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Sustentabilidade

Pesquisas sobre manejo integrado de pragas, desenvolvidas na Epagri de Chapecó, foram destaque em 2025 – MAIS SOJA

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Por: Karin Helena Antunes de Moraes, jornalista bolsista Epagri/Fapesc

Duas pesquisas, desenvolvidas no Centro de Pesquisa para Agricultura Familiar (Epagri/Cepaf), em Chapecó, ganharam reconhecimento em importantes eventos científicos realizados ao longo deste ano. Em maio, durante o II Encontro Sul-Brasileiro de Fitossanidade (Enfit-Sul), a bolsista Epagri/Fapesc, Maíra Chagas Morais, foi premiada na categoria Entomologia, com o trabalho “Misturas de desalojantes e inseticidas sintéticos no manejo da lagarta-do-cartucho: Avaliações em laboratório e campo”. Em setembro, foi a vez da mestranda Helene Jardim Pedó conquistar o prêmio de melhor comunicação oral, apresentando os resultados de seu estudo “Compatibilidade físico-química entre dimpropyridaz e micoinseticidas à base de Beauveria bassiana e Cordyceps javanica”, durante o 18° Simpósio de Controle Biológico (SICONBIOL).

Os dois trabalhos foram coordenados pelo pesquisador da Epagri/Cepaf, Leandro do Prado Ribeiro. Desde 2017, o pesquisador tem avaliado os efeitos de moduladores de comportamento sobre pragas que afetam as culturas da soja e do milho, que são os principais grão cultivados de Santa Catarina. Por outro lado, em 2021, Leandro abriu uma nova linha de pesquisa para avaliar a associação de estratégias de controle químico e biológico no manejo de pragas de sistemas de produção de milho e soja.

O trabalho desenvolvido pelo Laboratório de Entomologia da Epagri, sob a coordenação do pesquisador Leandro do Prado Ribeiro, é referência no Brasil e no exterior (Foto: Helena Moraes / Epagri)

Os moduladores de comportamento são substâncias utilizadas para alterar determinadas ações dos insetos, como orientação, alimentação, reprodução e deslocamento. No manejo integrado de pragas, são misturados aos defensivos agrícolas e aplicados para induzir uma maior exposição ao inseticida, reduzindo os danos causados por pragas como a cigarrinha-do-milho, a lagarta-do-cartucho e os percevejos marrom e barriga-verde. Impulsionados pelos benefícios divulgados, os moduladores comerciais, assim como as soluções caseiras, ganharam espaço entre os produtores rurais. O pesquisador recorda que, em 2017, surgiram populações da lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) resistentes a alguns eventos transgênicos (Bt). Diante disso e dos impactos provocados pelos insetos nas lavouras, muitos agricultores passaram a adicionar creolina aos tanques de pulverização, acreditando que o cheiro forte da substância ajudaria a movimentar ou desalojar as pragas. Entretanto, essa prática carecia de respaldo técnico, já que não existiam evidências científicas que comprovassem a eficácia dessas combinações.

Para oferecer suporte a estas ações, a Epagri uniu esforços com o setor produtivo, universidades e agências de fomento, como a Fapesc, para analisar os benefícios e possíveis incompatibilidades do uso associado desses produtos. “A ausência de base científica, até então, posiciona a Epagri como protagonista da produção de conhecimento sobre o uso de mistura no manejo integrado de pragas. Os trabalhos desenvolvidos aqui são inéditos e estão sendo publicados nas principais revistas científicas internacionais, servindo de base para recomendação de manejo no Brasil e no exterior”, afirma Leandro.

O pesquisador destaca que a repercussão do trabalho desenvolvido no Laboratório de Entomologia da Epagri em Chapecó tem despertado interesse da iniciativa privada e de diversos órgãos públicos de pesquisa, que buscam aplicar métodos semelhantes em estudos conduzidos em outras regiões do país. “Nossa maior satisfação é que isso tem gerado uma implicação prática nas recomendações e na tomada de decisões dos agricultores catarinenses”, diz.

O reconhecimento, como o que Maíra e Helene receberam, também o enche de orgulho. “Como supervisor dos dois trabalhos premiados em importantes eventos científicos este ano, digo que é uma grande satisfação, porque, além de contribuir para o desenvolvimento regional e para a solução dos problemas do campo, as pesquisas também contribuem para a formação de pessoas. Os profissionais que passam por aqui, sejam estagiários ou bolsistas, saem com um nível de capacitação muito elevado e ajudam a divulgar o nome da Epagri em pesquisas pioneiras, inéditas e que servem de referência para todo o país”, observa.

Compatibilidade de inseticidas e micoinseticidas no controle da cigarrinha-do-milho

Helene realizou seu estágio final de graduação na Epagri. Natural de Pelotas, no Rio Grande do Sul, viveu também em Aracaju, onde ingressou na faculdade de Medicina Veterinária. No entanto, ela admite que não havia se identificado plenamente. Vinda de uma família de engenheiros-agrônomos, cresceu entre os corredores da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e sempre sonhou em estudar ali. Quando decidiu trocar a veterinária pela Agronomia, não teve dúvidas de para onde queria ir.

Ela considera que a experiência no Laboratório de Entomologia da Epagri foi um divisor de águas em sua formação acadêmica, porque trouxe novos conhecimentos e a permitiu conhecer o sistema produtivo no Oeste de Santa Catarina, que possui características diferentes das do Sul do Rio Grande do Sul. Durante o período em que estagiou na Epagri, desenvolveu pesquisas relacionadas ao manejo da cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis), integrando produtos químicos e biológicos, tema que continua desenvolvendo no mestrado sob orientação do professor Daniel Bernardi e coorientação de Leandro.

O trabalho apresentado por Helene durante o SICONBIOL analisou a compatibilidade físico-química do inseticida dimpropyridaz, recentemente registrado no Brasil para o manejo de pragas sugadoras como a cigarrinha-do-milho, associado a micoinseticidas. Os micoinseticidas são produtos biológicos desenvolvidos a partir de fungos utilizados no controle de insetos. Esses fungos, conhecidos como entomopatogênicos, são microrganismos capazes de causar doenças em diferentes espécies de insetos e têm sido amplamente empregados como agentes de controle biológico aplicado em diversas culturas agrícolas.

Helene explica que, no caso da cigarrinha-do-milho, “o controle químico de forma isolada não tem se mostrado eficaz. Por isso, o manejo integrado, associando produtos químicos e biológicos, é cada vez mais recomendado aos produtores. Além disso, o uso de produtos biológicos também é uma boa alternativa, pensando em um manejo mais sustentável, pois utiliza elementos que oferecem menos riscos para a saúde dos seres humanos”, diz. Por esse motivo, estudos de compatibilidade são cada vez mais necessários para saber se a composição dos produtos utilizados na mistura não irá interferir na eficácia dos agentes biológicos. Isso ajuda os produtores a adotarem as práticas mais eficazes de manejo, reduzindo prejuízos econômicos decorrentes de aplicações incorretas.

Helene comemora o reconhecimento do trabalho desenvolvido na Epagri durante o Simpósio de Controle Biológico, realizado em Gramado (Foto: Divulgação / Epagri)

Os dados apresentados indicam que não foi observada incompatibilidade físico-química na mistura de calda do inseticida dimpropyridaz com micoinseticidas à base dos fungos Beauveria bassiana e Cordyceps javanica. A pesquisadora ressalta que estes são resultados preliminares e, para descartar qualquer dissonância, é necessário que também sejam realizadas verificações de compatibilidade biológica. Segundo Leandro, o uso de produtos compatíveis pode resultar em ganhos de produtividade que variam entre 9 e 11 sacas por hectare na cultura do milho.

Outro benefício dos agentes de controle biológico é a redução do uso de moléculas sintéticas. “Os produtos biológicos já representam cerca de 6% do mercado de defensivos agrícolas e a expectativa é que sua participação cresça de três a quatro vezes nos próximos dez anos. Em Santa Catarina, praticamente todas as culturas de relevância econômica, das hortaliças aos cereais de inverno, passando por pastagens e grãos, apresentam potencial para adoção do manejo biológico, sobretudo aquelas que buscam reduzir resíduos e avançar na produção sustentável”, assegura Leandro.

O SICONBIOL recebeu 1.000 trabalhos científicos, dos quais apenas 36 foram escolhidos para apresentação oral. Entre eles, Helene não apenas foi selecionada, como também conquistou o prêmio de melhor apresentação. Entre os palestrantes do evento estavam a bolsista Epagri/Fapesc, Michele Trombin De Souza, e os pesquisadores Leandro do Prado Ribeiro e Marcelo Mendes de Haro, da Estação Experimental de Itajaí.

Misturas de desalojantes e inseticidas sintéticos no manejo da lagarta-do-cartucho

Assim como Helene, Maíra também é natural do Sul do Rio Grande do Sul. Nascida na cidade de Camaquã, estudou Agronomia na Universidade Federal de Pelotas, instituição onde também realizou o mestrado e o doutorado, no programa de pós-graduação em Fitossanidade, sob orientação do professor Daniel Bernardi. Sua pesquisa de doutorado, voltada ao estudo de desalojantes e arrestantes disponíveis no mercado para o controle da lagarta-do-cartucho e dos percevejos-marrom e barriga-verde, foi desenvolvida na Epagri. Atualmente, Maíra é bolsista Fapesc e atua, principalmente, no projeto voltado ao manejo da cigarrinha-do-milho com produtos naturais derivados de nim. No entanto, ela não se desvencilhou totalmente do objeto de sua tese e segue conduzindo ensaios sobre os efeitos dos moduladores de comportamento sobre os percevejos e a lagarta-do-cartucho, tema que lhe rendeu o prêmio de melhor trabalho na categoria de Entomologia no II Enfit-Sul.

O trabalho inclui desde a manutenção das criações laboratoriais das pragas-alvo até a análise da compatibilidade físico-química de misturas de tanque e do acompanhamento do comportamento dos insetos em diferentes cenários. Com ajuda de um software, que atua como uma espécie de GPS, Maíra consegue observar parâmetros como distância total percorrida e velocidade de caminhamento dos insetos quando expostos às misturas e ao controle (água).

No artigo que foi premiado e recentemente publicado na revista Journal of Crop Helath, Maíra se concentrou sobre a eficácia das misturas de inseticidas sintéticos e desalojantes, como enxofre e creolina, no combate à lagarta-do-cartucho. Para ser considerada apta, além da compatibilidade química, a calda deve apresentar determinadas características físicas, como, por exemplo, ausência de grumos. “Se a mistura formar grumos, ela não é indicada para o uso porque vai entupir o bico dos pulverizadores. Outros fatores a serem considerados são a separação de fases e alterações de parâmetros, como pH. A separação de fases é resolvida com agitação. Os tanques de pulverização possuem, em sua grande maioria, um sistema de agitação, então é só manter a calda agitando o tempo todo para resolver. Agora, o pH, se estiver muito elevado, prejudica a performance do inseticida. Por exemplo, um desalojante com pH na faixa de 10, misturado a um inseticida que tem pH 5, tem uma mistura elevada para 11, então, esse inseticida não vai ser eficaz no controle da praga-alvo”, explica.

Com até 3.000 ovos por ciclo de vida, a lagarta-do-cartucho se multiplica rapidamente e representa uma ameaça para as lavouras (Foto: Helena Moraes / Epagri)

O uso de misturas em tanque é uma prática comum entre agricultores e está autorizado pela legislação brasileira. Contudo, sem os devidos cuidados, aquilo que deveria ser um aliado no controle de pragas e na redução de custos com insumos, combustível e mão de obra pode se tornar um risco à produtividade, comprometendo o desempenho das lavouras. Antes da aplicação, a pesquisadora recomenda que os produtores realizem testes de pH, que podem ser feitos com as fitas utilizadas para medir a acidez ou alcalinidade de piscinas. É preciso estar atento aos valores especificados no rótulo do produto, garantindo que estejam dentro da faixa adequada para seu pleno funcionamento.

Os ensaios indicaram que a combinação de inseticidas com desalojantes à base de enxofre aumentou a eficácia dos inseticidas sintéticos associados. No entanto, quando misturado à creolina se observou uma redução significativa na efetividade do controle da lagarta-do-cartucho. Este resultado refuta a ideia que norteou a hipótese inicial da pesquisa de Leandro, de que a creolina poderia potencializar o manejo de pragas.

Segundo Maíra, uma das maiores dificuldades para escrever o artigo foi encontrar referências científicas que respaldassem seus resultados, dado o pioneirismo dos ensaios realizados na Epagri. Apesar disso, ela afirma que esta tem sido uma experiência muito gratificante: “A gente se empolga com o trabalho e, quanto mais pesquisamos, mais descobertas surgem. Cada nova resposta abre caminho para outras perguntas, e assim acabamos com mais dúvidas”, diz. Leandro destaca que os trabalhos desenvolvidos no Laboratório de Entomologia, em Chapecó, sobre os moduladores de comportamento de pragas, especialmente os desalojantes utilizados no manejo da lagarta-do-cartucho, servem de guia para as práticas a serem adotadas no campo. Além disso, eles revelam que estes estudos abriram caminho para novas abordagens e hipóteses de investigação.

Dentre as novas questões a serem analisadas estão os efeitos da pressão atmosférica sobre o comportamento dos insetos-praga sob ação dos moduladores, estudo que está sendo realizado pela estagiária do curso de agronomia da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), Ana Paula Madaloz. “Nós detectamos em alguns dos nossos insetos-modelo que a pressão atmosférica exerce um papel importante nos parâmetros comportamentais avaliados”, conta Leandro. Outra linha aberta recentemente é a avaliação da habituação, uma vez que os receptores olfativos das pragas podem ser ativados ou desativados quando expostos a produtos com cheiro forte, geralmente desagradável ou marcante”, esclarece Leandro.

Os resultados obtidos reforçam a importância da produção científica desenvolvida pela Epagri e evidenciam a necessidade de que os produtores adotem cuidados específicos no manejo integrado de pragas, garantindo maior eficiência dos produtos e resultados positivos nas lavouras.

Fonte: Epagri



 

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Autor:Karin Helena Antunes de Moraes, jornalista bolsista Epagri/Fapesc

Site: Epagri

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ARROZ/CEPEA: Aumento pontual da demanda sustenta valor – MAIS SOJA

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Os preços do arroz em casca permanecem firmes no Rio Grande do Sul. Segundo pesquisadores do Cepea, os valores são sustentados pela demanda pontual para recomposição de estoques e pela oferta ajustada. O ritmo de negócios, contudo, segue lento. Isso porque ainda se verifica desacordo entre compradores e vendedores em um ambiente de cautela ao longo da cadeia.

Do lado da oferta, pesquisadores do Cepea indicam que o comportamento dos produtores foi heterogêneo. Os agentes mais capitalizados optaram por postergar as vendas, à espera de condições mais favoráveis, enquanto outros direcionaram o cereal ao armazenamento, sobretudo diante da proximidade da safra 2025/26. Do lado da demanda, compradores consultados pelo Cepea ajustaram suas estratégias para garantir o abastecimento, sobretudo em regiões em que a oferta está mais limitada.

Fonte: Cepea



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Autor:Cepea

Site: Cepea

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ALGODÃO/CEPEA: Negócios são lentos em janeiro; mas preço médio mensal avança – MAIS SOJA

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O ritmo de negócios envolvendo algodão em pluma esteve lento ao longo de janeiro. Segundo pesquisadores do Cepea, esse cenário esteve atrelado à retomada gradual das atividades e ao desacordo entre compradores e vendedores ativos quanto aos preços. Pesquisadores do Cepea indicam que produtores estiveram atentos à semeadura e ao desenvolvimento das lavouras da temporada 2025/26, o que reduziu a disposição para vendas.

Do lado comprador, as indústrias seguiram utilizando estoques próprios e/ou volumes já programados, mantendo cautela nas aquisições. Quanto aos preços da pluma, estes se enfraqueceram em alguns momentos do mês, acompanhando a retração das cotações internacionais. No entanto, em boa parte de janeiro, os valores domésticos reagiram, com suporte vindo da postura firme dos vendedores. Assim, o Indicador CEPEA/ESALQ (pagamento em oito dias) teve média de R$ 3,5101/lp em janeiro, 1,08% acima da de dezembro/25.

Fonte: Cepea



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Autor:Cepea

Site: Cepea

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Como melhorar os resultados financeiros na soja – MAIS SOJA

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O Rio Grande do Sul conta com a segunda maior área de cultivo com soja no Brasil, mas em volume de produção ficou na 4ª posição e em último lugar no quesito produtividade entre os 22 estados que produziram soja em 2025. Um dos principais motivos para o baixo desempenho das lavouras gaúchas são as perdas por frustrações climáticas. Entre os fatores que podem melhorar o retorno financeiro na soja está a escolha da biotecnologia e o investimento em semente de qualidade.

Biotecnologias na Soja

O mercado oferta diversas biotecnologias embarcadas na semente da soja, a maioria com base em eventos de transgenia, o que já representa 99% do mercado brasileiro.

A expansão da soja transgênica (Roundup Ready) aconteceu a partir da aprovação da Lei de Biossegurança, em 2005. As cultivares em uso estão voltadas à tolerância das plantas para a aplicação de inseticidas e herbicidas. Em ordem cronológica aproximada, os lançamentos em biotecnologia foram: soja RR (2003), Intacta RR2 PRO (2012), Intacta 2 Xtend (2021), Enlist (2021) e Conkesta Enlist (2021).

O custo estimado para colocação de uma planta transgênica no mercado alcança US$ 115 milhões, com tempo médio de 16,5 anos (CropLife 2022). “Na primeira onda de transgênicos foram introduzidas plantas capazes de tolerar a ação de herbicidas e o ataque de insetos, características que favorecem o manejo das lavouras e, em certas situações, reduzem os custos de produção. Em breve, estarão disponíveis outras características como tolerância a fungos, bactérias, vírus e estresses abióticos, como a seca”, explica o Chefe-Geral da Embrapa Soja, Alexandre Nepomuceno.

Cenário no RS

Conforme levantamento da Apassul, com base no histórico de comercialização e uso de semente de soja no Rio Grande do Sul (safra 2023/2024), as biotecnologias mais utilizadas nas lavouras são: Intacta RR2 PRO (IPRO), que representa 31% das sementes certificadas; Intacta 2 Xtend, com 11%; Roundup Ready (RR), com 6%; e as demais com 2% cada biotecnologia.

O leitor mais atento pode perceber que a soma dos percentuais não totaliza 100%, isso porque a taxa de uso de semente certificada no RS foi estimada em 42% na última safra e deve cair ainda mais em 2026. A média brasileira da Taxa de Utilização de Sementes de soja é 67%.  Conforme o histórico, a queda tem sido constante no RS nos últimos anos, o que pode sinalizar a descapitalização do produtor, muitas vezes associada às perdas por frustrações climáticas.

Fonte: MAPA/SFA-RS; Conab; APASSUL safra 2023/2024.

Segundo o diretor executivo da Apassul, Jean Cirino, o que preocupa não é a semente salva, autorizada pela legislação brasileira, mas a comercialização de semente pirata, prática ilegal de multiplicação de sementes sem controle genético ou sanitário, comercializadas sem garantias e, muitas vezes, com desempenho inferior. A semente pirata aumenta o risco de disseminação de pragas e doenças, com baixa taxa de vigor e germinação que leva à desuniformidade e falhas na lavoura. Pode, ainda, impedir acesso a seguros agrícolas e desestimular a pesquisa e o desenvolvimento de novas cultivares. É importante destacar que, mesmo quando o agricultor utiliza seu grão como semente salva, deverá recolher a Taxa Tecnológica ao detentor do direito intelectual conferido pela patente.

Ainda, observando o gráfico com o histórico de comercialização de sementes de soja no RS, é possível verificar a gradativa queda no uso de soja RR. O pesquisador da Embrapa Trigo, Paulo Bertagnolli lembra que a patente da primeira geração da soja RR encerrou em 2010, quando deixou de ser cobrada a Taxa Tecnológica sobre a produção de sementes: “A patente de uma tecnologia expira em, aproximadamente, 10 anos após o lançamento. Assim, deixou de existir a taxa tecnológica da soja RR e está próximo ao vencimento da geração Intacta RR2”. Conforme o pesquisador, “o produtor sempre está atrás de inovações tecnológicas, mas quando os custos de produção sobem, é preciso adequar o investimento ao potencial de retorno da lavoura”. Jean Cirino, da Apassul, lembra que o RS foi o estado que manteve por mais tempo a participação da soja RR no mercado, justamente pela competitividade das cultivares.

De olho no resultado financeiro, o produtor de sementes Fernando Rossato, de Cruz Alta/RS, comparou uma cultivar de soja RR (BRS 6105RR) ao lado de uma cultivar IPRO na última safra. Em 35 hectares, as cultivares foram implantadas em safrinha, sob irrigação, para a produção de sementes. A semeadura em 28/01/25 e a colheita em 19/05/25. O rendimento da soja RR superou em 21 sacos a IPRO, mas o maior diferencial veio na margem de lucros. Veja na tabela abaixo:

O pesquisador Paulo Bertagnolli ressalta que a Embrapa Trigo é a única empresa de pesquisa que segue com o programa de melhoramento de soja RR no Brasil, justamente como opção ao produtor. Na última safra, foi inscrita no MAPA uma área de sementes de soja RR de 2.260 hectares com genética Embrapa, nas cultivares BRS 5601RR, BRS 5804RR, BRS 6105RR e BRS 6203RR.

Frustrações climáticas limitam produtividade

Passados mais de 20 anos desde a chegada da soja transgênica no Brasil, com a liberação das primeiras lavouras no Rio Grande do Sul na safra 2003/2004, a média de produtividade cresce lentamente apesar dos avanços da biotecnologia. Enquanto a área de soja cresceu 127,7% no Brasil, a produtividade média brasileira (kg/ha) cresceu 55,4% (CONAB 2003/2004 a 2024/2025). Em 50 anos, as perdas de produtividade na soja devido à seca são estimadas em 280 milhões de toneladas ou US$ 152 bilhões.

O Rio Grande do Sul é o estado mais afetado, especialmente pela ocorrência de episódios de La Niña, cuja redução nas chuvas afeta o rendimento da soja.  Nos últimos 10 anos, as perdas representam 36,5 milhões de toneladas, um prejuízo estimado em US$ 18,95 bilhões.

Para minimizar o impacto das perdas devido à seca na soja, conheça o programa de Tecnologias para o Enfrentamento da Seca na Soja (Tess), disponível nas publicações da Embrapa.

Fonte: Embrapa



 

FONTE

Autor:Joseani M. Antunes (MTb 9693/RS) Embrapa Trigo

Site: Embrapa

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