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3 de agosto de 2026

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Cultivar da Bayer promete reforçar controle de lagartas e daninhas na próxima safra

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A próxima geração de cultivares de soja deve entregar aos produtores uma combinação mais robusta de proteção contra lagartas, maior eficiência no controle de plantas daninhas e ganhos de produtividade. A proposta atende a um cenário em que insetos mais agressivos, invasoras resistentes e custos crescentes exigem decisões rápidas e manejo preciso.

No ritmo da lavoura, o produtor enfrenta pressões que pesam diretamente no bolso e na tomada de decisão. Márcio Santos, CEO da divisão agrícola da Bayer no Brasil e sojicultor, lembra que, na agricultura tropical, o manejo exige atenção simultânea a diferentes frentes. “A gente tem que lidar com planta daninha, com inseto e fungo, doenças de maneira geral”, diz. Ele reforça que o maior desafio hoje é “manejar planta daninha e uma proteção estendida para lagartas”.

Resistência crescente e perdas em escala

As plantas daninhas seguem entre as principais responsáveis pelo aumento da complexidade no campo. Gilmar Picoli, gerente de Regulamentação da Bayer, explica que a evolução das invasoras tem sido rápida e preocupante. “Cada vez mais as plantas se adaptam à dificuldades se tornando mais difíceis de se controlar”, afirma.

Ele cita a vassourinha-de-botão como um caso emblemático da pressão sobre a produtividade: “três plantas por metro quadrado pode causar aproximadamente 14 sacas de prejuízos para o agricultor”. Em grandes áreas, reforça, o cenário se torna ainda mais agressivo, já que, conforme relata, “eu não tenho só uma planta daninha na minha área, eu tenho duas, três… Dependendo da espécie o cenário vai ser mais agressivo e mais complexo”.

As lagartas também continuam no centro das preocupações. O pesquisador entomologista da companhia Renato Horikoshi destaca que elas interferem desde o estabelecimento inicial da cultura até o enchimento de grãos. “Essas condições podem reduzir a produtividade em até 30%, 40% dependendo do nível de desfolha”, explica à reportagem do Canal Rural Mato Grosso. Ele ressalta que as lagartas são um fator “super importante dentro do manejo que o agricultor precisa ter no dia a dia”.

Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Nova fase da tecnologia Intacta

Na busca por soluções que ampliem a proteção da lavoura, produtores e técnicos conheceram, no centro de pesquisa da Bayer em Paulínia (SP), a próxima geração da plataforma Intacta. A tecnologia combina múltiplas proteínas Bt e chega com tolerância ampliada a herbicidas, oferecendo ao produtor um pacote mais completo de manejo.

Picoli detalha que se trata de “uma biotecnologia que é tolerante a cinco herbicidas: Glifosato, Glufosinato, 2-4D, Dicamba e mesotriona”. A proposta, segundo ele, facilita o controle de plantas que “só têm trazido complexidade”, permitindo um manejo “sob medida, customizado, racional e sustentável”.

Ele complementa que o processo de yield boost conecta a tecnologia ao germoplasma, possibilitando variedades “mais rápidas além de um alto potencial produtivo”.

Horikoshi acrescenta também que a nova geração oferecerá proteção contra “nove lagartas”, reforçando a segurança do produtor ao buscar altos tetos produtivos. A expectativa é de maior eficiência mesmo sob alta pressão de pragas.

A avaliação positiva também veio de consultores. Jairo dos Santos, diretor técnico da Agrodinâmica, afirma que “a pesquisa ela é extremamente importante de nós para o produtor e do produtor para nós também”. Ele destaca que o que foi apresentado permitirá ser “muito mais efetivo, muito mais rentável”, reforçando o papel da troca de conhecimento como motor para avanços no campo.

Márcio Santos, CEO da divisão agrícola da Bayer no Brasil, ressalta que a evolução da plataforma reconhece o manejo adequado adotado pelos produtores, base que sustenta a chegada de novas ferramentas. “Então hoje na Intacta 5+ nós temos o que a gente vem trazendo lá de trás mais os benefícios da nova tecnologia”, afirma ao Canal Rural Mato Grosso.

Entrada gradual no campo

As estimativas apresentadas pelos pesquisadores indicam que a integração entre genética, biotecnologia e manejo integrado deve trazer ganhos mais consistentes já a partir da safra 2027/28.

O diretor comercial da Bayer, Fábio Passos, explica que, na safra 2026/27, áreas de produtores receberão plantios controlados. “Vão ser mais de 500 campos onde os produtores já vão ter acesso à tecnologia ainda com esse pré-portfólio”, afirma. Em 2027/28, será a primeira vez que variedades aptas ao uso comercial chegarão ao mercado. E a expectativa é ampliar o portfólio em 2028/29, incluindo “mais de 15 marcas comerciais”.


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Colheita do milho deve ser encerrada nos próximos 15 dias, estima Imea

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

A colheita do milho segunda safra 2025/26 em Mato Grosso deve encerrar nos próximos 15 dias. A estimativa é do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) diante dos trabalhos observados na região Sudeste que se encontram em 85,61%. Até o dia 31 de julho as máquinas haviam passado por 96,77% da área semeada no estado.

Na semana o avanço da média estadual foi de 6,11 pontos percentuais, sendo a região Sudeste com o maior dentre as que cultivam o cereal. Por lá, o progresso semanal foi de 18,02 pontos percentuais.

A analista do Imea, Milena Bezerra, explica que o desempenho observado na variação semanal no Sudeste do estado foi impulsionado pela intensificação das operações em áreas que atingiram o ponto ideal para a retirada dos grãos.

“Nessas áreas remanescentes, muitos produtores aguardam a redução da umidade dos grãos para facilitar a armazenagem. Nas próximas semanas, a expectativa é de encerramento da colheita na maior parte do estado, com exceção da região Sudeste, que deve demandar um pouco mais de tempo”, pontua a analista.

As regiões mais próximas da conclusão são a Médio-Norte com 99,67%, Norte com 99,47%, Nordeste 98,75% e Noroeste 98,01%. Caso as condições climáticas não atrapalhem, também devem encerrar os trabalhos nos próximos dias o Oeste (96,32%) e Centro-Sul (96,27%).

Em comparação a colheita da temporada 2024/25, os trabalhos da atual estão 0,39 ponto percentual à frente, contudo atrás da média das últimas cinco safras de 97,11%.


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Quando o preço cai na roça, quanto tempo leva para chegar ao seu prato?

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Foto: Licia Rubinstein/Agência IBGE Notícias

Quem acompanha o mercado todos os dias acaba percebendo algumas coisas que passam despercebidas para quem está olhando somente o preço no supermercado. Uma delas sempre me chamou a atenção. Quando o preço de determinado alimento começa a subir na origem, a transmissão dessa alta costuma ser bastante rápida.

Às vezes o produto nem subiu tanto ainda, mas a notícia de que poderá faltar, de que a safra será menor ou de que os preços estão reagindo já começa a percorrer a cadeia. O atacado reage, compradores se movimentam e pouco tempo depois o consumidor percebe a mudança na gôndola.

Agora faça o caminho contrário. Quando o preço cai na roça, principalmente quando cai bastante, essa velocidade parece ser outra. E não estou dizendo aqui que necessariamente alguém está ganhando mais ou fazendo algo errado. Seria simplificar demais uma cadeia que envolve transporte, classificação, embalagem, impostos, estoques comprados anteriormente, perdas, custo financeiro, distribuição e margem. Tudo isso existe e precisa ser levado em consideração.

Mas existe uma pergunta que considero absolutamente justa e que nós, consumidores, fazemos pouco: se caiu na roça, quanto tempo demora para cair no supermercado?

Eu acompanho isso muito de perto no Feijão e talvez por isso essa questão tenha ficado ainda mais evidente para mim. Há momentos em que o Feijão perde R$ 50, R$ 80 ou até mais por saca em um período relativamente curto na origem. O produtor sabe. O comprador sabe. Quem acompanha o mercado sabe.

Mas será que o consumidor percebe essa queda na mesma intensidade e, principalmente, em quanto tempo? É justamente isso que precisamos começar a medir.

E não somente no Feijão. Também Arroz, carne bovina, carne suína, frango, ovos, verduras e legumes. No fundo estamos falando daquilo que milhões de brasileiros conhecem muito bem: o nosso prato feito. Imagine acompanhar quanto custa preparar praticamente o mesmo prato em Curitiba, São Paulo, Belo Horizonte e Recife. Não uma vez por ano. Toda semana.

Quanto custa o arroz? Quanto custa o Feijão? E a carne? O frango? O ovo? Na semana seguinte fazemos novamente a mesma conta e, em paralelo, acompanhamos o que está acontecendo no campo.

Com o passar do tempo teremos condições de enxergar algo muito mais interessante do que simplesmente dizer que o alimento está caro ou barato. Poderemos começar a medir quanto tempo uma alta ou uma queda leva para sair da origem e chegar efetivamente ao consumidor. Isso pode nos trazer algumas surpresas. Pode inclusive mostrar que algumas percepções que temos hoje estão erradas.

Talvez determinados alimentos transmitam rapidamente tanto a alta quanto a queda. Outros podem demorar semanas. Em alguns casos, o problema poderá estar no estoque comprado anteriormente. Em outros, na logística. E poderá haver situações em que simplesmente não encontraremos uma explicação tão evidente. Mas teremos números para discutir. E isso é muito melhor do que trabalhar com impressão.

Há ainda outro lado dessa história que considero importante. Muitas vezes o produtor vê seu produto cair fortemente de preço e, pouco depois, escuta alguém dizer que aquele mesmo alimento continua caro no supermercado. Imagine a sensação de quem está recebendo menos na roça e sendo apontado, ainda que indiretamente, como responsável pela comida cara. Precisamos conseguir enxergar melhor esse caminho.

Hoje temos tecnologia e informação para fazer isso. Os supermercados publicam suas ofertas, temos preços agrícolas sendo divulgados diariamente, dados oficiais de produção, inflação, exportação, abastecimento e clima. Dá para começar a juntar essas pontas.

Por isso, estamos estudando criar um acompanhamento do custo do prato feito em algumas capitais brasileiras. Começaremos pequeno e com cuidado. Não quero apresentar uma verdade depois de duas ou três semanas de números. Mercado não funciona assim. Precisamos construir uma série, observar, comparar e aprender com ela.

Mas tenho uma convicção: o consumidor precisa acompanhar mais de perto o preço daquilo que coloca no carrinho.

Não somente quando sobe, mas principalmente quando cai. Porque talvez uma das perguntas mais interessantes sobre o preço dos alimentos não seja apenas quanto estamos pagando hoje. É outra: se já caiu lá na roça, quando vai cair aqui no meu prato?

*Marcelo Lüders é presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), e atua na promoção do feijão brasileiro no mercado interno e internacional


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Colheita de café no Cerrado Mineiro chega a 66%, mas chuva atrasa ritmo

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Foto: Cléverso Beje/Faep

A colheita de café arábica na área de atuação da Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer), no Cerrado Mineiro, chegou a 66% até 31 de julho. O índice representa um leve atraso em relação ao mesmo período do ano passado, quando os trabalhos já alcançavam 70%.

Segundo boletim da cooperativa, 46% do volume colhido já passou pelo beneficiamento, com rendimento médio de 500 litros por saca beneficiada de 60 quilos.

O avanço da colheita perdeu força na última semana por causa das chuvas registradas entre os dias 24 e 25 de julho. Em algumas áreas, os volumes ficaram acima do previsto e interromperam temporariamente parte das operações no campo.

De acordo com os técnicos da Expocacer, a umidade do solo dificultou principalmente a colheita mecanizada, o recolhimento do café de chão e o transporte da produção. Em diversas propriedades, foi necessário suspender o uso de máquinas até que as condições voltassem a ser favoráveis.

Além disso, as rajadas de vento durante as chuvas aumentaram a queda de frutos secos que ainda estavam nas plantas, elevando o volume de café depositado no solo.

Qualidade exige atenção

A cooperativa também aponta aumento no percentual de catação, que segue acima de 15% de forma geral. As cargas continuam apresentando maior presença de grãos verdes e de café de chão, fatores que podem comprometer a qualidade física dos lotes e da bebida.

Por isso, a recomendação é redobrar os cuidados nas etapas de beneficiamento e classificação do café.

Clima deve favorecer retomada

Após a passagem da instabilidade, o tempo voltou a ficar firme no Cerrado Mineiro. As temperaturas mais elevadas ajudaram na secagem dos frutos e na recuperação das condições de tráfego nas lavouras, permitindo a retomada gradual da colheita.

Para os próximos dias, a previsão é de continuidade do tempo seco, sem chuvas significativas até 5 de agosto. Esse cenário deve favorecer o avanço dos trabalhos em toda a região.

Os modelos meteorológicos, no entanto, indicam queda gradual das temperaturas ao longo da semana, com mínimas próximas de 8°C. A orientação da Expocacer é que os produtores acompanhem as atualizações da previsão do tempo para planejar as atividades no campo.

A cooperativa reúne mais de 800 cafeicultores e projeta uma produção de 2,8 milhões de sacas de café arábica em sua área de atuação em 2026.

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