Sustentabilidade
União Europeia adia novamente lei desfavorável ao agro brasileiro, em ano de importantes vitórias para o setor – MAIS SOJA

Por Marcelo Sá – jornalista/editor e produtor literário (MTb13.9290) marcelosa@sna.agr.br
Assunto mobiliza diversas cadeias produtivas
Na esteira da revogação do tarifaço, que marcou importante vitória para o comércio brasileiro em geral, e para o agronegócio em particular, outra boa notícia vem premiar os esforços de negociação e diálogo do setor. A presidência do Conselho Europeu deu mais um passo rumo ao adiamento da Lei Antidesmatamento do bloco (EUDR, na sigla em inglês). Na última quinta-feira (4/12), firmou-se um acordo político provisório para determinar a prorrogação por um ano da entrada em vigor do regulamento.
A votação será durante a sessão plenária de 15 a 18 de dezembro de 2025. O texto deve ser aprovado pelo Parlamento e pelo Conselho, depois publicado no Jornal Oficial da UE antes do final de 2025 para que as alterações entrem em vigor. Caso contrário, os prazos atuais serão aplicados. A medida também prevê soluções específicas para facilitar a implementação por parte das empresas, das partes interessadas globais e dos Estados-Membros.
Segundo o acordo provisório, em linha com propostas apresentadas e votadas anteriormente, todas as empresas terão mais um ano para se adequarem às regras EUDR. Grandes operadores e comerciantes terão que aplicar o regulamento a partir de 30 de dezembro de 2026, e pequenos operadores (pessoas físicas e micro ou pequenas empresas) a partir de 30 de junho de 2027.
O Portal SNA vem acompanhando os sucessivos desdobramentos desse tópico com reportagens, artigos e entrevistas. Segmentos substanciais, como café, se esforçaram nos últimos anos para demonstrar que adotam as melhores práticas de preservação e sustentabilidade em seus respectivos cultivos. Além disso, produtores europeus também se sentem prejudicados pelo projeto, pois serão co – responsáveis pela certificação de origem das commodities, algumas delas essenciais em seus mercados. Na dúvida, precisariam reduzir ou cessar compras de países parceiros, como o Brasil, para evitar multas e demais sanções previstas na legislação, o que aumentaria seus custos de produção.
Repercussão e expectativas para o futuro do acordo
O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua, afirmou que a aprovação do adiamento da implementação da EUDR pelo Parlamento Europeu representa um progresso, justamente quanto à simplificação das regras: “É uma volta à racionalidade. A própria sociedade europeia está vendo as dificuldades de implementação disso. Essa proposta visa simplificar os processos, porque viram que é muito complexo e é importante“, afirmou ele à imprensa, no Encontro Anual dos Adidos Agrícolas, em Brasília.
Já o presidente do Conselho Nacional do Café e membro da Academia Nacional de Agricultura da SNA, Silas Brasileiro, manifestou-se em nota, com sua habitual ponderação e confiança no setor: “O Brasil está preparado e tem sustentação técnica para atender às exigências internacionais. Nossa cafeicultura é exemplo de responsabilidade ambiental, e continuaremos trabalhando para que isso seja reconhecido com equilíbrio e segurança jurídica”, afirmou.
Embora não admita, a Comissão Europeia cedeu à pressão de países parceiros, entre eles o Brasil, onde seus membros buscam insumos das mais variadas finalidades, com destaque para o farelo de soja, essencial na alimentação de rebanhos e produção de proteína animal. Isso talvez tenha pesado na hora de voltar atrás, para que a lei seja assimilada tranquilamente, mitigando o risco de quebradeira, disparada de preços e guerras tarifárias. O trabalho diplomático e o diálogo com representantes do setor privado também contribuíram para essa dinâmica.
Um novo horizonte após o tarifaço e a COP 30
Os sucessivos adiamentos refletem uma mudança de mentalidade que se acelerou com a guerra tarifária de 2025 travada pelo governo americano com vários países, inclusive os que formam o bloco europeu. O Brasil, que chegou a ter boa parte de sua cadeia produtiva sobretaxada em 50% por meses, acabou mostrando que barreiras assim não solucionam impasses, mas sim os agravam. Donald Trump terminou recuando e retirando a alíquota.
Analogamente, a COP 30 em Belém, realizada no mês passado, teve o setor agropecuário como protagonista dos debates e proponente de soluções para o clima e preservação ambiental. Esse sucesso, como o Portal mostrou em sua retrospectiva recente, atestou a força e resiliência das cadeias produtivas nacionais. Dessa forma, as discussões envolvendo sustentabilidade passam a ter o agro como aliado e não mais antagonista.
Sem condições de insistir em medidas protecionistas disfarçadas de preocupação ecológica, outros países e blocos agora entendem que é necessário uma atuação em sintonia de setor produtivo, governo e grandes empresas, para que as nuances da agricultura tropical brasileira sejam respeitadas, ao mesmo tempo em que se atualizem os instrumentos formais pelos quais o país se comprometa com metas justas e realizáveis. Nesse debate, todos têm a ganhar.
Com informações complementares do Conselho Nacional do Café e dos Ministérios da Agricultura e de Relações Exteriores.
Fonte: SNA
Autor:Marcelo Sá – Sociedade Nacional de Agricultura
Site: SNA
Sustentabilidade
ARROZ/CEPEA: Aumento pontual da demanda sustenta valor – MAIS SOJA

Os preços do arroz em casca permanecem firmes no Rio Grande do Sul. Segundo pesquisadores do Cepea, os valores são sustentados pela demanda pontual para recomposição de estoques e pela oferta ajustada. O ritmo de negócios, contudo, segue lento. Isso porque ainda se verifica desacordo entre compradores e vendedores em um ambiente de cautela ao longo da cadeia.
Do lado da oferta, pesquisadores do Cepea indicam que o comportamento dos produtores foi heterogêneo. Os agentes mais capitalizados optaram por postergar as vendas, à espera de condições mais favoráveis, enquanto outros direcionaram o cereal ao armazenamento, sobretudo diante da proximidade da safra 2025/26. Do lado da demanda, compradores consultados pelo Cepea ajustaram suas estratégias para garantir o abastecimento, sobretudo em regiões em que a oferta está mais limitada.
Fonte: Cepea
Autor:Cepea
Site: Cepea
Sustentabilidade
ALGODÃO/CEPEA: Negócios são lentos em janeiro; mas preço médio mensal avança – MAIS SOJA

O ritmo de negócios envolvendo algodão em pluma esteve lento ao longo de janeiro. Segundo pesquisadores do Cepea, esse cenário esteve atrelado à retomada gradual das atividades e ao desacordo entre compradores e vendedores ativos quanto aos preços. Pesquisadores do Cepea indicam que produtores estiveram atentos à semeadura e ao desenvolvimento das lavouras da temporada 2025/26, o que reduziu a disposição para vendas.
Do lado comprador, as indústrias seguiram utilizando estoques próprios e/ou volumes já programados, mantendo cautela nas aquisições. Quanto aos preços da pluma, estes se enfraqueceram em alguns momentos do mês, acompanhando a retração das cotações internacionais. No entanto, em boa parte de janeiro, os valores domésticos reagiram, com suporte vindo da postura firme dos vendedores. Assim, o Indicador CEPEA/ESALQ (pagamento em oito dias) teve média de R$ 3,5101/lp em janeiro, 1,08% acima da de dezembro/25.
Fonte: Cepea
Autor:Cepea
Site: Cepea
Sustentabilidade
Como melhorar os resultados financeiros na soja – MAIS SOJA

O Rio Grande do Sul conta com a segunda maior área de cultivo com soja no Brasil, mas em volume de produção ficou na 4ª posição e em último lugar no quesito produtividade entre os 22 estados que produziram soja em 2025. Um dos principais motivos para o baixo desempenho das lavouras gaúchas são as perdas por frustrações climáticas. Entre os fatores que podem melhorar o retorno financeiro na soja está a escolha da biotecnologia e o investimento em semente de qualidade.
Biotecnologias na Soja
O mercado oferta diversas biotecnologias embarcadas na semente da soja, a maioria com base em eventos de transgenia, o que já representa 99% do mercado brasileiro.
A expansão da soja transgênica (Roundup Ready) aconteceu a partir da aprovação da Lei de Biossegurança, em 2005. As cultivares em uso estão voltadas à tolerância das plantas para a aplicação de inseticidas e herbicidas. Em ordem cronológica aproximada, os lançamentos em biotecnologia foram: soja RR (2003), Intacta RR2 PRO (2012), Intacta 2 Xtend (2021), Enlist (2021) e Conkesta Enlist (2021).
O custo estimado para colocação de uma planta transgênica no mercado alcança US$ 115 milhões, com tempo médio de 16,5 anos (CropLife 2022). “Na primeira onda de transgênicos foram introduzidas plantas capazes de tolerar a ação de herbicidas e o ataque de insetos, características que favorecem o manejo das lavouras e, em certas situações, reduzem os custos de produção. Em breve, estarão disponíveis outras características como tolerância a fungos, bactérias, vírus e estresses abióticos, como a seca”, explica o Chefe-Geral da Embrapa Soja, Alexandre Nepomuceno.
Cenário no RS
Conforme levantamento da Apassul, com base no histórico de comercialização e uso de semente de soja no Rio Grande do Sul (safra 2023/2024), as biotecnologias mais utilizadas nas lavouras são: Intacta RR2 PRO (IPRO), que representa 31% das sementes certificadas; Intacta 2 Xtend, com 11%; Roundup Ready (RR), com 6%; e as demais com 2% cada biotecnologia.
O leitor mais atento pode perceber que a soma dos percentuais não totaliza 100%, isso porque a taxa de uso de semente certificada no RS foi estimada em 42% na última safra e deve cair ainda mais em 2026. A média brasileira da Taxa de Utilização de Sementes de soja é 67%. Conforme o histórico, a queda tem sido constante no RS nos últimos anos, o que pode sinalizar a descapitalização do produtor, muitas vezes associada às perdas por frustrações climáticas.
Segundo o diretor executivo da Apassul, Jean Cirino, o que preocupa não é a semente salva, autorizada pela legislação brasileira, mas a comercialização de semente pirata, prática ilegal de multiplicação de sementes sem controle genético ou sanitário, comercializadas sem garantias e, muitas vezes, com desempenho inferior. A semente pirata aumenta o risco de disseminação de pragas e doenças, com baixa taxa de vigor e germinação que leva à desuniformidade e falhas na lavoura. Pode, ainda, impedir acesso a seguros agrícolas e desestimular a pesquisa e o desenvolvimento de novas cultivares. É importante destacar que, mesmo quando o agricultor utiliza seu grão como semente salva, deverá recolher a Taxa Tecnológica ao detentor do direito intelectual conferido pela patente.
Ainda, observando o gráfico com o histórico de comercialização de sementes de soja no RS, é possível verificar a gradativa queda no uso de soja RR. O pesquisador da Embrapa Trigo, Paulo Bertagnolli lembra que a patente da primeira geração da soja RR encerrou em 2010, quando deixou de ser cobrada a Taxa Tecnológica sobre a produção de sementes: “A patente de uma tecnologia expira em, aproximadamente, 10 anos após o lançamento. Assim, deixou de existir a taxa tecnológica da soja RR e está próximo ao vencimento da geração Intacta RR2”. Conforme o pesquisador, “o produtor sempre está atrás de inovações tecnológicas, mas quando os custos de produção sobem, é preciso adequar o investimento ao potencial de retorno da lavoura”. Jean Cirino, da Apassul, lembra que o RS foi o estado que manteve por mais tempo a participação da soja RR no mercado, justamente pela competitividade das cultivares.
De olho no resultado financeiro, o produtor de sementes Fernando Rossato, de Cruz Alta/RS, comparou uma cultivar de soja RR (BRS 6105RR) ao lado de uma cultivar IPRO na última safra. Em 35 hectares, as cultivares foram implantadas em safrinha, sob irrigação, para a produção de sementes. A semeadura em 28/01/25 e a colheita em 19/05/25. O rendimento da soja RR superou em 21 sacos a IPRO, mas o maior diferencial veio na margem de lucros. Veja na tabela abaixo:

O pesquisador Paulo Bertagnolli ressalta que a Embrapa Trigo é a única empresa de pesquisa que segue com o programa de melhoramento de soja RR no Brasil, justamente como opção ao produtor. Na última safra, foi inscrita no MAPA uma área de sementes de soja RR de 2.260 hectares com genética Embrapa, nas cultivares BRS 5601RR, BRS 5804RR, BRS 6105RR e BRS 6203RR.
Frustrações climáticas limitam produtividade
Passados mais de 20 anos desde a chegada da soja transgênica no Brasil, com a liberação das primeiras lavouras no Rio Grande do Sul na safra 2003/2004, a média de produtividade cresce lentamente apesar dos avanços da biotecnologia. Enquanto a área de soja cresceu 127,7% no Brasil, a produtividade média brasileira (kg/ha) cresceu 55,4% (CONAB 2003/2004 a 2024/2025). Em 50 anos, as perdas de produtividade na soja devido à seca são estimadas em 280 milhões de toneladas ou US$ 152 bilhões.
O Rio Grande do Sul é o estado mais afetado, especialmente pela ocorrência de episódios de La Niña, cuja redução nas chuvas afeta o rendimento da soja. Nos últimos 10 anos, as perdas representam 36,5 milhões de toneladas, um prejuízo estimado em US$ 18,95 bilhões.
Para minimizar o impacto das perdas devido à seca na soja, conheça o programa de Tecnologias para o Enfrentamento da Seca na Soja (Tess), disponível nas publicações da Embrapa.
Fonte: Embrapa

Autor:Joseani M. Antunes (MTb 9693/RS) Embrapa Trigo
Site: Embrapa
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