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25 de junho de 2026

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Mato Grosso registra recorde histórico no abate de fêmeas e sinaliza falta de bezerros

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Foto: Sistema Famato/Reprodução

Mato Grosso enviou 3,61 milhões de fêmeas para o gancho em 2025, o maior volume já registrado na história da pecuária estadual. O número, que representa uma alta de 4,30% em comparação ao ano anterior, foi o componente decisivo para que o estado atingisse o abate total de 7,46 milhões de cabeças. No entanto, o recorde acendeu um alerta: em vez de apenas descartar vacas velhas, o pecuarista está liquidando fêmeas jovens para atender mercados premium e exportação, sacrificando a capacidade de renovação do rebanho.

O movimento de antecipação do ciclo produtivo levou os animais com menos de 24 meses a representarem 43% de todo o abate no estado. Foram 3,23 milhões de cabeças abatidas nessa faixa etária, o maior percentual da série histórica.

Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), essa estratégia de “caixa rápido” tem gerado um desequilíbrio na base da cadeia, já que a retirada dessas fêmeas do campo impede o nascimento de novos bezerros.

A mudança de comportamento do produtor ficou clara ao longo do ano, com meses em que o abate feminino chegou a ultrapassar 50% das operações nos frigoríficos. Com menos ventres disponíveis para a cria, a oferta de animais para reposição minguou, fazendo com que o mercado travasse diante dos novos patamares de preços no campo.

Impacto na reposição e alta nos preços

“Esse movimento impacta diretamente a reposição. Com menos fêmeas disponíveis para cria, o preço do bezerro começou a subir, e o mercado de reposição ficou travado”, alerta Rodrigo Silva, coordenador de Inteligência de Mercado Agropecuário do Imea. A retração no rebanho de bezerros foi de 2,09% no último ano, enquanto o preço do animal de 7 arrobas disparou 38,70%, pressionando as margens de quem precisa repor o rebanho.

Para 2026, a perspectiva é uma redução na oferta de animais terminados devido as altas taxas de fêmeas enviadas ao gancho nos últimos três anos. Especialistas indicam que a “fatura” do descarte elevado será paga com uma possível valorização do boi gordo, mas com o desafio de manter o fluxo de exportações diante de incertezas no mercado chinês.

“A conta começa a chegar. Abatemos muitas fêmeas em 2023, 2024 e 2025. A tendência é de menor oferta de animais terminados e possível valorização do boi gordo”, pontua o coordenador do Imea. A necessidade de diversificar mercados tornou-se urgente para evitar o acúmulo de excedentes. “Ou o Brasil aumenta seu consumo interno, ou encontra novos parceiros comerciais para absorver o excedente de carne, principalmente após as salvaguardas impostas pela China”, finaliza.


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FenSeg quer reunião com o Ministério da Agricultura após corte no seguro rural

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Foto: José Cruz/Agência Brasil

A Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg) pediu ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) uma reunião para discutir os impactos do novo corte do orçamento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), informou a entidade em nota. O pleito da federação ocorre após um corte adicional de R$ 56,3 milhões formalizado pelo Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO) nesta semana. Na semana anterior, o orçamento do seguro rural foi contingenciado em R$ 461,7 milhões.

Em nota, a FenSeg afirmou que o objetivo é apresentar ao ministério as preocupações do mercado em relação à previsibilidade da principal política pública de apoio à contratação de seguro rural no País e apresentar os impactos sobre a falta de previsibilidade orçamentária. “Embora de menor magnitude, a nova redução reforça a preocupação do setor com a recorrência dos cortes orçamentários e seus efeitos sobre o planejamento de produtores rurais, seguradoras e demais agentes envolvidos na operação do seguro rural”, disse a federação.

A FenSeg destacou, em nota, que o seguro rural é um instrumento “essencial para a proteção da renda do produtor e para a resiliência da atividade agropecuária” diante do aumento da frequência e da intensidade dos eventos climáticos extremos. “Por essa razão, a previsibilidade dos recursos destinados à subvenção é considerada fundamental para que produtores, seguradoras e o próprio governo possam planejar suas ações de forma eficiente”, defendeu a federação na nota.

Para o presidente da Comissão de Seguro Rural da FenSeg, Daniel Nascimento, a preocupação não está apenas no valor do contingenciamento, mas na repetição de um cenário de incertezas. “O seguro rural depende de previsibilidade para cumprir plenamente seu papel de instrumento de gestão de riscos. Sem ela, produtores e seguradoras perdem capacidade de planejamento, justamente em um momento em que os desafios climáticos exigem mais proteção e não menos”, afirmou na nota, mencionando que a área segurada caiu para 3,2 milhões de hectares em 2025.

A federação defendeu ainda a aprovação pelo Senado do Projeto de Lei nº 2.951/2024, da modernização dos marcos legais do seguro rural.

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Deral aponta safra de soja 25/26 do Paraná em 21,778 milhões de t

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De acordo com informações do Departamento de Economia Rural (Deral), em seu relatório de junho, a produção da safra de soja 2025/26 no Paraná deve atingir 21,778 milhões de toneladas. O número representa um crescimento de 3% em relação ao número de 21,171,8 milhões de toneladas colhidas em 2024/25.

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Área plantada de soja

A área plantada foi estimada em 5,736,9 milhões de hectares, praticamente estável frente aos
5,770,5 milhões de hectares da safra anterior. A produtividade média foi projetada em 3.797 quilos por hectare, acima dos 3.669 quilos por hectare registrados em 2024/25.

Com informações da Safras & Mercado.

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Escala 5×2: agro vê risco de aumento de custos e desemprego

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Foto: Canal Rural Mato Grosso

A discussão sobre a mudança da escala de trabalho 6×1 para 5×2 continua a mobilizar o setor produtivo. Para a Sociedade Rural Brasileira (SRB), a adoção de uma regra única pode elevar custos, dificultar contratações e afetar atividades que não podem ser interrompidas, como frigoríficos, pecuária leiteira e operações ligadas à safra.

A diretora executiva da Sociedade Rural Brasileira, Patrícia Arantes, afirma que o setor não está preparado para uma alteração sem mecanismos que permitam adequar as jornadas às diferentes realidades de produção. Ela cita dificuldades já enfrentadas para contratar trabalhadores em várias cadeias do agro.

“A gente tem um cenário de dificuldade de contratação em todas as culturas, em relação a grãos. Nós temos associados, por exemplo, que são de pecuária leiteira, pecuária de corte, frigoríficos, indústrias, e a gente teria que parar uma indústria para atender essa escala”.

A preocupação da entidade está nas propostas que tramitam no Congresso e no Senado e que tratam da redução da jornada sem, na avaliação da SRB, considerar as especificidades de setores com trabalho contínuo ou sazonal. Para Patrícia Arantes, o debate precisa avançar com alternativas que permitam acordos entre empregadores e trabalhadores.

A diretora defende que a negociação coletiva pode ser uma saída para evitar que uma única regra seja aplicada a atividades com rotinas muito diferentes. “No meu ponto de vista ainda é mais fácil do que a gente ter uma regra de lei que impõe para o setor um formato único de contratação”, pontua em entrevista ao programa Direto ao Ponto.

Atividades que não param

A preocupação envolve, principalmente, cadeias em que a produção e o atendimento não podem ser suspensos. A diretora executiva cita frigoríficos, pecuária leiteira e indústrias ligadas ao abastecimento alimentar como exemplos de atividades que enfrentariam dificuldades para se adequar a uma escala fixa.

“E como é que a gente para uma indústria de abastecimento alimentar, tanto para o Brasil quanto para o exterior? Então esse ponto nos preocupa muito”.

Nos frigoríficos, por exemplo, muitas unidades operam na escala de 12 horas de trabalho por 36 horas de descanso. Para a diretora da SRB, a mudança para o modelo 5×2 exigiria mais contratações para manter o funcionamento das plantas.

Ela explica que, mesmo nos casos em que há descanso após jornadas mais longas, a alteração teria impacto na composição das equipes. “Na verdade, para eles muda porque você tem que contratar mais pessoas para suprir o 5×2, por exemplo, e tem que fechar o frigorífico por dois dias. Então, aí realmente fica totalmente inviável”.

A SRB avalia que a legislação precisa reconhecer a diversidade de modelos existentes. Patrícia Arantes cita a PEC 12, apresentada pelo senador Rogério Marinho, como uma proposta que, em sua avaliação, permite maior liberdade de contratação e pode se adaptar melhor às necessidades do setor.

Safra e custo de produção

No campo, a demanda por mão de obra também muda conforme o calendário agrícola. Em períodos de plantio e colheita, produtores precisam reforçar as equipes, mas essa necessidade não se mantém durante todo o ano.

A entidade defende mecanismos que deem mais flexibilidade às contratações sazonais. Patrícia Arantes cita o Projeto de Lei dos safristas, que trata da possibilidade de contratação durante a safra sem a perda automática de benefícios recebidos pelo trabalhador.

Segundo a diretora, o veto integral ao projeto contrasta com a discussão sobre a redução da jornada. “O governo trouxe essa ideia, mas ele ao mesmo tempo vetou integralmente o PL 715 dos safristas”.

A preocupação da SRB também está nos reflexos financeiros de uma eventual mudança sem compensações para empregadores. Para ela, pequenos e médios negócios podem ter mais dificuldade para absorver novos custos com pessoal.

“A única questão que eles sempre tentam pautar é que o empresariado conseguiria, como dizem, absorver esse custo. Agora, a que custo que o empresariado vai conseguir fazer isso? Com certeza concentração de mercado, porque os pequenos e médios não vão conseguir sobreviver”, diz ao Canal Rural Mato Grosso.

Ela também aponta que o aumento do custo da mão de obra pode acelerar a substituição de trabalhadores por máquinas e ferramentas de inteligência artificial. “E ainda tem um agravante. A gente fala tanto de inteligência artificial, mecanização no campo, imagina se a gente substitui boa parte dos trabalhadores, porque o custo fica muito alto por aqueles que são ou com inteligência artificial ou com máquinas”.

Debate no Senado

A diretora da SRB afirma que a desaceleração da tramitação no Senado abre espaço para que diferentes setores apresentem dados e discutam os efeitos das propostas. A entidade defende a realização de audiências públicas com representantes do agro, do transporte, da logística e de outras atividades afetadas. “Para o nosso setor, isso é muito bom, porque gerou mais debate, a gente pode trazer mais dados, até para a opinião pública”.

Para Patrícia Arantes, a discussão precisa considerar os impactos sobre produção, emprego e competitividade. “A gente precisa embasar todos os senadores para quando essa proposta chegar na CCJ e deve chegar ao longo desses próximos dias e semanas, a gente conseguir fazer audiências públicas, discutir entre os setores, discutir com transporte, com logística e todos esses setores que passam, pelo setor agropecuário”.

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