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20 de setembro de 2026

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O ano em que o mercado do feijão parou de falar sozinho

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Há anos o mercado do feijão vive em silêncio operacional: negócios pingados, pregões esvaziados, compradores seletivos, produtores desconfiados. Mas 2025 fez esse silêncio gritar. Nada sintetiza melhor o atual momento do setor do que o paradoxo que se repete diariamente nas origens e na Bolsa: quando há preço, não há comprador; quando há comprador, não há feijão.

O feijão-carioca entra dia após dia em pregões com 4 mil a 6 mil sacas ofertadas na Zona Cerealista de São Paulo, volume irrisório para início de mês. Mesmo assim, com tão pouca oferta, os negócios não fluem. Os padrões comerciais (7,5 e 8) seguem num labirinto econômico peculiar: valem entre R$ 205 e R$ 225/sc CIF SP, mas não fecham no FOB, porque a origem opera mais firme. O varejo e o atacado pedem preço baixo, a origem não entrega, o intermediário desiste e a cadeia trava. O resultado é um mercado nominal, onde os valores existem, mas a realidade operacional não acompanha.

Nos padrões superiores (8,5, 9 e 9,5), o paradoxo se repete: qualidade existe, preço até se sustenta, mas a procura é mínima. Lotes premium seguem encalhados, enquanto o mercado corre atrás apenas do “mínimo aceitável” para atender um varejo retraído, que compra no limite da reposição.

Do outro lado da mesa, o feijão-preto enfrenta em 2025 um cenário quase distópico: escoamento extremamente lento, preços deprimidos, estoques elevados e um consumidor que simplesmente não responde. A liquidez é tão baixa que muitas cotações já não cobrem sequer o mínimo oficial (R$ 152,91 por saca de 60 kg). Um produto barato demais, neste caso, é sintoma de um setor caro demais para sobreviver.

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O choque de realidade: quando a demanda artificial acabou

O ponto central da crise atual está além das madrugadas. O mercado de feijão — e, por associação, o de arroz, dupla que vem deixando de ser a base da gastronomia brasileira — vive hoje um severo choque de realidade, provocado pelo desequilíbrio entre alta capacidade produtiprodutiva e uma demanda orgânica cronicamente baixa, que por anos foi mascarada por eventos excepcionais.

O setor foi “mal acostumado” por dois grandes picos artificiais de consumo

Em 2020, a pandemia gerou pânico e corrida aos supermercados. A estocagem massiva de arroz arrastou o feijão como bem complementar, inflando o escoamento a níveis que jamais refletiram a demanda estrutural do país.

Em 2024, o período trágico das enchentes no Rio Grande do Sul produziu novo duplo choque: mais uma corrida às gôndolas por medo de desabastecimento e um volume gigantesco de doações. Estima-se que entre 100 e 150 mil kg de feijão e 200 a 250 mil kg de arroz tenham sido consumidos fora do circuito comercial, limpando estoques industriais e sustentando artificialmente os preços FOB.

Quando esses estímulos desapareceram, o desequilíbrio ficou exposto. O Brasil produz mais de 3 milhões de toneladas de feijão (todas as classes) por ano, mas o consumo doméstico real é pelo menos 200 mil toneladas inferior a esse volume e segue em declínio. Parte significativa dos estoques que deveriam ser absorvidos gradualmente foi transferida ao consumidor em momentos de pânico. O setor agora convive com volumes excedentes e um ritmo de consumo estruturalmente fraco — combinação que pressiona preços de forma contínua.

O resultado é direto: liquidez mínima, cotações deprimidas — como os R$ 90/sc do feijão-preto comercial em algumas praças gaúchas — e necessidade urgente de desovar estoques antigos, o que amplia ainda mais a pressão vendedora. Para sobreviver, o mercado é forçado a buscar escoamento via exportação (perto de 400 mil toneladas nesta temporada, um recorde) e a impor cortes severos de área, como a redução já confirmada de quase 40% no plantio do Paraná. É um ajuste doloroso, mas inevitável.

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Efeitos na produção, na indústria e na geografia do plantio

O sinal de alerta acendeu forte no Sul: produtores migrando do feijão preto para culturas com maior liquidez e segurança. No Paraná, a 1ª safra 2025/26 já vem com cortes expressivos de área (104,2 mil hectares segundo o Deral, redução de 38%). No Rio Grande do Sul, a chegada da nova safra carrega não apenas expectativa, mas medo real: como desovar estoques elevados sem aprofundar ainda mais a queda de preços?

A indústria vive entre dois mundos: excesso de produto com qualidade baixa (problemas de umidade, impurezas e perdas no beneficiamento) e feijão premium caro demais para o consumidor médio. Falta padrão, falta pós-colheita profissional, falta coordenação. O varejo quer desconto, a indústria quer rendimento, o produtor quer preço. Ninguém leva tudo. Resultado: ninguém leva nada.

No meio desse caos, há uma luz — pequena, mas crescente — nas exportações. Lançado oficialmente pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC) em 2024, o feijão-mungo-preto emerge como o principal destaque do ano. Mesmo sendo uma variedade de cultivo recente no Brasil, já atingiu mais de 170 mil toneladas em exportação, garantindo ao país uma posição de relevância entre os fornecedores globais desta leguminosa.

O verdadeiro problema não é clima, mas sistema

Por trás de toda essa instabilidade há uma combinação poderosa: demanda doméstica fraca, crédito caro, estoques desbalanceados, logística limitada, ausência de instrumentos modernos de comercialização e principalmente o famigerado Custo Brasil. Feijão é alimento básico, mas ainda opera como produto artesanal. O setor ainda vive em 1995, enquanto a competição global vive em 2025.

Faltam instrumentos simples e essenciais: contratos padronizados, programa nacional de pós-colheita, seguro rural funcional, estratégias de marca, diversificação consistente e tradição nas exportações. Política pública não pode seguir no formato “tapa-buraco”. Não se resolve um desajuste anual de centenas de milhares de toneladas com compras emergenciais pontuais.

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Se nada for feito, o feijão brasileiro vai encolher — não por falta de vocação, mas por abandono econômico. Quando o produtor perde margem, reduz área; quando reduz área, reduz variedade; quando reduz variedade, compromete segurança alimentar, diversidade genética, renda rural e estabilidade regional. Um país que importa e exporta feijão ao mesmo tempo precisa admitir: o problema é de gestão, não de clima.

E para onde vai este mercado?

No curto prazo, a tendência é lateralidade com alguma pressão em virtude dos primeiros cortes da primeira safra 2025/26: pouca oferta do carioca comercial sustentando (de forma frágil) os preços; excesso no feijão-preto ainda pressionando valores; exportação ajudando, mas ainda longe de resolver a equação.

No médio prazo, cortes de área podem reequilibrar preços, mas desde que o varejo reaja.

No longo prazo, o futuro é binário: ou a cadeia inova, profissionaliza logística, crédito e escoamento, ou o feijão seguirá o caminho de culturas que perderam protagonismo e só voltaram a aparecer quando já era tarde.

O setor precisa abandonar o improviso e migrar urgentemente para a gestão estratégica. A pergunta não é: “o que fazer quando o preço cai?”.

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A pergunta deve ser: “por que ainda esperamos o preço cair para discutir futuro?”

2025 já escancarou a verdade: o feijão brasileiro não precisa de sorte.

Precisa de sistema.

*Evandro Oliveira é graduado em Economia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e especialista de Safras & Mercado para as culturas de arroz e feijão

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Caju vira alternativa de renda para produtores em região castigada pela seca no Ceará

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Foto: AGCO Agriculture Foundation

Em uma região marcada pela escassez de água e pelos desafios para manter a produção agrícola, o cultivo de caju vem sendo utilizado como alternativa para ampliar a geração de renda de pequenos produtores no semiárido do Ceará. Mais de 100 agricultores de 15 comunidades participam de uma iniciativa que prevê a implantação de novos pomares, capacitação e acompanhamento técnico.

Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News!

Ao todo, 10 mil mudas estão sendo distribuídas pelo Projeto Caju, desenvolvido pela organização Amigos do Bem com apoio da AGCO Agriculture Foundation.

A escolha da cultura está relacionada à capacidade do cajueiro de se adaptar ao clima quente e a períodos de menor disponibilidade de água. A proposta é combinar essa característica com orientação técnica para ampliar as possibilidades de produção e renda nas propriedades.

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Dos 107 produtores envolvidos na iniciativa, 63 receberam apoio direto por meio de recursos da AGCO Agriculture Foundation. Do total de participantes, 64% estão entrando agora no projeto, enquanto 36% já haviam recebido apoio anteriormente.

“Em regiões que enfrentam desafios climáticos e socioeconômicos tão grandes, apoiar o produtor significa também contribuir para que ele tenha condições de construir uma fonte de renda mais estável”, afirma Marcelo Traldi, gerente-geral da AGCO América Latina.

Produtores recebem capacitação para implantação dos pomares

Além da distribuição das mudas, a capacitação técnica é uma das principais frentes do projeto. Setenta agricultores participaram de treinamentos sobre implantação e manejo dos pomares.

As orientações incluem escolha de mudas produtivas e adaptadas às condições do semiárido, preparo do solo, definição do espaçamento, fertilização, controle de plantas daninhas e poda de formação.

Outro grupo de 34 produtores participou de um dia de campo, com demonstrações práticas de técnicas de plantio e manejo. A atividade também permitiu a troca de experiências e a discussão de dificuldades encontradas nas propriedades.

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A combinação entre acesso às mudas e assistência técnica busca reduzir os riscos nas primeiras etapas de desenvolvimento dos pomares, especialmente diante dos períodos prolongados de seca enfrentados na região.

“Essa iniciativa demonstra como parcerias estratégicas podem gerar impacto positivo no campo. Ao apoiar os produtores com as mudas, capacitação e acompanhamento técnico, o projeto contribui para fortalecer a produção local e gerar renda para famílias em situação de vulnerabilidade”, afirma Alceu Caldeira, diretor de Desenvolvimento Institucional dos Amigos do Bem.

Projeto recebe investimento de mais de R$ 100 mil

A AGCO Agriculture Foundation destinou mais de R$ 100 mil à iniciativa. Os recursos são utilizados na produção das mudas, apoio aos pequenos agricultores, capacitações, monitoramento e gestão do projeto.

Com a implantação dos pomares, o trabalho entra agora na fase de acompanhamento técnico. Estão previstas visitas às propriedades para monitorar o desenvolvimento das plantas e orientar os agricultores durante o ciclo produtivo.

A programação prevê ainda novos treinamentos voltados à pré-colheita e pós-colheita, incluindo orientações sobre manejo, fortalecimento dos pomares e preparação para as próximas etapas da produção.

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O Projeto Caju faz parte das ações dos Amigos do Bem no sertão nordestino. Segundo a organização, cerca de 150 mil pessoas de 300 comunidades em Alagoas, Pernambuco e Ceará são atendidas por iniciativas relacionadas à educação, geração de renda, acesso à água, moradia e saúde.

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Conab diz que Brasil será, mais uma vez, o maior provedor de soja do mundo; quanto a produção deve crescer em 26/27?

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Divulgação Embrapa Soja

O mercado da soja teve uma semana marcada por projeções importantes para a safra 2026/27. No Brasil, a primeira estimativa oficial da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aponta para um crescimento mais moderado da produção da oleaginosa. No cenário internacional, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) surpreendeu o mercado ao elevar a previsão para a safra norte-americana.

A Conab projeta produção de 181,64 milhões de toneladas de soja para a safra 2026/27, avanço de 0,7% em relação ao ciclo anterior. A área plantada deve crescer 1,4%, para 49,31 milhões de hectares, enquanto a produtividade média está calculada em 3.683 quilos por hectare, recuo de 0,8%.

Apesar do crescimento mais moderado, a soja continua entre as principais responsáveis pelo avanço da produção brasileira de grãos. Para a Conab, o país deve manter a trajetória de expansão da oleaginosa e novamente superar a marca de 181 milhões de toneladas.

“ A soja vem mantendo uma trajetória constante de crescimento e é o produto que mais avança. Vamos ultrapassar novamente as 181 milhões de toneladas, garantindo outra grande safra. Seremos, mais uma vez, os maiores provedores do mundo, diante das quebras em outros países e do cenário de desabastecimento internacional”, afirmou o presidente da Conab, Silvio Porto.

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Na temporada 2025/26, a produção brasileira chegou a 180,406 milhões de toneladas, alta de 5,2% em relação ao ciclo anterior, quando foram colhidas 171,48 milhões de toneladas.

A área cultivada também avançou, passando de 47,346 milhões de hectares em 2024/25 para 48,608 milhões de hectares em 2025/26, crescimento de 2,7%. Já a produtividade subiu de 3.622 para 3.711 quilos por hectare no período.

USDA surpreende com safra maior nos EUA

Enquanto o Brasil deve apresentar um avanço mais contido, o USDA trouxe uma surpresa para o mercado internacional ao elevar a estimativa para a produção de soja dos Estados Unidos em 2026/27.

A safra norte-americana foi projetada em 4,535 bilhões de bushels, equivalentes a 123,4 milhões de toneladas. No relatório anterior, de agosto, a previsão era de 4,519 bilhões de bushels, ou cerca de 123 milhões de toneladas.

A revisão ocorreu mesmo com a produtividade sendo reduzida de 53 para 52,7 bushels por acre.

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O número também ficou acima da expectativa do mercado, que trabalhava com produção de 4,492 bilhões de bushels, equivalentes a aproximadamente 122,3 milhões de toneladas.

Os estoques finais norte-americanos para 2026/27 foram estimados em 310 milhões de bushels, ou 8,44 milhões de toneladas. Em agosto, a projeção era de 320 milhões de bushels, equivalentes a 8,71 milhões de toneladas.

O mercado esperava estoques finais de 289 milhões de bushels, ou 7,86 milhões de toneladas.

Para o esmagamento nos Estados Unidos, o USDA manteve a previsão em 2,78 bilhões de bushels. Já as exportações foram projetadas em 1,685 bilhão de bushels, acima dos 1,66 bilhão de bushels estimados anteriormente.

Produção mundial de soja

No cenário global, o USDA estima uma produção de 442,35 milhões de toneladas de soja em 2026/27, praticamente estável em relação à previsão de agosto, de 442,25 milhões de toneladas.

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Os estoques finais mundiais estão projetados em 124,02 milhões de toneladas, acima da expectativa do mercado, de 123,1 milhões de toneladas.

Para a temporada 2025/26, os estoques finais foram estimados em 125,27 milhões de toneladas.

O USDA também manteve a previsão para a produção brasileira em 2025/26, em 180,5 milhões de toneladas. Para 2026/27, a estimativa segue em 186 milhões de toneladas.

Na Argentina, a projeção permanece em 49,5 milhões de toneladas para 2025/26 e em 50 milhões de toneladas para 2026/27.

China mantém demanda

Do lado da demanda, o USDA manteve as projeções para as importações chinesas de soja.

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Para 2026/27, a expectativa permanece em 115 milhões de toneladas. Para 2025/26, o departamento trabalha com importações de 113 milhões de toneladas, sem alteração em relação ao relatório anterior.

Com o Brasil projetando um crescimento mais moderado da produção e os Estados Unidos apresentando uma estimativa acima do esperado pelo mercado, o cenário para a soja passa a depender da evolução do clima, da produtividade e do comportamento da demanda dos grandes compradores globais ao longo da nova temporada.

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Número de vinícolas cresce quase 5 vezes acima da média nacional em Goiás

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Foto: Emater Goiás

O número de vinícolas aumentou 9,1% em Goiás ao longo de 2025, ritmo quase cinco vezes superior à média brasileira. O estado chegou a 12 estabelecimentos registrados no período, enquanto o país alcançou 965, com avanço de 1,9% em relação ao ano anterior.

Os dados fazem parte do Anuário do Vinho 2026, primeira publicação específica sobre essa cadeia produtiva lançada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

O levantamento mostra que Goiás concentra 70,6% das vinícolas registradas no Centro-Oeste. Das 17 empresas contabilizadas na região, 12 estão no estado, enquanto Mato Grosso e o Distrito Federal têm dois estabelecimentos cada, e Mato Grosso do Sul, um.

Vinhos registrados

As vinícolas goianas somavam 161 vinhos registrados no Mapa em 2025, média de 13,4 por estabelecimento. O levantamento contabiliza produtos formalmente registrados no Sistema Integrado de Produtos e Estabelecimentos Agropecuários (Sipeagro), por isso o número não corresponde necessariamente à quantidade de rótulos disponíveis comercialmente.

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A quantidade de produtos coloca Goiás na sétima posição nacional em número de vinhos registrados. A média brasileira é de 16,8 por estabelecimento.

Dados da Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa) apontam cerca de 116 produtores de uva, 410 hectares cultivados e presença da cultura em 55 municípios de Goiás.

As principais áreas produtoras estão nas regiões Sul, Sudoeste, Centro e Noroeste, em municípios como Goiatuba, Santa Helena de Goiás, Anápolis, Aragoiânia, Bela Vista de Goiás, Hidrolândia e Itaberaí. A produção de uva de mesa ainda predomina, mas a Agência também aponta potencial para ampliação do cultivo destinado à fabricação de sucos e vinhos.

Vinhos de inverno

A presença de Goiás nessa nova geografia da produção brasileira está relacionada também ao desenvolvimento de técnicas que permitiram levar a vitivinicultura a regiões antes pouco associadas ao vinho.

Pesquisa da Embrapa Uva e Vinho identifica no país uma terceira macrorregião produtora, mais recente, baseada nos chamados vinhos de inverno. O modelo começou em Minas Gerais e chegou, entre outros estados, a Goiás.

Nesse sistema, a videira passa por duas podas ao ano, com a colheita deslocada para o inverno, entre junho e agosto. Segundo a Embrapa, essa nova fronteira está presente em áreas de clima subtropical e tropical de altitude, com vinhedos localizados entre 600 e 1.200 metros.

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A técnica altera o calendário tradicional da cultura e permite que a maturação das uvas ocorra em condições diferentes das encontradas na colheita de verão.

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