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Clima irregular e custos elevados travam o ritmo da soja em MT

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Na região sudeste de Mato Grosso, o céu ainda dita o ritmo do plantio da soja. Por lá, diante das chuvas irregulares, é possível observar produtores com 40% da área destinada semeada e outros que ainda aguardam a unidade ideal para ligar as plantadeiras, o que leva o campo a viver um início de temporada marcado por cautela e expectativa, tornando a safra um teste de paciência.

A situação de chuvas irregulares preocupa os produtores da região ainda mais diante dos custos elevados e das margens apertadas.

Com 4,8 mil hectares previstos para a soja nesta temporada, o produtor Fábio Busanello semeou apenas 25% da extensão na propriedade em Primavera do Leste. Segundo ele, as máquinas aguardam as chuvas para dar continuidade aos trabalhos de semeadura.

Na avaliação de Fábio, a cautela se faz necessária, pois os custos seguem elevados nos últimos anos, principalmente as taxas de juros, o que vem deixando a agricultura “cada vez mais curta para erros”.

“Redobramos a atenção. Todo dia vendo a previsão do tempo, sempre bem apurado na escolha de tecnologias e escolhas de materiais, na tomada de decisões no geral. Então está na ponta da caneta realmente”, frisa ao Patrulheiro Agro.

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Áreas de sequeiro ainda engatinham

A “Grande Primavera do Leste”, que reúne 11 municípios, deve semear nesta temporada 2025/26 1,6 milhão de hectares de soja, conforme o Sindicato Rural de Primavera do Leste.

Carlos Donin, gerente do Sindicato Rural do município, pontua que são “raras” as áreas de sequeiro que tiveram chuva o suficiente para permitir a entrada das máquinas nas lavouras. “Mas, temos pontos isolados em que já começou o plantio. A região inteira não teve uma chuva equilibrada ainda para soltar realmente o plantio“.

Na última safra, a média de sacas de soja colhida por hectare ficou na casa das 52 sacas. “Não é ano para fazer floreios. Não é ano para gastar excessivamente. Acredito que o produtor vai trabalhar para manter aquela média do ano passado fechando os custos e garantir margens sobre a produção. É um ano desafiador”, salienta à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.

Conforme o tesoureiro do Conselho Estadual das Associações das Revendas de Produtos Agropecuários (Cearpa), Marcelo Cunha, o início do plantio da soja na região sempre ocorre entre os dias 5 e 10 de outubro. “Então, ainda estamos com o tempo a nosso favor. Tem que ter cautela, pé no chão, esperar essa chuva vir de fato e concretizar o plantio”.

Ele comenta que o atraso no início da semeadura acabou beneficiando as revendas nas entregas dos insumos. “No início foi um pouco tumultuada a entrega de sementes, alguns fertilizantes ainda estão chegando até o produtor. Mas, agora ajustou, acomodou o prazo”.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Propriedades enfrentam desafio de manter umidade no solo

Apesar da irregularidade das chuvas na região, algumas propriedades conseguiram registrar um avanço significativo nos trabalhos. Na propriedade da família Fritsch em Jaciara a soja deve ocupar três mil hectares. Cerca de 40% da área prevista já está plantada. Entretanto, o desafio agora é manter a umidade em cima dos talhões germinados.

O plantio na propriedade começou no dia 27 de setembro, comenta o produtor Murilo de Gasperi Fritsch. “Plantamos por dois dias, demos uma pegada de 20% da área e paramos porque choveu. Não tinha chovido muito ainda. Tinha um volume de uns 40 milímetros acumulado, bem picado. Aí deu uma chuva de uns 20 milímetros e entramos plantado. Só que o tempo secou de uma vez e as previsões para a frente não são animadoras. Você vê que nessa região aqui, Jaciara e Campo Verde, é pouca gente que está plantando ainda, tem lugar que já choveu muito, mas tem lugar que não choveu nada praticamente”.

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Fungo raro pode ajudar a combater praga que ameaça até 70% da produção de algodão

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Foto: Foto: Sebastião de Araújo/ Embrapa

Uma descoberta feita por pesquisadores no Pantanal pode representar um avanço importante no combate a uma das principais pragas do algodão. Um fungo com potencial para controlar o bicudo do algodoeiro foi identificado durante uma expedição e pode se tornar uma alternativa biológica ao uso de defensivos químicos.

O bicudo é considerado uma das pragas mais prejudiciais à cultura, com capacidade de causar perdas de até 70% na produtividade.

O inseto ataca diretamente as estruturas reprodutivas da planta, como flores e maçãs, onde se alimenta, se desenvolve e deposita ovos, comprometendo tanto a produção quanto a qualidade da fibra.

“Então, todo o ciclo de vida dele vai ocorrer ou dentro de flores ou dentro das maçãs. Esse seu desenvolvimento e alimentação pode ocasionar entre 70% e 100% de perda de produtividade na cultura e também a perda de qualidade da fibra no final da colheita”, explica a engenheira agrônoma e coordenadora de portfólio da Biotrop, Lauany Cavalcante.

A descoberta ocorreu quando pesquisadores encontraram uma maçã de algodão com o inseto completamente colonizado por um fungo. A partir disso, foi identificado um isolado do gênero Cordyceps, que passou a ser estudado como potencial agente de controle biológico.

Em laboratório, o fungo é multiplicado por meio de um processo de fermentação, que acelera seu desenvolvimento. Quando aplicado no campo, o microrganismo germina sobre o inseto e passa a se alimentar de seu conteúdo interno, levando à morte da praga e interrompendo seu ciclo.

“Nesse processo de germinação, o cordíceps vai se alimentar de todo o conteúdo interno dos insetos. E após se alimentar de todo o conteúdo interno, ele vai entender que ele precisa sobreviver fora fora dali”, explica Lauany Cavalcante.

O produto está em fase final de registro e pode reduzir o uso de defensivos químicos no campo. “Faltava uma solução que preenchesse uma lacuna, que permitisse o manejo do bicudo com uma carga química menor, com mais eficiência, com uma solução biológica que traga rentabilidade e controle para o produtor”, destaca o presidente da Biotrop, Jonas Hipolito.

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Mapa cria grupo de trabalho para avançar na sustentabilidade da carne bovina

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Foto: Divulgação Mapa

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) instituiu, nesta quinta-feira (26), por meio da Portaria nº 898, o Grupo de Trabalho (GT) Carne Bovina Sustentável – Cadeia de Fornecimento. A iniciativa tem como finalidade avaliar e propor práticas agropecuárias sustentáveis em toda a cadeia da carne bovina.

O GT atuará na formulação de propostas voltadas à promoção da transparência, à integração de informações públicas e privadas, ao uso de bases oficiais de dados e ao desenvolvimento e aplicação de ferramentas de rastreabilidade. A proposta é ampliar o controle e a eficiência da cadeia produtiva, alinhando sustentabilidade e competitividade.

O grupo é composto por representantes de quatro áreas do Mapa: Secretaria-Executiva, Secretaria de Defesa Agropecuária, Secretaria de Desenvolvimento Rural e Secretaria de Política Agrícola, além de instituições como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo).

Entre as atribuições do GT estão identificar, analisar e avaliar critérios, parâmetros e prazos de políticas de rastreabilidade e de práticas sustentáveis; propor a harmonização entre iniciativas do Mapa e demais parâmetros técnicos; promover a interlocução entre governo, setor produtivo e financeiro; e desenvolver soluções financeiras que aumentem a eficiência e a sustentabilidade do setor.

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Brasil cria rota para evitar Estreito de Ormuz e garantir envio de exportações

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Reprodução Canal Rural

Na busca por alternativas diante das instabilidades no Estreito de Ormuz, o Ministério da Agricultura e Pecuária firmou um acordo com a Turquia para garantir o envio das exportações agropecuárias brasileiras por uma nova rota. A pasta informou que obteve um certificado sanitário que permite o trânsito, especialmente de produtos de origem animal, além do armazenamento temporário das cargas em território turco antes de seguirem ao destino final. Na prática, as mercadorias passam a evitar o Golfo Pérsico.

Segundo o comentarista do Canal Rural, Miguel Daoud, a alternativa é viável, mas não sem custos. “Não há dúvida de que é uma alternativa. Agora, mais barato não é”, afirmou. Ele lembra que os países árabes dependem de cerca de 90% dos alimentos que consomem, com forte demanda por carne bovina e de frango, o que impõe regras rigorosas desde o processamento até o transporte.

Com a paralisação da rota tradicional pelo Golfo de Omã e pelo Estreito de Ormuz, a nova logística passa a combinar transporte marítimo e terrestre. As cargas seguem por navio até a Turquia e, depois, são distribuídas por rodovias ou ferrovias. Nesse processo, os produtos precisam permanecer em território turco, em áreas específicas, onde recebem certificação sanitária. “A Turquia daria o certificado sanitário e garantiria a qualidade dentro dos critérios exigidos pelos compradores”, explicou.

A escolha do país também está ligada ao perfil religioso. Com cerca de 90% da população muçulmana, a Turquia atende às exigências dos mercados importadores. Ainda assim, o impacto nos custos é significativo. “O seguro para aquela região já subiu em torno de 10 vezes”, destacou Daoud, ao ressaltar que, em alguns casos, seguradoras já evitam operar na rota tradicional.

Além do seguro, o frete também é pressionado pelo aumento do combustível e pela maior complexidade logística. Segundo o analista, o custo total das operações pode subir perto de 300%. Mesmo assim, a demanda segue firme. “Os países árabes precisam da comida”, disse, destacando que exportadores e importadores devem dividir esse custo adicional.

A nova rota marítima parte da costa brasileira, sobe pelo Atlântico Norte, entra pelo Estreito de Gibraltar, cruza o Mar Mediterrâneo e chega à Turquia. A partir daí, a distribuição segue por via terrestre, com envio por trem ou caminhão para países do Oriente Médio. As cargas podem, inclusive, permanecer armazenadas em contêineres refrigerados no território turco antes da redistribuição.

Na etapa terrestre, a Turquia passa a atuar como ponto de distribuição logística. A partir do país, os produtos seguem por ferrovia ou rodovia, com possibilidade de envio ao Irã por trem, além de outros destinos na região. Essa estrutura garante a continuidade do fluxo de proteínas como carne bovina e de frango.

Com a certificação sanitária concedida pela Turquia, há a garantia de que a carga brasileira mantém os padrões exigidos pelos importadores, desde a saída dos portos até a entrega final, atendendo inclusive critérios específicos como os do abate halal.

Na prática, a operação passa a combinar transporte marítimo e terrestre, com apoio logístico em território turco. Apesar de viabilizar o comércio, o modelo eleva significativamente os custos. “É a opção disponível. Não tem outra alternativa. Vai ficar mais caro, mas é uma solução”, resume Miguel Daoud.

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