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21 de setembro de 2026

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Safra forte contrasta com crise financeira e gera incertezas para 2026 em Mato Grosso

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

O ano-safra 2024/2025 terminou deixando um alerta para o campo em Mato Grosso. Mesmo com clima favorável e lavouras cheias, produtores das principais regiões agrícolas encerram a temporada com dificuldades financeiras.

A combinação de preços abaixo do esperado, crédito mais restrito e juros elevados comprometeu a rentabilidade. O cenário é de boa produção, mas de margens apertadas, o que dificulta o planejamento da próxima safra.

Além da pressão econômica atual, o setor acompanha com apreensão a indefinição da política fiscal e a proximidade da reforma tributária, prevista para começar a valer a partir de janeiro. A avaliação é de que as mudanças podem agravar ainda mais a situação no campo.

O resultado é um agro que colheu bem, mas tenta se manter enquanto espera uma reação do mercado que traga condições mais favoráveis para entrar em 2026.

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colheita especial mais milho foto israel baumann canal rural mato grosso
Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Rentabilidade alta na lavoura, baixa no caixa

Em Jaciara, o clima contribuiu para o bom desempenho da soja, do milho e do algodão na safra 2024/25. Ainda assim, os preços das três culturas ficaram abaixo do esperado. Até o arroz, que entrou por último no sistema de produção, decepcionou. A conta final foi de produtividade elevada, mas retorno financeiro insuficiente.

Na avaliação do agricultor Gilson Provenssi, o que entrou no caixa praticamente se limitou a cobrir os custos financeiros da produção. Ele explica que a alta dos juros, sem reação proporcional das commodities, inviabilizou o fechamento das contas, especialmente para quem trabalha com áreas arrendadas e depende de financiamento.

“O que a cultura rentabilizou foi praticamente para pagar os juros. Os juros subiram muito enquanto as commodities não subiram, fica difícil. Para quem é arrendatário como eu, a conta não fecha”, relata à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.

Para garantir o custeio da próxima safra, após plantar 2,1 mil hectares de soja e prever o cultivo de 1,5 mil hectares de milho na segunda safra, Gilson precisou vender mais de mil cabeças de gado. Ajustes que, segundo ele, foram necessários apenas para manter a operação funcionando.

O atraso no plantio da soja também apertou a janela agrícola, o que pressiona ainda mais a operação. Com colheita prevista apenas para fevereiro, ele afirma que não conseguirá colher nada em janeiro.

“E mesmo assim está apertado, a soja nós plantamos muito tarde. A minha janela aqui ficou muito apertada, vou começar a colher lá pelo dia 5, 10 de fevereiro, não vou conseguir colher nada em janeiro, então já tive que abortar 800 hectares de algodão e voltar pro milho porque não tenho espaço para botar algodão”.

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O produtor explica que parte da área que no ano passado recebeu arroz — com baixa produtividade e preços desfavoráveis — será destinada agora ao amendoim, cultura que começa a ser testada em Mato Grosso por se adaptar bem a áreas mistas.

“O ano passado uma parte dessa área eu fiz arroz, eu colhi mal e o preço também não está legal, então vamos experimentar um ano com amendoim.  Tem um pessoal trazendo essa cultura para o Mato Grosso e ele se adapta muito bem nas áreas mistas, então vamos testar uns 400 hectares”, completa.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Cautela e redução de custos

No médio-norte do estado, em Nova Mutum, a pressão financeira também já interfere nas decisões para a próxima safra. O aumento dos custos, aliado a um início de ciclo marcado por seca e replantios, deve alongar a colheita e reduzir o nível de investimento nas áreas.

O presidente do Sindicato Rural de Nova Mutum, Paulo Zen, explica que muitos produtores já optaram por reduzir aportes e, em alguns casos, deixar áreas de milho sem plantio.

“Começou com seca e muitos replantios, então vamos ter uma colheita o ano que vem bem longa. Teve áreas muito menores de investimento e também tem áreas de milho que vai preferir nem plantar”.

Ele observa ainda um movimento de contenção de despesas dentro das propriedades, inclusive com redução de mão de obra.

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“O produtor tem que ter cautela, segurar os custos no que dá, tentar aproveitar o que dá, até eu vejo que muito produtor reduziu a mão de obra, está reduzindo, mantendo ela mais enxuta”, diz.

O cenário amplia o risco para quem já vinha descapitalizado e deixa o produtor ainda mais exposto às oscilações do mercado e às exigências do sistema financeiro.

O presidente da Aprosoja Mato Grosso, Lucas Costa Beber, relata dificuldades recorrentes na renegociação de dívidas e afirma que muitos bancos não têm cumprido acordos previamente estabelecidos com o setor.

“Situação complicada, muitos agricultores relatando dificuldade na renegociação das dívidas. Nós fizemos, inclusive, um seminário esse ano e a maioria dos bancos não está cumprindo aquilo que foi combinado conosco, ou seja, um risco ainda maior. O produtor de certo modo tem um estoque a céu aberto, um risco muito alto e é ele que, além de arcar com todos esses custos, é penalizado de forma injusta e desproporcional”, diz.

De acordo com o presidente da Aprosoja Mato Grosso, a realidade no campo hoje é de sobrevivência até que o mercado volte a oferecer condições de recuperação.

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“A situação do produtor rural hoje é tentar sobreviver até passar essa crise e ele poder se reerguer novamente e que o mercado de fato reflita isso para compensar o produtor. O produtor já está tendo cautela, andando sobre a corda bamba e vai ter que ter mais até passar essa onda que estamos vivendo”, completa.

A indefinição em torno da política fiscal e a proximidade da reforma tributária aumentam a apreensão no agro mato-grossense.

Para o presidente da Famato, Vilmondes Tomain, a falta de sinalização positiva do mercado de commodities, somada à perspectiva de aumento da carga tributária, preocupa um setor já fragilizado financeiramente.

“Nós não sabemos o que é que vai acontecer, o mercado de preços de commodities não sinaliza positivamente e a carga tributária ela vem negativamente também. Tem que fazer bastante cálculo, a gente vê que a agricultura nossa está muito descapitalizada, isso é preocupante”, afirma.


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Farelo de soja sobe e atinge maior participação na margem das indústrias em quase dois anos

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Foto: Fabio Scremin/APPA

Os preços do farelo de soja seguem em alta no Brasil e nos Estados Unidos, sustentados pela forte demanda global pelo derivado. O movimento tem aumentado a importância do produto na rentabilidade do processamento da oleaginosa.

Segundo análise divulgada pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) nesta segunda-feira (21), a participação do farelo na margem de processamento das indústrias voltou a crescer nos últimos dias e atingiu novas máximas.

Considerando os preços da soja em grão, do farelo e do óleo negociados na região de São Paulo, a participação do farelo na chamada “crush margin” alcançou o maior patamar desde outubro de 2024.

A “crush margin” representa, de forma simplificada, a margem obtida pela indústria ao processar a soja e comercializar seus principais derivados, especialmente farelo e óleo. Dessa forma, o aumento da participação do farelo indica maior peso do produto na composição dessa margem.

Demanda global sustenta valorização

De acordo com o Cepea, o cenário é influenciado pela forte procura mundial pelo farelo de soja, que mantém as cotações aquecidas tanto no mercado brasileiro quanto no norte-americano.

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No Brasil, outro fator pode ter influenciado a disponibilidade do produto. Entre julho e agosto, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) disponibilizou unidades para armazenamento de farelo de soja em alguns estados.

Na avaliação dos pesquisadores, essa maior disponibilidade de espaço para armazenagem pode ter reduzido a necessidade das indústrias de colocar o produto no mercado imediatamente, limitando o interesse vendedor.

Com oferta mais controlada e demanda aquecida, o farelo ganhou força dentro da composição das receitas do processamento da soja. O cenário reforça a importância do derivado para as indústrias esmagadoras neste momento, enquanto o mercado acompanha a evolução da procura e dos preços da soja e de seus derivados.

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Caju vira alternativa de renda para produtores em região castigada pela seca no Ceará

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Foto: AGCO Agriculture Foundation

Em uma região marcada pela escassez de água e pelos desafios para manter a produção agrícola, o cultivo de caju vem sendo utilizado como alternativa para ampliar a geração de renda de pequenos produtores no semiárido do Ceará. Mais de 100 agricultores de 15 comunidades participam de uma iniciativa que prevê a implantação de novos pomares, capacitação e acompanhamento técnico.

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Ao todo, 10 mil mudas estão sendo distribuídas pelo Projeto Caju, desenvolvido pela organização Amigos do Bem com apoio da AGCO Agriculture Foundation.

A escolha da cultura está relacionada à capacidade do cajueiro de se adaptar ao clima quente e a períodos de menor disponibilidade de água. A proposta é combinar essa característica com orientação técnica para ampliar as possibilidades de produção e renda nas propriedades.

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Dos 107 produtores envolvidos na iniciativa, 63 receberam apoio direto por meio de recursos da AGCO Agriculture Foundation. Do total de participantes, 64% estão entrando agora no projeto, enquanto 36% já haviam recebido apoio anteriormente.

“Em regiões que enfrentam desafios climáticos e socioeconômicos tão grandes, apoiar o produtor significa também contribuir para que ele tenha condições de construir uma fonte de renda mais estável”, afirma Marcelo Traldi, gerente-geral da AGCO América Latina.

Produtores recebem capacitação para implantação dos pomares

Além da distribuição das mudas, a capacitação técnica é uma das principais frentes do projeto. Setenta agricultores participaram de treinamentos sobre implantação e manejo dos pomares.

As orientações incluem escolha de mudas produtivas e adaptadas às condições do semiárido, preparo do solo, definição do espaçamento, fertilização, controle de plantas daninhas e poda de formação.

Outro grupo de 34 produtores participou de um dia de campo, com demonstrações práticas de técnicas de plantio e manejo. A atividade também permitiu a troca de experiências e a discussão de dificuldades encontradas nas propriedades.

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A combinação entre acesso às mudas e assistência técnica busca reduzir os riscos nas primeiras etapas de desenvolvimento dos pomares, especialmente diante dos períodos prolongados de seca enfrentados na região.

“Essa iniciativa demonstra como parcerias estratégicas podem gerar impacto positivo no campo. Ao apoiar os produtores com as mudas, capacitação e acompanhamento técnico, o projeto contribui para fortalecer a produção local e gerar renda para famílias em situação de vulnerabilidade”, afirma Alceu Caldeira, diretor de Desenvolvimento Institucional dos Amigos do Bem.

Projeto recebe investimento de mais de R$ 100 mil

A AGCO Agriculture Foundation destinou mais de R$ 100 mil à iniciativa. Os recursos são utilizados na produção das mudas, apoio aos pequenos agricultores, capacitações, monitoramento e gestão do projeto.

Com a implantação dos pomares, o trabalho entra agora na fase de acompanhamento técnico. Estão previstas visitas às propriedades para monitorar o desenvolvimento das plantas e orientar os agricultores durante o ciclo produtivo.

A programação prevê ainda novos treinamentos voltados à pré-colheita e pós-colheita, incluindo orientações sobre manejo, fortalecimento dos pomares e preparação para as próximas etapas da produção.

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O Projeto Caju faz parte das ações dos Amigos do Bem no sertão nordestino. Segundo a organização, cerca de 150 mil pessoas de 300 comunidades em Alagoas, Pernambuco e Ceará são atendidas por iniciativas relacionadas à educação, geração de renda, acesso à água, moradia e saúde.

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Conab diz que Brasil será, mais uma vez, o maior provedor de soja do mundo; quanto a produção deve crescer em 26/27?

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Divulgação Embrapa Soja

O mercado da soja teve uma semana marcada por projeções importantes para a safra 2026/27. No Brasil, a primeira estimativa oficial da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aponta para um crescimento mais moderado da produção da oleaginosa. No cenário internacional, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) surpreendeu o mercado ao elevar a previsão para a safra norte-americana.

A Conab projeta produção de 181,64 milhões de toneladas de soja para a safra 2026/27, avanço de 0,7% em relação ao ciclo anterior. A área plantada deve crescer 1,4%, para 49,31 milhões de hectares, enquanto a produtividade média está calculada em 3.683 quilos por hectare, recuo de 0,8%.

Apesar do crescimento mais moderado, a soja continua entre as principais responsáveis pelo avanço da produção brasileira de grãos. Para a Conab, o país deve manter a trajetória de expansão da oleaginosa e novamente superar a marca de 181 milhões de toneladas.

“ A soja vem mantendo uma trajetória constante de crescimento e é o produto que mais avança. Vamos ultrapassar novamente as 181 milhões de toneladas, garantindo outra grande safra. Seremos, mais uma vez, os maiores provedores do mundo, diante das quebras em outros países e do cenário de desabastecimento internacional”, afirmou o presidente da Conab, Silvio Porto.

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Na temporada 2025/26, a produção brasileira chegou a 180,406 milhões de toneladas, alta de 5,2% em relação ao ciclo anterior, quando foram colhidas 171,48 milhões de toneladas.

A área cultivada também avançou, passando de 47,346 milhões de hectares em 2024/25 para 48,608 milhões de hectares em 2025/26, crescimento de 2,7%. Já a produtividade subiu de 3.622 para 3.711 quilos por hectare no período.

USDA surpreende com safra maior nos EUA

Enquanto o Brasil deve apresentar um avanço mais contido, o USDA trouxe uma surpresa para o mercado internacional ao elevar a estimativa para a produção de soja dos Estados Unidos em 2026/27.

A safra norte-americana foi projetada em 4,535 bilhões de bushels, equivalentes a 123,4 milhões de toneladas. No relatório anterior, de agosto, a previsão era de 4,519 bilhões de bushels, ou cerca de 123 milhões de toneladas.

A revisão ocorreu mesmo com a produtividade sendo reduzida de 53 para 52,7 bushels por acre.

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O número também ficou acima da expectativa do mercado, que trabalhava com produção de 4,492 bilhões de bushels, equivalentes a aproximadamente 122,3 milhões de toneladas.

Os estoques finais norte-americanos para 2026/27 foram estimados em 310 milhões de bushels, ou 8,44 milhões de toneladas. Em agosto, a projeção era de 320 milhões de bushels, equivalentes a 8,71 milhões de toneladas.

O mercado esperava estoques finais de 289 milhões de bushels, ou 7,86 milhões de toneladas.

Para o esmagamento nos Estados Unidos, o USDA manteve a previsão em 2,78 bilhões de bushels. Já as exportações foram projetadas em 1,685 bilhão de bushels, acima dos 1,66 bilhão de bushels estimados anteriormente.

Produção mundial de soja

No cenário global, o USDA estima uma produção de 442,35 milhões de toneladas de soja em 2026/27, praticamente estável em relação à previsão de agosto, de 442,25 milhões de toneladas.

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Os estoques finais mundiais estão projetados em 124,02 milhões de toneladas, acima da expectativa do mercado, de 123,1 milhões de toneladas.

Para a temporada 2025/26, os estoques finais foram estimados em 125,27 milhões de toneladas.

O USDA também manteve a previsão para a produção brasileira em 2025/26, em 180,5 milhões de toneladas. Para 2026/27, a estimativa segue em 186 milhões de toneladas.

Na Argentina, a projeção permanece em 49,5 milhões de toneladas para 2025/26 e em 50 milhões de toneladas para 2026/27.

China mantém demanda

Do lado da demanda, o USDA manteve as projeções para as importações chinesas de soja.

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Para 2026/27, a expectativa permanece em 115 milhões de toneladas. Para 2025/26, o departamento trabalha com importações de 113 milhões de toneladas, sem alteração em relação ao relatório anterior.

Com o Brasil projetando um crescimento mais moderado da produção e os Estados Unidos apresentando uma estimativa acima do esperado pelo mercado, o cenário para a soja passa a depender da evolução do clima, da produtividade e do comportamento da demanda dos grandes compradores globais ao longo da nova temporada.

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