Sustentabilidade
Época de semeadura da soja nos Estados Unidos – MAIS SOJA

A produção de soja nos Estados Unidos (EUA) estende-se, em latitude, desde o norte da Dakota do Norte (49°N) até a Louisiana (30°N) e, em longitude, de Nebraska (104°O) até a Pensilvânia (76°O). De modo geral, o período ideal para a semeadura da soja nessa região compreende a última quinzena de abril e a primeira semana de maio. Nessa janela, o estabelecimento da cultura ocorre de forma mais rápida e uniforme, fator crucial para a consolidação do potencial produtivo (Edreira et al., 2017; Morris et al., 2021).
Segundo Mourtzinis et al. (2019), os produtores americanos semeiam, em média, com 12 dias de atraso em relação à data ótima. Apenas o ajuste dessa janela de semeadura poderia resultar em um incremento de 10% na produtividade média dos EUA. Corroborando essa tese, uma análise de 3.126 lavouras de soja americanas aponta que áreas de alta produtividade são semeadas, em média, sete dias antes das de baixo rendimento, apresentando produtividades de 4,4 t ha-1 e 3,7 t ha-1, respectivamente (Edreira et al., 2017).
A semeadura precoce nos Estados Unidos, geralmente realizada de 20 a abril, tende a resultar em maiores produtividades. Isso ocorre porque o ciclo da cultura se beneficia de uma estação de crescimento mais longa, permitindo o desenvolvimento de um maior número de nós e favorecendo a coincidência entre o início da fase reprodutiva e o período de maior disponibilidade de radiação solar, próximo ao solstício de verão no hemisfério Norte (21 de junho). A redução da produtividade associada à semeadura tardia varia de 1 a 33 kg ha-1 dia-1, conforme o ambiente e os respectivos padrões climáticos sazonais (Figura 1).
Figura 1. Área de cultivo de soja nos Estados Unidos com a data ótima para a semeadura de soja e perda diária de produtividade em semeaduras após a data ótima nos Estados Unidos em ambientes de sequeiro (exceto na região de Nebraska e parte do Kansas, que são lavouras majoritariamente irrigadas).
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Referências:
EDREIRA, J. I. R. et al. Assessing causes of yield gaps in agricultural areas with diversity in climate and soils. Agricultural and forest meteorology, v. 247, p. 170-180, 2017. Disponível em: < https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0168192317302265>, acesso: 14/02/2026
MORRIS, T. C. et al. Maximizing soybean yield by understanding planting date, maturity group, and seeding rate interactions in North Carolina. Crop Science, v. 61, n. 6, p. 4365-4382, 2021. Disponível em: < https://acsess.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/csc2.20603 > , acesso: 14/02/2026

Sustentabilidade
Milho brasileiro atinge novo patamar de produtividade e supera 369 sacas por hectare – MAIS SOJA

Os resultados do Concurso Getap Verão 2026 confirmaram, mais uma vez, o avanço da tecnologia e da gestão agrícola na cultura do milho brasileiro. Com produtividades recordes e participação crescente de produtores de diferentes regiões, a edição deste ano consolidou o potencial produtivo do país e evidenciou a disseminação de conhecimento técnico e inovação no campo.
Segundo Gustavo Capanema, coordenador técnico do Grupo Tático de Produtividade do Milho (Getap), o desempenho obtido nesta safra reforça a evolução contínua do grão em diferentes ambientes produtivos. “Em resumo, o Getap Verão deste ano foi um grande sucesso em termos de resultados, adesão, tecnologias e desempenho geral. Tivemos recordes quebrados e a tendência é manter esse crescimento. Cada ano traz um desafio diferente, seja em relação ao clima, à pressão de pragas ou a outras intempéries. Ainda assim, o produtor mostra que está sempre preparado para enfrentá-los”, destaca.
Resultados regionais
Na Região Oeste, onde a área destinada ao milho verão é menor em comparação a outras áreas produtoras, o concurso demonstrou que o potencial produtivo continua elevado. O primeiro lugar na categoria sequeiro ficou com Thomas David Peixoto, de Costa Rica (MS), que alcançou produtividade de 208,28 sacas por hectare.
Já na Região Norte, a Bahia voltou a se destacar nacionalmente. Marcelino Flores de Oliveira, de Formosa do Rio Preto, liderou a categoria sequeiro, com 315,37 sacas por hectare. Na sequência, aparece João Antônio Gorgen, também de Formosa do Rio Preto, com duas marcas: 274,25 e 272,44 sc/ha. Completam a lista de vencedores o agricultor Johnny Alberto Quesinski, de Luís Eduardo Magalhães (258,91 sc/ha), Olmiro Flores de Oliveira, de Riachão das Neves (257,51 sc/ha), e Eduardo Faccioni, de Correntina (234,05 sc/ha).
Conforme analisa Capanema, o Norte deu sequência ao desempenho registrado no ano passado, com resultados surpreendentes, também acima de 300 sc/ha. “Isso demonstra a força baiana e de outras regiões. Ao observarmos o top 5 da Bahia no sequeiro, vemos produtividades elevadas, o que ficou muito positivo”, ressalta.
A força de Minas Gerais ficou evidente nos resultados da Região Centro. Na categoria irrigado, a liderança foi da Fazenda Nacional AgroFarm, de São Gonçalo do Sapucaí, com 289,55 sc/ha. Também figuraram entre os destaques Olindo Cesar Corso, de Bambuí (287,64 sc/ha), Alexandre Avelar, de Três Corações (280,89 sc/ha), Antônio Roberto Bergamasco, de Perdizes (267,01 sc/ha), e Matheus Miaki, de Patrocínio, com dois resultados entre os seis melhores colocados, alcançando 261,69 e 237,54 sc/ha.
No Centro, categoria sequeiro, Marcelo Sanfelice, de Ibiá (MG), conquistou o primeiro lugar, com 307,71 sc/ha. Diego Vettori, de Campanha, ficou em segundo, com 299,13 sc/ha, seguido por Marcus Veiga e Carlos Fábio Rivelli, ambos de São João del Rei, com 282,73 e 281,81 sc/ha, respectivamente. José Marcio Piassa e Família, de Araguari, registrou 279,36 sc/ha, enquanto Vander Andrade, de Luminárias, fechou o ranking dos seis melhores com 278,79 sc/ha.
“Na Região Centro, tanto no sequeiro quanto no irrigado, os resultados mostraram mais uma vez que não apenas o Sul do estado se destacou, mas também o Triângulo Mineiro e o Alto Paranaíba. Foram produtividades acima de 300 sacas e médias próximas desse patamar nas duas categorias, números realmente impressionantes, que reforçam a importância da regionalização”, afirma o coordenador técnico.
Maiores médias
Os maiores números do concurso, entretanto, vieram da Região Sul. Na categoria irrigado, a Agrícola Binsfeld, de Palmeira das Missões (RS), liderou com 359,61 sc/ha. Também integraram o ranking Thailo Bevilaqua, de Santa Bárbara do Sul (357,63 sc/ha), Avelino Menegaz, de Jacutinga (338,34 sc/ha), Valdir Fantini, de Vila Lângaro (334,07 sc/ha), Thales Antônio Scalco, de Campo Novo (331,09 sc/ha), e Raul von Mühlen, de Dois Irmãos das Missões (319,22 sc/ha).
No Sul nacional, na categoria sequeiro, Eduardo Pletz, de Guarapuava (PR), alcançou o maior resultado de todo o concurso, com expressivas 369,92 sc/ha. O ranking foi completado pelo Grupo Reinhofer, de Reserva do Iguaçu (362,82 sc/ha), Agro Mallon, de Canoinhas (360,55 sc/ha), Karl Eduard Milla, de Pinhão (354,62 sc/ha), Ralf Karly, de Candói (353,23 sc/ha), e Ricardo Arthur Leh, de Guarapuava (348,97 sc/ha). “Na Região Sul, como já divulgado anteriormente, tivemos recordes expressivos, com o top 10 das categorias superando os resultados do ano passado e alcançando médias excelentes”, diz Capanema.
Para o coordenador técnico, os resultados obtidos em todas as regiões demonstram que o acesso à informação e às tecnologias de produção está cada vez mais democratizado no agronegócio brasileiro. “Temos milho sendo produzido praticamente em todo o Brasil, com tetos produtivos altíssimos. Isso mostra que a tecnologia das empresas, dos técnicos, dos pesquisadores e de todos os profissionais envolvidos está sendo propagada e disseminada por todo o país”, cita o coordenador.
Além disso, para ele, independentemente da região em que o produtor esteja, é possível ter acesso a informações e ferramentas que permitem alcançar excelentes colheitas. “O produtor colheu os louros do seu trabalho e já começa a se preparar para o próximo ano, mais uma vez buscando produtividades cada vez mais elevadas”, conclui.
Fonte: Assessoria de imprensa

Sustentabilidade
Agro contesta impacto fiscal da renegociação de dívidas – MAIS SOJA

Proposta aprovada preserva autonomia do Executivo
Com a aprovação do Projeto de Lei 5.122/2023 pelo Senado, repercutida pelo Portal SNA, o governo tem divulgado previsões pessimistas sobre o suposto impacto que a renegociação das dívidas rurais teria sobre as contas públicas. Essa é avaliação da cadeia produtiva e das bancadas parlamentares de representação do setor. Um levantamento feito pela Frente Parlamentar da Agropecuária, com as mesmas premissas numéricas das autoridades, mostra que o custeio das operações de renegociação não deve passar de R$ 65 bilhões nos próximos 13 anos.
Os problemas com as contas apresentadas pela Fazenda começam na estimativa da dívida rural passível de ser renegociada. Conforme dados do Banco Central, a carteira de crédito rural em abril deste ano foi de R$ 895,2 bilhões. Além desse valor, há outros R$ 274 bilhões que correspondem a CPRs (Cédula de Produto Rural) no mercado privado (não bancário) e R$ 57 bilhões em CPRs que estão no mercado financeiro, mas não no crédito rural. Ao todo, a carteira de crédito agropecuário soma R$ 1,2 trilhão.
De acordo com o levantamento da FPA, cerca de R$ 256 bilhões representariam a carteira mais problemática, incluindo contas em atraso, entre as inadimplentes, renegociadas e prorrogadas. Esse montante é tratado como atípico, já que é fruto dos choques causados por problemas climáticos e tensões geopolíticas, principalmente, entre os anos de 2024 e 2026.
A renegociação desse montante não ocorrerá de forma automática. Os critérios para participar do programa garantem que nem toda dívida entre na renegociação, como a obrigação de no mínimo duas perdas de safra entre 2019 e 2025 e prejuízo de no mínimo 30% da renda bruta esperada para essas safras. Um laudo técnico será exigido, conforme previsto no texto.
Não há imposição de valores ou risco ao superávit primário
Além do cálculo apresentado pela FPA, a bancada tem criticado a omissão do governo ao não considerar que o projeto de lei é de caráter autorizativo. Isto quer dizer que não há imposição de um limite a ser disponibilizado para renegociar as dívidas. Na redação do projeto, está previsto que o Executivo é quem irá calibrar o tamanho da linha especial, preservando autonomia do governo para acomodar possíveis despesas orçamentárias.
Outra discussão que a pasta da Fazenda coloca é de que haveria impacto fiscal. Porém, na própria nota de divulgação dos valores, o Ministério reconhece que não haverá impacto no superávit primário com o uso dos recursos do Fundo Social. Também estão nas fontes os fundos constitucionais do Centro-Oeste (FCO), do Nordeste (FNE) e do Norte (FNO), além do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé). Na avaliação da FPA, o uso dos fundos constitucionais minimiza o custo e garante que a Lei de Responsabilidade Fiscal seja seguida.
Preocupação com seguro rural, Plano Safra e inflação de alimentos
No levantamento, a bancada demonstra que o atual cenário de endividamento rural também é consequência da omissão do governo em relação ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). No último ano, a área segurada pelo programa correspondeu a apenas 3,27% da área plantada no país. Para os parlamentares, se a política de seguro rural estivesse devidamente estruturada, o custo para prevenir perdas seria uma fração do valor hoje discutido em medidas de renegociação.
O alerta se torna ainda mais grave diante do bloqueio de R$ 461,7 milhões no orçamento do PSR, anunciado na última semana, o que reduz a capacidade de proteção dos produtores justamente em um momento de crise no campo. O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (Republicanos – PR), declarou que pretende levar os cálculos aos líderes partidários e ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos – PB), para votar a matéria que permitirá, se aprovada, o acesso dos inadimplentes ao Plano Safra 2026/2027.
O temor é de que o quadro de endividamento acabe afetando ainda mais a tomada de crédito do produtor rural para a próxima safra, o que impactaria na produção e, consequentemente, na inflação de alimentos.
Por Marcelo Sá – jornalista/editor e produtor literário (MTb 13.9290) marcelosa@sna.agr.br
Com informações do Assessoria FPA (Agradecimento a Danielle Arouche)
Dados complementares: Ministérios da Fazenda e da Agricultura
Sustentabilidade
Preços do arroz cedem após meses de alta – MAIS SOJA

Os preços do arroz voltaram a recuar após dois meses consecutivos de valorização, encerrando o dia 11 de junho em R$ 59,27 por saca de 50 kg, o que representa queda de 5% em relação ao início de maio.
Com a colheita da safra 2025/26 já finalizada, o mercado passou a concentrar esforços na comercialização. No entanto, o comportamento dos agentes tem sido distinto. Parte dos produtores permanece retraída nas vendas, diante de preços considerados insuficientes para cobrir os custos de produção. Outra parte ampliou a oferta, motivada por necessidade de caixa e cumprimento de obrigações financeiras.
Do lado da indústria, o movimento tem sido de cautela, com compras pontuais e baixo interesse na formação de estoques, refletindo a desaceleração das vendas de arroz beneficiado no varejo. Ao mesmo tempo, estoques considerados mais baixos em alguns elos da cadeia alimentam a expectativa de eventual retomada das compras para recomposição.
A oferta disponível também foi influenciada pela realização de leilões da Conab entre maio e o início de junho, por meio dos mecanismos de PEP e PEPRO. As operações contribuíram para o escoamento do excedente, embora de forma insuficiente para reequilibrar o mercado, ainda marcado por pressão de sobreoferta.
No front externo, as exportações, alternativa relevante para o escoamento da produção, apresentaram recuperação após a queda expressiva observada em abril. Em maio, os embarques somaram 141 mil toneladas, acima do registrado em 2025, mas ainda abaixo da média dos últimos cinco anos. O início de junho também registrou bons volumes, favorecidos pela valorização do dólar.
Fonte: Assessoria de imprensa
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