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Após danos em culturas sensíveis, ofício destaca cuidados no uso de herbicidas hormonais

Três meses após decisão judicial determinar a proibição do uso do herbicida hormonal 2,4-D no Rio Grande do Sul até o final de 2025, entidades representativas do setor divulgaram ofício com recomendações técnicas para prevenir a deriva desse tipo de produto.
A ação que levou à suspensão da tecnologia se arrastava há cinco anos na justiça e foi movida por um grupo de produtores de frutas que alega prejuízos com o impacto do defensivo que, conforme estudos, se dispersa em um raio de até 30 km do local onde foi aplicado.
Os maiores impactos relatados pelos agricultores são sentidos em vinhedos, com danos na brotação e abortamento de flores que, consequentemente, geram cachos ralos e colheitas menores.
A presidente da Associação Vinhos Finos da Campanha, Rosa Wagner, ressalta que, nos últimos anos, os produtores de uva têm sentido um declínio constante na produção. “Ninguém mais está investindo porque não sabe se vai ter produção. […] há morte dos parreirais porque há um acúmulo de herbicida na planta. […] o direito de produzir livremente é difuso, então temos o direito de produzir sem sermos atingidos por outras culturas”, diz. O 2,4-D é utilizado para o controle de plantas daninhas de folhas largas na soja, milho e arroz, principalmente.
Agora, Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), em conjunto com a Associação Nacional das Empresas de Produtos Fitossanitários (Aenda), a Croplife Brasil, a Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav) e a Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar) lança o comunicado de prevenção de uso diante do aumento de relatos de danos em culturas sensíveis associados ao uso inadequado de herbicidas hormonais.
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Segundo as entidades, a intensificação das ocorrências acende um sinal de alerta para o setor. Caso o problema se mantenha, há risco de restrições mais severas ao uso desses produtos, comprometendo as estratégias disponíveis para o manejo de plantas daninhas de folhas largas.
“O uso responsável de herbicidas hormonais depende do cumprimento rigoroso de orientações técnicas. A prevenção da deriva é um compromisso coletivo e essencial para proteger culturas sensíveis e garantir a continuidade das ferramentas de manejo disponíveis aos agricultores”, destaca o gerente de Assuntos Regulatórios do Sindicato, Fábio Kagi.
Como aplicar herbicidas hormonais
O Sindiveg reforça que a aplicação de herbicidas hormonais deve ocorrer exclusivamente com pontas de indução de ar capazes de gerar gotas grossas ou extremamente grossas, conforme previsto em rótulos, bulas e receituário agronômico.
“A seleção correta do modelo de ponta e da pressão de trabalho é determinante para alcançar o espectro de gotas recomendado, sendo que qualquer alteração nesses parâmetros, incluindo velocidade de deslocamento ou altura da barra, pode modificar o padrão gerado e aumentar o risco de deriva, exigindo nova conferência e calibração do sistema”, diz o Sindicato, em nota.
De acordo com ofício das entidades, também devem ser reforçadas orientações sobre o volume de calda, privilegiando valores próximos ao limite máximo indicado em bula, de forma a favorecer a formação de gotas maiores e assegurar cobertura adequada, além de confirmar se o agricultor recebeu as instruções necessárias, dispõe de equipamentos adequados e encontra-se apto a conduzir a aplicação conforme bula e receita agronômica.
Instrução ao usuário
O ofício ainda esclarece que, no ato da venda, distribuidores e cooperativas devem orientar o produtor sobre a necessidade de utilizar pontas compatíveis com a tecnologia exigida para herbicidas hormonais.
“Caso o equipamento não possua as pontas adequadas, a substituição deve ser feita antes da aplicação. Para reforçar a materialidade da orientação, recomenda-se registrar que o usuário foi instruído sobre o modelo de ponta, a faixa de pressão, as condições climáticas apropriadas e as culturas sensíveis no entorno da área”, diz trecho do documento.
De acordo com as entidades que assinam o ofício, as condições meteorológicas também são determinantes para a aplicação segura. A recomendação geral é que a umidade relativa esteja acima de 55%, a temperatura abaixo de 30°C e a velocidade do vento entre 3 e 10 km/h, salvo especificações diferentes previstas em cada bula.
O documento alerta para dois cenários meteorológicos que aumentam de forma significativa o risco de deriva:
- Presença de inversão térmica, muito comum no início da manhã, quando o ar frio permanece próximo ao solo e impede a dispersão das gotas;
- Correntes convectivas em dias extremamente quentes e secos, quando o solo aquecido faz o ar subir rapidamente e pode arrastar gotas para áreas indesejadas.
“Em ambas as situações, a aplicação não deve ser realizada, reforçando a necessidade de monitoramento contínuo do clima”, destaca.
Culturas sensíveis
As entidades também chamam atenção para a sensibilidade de algumas culturas, como uva, maçã, tomate e algodão, que exigem atenção redobrada à direção do vento, sendo obrigatória a interrupção da aplicação quando houver risco de deslocamento do produto para áreas sensíveis.
O documento ainda reforça a importância do uso exclusivo de produtos devidamente registrados, autorizados para a cultura e adquiridos apenas em distribuidores, cooperativas agrícolas ou diretamente dos fabricantes.
“Antes da compra, devem ser verificadas a integridade da embalagem, a identificação do fabricante, o número de registro no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e a conformidade das informações. Formulações ilegais, incluindo antigas versões de 2,4-D éster butílico, apresentam elevado risco de volatilidade e deriva e que não estão devidamente registradas no Brasil, com potencial de causar danos severos e comprometer a segurança e a rastreabilidade de toda a cadeia”, destaca o ofício.
“O emprego de produtos clandestinos coloca em risco a agricultura e toda a cadeia produtiva. A orientação é clara: identificar, recusar e denunciar qualquer suspeita”, reforça Kagi.
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Oferta restrita mantém escalas curtas e preços do boi gordo firmes

O mercado físico do boi gordo volta a se deparar com negociações acima da referência média nas principais regiões produtoras do Brasil. A oferta de animais terminados permanece restrita, mantendo escalas de abate encurtadas em grande parte do país.
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As pastagens ainda apresentam boas condições em grande parte do país, oferecendo boa capacidade para cadenciar o ritmo de negócios entre os pecuaristas. A guerra no Oriente Médio e a progressão da cota chinesa ainda são elementos de grande importância para a formação de preço no curtíssimo prazo, disse o analista da Consultoria Safras & Mercado, Allan Maia.
Nas principais praças do Brasil, os preços ficaram:
- São Paulo (SP): ficou em R$ 353,42 na modalidade a prazo
- Goiás (GO): ficou em R$ 338,57
- Minas Gerais (MG): ficou em R$ 342,65
- Mato Grosso do Sul (MS): ficou em R$ 340,45
- Mato Grosso (MT): ficou em R$ 346,42
Atacado
No mercado atacadista, o cenário ainda é de manutenção dos preços da carne bovina. A semana registra escoamento mais lento entre atacado e varejo, considerando o menor apelo ao consumo. Além disso, proteínas concorrentes seguem com maior competitividade em relação à carne bovina, especialmente a carne de frango.
O consumidor brasileiro ao longo do ano tende a priorizar a demanda por proteínas mais acessíveis, como ovo, carne de frango e embutidos, disse Maia.
No atacado, os cortes seguem nos seguintes níveis:
- Quarto traseiro: R$ 27,30 por quilo
- Dianteiro bovino: R$ 21,00 por quilo
- Ponta de agulha: R$ 19,50 por quilo
Câmbio
No câmbio, o dólar comercial encerrou a sessão em alta de 0,24%, sendo negociado a R$ 5,2543 para venda e R$ 5,2523 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,2432 e a máxima de R$ 5,2797.
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Plantio de milho avança no Brasil, enquanto soja mantém ritmo na colheita, aponta Datagro

O plantio do milho de inverno no Brasil atingiu 94,6% da área esperada até 19 de março, segundo levantamento da consultoria Datagro. O índice está em linha com a média dos últimos cinco anos e próximo ao registrado no mesmo período do ano passado, indicando um avanço consistente dos trabalhos no campo.
De acordo com a analista da Datagro, Luiza Ezinatto, as condições climáticas, especialmente na região Centro-Oeste, têm sido favoráveis ao desenvolvimento das lavouras, o que sustenta a expectativa de uma boa produção na safra atual.
“A gente observa um plantio bastante alinhado com a média histórica, com clima colaborando principalmente no Centro-Oeste, o que reforça uma perspectiva positiva para a produção de milho nesta safra”, afirma.
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No caso da soja, a colheita alcança cerca de 68,8% da área estimada no Brasil, também em linha com o comportamento médio dos últimos anos. Apesar de um início mais lento, causado pelo excesso de chuvas, o ritmo dos trabalhos se intensificou ao longo das últimas semanas.
“O início da colheita foi mais desafiador por conta das chuvas, mas o ritmo evoluiu bem e não deve trazer impactos relevantes ao longo da safra”, destaca Luiza.
No cenário internacional, os Estados Unidos já embarcaram cerca de 29,1 milhões de toneladas de soja no atual ciclo comercial, o que representa aproximadamente 68% da estimativa do USDA. Para o milho, os embarques somam cerca de 44,5 milhões de toneladas, equivalentes a 53% do total projetado para a temporada.
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Estudo com IA mapeia áreas agrícolas abandonadas no Cerrado

Uma nova ferramenta desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Universidade de Brasília (UnB) promete ajudar a mapear áreas agrícolas que hoje estão abandonadas no país.
Com o uso de inteligência artificial e sensoriamento remoto, o sistema identifica regiões que já foram utilizadas para produção, mas que deixaram de apresentar produtividade ao longo do tempo.
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O estudo monitorou o bioma Cerrado durante quatro anos. Foram classificadas como áreas abandonadas aquelas que, embora tenham sido convertidas para uso agrícola no passado, não registraram atividade produtiva durante o período analisado.
Um dos principais exemplos está no município de Buritizeiro, região norte de Minas Gerais, onde mais de 13 mil hectares de terras agrícolas foram identificados como abandonados entre 2018 a 2022, o equivalente a cerca de 5% da área observada no início do estudo.
Segundo a Embrapa, entre os fatores que explicam o abandono estão o aumento dos custos de produção, a baixa produtividade e a mudança no uso da terra.
Com o mapeamento concluído, os dados já foram repassados a estados e municípios, a pesquisa alcançou 95% de precisão. A expectativa é que essas áreas possam ser destinadas à restauração ambiental, ao sequestro de carbono, reintegração às produções com qualidade e estudo de base para corredores ecológicos.
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