível aos danos provocados pela umidade, refletindo diretamente na qualidade dos grãos entregues.

“Começa entrar chuva pela ponteira se ela não fecha direito e começa a acumular embaixo. Já tem danos nos primeiros plantados, tem carga que não dá nada e tem carga que sai com 5%, 8%, 10% de avariado”.

Em Diamantino, o produtor rural Flávio Kroling afirma que os relatos de municípios vizinhos mostram que os efeitos das chuvas vão além do aumento de grãos avariados e já incluem perdas provocadas pelo acamamento das plantas.

“Tenho relatos de produtores colhendo 25%, 30% de grãos avariados. Não é normal chover em junho e esse ano já foram várias chuvas agora no mês de junho. Essas chuvas, além de causar o problema dos grãos avariados, também são responsáveis pelo acamamento, ou seja, estão derrubando o milho”.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Manejo passa por prevenção e pesquisa

Para o agricultor Enéas Glaucio Batistela, a confirmação do fungo representa um passo importante para que os produtores tenham informações técnicas e possam tomar decisões com mais segurança nas próximas safras.

Ele defende que o diagnóstico seja baseado em análises laboratoriais, evitando conclusões precipitadas sobre a origem dos danos observados nas lavouras.

“O que tem muito por aí é achismo. Acho que é isso, acho que é aquilo, mas o produtor tem que ser cada vez mais profissional. Mandar as plantas para os laboratórios para ver o que que é realmente o problema”.

Conforme Erlei Melo Reis, a Stenocarpella maydis pode ser introduzida por sementes infectadas e também sobreviver na palhada de áreas cultivadas continuamente com milho. Por isso, práticas como a rotação de culturas e o manejo dos resíduos da lavoura são apontadas como estratégias importantes para reduzir a presença do fungo no campo.

O pesquisador explica que ainda não existem comprovações científicas de que aplicações de fungicidas durante o ciclo da cultura sejam eficazes para controlar a podridão das espigas.

“A pesquisa não tem dados que essa doença, a podridão das espigas do milho, possa ser minimizada com a aplicação de fungicidas, não temos essa informação ainda”, enfatiza.


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Brasil defende café e outros produtos em audiência comercial nos EUA

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Foto: CNA

Representantes de diversos setores da economia brasileira estão em Washington (EUA) para tentar barrar uma proposta de tarifa de 25% sobre produtos importados do Brasil. A missão ocorre durante duas audiências públicas promovidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), entre esta segunda-feira (6) e terça-feira (7).

Em discussão estão possíveis medidas comerciais contra o Brasil no âmbito da Seção 301, um dispositivo da lei de comércio daquele país que permite ao presidente dos Estados Unidos aplicar sanções comerciais unilaterais contra qualquer país estrangeiro. Segundo a administração dos Estados Unidos, o Brasil adota práticas consideradas “irrazoáveis”, como as regras do Pix e uma suposta falta de rigor ambiental.

Em contrapartida, as autoridades brasileiras argumentam que a tarifa de 25% vai punir o próprio consumidor norte-americano. Isso porque o Brasil é um importante fornecedor de alimentos, celulose, aço e componentes industriais para os Estados Unidos. Na avaliação das entidades, encarecer os produtos brasileiros deve pressionar a inflação por lá.

Participam das audiências representantes de entidades ligadas às cadeias de arroz, café, mel, pecuária, etanol e outras áreas do setor, além de autoridades da indústria nacional e do Itamaraty.

Café brasileiro busca manutenção e ampliação de isenções

A defesa do setor cafeeiro, um dos mais afetados pelo tarifaço norte-americano, se sustenta em duas frentes: a manutenção da isenção tarifária para o café brasileiro e a inclusão do café solúvel na lista de produtos livres das tarifas em análise. Ao contrário de outros itens do agro como carnes e frutas, que já constavam na lista preliminar de isenções proposta pelo governo Trump no início de junho, o café solúvel segue ameaçado pela sobretaxa de 25%.

Segundo Marcos Matos, diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), o Brasil é responsável por mais de 30% do café consumido nos Estados Unidos e não há substituto viável para o produto brasileiro. Ele afirma que a cadeia produtiva nacional é capaz de garantir abastecimento regular, com rastreabilidade e conformidade socioambiental.

O executivo também argumenta que os Estados Unidos têm produção limitada de café solúvel, enquanto o Brasil responde por mais de 30% das importações americanas do produto nos últimos cinco anos. Para o Cecafé, manter o café livre de tarifas e ampliar a isenção ao café solúvel evita impactos para a indústria americana e para os consumidores.

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