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Rastreabilidade na pecuária de MT: entenda o Passaporte Verde

A política estadual de sustentabilidade da pecuária, aprovada pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso e à espera de sanção do governador Mauro Mendes, coloca em prática uma série de ações voltadas à transparência da cadeia da carne. Entre elas está o Passaporte Verde, programa que propõe rastreabilidade socioambiental, apoio à regularização ambiental e valorização do produto mato-grossense no mercado interno e externo.
Desenvolvido pelo Instituto Mato-grossense da Carne (Imac) em parceria com o setor produtivo, o Passaporte Verde integra a política pública ao lado do Programa de Reinserção e Monitoramento (PREM) e do programa Carne de Mato Grosso, voltado à agregação de valor ao produto final.
O que é — e o que não é — o Passaporte Verde
O diretor de projetos do IMAC, Bruno Jesus Andrade, reforça que o Passaporte Verde não cria novas exigências fora da lei. “O Passaporte Verde não é licenciamento ambiental, não é fiscalização sanitária e não é o Sisbov. Ele é um programa que vai ajudar a melhorar cada vez mais a reputação do estado na cadeia produtiva da carne bovina, aumentar a transparência do nosso sistema produtivo e auxiliar o produtor no processo de regularização ambiental”, explica em entrevista do programa Estúdio Rural.
Segundo Bruno, trata-se de um processo de monitoramento que utiliza informações do próprio animal para comprovar aos mercados que a produção mato-grossense segue a legislação brasileira e estadual. “Ele é uma rastreabilidade socioambiental, para mostrar que a nossa produção segue a legislação em relação aos temas socioambientais”.

Na prática, o Passaporte Verde prevê apoio direto às propriedades com desmatamento ilegal recente. De acordo com o Imac, fazendas identificadas nessa condição terão um prazo de até 48 meses para passar por um processo de readequação ambiental, com suporte técnico e institucional.
“A gente vai ter todas as propriedades que possuem desmatamento ilegal, por exemplo, passando pelo processo de readequação ambiental. Todas terão suporte para se regularizar junto à Sema e, ao mesmo tempo, receber uma declaração que permita comercializar os animais com a indústria frigorífica”, detalha Bruno.
Além da questão ambiental, o programa também mira a qualidade do produto. “O segundo objetivo é identificar onde a gente pode melhorar a qualidade do animal, por meio de classificação e tipificação de carcaça, entendendo os gargalos em cada município para acessar os melhores mercados”.
Quem entra e em que prazo
Mato Grosso possui cerca de 110 mil propriedades com pelo menos uma cabeça de gado. Desse total, aproximadamente 21 mil têm algum tipo de passivo ambiental relacionado a desmatamento ilegal, segundo estudos do Imac.
“São propriedades com sobreposição a polígonos do Prodes ou com embargo da Sema, do Ibama ou do ICMBio. Dentro da política do Passaporte Verde, conseguimos auxiliar para que sejam desembargadas e tenham o CAR analisado de forma mais célere”, afirma Bruno.
Essas propriedades formam o foco inicial do programa e terão até janeiro de 2030 para se adequar. As demais fazendas entram no Passaporte Verde conforme o cronograma do Plano Nacional de Identificação de Bovinos e Bubalinos (PENIB).
Mesmo propriedades com o Cadastro Ambiental Rural (CAR) ainda em análise poderão participar do programa. “O produtor precisa ter o CAR ativo. Não pode estar suspenso ou cancelado. Não significa ter o CAR validado, aprovado. Tendo a numeração, a gente já consegue trabalhar com esse produtor”, esclarece.
Rastreabilidade e definição do modelo
A forma de implementação da rastreabilidade ainda será definida por regulamentos e decretos, sob decisão de um comitê gestor formado por representantes do setor produtivo, indústria, Indea e Sema.
“O tipo de elemento de identificação e por onde começar ainda serão definidos. O que nós já fizemos foi levantar todos os dados para municiar a melhor decisão”, explica Bruno. Hoje, cerca de 400 propriedades em Mato Grosso já utilizam identificação individual via Sisbov, representando aproximadamente 30% do abate estadual. “É um bom ponto de partida”.
Custo e apoio ao pequeno produtor
O projeto de lei prevê suporte financeiro para pequenas propriedades. Das 21 mil fazendas com passivo ambiental, cerca de 14 mil têm até quatro módulos fiscais.
“O projeto traz o suporte financeiro às fazendas de até 100 animais para aquisição dos elementos de identificação”, destaca Bruno. Segundo ele, muitas regiões concentram assentamentos e pequenos produtores que também precisam de assistência técnica, acesso a crédito e apoio para regeneração e cercamento de áreas.
O Passaporte Verde se aplica a toda a cadeia, independentemente do mercado atendido pela indústria frigorífica. “Estamos acompanhando o cumprimento da lei, de coisas que todos já devem cumprir. Independentemente se a indústria exporta ou atende apenas o mercado doméstico”, pontua ao programa do Canal Rural Mato Grosso.
Nesse modelo, caberá à indústria verificar o histórico socioambiental dos animais adquiridos e registrar as informações no sistema de rastreabilidade.
Para os produtores com restrição ambiental, a adesão será obrigatória a partir de janeiro de 2030. “Até lá, eles têm quatro anos para decidir quando aderir. Depois disso, passa a ser obrigatório”, explica Bruno.
O foco inicial é claro. “O grande objetivo é resolver esse passivo ambiental, aumentar a transparência, melhorar a reputação e acessar mercados mais exigentes, que pagam mais”.
Pressão dos mercados internacionais
A decisão de antecipar esse movimento vem das mudanças no comércio global. “A União Europeia já tem o regulamento contra o desflorestamento. A China, desde 2023, vem demonstrando interesse em entender como funciona a rastreabilidade e o controle socioambiental no Brasil”, relata.
Bruno lembra que o acordo bilateral com a China, assinado em 2015, já prevê a identificação do rebanho desde o nascimento. “Eles nunca ativaram esse dispositivo, mas podem ativar. E recentemente lançaram um guia de aquisição de commodities agrícolas com critérios socioambientais”.
Segundo ele, outros mercados, como o Oriente Médio, também começam a incorporar esse tipo de exigência. “O mundo mudou. As preocupações vão ficando mais refinadas e a gente precisa se preparar”.
Retorno para o produtor
A expectativa é que a adequação gere retorno financeiro. “Essa é a segunda estratégia dentro do Passaporte Verde. Porque de um lado a gente está falando da conformidade, dele cumprir a lei. E a segunda perna é a gente ir atrás desse recurso para o produtor e para a indústria, por meio do programa Carne de Mato Grosso”, explica.
Com a rastreabilidade, será possível avançar em classificação de carcaça, pagamento por serviços ambientais e crédito de carbono. “Uma pecuária bem feita emite menos carbono por quilo de carcaça produzido. O objetivo é buscar esse recurso para o produtor, por produzir um animal e uma carne de melhor qualidade”.
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John Deere conecta plantio e aplicação e mostra no campo a força da tecnologia para a nova safra

O início de uma nova safra representa muito mais do que a largada para o plantio. É o momento em que decisões estratégicas começam a definir os próximos passos da lavoura, e a John Deere esteve no centro desse momento na Abertura Nacional do Plantio da Soja 2026/27, em Ipiranga do Norte (MT). Parceira do evento, a John Deere levou ao campo soluções de seu portfólio para destacar o conceito Plante e Aplique, que integra tecnologias voltadas a duas etapas essenciais da produção agrícola.
Com máquinas e recursos desenvolvidos para atender às diferentes necessidades do produtor, a John Deere demonstrou como a combinação entre plantio e aplicação pode contribuir para maior eficiência operacional, melhor aproveitamento dos recursos e desempenho ao longo de todo o ciclo da lavoura.
O evento reuniu mais de 2 mil pessoas e marcou os 15 anos do Projeto Soja Brasil, além da largada oficial da safra 2026/27. Para a John Deere, estar presente nesse momento representa também a oportunidade de estar próxima do produtor, entender as necessidades do campo e apresentar tecnologias desenvolvidas para acompanhar uma agricultura cada vez mais eficiente, conectada e produtiva.
”Foi uma grande felicidade participar da Abertura Nacional do Plantio da Soja 2026/27. É uma oportunidade de estar próximo do cliente, entender o que ele precisa e mostrar as nossas soluções. É o pontapé inicial, quando a coisa começa a acontecer, e poder apresentar essas duas máquinas, mostrando o plantio e a aplicação, foi muito importante”, diz Valério Wagner, diretor de marketing Latam da John Deere.
Para Roberto Petri, diretor comercial da Agro Baggio Máquinas Agrícolas, o momento do plantio é decisivo para o resultado da safra. “Estar na largada é muito fundamental, porque temos o equipamento para isso: plantar no momento certo e com a qualidade necessária”, afirma.
Segundo Petri, a parceria com a Fazenda Horizontina, palco do evento, é construída a partir de uma relação próxima com a família proprietária e de um trabalho que acompanha todo o ciclo produtivo. “O que a gente preconiza é entregar aquilo que sabemos fazer. Conhecemos todo o ciclo, desde a soja, o milho e o algodão. Nosso objetivo é entregar os melhores produtos e, junto com eles, oferecer experiência, menor custo, melhor desempenho e qualidade”, explica.
Ele destaca ainda que a atuação da empresa acompanha diferentes etapas da produção. “Os produtos que apresentamos atendem desde o plantio até os tratos culturais, além de trazerem soluções ambientalmente sustentáveis. Em anos mais desafiadores, esse momento se torna ainda mais importante, porque, com margens apertadas, o produtor precisa buscar eficiência. A tecnologia tem um papel muito importante nesse processo. Estamos no celeiro do agronegócio brasileiro para mostrar isso”, completa.
Tecnologia que chega ao campo
Durante a programação, a John Deere destacou seu portfólio de máquinas com a apresentação da Plantadeira 3131FT, da Série 3100FT, e do trator 8R de Alta Potência, um dos lançamentos da marca. A demonstração também incluiu o Pulverizador 430R, da Série 400R. As máquinas levaram diretamente ao campo tecnologias voltadas à eficiência e ao desempenho em operações estratégicas da lavoura.
O trator 8R Alta Potência combina alta potência com maior capacidade operacional, reduz custos, aumenta a eficiência e permite melhor aproveitamento das janelas agrícolas, principalmente no plantio, elevando o desempenho da operação no campo.
Na plantadeira, o destaque está na combinação entre alta precisão na distribuição de sementes, agilidade e robustez, com conectividade em tempo real para o monitoramento da operação diretamente da cabine. A proposta é entregar mais eficiência em cada hectare e dar ao produtor maior controle sobre uma das etapas que definem o potencial produtivo da lavoura.
Já na pulverização, a Série 400R reúne um conjunto de tecnologias e soluções inteligentes desenvolvido para elevar a precisão e a eficiência de uma operação fundamental para o cultivo. Além de contribuir para a economia e para uma aplicação de maior qualidade, os recursos da linha permitem trabalhar com mais hectares por dia, reduzir o tempo gasto com configurações e ajustes iniciais e contar com recursos como maior estabilidade das barras, câmeras de ré, pacotes de luzes LED, sistemas de gerenciamento de manobras de cabeceira e abastecimento otimizado. O equipamento também pode ser equipado, como opcional de fábrica, com a tecnologia See & Spray™ Gen 2, que entrega uma aplicação mais inteligente ao identificar plantas daninhas e realizar pulverizações localizadas, reduzindo o uso de herbicidas.
A tecnologia também coloca mais informações nas mãos do produtor, ampliando as possibilidades de planejamento, monitoramento e controle da operação. É a inteligência aplicada ao campo para transformar dados e recursos tecnológicos em mais eficiência no dia a dia da propriedade.
As demonstrações permitiram que os produtores conhecessem as soluções de perto e visualizassem como o conjunto de tecnologias da John Deere pode ser incorporado à rotina da propriedade, conectando máquinas, operação e tomada de decisão.
”Estamos muito felizes em mostrar as grandes tecnologias do pulverizador, que trazem rentabilidade e produtividade para o dia a dia do produtor. Fazer parte desse movimento também é entender o peso que o agro tem para o nosso país e para o mundo”, comenta Rebeca Silva, especialista de produto da linha de pulverizadores da John Deere.
Plantio e aplicação na mesma estratégia
O Plante e Aplique reúne máquinas, tecnologia, conectividade, especialistas e concessionários em torno de duas operações diretamente ligadas ao resultado da lavoura. Mais do que uma campanha ou um conjunto de soluções, o conceito representa a forma como a John Deere conecta seu portfólio para apoiar o produtor em operações que não podem ser tratadas de maneira isolada.
A proposta é integrar as etapas para que o produtor possa estabelecer o potencial da cultura no plantio e, na sequência, trabalhar para protegê-lo durante o ciclo. Uma forma de unir máquinas, tecnologia, conectividade, especialistas e concessionários para ajudar o produtor a fazer mais e melhor em duas operações que impactam diretamente o resultado da safra. Porque, no campo, uma decisão influencia a outra. Um bom plantio cria o potencial. Uma boa aplicação ajuda a proteger esse potencial. E quando as etapas trabalham em sintonia, a tecnologia passa a atuar a favor de toda a operação.
Alta potência para aproveitar cada momento da janela de plantio
Além das soluções apresentadas para o plantio e a pulverização, a John Deere também levou à Abertura Nacional do Plantio sua linha de tratores de alta potência, reforçando a capacidade da marca de oferecer um portfólio completo para diferentes necessidades dentro da propriedade.
Entre os equipamentos apresentados está o trator 8R, com modelos de 440 a 540 cavalos nominais e potência máxima que pode chegar a 634 cavalos. A máquina representa a combinação entre força e tecnologia necessária para operações de alta demanda, especialmente em um cenário no qual o produtor precisa aproveitar cada momento disponível para realizar o plantio.
Para Alexander Onishi, especialista de produto e mercado das linhas de tratores de 200 a 830 cavalos da John Deere, a potência ganha ainda mais importância diante da redução das janelas disponíveis para realizar a operação.
”O que mostramos é o trator 8R de alta potência. Temos tratores de 440 a 540 cavalos nominais, podendo chegar até incríveis, 634 cavalos de potência máxima. Hoje, um dos grandes desafios do produtor é a janela de plantio, que está ficando cada vez menor. Ele precisa aumentar a produtividade e aproveitar melhor esse período”, aponta.
Para ele, combinar este trator com a plantadeira é uma estratégia importante para atender à janela de plantio, já que cada dia é decisivo para o produtor e eventuais atrasos podem impactar a produtividade. Por isso, segundo ele, a empresa busca levar essas soluções ao campo para contribuir com o desempenho da operação.
Tecnologia, suporte e parceria em cada etapa
A John Deere está ao lado do produtor em todos os momentos. Por meio do programa Excelência em Pós-venda e dos Centros de Soluções Conectadas, a Rede de Concessionários oferece suporte com tecnologia avançada em conectividade, gestão de dados e serviços remotos. Com máquinas conectadas, o produtor conta com técnicos, agrônomos e especialistas para monitoramento, otimizações, suporte remoto e agricultura de precisão, tornando a distância uma barreira cada vez menor.
Os concessionários estão preparados para oferecer uma verdadeira Experiência John Deere, com técnicos treinados e capacitados, ferramentas e recursos avançados, veículos e instalações adequadas e processos alinhados aos valores de qualidade, inovação, integridade e comprometimento da marca.
Entre as principais soluções estão o Service ADVISOR™ Remoto, que permite diagnosticar problemas e direcionar o técnico, as peças e as ferramentas certas; o Expert Alerts, que identifica possíveis falhas antes que aconteçam; e o Acesso Remoto ao Monitor, que auxilia na configuração, otimização e solução de problemas.
Com o apoio das fábricas e de ferramentas como o DTAC e o Service ADVISOR™, os funcionários conseguem detectar falhas com rapidez e realizar reparos eficazes, garantindo serviços ágeis, maior disponibilidade dos equipamentos e mais produtividade para o produtor. Com esse suporte, a John Deere reforça seu compromisso de manter o produtor em campo, com mais confiança para aproveitar cada janela de trabalho e alcançar os melhores resultados ao longo da safra.
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Brasil ganha protagonismo global em biocontrole na Abim 2026

O Brasil demonstrou seu protagonismo no desenvolvimento, na produção e na aplicação de insumos biológicos durante a Annual Biocontrol Industry Meeting — Encontro Anual da Indústria de Biocontrole (Abim 2026), realizada em Basel, na Suíça.
Com um mercado em rápida expansão, experiência acumulada em pesquisa aplicada e empresas que investem em tecnologia e internacionalização, o país se apresentou como uma das principais referências globais em biocontrole, despertando interesse de distribuidores e parceiros comerciais de diferentes regiões.
Segundo o estrategista de agronegócio da Bizup Strategy, Christian Pereira, o biocontrole já alcança 52% da área cultivada monitorada no Brasil, de acordo com dados da Kynetec Brasil, ante aproximadamente 30% há poucos anos.
Em apresentação durante o evento, ele destacou quatro fatores que explicam essa evolução, que podem servir de modelo ao mundo: a agricultura tropical intensiva, as limitações de determinadas soluções químicas, o ambiente regulatório e décadas de pesquisa aplicada.
No Brasil, a possibilidade de realizar duas safras anuais — e, em algumas regiões, três — aumenta a pressão de pragas e doenças e permite testar e aperfeiçoar tecnologias em condições reais de campo. Ao mesmo tempo, problemas como nematoides, lagartas e resistência a fungicidas criaram oportunidades para alternativas biológicas.
Pereira também ressaltou o peso da regulação na velocidade de inovação. Segundo as estimativas apresentadas por ele, o registro de soluções de biocontrole pode levar de um a dois anos no Brasil, enquanto, na Europa, o processo pode chegar a dez anos.
Entretanto, a experiência brasileira não se resume às condições agrícolas. Universidades, Embrapa, institutos de pesquisa e empresas contribuíram para transformar conhecimento científico em tecnologias comercialmente viáveis. Para Pereira, o desafio agora é converter o crescimento acelerado em rentabilidade sustentável, em um mercado com mais concorrentes, produtos e pressão por diferenciação.
A presença brasileira na Abim 2026 também foi reforçada pelo estande do Renera (Brazilian Bioinputs Hub), iniciativa da CropLife Brasil em parceria com a ApexBrasil. O projeto busca ampliar a visibilidade internacional da indústria nacional, promover conexões estratégicas e abrir oportunidades de negócios e cooperação científica e tecnológica.
Para Renata Meliga, gestora do hub, a participação representa um avanço no posicionamento global do setor. “Essa participação amplia oportunidades de negócios, fortalece conexões estratégicas e consolida o Brasil como referência mundial em bioinsumos”, afirmou.
O estande contou também com a participação de Amália Borsari, diretora da CropLife Brasil, e Julia Pupe, gerente regulatória e institucional em bioinsumos da entidade. A iniciativa procurou destacar a capacidade científica e industrial brasileira, a biodiversidade como fonte de inovação e a competitividade das empresas nacionais nos mercados internacionais.
Indústria brasileira mira 30 países até 2030
Entre as empresas brasileiras presentes, o Ecossistema Cogny destacou-se pela agenda de expansão internacional e pelos investimentos em pesquisa, desenvolvimento e capacidade industrial.
Felipe Fiorese, gerente de negócios internacionais da empresa, afirmou que a participação na Abim 2026 foi marcada por reuniões com potenciais distribuidores e parceiros, especialmente na União Europeia e no Norte da África. A estratégia do grupo é alcançar presença comercial em 30 países até 2030. Atualmente, a empresa exporta direta ou indiretamente para 15 mercados, por meio de marcas próprias e fornecimento B2B.
Tulio Silva, também gerente de negócios internacionais, ressaltou a competitividade tecnológica da indústria brasileira diante do avanço de fabricantes asiáticos. Segundo ele, os contatos realizados durante o evento reforçaram a percepção de que o Ecossistema Cogny acompanha os principais movimentos globais de inovação.
“Em nenhum aspecto o Ecossistema Cogny está atrás de nenhuma empresa do mundo de biológicos nesse momento”, declarou Silva, citando tecnologia, capacidade industrial e qualificação profissional.
A estratégia de crescimento também se apoia na presença técnica junto aos produtores. Derik Chamberlain, diretor comercial executivo da Bioma, destacou que o ecossistema conta com mais de 300 técnicos em campo e pretende ampliar essa equipe em aproximadamente 30%, chegando a cerca de 400 profissionais em 2027.
Para ele, a combinação entre pessoas capacitadas, pioneirismo tecnológico e demonstração prática dos benefícios das soluções é fundamental para sustentar a expansão.
A participação na Abim 2026 evidenciou, assim, uma nova etapa para o setor brasileiro: além de ampliar a adoção doméstica, a indústria busca transformar sua experiência agrícola, capacidade de inovação e escala produtiva em competitividade internacional.
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Faesp cobra ajuste fiscal e juros menores

A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) defendeu o respeito ao resultado das eleições presidenciais de 2026, que garantiram a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas cobrou do governo medidas para controlar os gastos públicos, reduzir os juros, simplificar a tributação e ampliar a segurança jurídica no campo.
Em manifestação sobre o resultado do segundo turno, realizado neste domingo (25), a entidade presidida por Tirso Meirelles reafirmou seu compromisso com o desenvolvimento econômico, a produção sustentável e o fortalecimento das instituições democráticas.
Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL), segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Para a Faesp, o resultado das urnas demonstra a necessidade de o próximo governo ampliar o diálogo com diferentes setores da sociedade, considerando também as demandas dos eleitores que não apoiaram a candidatura vencedora.
A federação também destacou o número de abstenções, votos brancos e nulos, interpretando esses indicadores como sinais de insatisfação de parte do eleitorado com as propostas apresentadas durante a campanha.
“A democracia não é um evento que se encerra no dia da votação; é um processo vivo que exige cuidado, diálogo e aperfeiçoamento diário. Ela se consolida quando há compromisso genuíno com a totalidade da sociedade, e não apenas com uma parcela dela”, afirmou Meirelles.
Faesp apresenta prioridades para o novo mandato
Entre as principais reivindicações da entidade estão a redução da carga tributária, a diminuição dos custos financeiros e a adoção de medidas para assegurar maior previsibilidade aos investimentos no agronegócio.
Na área tributária, a Faesp defende a simplificação dos impostos e a adoção de regras que não aumentem os custos para o setor produtivo.
Outra prioridade é a criação de condições macroeconômicas que permitam a redução sustentável das taxas de juros, facilitando o acesso ao crédito e os investimentos na atividade agropecuária.
A federação também cobra maior controle dos gastos públicos e medidas para combater a ineficiência administrativa do Estado.
No campo, a entidade considera fundamentais a garantia do direito de propriedade, a estabilidade das regras e a segurança jurídica para produtores rurais e investidores.
Entidade defende plano nacional de desenvolvimento
A Faesp afirmou que continuará atuando na interlocução com o governo federal e outras instituições para defender as demandas dos produtores rurais paulistas.
Segundo a federação, o agronegócio desempenha papel importante na geração de empregos, na movimentação da economia e no abastecimento alimentar do Brasil e de outros países.
A entidade também defende a elaboração de um “Plano Brasil”, voltado à melhoria do ambiente de negócios, ao fortalecimento da iniciativa privada e à criação de condições para o crescimento econômico.
Para a Faesp, o próximo mandato presidencial deverá conciliar o respeito às instituições democráticas com políticas que garantam estabilidade econômica e competitividade ao setor produtivo.
Observação editorial: no material original, a Faesp menciona que cerca de 49% da população manifestou desejo de mudança. Adaptei a informação para evitar confundir percentual de votos válidos com percentual da população. De acordo com o TSE, Flávio Bolsonaro recebeu 48,21% dos votos válidos, enquanto a abstenção foi de aproximadamente 19,2% do eleitorado apto.
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