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Brasil projeta safra recorde de soja, mas La Niña exige atenção

O Brasil deve colher safra recorde de 178,7 milhões de toneladas de soja em 2025/26, estimou Ana Luiza Lodi, analista da StoneX, durante seminário online nesta quarta-feira (15). O número considera 48,3 milhões de hectares de área plantada e recuperação de produtividade no Rio Grande do Sul, que teve perdas nas últimas temporadas. “Temos esse potencial de uma safra recorde, mas tudo vai depender do clima”, disse.
O fenômeno La Niña foi confirmado no Oceano Pacífico e deve persistir até o início de 2026, com fraca intensidade e curta duração. O padrão climático tende a reduzir as chuvas no sul da América do Sul nos meses de novembro e dezembro.
“Pode chover um pouco menos do que o normal em novembro e dezembro na Argentina, Uruguai e algumas áreas do Brasil. Mas são períodos que chove muito, então mesmo se chover menos não seria um grande problema. É um ponto a ser monitorado”, afirmou Lodi.
Para janeiro e fevereiro, meses críticos para o enchimento de grãos, a previsão indica maior normalidade nas precipitações no sul do continente. “Aí a gente tem o sul da América do Sul mais dentro da normalidade. De repente pode chover um pouco menos em outras partes do Brasil, mas são previsões muito longas que podem mudar bastante”, comentou.
Segundo Lodi, o La Niña não implica necessariamente perdas para a soja brasileira. As chuvas podem ficar abaixo da média no Sul, mas o fenômeno também tende a trazer temperaturas mais amenas, o que pode reduzir o impacto da menor umidade. Outras regiões do País podem ter volumes de precipitação acima do normal.
O plantio da soja avança dentro da janela ideal na maior parte das regiões, com ritmo mais acelerado que o registrado no ciclo passado. O clima segue favorável para o desenvolvimento inicial das lavouras, e as condições serão determinantes para a confirmação da estimativa recorde.
“O clima vai determinar se a nossa safra vai ser recorde no Brasil e dentro do esperado na Argentina, garantindo que o balanço global de soja continue sem maiores ameaças”, concluiu.
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Ex-ministro Aldo Rebelo diz que Brasil tem autonomia, mas precisa cobrar reciprocidade

A inserção do Brasil no cenário internacional, sob a perspectiva do agronegócio, dominou os debates de um evento que reuniu autoridades e especialistas ao longo da manhã desta segunda-feira (23), em São Paulo.
Um dos painelistas do evento “A geopolítica do agronegócio”, o ex-ministro Aldo Rebelo afirmou, em entrevista ao Canal Rural, que o país reúne condições únicas para atuar com autonomia, mesmo em um ambiente globalizado.
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Ao relacionar soberania e a inserção do Brasil no cenário internacional, Rebelo destacou três pilares principais: produção de alimentos, geração de energia e disponibilidade de recursos minerais estratégicos.
“O Brasil tem o mais importante, que é a capacidade de produzir alimentos e garantir sua própria segurança alimentar, além de contribuir com a segurança alimentar global”, afirmou. Ele também ressaltou a diversificação energética do país,
De acordo com o ex-ministro, o Brasil já possui autossuficiência em petróleo e uma matriz diversificada, mas ponderou que há potencial ainda não explorado. Para ele, áreas como a margem equatorial e novas fronteiras de exploração poderiam ampliar a oferta de energia.
“O Brasil tem, provavelmente, as fontes de energia mais diversificadas do mundo”, afirmou, ao citar também o avanço de fontes como eólica, solar e biomassa.
Além disso, ele apontou a relevância das reservas minerais. “Nenhum país tem a disponibilidade de minerais estratégicos que o Brasil possui”, declarou.
Dependência externa ainda é risco
Apesar das vantagens, Rebelo alertou para vulnerabilidades. Entre elas, a dependência de insumos importados e a falta de garantia sobre rotas comerciais seguras.
“O Brasil não tem garantia de insumos nem de rotas comerciais seguras”, afirmou, ao destacar a dependência externa, especialmente em fertilizantes, e a falta de estrutura para proteção das rotas de comércio.
Segundo ele, a ausência de estrutura de defesa compatível, especialmente no campo marítimo, limita a capacidade de proteção do comércio exterior brasileiro.
Relações internacionais e reciprocidade
Ao tratar das relações internacionais, Rebelo defendeu uma postura mais assertiva do Brasil, baseada na reciprocidade. Na prática, é a exigência de tratamento equivalente por parte dos parceiros comerciais.
“Parceiro estratégico não se alia a adversários dentro do próprio país”, disse, ao comentar a relação com a China, citando interlocuções com organizações que fazem críticas à agricultura brasileira.
Em relação aos Estados Unidos, ele apontou sinais de distanciamento diplomático. “Um país que quer ser parceiro não pode passar mais de um ano sem indicar embaixador”, afirmou, ao mencionar a ausência de um representante permanente no Brasil desde 2025.
Para Rebelo, situações como essas indicam desequilíbrios na relação e reforçam a necessidade de o país adotar uma postura mais firme. “O Brasil tem condições de cobrar reciprocidade nas relações internacionais”, concluiu.
Geopolítica na agenda do agronegócio
Outro ponto destacado no evento foi o papel da geopolítica no agronegócio, que ainda não é central na agenda do setor, mas que começa a aparecer aos poucos.

Segundo Marcelo Coutinho, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), há sinais de maior coesão entre as lideranças do agro, o que pode ampliar a capacidade de influência do setor. “Quanto mais coesa for a elite do agro, maior tende a ser sua influência no Estado”, afirmou.
O pesquisador também apontou uma tendência de alinhamento em torno de inovação, sustentabilidade e meio ambiente, temas que devem ganhar força nos próximos anos.
Já Plinio Nastari, fundador e presidente da consultoria Datagro, chamou atenção para entraves internos que ainda afetam a competitividade do agro brasileiro. “O setor é eficiente e estruturado, mas enfrenta uma burocracia que pesa e distorce a forma como o Brasil é avaliado lá fora”, disse.
Ele também ressaltou que parte das acusações externas, especialmente em temas trabalhistas e ambientais, precisa ser melhor enfrentada pelo país, com mais clareza na comunicação e defesa institucional.
Além disso, o painel indicou que assuntos estratégicos, como fertilizantes, ainda aparecem de forma intermitente no debate público, apesar da relevância para a segurança produtiva.
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Preços do feijão caem com demanda fraca e avanço da colheita no Brasil, aponta Cepea

O mercado de feijão segue enfrentando um cenário de demanda enfraquecida no Brasil, o que tem pressionado os preços do grão em diversas regiões. De acordo com levantamentos do Cepea, a menor necessidade de reposição por parte das indústrias, que já se encontram abastecidas, resultou em novas quedas nas cotações ao longo da última semana.
Mesmo com esse movimento de baixa recente, os preços médios de março — até o dia 19 — ainda se mantêm acima dos registrados em fevereiro, indicando que o mercado segue ajustando os valores após um período de maior sustentação.
Feijão carioca recua com colheita e pressão por caixa
No caso do feijão carioca de melhor qualidade, com notas 9 ou superiores, os preços também apresentaram recuo, influenciados principalmente pelo avanço da colheita na região Sul do país, que aumenta a oferta no mercado. Em outras praças, a necessidade de “fazer caixa” levou produtores a anteciparem vendas, o que reforçou a pressão baixista.
Já para os grãos de qualidade intermediária, com notas entre 8 e 8,5, o fator decisivo tem sido o escurecimento dos grãos. Diante do risco de perda de qualidade, muitos produtores optam por priorizar a liquidez e acelerar a comercialização antes de possíveis desvalorizações mais intensas.
Feijão preto também registra quedas
O mercado de feijão preto segue a mesma tendência. Segundo o Cepea, o desequilíbrio entre oferta e demanda resultou em quedas generalizadas nos preços ao longo da semana nas principais praças acompanhadas.
Colheita avança, mas ainda abaixo da média
No campo, dados da Conab indicam que a colheita da primeira safra de feijão já alcança 65% da área nacional. O índice supera os 61,8% registrados no mesmo período do ano passado, mas ainda está ligeiramente abaixo da média dos últimos cinco anos, de 67,7%.
O avanço da colheita, aliado à demanda enfraquecida, reforça o cenário de pressão sobre os preços no curto prazo, enquanto produtores ajustam suas estratégias diante das condições de mercado.
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E se a madeira durasse muito mais? Cientistas brasileiros já estão trabalhando nisso

A Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) vem ampliando as pesquisas sobre modificação da madeira com foco em aumentar a resistência do material à biodeterioração, um dos principais desafios para o uso mais amplo da madeira na construção civil e na indústria.
Vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Florestais (PPGCFL), no campus de Alegre, no sul capixaba, o grupo de pesquisa Modificação da Madeira concentra os estudos em espécies de grande relevância econômica, como o eucalipto, além de madeiras tropicais da Amazônia brasileira.
O principal alvo das investigações tem sido a madeira de eucalipto, oriunda de plantios de rápido crescimento e rotações curtas, característica que amplia seu potencial de uso em escala. O grupo também pesquisa a madeira de tauari, espécie amazônica indicada para pisos, móveis, portas e painéis, mas que ainda ocupa espaço reduzido no mercado nacional.
A proposta é gerar conhecimento científico sobre matérias-primas brasileiras e ampliar as possibilidades de aplicação de madeiras com maior valor agregado.
Novas frentes de pesquisa com madeira
A modificação da madeira, subárea da proteção da madeira, já é amplamente desenvolvida em termos científicos e industriais em países da Europa, mas ainda avança de forma mais tímida no Brasil. Nesse cenário, o trabalho desenvolvido pela Ufes busca fortalecer a produção de conhecimento técnico, orientar o setor produtivo e estimular novas frentes de pesquisa sobre um tema estratégico para a indústria florestal e para a construção civil.
As pesquisas conduzidas pelo grupo contam com uma rede de cooperação formada por
universidades e instituições do Brasil e do exterior. No país, estão entre as parceiras instituições como as universidades federais do Paraná, Lavras (MG), Mato Grosso, do Oeste do Pará e Rural do Rio de Janeiro, além do Laboratório de Produtos Florestais do Serviço Florestal Brasileiro e da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes).
No cenário internacional, a articulação inclui universidades da Alemanha e da Espanha, além de um centro francês de pesquisa agrícola, o que reforça o alcance técnico e científico das investigações.
Uma das frentes de estudo envolve a modificação térmica da madeira de Eucalyptus
grandis em sistemas fechado e aberto. A linha de pesquisa busca compreender como diferentes condições de tratamento influenciam a composição química do material, sua resistência a fungos apodrecedores e sua capacidade de absorver umidade do ambiente.
A proposta é avaliar alternativas que aumentem a durabilidade da madeira sem recorrer ao uso de produtos tóxicos, o que amplia o interesse da técnica do ponto de vista ambiental e industrial.
Esse tipo de tecnologia pode contribuir para prolongar a vida útil da madeira, reduzir perdas por descarte precoce e tornar mais eficiente o aproveitamento de recursos florestais plantados. Ao mesmo tempo, os resultados ajudam a agregar valor ao eucalipto, hoje a principal essência florestal cultivada no Brasil, abrindo caminho para aplicações em produtos mais sofisticados e de maior retorno econômico.
Outra linha de investigação analisa a proteção da madeira contra fungos, cupins e problemas associados à umidade, com potencial de aplicação direta na construção civil. As pesquisas mostram que ampliar a durabilidade da madeira também pode reduzir custos com falhas, retrabalho e soluções corretivas, além de oferecer ao setor ferramentas mais precisas para tomada de decisão técnica.
Em um país onde a adoção da madeira na construção civil ainda encontra barreiras relacionadas à manutenção e à percepção de risco, esse avanço científico ganha relevância ainda maior.
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