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23 de outubro de 2026

Business

Preocupações com a safrinha e exportações aquecidas devem elevar preço do milho

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Foto: Maria Eugênia/Embrapa

O milho sofreu na B3, mas mostrou resiliência na Bolsa de Chicago na semana passada. As projeções sobre os estoques finais norte-americanos foram reduzidas porque o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) elevou a estimativa sobre as exportações do país para um recorde de 3,1 bilhões de bushels. Com esse contexto, os preços internacionais ficaram próximos a US$ 4,40/bushel.

Entretanto, no Brasil, o contrato de janeiro de 2026 recuou 2,7% na semana, negociado abaixo de R$ 71,90. De acordo com a plataforma Grão Direto, isso aconteceu porque o mercado futuro local foi pressionado pela percepção de que o plantio da soja dentro da janela ideal garantirá uma safrinha de milho cheia em 2026.

“Apesar da queda na bolsa, o mercado físico segue sustentado por um piso firme de demanda. O setor de etanol de milho e a indústria de proteína animal mantêm o consumo aquecido, evitando quedas bruscas no interior. As exportações brasileiras de dezembro também seguem em bom ritmo, confirmando que o milho nacional continua competitivo e demandado globalmente”, diz a empresa, em nota.

E agora, o que esperar?

A atenção se volta agora para o desenvolvimento da 1ª safra de milho no Sul do Brasil. Diferentemente da soja, o cereal pode estar em fases sensíveis em estados como Rio Grande do Sul e Santa Catarina. As previsões de calor e chuvas abaixo da média para a semana acendem um alerta.

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“Problemas na safra de verão podem aquecer os preços regionais e dar suporte à B3 no curto prazo. O ritmo das exportações será um indicador chave. Com o dólar sustentado acima de R$ 5,40, a janela de exportação continua atrativa”, sinaliza a Grão Direto.

De acordo com a plataforma, se os dados da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) e Secretaria de Comércio Exterior (Secex) confirmarem volumes robustos, isso ajudará a enxugar a oferta doméstica antes da entrada da safrinha, criando uma barreira contra novas quedas de preço.

Agora, o planejamento da safrinha 2026 começa a influenciar. Com a colheita da soja se aproximando em Mato Grosso, o mercado monitora o ritmo de aquisição de insumos e a intenção de plantio. “Rumores sobre redução de tecnologia devido aos custos podem começar a precificar uma produtividade menor para o ciclo de inverno, fator que tende a ser altista no médio prazo”, destaca a empresa.

Novo cenário de juros

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O Fed cortou as taxas de juros nos Estados Unidos (para 3,50%-3,75%), enquanto no Brasil o Copom manteve a Selic em 15%, fator criticado por entidades do setor produtivo.

“Esse diferencial gigantesco de juros mantém o Brasil atrativo para o capital especulativo, segurando o dólar na faixa de R$ 5,40 apesar da força global da moeda norte-americana. Para o produtor, o sinal é de alerta máximo: com a Selic a 15%, o custo de carregar o estoque (custo de oportunidade) é altíssimo (mais de 1% ao mês). Segurar o grão esperando altas moderadas pode significar prejuízo real”, avalia a Grão Direto.

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Cruz Alta abre colheita do trigo no Rio Grande do Sul

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Cruz Alta sediou, nesta quinta-feira (22/10), a abertura da colheita do trigo no Rio Grande do Sul. O evento reuniu representantes do setor agrícola e contou com a participação do secretário da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), Márcio Madalena. A cerimônia marcou o início de uma etapa acompanhada de perto pelos produtores em meio às condições climáticas e aos custos de produção.

A realização do evento em Cruz Alta reforçou o papel do município na triticultura estadual. De acordo com os dados de área plantada de 2026, a cidade ocupa a segunda posição entre os municípios gaúchos com maior área cultivada de trigo, atrás apenas de Palmeira das Missões. A região tem participação relevante na produção do cereal, matéria-prima da indústria moageira e da cadeia de alimentos.

Durante a abertura, Márcio Madalena afirmou que a escolha de Cruz Alta reconhece a contribuição dos produtores e da cadeia do trigo para a economia do Rio Grande do Sul. Segundo ele, o momento também permite acompanhar as perspectivas da cultura diante das condições climáticas e dos custos de produção.

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A prefeita de Cruz Alta, Paula Rubin Librelotto, destacou a importância do setor primário para a economia local, os investimentos e a manutenção dos serviços públicos. Ela também citou a perspectiva de novos empreendimentos ligados ao biodiesel no município.

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Conforme a Emater/RS-Ascar, a área de trigo no Rio Grande do Sul está projetada em 763 mil hectares em 2026, com produtividade média estimada em 2.833 quilos por hectare. A produção estadual é calculada em aproximadamente 2,2 milhões de toneladas, em volume inferior ao de 2025.

No cenário nacional, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima a produção brasileira de trigo em 5,73 milhões de toneladas em 2026, ante 7,87 milhões de toneladas no ano anterior. Segundo a companhia, a variação decorre principalmente da redução da área semeada e de mudanças na produtividade média.

No Rio Grande do Sul, chuvas frequentes e baixa incidência de radiação solar têm influenciado o ritmo de maturação das lavouras e o avanço da colheita. A umidade também exige atenção à sanidade das plantas e à qualidade comercial dos grãos.

Além do clima, custos de produção, crédito e preços de comercialização seguem no centro do planejamento dos agricultores para as próximas safras, em um cenário que mantém o trigo entre as culturas estratégicas da agricultura gaúcha.

Fonte: agricultura.rs.gov.br

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Nova geração de produtores impulsiona aluguel de máquinas agrícolas

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A entrada de uma nova geração de produtores no campo tem contribuído para a alta do aluguel de máquinas agrícolas. Conforme dados da Receita Federal, já são mais de 9 mil empresas do ramo no Brasil, mercado que abrange desde uma companhia listada em bolsa a um proprietário de trator que ocasionalmente o loca.

“Para que vou querer comprar uma colheitadeira se vou usá-la somente durante quatro ou cinco semanas ao longo de toda a safra?”, indaga o produtor Lucas Bonato, de 28 anos, morador de Campos Lindos, no Tocantins. Pensamento oposto ao de seu pai, José Bonato, de 64 anos. “Sempre pensei em adquirir máquinas duráveis que poderiam me servir e, depois, aos meus filhos.”

Lucas considera que em um cenário de juros altos e crédito restrito, não há sentido imobilizar capital em um bem que não é de uso contínuo. Para ele, o raciocínio é semelhante ao da população urbana que opta por viagens em carros de aplicativo ao invés de adquirir o próprio automóvel.

O pensamento do jovem produtor ecoa o de muitos outros que não enxergam viabilidade nas taxas de até 12,5% ao ano do Moderfrota Geral e de 11,5% no Moderfrota Pronamp. Somado a isso, há a desmotivação pela volumosa alta dos preços: estudo do Projeto Campo Futuro, da CNA, identificou que entre 2019 e 2025, os preços das plantadeiras aumentaram entre 131% e 225%, o das colheitadeiras cresceram de 57% a 124% e o dos tratores tiveram incremento que variou de 107% a 154%.

O estudo, divulgado em 2025, contemplou 12 regiões estratégicas localizadas no Sul, Centro-Oeste e Matopiba+PA, identificando que operações mecânicas e depreciação de máquinas respondem por cerca de 17% do custo operacional total do produtor.

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O diretor comercial da RZK Rental, Eduardo Martinatti, acredita que a mentalidade de uma nova geração no campo exemplifica o atual momento do mercado. “Querer ser o dono da máquina ainda é uma cultura dominante entre os produtores, mas observamos que o pensamento vem mudando, especialmente com a sucessão nas fazendas”, diz.

O executivo salienta que a empresa estima crescimento de 3,5% neste ano e de 10% em 2027. Essa ascensão vem impulsionada, em parte, justamente pelo público mais jovem. “Para eles, o valor imobilizado e as dificuldades de gerir a própria frota pesam mais. Assim, optam por deixar o caixa livre para investir em estruturas e novas oportunidades.”

Esse comportamento foi, inclusive, ilustrado por pesquisa da Boschi Inteligência de Mercado (BIM³), cujos dados mostram que 38% das propriedades rurais brasileiras alugam colheitadeiras para suas operações. Quando o assunto são pulverizadores, o número é de 19%, enquanto nos tratores é de 11%.

Pagamentos conforme a receita

Para aumentar ainda mais esses números, o setor vem apostando na customização. Na RZK Rental o preço do aluguel é de acordo com a demanda de receita do produtor dentro da sua operação. “Tentamos entender exatamente as necessidades do cliente para garantir que o serviço não seja um custo para ele nos momentos de baixa na receita na fazenda”, conta.

Modelo semelhante é adotado pela Armac, onde os contratos já seguem a sazonalidade do campo. “Na locação mensal, o cliente pode contratar o equipamento pelo período de que precisa, como durante a safra, e devolvê-lo na entressafra. Para demandas pontuais, as lojas também oferecem pacotes de 3, 7, 14 ou 21 diárias”, detalha o vice-presidente de Locação, Leonardo Suarez.

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A empresa também vem em uma crescente. Por ter capital aberto, não divulga projeções, mas o balanço do segundo trimestre deste ano dá pistas do desempenho: receita bruta de R$ 586,2 milhões, 19,3% acima do registrado no mesmo período de 2025.

Ainda que o maior foco da Armac seja a linha amarela, operações diretamente ligadas ao agro, como usinas de cana e de etanol de milho, agroindústrias, empresas de fertilizantes, armazéns, terminais e propriedades rurais, já utilizam cerca de 30% da frota de mais de 15 mil ativos da companhia.

“Na nossa experiência, o cliente que troca a compra pela locação dificilmente volta atrás”, diz Suarez. De acordo com ele, o produtor costuma enxergar que o modelo é vantajoso com uma conta simples: a comparação da parcela do financiamento com o valor do aluguel menos os encargos com manutenção, seguro, peças, depreciação e o tempo de máquina parada.

E os ventos favoráveis à locação de máquinas ainda devem ganhar um novo aliado: a Reforma Tributária. Com a obrigatoriedade de um CNPJ e a consequente formalização jurídica a partir de 2027, o produtor passa a conseguir recuperar e aproveitar os créditos tributários gerados no modelo de aluguel (IBS e CBS), o que antes era inviável.

Locação como complemento

Produtora de soja, milho, feijão, algodão e cana-de-açúcar e também atuante na pecuária, a BrasilAgro aluga máquinas desde o começo de suas atividades.

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De acordo com o diretor financeiro e de Relações com Investidores da empresa, Gustavo Javier Lopez, a companhia possui frota própria, que representa a maior parte dos equipamentos, mas a locação é utilizada como complemento, especialmente na renovação da frota ou quando a análise de payback indica que se trata da alternativa mais vantajosa.

“Alugamos tratores de grande porte, com mais de 300 cv, plantadeiras com 30 linhas ou mais e pás-carregadeiras. Também alugamos caminhões de apoio às operações das fazendas, como munck, roll-on/roll-off e baú, além de micro-ônibus para o transporte interno de funcionários”, conta.

O executivo conta que o modelo de contrato que a empresa opta é o de pagamento mensal. “Existem companhias que oferecem a modalidade safra, com pagamento em 30 de abril. Porém, para nós, nas condições atuais, essa opção não tem sido a mais vantajosa em razão dos juros.”

Lopez destaca que a BrasilAgro trabalha com três modalidades de utilização de máquinas: terceirização dos serviços, aquisição e locação. “No planejamento, avaliamos qual delas atende melhor cada operação. Essa combinação ajuda a reduzir a exposição ao risco de indisponibilidade de frota nos períodos de pico”, conta.

O relatório Rental Market Report, da KPMG com Analoc e Sobratema, projeta que o setor de aluguel de máquinas e equipamentos deve faturar R$ 52,9 bilhões em 2026, 7% a mais que em 2025.

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Soja sobe em Chicago e melhora ofertas no mercado brasileiro; saiba como ficaram os preços

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O mercado brasileiro de soja apresentou maior movimentação nesta quinta-feira (22), com valorização dos preços e registro de negócios nos portos. De acordo com o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, as condições mais favoráveis na Bolsa de Chicago e no câmbio contribuíram para a melhora das ofertas dos compradores, embora a comercialização ainda apresente baixa liquidez.

Durante a sessão, os contratos futuros em Chicago chegaram a operar com alta de 1% nas máximas do dia, acompanhados por movimentos positivos do dólar. Esse cenário permitiu melhores indicações de compra e favoreceu a realização de negócios nos portos.

Apesar da melhora pontual, Silveira destaca que o ritmo de comercialização ao longo da semana permanece lento, com volumes negociados ainda limitados. Os produtores seguem concentrados nos trabalhos de plantio da nova safra, o que também restringe a movimentação no mercado físico.

Preços de soja no Brasil

  • Passo Fundo (RS): subiu de R$ 144,00 para R$ 146,00
  • Santa Rosa (RS): subiu de R$ 145,00 para R$ 147,00
  • Cascavel (PR): subiu de R$ 140,00 para R$ 141,00
  • Rondonópolis (MT): subiu de R$ 139,00 para R$ 141,00
  • Dourados (MS): subiu de R$ 139,00 para R$ 140,00
  • Rio Verde (GO): subiu de R$ 138,00 para R$ 139,00
  • Paranaguá (PR): subiu de R$ 151,00 para R$ 152,00
  • Rio Grande (RS): subiu de R$ 151,00 para R$ 153,00

Soja em Chicago

Os contratos futuros da soja fecharam em alta na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), nesta quinta-feira (22), interrompendo uma sequência de oito sessões seguidas de perdas. Após atingir o menor nível em dois meses, os agentes viram um cenário propício para uma recuperação técnica, por meio de compras de barganha, quando investidores aproveitam preços mais baixos para adquirir contratos.

A alta do petróleo ajudou a sustentar os ganhos do dia, devido à correlação com o biodiesel. Outro ponto positivo pelo lado da demanda segue sendo o volume de compras chinesas no mercado americano. Nesta quinta-feira, os exportadores privados anunciaram mais uma venda de 202 mil toneladas de soja para o país asiático.

As vendas líquidas norte-americanas de soja, referentes à temporada 2026/27, iniciada em 1º de setembro, ficaram em 2.841.200 toneladas na semana encerrada em 15 de outubro. A China liderou as compras, com 2.178.600 toneladas. Analistas esperavam vendas entre 1,1 milhão e 3 milhões de toneladas.

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Contratos futuros de soja

Os contratos da soja em grão com entrega em novembro fecharam com alta de 7,75 centavos de dólar, ou 0,62%, a US$ 12,53 por bushel. A posição janeiro teve cotação de US$ 12,64 3/4 por bushel, com elevação de 6,50 centavos de dólar, ou 0,51%.

Nos subprodutos, a posição dezembro do farelo fechou com baixa de US$ 1,00, ou 0,28%, a US$ 347,30 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em dezembro fecharam a 66,74 centavos de dólar, com ganho de 0,77 centavo, ou 1,16%.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão com alta de 0,23%, negociado a R$ 5,0385 para venda e a R$ 5,0365 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,0220 e a máxima de R$ 5,0560.

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