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Déficit de armazenagem e gargalos em irrigação ameaçam expansão da agricultura brasileira

O Brasil enfrenta gargalos estruturais que colocam em risco a competitividade do agronegócio e a capacidade do país de acompanhar a crescente demanda global por alimentos. A urgência de solucionar problemas históricos na armazenagem, infraestrutura logística e irrigação deu o tom dos debates no Fórum Mais Milho: Os Pilares da Produção, realizado nesta quarta-feira (12), em Brasília (DF).
Atualmente, o déficit nacional de armazenagem supera 130 milhões de toneladas de grãos. A situação é ainda mais crítica no estado de Mato Grosso, líder na produção de soja e milho, onde a defasagem atinge quase 50 milhões de toneladas. Além disso, apenas cerca de 15% da capacidade de estocagem de grãos no país está localizada dentro das propriedades rurais.
Para suprir as projeções globais, a demanda por investimentos em produtividade torna-se inevitável. Estimativas da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) apontam que a população mundial alcançará 9,6 bilhões de pessoas até 2050, com concentração do crescimento demográfico na Ásia e na África. Esse cenário exigirá uma elevação de 60% na oferta de alimentos, 50% em energia e 40% em água, com expectativa de que o Brasil responda por 40% dessa nova oferta de comida.
De acordo com dados apresentados por Eduardo Marcusso, coordenador-geral de Avaliação de Políticas Agropecuárias do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a cultura do milho no país deve continuar crescendo em área, produtividade e relevância econômica nos próximos dez anos, impulsionada por setores como o etanol e o DDG. A projeção do Ministério é que essa expansão ocorra sem a necessidade de abertura de novas áreas, priorizando a recuperação de 40 milhões de hectares de pastagens degradadas por meio do programa Brasil Verde.
No entanto, os entraves no campo e fora dele permanecem como o grande desafio para sustentar esse avanço. A questão climática e o acesso à água surgem como gargalos centrais na produção agrícola. “Irrigação é alimento. Hoje talvez o mundo não precise de alimentos, mas no futuro precisará devido às mudanças climáticas”, alertou o pesquisador da Embrapa Cerrados, Lineu Rodrigues, durante o Fórum Mais Milho, realizado pelo projeto Mais Milho do Canal Rural Mato Grosso em parceria com a Abramilho e Aprosoja Mato Grosso.
Gargalos históricos travam avanço da irrigação no país
O coordenador-geral de Irrigação e Conservação do Solo e Água do Mapa, Gustavo dos Santos Goretti, observou que o setor enfrenta há cerca de 20 anos os mesmos gargalos. Entre as principais barreiras apontadas estão o licenciamento ambiental, as outorgas de água, a infraestrutura para armazenamento hídrico diante dos eventos climáticos e a disponibilidade de energia elétrica.
Embora o Brasil conte com cerca de 10 milhões de hectares irrigáveis, o professor da Esalq/USP, Durval Dourado Neto, defende a necessidade de ampliar essa área para 15 milhões de hectares no médio prazo para garantir a segurança alimentar, podendo alcançar 50 milhões de hectares no longo prazo. Ele destacou que o Plano Nacional de Irrigação pode viabilizar a interferência do Estado para dobrar a área irrigável com sustentabilidade, preservando recursos hídricos e florestas para garantir alimento a até 30% da população mundial em 30 anos.
O impacto das adversidades climáticas na saúde financeira do produtor também foi analisado pelo pesquisador da Esalq/USP, Ronaldo Torres. Ele ressaltou que o estresse hídrico, intensificado por fenômenos como El Niño e La Niña, é a principal causa do endividamento e da alta sinistralidade nos principais programas agrícolas, apontando a expansão da irrigação como uma solução atenuante.
Para avançar com segurança no setor, Lineu Rodrigues elencou quatro pilares fundamentais: investir e acreditar na ciência, reforçar o monitoramento com dados confiáveis, planejar a expansão da irrigação e revisar legislações defasadas. “Se você tem água e energia, você consegue desenvolver uma região”, reforçou o pesquisador da Embrapa Cerrados.
Defasagem de armazéns ameaça cadeia produtiva de grãos
O presidente da Abramilho e líder da Câmara de Armazenagem da Abimaq, Paulo Bertolini, enfatizou que a falta de armazéns afeta toda a produção de grãos, atingindo especialmente o milho e o sorgo por possuírem menor valor agregado. Segundo Bertolini, enquanto a produção brasileira cresceu cerca de 17 milhões de toneladas por ano na última década, a capacidade de armazenagem avançou apenas entre 5 milhões e 6 milhões de toneladas ao ano, desenhando um cenário de gargalo iminente.
“O Brasil tem parque industrial para construir armazéns, exporta as estruturas, tem tecnologia, mas a grande pergunta é: por que isso está acontecendo?”, questionou o dirigente.
O presidente da Abramilho pontuou ainda que o país sofre com um descompasso estrutural. À medida que o Brasil industrializa mais grãos internamente — processando atualmente 70% do milho e exportando 30%, ao passo que a soja faz o caminho inverso —, a necessidade de armazenamento contínuo torna-se indispensável para abastecer as indústrias durante os 365 dias do ano.
A logística de transporte também foi apontada como gargalo crítico pelo presidente da Câmara Setorial de Soja do Mapa, André Dobashi. “A gente está sempre tentando tapar o sol com a peneira e resolver o problema do buraco na estrada para resolver o problema rodoviário do modal logístico, sendo que na verdade deveria resolver o transporte como um todo, rodovia, ferrovia, hidrovia”, avaliou o líder setorial.
Dobashi criticou ainda a estrutura financeira do país, ressaltando que o sistema de crédito costuma esquecer que a armazenagem de grãos deve ser tratada como uma atividade empresarial estratégica.
Crédito caro e logística integrada desafiam produtores
A dificuldade de acesso ao financiamento no tempo hábil e com condições compatíveis com a realidade do campo foi detalhada pelo diretor-executivo da Aprosoja Brasil, Fabrício Rosa. Ele comparou a realidade brasileira com o cenário internacional, lembrando que a taxa de juros histórica para armazenagem nos Estados Unidos e Europa não passa de 5% ao ano.
No Brasil, a disparidade das taxas de juros compromete a capacidade de investimento dos produtores rurais. “Historicamente para armazenagem eles não pagam mais do que 5% e no Brasil o produtor fica ‘feliz’ se pagar 8%, porque, na verdade, é 10%, 12%”, pontuou Fabrício Rosa.
O diretor-executivo da Aprosoja Brasil ressaltou que a armazenagem atua como um elemento atenuante para amenizar os custos logísticos e os problemas de classificação de grãos. No entanto, a burocracia e as elevadas taxas de juros continuam sendo os principais entraves para a expansão dessa infraestrutura.
Diante desse quadro, lideranças do setor cobram a estruturação de um programa de governo com linhas de crédito adequadas e desburocratização dos processos. Para assegurar o avanço dos investimentos privados no campo, o setor produtivo reforça a necessidade urgente de melhoria nos parâmetros macroeconômicos do país.
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Oito mitos e verdades que todo consumidor deveria conhecer sobre azeite

Os azeites virgens e extra virgens concentram compostos fenólicos, propriedades antioxidantes benéficas à saúde humana. De acordo com a coordenadora de nutrição e dietética do São Cristóvão Saúde, Cintya Bassi, o produto é rico em gorduras monoinsaturadas, particularmente o ácido oleico (ômega 9), além de conter ômega 6 e ômega 3.
“Esses ácidos graxos são benéficos para a saúde cardiovascular, ajudando a melhorar o perfil lipídico, aumentar o colesterol bom (HDL) e reduzir o colesterol ruim (LDL). Além disso, o azeite é repleto de antioxidantes, como o hidroxitirosol, que exerce uma ação protetora no coração e no cérebro. Ele também é uma rica fonte de vitaminas E e K e esteróis vegetais, que auxiliam no controle do colesterol”, afirma a especialista.
O produto está cada vez mais presente no dia a dia do prato dos brasileiros. Segundo o Conselho Oleícola Internacional (IOC), o Brasil importou 80.768 toneladas de azeite na safra 2024/25, respondendo por cerca de 9% das importações mundiais e 3,1% do consumo global. Entre outubro de 2025 e março de 2026, as importações cresceram 40,5% na comparação com o mesmo período da safra anterior.
O diretor da Filippo Berio no Brasil, Eduardo Casarin, ressalta que o azeite é um ingrediente que reúne atributos nutricionais e gastronômicos. “O ácido oleico e os compostos fenólicos estão entre os componentes que despertam o interesse da ciência, enquanto o aroma, o sabor, o amargor e a picância ajudam a definir a experiência à mesa. Entender essas características é uma forma de fazer escolhas mais conscientes e aproveitar melhor o produto no dia a dia”, afirma.
Com o aumento do consumo e da oferta, também crescem as dúvidas sobre como escolher, utilizar e conservar o azeite. Confira alguns mitos e verdades:
“O azeite é fonte de gordura monoinsaturada”
VERDADE
O ácido oleico é o principal ácido graxo do azeite e está associado a um perfil de gordura considerado favorável dentro de uma alimentação equilibrada.
VERDADE
Os compostos fenólicos estão presentes nos azeites virgens e extra virgens, obtidos diretamente das azeitonas por processos exclusivamente mecânicos. Esses compostos bioativos são estudados por suas propriedades antioxidantes, e sua concentração pode variar de acordo com fatores como a variedade da azeitona, o estágio de maturação e as condições de produção e armazenamento.
“Quanto mais picante, melhor o azeite”
MITO
Amargor e picância são características sensoriais que podem estar relacionadas à presença de compostos fenólicos, mas não são, isoladamente, indicadores de qualidade.
“O azeite pode ser usado para cozinhar”
VERDADE
O azeite pode ser utilizado em diferentes preparações, incluindo refogados, assados e grelhados. Como outros óleos, não deve ser levado a temperaturas que provoquem fumaça excessiva.
MITO
A categoria extra virgem apresenta características específicas de qualidade e composição, mas diferentes tipos de azeite podem ser utilizados na alimentação, de acordo com a finalidade e a preferência do consumidor.
VERDADE
Pode ser utilizado no preparo e na finalização de legumes, verduras, massas, grãos, peixes, carnes, molhos e marinadas, além de algumas sobremesas.
“A cor mais verde significa que o azeite é melhor”
MITO
A tonalidade pode variar conforme a variedade da azeitona, seu grau de maturação e outros fatores, e não deve ser utilizada isoladamente para avaliar a qualidade.
A forma de conservação influencia a qualidade
VERDADE
Luz, calor, oxigênio e tempo podem acelerar a deterioração do azeite; por isso, depois de aberto, o produto deve permanecer bem fechado e protegido da luz e do calor.
Amargor é sinal de azeite estragado
MITO
Em azeites virgens e extra virgens, certo grau de amargor pode ser uma característica sensorial natural e estar relacionado à presença de compostos fenólicos.
Além das características sensoriais, pesquisas científicas vêm investigando a relação entre o consumo de azeite e diferentes indicadores de saúde. Uma meta-análise publicada em 2024 pelo European Journal of Preventive Cardiology, que reuniu 30 estudos e mais de 2,7 milhões de participantes, encontrou associação entre maior consumo de azeite e menor risco de doenças cardiovasculares e mortalidade.
“Mais do que saber se um azeite é mais suave ou mais intenso, é importante entender suas características e como elas se relacionam com a forma de consumo. Azeite é um ingrediente versátil, que pode trazer sabor às refeições e fazer parte de uma alimentação equilibrada”, acrescenta Casarin.
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o valor que o Brasil ainda não contou

O Ibrafe defende que agregar valor ao feijão brasileiro não depende apenas de verticalizar a produção ou transformar o grão em produto industrial. É preciso reconhecer e comunicar seus atributos: origem, história regional, diversidade de variedades, práticas regenerativas, valor nutricional, presença cultural e papel na segurança alimentar.
Quando se fala em agregar valor à produção agrícola, a primeira resposta costuma ser verticalizar: criar produtos prontos, desenvolver ingredientes, construir marcas e aproximar indústria, varejo, restaurantes e exportação.
Esse caminho faz sentido quando resolve uma necessidade do consumidor, como falta de tempo, dificuldade de preparo ou busca por praticidade. Feijão cozido, farinhas, snacks e ingredientes à base de pulses podem capturar mais valor por tonelada produzida.
Mas industrializar, por si só, não cria valor. Uma embalagem não garante mercado. Uma fábrica não garante demanda. Sem qualidade, distribuição, confiança e viabilidade econômica, o produto muda de forma sem necessariamente melhorar a renda de quem participa da cadeia.
Antes de perguntar como verticalizar, precisamos perguntar: onde está o valor que ainda não estamos contando?
O que significa agregar valor ao feijão?
Feijões têm variedade, textura, sabor, tempo de cozimento, origem, história e uso culinário. Sua presença em cada território resulta de tradição, adaptação ao clima, trabalho dos produtores e oportunidades econômicas.
No vinho, no café, no cacau e nos queijos, o consumidor aprendeu a reconhecer origem, solo, clima, variedade e modo de produção. O produto físico é parte do valor. Outra parte está na reputação e no significado que carrega.
O feijão tem terroir?
O feijão precisa continuar sendo comida de verdade, acessível e cotidiana, presente no prato feito, na escola e na casa das famílias. Isso não impede que tenha origem reconhecida, identidade e atributos ligados ao território.
Há Feijão-preto com forte ligação com o Sul, feijão-carioca em regiões tecnificadas, feijões especiais do Cerrado e caupis conectados à cultura do Nordeste. Mungos, alubias, rajados, vermelhos, cranberries e adzukis revelam uma diversidade que ainda aparece pouco nas gôndolas.
Falar em terroir exige conhecer e demonstrar como o ambiente e o modo de produção se relacionam com as características do alimento. Essa construção pode reunir produtores, pesquisadores e cozinheiros.
A Rota do Feijão pode nascer dessa percepção, unindo território, cultura, gastronomia, produção e conhecimento.
Cada região poderia contar quando o feijão chegou, por que se adaptou, quem o plantou, quais variedades ganharam espaço, que pratos se conectam a ele e como a pesquisa ajudou a melhorar a lavoura.
O que é feijão regenerativo?
A valorização da origem também abre espaço para explicar como o alimento é produzido. Nesse ponto, a palavra regenerativo precisa estar apoiada em práticas e resultados verificáveis.
Para o produtor, isso envolve cuidado com o solo, rotação de culturas, cobertura vegetal, redução de erosão, proteção da água e diversificação produtiva. Os resultados precisam ser acompanhados conforme a realidade de cada sistema.
Para o consumidor, a explicação pode ser simples: um alimento produzido com práticas que buscam cuidar da terra de onde vem. Essa mensagem só ganha confiança quando há evidências que a sustentem.
Quem compra o pacote na prateleira raramente vê a semente, o clima, o risco, o produtor ou as decisões de manejo. Contar essa história torna visível o trabalho que existe entre a lavoura e a mesa.
Por que essa narrativa interessa ao consumidor?
A história não substitui preço, qualidade e disponibilidade. Mas pode ajudar o consumidor, o varejo e o comprador internacional a reconhecer atributos que o preço sozinho não revela.
Um feijão pronto para consumo oferece conveniência. Quando também apresenta uma variedade bem escolhida, origem identificada, produtores conhecidos e práticas comprovadas, reúne outros motivos para ser escolhido.
Qual é a visão do Ibrafe?
O Ibrafe vem levando essa visão a produtores, empacotadores, exportadores, pesquisadores, supermercados, chefs, restaurantes, universidades e instituições públicas. Nenhum elo sozinho será capaz de ampliar o reconhecimento do feijão.
O produtor precisa ser valorizado pelo que entrega além do volume. O empacotador precisa de ferramentas para diferenciar seu produto. O supermercado pode apresentar atributos que vão além da promoção. O chef pode revelar sabor e diversidade. A escola pode aproximar crianças desse alimento.
A pesquisa pode sustentar a diferenciação com conhecimento. A indústria pode oferecer conveniência. A exportação pode apresentar o Brasil como origem confiável, diversa e capaz de entregar alimentos com identidade.
Como o Brasil pode capturar mais valor no feijão?
O Brasil mede sua grandeza agrícola em área, produtividade, safra e toneladas. Essas medidas continuarão importantes. Para o feijão, identidade, confiança e conhecimento do consumidor também precisam orientar as decisões.
Primeiro, entender o produto, seu território, seu sistema produtivo e seu mercado. Depois, decidir se o melhor caminho é vender melhor o grão, criar uma marca de origem, fortalecer o empacotamento, lançar um produto pronto, desenvolver um ingrediente ou abrir um mercado externo.
A verticalização deve nascer de uma demanda real. A narrativa deve nascer da verdade do território. E o regenerativo deve estar apoiado em prática comprovável.
O feijão reúne alimento de verdade, proteína vegetal acessível, fibra, cultura, renda no campo e segurança alimentar. Reconhecer esse conjunto pode ampliar a pergunta sobre como capturar mais valor por tonelada.
Uma saca pode deixar de ser anônima quando sua origem é conhecida. Uma região pode ganhar reconhecimento por suas variedades. O trabalho do produtor pode chegar ao consumidor por meio de uma história verdadeira e de atributos verificáveis.
A Rota do Feijão pode unir produção, gastronomia, turismo, educação, varejo e pesquisa nessa construção. Seu potencial está em aproximar quem produz de quem consome e transformar conhecimento sobre o alimento em reconhecimento de valor.
O feijão precisa continuar acessível. E quem o produz precisa ter melhores condições de ser reconhecido pelo que entrega.
Viva o feijão do Brasil !
*Marcelo Lüders é presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), e atua na promoção do feijão brasileiro no mercado interno e internacional
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Produtividade de cereais no Reino Unido fica abaixo da média histórica

A colheita de grãos de 2026 no Reino Unido foi praticamente concluída com rendimentos médios abaixo do histórico recente para as principais culturas de cereais. Segundo relatório final de safra do Conselho de Desenvolvimento da Agricultura e Horticultura (AHDB), divulgado nesta sexta-feira (25), a escassez de chuvas desde a primavera local comprometeu a produtividade em parte relevante das lavouras.
O trigo de inverno encerrou o ciclo com produtividade média de 6,9 toneladas por hectare, resultado 11% inferior à média dos últimos cinco anos. O levantamento aponta que o avanço acelerado da colheita na Inglaterra e no País de Gales e um alívio pontual nos rendimentos do norte da Escócia não foram suficientes para reverter o quadro geral.
A cevada de primavera registrou um dos piores desempenhos da temporada, com média de 4,8 toneladas por hectare, queda de 17% ante a média quinquenal do país. A aveia teve produtividade de 4,6 toneladas por hectare, 14% abaixo do histórico de cinco anos.
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Em sentido oposto, a cevada de inverno ficou alinhada ao padrão recente, com 6,9 toneladas por hectare. A colza apresentou o melhor resultado relativo, ao atingir 4,0 toneladas por hectare, volume 19% superior à média de cinco anos do Reino Unido.
A AHDB também informou que a qualidade dos grãos colhidos variou de forma expressiva entre as regiões, o que adiciona complexidade às decisões de armazenagem e comercialização nos próximos meses. Em nota, a analista-chefe de Cereais e Oleaginosas da entidade, Helen Plant, afirmou que fatores como tipo de solo, data de semeadura e retenção de umidade ampliaram as diferenças entre propriedades.
O diretor do setor, Anthony Hopkins, declarou que a sequência de adversidades climáticas ao longo de duas ou três safras, somada aos custos operacionais elevados, amplia a pressão financeira sobre os agricultores, especialmente nas áreas mais atingidas pela estiagem.
O balanço final da safra de 2026 no Reino Unido indica perdas de produtividade em parte central das culturas de cereais, com desempenho melhor apenas em segmentos específicos, como colza e cevada de inverno, em um cenário marcado por restrição hídrica e variação regional na qualidade dos grãos.
Fonte: Estadão Conteúdo
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