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19 de junho de 2026

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O ano em que o mercado do feijão parou de falar sozinho

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Há anos o mercado do feijão vive em silêncio operacional: negócios pingados, pregões esvaziados, compradores seletivos, produtores desconfiados. Mas 2025 fez esse silêncio gritar. Nada sintetiza melhor o atual momento do setor do que o paradoxo que se repete diariamente nas origens e na Bolsa: quando há preço, não há comprador; quando há comprador, não há feijão.

O feijão-carioca entra dia após dia em pregões com 4 mil a 6 mil sacas ofertadas na Zona Cerealista de São Paulo, volume irrisório para início de mês. Mesmo assim, com tão pouca oferta, os negócios não fluem. Os padrões comerciais (7,5 e 8) seguem num labirinto econômico peculiar: valem entre R$ 205 e R$ 225/sc CIF SP, mas não fecham no FOB, porque a origem opera mais firme. O varejo e o atacado pedem preço baixo, a origem não entrega, o intermediário desiste e a cadeia trava. O resultado é um mercado nominal, onde os valores existem, mas a realidade operacional não acompanha.

Nos padrões superiores (8,5, 9 e 9,5), o paradoxo se repete: qualidade existe, preço até se sustenta, mas a procura é mínima. Lotes premium seguem encalhados, enquanto o mercado corre atrás apenas do “mínimo aceitável” para atender um varejo retraído, que compra no limite da reposição.

Do outro lado da mesa, o feijão-preto enfrenta em 2025 um cenário quase distópico: escoamento extremamente lento, preços deprimidos, estoques elevados e um consumidor que simplesmente não responde. A liquidez é tão baixa que muitas cotações já não cobrem sequer o mínimo oficial (R$ 152,91 por saca de 60 kg). Um produto barato demais, neste caso, é sintoma de um setor caro demais para sobreviver.

O choque de realidade: quando a demanda artificial acabou

O ponto central da crise atual está além das madrugadas. O mercado de feijão — e, por associação, o de arroz, dupla que vem deixando de ser a base da gastronomia brasileira — vive hoje um severo choque de realidade, provocado pelo desequilíbrio entre alta capacidade produtiprodutiva e uma demanda orgânica cronicamente baixa, que por anos foi mascarada por eventos excepcionais.

O setor foi “mal acostumado” por dois grandes picos artificiais de consumo

Em 2020, a pandemia gerou pânico e corrida aos supermercados. A estocagem massiva de arroz arrastou o feijão como bem complementar, inflando o escoamento a níveis que jamais refletiram a demanda estrutural do país.

Em 2024, o período trágico das enchentes no Rio Grande do Sul produziu novo duplo choque: mais uma corrida às gôndolas por medo de desabastecimento e um volume gigantesco de doações. Estima-se que entre 100 e 150 mil kg de feijão e 200 a 250 mil kg de arroz tenham sido consumidos fora do circuito comercial, limpando estoques industriais e sustentando artificialmente os preços FOB.

Quando esses estímulos desapareceram, o desequilíbrio ficou exposto. O Brasil produz mais de 3 milhões de toneladas de feijão (todas as classes) por ano, mas o consumo doméstico real é pelo menos 200 mil toneladas inferior a esse volume e segue em declínio. Parte significativa dos estoques que deveriam ser absorvidos gradualmente foi transferida ao consumidor em momentos de pânico. O setor agora convive com volumes excedentes e um ritmo de consumo estruturalmente fraco — combinação que pressiona preços de forma contínua.

O resultado é direto: liquidez mínima, cotações deprimidas — como os R$ 90/sc do feijão-preto comercial em algumas praças gaúchas — e necessidade urgente de desovar estoques antigos, o que amplia ainda mais a pressão vendedora. Para sobreviver, o mercado é forçado a buscar escoamento via exportação (perto de 400 mil toneladas nesta temporada, um recorde) e a impor cortes severos de área, como a redução já confirmada de quase 40% no plantio do Paraná. É um ajuste doloroso, mas inevitável.

Efeitos na produção, na indústria e na geografia do plantio

O sinal de alerta acendeu forte no Sul: produtores migrando do feijão preto para culturas com maior liquidez e segurança. No Paraná, a 1ª safra 2025/26 já vem com cortes expressivos de área (104,2 mil hectares segundo o Deral, redução de 38%). No Rio Grande do Sul, a chegada da nova safra carrega não apenas expectativa, mas medo real: como desovar estoques elevados sem aprofundar ainda mais a queda de preços?

A indústria vive entre dois mundos: excesso de produto com qualidade baixa (problemas de umidade, impurezas e perdas no beneficiamento) e feijão premium caro demais para o consumidor médio. Falta padrão, falta pós-colheita profissional, falta coordenação. O varejo quer desconto, a indústria quer rendimento, o produtor quer preço. Ninguém leva tudo. Resultado: ninguém leva nada.

No meio desse caos, há uma luz — pequena, mas crescente — nas exportações. Lançado oficialmente pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC) em 2024, o feijão-mungo-preto emerge como o principal destaque do ano. Mesmo sendo uma variedade de cultivo recente no Brasil, já atingiu mais de 170 mil toneladas em exportação, garantindo ao país uma posição de relevância entre os fornecedores globais desta leguminosa.

O verdadeiro problema não é clima, mas sistema

Por trás de toda essa instabilidade há uma combinação poderosa: demanda doméstica fraca, crédito caro, estoques desbalanceados, logística limitada, ausência de instrumentos modernos de comercialização e principalmente o famigerado Custo Brasil. Feijão é alimento básico, mas ainda opera como produto artesanal. O setor ainda vive em 1995, enquanto a competição global vive em 2025.

Faltam instrumentos simples e essenciais: contratos padronizados, programa nacional de pós-colheita, seguro rural funcional, estratégias de marca, diversificação consistente e tradição nas exportações. Política pública não pode seguir no formato “tapa-buraco”. Não se resolve um desajuste anual de centenas de milhares de toneladas com compras emergenciais pontuais.

Se nada for feito, o feijão brasileiro vai encolher — não por falta de vocação, mas por abandono econômico. Quando o produtor perde margem, reduz área; quando reduz área, reduz variedade; quando reduz variedade, compromete segurança alimentar, diversidade genética, renda rural e estabilidade regional. Um país que importa e exporta feijão ao mesmo tempo precisa admitir: o problema é de gestão, não de clima.

E para onde vai este mercado?

No curto prazo, a tendência é lateralidade com alguma pressão em virtude dos primeiros cortes da primeira safra 2025/26: pouca oferta do carioca comercial sustentando (de forma frágil) os preços; excesso no feijão-preto ainda pressionando valores; exportação ajudando, mas ainda longe de resolver a equação.

No médio prazo, cortes de área podem reequilibrar preços, mas desde que o varejo reaja.

No longo prazo, o futuro é binário: ou a cadeia inova, profissionaliza logística, crédito e escoamento, ou o feijão seguirá o caminho de culturas que perderam protagonismo e só voltaram a aparecer quando já era tarde.

O setor precisa abandonar o improviso e migrar urgentemente para a gestão estratégica. A pergunta não é: “o que fazer quando o preço cai?”.

A pergunta deve ser: “por que ainda esperamos o preço cair para discutir futuro?”

2025 já escancarou a verdade: o feijão brasileiro não precisa de sorte.

Precisa de sistema.

*Evandro Oliveira é graduado em Economia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e especialista de Safras & Mercado para as culturas de arroz e feijão

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Dia do Vinho Brasileiro terá programação em Bento Gonçalves e Dom Pedrito neste domingo

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O Dia do Vinho Brasileiro será celebrado neste domingo (21), em Bento Gonçalves e Dom Pedrito, no Rio Grande do Sul, com correalização do Instituto de Gestão, Planejamento, Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (Consevitis-RS) e da Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi). A programação reúne ações abertas ao público e voltadas à divulgação de vinhos, espumantes e sucos de uva.

Em Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha, a Praça das Rosas receberá o evento das 10h às 19h. Segundo o material divulgado, 11 vinícolas participarão da exposição com comercialização e degustação de vinhos, espumantes e sucos de uva: Amitié, Artisti, Casa Ottone, Cave Bertamoni, Gallon, Nova Aliança, Peterlongo, Piccola Cantina, Sotterrani, Speranza e Rotava. Os 50 primeiros clientes de cada vinícola receberão taças personalizadas.

A programação no município também inclui opções de gastronomia e atrações artísticas. A correalização local é da Prefeitura Municipal de Bento Gonçalves, com apoio da Sicredi Serrana e do Sindicato Empresarial de Gastronomia e Hotelaria da Região Uva e Vinho (SEGH).

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Em Dom Pedrito, a ação será realizada das 14h às 18h, na Rua Coberta, junto à Praça General Osório. O evento prevê degustação de vinhos e sucos de uva. De acordo com o texto de divulgação, esta é a primeira vez que a região vitivinícola da Campanha Gaúcha promove uma ação para marcar a data. A correalização é da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), com estudantes, servidores e professores do curso de Enologia, e apoio da Prefeitura Municipal de Dom Pedrito.

O Consevitis-RS informou que o Dia do Vinho Brasileiro é comemorado oficialmente no primeiro domingo de junho, com ações ao longo de todo o mês. A data foi instituída a partir do Projeto de Lei 3801/2004. No Rio Grande do Sul, há também uma lei estadual própria, promulgada em dezembro de 2003, que estabelece o período de celebrações do vinho brasileiro.

Segundo Cristina Carniel, gerente de Promoção para o Mercado Interno do Consevitis-RS, as iniciativas buscam aproximar o público dos produtos e homenagear a cultura vitivinícola brasileira. Em caso de chuva, os eventos serão transferidos para domingo (28).

Os dois eventos são abertos ao público e concentram ações de divulgação da cadeia vitivinícola gaúcha. O material fornecido não informa estimativa de público, volume de produtos comercializados ou impactos econômicos diretos para produtores e vinícolas.

Fonte: agricultura.rs.gov.br

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Cecafé apresenta ações socioambientais do café brasileiro em evento da Embaixada da Alemanha

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O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) participou, nesta quarta-feira (18), do evento “Multilateralidade dos direitos trabalhistas e dos direitos humanos: o exemplo da cadeia produtividade do café”, realizado pela Embaixada da Alemanha no Brasil, no Goethe Institut, em Salvador (BA). No encontro, a entidade apresentou iniciativas voltadas ao monitoramento socioambiental, à rastreabilidade e à capacitação na cafeicultura brasileira.

O diretor-geral do Cecafé, Marcos Matos, integrou o painel “Meio Ambiente como Direito Humano”, moderado pela jornalista Georgina Maynart. O debate abordou uso correto do solo na cafeicultura brasileira, questões fundiárias, clima e certificações. Também participaram o gerente de Fornecimento Responsável da JDE Peet’s, Bruno Ribeiro, e o diretor da Rainforest Alliance no Brasil, Yuri Feres.

Na apresentação, Matos detalhou ações conduzidas pelo conselho no ambiente pré-competitivo. Entre elas, citou a “Plataforma de Monitoramento Socioambiental dos Cafés do Brasil”, desenvolvida em parceria com a Serasa Experian. Segundo o material divulgado, a ferramenta busca permitir aos importadores acesso a informações socioambientais do produto com base em bancos de dados públicos e oficiais.

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De acordo com o Cecafé, a iniciativa está inserida em um esforço de adequação às novas regras do comércio mundial. Em sua fala, Matos defendeu um protocolo baseado na legislação brasileira para questões sociais e ambientais e afirmou que a entidade acompanha mudanças regulatórias, fluxo de comércio, geopolítica e temas ligados à soberania dos bancos de dados públicos e oficiais.

O diretor-geral também destacou a importância da União Europeia como um dos principais importadores dos cafés do Brasil. No eixo social, mencionou iniciativas público-privadas como o “Pacto pelo Trabalho Decente na Cafeicultura” e o Programa Trabalho Sustentável (PTS), ambos em parceria com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Segundo o texto original, essas ações buscam ampliar o diálogo entre os agentes do setor e o governo, além de promover capacitação no campo em parceria com associados do conselho nas principais regiões produtoras.

O evento ainda contou com boas-vindas da embaixadora Bettina Cadenbach e incluiu debates sobre “Regulação & Direitos Humanos” e responsabilidade por direitos humanos e trabalhistas na cadeia do café.

No encerramento de sua participação, o Cecafé afirmou que a comunicação estruturada e o uso de tecnologia para reunir evidências verificáveis são parte da estratégia da entidade para apresentar informações sobre a produção brasileira. O material divulgado não informa prazos, volume de adesão às iniciativas nem resultados quantitativos das ações mencionadas.

Fonte: cecafe.com.br

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Sustentabilidade é novo diferencial na produção de sementes

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Parque Ecológico João Basso, 3.624 hectares de Reserva Particular de Patrimônio Natural da Jotabasso, em Rondonópolis (MT) | Foto: Divulgação

O processo de tratamento industrial de sementes não se resume mais a genética, vigor e germinação. Ao lado da qualidade, ganha cada vez mais destaque o quesito sustentabilidade. Reconhecimentos de entidades e empresas nacionais e multinacionais chancelam as boas práticas no segmento como variável e diferencial competitivo entre os produtores e multiplicadores de sementes. O conceito tem a ver com inovação, tecnologia e governança dentro dos pilares do ESG (Environmental Social Governance).

Segundo Rafael Oliveira, head comercial Brasil da Sementes Jotabasso, uma das maiores produtoras de sementes de soja do país, esse é um mercado de alta performance, onde o produtor não quer apenas mais uma semente, mas está em busca de uma solução completa de cultivo. Com mais de 50 anos de mercado, a empresa mostra que o setor também precisou evoluir para chegar a este novo padrão que atende critérios técnicos, bem como de gestão, sociais e ambientais.

Em maio a companhia recebeu certificações relacionadas à qualidade, sustentabilidade e eficiência. Os atestados reforçam a maturidade de práticas ambientais, sociais e de governança, em linha com a evolução e novas condições para atuar nesse mercado, explica o executivo.

Parque Ecológico João Basso, 3.624 hectares de Reserva Particular de Patrimônio Natural da Jotabasso, em Rondonópolis (MT).| Foto: Divulgação,

Além disso, recebeu o selo Seedcare TSI, uma das principais certificações do setor quando o assunto é excelência em tratamento de sementes industrial. O Seedcare TSI reconhece empresas que mantêm elevados padrões de qualidade em todas as etapas de produção, como rastreabilidade, segurança operacional, conformidade e performance das sementes entregues ao produtor. Em adicional, foi premiada no Concurso Sementeiras Mais, voltado à eficiência de manejo e aos resultados superiores de qualidade das sementes.

Em 2025, a empresa foi pioneira ao se tornar a única sementeira do Cerrado brasileiro reconhecida no Programa de Avaliação Seedcare Sustentável da Syngenta, iniciativa que avalia práticas ESG adotadas pelas empresas participantes.

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