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Mariangela Hungria receberá o “Nobel da Agricultura” nos EUA

A pesquisadora Mariangela Hungria, da Embrapa Soja, será homenageada nesta quarta-feira (23) com o Prêmio Mundial da Alimentação (World Food Prize – WFP), conhecido como o “Nobel da Agricultura”. A cerimônia acontece às 21h (horário de Brasília), no Capitólio de Iowa, em Des Moines (EUA), e poderá ser acompanhada pelo site da Fundação WFP. O prêmio reconhece o impacto das pesquisas da cientista brasileira no desenvolvimento de insumos biológicos e na promoção de uma agricultura mais sustentável.
“Recebo este prêmio com enorme emoção, mas ele também pertence a todos que contribuíram com essa trajetória: colegas, alunos e à própria Embrapa, que acreditou por quatro décadas nas pesquisas com biológicos”, afirma Mariangela. “Hoje, o Brasil é líder mundial no uso de bioinsumos na agricultura”, reforça
Ciência e sustentabilidade
Com mais de 40 anos de pesquisa em microbiologia do solo, Mariangela é responsável por mais de 30 tecnologias voltadas à substituição de fertilizantes químicos por microrganismos que fixam nitrogênio, produzem fitormônios e solubilizam nutrientes. Um dos destaques de sua carreira é a coinoculação da soja, que combina bactérias fixadoras de nitrogênio (Bradyrhizobium) e promotoras de crescimento (Azospirillum brasilense).
A tecnologia já é adotada em cerca de 35% da área cultivada de soja e gerou, apenas em 2024, economia de US$ 25 bilhões e redução de 230 milhões de toneladas de CO₂ equivalentes. Mariangela também lidera estudos aplicados a feijão, milho, trigo e pastagens, ampliando o uso de bioinsumos e reduzindo custos e emissões na agricultura brasileira.
Reconhecimento internacional
“É uma honra ter uma pesquisadora como Mariangela na equipe da Embrapa Soja. Sua trajetória coloca o Brasil como referência mundial em sustentabilidade agrícola”, destaca Alexandre Nepomuceno, chefe-geral da Embrapa Soja.
“Ver uma mulher pesquisadora reconhecida com o Prêmio Mundial da Alimentação é motivo de orgulho e inspiração. O trabalho da Mariangela reforça o papel da ciência brasileira na construção de uma agricultura mais sustentável”, completa Silvia Massruhá, presidente da Embrapa.
Trajetória e legado da pesquisadora da Embrapa Soja
Nascida em São Paulo em 1958, Mariangela Hungria iniciou sua carreira na Embrapa em 1982 e hoje atua na Embrapa Soja, em Londrina (PR). Doutora em Ciência do Solo, ela acumula mais de 500 publicações científicas e já orientou mais de 200 alunos.
A pesquisadora é membro da Academia Brasileira de Ciências e da Academia Mundial de Ciências, além de figurar desde 2020 entre os 100 mil cientistas mais influentes do mundo, segundo a Universidade de Stanford (EUA).
Entre os reconhecimentos recentes estão o Prêmio Mulheres e Ciência 2025 (CNPq) e o título de primeira colocada brasileira em Fitotecnia e Microbiologia, segundo o ranking Research.com.
“Sempre acreditei na vida no solo e em uma agricultura altamente produtiva que não prejudica o meio ambiente. Essa coerência me trouxe credibilidade científica e fortes conexões com o setor agrícola”, conclui a pesquisadora.
Sobre o prêmio
A Fundação World Food Prize, responsável pelo Prêmio Mundial da Alimentação (WFP), foi criada pelo agrônomo e biólogo Norman E. Borlaug, vencedor do Prêmio Nobel da Paz em 1970 e reconhecido como o “pai da Revolução Verde”. Instituído em 1986 com o apoio da General Foods Corporation, o WFP é concedido anualmente a personalidades que contribuem para o avanço da qualidade e da disponibilidade de alimentos no mundo.
Três brasileiros já foram contemplados com o prêmio. Em 2006, os agrônomos Edson Lobato e Alysson Paulinelli dividiram a honraria com o americano A. Colin McClung, pelo trabalho pioneiro no desenvolvimento agrícola do Cerrado. Já em 2011, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu o prêmio ao lado de John Kufuor, de Gana, em reconhecimento às políticas de combate à fome implementadas durante seus mandatos.
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Fungo raro pode ajudar a combater praga que ameaça até 70% da produção de algodão

Uma descoberta feita por pesquisadores no Pantanal pode representar um avanço importante no combate a uma das principais pragas do algodão. Um fungo com potencial para controlar o bicudo do algodoeiro foi identificado durante uma expedição e pode se tornar uma alternativa biológica ao uso de defensivos químicos.
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O bicudo é considerado uma das pragas mais prejudiciais à cultura, com capacidade de causar perdas de até 70% na produtividade.
O inseto ataca diretamente as estruturas reprodutivas da planta, como flores e maçãs, onde se alimenta, se desenvolve e deposita ovos, comprometendo tanto a produção quanto a qualidade da fibra.
“Então, todo o ciclo de vida dele vai ocorrer ou dentro de flores ou dentro das maçãs. Esse seu desenvolvimento e alimentação pode ocasionar entre 70% e 100% de perda de produtividade na cultura e também a perda de qualidade da fibra no final da colheita”, explica a engenheira agrônoma e coordenadora de portfólio da Biotrop, Lauany Cavalcante.
A descoberta ocorreu quando pesquisadores encontraram uma maçã de algodão com o inseto completamente colonizado por um fungo. A partir disso, foi identificado um isolado do gênero Cordyceps, que passou a ser estudado como potencial agente de controle biológico.
Em laboratório, o fungo é multiplicado por meio de um processo de fermentação, que acelera seu desenvolvimento. Quando aplicado no campo, o microrganismo germina sobre o inseto e passa a se alimentar de seu conteúdo interno, levando à morte da praga e interrompendo seu ciclo.
“Nesse processo de germinação, o cordíceps vai se alimentar de todo o conteúdo interno dos insetos. E após se alimentar de todo o conteúdo interno, ele vai entender que ele precisa sobreviver fora fora dali”, explica Lauany Cavalcante.
O produto está em fase final de registro e pode reduzir o uso de defensivos químicos no campo. “Faltava uma solução que preenchesse uma lacuna, que permitisse o manejo do bicudo com uma carga química menor, com mais eficiência, com uma solução biológica que traga rentabilidade e controle para o produtor”, destaca o presidente da Biotrop, Jonas Hipolito.
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Mapa cria grupo de trabalho para avançar na sustentabilidade da carne bovina

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) instituiu, nesta quinta-feira (26), por meio da Portaria nº 898, o Grupo de Trabalho (GT) Carne Bovina Sustentável – Cadeia de Fornecimento. A iniciativa tem como finalidade avaliar e propor práticas agropecuárias sustentáveis em toda a cadeia da carne bovina.
O GT atuará na formulação de propostas voltadas à promoção da transparência, à integração de informações públicas e privadas, ao uso de bases oficiais de dados e ao desenvolvimento e aplicação de ferramentas de rastreabilidade. A proposta é ampliar o controle e a eficiência da cadeia produtiva, alinhando sustentabilidade e competitividade.
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O grupo é composto por representantes de quatro áreas do Mapa: Secretaria-Executiva, Secretaria de Defesa Agropecuária, Secretaria de Desenvolvimento Rural e Secretaria de Política Agrícola, além de instituições como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo).
Entre as atribuições do GT estão identificar, analisar e avaliar critérios, parâmetros e prazos de políticas de rastreabilidade e de práticas sustentáveis; propor a harmonização entre iniciativas do Mapa e demais parâmetros técnicos; promover a interlocução entre governo, setor produtivo e financeiro; e desenvolver soluções financeiras que aumentem a eficiência e a sustentabilidade do setor.
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Brasil cria rota para evitar Estreito de Ormuz e garantir envio de exportações

Na busca por alternativas diante das instabilidades no Estreito de Ormuz, o Ministério da Agricultura e Pecuária firmou um acordo com a Turquia para garantir o envio das exportações agropecuárias brasileiras por uma nova rota. A pasta informou que obteve um certificado sanitário que permite o trânsito, especialmente de produtos de origem animal, além do armazenamento temporário das cargas em território turco antes de seguirem ao destino final. Na prática, as mercadorias passam a evitar o Golfo Pérsico.
Segundo o comentarista do Canal Rural, Miguel Daoud, a alternativa é viável, mas não sem custos. “Não há dúvida de que é uma alternativa. Agora, mais barato não é”, afirmou. Ele lembra que os países árabes dependem de cerca de 90% dos alimentos que consomem, com forte demanda por carne bovina e de frango, o que impõe regras rigorosas desde o processamento até o transporte.
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Com a paralisação da rota tradicional pelo Golfo de Omã e pelo Estreito de Ormuz, a nova logística passa a combinar transporte marítimo e terrestre. As cargas seguem por navio até a Turquia e, depois, são distribuídas por rodovias ou ferrovias. Nesse processo, os produtos precisam permanecer em território turco, em áreas específicas, onde recebem certificação sanitária. “A Turquia daria o certificado sanitário e garantiria a qualidade dentro dos critérios exigidos pelos compradores”, explicou.
A escolha do país também está ligada ao perfil religioso. Com cerca de 90% da população muçulmana, a Turquia atende às exigências dos mercados importadores. Ainda assim, o impacto nos custos é significativo. “O seguro para aquela região já subiu em torno de 10 vezes”, destacou Daoud, ao ressaltar que, em alguns casos, seguradoras já evitam operar na rota tradicional.
Além do seguro, o frete também é pressionado pelo aumento do combustível e pela maior complexidade logística. Segundo o analista, o custo total das operações pode subir perto de 300%. Mesmo assim, a demanda segue firme. “Os países árabes precisam da comida”, disse, destacando que exportadores e importadores devem dividir esse custo adicional.
A nova rota marítima parte da costa brasileira, sobe pelo Atlântico Norte, entra pelo Estreito de Gibraltar, cruza o Mar Mediterrâneo e chega à Turquia. A partir daí, a distribuição segue por via terrestre, com envio por trem ou caminhão para países do Oriente Médio. As cargas podem, inclusive, permanecer armazenadas em contêineres refrigerados no território turco antes da redistribuição.
Na etapa terrestre, a Turquia passa a atuar como ponto de distribuição logística. A partir do país, os produtos seguem por ferrovia ou rodovia, com possibilidade de envio ao Irã por trem, além de outros destinos na região. Essa estrutura garante a continuidade do fluxo de proteínas como carne bovina e de frango.
Com a certificação sanitária concedida pela Turquia, há a garantia de que a carga brasileira mantém os padrões exigidos pelos importadores, desde a saída dos portos até a entrega final, atendendo inclusive critérios específicos como os do abate halal.
Na prática, a operação passa a combinar transporte marítimo e terrestre, com apoio logístico em território turco. Apesar de viabilizar o comércio, o modelo eleva significativamente os custos. “É a opção disponível. Não tem outra alternativa. Vai ficar mais caro, mas é uma solução”, resume Miguel Daoud.
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