Sustentabilidade
Bioinsumos e controle biológico podem ser aliados da agricultura frente às mudanças climáticas – MAIS SOJA

O avanço das mudanças climáticas já impõe novos desafios à agricultura, com o aumento das temperaturas e a intensificação de eventos extremos favorecendo doenças e desequilíbrios nos sistemas produtivos. Diante desse cenário, o pesquisador da Embrapa meio Ambiente Wagner Bettiol defende a ampliação do controle biológico e a preservação da biodiversidade microbiana como estratégias essenciais para tornar a produção agrícola mais resiliente. Segundo ele, o uso de microrganismos benéficos pode aumentar a eficiência das plantas no aproveitamento da água, reduzir impactos ambientais e diminuir a dependência de fertilizantes e defensivos químicos.
De acordo com Bettiol, a discussão sobre sustentabilidade frequentemente se limita ao aspecto econômico, deixando em segundo plano a proteção da biosfera e da biodiversidade, elementos fundamentais para o controle biológico. O pesquisador chamou atenção para a ausência de debates sobre a preservação dos microrganismos, essenciais para o equilíbrio dos sistemas agrícolas e, consequentemente para manter a biodiversidade e com isso o controle biológico natural.
Bettiol alerta que os limites planetários relacionados à mudança climática já foram ultrapassados, resultando em eventos extremos, como secas prolongadas e alagamentos. Entre as soluções desenvolvidas para enfrentar o problema, citou o Auras, produto criado pela Embrapa Meio Ambiente para reduzir os impactos do estresse hídrico nas plantas.
O pesquisador também destaca que o aumento da temperatura global pode intensificar doenças agrícolas causadas por vírus e molicutes transmitidas por vetores. Segundo ele, o aquecimento reduz o ciclo de vida desses organismos, aumenta sua atividade e, portanto, a capacidade de disseminação dos patógenos, como já observado nos casos de enfezamento do milho.
Outro ponto importante é o impacto ambiental dos insumos químicos. De acordo com o pesquisador, a produção de um quilo de defensivo químico pode emitir entre 20 e 25 quilos de CO₂ equivalente, enquanto um quilo de bioinsumo gera entre 3 e 5 quilos de CO₂ equivalente.
Para Bettiol, a agricultura depende diretamente do controle biológico natural, mas muitas práticas agrícolas acabam comprometendo esse equilíbrio. Ele destacou ainda que o Brasil registrou 277 produtos biológicos utilizando apenas duas cepas de microrganismos, indicando a necessidade do grande potencial da nossa biodiversidade microbiana. Esse debate aconteceu mo BioSummit 2026, de 6 a 7 de maio, em Campinas, SP.
Microrganismos ampliam eficiência das plantas
O professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Carlos Alexandre Cruciol apresentou pesquisas desenvolvidas sobre agentes de biocontrole e afirmou que os microrganismos atuam muito além do combate a doenças.
Segundo ele, esses organismos modificam a fisiologia das plantas, melhorando sua nutrição e aumentando a eficiência no uso da água e reduzindo os efeitos dos estresses abióticos. Cruciol destaca que o número de pesquisas sobre produtos biológicos cresceu fortemente nos últimos anos, especialmente em culturas como soja, milho, cana-de-açúcar e citrus.
De acordo com o professor, microrganismos como Bacillus ajudam a planta a enfrentar diferentes tipos de estresse abiótico, enquanto fungos do gênero Trichoderma apresentam maior eficiência em situações de déficit hídrico.
Apesar dos avanços, Cruciol afirma que ainda há muito a ser descoberto sobre os metabólitos produzidos pelos microrganismos e sua interação com as plantas. Para ele, compreender esses mecanismos poderá representar uma nova revolução na agricultura.
Entre as perspectivas, o professor destaca a fixação biológica de nitrogênio em gramíneas como uma das áreas mais promissoras. Segundo ele, reduzir a dependência de fertilizantes nitrogenados pode trazer impactos ambientais e econômicos significativos para a agricultura mundial.
O BioSummit
O BioSummit 2026 reuniu pesquisadores, produtores rurais, empresas, consultores, especialistas e estudantes para discutir o papel dos bioinsumos na agricultura sustentável e os desafios impostos pela mudança climática. O encontro abordou temas que vão do campo à mesa, envolvendo produção, colheita, transporte, processamento e comercialização de alimentos. Além disso, aprofundou a discussão sobre o papel dos bioinsumos na agricultura brasileira e mundial.
Na abertura, a CEO do FB Group e da Rebate Agro, Daiana Lopes, destacou a importância da produção sustentável aliada ao compartilhamento de conhecimento. Ela agradeceu a participação da comissão científica, patrocinadores, produtores e pesquisadores envolvidos no desenvolvimento de soluções inovadoras para o setor.
A jornalista especializada em agro Renata Maron ressaltou o crescimento do uso de bioinsumos no Brasil. Segundo ela, o país atingiu em 2025 a potencial área tratada em cerca de 194 milhões de hectares cultivados com essas tecnologias, superando em quatro vezes a média global. O percentual de adoção passou de 22% para 47% em apenas cinco anos.
Maron também destacou a contribuição da pesquisadora da Embrapa Mariângela Hungria nas pesquisas sobre fixação biológica de nitrogênio, além de reconhecer o trabalho da comissão científica formada por Wagner Bettiol da Embrapa Meio Ambiente, Flávio Medeiros da Universidade Federal de Lavras (UFla) e Sergio Massari da Universidade Federal Tecnológica do Paraná (UFTPR).
O consultor do programa Globo Rural, o engenheiro agrônomo Chukichi Kurozawa, foi homenageado durante o evento pelos 27 anos de atuação no setor de difusão do conhecimento para a comunidade. Em seu agradecimento, afirmou ser um privilégio participar do encontro e receber a homenagem ao lado de pessoas que considera especiais.
A pesquisadora Kátia Nechet da Embrapa Meio Ambiente foi moderadora do painel “Onde estão os bioherbicidas?” A palestra foi ministrada pelo professor aposentado da Universidade Federal de Viçosa, Robert Weingart Barreto, que trabalha com o tema há mais de 20 anos. Ela abordou aspectos históricos no desenvolvimento de bioherbicidas, destacando o projeto pioneiro no Brasil iniciado na Embrapa Soja, pelo pesquisador Yorinori Tadashi e os obstáculos que ainda existem nesta linha temática. Robert Barreto apresentou exemplos de controle que dão suporte e fortalecem o uso de fungos fitopatogênicos como agentes de controle biológico de plantas daninhas.
De acordo com Bettiol, o BioSummit é o principal evento sobre bioinsumos do Brasil e da América Latina. O evento permite que todos os atores envolvidos, desde a pesquisa, o desenvolvimento e a comercialização dos bioinsumos, bem como até a aplicação no campo, se encontrem num mesmo ambiente. Isso é fundamental para todos os setores relacionados com a atividade, pois ocorre uma troca intensa de informações nos dois dias do evento.
Fonte: Embrapa
Autor:Cristina Tordin (MTb 28.499/SP) Embrapa Meio Ambiente
Site: Embrapa
Sustentabilidade
Ceema: Alta em Chicago e geopolítica impulsionam cotações da soja no Brasil – MAIS SOJA

Nestes quase 30 dias em que estivemos ausentes deste comentário, o mercado da soja registrou importante elevação das cotações em Chicago. O bushel da oleaginosa passou de US$ 12,56 no dia 27/08 para US$ 13,28 no dia 21/09, tendo recuado um pouco após esta data, para fechar a quinta-feira (24) em US$ 13,16, contra US$ 13,19 uma semana antes. Destacando que a média de agosto chegou a US$ 11,98/bushel, com aumento de 0,17% sobre a média de julho, porém, neste momento estando longe dos preços praticados.
Este forte aumento em Chicago, além das especulações climáticas sobre a safra dos EUA, vem da pressão do preço do petróleo no mercado mundial, com o mesmo tendo atingido a pouco mais de US$ 100,00/barril neste período de setembro, devido a continuidade da guerra no Oriente Médio e da piora no conflito entre Rússia e Ucrânia.
Aliás, na Europa existe um grande temor de que este último saia da região dos dois países em conflito e se espalhe pelo continente, resultando em uma guerra mais ampla e destruidora. Alguns analistas chegam a falar que o mundo estaria às portas da 3ª Guerra Mundial. Junta-se a isso a forte especulação dos Fundos em Chicago.
Dito isso, importante se faz alertar que o último relatório do USDA, sobre oferta e demanda, divulgado neste mês de setembro, não revelou perdas na futura safra de soja dos EUA cuja colheita iniciou neste mês de setembro. Ao contrário, o mesmo até aumentou a produção esperada, agora indicando uma colheita de 123,4 milhões de toneladas, com estoques finais estadunidenses em 8,4 milhões, com pequena baixa em relação a agosto. Já a produção mundial foi mantida em 442 milhões de toneladas e os estoques finais mundiais mantidos em 124 milhões. Por sua vez, mesmo com o aumento no preço mundial do petróleo, o óleo de soja, após atingir a 71,28 centavos de dólar por libra-peso no dia 10/09, recuou para 66,82 centavos no dia 24/09, sendo esta a quarta mais baixa cotação desde o dia 30 de junho em Chicago.
Por sua vez, o farelo se manteve firme, atingindo a US$ 375,20/tonelada curta no dia 24/09, a mais alta cotação desde o dia 11 de julho de 2024. Enfim, lembrar que os Fundos estão muito comprados em Chicago devendo, assim que a ocasião se apresentar, iniciar um movimento mais amplo de correção, vendendo contratos, fato que pode pressionar para baixo as cotações dependendo da intensidade do movimento.
Por outro lado, os embarques de soja, pelos EUA, na semana encerrada em 17/09, chegaram a 759.200 toneladas, superando levemente as expectativas do mercado. Na comparação anual, o desempenho também foi superior, já que na mesma semana de 2025 haviam sido embarcadas 565.600 toneladas, o que representa crescimento de aproximadamente 34%. A China respondeu por 59% destes embarques.
Enquanto isso, a colheita da soja nos EUA atingia a 12% da área no dia 20/09, contra 8% na média histórica. De forma mais conjuntural, nesta semana os preços brasileiros da soja se mantiveram firmes, em alta. No Rio Grande do Sul, onde muitas praças estão sem cotação, a média semanal atingiu a R$ 141,72/saco. No final de agosto esta média estava em R$ 131,38. Ou seja, no período o saco de soja ganhou pouco mais de 10 reais junto ao produtor gaúcho. Nas demais praças nacionais o produto oscilou entre R$ 139,00 e R$ 145,00/saco. Um mês atrás os valores ficavam entre R$ 130,00 e R$ 140,00/saco. Ou seja, um aumento entre 5 e 9 reais por saco no período, dependendo da região do país. Auxiliou para isso a boa demanda pelo produto nacional, a relativa escassez do mesmo agora na entressafra, fato que elevou o prêmio nos portos (US$ 1,85/bushel para setembro, em Paranaguá), e a manutenção de um câmbio ao redor de R$ 5,15 por dólar.
No front externo, o mercado olha os resultados da nova reunião entre os presidentes da China e dos EUA. Xi Jinping chegou nesta quinta-feira (24) à capital norteamericana. Dentre os assuntos em discussão, existe a possibilidade de aumento nas compras de soja estadunidense pela China, fato que fortalece Chicago. Já no front interno, destaque para o início do plantio da nova safra de soja no Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná. No conjunto do país, 0,5% da área esperada havia sido semeada até o dia 18/09. Vale lembrar que no Mato Grosso, no momento, há umidade insuficiente no solo para um plantio adequado.
Enfim, embora os preços tenham perdido um pouco de fôlego nestes últimos dias, o produto posto nos portos segue com preços firmes. Para a soja disponível os mesmos seguem acima dos R$ 160,00/saco, enquanto a soja da safra 2026/27 continua trabalhando acima dos R$ 150,00 nos portos (R$ 155,00 para entrega em fevereiro e pagamento em abril, e R$ 151,00 para entrega em março, também com pagamento em abril).

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).
Sustentabilidade
Como ficaram as cotações da soja no fim desta semana? Saiba os preços por região

O mercado brasileiro de soja encerrou a semana com poucas alterações nesta sexta-feira (25), em um ambiente de baixa movimentação e poucas ofertas. O analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, destaca que algumas praças do mercado interno registraram recuo nos preços, com certo alívio nos basis locais.
Nos portos, o cenário permaneceu parado, sem reporte de movimentos firmes. Segundo Silveira, o quadro geral foi de poucas ofertas e de um mercado bastante travado, situação que também predominou ao longo da semana.
Na Bolsa de Chicago, a sessão foi marcada por bastante volatilidade, com o mercado encerrando com leves ganhos no spot. O dólar atingiu bons níveis ao longo do dia e ajudou a segurar os movimentos de queda registrados em tela.
Preços de soja no Brasil
- Passo Fundo (RS): manteve em R$ 156,00
- Santa Rosa (RS): manteve em R$ 157,00
- Cascavel (PR): manteve em R$ 151,00
- Rondonópolis (MT): manteve em R$ 147,00
- Dourados (MS): subiu de R$ 147,50 para R$ 148,00
- Rio Verde (GO): desceu de R$ 148,00 para R$ 147,00
Nos portos, em Paranaguá (PR), a saca seguiu em R$ 162,00. Em Rio Grande (RS), as referências não saíram de R$ 164,00.
Soja em Chicago
Os contratos futuros da soja fecharam em leve alta na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), nesta sexta-feira (25). Após operar em baixa durante parte da sessão, o mercado reverteu o movimento, enquanto os participantes seguem à espera de detalhes dos acordos comerciais entre Estados Unidos e China após a cúpula realizada na quinta-feira (24).
Embora o governo dos Estados Unidos tenha informado que acordos comerciais foram firmados para determinados produtos, os detalhes serão divulgados apenas na segunda-feira. A aguardada cúpula entre os dois países, até o momento, não resultou em novos compromissos chineses para compras de produtos agrícolas norte-americanos.
A queda do petróleo pressionou as cotações durante a sessão. Os preços recuaram diante de notícias sobre possíveis negociações entre Estados Unidos e Irã para uma reabertura gradual do Estreito de Ormuz, após o barril superar US$ 108 na sessão anterior.
Em sentido contrário, as chuvas persistentes no Meio-Oeste dos Estados Unidos atrasam o início da colheita em algumas regiões e restringem a oferta disponível para processamento.
Contratos futuros da soja
Os contratos da soja em grão com entrega em novembro fecharam com alta de 2,25 centavos de dólar ou 0,17%, a US$ 13,19 3/4 por bushel. A posição janeiro teve cotação de US$ 13,32 3/4 por bushel, com avanço de 1,00 centavo de dólar ou 0,07%.
Na semana, a posição novembro/26 registrou ganho acumulado de 1,25%.
Nos subprodutos, a posição dezembro do farelo fechou com baixa de US$ 1,80 ou 0,48%, a US$ 370,60 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em dezembro fecharam a 67,84 centavos de dólar, com ganho de 0,29 centavo ou 0,42%.
Câmbio
O dólar comercial encerrou a sessão em baixa de 0,17%, sendo negociado a R$ 5,1847 para venda e a R$ 5,1827 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,1732 e a máxima de R$ 5,2137. Na semana, o dólar acumulou alta de 0,72% ante o real.
Sustentabilidade
Ceema: Quebra de safra, problemas de qualidade e importações aquecem o mercado do Trigo – MAIS SOJA

Após disparar no final de agosto e início de setembro, quando o bushel atingiu a US$ 7,64 no dia 1º do corrente mês, a cotação do trigo, em Chicago, cedeu bastante, fechando a quinta-feira (24) em US$ 7,05, contra US$ 7,27 uma semana antes. A média de agosto ficou em US$ 6,76/bushel, ganhando 4,3% sobre a média de julho.
Apesar dos conflitos bélicos, especialmente entre Rússia e Ucrânia, o mercado do trigo cedeu, e vem oscilando em patamares menores nesta segunda quinzena de setembro. Enquanto isso, o plantio do trigo de inverno, nos EUA, chegava a 17% da área esperada no dia 20/09, contra 21% na média histórica. Já o trigo de primavera estava com 96% de sua área colhida relativa a última safra.
Quanto às exportações, na semana encerrada em 17/09 as mesmas atingiram a 335.300 toneladas nos EUA, ficando dentro das expectativas do mercado. Importante lembrar que o relatório de oferta e demanda do USDA, anunciado em 11/09, manteve uma safra reduzida de trigo nos EUA, com 41,7 milhões de toneladas e estoques finais, para 2026/27, em 19,5 milhões. No ano anterior a colheita e os estoques atingiram, respectivamente, 54 e 25 milhões de toneladas. Ou seja, a atual produção estadunidense é 22,8% menor do que a do ano anterior, enquanto os estoques finais são 22% menores. Já a produção mundial somaria 822,4 milhões de toneladas, ficando 22 milhões de toneladas menor do que a registrada no ano anterior. E no Brasil os preços subiram, com o cereal atingindo a média de R$ 71,94/saco no Rio Grande do Sul, enquanto no Paraná o produto atingiu valores entre R$ 79,00 e R$ 82,00/saco.
As condições das lavouras paranaenses pioraram diante das geadas tardias e do excesso de chuvas dos últimos dias. Com 46% da área colhida, apenas 64% das lavouras restantes se apresentavam em boas condições. O produto colhido apresenta baixa qualidade industrial, na maioria dos casos, enquanto a produtividade média está em recuo. Em termos gerais, aumenta a presença de trigo tipos 2 e 3, enquanto o produto de qualidade superior, tipo 1, está com menor disponibilidade.
No Rio Grande do Sul a colheita ainda está distante, com apenas 1% da área realizada, e as constantes e significativas chuvas, acompanhadas de granizo e ventos fortes, vêm causando estragos nas lavouras. Nesta safra, o Estado gaúcho plantou 814.000 hectares com trigo, uma queda de 30% em relação ao ano anterior, e projeta uma produção quase 40% menor, estimada em cerca de 2 milhões de toneladas.
Assim, a disponibilidade de trigo será ainda menor no Brasil, após o forte recuo na área semeada. Isso eleva o preço interno do cereal e obriga o país a importar mais no ano comercial 2026/27. “A desuniformidade no desenvolvimento das lavouras é uma das marcas da atual safra gaúcha”. Afora tudo isso, as lavouras do sul do país está sendo atacadas por diferentes doenças, especialmente oídio e giberela.
Por enquanto, a Conab ainda projeta uma safra nacional de 5,7 milhões de toneladas (recuo de 27,1% sobre o ano anterior), porém, a qualidade do produto será baixa em grande parte das áreas colhidas. Com isso, as importações nacionais de trigo devem ficar entre 7 e 8 milhões de toneladas. Boa parte deverá vir da Argentina, porém, a dificuldade de produção em outras regiões do mundo tende a aumentar a concorrência pelo trigo do vizinho país.
Em tal contexto, para o produtor, “em um cenário de menor disponibilidade de trigo tipo 1, lotes que mantenham PH, força de glúten e demais parâmetros exigidos pela indústria podem encontrar valorização relativa, enquanto grãos de classificação inferior ficam mais expostos a descontos. Já para os moinhos, a questão será inversa: saber quanto da safra doméstica poderá efetivamente entrar na produção de farinha e quanto precisará ser substituído por produto argentino ou de outras origens” (cf. Cepea).
Enfim, se por um lado a safra menor sustenta as cotações, por outro lado será a qualidade do produto que definirá quem conseguirá aproveitar esse movimento. Em 2026, produzir trigo não será suficiente: os ganhos ficarão com quem conseguir entregar o grão exigido pela indústria.

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).
Autor:Dr. Argemiro Luís Brum/CEEMA-UNIJUÍ
Site: Ceema/Unijuí
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