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4 de agosto de 2026

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O ano em que o mercado do feijão parou de falar sozinho

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Há anos o mercado do feijão vive em silêncio operacional: negócios pingados, pregões esvaziados, compradores seletivos, produtores desconfiados. Mas 2025 fez esse silêncio gritar. Nada sintetiza melhor o atual momento do setor do que o paradoxo que se repete diariamente nas origens e na Bolsa: quando há preço, não há comprador; quando há comprador, não há feijão.

O feijão-carioca entra dia após dia em pregões com 4 mil a 6 mil sacas ofertadas na Zona Cerealista de São Paulo, volume irrisório para início de mês. Mesmo assim, com tão pouca oferta, os negócios não fluem. Os padrões comerciais (7,5 e 8) seguem num labirinto econômico peculiar: valem entre R$ 205 e R$ 225/sc CIF SP, mas não fecham no FOB, porque a origem opera mais firme. O varejo e o atacado pedem preço baixo, a origem não entrega, o intermediário desiste e a cadeia trava. O resultado é um mercado nominal, onde os valores existem, mas a realidade operacional não acompanha.

Nos padrões superiores (8,5, 9 e 9,5), o paradoxo se repete: qualidade existe, preço até se sustenta, mas a procura é mínima. Lotes premium seguem encalhados, enquanto o mercado corre atrás apenas do “mínimo aceitável” para atender um varejo retraído, que compra no limite da reposição.

Do outro lado da mesa, o feijão-preto enfrenta em 2025 um cenário quase distópico: escoamento extremamente lento, preços deprimidos, estoques elevados e um consumidor que simplesmente não responde. A liquidez é tão baixa que muitas cotações já não cobrem sequer o mínimo oficial (R$ 152,91 por saca de 60 kg). Um produto barato demais, neste caso, é sintoma de um setor caro demais para sobreviver.

O choque de realidade: quando a demanda artificial acabou

O ponto central da crise atual está além das madrugadas. O mercado de feijão — e, por associação, o de arroz, dupla que vem deixando de ser a base da gastronomia brasileira — vive hoje um severo choque de realidade, provocado pelo desequilíbrio entre alta capacidade produtiprodutiva e uma demanda orgânica cronicamente baixa, que por anos foi mascarada por eventos excepcionais.

O setor foi “mal acostumado” por dois grandes picos artificiais de consumo

Em 2020, a pandemia gerou pânico e corrida aos supermercados. A estocagem massiva de arroz arrastou o feijão como bem complementar, inflando o escoamento a níveis que jamais refletiram a demanda estrutural do país.

Em 2024, o período trágico das enchentes no Rio Grande do Sul produziu novo duplo choque: mais uma corrida às gôndolas por medo de desabastecimento e um volume gigantesco de doações. Estima-se que entre 100 e 150 mil kg de feijão e 200 a 250 mil kg de arroz tenham sido consumidos fora do circuito comercial, limpando estoques industriais e sustentando artificialmente os preços FOB.

Quando esses estímulos desapareceram, o desequilíbrio ficou exposto. O Brasil produz mais de 3 milhões de toneladas de feijão (todas as classes) por ano, mas o consumo doméstico real é pelo menos 200 mil toneladas inferior a esse volume e segue em declínio. Parte significativa dos estoques que deveriam ser absorvidos gradualmente foi transferida ao consumidor em momentos de pânico. O setor agora convive com volumes excedentes e um ritmo de consumo estruturalmente fraco — combinação que pressiona preços de forma contínua.

O resultado é direto: liquidez mínima, cotações deprimidas — como os R$ 90/sc do feijão-preto comercial em algumas praças gaúchas — e necessidade urgente de desovar estoques antigos, o que amplia ainda mais a pressão vendedora. Para sobreviver, o mercado é forçado a buscar escoamento via exportação (perto de 400 mil toneladas nesta temporada, um recorde) e a impor cortes severos de área, como a redução já confirmada de quase 40% no plantio do Paraná. É um ajuste doloroso, mas inevitável.

Efeitos na produção, na indústria e na geografia do plantio

O sinal de alerta acendeu forte no Sul: produtores migrando do feijão preto para culturas com maior liquidez e segurança. No Paraná, a 1ª safra 2025/26 já vem com cortes expressivos de área (104,2 mil hectares segundo o Deral, redução de 38%). No Rio Grande do Sul, a chegada da nova safra carrega não apenas expectativa, mas medo real: como desovar estoques elevados sem aprofundar ainda mais a queda de preços?

A indústria vive entre dois mundos: excesso de produto com qualidade baixa (problemas de umidade, impurezas e perdas no beneficiamento) e feijão premium caro demais para o consumidor médio. Falta padrão, falta pós-colheita profissional, falta coordenação. O varejo quer desconto, a indústria quer rendimento, o produtor quer preço. Ninguém leva tudo. Resultado: ninguém leva nada.

No meio desse caos, há uma luz — pequena, mas crescente — nas exportações. Lançado oficialmente pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC) em 2024, o feijão-mungo-preto emerge como o principal destaque do ano. Mesmo sendo uma variedade de cultivo recente no Brasil, já atingiu mais de 170 mil toneladas em exportação, garantindo ao país uma posição de relevância entre os fornecedores globais desta leguminosa.

O verdadeiro problema não é clima, mas sistema

Por trás de toda essa instabilidade há uma combinação poderosa: demanda doméstica fraca, crédito caro, estoques desbalanceados, logística limitada, ausência de instrumentos modernos de comercialização e principalmente o famigerado Custo Brasil. Feijão é alimento básico, mas ainda opera como produto artesanal. O setor ainda vive em 1995, enquanto a competição global vive em 2025.

Faltam instrumentos simples e essenciais: contratos padronizados, programa nacional de pós-colheita, seguro rural funcional, estratégias de marca, diversificação consistente e tradição nas exportações. Política pública não pode seguir no formato “tapa-buraco”. Não se resolve um desajuste anual de centenas de milhares de toneladas com compras emergenciais pontuais.

Se nada for feito, o feijão brasileiro vai encolher — não por falta de vocação, mas por abandono econômico. Quando o produtor perde margem, reduz área; quando reduz área, reduz variedade; quando reduz variedade, compromete segurança alimentar, diversidade genética, renda rural e estabilidade regional. Um país que importa e exporta feijão ao mesmo tempo precisa admitir: o problema é de gestão, não de clima.

E para onde vai este mercado?

No curto prazo, a tendência é lateralidade com alguma pressão em virtude dos primeiros cortes da primeira safra 2025/26: pouca oferta do carioca comercial sustentando (de forma frágil) os preços; excesso no feijão-preto ainda pressionando valores; exportação ajudando, mas ainda longe de resolver a equação.

No médio prazo, cortes de área podem reequilibrar preços, mas desde que o varejo reaja.

No longo prazo, o futuro é binário: ou a cadeia inova, profissionaliza logística, crédito e escoamento, ou o feijão seguirá o caminho de culturas que perderam protagonismo e só voltaram a aparecer quando já era tarde.

O setor precisa abandonar o improviso e migrar urgentemente para a gestão estratégica. A pergunta não é: “o que fazer quando o preço cai?”.

A pergunta deve ser: “por que ainda esperamos o preço cair para discutir futuro?”

2025 já escancarou a verdade: o feijão brasileiro não precisa de sorte.

Precisa de sistema.

*Evandro Oliveira é graduado em Economia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e especialista de Safras & Mercado para as culturas de arroz e feijão

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Algodão bate recorde de produtividade, mas perde área e volume em Mato Grosso

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Mato Grosso deve colher mais algodão por hectare, mas não mais algodão no total. A estimativa do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), divulgada no Relatório de Oferta e Demanda de agosto, aponta rendimento médio de 315,33 arrobas por hectare em 2025/26, enquanto a área cultivada encolheu 11,11% e limita o volume produzido no estado.

A estimativa de produtividade de agosto representa avanço de 1,50% em relação ao número calculado em julho. O avanço supera, ainda que por uma margem estreita, o recorde anterior. Na temporada 2024/25, o rendimento médio chegou a 315,12 arrobas por hectare, até então o maior registrado pelo instituto.

O desempenho ocorre em uma temporada na qual o algodão ocupou 1,375 milhão de hectares. A redução foi definida ainda no planejamento da safra, em meio à combinação de custos elevados e preços considerados menos atrativos pelos produtores, especialmente para o algodão de primeira safra.

É justamente essa diferença entre rendimento e área que desenha o resultado do ciclo. Mesmo com o potencial produtivo elevado, a produção de algodão em caroço está estimada em 6,51 milhões de toneladas, 11,06% abaixo do volume da temporada anterior.

Clima coloca produtividade no topo da série

A principal explicação para o recorde na produtividade está no comportamento do clima durante o desenvolvimento das lavouras. As condições observadas ao longo da temporada favoreceram o desenvolvimento das plantas e permitiram que o potencial produtivo avançasse mesmo em uma safra marcada por uma área menor.

O dado de agosto também mostra uma mudança em relação ao cenário projetado no mês anterior. A produtividade passou de uma estimativa de 310,67 para 315,33 arrobas por hectare, reforçando a percepção de que as lavouras apresentam capacidade de entregar um rendimento elevado.

O número, porém, ainda é uma projeção. A colheita continua em andamento em Mato Grosso, e o avanço dos trabalhos de campo deve fornecer informações mais precisas sobre o rendimento efetivamente alcançado no campo.

Há ainda uma diferença importante entre produzir mais por hectare e preservar a qualidade do produto colhido. Nesse ponto, o Imea chama atenção para as chuvas registradas em meados de junho, que trouxeram uma preocupação específica para as lavouras que já tinham capulhos abertos.

A ocorrência de chuvas nesse estágio pode comprometer parte da qualidade da fibra. O impacto, contudo, ainda não pode ser dimensionado de forma definitiva, já que os trabalhos de campo não foram concluídos no estado.

A situação faz com que a produtividade recorde precise ser analisada junto a outro indicador: a qualidade do algodão que efetivamente chegará ao mercado. À medida que a colheita avançar, será possível identificar com maior precisão os efeitos das condições climáticas sobre a fibra.

Menos área muda cenário de oferta

A retração da área não foi resultado de uma perda de potencial agronômico da cultura, mas de uma decisão tomada em um ambiente de maior pressão sobre a rentabilidade. Com custos elevados e preços menos atrativos no momento do planejamento, produtores reduziram principalmente o espaço destinado ao algodão de primeira safra.

O efeito dessa escolha aparece agora nos números de produção. Mesmo que cada hectare entregue um rendimento recorde, há menos hectares em produção para formar o volume final da temporada.

A estimativa atual aponta ainda para 2,67 milhões de toneladas de pluma. Desse total, o Imea calcula que 76,3% deverão ser destinados ao mercado externo, o equivalente a 2,09 milhões de toneladas.

O mercado também entra na equação com estoques finais bastante comprometidos. Mais de 97% do volume projetado para esses estoques já está comercializado, cenário que reduz a disponibilidade de fibra para novas negociações ao longo da temporada.

Assim, a safra 2025/26 combina dois movimentos distintos: de um lado, Mato Grosso avança para o melhor rendimento por hectare de sua série histórica; de outro, a menor área cultivada reduz a produção total e restringe a oferta disponível. O resultado definitivo ainda dependerá do encerramento da colheita e da avaliação dos efeitos das chuvas sobre a qualidade da fibra.


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Colheita do milho safrinha chega a 69,1% da área no Brasil, diz Conab

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A colheita do milho de segunda safra 2025/26 no Brasil atingiu 69,1% da área semeada até a última sexta-feira, informou a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em boletim semanal de progresso de safra. O avanço foi de 10,8 pontos porcentuais em relação à semana anterior. Mesmo assim, o ritmo segue abaixo do registrado no mesmo período da temporada passada e também da média dos últimos cinco anos.

Segundo a Conab, na mesma época da safra passada 75,2% da área já havia sido colhida, diferença de 6,1 pontos porcentuais. Em relação à média de cinco anos, de 74,5%, o atraso é de 5,4 pontos porcentuais.

Entre os principais estados produtores, Mato Grosso já colheu 95,7% da área, praticamente em linha com a média de cinco anos, de 95,6%. O Paraná avançou para 38%, Goiás para 58% e Mato Grosso do Sul para 37%. No Tocantins, a colheita alcançou 99%.

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No milho verão 2025/26, a retirada do grão do campo atingiu 99,3% da área, avanço de 0,3 ponto porcentual na semana. O índice está 0,5 ponto porcentual abaixo do mesmo período da safra passada, quando o porcentual era de 99,8%, e 0,2 ponto porcentual abaixo da média de cinco anos, de 99,5%. Maranhão, com 97%, e Piauí, com 96%, ainda concentram parte final dos trabalhos.

A colheita de algodão 2025/26 chegou a 28,4% da área plantada, avanço semanal de 11,9 pontos porcentuais. O ritmo está 1,3 ponto porcentual abaixo do visto um ano antes e 8,3 pontos porcentuais abaixo da média de cinco anos. Mato Grosso colheu 22,6% da área, Bahia 36%, Goiás 54%, Mato Grosso do Sul 64%, Maranhão 67% e Piauí 62%.

No trigo, a colheita da safra 2026 alcançou 2,5% da área semeada, com avanço de 0,7 ponto porcentual na semana. Goiás retirou o cereal de 55% da área e Minas Gerais de 16%. A semeadura do trigo chegou a 99,9% da área prevista. Santa Catarina marcou 97%, enquanto os demais estados acompanhados pela Conab já encerraram o plantio.

Os dados da Conab mostram avanço da colheita das principais culturas de inverno e segunda safra no país, com o milho safrinha mantendo a maior parte dos trabalhos concentrada em estados como Mato Grosso, Goiás, Paraná e Mato Grosso do Sul.

Fonte: Estadão Conteúdo

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Imea ajusta área do milho e produção pode ultrapassar 57,3 milhões de toneladas

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Nova revisão de safra 2025/26 do milho em Mato Grosso realizada pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) apontou que 7,43 milhões de hectares foram destinados para o grão. A extensão consolidada supera em 0,57% o total divulgado anteriormente e em 2,41% ao cultivado no ciclo passado. Com o ajuste, a perspectiva de produção passa de 57,393 milhões de toneladas.

O relatório de estimativa de safra que consolida a área do ciclo 2025/26 foi divulgado nesta segunda-feira (3). De acordo com o Instituto, o resultado foi viabilizado através de um mapeamento no qual foi utilizado “geoprocessamento e sensoriamento remoto, pautados na análise da série temporal de índices de vegetação”, o que possibilitou “identificar a assinatura espectral característica da cultura ao longo do seu ciclo fenológico, diferenciando o milho de outras coberturas do solo e garantindo maior precisão na área implantada no estado”.

O avanço da extensão em relação a temporada 2024/25, frisa o relatório, reflete o dinamismo e a viabilidade da produção de milho no estado, motivados pela demanda interna, em especial das usinas de etanol de milho.

Produção e produtividade crescem com ajuste de área

Com a consolidação da área plantada, a perspectiva de produtividade deve saltar de 128,64 para 128,67 sacas por hectare, um leve incremento de 0,02%.

Os números ainda não foram consolidados, uma vez que a colheita do milho em Mato Grosso ainda está em andamento, tendo alcançado no último dia 31 de julho 96,77% da área semeada. A expectativa do Imea, conforme destacado recentemente pelo Canal Rural Mato Grosso, é que a colheita encerre nos próximos 15 dias, a depender ainda da região Sudeste que se encontra com 85,61% da colheita realizada.

Com o ajuste na área e a atual projeção de rendimento médio, a produção deve crescer 0,59% frente ao projetado no mês anterior e 3,53% superior ao volume da safra 2024/25. 


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