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Sustentabilidade

Produtores e indústria alertam para desafios na implementação da rastreabilidade de defensivos no país – MAIS SOJA

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Produtores rurais, representantes da indústria e parlamentares da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) destacaram nesta quarta-feira (15), durante audiência pública na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados (CAPADR), a importância da rastreabilidade de defensivos, mas reforçaram a necessidade de cautela na implementação do Programa Nacional de Rastreabilidade de Produtos Agrotóxicos e Afins (PNRA), instituído pela Portaria nº 805/2025 do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA).

O debate foi proposto pelo presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (PP-PR), e pelos deputados Pezenti (MDB-SC) e Luiz Nishimori (PSD-PR). Convidado para apresentar o programa que o MAPA vai implantar, o secretário-executivo do órgão, Irajá Rezende de Lacerda, destacou que o PNRA amplia a proteção, a segurança e a transparência em todos os elos da cadeia produtiva. Segundo ele, “o Brasil se consolidou como um dos principais garantidores da segurança alimentar mundial, mas esse avanço trouxe novos desafios, como aprimorar a gestão pública e lidar com temas sensíveis, como o uso de agrotóxicos.”

Irajá ressaltou falhas no modelo atual de fiscalização, em que sistemas federais, estaduais, municipais e privados não se comunicam, e permitem concorrência desleal, falsificação, contrabando, evasão fiscal e prejuízos à saúde humana, animal e ambiental. Para corrigir essas falhas, “o Ministério está implementando o Sistema Integrado de Rastreabilidade (CIR), baseado em criptografia pública e QR Code, que permitirá rastrear os agrotóxicos desde a origem até o destino final, garantindo integração entre órgãos públicos e setor privado sem gerar custos adicionais aos produtores,” disse o secretário.

Durante a audiência, o deputado Tião Medeiros (PP-PR), coordenador de Infraestrutura e Logística da FPA, reforçou preocupações práticas dos produtores, citando dificuldades como a identificação de embalagens durante transporte e armazenagem em condições adversas. “O grande temor é que essa medida venha onerar ainda mais o produtor rural. Nosso papel é proteger quem produz, quem sustenta a base da economia e garante a segurança alimentar do país”, disse.

O deputado Luiz Carlos Hauly (PODE- PR), também integrante da FPA, ressaltou exemplos de sucesso no Brasil, como o programa de logística reversa de embalagens do InpEV Campo Limpo, que “recicla 97% das embalagens de agroquímicos, e o sistema de nota fiscal eletrônica, considerado um dos mais modernos do mundo, destacando que é possível implementar rastreabilidade sem onerar os produtores”.

Implementação

Arthur Gomes, diretor de defensivos químicos da CropLife Brasil, que representa 70% da indústria no país, alertou que o prazo atual previsto para implementação é insuficiente. “Dois anos para a indústria talvez signifique três ou quatro anos para distribuição. O prazo de 120 dias, como previsto atualmente, está muito distante da realidade do Brasil, considerando fabricante, transportador, armazenagem, distribuição, varejista e agricultor”, disse.

“Precisamos de uma implementação faseada, com padrões unificados para todos os elos, visando aumentar transparência, eficiência operacional e confiança do consumidor, sem gerar burocracia desnecessária com rastreamento de veículos, que já existe,” acrescentou Gomes.

Leonardo Minaré, assessor técnico da Aprosoja Brasil, chamou atenção para o tempo necessário para implementação de sistemas complexos de rastreabilidade, comparando-os ao controle de medicamentos.

“O sistema nacional de controle de medicamentos, criado pela lei 11.903 em 2009, só foi concluído pela Anvisa em 2022 — 13 anos de implementação. Ele utiliza QR Code e checkpoints em cada etapa, sem rastrear a carga, mas garante que cada medicamento seja rastreável até o consumidor final. Um defensivo agrícola mal usado pode causar tanto dano quanto um medicamento, mas a pressa na implementação da portaria 805 pode gerar ônus excessivo para o produtor, que já enfrenta endividamento e custos altos”, afirmou.

Minaré acrescentou que a falta de discussão e transparência na criação do novo sistema de rastreabilidade de grãos, instituído recentemente pelo MAPA, também preocupa o setor. Segundo ele, a exigência de adesão para acessar linhas de crédito públicas, custeio ou armazéns pode criar mais burocracia e custos para os produtores, sem que o sistema esteja plenamente testado e implementado. “É preciso transparência e diálogo com o setor antes de aplicar essas regras na prática”, concluiu.

Diálogo

Para encaminhar o debate, o deputado Domingos Sávio (PL-MG), coordenador de Defesa Agropecuária da FPA, afirmou que pretende ampliar o debate na bancada. “Considero extremamente relevante. Vou sugerir um convite para que possamos debater o tema mais profundamente, sem nos limitarmos ao regimental. É importante ouvir todos os segmentos e esclarecer as dúvidas sobre acesso a crédito e obrigações dos produtores”, disse.

Irajá concluiu que o PNRA pretende eliminar “ilhas de informação” entre os sistemas públicos e privados, para garantir transparência, rastreabilidade e segurança na cadeia de agrotóxicos, e proteger produtores, consumidores e o meio ambiente. Ele enfatizou que “o programa será implementado de forma gradual, utilizando infraestrutura já existente e tecnologia segura, sem custos adicionais aos produtores.”

A audiência reforçou a importância de manter um diálogo permanente entre governo e produtores rurais, para equilibrar as ações de controle e fiscalização com as condições reais do campo. O objetivo é garantir que o Brasil avance na rastreabilidade de agrotóxicos de forma técnica e responsável, sem comprometer a produtividade nem a competitividade do setor agrícola.

Fonte: Agência FPA



 

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Sustentabilidade

Mercado de soja registra movimentações nos portos e preços sobem

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Foto: Daniel Popov/ Canal Rural

O mercado brasileiro de soja teve uma sessão mais animada nesta quinta-feira (5), com negócios reportados nos portos de Paranaguá e Santos, voltados principalmente a produtores com produto disponível para embarque imediato. Apesar de ainda não haver volumes expressivos colhidos no país, a alta na Bolsa de Chicago contribuiu para a valorização dos preços no mercado interno.

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Os prêmios recuaram, limitando parte da força externa, mas o dia foi marcado por negociações efetivas e avanço nas cotações, que já se valorizaram em média R$ 3,00 por saca ao longo da semana.

Confira os preços de soja no Brasil

  • Passo Fundo (RS): subiu de R$ 124,00 para R$ 125,00
  • Santa Rosa (RS): avançou de R$ 125,00 para R$ 126,00
  • Cascavel (PR): permaneceu em R$ 118,50
  • Rondonópolis (MT): subiu de R$ 108,00 para R$ 109,00
  • Dourados (MS): passou de R$ 109,00 para R$ 109,50
  • Rio Verde (GO): avançou de R$ 110,00 para R$ 111,00
  • Paranaguá (PR): manteve em R$ 128,50
  • Rio Grande (RS): estabilizou em R$ 128,00

Chicago

Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros fecharam em forte alta, refletindo declarações do presidente americano sobre a possibilidade de aumento das compras chinesas de soja. A expectativa de incremento de demanda chinesa impacta os estoques norte-americanos e projeta movimento de prêmios nos portos brasileiros.

Os contratos futuros da soja em grão na Bolsa de Chicago encerraram a sessão em forte alta. A posição março registrou valorização de 1,83%, com cotação de US$ 11,12 1/4 por bushel, enquanto o contrato maio avançou 1,92%, sendo negociado a US$ 11,26 por bushel. Entre os subprodutos, o farelo de soja para março subiu 2,36%, a US$ 303,20 por tonelada. Já o óleo de soja apresentou leve recuo de 0,01%, com os contratos de março cotados a 55,65 centavos de dólar por libra-peso.

Câmbio

O dólar comercial encerrou em alta de 0,04%, negociado a R$ 5,2530 para venda e R$ 5,2510 para compra, com mínima de R$ 5,2353 e máxima de R$ 5,2883 ao longo do dia.

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Sustentabilidade

Início de Fevereiro deve ser marcado por pouca chuva no Sul – MAIS SOJA

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O mês de Janeiro foi caracterizado por restrições hídricas em importantes regiões produtoras, especialmente nos estados do Piauí, Bahia e Maranhão. Mesmo em áreas onde os volumes totais de precipitação foram elevados, a má distribuição das chuvas ao longo do período comprometeu o desenvolvimento das culturas.

Para a primeira quinzena de Fevereiro, as previsões indicam volumes de chuva satisfatórios na maior parte das regiões produtoras do Brasil. Contudo, para a região Sul, são esperados acumulados inferiores à média, sinalizando uma redução das precipitações no início de Fevereiro e potencial maior risco de déficit hídrico nessas áreas.

Figura 1. Precipitação acumulada para o início de Fevereiro. (2 a 17 de fevereiro de 2026).
Fonte: Prof Fábio Marin

Em um cenário mais otimista, as anomalias de precipitação previstas para o mês de Março indicam volumes de chuva dentro da média ou ligeiramente acima da média na maior parte do território brasileiro. Esse padrão sugere precipitações compatíveis com a normal climatológica do período, apontando para uma tendência de melhoria das condições hídricas.

Em relação à temperatura do ar, os modelos climatológicos sinalizam uma tendência de elevação térmica nos meses de Fevereiro, Março e Abril, com valores podendo atingir até 2 °C acima da média histórica. Sob condições de déficit hídrico, o aumento da temperatura do ar pode intensificar o estresse das plantas, comprometendo processos fisiológicos essenciais, como crescimento, desenvolvimento e, consequentemente, a produtividade das culturas agrícolas. Diante desse cenário, torna-se fundamental a adoção de práticas de manejo que minimizem os efeitos do estresse vegetal, caso essas projeções se confirmem.

No que se refere à influência dos fenômenos associados ao ENSO, mesmo sob a atuação de uma fraca La Niña, o professor e pesquisador Fábio Marin (LEB/ESALQ/USP) destaca a tendência de aquecimento das águas do oceano Pacífico, o que pode indicar o início de um processo de transição para condições de El Niño (figura 2). Caso essas projeções se concretizem, existe a possibilidade de formação de um evento de El Niño ainda neste ano, potencialmente de grande intensidade.

Figura 2. Previsão de ocorrência dos fenômenos ENSO.
Fonte: Prof Fábio Marin

Confira abaixo as atualizações completas trazidas por Fábio Marin no Boletim Tempocampo/Esalq de Fevereiro de 2026.


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Brasil deve embarcar até 11,420 mi de t de soja em fevereiro, aponta ANEC – MAIS SOJA

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As exportações brasileiras de soja em grão deverão ficar em 11,420 milhões de toneladas em fevereiro, conforme levantamento semanal da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC). Em fevereiro do ano passado, as exportações ficaram em 9,726 milhões de toneladas. Em janeiro de 2026, as exportações somaram 2,444 milhões de toneladas.

Na semana encerrada dia 31 de janeiro, o Brasil embarcou 1,160 milhão de toneladas. Para o período entre 1 e 7 de fevereiro, a ANEC indica a exportação de 2,633 milhões de toneladas.

Para o farelo de soja, a previsão é de embarques de 1,631 milhão de toneladas em fevereiro. No mesmo mês do ano passado, o total exportado foi de 1,502 milhão de toneladas. Em janeiro, somaram 1,708 milhão de toneladas. Na semana passada, as exportações ficaram em 433,229 mil toneladas e a previsão para esta semana é de 522,633 mil toneladas.

TRIGO

O Brasil deve exportar 139,320 mil toneladas de trigo em fevereiro. Segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC), em fevereiro do ano passado, as exportações ficaram em 559,704 mil toneladas. Em janeiro, foram 279,699 mil toneladas.

Na semana encerrada em 31 de janeiro, não houve embarques. Para a semana encerrada em 7 de fevereiro, estão previstos embarques de 55,320 mil toneladas.

Veja mais sobre o mercado de trigo:

Autor/Fonte: Rodrigo Ramos (rodrigo@safras.com.br) / Agência Safras News

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