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Crédito rural em queda reforça busca por soluções de longo prazo

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A liberação de crédito rural caiu 12% nos primeiros três meses do Plano Safra 2025/26, com retração mais acentuada entre grandes produtores. No período, foram acessados R$ 156 bilhões em financiamentos tradicionais e por meio da Cédula de Produto Rural (CPR), conforme balanço preliminar do Ministério da Agricultura (Mapa).

A redução já vinha sendo observada desde o ano passado e reflete principalmente restrições bancárias e aumento da inadimplência. Segundo David Télio, diretor de Novas Estruturas Financeiras da TerraMagna, há muitos produtores com dívidas de safras anteriores, o que impede novos financiamentos.

“Produtores assim ficam fora das condições de elegibilidade para o novo Plano Safra 2025/26. Muitos ainda têm pendências de safras anteriores, não conseguem quitar e, portanto, não têm acesso a novos créditos”, explica.

Restrição de crédito e novas exigências

Um dos principais motivos, de acordo com Télio, é o endurecimento dos critérios de risco adotados pelos bancos e pelo mercado de capitais. Após perdas com grandes contas, instituições financeiras passaram a pulverizar as carteiras, priorizando pequenos e médios produtores. Além disso, a exigência de garantias aumentou.

“Até 2022, muitos bancos operavam apenas com CPR. Agora, pedem também hipoteca ou alienação fiduciária da área”, diz o especialista. As mudanças seguem orientações do Banco Central, que determinou provisões maiores para operações de risco.

Outro fator é o impacto das restrições socioambientais. Télio explica que desde 2023, produtores com embargos não podem acessar recursos controlados do Plano Safra. “Identificamos uma quantidade relevante de produtores nessa condição. Até então, poucos se preocupavam com isso”, ressalta.

Orçamento limitado e crédito privado em alta

A liberação fracionada dos recursos do Plano Safra 2025/26 também pressiona o fluxo. Parte dos valores só estará disponível a partir de janeiro de 2026, uma novidade neste ciclo. O orçamento, porém, pesa. “O governo subsidia a diferença de juros entre o mercado e o Plano Safra, mas o orçamento está muito apertado. Há risco de falta de espaço para novos subsídios no próximo ano”, afirma Télio.

Com isso, o crédito privado vem ganhando espaço, mas com custos altos. “Não é uma opção, é a única solução. Como os juros subsidiados são insuficientes, o produtor recorre a taxas de mais altas no mercado”, explica.

Alongar prazos e renegociar dívidas

Para os produtores que enfrentam dificuldades, Télio destaca que a saída é negociar e buscar fôlego por um período mais longo. “É hora de conversar com os credores e apontar soluções de médio e longo prazo. Não é o momento de buscar lucro, e sim de continuar respirando, plantando e mantendo o negócio”, diz.

Télio cita alternativas que vêm ganhando espaço, como operações via Fiagro, que permitem alongar dívidas ou recomprar áreas em prazos de cinco a dez anos. “O fundo compra a terra do produtor, quita parte da dívida, e o produtor paga um arrendamento até recomprar. É uma estrutura que alivia o caixa e mantém a produção”.

Ele lembra, entretanto, que o processo será lento: “Não se resolve em um ou dois anos. Devem ser necessárias de três a quatro safras para o produtor reorganizar o fluxo e voltar a respirar”, pondera.

Apesar do cenário de juros altos e crédito restrito, Télio reforça que o campo segue produzindo. “É por isso que seguimos batendo recordes de produção mesmo com menos crédito disponível”.

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Novos usos para o arroz e mais: setor estabelece 7 medidas para contornar a crise

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Foto: Paulo Lanzetta

A Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) foi palco de encontro do setor do arroz gaúcho na manhã desta quinta-feira (5), em Porto Alegre.

Em coletiva de imprensa, representantes da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) e do Instituto Rio-Grandense do Arroz (Irga) se reuniram para divulgar medidas conjuntas para reverter as dificuldades enfrentadas pela cadeia orizícola do estado.

Em apresentação realizada pelo economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz, foram destacadas sete medidas elaboradas em conjunto para o curto e médio prazo:

  1. Difusão, com clareza e transparência, da preocupação das entidades com o cenário para 2026 e a recomendação de redução da área plantada;
  2. Busca por mecanismos de comercialização;
  3. Uso do Certificado de Direitos Originários (CDO) como estímulo às exportações;
  4. Proposta de redução temporária do ICMS, no período de maior comercialização, para melhorar a competitividade frente ao Paraguai;
  5. Proposta de desconcentração dos vencimentos de CPRs em 30 de março e 30 de abril, junto às indústrias, revendas e empresas multinacionais;
  6. O alongamento de custeios junto às instituições financeiras; e
  7. Ações de pesquisa, divulgação e combate à venda de arroz fora do tipo especificado na embalagem.

O presidente da Federarroz, Denis Dias Nunes, destacou que o setor foi surpreendido por uma das contingências mais difíceis dos últimos tempos na cadeia arrozeira. “Em 2025, tivemos uma das maiores colheitas do Mercosul e também uma produção elevada em nível mundial. Isso pressionou os preços”, recordou.

Segundo ele, a entrada da Índia no mercado internacional agravou o cenário ao deprimir os valores no mercado global e, consequentemente, na América do Sul, especialmente no Mercosul.

“Somado a isso, tivemos uma supersafra, crédito difícil e juros altos. Esse conjunto de fatores nos levou a uma situação extremamente delicada, com uma recessão muito negativa nesta safra, que se arrasta até 2026. Esse cenário resultou em um endividamento significativo dos produtores”, concluiu.

O presidente da Federarroz também afirmou que o setor tem trabalhado dentro da lógica de simetria do Mercosul. “A indústria do Rio Grande do Sul perdeu, nos últimos anos, uma parte importante do seu beneficiamento para indústrias de Minas Gerais e São Paulo, que não produzem arroz, mas importam grandes volumes do Paraguai. Esse é um tema que precisa ser enfrentado”, ressaltou.

Uso do arroz no etanol

Outro assunto abordado por Nunes foi o estudo em andamento para o uso do arroz na produção de etanol.

“Por meio da Câmara Setorial, encaminhamos solicitação à Assessoria de Assuntos Estratégicos da Presidência da Embrapa para que, via Embrapa Agroenergia, possamos aprofundar os estudos sobre o uso do arroz para etanol. Além disso, essa mesma assessoria está avaliando outros destinos e finalidades para o arroz”, adiantou.

De acordo com ele, não há preocupação em retirar o arroz da alimentação humana, que seguirá sendo seu destino principal. “O que buscamos é potencializar a capacidade produtiva que o Rio Grande do Sul possui, apoiada pelas pesquisas do Irga, da Embrapa e de empresas privadas, que garantem a qualidade do nosso produto, alta produtividade e possibilidade de ampliação de área”, ressaltou.

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Exportações de soja do Brasil somam 1,8 milhão de t em janeiro

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Foto: Governo Federal

As exportações brasileiras de soja em grão alcançaram 1,876 milhão de t em janeiro, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). A receita total obtida no período somou US$ 830,983 milhões, com média diária de US$ 39,570 milhões.

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O volume médio diário embarcado foi de 89,358 mil toneladas, enquanto o preço médio da soja exportada ficou em US$ 442,80 por tonelada.

Na comparação com janeiro de 2025, a receita média diária cresceu 91,7%, impulsionada principalmente pela expansão de 75,5% no volume exportado. O preço médio da tonelada também apresentou valorização, com alta de 9,2% no período.

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Arroz: ampla oferta exige disciplina máxima do setor em 2026

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Foto: Freepik

A safra 2025/2026 de arroz terá seu início em março sob um pano de fundo que impõe racionalidade tática e pouco espaço para projeções otimistas. O setor ingressa neste novo ciclo ainda absorvendo os desdobramentos de um período anterior marcado por severos desequilíbrios, com volumes expressivos de estoque remanescente — superiores a 2,2 milhões de toneladas (base casca) — que exigem escoamento ágil para impedir nova compressão de preços e margens em toda a estrutura produtiva. Diante desse quadro, qualquer leitura alvissareira carece de sustentação técnica.

Mantidas as condições atuais, o desenho mais provável é de um mercado operando em faixa estreita de preços, com avanços limitados e diretamente dependentes da capacidade de exportação para absorver o excedente. A geração de resultado tende a seguir restrita ao longo do primeiro semestre, com eventual alívio condicionado à condução comercial mais disciplinada por parte dos produtores e à eficiência da indústria em diluir a oferta ao longo do tempo, evitando picos concentrados de venda.

Do ponto de vista das variáveis fundamentais, alguns fatores assumem papel central na formação de preços. No mercado interno, os principais gargalos seguem bem definidos: custos de produção elevados, logística onerosa e perda de competitividade frente ao Mercosul, especialmente Paraguai, que opera com estruturas mais leves e modernas, além de uma hipertrofia de incentivos, tanto públicos quanto privados.

A dificuldade de repasse no varejo, somada a um consumo doméstico estruturalmente fraco, limita qualquer tentativa de reação sustentada. A lógica é simples: sem giro, não há sustentação de preços. No campo, insistir na retenção como estratégia padrão apenas amplia riscos financeiros e posterga o ajuste necessário.

Mercado internacional do arroz

No ambiente externo, o câmbio segue como variável sensível. Um dólar extremamente volátil, recuando quase 6% no mês de janeiro, reduz margens exportadoras, especialmente em produtos de maior valor agregado, e dificulta ainda mais o fechamento de novos contratos. Ainda assim, a exportação permanece como necessidade matemática, não como opção.

A geopolítica também entra no radar: mercados como México e Venezuela (ambos inseridos em tabuleiros diplomáticos inflamáveis) seguem relevantes como válvulas de escape, enquanto a possibilidade de redução de área no Mercosul e nos Estados Unidos pode, ao longo do tempo, contribuir para um reequilíbrio gradual da oferta no continente. No curto prazo, porém, o ambiente internacional ainda é de superoferta, com a Índia mantendo forte pressão estrutural sobre as cotações.

Encerrando a leitura deste início de ciclo, 2026 se apresenta como um período que exige revisão conceitual e mudança de postura do setor orizícola. Insistir em uma visão restrita do arroz como “cultura básica” é, na prática, perpetuar movimentos recorrentes de excesso de oferta e crise de rentabilidade.

A resposta de longo prazo passa por elevar o nível de sofisticação das exportações, ampliar aplicações industriais e alimentares do cereal e avançar de forma consistente em políticas que ataquem a estrutura de custos no campo que oneram cada vez mais a rentabilidade dos produtores.

Para quem dá os primeiros passos da colheita, a mensagem é objetiva: o mercado se move em ciclos próprios e não concede prêmios à inércia. Valoriza decisões calculadas, timing comercial e planejamento.

*Evandro Oliveira é graduado em Economia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e especialista de Safras & Mercado para as culturas de arroz e feijão

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